Mostrar mensagens com a etiqueta Epistemologia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Epistemologia. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Críticas formuladas ao método indutivo


Críticas formuladas ao método indutivo


A indução tem alguns problemas, mas enquanto método científico tem mais pelo rigor intelectual e objectividade que o trabalho científico requer.


1. O primeiro grande problema que se coloca ao método indutivo diz respeito à observação: o facto de partir da observação.

Popper é um grande crítico desta ideia, afirma que a observação é sempre efectuada a partir de teorias ou de um conjunto de conhecimentos prévios, que guiam e orientam a observação. São essas teorias prévias que permitem ao cientista fazer a focagem em determinado assunto e de determinada maneira. Pois se não houvesse teorias prévias como se saberia o que observar? Não só o cientista não saberia o que observar como não saberia como observar. Ou seja, cairia numa observação ingénua, de senso comum, que olharia descontraída e naturalmente para as coisas, como o fazemos no dia a dia. Ora a ciência não é uma actividade ‘natural’ do homem, é uma actividade artificial e como tal implica um acto de vontade, uma vontade e uma actividade crítica que procura não se deixar iludir pelo olhar natural e muito menos por meras associações mentais espontâneas que fazemos ao olhar para as coisas.

Assim percebemos que o olhar do cientista é um olhar dirigido, um olhar focado, um olhar intencional, a partir do Popper chama “horizonte de expectativas”. É neste sentido que se transcreve a seguinte afirmação de Popper: “uma observação (científica) é uma percepção planificada e preparada. Não temos uma observação (ainda que possamos ter uma experiência sensível), mas ‘fazemos’ uma observação. As observações vão sempre precedidas por um interesse particular, uma pergunta ou um problema – numa palavra por algo teórico. (...) Por isso as observações são sempre selectivas e pressupõem algo como um princípio de selecção.”[1]


2. O segundo problema colocado ao método indutivo recai sobre a própria indução. É o facto de não haver legitimidade lógica para realizar a generalização.

            2.1. Não há necessidade lógica na conclusão do raciocínio indutivo. Ou seja da verdade das premissas não se garante a verdade da conclusão. Em termos práticos este problema lógico traduz-se no problema seguinte: que legitimidade existe em concluir sobre o desconhecido a partir do conhecido? Do ponto de vista lógico não há legitimidade.

                2.2. O que legitima passar de alguns casos conhecidos para todos os casos, conhecidos e desconhecidos? É o costume e a crença na regularidade da natureza como dizia Hume?

Popper formula esta crítica, mas afasta-se da crítica que Hume fez ao carácter psicologista da indução. Recordemos. Hume dizia que a indução é baseada no costume e no hábito. É pelo hábito de ver determinado fenómeno repetido que todos nós somos levados a induzir para o que ainda não vimos. Aliado ao hábito existe a crença que existe uma regularidade na natureza. Isto fez Hume cair no cepticismo uma vez que a partir do seu empirismo chegou à conclusão de que a mente humana não trabalhava assente na racionalidade, mas por mera associação empírica, hábito e crença.

Popper não concorda nem com o empirismo, nem com o cepticismo e como tal não concorda que a mente humana trabalhe por mera associação e hábito. Assim, afirma que “actuamos baseando-nos não em repetição ou hábito, mas nas nossas teorias melhor contrastadas que (...) são as que se vêem apoiadas por boas razões racionais; naturalmente, possuímos boas razões para acreditar, não que são verdadeiras, mas que são as mais válidas (...)”[2]. Conhecendo a teoria do conhecimento de Popper, facilmente concluímos que onde Hume via costume, vê Popper a submissão da hipótese (mesmo que inconsciente) ao real.

2.3. A indução tem como fundamento ou justificação a própria indução. Então faz um raciocínio circular. Ou seja a indução justifica-se porque no passado o princípio indutivo resultou, teve êxito.

A indução resulta em x; a indução resulta em y; (…); a indução resulta em z,
Logo, a indução resulta sempre.


3. A verificação – processo de testagem e validação de hipóteses e de demarcação do campo científico do campo não científico

O verificacionismo é

1) um critério de cientificidade - demarca o campo científico co campo não científico;

2) um critério de validação das hipóteses científicas.

O Problema do verificacionismo relaciona-se com os pressupostos positivistas que o animam: só é conhecimento científico o que for empiricamente verificado.

Assim, confirmando uma hipótese, por novas observações, supõe-se a sua verdade.

Ora é nesta ideia de que é possível confirmar (verificar) a verdade de uma hipótese ou teoria que o verificacionismo apresenta problemas...

Porquê?

O problema está na própria verificação ou confirmação. A verificação da hipótese ao nível da testagem visa validar a hipótese, pelo que o cientista prepara a testagem com a finalidade de confirmar a sua hipótese.

