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domingo, 8 de dezembro de 2013

O problema metafísico da liberdade

3 respostas

Determinismo radical
Tese - o homem não é dotado de livre-arbítrio. todas as suas escolhas são a consequência de uma qualquer causalidade (física; psíquica; contextual; histórica).
O livre-arbítrio é incompatível com o determinismo.
Pressuposto: a causalidade atua sempre por implicação necessária.

Determinismo moderado ou compatibilismo
Tese - o homem estando sujeito aos fatores causais e tendo de optar, é livre de escolher enquanto se lhe apresentam alternativas que escolhe livremente, se não coagido.
compatibiliza o determinismo da natureza com o livre-arbítrio.
As ações não livres são as ações realizadas sob coação ou sem alternativa.
Pressuposto: o homem não escapa ao determinismo natural e às condicionantes.

Libertismo
Tese - O homem é livre de forma radical. O seu espírito tem a capacidade de decidir independentemente do mundo natural e social em que se insere e das condicionantes da vida de cada um.
O homem é dotado de livre-arbítrio e este é incompatível com o determinismo.
Nesta perspetiva, ainda que o homem esteja sob coação é livre, a alternativa única apresenta-se ao homem como uma opção, cumprir ou não cumprir, sujeitar-se ou não se sujeitar a determinada situação.
Pressuposto: espírito é independente da matéria.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Reflexão ética sobre saúde pública

Saúde pública versus liberdade privada?