Mas sobre a verificação podemos levantar duas objecções:

    1. A verificação pressupõe que se possa atingir a verdade da hipótese e como tal, após esta ser confirmada, aceita-se como verdade, de acordo com o espírito positivista que enquadra a observação/experimentação. Como consequência não há a preocupação de procurar eventuais erros e falhas que ela encerre ou procurar uma nova hipótese mais abrangente e simples – o que contraria o carácter revisível da ciência
    2. o processo de testagem pode ser afectado pela própria teoria. A teoria do cientista ao orientar o processo de testagem – as técnicas e os instrumentos utilizados –, permite ver aquilo que o cientista ‘quer’ ver. Ou seja dirige olhar.
      Este terceiro problema como já referido não diz respeito só ao método indutivo, mas também ao método hipotético-dedutivo. O método hipotético-dedutivo é o que Popper defende, mas pode ser entendido de duas formas tendo em conta o papel que a testagem das teorias nele tem. Se o papel da testagem for o de verificar (confirmar) a teoria, Popper não concorda. Assim, como a respeito do método indutivo não concorda que novas observações permitam confirmar e induzir, também no método hipotético-dedutivo não concorda que se deduza algo por confirmação.

 

3.3.  O problema lógico da VERIFICAÇÃO

Ao generalizar é impossível verificar todos os casos possíveis para validar a ideia geral ou teoria, quer sejam casos do passado quer do futuro.


A verificacionismo apresenta-se sob a forma de uma inferência inválida: falácia da afirmação do consequente:

“se H, então C
C
Então H”;


Ou seja, da afirmação do antecendente podemos concluir a afirmação do consequente (Modus Ponens):

“se H, então C
H
Então C”;


mas a partir da afirmação do consequente não podemos concluir a afirmação do antecedente.


Ou seja, pelo facto de se afirmar “todos os cisnes são pretos” como Hipótese, não se conclui a sua verdade pelo facto de se verificar uma vez e outra vez cisnes pretos.


O que é possível é o seguinte: ao descobrir um cisne não preto (~C) podemos negar a Hipótese, que é o antecedente (~H).


Porquê?

 Porque a afirmação do consequente não é condição do antecedente, mas antes o inverso: o antecedente é que é condição do consequente. As regras do silogismo hipotético dizem-nos isso e afirmam que só podemos concluir sobre o antecedente a partir da negação do consequente:

Se H, então C

~C

então ~H.



[1] Conhecimento Objectivo, pp.308,309
[2] Conhecimento Objectivo, pp.95, 96

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Condição Necessária e Condição Suficiente

A condição suficiente estabelece-se na relação entre um antecedente e um consequente.
O antecedente é condição suficiente do consequente.
O consequente é condição necessária do antecedente.
Por exemplo, se estou em Aveiro, então estou em Portugal.
Estar em Aveiro é condição suficiente para estar em Portugal.
Estar em Portugal é condição necessária para estar em Aveiro. Contudo, neste caso, não é suficiente.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

A neutralidade da ciência

Pode a ciência ser neutra ou incorpora nas suas perguntas e nas suas conjecturas a subjectividade do cientista e do seu modelo cultural?

Pode a tecnologia ser neutra ou estabelece ritmos próprios e configura a estrutura cognitiva de quem a utiliza?

quarta-feira, 9 de maio de 2012

A ciencia como construção

O conhecimento cientifico como reconstrução da experiência e do real.

Quando dizemos que está quente ou frio estamos a realizar uma apreciação qualitativa e subjetiva .
Por quê?
Cada sujeito que avalia a temperatura tem ele mesmo uma temperatura que influência a sua medição do ambiente exterior, assim como a temperatura ambiente influência a medição da temperatura de um outro objecto. Por exemplo, se estiver a nevar e brincarmos com neve e de seguida lavarmos as mãos a água da torneira será quente. E se alternativamente estivéssemos à lareira e fôssemos lavar as mãos como classificaríamos a mesma água da torneira? 
A temperatura da água da torneira varia em função do ambiente em que o sujeito está assim como depende do próprio estado do sujeito. É esta razão que nos leva a dizer que a avaliação é subjetiva pois depende das circunstancias, da posição do sujeito, assim como do próprio estado do sujeito.

A esta avaliação subjetiva e qualitativa da temperatura a ciência contrapõe uma avaliação objectiva ( que não dependa da posição nem do estado do sujeito ) e quantitativa ( que seja mensurável, que se traduza por números e possa ser assim confirmada e idêntica para todos os sujeitos.

Interessa perceber que a realidade CONHECIDA é criada pelo próprio cientista. Vejamos como. 
o cientista para medir a temperatura teve que:
1º criar uma unidade de medida, tal como o metro o é para medir comprimentos - essa unidade de medida fixou que seriam 0 graus no ponto de congelação da água e que seriam 100 graus na sua evaporação.
2º sabendo que o mercúrio dilata x por calor y, isto é que dilata com uma determinada proporção em função da temperatura, criou o termómetro a mercúrio como instrumento de medida.

O instrumento termómetro dá-nos a temperatura quantitativamente e objectivamente e por isso a medição realizada por um sujeito particular será  idêntica a qualquer outra que outro sujeito fizesse no mesmo lugar e circunstâncias e ao mesmo objecto ( universalidade e intersubjectividade ).