Duas decisões contrastantes tiveram lugar no mês passado: um tribunal de recurso dos Estados Unidos decidiu contra a exigência da Food and Drug Administration (FDA) norte-americana de que os cigarros fossem vendidos em embalagens com imagens de advertência dos perigos para a saúde, enquanto o Supremo Tribunal da Austrália apoiou uma lei que vai muito mais além. A lei australiana exige que nos maços de tabaco figurem advertências dos perigos para a saúde e imagens dos danos físicos causados pelo tabagismo. Exige também que os próprios maços sejam simples, com os nomes das marcas a figurarem em ponto pequeno numa fonte padrão, sem logótipos e sem qualquer outra cor a não ser verde-azeitona.
A decisão dos EUA teve por base a protecção constitucional da América relativamente à liberdade de expressão. O tribunal aceitou que o governo possa exigir advertências factuais exactas dos perigos para a saúde, mas a maioria, numa decisão dividida, considerou que o governo não podia chegar ao ponto de exigir imagens. Na Austrália, a questão era se a lei implicava a expropriação sem a devida compensação – neste caso, dos direitos de propriedade intelectual nas marcas das empresas tabaqueiras. O Supremo Tribunal decidiu que não.
No entanto, subjacente a estas diferenças, está a grande questão: quem decide qual é o equilíbrio adequado entre saúde pública e liberdade de expressão? Nos EUA, os tribunais tomam essa decisão, essencialmente, com base na interpretação de um texto com 225 anos e se esse facto privar o governo de utilizar algumas técnicas que ajudem a reduzir o número de mortes causadas pelo tabagismo – actualmente estimado em 443.000 americanos por ano – assim o será. Na Austrália, onde à liberdade de expressão não é dada protecção constitucional explícita, os tribunais têm uma tendência muito maior para respeitar o direito dos governos democraticamente eleitos de encontrar o equilíbrio adequado.
Existe um consenso generalizado de que os governos devem proibir a venda de, pelo menos, alguns produtos perigosos. Muitos aditivos alimentares são proibidos ou permitidos apenas em quantidades limitadas e o mesmo acontece em relação aos brinquedos para crianças pintados com substâncias que podem ser prejudiciais se ingeridas. A cidade de Nova Iorque proibiu as gorduras trans em restaurantes e está actualmente a limitar a dose permitida de bebidas açucaradas. Muitos países proíbem a venda de ferramentas perigosas, tais como serras eléctricas sem protecções de segurança.
Embora haja argumentos para se proibir uma multiplicidade de produtos perigosos, os cigarros são únicos, porque nenhum outro produto, legal ou ilegal, está perto de causar o mesmo número de mortes – mais do que os acidentes de viação, a malária e a sida, em conjunto. Os cigarros são também altamente viciantes. Além disso, onde quer que os custos de saúde sejam pagos por todos – incluindo os EUA, com os seus programas de saúde pública para os mais desfavorecidos e para os idosos – todos pagam o custo dos esforços para tratar as doenças causadas pelo tabagismo.
Proibir totalmente os cigarros é uma outra questão, porque esse facto iria, sem dúvida, criar uma nova fonte de receita para o crime organizado. Parece estranho, no entanto, considerar que o Estado possa, em princípio, proibir a venda de um produto, mas não possa permitir que o mesmo seja vendido apenas em embalagens onde figurem imagens gráficas dos danos que causa à saúde humana.
A indústria tabaqueira levará agora a sua batalha contra a legislação australiana até à Organização Mundial do Comércio. A indústria teme que a lei possa ser imitada em mercados muito maiores, como o da Índia e o da China. Ou seja, onde essa legislação é mais necessária.
Na verdade, apenas cerca de 15% dos australianos e 20% dos americanos são fumadores, mas em 14 países de baixo e médio rendimento abrangidos numa sondagem, cujos resultados foram recentemente publicados na revista The Lancet, cerca de 41% dos homens eram fumadores, registando-se um aumento do número de jovens mulheres que adquiriram o hábito de fumar. A Organização Mundial de Saúde estima que cerca de 100 milhões de pessoas morreram em consequência do tabagismo no século XX, mas o tabaco irá matar até um bilhão de pessoas no século XXI.
As discussões sobre até que ponto o Estado pode ir na promoção da saúde da sua população começam, muitas vezes, com o princípio de John Stuart Mill de limitar o poder coercivo do Estado a actos que impeçam danos a terceiros. Mill poderia ter aceitado as advertências sobre os perigos para a saúde nos maços de tabaco e até mesmo as imagens gráficas de doenças pulmonares se esse facto ajudasse as pessoas a entender a escolha que estão a fazer, mas teria rejeitado uma proibição.
A defesa de Mill a respeito da liberdade individual, no entanto, presume que os indivíduos são os melhores juízes e guardiões dos seus próprios interesses – uma ideia que actualmente raia a ingenuidade. O desenvolvimento de técnicas de publicidade modernas marca uma importante diferença entre a época de Mill e a era actual. As empresas aprenderam a arte de nos vender produtos não saudáveis, apelando aos nossos desejos inconscientes de estatuto, atractividade e aceitação social. Como resultado, sentimo-nos atraídos por um produto sem saber muito bem porquê. E os fabricantes de cigarros têm aprendido a manipular as propriedades do seu produto de forma torná-lo o mais viciante possível.
As imagens gráficas dos danos que o tabaco causa podem contrabalançar o poder desses apelos ao inconsciente, facilitando assim uma tomada de decisão mais determinada e tornando mais fácil a resolução de deixar de fumar. Assim, em vez de rejeitarmos estas leis por serem limitativas da liberdade, devemos defendê-las como forma de promover regras de homogeneidade entre indivíduos e empresas gigantes que não têm qualquer pretensão em apelar à nossa capacidade de raciocínio e de reflexão. Exigir que os cigarros sejam vendidos em maços simples, com advertências sobre os perigos para a saúde e imagens gráficas é uma legislação de igualdade de oportunidades para a parte racional que existe dentro de nós.
Tradução: Teresa Bettencourt/Project Syndicate

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Heitor, Aquiles e as formigas - A necessidade e a liberdade


Livre arbítrio - Fernando Savater

Vou contar-te um caso dramático. Já ouviste falar das térmitas, essas formigas-brancas que, em África, constroem formigueiros impressionantes, com vários metros de altura e duros como pedra. Uma vez que o corpo das térmitas é mole, por não ter a couraça de quitina que protege outros insectos, o formigueiro serve-lhes de carapaça colectiva contra certas formigas inimigas, mais bem armadas do que elas. Mas por vezes um dos formigueiros é derrubado, por causa de uma cheia ou de um elefante (os elefantes, que havemos nós de fazer, gostam de coçar os flancos nas termiteiras). A seguir, as térmitas-operário começam a trabalhar para reconstruir a fortaleza afectada, e fazem-no com toda a pressa. Entretanto, já as grandes formigas inimigas se lançam ao assalto. As térmitas-soldado saem em defesa da sua tribo e tentam deter as inimigas. Como nem no tamanho nem no armamento podem competir com elas, penduram-se nas assaltantes tentando travar o mais possível o seu avanço, enquanto as ferozes mandíbulas invasoras as vão despedaçando. As operárias trabalham com toda a velocidade e esforçam-se por fechar de novo a termiteira derrubada... mas fecham-na deixando de fora as pobres e heróicas térmitas-soldado, que sacrificam as suas vidas pela segurança das restantes formigas. Não merecerão estas formigas-soldado pelo menos uma medalha? Não será justo dizer que são valentes?