Em conclusão:
1º - A realidade para a ciência é construída porque os fenómenos, os factos científicos só existem a partir de uma teoria e de instrumentos que estão ao seu serviço e que nos dão a conhecer tal facto – que antes não eram conhecidos.
2º - Os factos científicos são construídos também porque são objectivos, pois são concebidos, teorizados matematicamente e conhecidos quantitativamente, de forma a transmitirem características universalmente conhecidas e aceites.
3º - A ciência ao construir os factos dá-nos uma nova visão dos fenómenos e da realidade que não existiria sem a ciência.

Fazendo um confronto com o conhecimento do senso comum:
1º - Este não usa teorias nem instrumentos, o que existe é o que os sentidos captam de forma imediata.
2º - O senso comum conhece subjectivamente, isto é o conhecimento depende sempre da posição do sujeito, da sua cultura, características pessoais e da sua percepção sensorial, daí que o conhecimento seja qualitativo.
3º  - A realidade para o senso comum é aquela que a sua cultura e olhar lhe fornecem – e que jamais põe em causa – como poderia por em causa aquilo que os seus olhos vêm?

O Verificacionismo e o Falsificacionismo

O que distingue o verificacionismo do falsificacionismo?

O VERIFICACIONISMO afirma que é POSSÍVEL DEMONSTRAR A VERDADE de uma hipótese.

O FALSIFICACIONISMO afirma que SÓ é possível demoisntrar a FALSIDADE de uma hipótese.

Esta é a distinção fundamental que nos permite perceber porque na indução os cientistas ficam contentes com uma observação que confirma a teoria e perceber porque os falsificacionistas consideram isto ridículo (falácia lógica da afirmação do consequente).

Para estes a observação só tem utilidade se visar a destruição (refutação) da teoria. Assim, para estes a verdade pode ser atingida. mas se algum dia  soubermos a verdade não temos forma de o saber que isso é verdade. Só podemos pensar que a teoria é verdadeira porque não há meio de ser refutada. mas esta incapacidade pode ser sempre uma limitação dos homens.

Assim, para os falsificacionistas a ciencia evolui por tentativa e erro e por aproxima~ções sucessivas à verdade - por verosimilhança ou verosimilitude.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Método das Conjecturas e Refutações


O verificacionismo - problematização


Abandonando-se a indução, como é que se podem distinguir as teorias das ciências empíricas das especulações pseudo-científicas, não científicas ou metafísicas?
Este é o problema da demarcação. Ele resolve-se, sugiro eu, aceitando a testabilidade, a refutabilidade ou a falsificabilidade como sendo a característica distintiva das teorias científicas. (…)
O método de procurar verificações parecia-me pouco válido – parecia-me, na verdade, ser o método típico de uma pseudociência. Apercebi-me da necessidade de se distinguir, tão claramente quanto possível, este método de um outro método – o método de testar uma teoria tão severamente quanto se for capaz – isto é, o método da crítica, o método de procurar casos que constituam falsificação.
O método de procurar verificações não era apenas acrítico: promovia também uma atitude acrítica quer em quem a expunha quer em quem lia. Ameaçava, assim, destruir a atitude de racionalidade, da argumentação crítica.
Freud era, de longe, o mais lúcido e o mais persuasivo dos expositores a que me estou a referir. Mas qual era o seu método de argumentar? Freud dava exemplos: analisava-os e mostrava que eles se encaixavam na sua teoria ou que a sua teoria podia ser descrita como sendo uma generalização dos casos analisados. Por vezes apelava aos seus leitores para que suspendessem as suas críticas e indicava que iria responder a todas as críticas sensatas em ocasiões posteriores. Mas quando eu olhei um pouco mais de perto para uns quantos casos importantes, descobri que as respostas nunca tinham chegado. De forma assaz curiosa, porém, muitos leitores estavam satisfeitos.”
                 K. Popper, O realismo e o Objectivo da Ciência, Lisboa, Publ. D. Quixote, 1997, pp. 177 e 18

sábado, 19 de novembro de 2011

'Mais rápidos que a luz'? Afinal Einstein tinha razão - Ciência - DN

O postulado de que a velocidade da luz - 300 000Km/s é a velocidade máxima tem sido posta em causa no último mês por se verificar que os neutrinos viajam mais rápido do que a própria luz.



Mas talvez haja um erro de medição....!?
Existe uma Hipótese em fase de discussão científica que explicaria o facto dos neutrinos andarem feitos loucos a acelerar...


'Mais rápidos que a luz'? Afinal Einstein tinha razão - Ciência - DN

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O Conhecimento Científico em Mudança


O resultado, anunciado amanhã na “Nature”, surpreendeu os seus autores (entre os quais oito portugueses)
O protão é mais pequeno do que se pensava e por enquanto ninguém sabe porquê
07.07.2010 - 18:49 Por Ana Gerschenfeld
Votar | 23 votos 6 de 6 notícias em Ciências« anterior
“Das três uma: ou a teoria está incompleta e há qualquer coisa que ela não consegue prever; ou os cálculos estão errados; ou o valor de uma das constantes mais bem conhecidas da física está errado”, diz-nos pelo telefone Joaquim Santos, da Universidade de Coimbra. A teoria de que fala é a Electrodinâmica Quântica, ou QED, um dos pilares da física, que descreve as interacções entre a luz e a matéria e é uma das mais bem sucedidas na previsão das propriedades dos átomos. Os cálculos de que fala são aqueles que, a partir dessa teoria, permitem calcular o tamanho (o raio) do protão, um dos constituintes de base dos átomos. A constante de que fala é uma constante física fundamental, chamada constante de Rydberg e cujo valor também está ligado ao tamanho do protão.

A teoria e a experiência não batem certo (CREMA collaboration/PSI)

Por que é que uma destas três coisas poderá ter um problema? Porque uma equipa internacional de cientistas, entre os quais a de Joaquim Santos (onde se incluem também investigadores da Universidade de Aveiro) publica hoje na revista “Nature” um resultado que mostra que o protão poderá ser mais pequeno do que se pensava.

Hoje em dia, o raio do protão é conhecido com uma precisão de apenas um por cento, principalmente através da espectroscopia feita ao átomo de hidrogénio (que não é senão um protão com um electrão à volta). E o que os 32 investigadores da equipa – do Instituto Max Planck, na Alemanha; do Instituto Paul Scherrer e do ETH Zurique, ambos na Suíça; do Laboratório Kastler Brossel em Paris; dos EUA e de Taiwan; e de Coimbra e Aveiro – pretendiam era aumentar essa precisão de um por cento para um por mil, acrescentando mais uma casa decimal ao valor oficial em vigor, que é de 0,8768 femtometros (milésimos de bilionésimo de metro). “Precisávamos de melhorar a precisão porque [as previsões] da teoria QED estão limitadas pela precisão do raio do protão”, explica Joaquim Santos. Só que, quando o mediram, o valor que obtiveram estava vários pontos percentuais abaixo do previsto. O novo valor, obtido através de um dispositivo experimental novo e muito sofisticado, é de 0,84184 femtometros – ou seja, cerca de quatro por cento mais pequeno.



O resultado foi obtido há um ano – a 5 de Julho de 2009 – mas demorou este tempo todo a confirmar. O sucesso da experiência, na mira dos especialistas desde os anos 1970, deveu-se a vários factores. Passou pela capacidade de produzir uma forma “exótica” de hidrogénio – um hidrogénio onde o electrão é substituído por um muão (uma partícula muito instável de igual carga mas 200 vezes mais pesada que o electrão, que torna as medições mais precisas). Hoje, tornou-se possível produzir hidrogénio muónico com um tempo de vida de quase um microssegundo, um período de tempo suficiente para o bombardear com impulsos laser de alta potência. O sucesso passou aliás também pelo desenvolvimento de lasers ultra-rápidos e pela melhoria dos detectores de raios-X emitidos pelos muões – da responsabilidade da equipa portuguesa. A experiência foi realizada no Instituto Paul Scherrer, “que tem o feixe de muões mais potente do mundo”, diz ainda Joaquim Santos. E os sistemas de lasers foram desenvolvidos pelas equipas francesa e alemã.

Mas apesar disso, o dispositivo não funcionou à primeira. “Em 2003, 2005 e 2007, não conseguimos”, prossegue o investigador. Pensaram que o problema vinha dos lasers, mas estavam enganados: “Estávamos a olhar para o sítio errado.” Por outras palavras, estavam a sintonizar os lasers nas frequências erradas – como um operador de rádio que não ouve nada porque se enganou na frequência de transmissão. Por isso, em 2009, varreram várias frequências – e ai sim, detectaram o sinal que procuravam há dez anos.

Próximas etapas: fazer o mesmo com deutério muónico (o deutério é uma forma de hidrogénio cujo núcleo inclui um neutrão) e com hélio muónico (dois protões e dois electrões, para além de neutrões).

O que acontecerá se os cálculos, que os teóricos vão agora ter de rever, estiverem certos? Se for o caso de a teoria estar incompleta, isso poderá dar lugar “a uma nova física, a novos conhecimentos”, responde Joaquim Santos. “Se a teoria estiver incompleta, significará que pensávamos que sabíamos tudo e chegámos à conclusão de que há qualquer coisa que ainda não sabemos.”

quinta-feira, 18 de março de 2010

O problema da causalidade

O PROBLEMA DO FUNDAMENTO EPISTEMOLÓGICO DA CIÊNCIA É CENTRAL NA CULTURA CIENTÍFICA

O problema da CAUSALIDADE assume especial relevo pelo facto de deixar o conhecimento Científico - expressão do que podemos conhecer do mundo racionalmenmte - sem um fundamento RACIONAL. Sem um fundamento LÓGICO. A sua base tem pés de barro. O seu fundamento, o seu principio, é só PSICOLÒGICO: o HÁBITO.

Não encontrando FUNDAMENTO QUE IMPONHA aos acontecimentos CONEXÃO NECESSÁRIA temos na SUCESSÃO CONSTANTE o fundamento EPISTEMOLÓGICO da ciência.

Isto não deixa a ciência distinguir-se do conhecimento do homem do dia-a-dia - Senso Comum.

terça-feira, 16 de março de 2010

Indução e conhecimento: o problema epistemológico da indução - 3

Isaque Tomé

Se todas as ideias derivam de impressões qual a impressão originária da ideia de causa?