Mudo agora de cenário, mas não de assunto. Na Ilíada, Homero conta a história de Heitor, o melhor guerreiro de Tróia, que espera a pé firme fora das muralhas da sua cidade Aquiles, o enfurecido campeão dos Aqueus, embora sabendo que Aquiles é mais forte do que ele e que vai provavelmente matá-lo. Fá-lo para cumprir o seu dever, que consiste em defender a família e os concidadãos do terrível assaltante. Ninguém tem dúvidas: Heitor é um herói, um homem valente como deve ser. Mas será Heitor heróico e valente da mesma maneira que as térmitas-soldado, cuja gesta milhões de vezes repetida nenhum Homero se deu ao trabalho de contar? Não faz Heitor, afinal de contas, a mesma coisa que qualquer uma das térmitas anónimas? Porque nos parece o seu valor mais autêntico e mais difícil do que o dos insectos? Qual é a diferença entre um e outro caso?
Muito simplesmente, a diferença assenta no facto de as térmitas-soldado lutarem e morrerem porque tem que o fazer, sem que possam evitá-lo (como a aranha come a mosca). Heitor, pelo seu lado, sai para enfrentar Aquiles porque quer. As térmitas- soldado não podem desertar, nem revoltar-se, nem fazer cera para que outras vão em seu lugar: estão programadas necessariamente pela Natureza para cumprirem a sua heróica missão. O caso de Heitor é distinto. Poderia dizer que está doente ou que não tem vontade de se bater com alguém mais forte do que ele. Talvez os seus concidadãos lhe chamassem cobarde e o considerassem insensível ou talvez lhe perguntassem que outro plano via ele para deter Aquiles, mas é indubitável que Heitor tem a possibilidade de se recusar a ser herói. Por muita pressão que os restantes exercessem sobre ele, ele teria sempre maneira de escapar daquilo que se supõe que deve fazer: não está programado para ser herói, nem o está seja que homem for. Daí que o seu gesto tenha mérito e que Homero nos conte a sua história com uma emoção épica. Ao contrário das térmitas, dizemos que Heitor é livre e por isso admiramos a sua coragem.

SAVATER, Fernando (1993). Ética Para Um Jovem. Lisboa: Editorial Presença. pp. 21-22

sábado, 19 de fevereiro de 2011

O Libertismo - 2

O Determinismo é uma teoria que defende que os fenómenos se regem por leis e, consequentemente conhecendo a causa, prevê-se ou conhece-se o efeito - o efeito é necessariamente o que ocorre.

Aplicado esta conceito ao problema da liberdade - livre arbítrio - temos
O determinismo radical que defende a ausência de liberdade na escolha. A escolha é o efeito (e causa de novos efeitos) de uma ou várias causas. (Exemplo: fome conduz à decisão de comer, fatalmente). Esta é uma teoria INcompatibilista.

Mas existe uma teoria que diz haver uma compatiblidade entre a liberdade e o determinismo: a TEORIA DO DETERMINISMO MODERADO - esta teoria defende que vivendo o homem com um corpo, numa sociedade, com uma determinada psique sofre os efeitos e constrangimentos dos seus elementos constituintes e das suas circunstâncias. CONTUDO, as CAUSAS variadas que sobre ele actuam (Fome) não conduzem fatalmente a uma escolha específica (o homem pode escolher comer uma banana, comer um pão ou não comer).

Existe uma outra teoria acerca deste problema, o libertismo (teoria INcompatibilista).