Esta questão assume importância por duas razões:
1) a causalidade é um dos 3 modos de articular ideias;
2) a causalidade compreende a conexão necessária entre fenómenos e que supostamente está presente na natureza e no conhecimento que o homem pode ter desta.


Posto isto, vamos ao pensamento de Hume.
Hume vai submeter o princípio da causalidade a uma análise crítica rigorosa, baseando-se na teoria do conhecimento já nossa conhecida.

O princípio de causalidade defende uma conexão necessária entre dois fenómenos ou acontecimentos.
Afirmar que A é a causa de B significa que verificando A podemos prever B.Isto permite-nos antecipar com toda a garantia lógica: acontecendo A o fenómeno B não pode deixar de acontecer. Mas, assim estamos a falar de um facto futuro que ainda não aconteceu. É aqui que Hume diz que ultrapassamos o que a experiência nos permite conhecer.


A constatação que Hume nos apresenta é a de que aquilo que afirmamos ser causa e ser efeito são dois factos inteiramente distintos. Não existe um impressão correspondente e originária da ideia de causalidade. O que temos são impressões. Uma impressão do fenómeno A, uma impressão do fenómeno B e uma impressão da sucessão temporal de B face a A. Mas nada disto é a impressão de causalidade. Aliás no post anterior é patente que o quem não tem experiência da associação entre fenómenos não consegue prever esse mesmo fenómeno

O conhecimento de A não exige o conhecimento de B, a não ser que no passado o tivessemos constatado.
Ou seja, cada um deles nada tem de si que exija necessariamente o outro.
Nós apenas conhecemos o que percepcionamos no momento e o que percepcionámos no passado, não podemos ter conhecimento de factos futuros, porque não podemos ter qualquer impressão sensível do que ainda não aconteceu.

☼ A ideia de relação causal, de uma conexão necessária entre dois fenómenos é uma ideia da qual não temos qualquer impressão sensível. Como o critério de verdade de um conhecimento factual é que a uma ideia corresponda uma impressão sensível não temos legitimidade para falar de uma relação causal entre os dados da nossa experiência. Logo, a ideia de causalidade é uma mera associação de ideias, aquilo que nós percepcionamos é uma sucessão de acontecimentos.

☼ Segundo Hume, a previsão surge de dois fenómenos psíquicos:
a) a partir do costume e do hábito de ver os fenómenos associados repetidamente no passado e
b) pela crença na regularidade da natureza, que permite crer que o futuro ocorra tal como o passado.
☼ O princípio da causalidade considerado um princípio racional e objectivo nada mais é do que uma crença subjectiva, o produto de um hábito, o desejo de transformação de uma expectativa em realidade. Assim, não há garantia de que se possa fazer ciência, não há conhecimento verdadeiro, objectivo mas, meramente circunstancial, relativo.
Assim, podemos concluir o seguinte: a ciência não tem um suporte lógico (necessidade lógica dos fenómenos) mas um suporte psicológico (hábito), pelo que a ciência não produz conhecimento seguro.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Indução e conhecimento: o problema epistemológico da indução - 2

Resposta - continuação - ao post anterior


Esse princípio é o costume, o hábito. Porque, todas as vezes que a repetição de uma operação ou de um acto par¬ticular produz uma tendência para renovar o mesmo acto ou a mesma operação sem o estímulo de qualquer raciocínio ou exercício da razão, dizemos sempre que essa tendência é resultante do costume. Ao usarmos este termo, não estamos a afirmar que apresentámos a causa última de uma tal tendência. Limitamo-nos a apontar um princípio da natureza humana, universalmente reconhecido e bem conhecido pelos seus efei¬tos.
(...)
Seguramente, temos pelo menos aqui uma afirmação bastante inteligível, senão uma verdade, quando sustentamos que, após a ligação constante entre dois objectos - calor e chama, por exemplo, ou peso e solidez - somos levados, unicamente pelo costume, a esperar por um quando surge o outro. Parece que esta hipótese é a única que explica a dificuldade; porque tiramos a partir de mil casos uma conclusão que seríamos incapazes de tirar a partir de um único caso, o qual não difere em nenhum aspecto dos precedentes? A razão é incapaz de se dispersar de semelhante forma. As conclusões que tira ao considerar uma circunferência são as mesmas que tiraria ao examinar todas as circunferências do universo.
Mas, se se viu um só corpo mover-se sob impulso de um outro, ninguém inferirá que um outro corpo se movimentará sob um impulso análogo. Todas as conclusões tiradas da experiência são, pois, efeitos do costume e não efeitos do raciocínio.
Então, o costume é o grande guia da vida humana. É esse o único princípio que faz com que a nossa experiência nos sirva, é apenas ele que nos faz esperar, para o futuro, uma sucessão de acontecimentos semelhantes aos que tiveram lugar no passado. Sem a acção do costume, ignoraríamos completamente qualquer questão de facto fora do que está imediatamente presente à memória e aos sentidos. Nunca sabe¬ríamos como ajustar os meios face aos fins, nem como utilizar os nossos poderes naturais para produzir um efeito. Isso seria, simultaneamente, o fim de qualquer acção, bem como prati¬camente de toda a especulação.»
David Hume, Investigações sobre o entendimento humano, secção V