O libertismo advoga a possibilidade de o homem escolher independentemente das condicionantes constitutivas e circunstanciais e das causas do psico-físicas. A escolha humana não só cria novas cadeias causais, ela é independente de cadeias causais. Desta forma não é uma tese compatibilista. (escolher comer o pão sem motivação de fome).

domingo, 12 de dezembro de 2010

Determinismo e Liberdade

Um DILEMA clássico acerca da LIBERDADE e da RESPONSABILIDADE. O dilema de HUME, ou dilema do DETERMINISMO, pode ser esquematizado da seguinte forma:

1.ª premissa — Ou o determinismo é verdadeiro, ou é falso;
2.ª premissa — Se for verdadeiro, então não somos livres;
3.ª premissa — Se for falso, as nossas acções são aleatórias e, portanto, também não somos livres.
Conclusão — Em qualquer caso, não somos livres.

http://www.defnarede.com/d.html

Segundo o dilema, a liberdade e o determinismo seriam sempre incompatíveis - incompatibilismo - quer seja pela via do determinismo absoluto, quer pela via do indeterminismo.
Uma das formas de contrariar/refutar um dilema é mostrar que uma das premissas é falsa. Como poderia mostrar-se a falsidade de uma das premissas?

sábado, 20 de novembro de 2010

o Libertismo

O libertismo advoga a possibilidade de o homem escolher independentemente das condicionantes constitutivas e circunstanciais. A escolha humana não só cria novas cadeias causais, ela é independente de cadeias causais. Desta forma não é uma tese compatibilista.

Quem tem razão: os determinismo, os compatibilismo, os libertismo ou o indeterminismo?

O Determinismo Moderado

O determinismo moderado concilia determinismo com livre-arbítrio.
Poderemos dizer que é o determinismo natural que possibilita o livre-arbítrio?

domingo, 7 de março de 2010

A natureza indeterminada do homem - 2

No supermercado da vida quase todos os animais parecem ser tecnologia de ponta, ferramentas finissimamente calibradas com o fim de cumprirem esta ou aquela tarefa num determinado nicho ecológico. Como acontece com outros instrumentos semelhantes, servem muito bem para o que servem mas não servem para nada mais. Quando as circunstâncias ou a paisagem mudam, perdem o vigor e extinguem-se irremediavelmente. Pelo contrário, os seres humanos são anatomicamente indigentes, têm um desenho grosseiro e carente de adequação precisa, mas suportam as mudanças e compensam com a sua actividade inventiva as limitações a que estão sujeitos. (…)

Fernando Savater, A coragem de escolher. Pub. Dom Quixote

A natureza indeterminada do homem

"É uma ideia assente (...) que o homem não tem natureza, mas que tem - ou antes, que ele é - uma história. (...)
Na criança todo o isolamento extremo revela a ausência nela destes sólidos a priori, destes esquemas adaptativos específicos. As crianças privadas demasiadamente cedo de todo o contacto social – as crianças que se chamam “selvagens” - ficam desprovidas, a ponto de aparecerem como animais estranhos. (...) A verdade é que o comportamento, no homem, não deve à hereditariedade específica o mesmo que o comportamento animal deve. A vida, fechada, dominada e regulada por uma “natureza dada”' é substituída aqui pela existência aberta, criadora e ordenadora de uma "natureza adquirida". O que a análise, (...), retém de comum dos homens é uma estrutura de possibilidades, na verdade, de probabilidades que não pode passar ao ser em contexto social, qualquer que ele seja. Antes do encontro de outrem e do grupo o homem não é senão virtualidades.”

L. Malson, As crianças selvagens, Porto Civilização, pp. 5-7

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A Tecnologia e o Corpo: questões de privacidade, intimidade e identidade


Alerta: Imagem íntima na Internet fica para sempre

Lusa
21:25 Terça-feira, 9 de Fev de 2010

Num mundo virtual sem fronteiras é melhor prevenir, alerta a Polícia Judiciária, numa altura em que cresce o fenómeno do "sexting" entre jovens

Uma imagem íntima colocada sem consentimento na Internet nunca mais de lá sairá: num mundo virtual sem fronteiras é melhor prevenir porque pode ser impossível remediar, alertou hoje um responsável da Polícia Judiciária (PJ).

Numa conferência para assinalar o Dia Europeu da Internet Segura, em Lisboa, Jorge Duque afirmou que estão a tomar "proporções difíceis de controlar" os casos em que no fim de um namoro uma das partes coloca fotos íntimas do ex-parceiro na Internet ou as espalha "por toda a escola ou pelos seus 500 melhores amigos".

O fenómeno do "Sexting"
"Há jovens a difundir imagens do foro privado, sexual, pelo telemóvel", referiu, um fenómeno conhecido como "sexting" e que pode levar à perda de ano letivo por absentismo e, em alguns casos, ao suicídio.

Esta é uma das razões, defendeu, para pôr jovens e adultos a pensar "quem nos tira fotos, onde vão ficar guardadas e quem vai ter acesso a elas".

Agir contra os ofensores - trata-se de devassa da vida privada - é difícil e pode ser mesmo impossível porque o crime varia conforme, por exemplo, o país em que está alojado o servidor de Internet. Além disso, como há muitos ordenamentos jurídicos diferentes, nem sempre é possível a colaboração entre forças policiais.

"A Internet não tem fronteiras, mas os países ainda têm fronteiras jurídicas", ilustrou.

Perigo da pornografia infantil
Como as fotos nunca saem da Internet e bloqueá-las pode ser impossível, os efeitos podem prolongar-se por toda uma vida, quer para a vítima, quer para o ofensor - o que pode ser primeiro devassa da vida privada pode, em alguns casos, converter-se num verdadeiro crime de difusão de pornografia infantil.

Na conferência organizada pela Plataforma Internet Segura, a investigadora Cristina Ponte, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, afirmou que este ano irá ser feito um estudo entre mil famílias portuguesas para saber os seus hábitos de consumo e participação on-line e avaliar os riscos que correm as crianças.

O inquérito no âmbito do projeto europeu "UE kids online" será feito nas casas das famílias, com garantia de privacidade e anonimato e um conjunto de perguntas a que os filhos respondem sem estar à frente dos pais.

Pretende-se assim ter "resultados para influenciar as práticas de regulação, quem tem poder de decisão e as empresas de conteúdos".

O "ciberbulling" (violência psicológica reiterada), a pornografia, o "sexting" e os encontros na vida real com pessoas conhecidas online são os principais riscos a que os jovens e crianças estão sujeitos, como "recetores, autores ou participantes".
http://aeiou.expresso.pt/alerta-imagem-intima-na-internet-fica-para-sempre=f564433

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Segurança, Liberdade e Privacidade

O presidente da Comissão de Protecção de Dados Pessoais diz que a lei chega sempre mais tarde que as tecnologias e que a concentração da informação é um cocktail explosivo.
01/02/2010


Há câmaras por todo o lado, as informações pessoais constam de bases de dados que os cidadãos não conseguem controlar e muitas empresas conseguem fazer perfis ao pormenor dos consumidores. Estarão os dados pessoais em risco de ir parar a mãos perigosas? O cenário não é bom, diz Luís da Silveira, mas não é catastrófico. E alerta para o papel que cada um tem no controlo da informação sobre si que anda por aí espalhada..

Que situações de recolha de informações pessoais são hoje preocupantes que levam a comissão a classificar o cenário como "inquietante"?

O cenário é inquietante porque há situações que em conjunto significam um constrangimento importante da privacidade dos cidadãos. A videovigilância, que se está a banalizar, a utilização de dados biométricos (impressões digitais, imagem facial, a íris, o cheiro). Temos exigido que se trate de sistemas fiáveis, que não admitam a reconversão do código informático da impressão digital no esquema real da impressão digital.

E a geolocalização?

Está na moda. A mais usada é através de RFID - identificação por rádio frequência. O carro em que o trabalhador se desloca leva um chip que transmite sinais para a central da empresa e esta sabe onde é que aquele carro está em cada momento. A razão apresentada é a gestão de frota. Mas passam a saber onde está o trabalhador, onde parou para tomar café. Estamos a discutir se isso é legítimo para controlar os menores: formalmente, os pais têm direito a reger os filhos, mas às crianças não deve ser também reconhecido o direito à privacidade?

Os trabalhadores têm que dar consentimento.

Sim, sempre, mas o consentimento do trabalhador nunca é muito fiável, porque não é suficientemente livre. Só por curiosidade, onde isto já está a ser utilizado nas pessoas é numa discoteca em Barcelona: metem um chip debaixo da pele, entram na discoteca à vontade e debitam logo no cartão os consumos. As pessoas aceitam muito mais coisas do que a gente possa imaginar.

Estabelecer um limite é cada vez mais difícil?

Sim, até porque são cada vez mais difíceis de mensurar os interesses de segurança em jogo e a verificação de que a privacidade está a ser afectada. É enorme a pressão de entidades de investigação criminal obterem informação para realizarem o seu trabalho policial e ter provas em tribunal. Os bodyscanners dos aeroportos são a última polémica.