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Do PÚBLICO ... Cientistas portugueses invalidam um dos dogmas da biologia

04.06.2009 - 21h28 Ana Gerschenfeld

Há 270 milhões de anos, uns bocadinhos do património genético de diminutos fungos, que até lá não tinham nada de particular, começaram a sofrer uma mudança de identidade. Normalmente, os fungos, do género Candida – não deveriam ter sobrevivido a tal alteração genética – mas sobreviveram, ao ponto que são hoje os principais responsáveis pelas infecções fúngicas nos seres humanos. Como é que foi possível? A sequenciação dos genomas de uma série de espécies deste fungo permitiu agora explicar este aparente paradoxo.

O genoma dos seres vivos é uma grande molécula, feita do encadeamento de quatro moléculas de base, a que chamamos “letras” para respeitar a metáfora segundo a qual o genoma contém as “instruções” para a construção de cada tipo de organismo. Grosso modo, cada “palavra” de três letras consecutivas, ou “codão”, codifica um dos 20 aminoácidos, os tijolos de construção que as células vivas utilizam para fabricar as suas proteínas, componentes essenciais dos tecidos biológicos. Aminoácidos esses que o organismo vai buscar às proteínas animais contidas nos alimentos.

Desde a descoberta dos codões, há uns 50 anos atrás, pensava-se que essa correspondência codão-aminoácido – o chamado “código genético” – era comum a todos os organismos vivos, universal. O argumento era que, uma vez o código genético fixado, de uma vez por todas, nos primórdios da evolução das espécies, já não podia ser alterado sem consequências funestas para o organismo afectado.

No fim da década de 80, porém, Manuel Santos e a sua equipa da Universidade de Aveiro foram dos primeiros grupos do mundo a propor que isso não era bem assim: descobriram que as Candida conseguiram sobreviver apesar de ter sofrido uma alteração do seu código genético que deveria ter sido perfeitamente tóxica. Num trabalho hoje publicado em consórcio internacional na revista “Nature”, explicam pela primeira vez, graças à análise comparativa dos genomas de várias espécies diferentes de Candida, como é que essa “mudança de identidade” teve concretamente lugar.

“O nosso resultado tem implicações tremendas do ponto de vista biológico”, disse-nos em conversa telefónica Manuel Santos. “Significa que o código genético não é universal. Já tínhamos descoberto essas alterações há uns anos, mas com este estudo conseguimos perceber como é que essa evolução aconteceu.”

Basicamente, nas Candida, o codão que inicialmente mandava colocar no sítio correspondente da proteína em construção um aminoácido chamado leucina, passou a comandar a colocação de um outro aminoácido, a serina. E esta alteração do código genético “deveria ter sido letal”, repete Manuel Santos.

Mas esse codão não mudou repentinamente de identidade; pelo contrário, fê-lo muito gradualmente, ao longo de milhões de anos. “Há 270 milhões de anos, esse codão começou a mudar e adquiriu duas identidades diferentes”, diz ainda Manuel Santos. A maior parte das vezes, continuava a comandar a colocação de leucina, mas de vez em quando colocava serina. A seguir – e é este o segredo do sucesso da operação –, “durante 100 milhões de anos, esse codão desapareceu praticamente do genoma dos fungos. E quando reemergiu, com a sua segunda identidade, foi em posições onde já não era tóxico para os genes”. Um belo truque evolutivo.

Para que é que serve este tipo de alteração ao código genético? “Não sabemos”, responde-nos Manuel Santos. Mas acrescenta logo: “Estes fungos têm uma enorme necessidade de contornar o sistema imunitário humano. Uma possibilidade é que esta alteração do código genético seja um mecanismo compensatório destinado a aumentar a diversidade genética das Candida, que só muito raramente se reproduzem de forma sexuada”. Os organismos que apenas se reproduzem de forma assexuada formam colónias de clones, geneticamente idênticos – e portanto, têm dificuldade em resistir aos ataques do sistema imunitário dos seus hospedeiros.

Um outro dos aspectos agora esclarecidos por este trabalho prende-se precisamente com a reprodução destes fungos. “Há décadas que a reprodução sexuada dos fungos era objecto de intenso debate”, frisa Manuel Santos. “Pensava-se que não havia reprodução sexuada nestes organismos. Mas ela é importante para gerar diversidade genética. Agora, a sequenciação dos genomas de Candida clarificou definitivamente esta questão: algumas espécies possuem genes de reprodução sexuada e outras não. Contudo, naquelas que apresentam uma reprodução sexuada, ela só acontece muito raramente, sendo normalmente assexuada” – isto é, por fissão celular.

Do lado da medicina: perceber de onde vem o perigo

Normalmente, as candidíases manifestam-se como lesões cutâneas e podem ser facilmente tratadas com medicamentos antifúngicos. Mas, em caso de deficiência imunitária, podem ser letais, espalhando-se para o fígado, os pulmões, o cérebro. Põem em risco bebés prematuros, doentes transplantados, pessoas com HIV. E algumas espécies estão a tornar-se resistentes.