A questão já foi posta à CNPD?

Ainda não em termos formais. Os EUA estão a pressionar a Europa para os adoptar. Da nossa parte dizemos "Atenção!", há um bulir da privacidade, porque apanha as próteses, os implantes mamários, os sacos pós-operatórios. A simples circunstância de se despojar a pessoa das suas vestes é humilhante, e, se isto se aceita, depois onde é que se vai parar?

Esta comissão chumbaria?

Eu sou apenas um membro. Dentro dos critérios da comissão, muito provavelmente esta será a perspectiva. Isto é um sistema para aplicar a todos: parece que somos todos suspeitos.

Os EUA acabarão por fazer vingar a sua pressão?

Eu esperaria que não. Os EUA têm uma percepção diferente sobre a protecção: entendem que os dados pessoais são para girar, é isso que faz mexer a economia, e só em certas áreas são muito defensores da privacidade - abusos contra crianças e defesa de segredos comerciais. Tirando isso, não há uma lei de protecção de dados, nem qualquer entidade à maneira das europeias.

Há algo que garanta que os dados não são divulgados?

Nada, de facto. Este é o problema da globalização.

Há um laxismo em relação à exposição?

Há um desvalor. Os adolescentes são muito ciosos da sua privacidade em relação aos pais mas são extremamente abertos para fora, gostam de mostrar a sua privacidade aos colegas e amigos.

É possível acompanhar com leis a velocidade a que se introduzem novas tecnologias?

Há a questão problemática e perigosa da nanotecnologia. A lei chega sempre tarde. As tecnologias têm andado sempre à frente da lei.

Em que áreas é urgente legislar?

O importante não é legislar sobre uma tecnologia, mas sobre as suas aplicações, como no chip de matrícula, que é por RFID. Talvez faça sentido o legislador pensar se as recomendações da Comissão Europeia já estão maduras.

A Comissão é o fiel da balança?

É a sua obrigação. O que nós tentamos dizer é a necessidade de o nosso Parlamento acompanhar a legislação que está a ser feita a nível europeu. Sabemos nós que posição é que os portugueses estão a defender nos grupos europeus? Está o Parlamento português a cumprir o seu papel de fiscalizar, de saber e acompanhar o Parlamento Europeu?

Gostava de trabalhar mais de perto com o legislador?

Temos procurado fazê-lo. Apesar de os nossos pareceres aos diplomas legais não serem vinculativos, até hoje a assembleia tem tido em conta a nossa opinião. Pode ter havido discordância, com certeza que há e ponderada. Mas na generalidade acompanham.

A concentração passiva de informação sobre os cidadãos é um perigo quase tão grande quanto o terrorismo?

Não sei comparar, mas lá que cria riscos acrescidos, cria, sem dúvida. Temos tido sempre particular cuidado e preocupação quando nos são apresentadas pretensões de grandes bases de dados. Há sempre o risco da fuga de informação e utilização indevida com finalidades perversas, por qualquer poder. É um cocktail explosivo.

Os dados pessoais em Portugal estão hoje protegidos?

Do ponto de vista legal, sim. Foi a primeira Constituição a protegê-los. A grande questão é a aplicação e isso é da responsabilidade da Comissão, mas é claro que a protecção de dados não pode estar assegurada por uma equipa de 30 pessoas. A defesa dos dados pessoais tem que começar sempre nos próprios., nunca chegarão os tribunais e instituições deste género para o garantir.

Se metade dos pedidos é de videovigilância, os portugueses estão hoje com medo?

O sentimento de insegurança se calhar não corresponde à insegurança existente, agora que esse sentimento se instalou não há dúvidas.

E é aproveitado para cada dia se apertar esse direito à privacidade?

É sempre mais fácil quando temos medo. É isso que temos visto estar a acontecer a alguns níveis. E por isso dizemos que o número de pedidos de videovigilância é desproporcionado.

Somos de facto tratados como suspeitos?

Não há uma perspectiva generalizada, o que acontece é que em relação a certas iniciativas, até parece que somos todos suspeitos. Como nos bodyscanners: todos os que vão andar de avião são suspeitos?

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Questões acerca da liberdade - 1

Somos livres de dizer o que quisermos?