O que faz com que uma espécie de Candida seja patogénica e outra inócua? Este é um dos aspectos ainda pouco claros. Mas os resultados hoje publicados permitem começar a desvendar o mistério. “A sequenciação dos genomas e a sua comparação mostrou que as espécies patogénicas possuem um conjunto de genes envolvidos na patogénese” diz Manuel Santos, que liderou a participação portuguesa no trabalho.

Mais precisamente, o seu genoma contém um maior número de cópias de uma série de genes que codificam o fabrico de proteínas, chamadas adesinas, que comandam a síntese de proteínas da parede celular destes fungos. “São elas que interagem com as células humanas”, frisa Manuel Santos, “e isso é importante para a adaptação do fungo ao sistema imunitário do hospedeiro”, adaptação que condiciona a manutenção da infecção. “Este resultado é muito importante porque pode permitir desenvolver novos antifúngicos”, conclui.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

o Critério da Falsificação

«A investigação toma como ponto de partida os problemas. Para resolvê-los, há que inventar hipóteses que sirvam como tentativas de solução. Uma vez formuladas, há que comprovar as ditas hipóteses. E estas provam-se extraindo consequências delas e vendo se se ajustam ou não. Se se ajustam, dizemos que a hipótese, de momento, se confirma; pelo contrário, se pelo menos uma das consequências não se ajusta, diremos que a hipótese se vê falsificada. Por outras palavras, dado um problema P e uma teoria T que se propõe como solução para ele, dizemos: se T é verdadeira, então terão de se dar as consequências p1, p2, p3, ..., pn, que, se se ajustam, confirmam a teoria, e que, se não se ajustam, desmentem-na ou falseiam-na, isto é, demonstram que é falsa. Conclui-se assim que, para comprovar de facto uma teoria, ela tem de ser por princípio controlável, ou, por outras palavras, tem que ser falsificável, têm que poder-se extrair delas conse¬quências que podem refutar-se, isto é, que podem ser falsificáveis por factos. Se de uma teoria não se podem extrair consequências susceptíveis de um controlo fáctico, ela não é uma teoria científica. Isto não deve contudo esquecer que uma hipótese metafísica de hoje se pode converter numa hipótese científica amanhã (como sucedeu com a teoria atomista, que era metafísica nos tempos de Demócrito e se transformou em científica na época de Fermi).
O método dedutivo dos controlos consiste nesta extracção de consequências da teoria a controlar, e na sua comparação com as asserções de base (ou proto¬colos) que, de acordo com os nossos conhecimentos, descrevem os factos. Estes controlos, do ponto de vista lógico, nunca atingem um final definitivo, dado que por muitas confirmações que uma teoria tenha tido, ela nunca é algo certo de todo, na medida em que o próximo controlo a pode desmentir. Este facto lógico explica a história da ciência, na qual vemos teorias que resistiram durante muito tempo a ruírem perante o peso dos factos que se lhes opõem.
Na realidade, existe uma assimetria lógica entre verificação e falsificação: biliões e biliões de confir¬mações não convertem em certa uma teoria (por exemplo: “todos os pedaços de madeira flutuam na água”), ao passo que um único facto negativo (“este pedaço de ébano não flutua”) falsifica, do ponto de vista lógico, a teoria. Popper insere nesta assimetria o mandamento metodológico da falsificação: uma vez que toda a teoria, ainda que esteja verificada, pode ser desmenti da, há que tratar de falsificá-la, pois quanto mais cedo se encontrar um erro, mais cedo ele poderá ser eliminado com a invenção e a prova de uma teoria melhor do que a anterior. Deste modo, a epistemologia de Popper reconhece a força que caracteriza o erro. Como dizia Oscar Wilde, “a experiência é o nome que cada um de nós dá aos seus próprios erros”.
Isto permite-nos compreender o lugar central da noção de falsificação na epistemologia de Popper: “A um sistema científico, não lhe exigirei que seja capaz de ser escolhido, em sentido positivo, de uma vez por todas; mas exigir-lhe-ei que a sua forma lógica o permita pôr em evidência, mediante controlos empíricos, em sentido negativo: um sistema empírico deve poder ser refutado pela experiência.”»

G. Reale e D. Antiseri, Historia dei Pensamiento Filosófico e Científico, Tomo Tercero, Barcelona, Editorial Herder, 1992, pp. 894.895.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Ciência - O Problema da sua Natureza - 2 - um texto de Bento Jesus Caraças



Foto de Bento Jesus Caraças, Matemático e escritor alentejano

«(...) O homem, na sua necessidade de lutar contra a natureza e no seu desejo de a dominar, foi levado, naturalmente, à observação e ao estudo dos fenómenos, procurando descobrir as suas causas e o seu desenca¬deamento.
Os resultados desse estudo, lentamente adquiridos e acumulados, vão constituindo o que, no decurso dos séculos da vida consciente da humanidade, se pôde designar pelo nome de ciência. O conhecimento científi¬co distingue-se, portanto, do conhecimento vulgar ou primário, no facto essencial seguinte: este satisfaz-se com o resultado imediato do fenómeno - uma pedra abandonada no ar, cai; uma leve pena de ave, abando¬nada no ar, paira ou sobe; aquele faz a pergunta porquê e procura uma resposta que dê uma explicação aceitável pelo nosso entendimento.
O objectivo final da ciência é, portanto, a formação de um quadro ordenado e explicativo dos fenómenos naturais, fenómenos do mundo físico e do mundo huma¬no, individual e social.


Duas são as exigências fundamentais a que esse quadro explicativo deve satisfazer:
l.ª - Exigência de compatibilidade. (...) Obediên¬cia ao princípio de acordo da razão consigo própria.
2.ª - Exigência de acordo com a realidade. Os homens pedem à ciência que lhes forneça um meio, não só de conhecer, mas de prever fenómenos - quanto maior for a possibilidade de previsão, maior será o domínio deles sobre a natureza; quem sabe prever sabe defender-se melhor e, além disso, pode provocar a repe¬tição para o seu uso, dos fenómenos naturais. A ciência deve ser considerada, acima de tudo, como um instru¬mento forjado pelos homens, instrumento activo de pene¬tração no desconhecido.
É evidente que, se as previsões fornecidas pelo qua¬dro explicativo não forem confirmadas pela realidade, esse quadro pode satisfazer altamente a primeira exi¬gência, mas nunca poderá ser o instrumento de que os homens necessitam.
Bento de Jesus Caraça, Conceitos Fundamentais de Matemática, Lisboa, 1975, pp. 107-109

Ciência - o problema da sua natureza - 1


Fotografia de Niels Bohr

A ciência não é um conhecimento natural. Não basta abrir os olhos ou ouvir alguém contar uma história para conhecermos cientificamente.

O conhecimento científico implica antes de mais uma vontade de conhecer, e em segundo lugar implica procurar a melhor forma de conhecer. Assim, propósito e método são dois aspectos centrais a que podemos acrescentar a dimensão conceptual do trabalho científico. A ciência é em primeiro lugar uma construção campo conceptual, que o artifício técnico ou experimental operacionaliza e valida.
As ciências procuram assim estar para lá da dimensão meramente empírica das qualidades subjectivas e psicológicas da realidade, procuram ultrapassar a carga subjectiva do próprio sujeito-cientista.
Esta concepção de ciência funciona relativamente bem nas ciências explicativas, orientadas para as leis físicas da natureza. Mas chegará para definir as ciências humanas como a Psicologia, a Antropologia ou a História? Estas ciências não se reduzem à dinâmica explicativa. Trabalham no interior de concepções e de paradigmas compreensivos, mutáveis e enquadráveis culturalmente. Daí que haja várias abordagens psicológicas, sociológicas ou históricas. Mas as ciências da natureza são puras? Não são afectadas pelo sujeito?

terça-feira, 28 de abril de 2009

Problemas do Método Indutivo - 3 - A validação verificacionista

Este problema não é específico do método indutivo. Pode estar presente no método Hipotético-dedutivo.
O verificacionismo é
1)um critério de cientificidade - demarca o campo científico co campo não científico;
2) um critério de validação das hipóteses científicas.

O Problema do verificacionismo relaciona-se com os pressupostos positivistas que o animam: só é conheciemnto científico o que for empiricamente verificado.
Assim, confirmando uma hipótese, por novas observações, supõe-se a sua verdade.

Ora é nesta ideia de que é possível confirmar (verificar) a verdade de uma hipótese ou teoria que o verificacionismo apresenta problemas....

Porquê?

Problemas do Método Indutivo - 2 - O ponto de partida da observação

O primeiro grande problema que se coloca ao método indutivo diz respeito à observação: o facto de partir da observação.
Popper é um grande crítico desta ideia. Popper afirma que a observação é sempre efectuada a partir de teorias ou de um conjunto de conhecimentos prévios, que guiam e orientam a observação. São essas teorias prévias que permitem ao cientista fazer a focagem em determinado assunto e de determinada maneira. Pois se não houvesse teorias prévias como se saberia o que observar? Não só o cientista não saberia o que observar como não saberia como observar. Ou seja, cairia numa observação ingénua, de senso comum, que olharia descontraída e naturalmente para as coisas, como o fazemos no dia a dia. Ora a ciência não é uma actividade ‘natural’ do homem, é uma actividade artificial e como tal implica um acto de vontade, uma vontade e uma actividade crítica que procura não se deixar iludir pelo olhar natural e muito menos por meras associações mentais espontâneas que fazemos ao olhar para as coisas.

Problemas do método indutivo - 1- Indução - 1.2. - A não necessidade lógica da conclusão

Não há necessidade lógica na conclusão do raciocínio indutivo. Ou seja da verdade das premissas não se garante a verdade da conclusão. Em termos práticos este problema lógico traduz-se no problema seguinte: que legitimidade existe em concluir sobre o desconhecido a partir do conhecido? Do ponto de vista lógico não há legitimidade.
2.2. O que legitima passar de alguns casos conhecidos para todos os casos, conhecidos e desconhecidos? É o costume e a crença na regularidade da natureza como dizia Hume?