Hipóteses:

A) Sim
1. é sinónimo da nossa independência e autenticidade;
2. pior seria não o dizermos;
3. a liberdade é isso mesmo: poder falar até ofendendo;
4. sim, é o que os outros esperam de nós: a verdade
5. ...

B) Não
1. é um disparate dizer o que não foi reflectido;
2. dizer remete para a palavra dita, para a comunicação - o que impõe a presença do outro que é constituivo do diálogo e de quem fala: falar por falar ou falar ofendendo nega a comunicação e a relação interpessoal;
3. não porque não vivemos sozinhos e não somos sozinhos
4. não, os outros não esperam de nós a verdade, mas s simpatia, a amabilidade, ou outro conforto;
5. ...

C) Sim, se...
1. ...
2. ...
3.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O que é a liberdade? - momento 2

Podemos ser livres sem ter as necessidades básicas asseguradas?

Podemos ser livres com a barriga vazia?




Miró

domingo, 29 de novembro de 2009

O que é a liberdade? - momento 1

Isaque Tomé :~)

Definição básica:
Liberdade em sentido positivo: a condição que garante a autonomia e a autodeterminação;

Liberdade em sentido negativo: a ausência de coacções físicas e psíquicas.


Para uma definição mais avançada - problematização:
A Liberdade como capacidade de decisão - é absoluta?
Resposta 1: sim - capaz de ultrapassar as condicionantes constitutivas e circunstanciais.

Resposta 2: não - o homem é sempre limitado e determinado pelas dimensões que o formam, envolvem e configuram.

Resposta 3 - as respostas 1 e 2 formam um falso dilema: há uma alternativa:

HipÓtese 3: O HOMEM DECIDE CONDICIONADO, MAS DECIDE.
Argumento A) o sentimento de responsabilidade por ter decidido como decidiu, relembra a possibilidade de não ter decidido como decidiu.
Argumento B) .... Cria um e envia-o...

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Filosofia: ensinar para a liberdade


UNESCO Study “Philosophy: A School of Freedom”



News 5 of 16
UNESCO publishes “Philosophy: A School of Freedom. Teaching philosophy and learning to philosophize: Status and prospects” - an innovative publication based on the results of a worldwide study and abounding with unprecedented recommendations and proposals on the teaching of philosophy.

Discovering the wonder of children when they face questions aroused by their encounter with reflective thought is the purpose of the first chapter of this publication. It offers a glimpse into an entirely new field of teaching: introducing philosophy at the pre-school and primary levels. Readers will discover the full significance of giving children both the opportunity and the space to tackle questions of a philosophical nature, including metaphysical ones, to which science cannot find answers. This aspiration urges us to reflect more profoundly on education, on learning, as well as on the role of teachers.

Encountering philosophy during adolescence proves to be such an important point in the memory of one’s educational career! Chapter II reveals the multiple facets of what the imprint left will be, a genuine creative potential. Readers will sense the pedagogical force of philosophy teaching at this turning point in people’s lives, when one’s personality seeks to construct itself. Teenagers who question, often opposing in order better to affirm themselves, this is the pattern of the evolution – revolution that the publication proposes to grasp with all its underlying paradoxes and contradictions.

Describing the vast field of philosophical reflection at university is the ambition of Chapter III. It grapples with all the complexity of philosophy teaching with its many facets and ramifications, as well as the variety of its intrinsic links with the defense of academic freedoms and of freedom of expression.

Drawing upon philosophy’s infinite resources is the aspiration of Chapter IV, by spelling out all the richness of alternative ways of philosophizing: other places, other needs, other responses…. These pages will not fail to surprise readers by the unexpectedness of the practices they describe, and also by the originality of twenty suggestions that call upon each and every one’s imagination and will to become involved.

Exploring the extent of philosophy through figures, quotes, graphics and statistics on the basis of the results of UNESCO’s questionnaire – this is what Chapter V is designed to do. In its way, it makes its contribution to reflecting the flourishing picture of philosophy.

Download the publication [PDF].

For more information, please contact the Human Sciences Section of Philosophy (UNESCO) at:
Tel.: +33 (01) 45 68 45 52
Fax: +33 (0) 1 45 68 57 29
E-mail: philosophy&human-sciences@unesco.org.

Related Links:

Download the publication in French [PDF]

Philosophy at UNESCO