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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Publicidade e Vulnerabilidade emocional




http://www.publico.pt/sociedade/noticia/conselho-nacional-de-etica-arrasa-bancos-privados-do-cordao-umbilical-1578203
Conselho Nacional de Ética arrasa bancos privados do cordão umbilical
Bancos privados fazem promessas “irrazoáveis” e campanhas “agressivas” numa fase vulnerável da vida das pessoas, conclui o conselho no seu mais recente parecer.

A conservação do sangue e tecido do cordão umbilical e placenta em bancos privados “assenta num modelo comercial”, por oposição aos “princípios do altruísmo” subjacentes aos bancos públicos. Têm também “critérios de selecção e qualidade menos estritos” e fazem “promessas de aplicações irrazoáveis”. As críticas estão num parecer conjunto do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) e do Comité de Bioética de Espanha, a que o PÚBLICO teve acesso.
Mais de 120 mil portugueses recorreram já aos bancos de criopreservação de células do cordão umbilical existentes em Portugal, sendo que a grande maioria das amostras foram deixadas em bancos privados. Ao contrário do único banco público (o Lusocord) a funcionar no país, em que as amostras são gratuitas, nos bancos privados paga-se pela preservação do sangue e tecido do cordão por preços que rondam os 1500 euros.
O parecer do CNECV não questiona a “utilidade clínica” da conservação das células estaminais presentes no sangue do cordão umbilical em algumas situações, como os transplantes de células da medula óssea ou nalgumas doenças hematológicas. Porém, no caso da promissora aplicação a outras doenças — caso das degenerativas como Alzheimer ou Parkinson, por exemplo —, os peritos nacionais e espanhóis defendem que “a sua validade científica e utilidade potencial não estão ainda estabelecidas, e o seu uso permanece experimental”. As reservas sobre os bancos privados não são inéditas e o próprio parecer refere que este tipo de “negócio” é proibido em países como França e Itália.
No plano da argumentação, os especialistas — que ouviram representantes de duas empresas privadas e do Lusocord — estabelecem as diferenças entre os dois modelos. E estas são óbvias. “A conservação em bancos públicos assenta nos princípios do altruísmo, da gratuitidade, da confidencialidade e da máxima qualidade”, lê-se no parecer agora divulgado. Do outro lado, temos um negócio “assente num modelo comercial, com critérios de selecção e qualidade menos estritos, promessas de aplicações irrazoáveis (tratamento de doenças comuns da vida adulta, quando a conservação se faz a 20-25 anos), estratégias demarketing agressivas e pouco transparentes, dirigidas a um público numa fase particularmente vulnerável da sua vida”.
(...) 
http://www.publico.pt/sociedade/noticia/conselho-nacional-de-etica-arrasa-bancos-privados-do-cordao-umbilical-1578203

Ver resposta:
http://www.publico.pt/sociedade/noticia/crioestaminal-parecer-do-conselho-de-etica-ofende-inteligencia-dos-portugueses-1578318
Crioestaminal: parecer do Conselho de Ética “ofende inteligência dos portugueses”

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

A Retórica do Discurso Publicitário

  


Tese: beber Sumol é o que se deve fazer.
Objectivo: associar a marca a uma série de valores presentes na imagem e no texto.

Auditório – Público-alvo: jovens adolescentes

Ethos:
- A marca reconhecida;

- a sensação e ideia de liberdade;
- a ideia de “ser natural
- a vida com os amigos - amizade

 
Pathos:
- a frescura (alegria) presente na agitação das ondas e no movimento dos corpos;

- A ideia de actividade natural de gente que vive a vida com intensidade.

 Logos:
- “Um dia o mais provável é deixares de remar contra a corrente – quando esse dia lhe chegares não lhe fales” – interpretação: o mundo dos adultos é o do conformismo e do convencional. Ser adulto é inevitável, mas o espírito pode ser sempre de inconformismo e de originalidade – e também de autenticidade..

- SER JOVEM É SER INCONFORMADO E AUTÊNTICO e BEBER SUMOL É SINÓNIMO DE INCONFORMISMO E AUTENTICIDADE, ENTÃO SUMOL É A NOSSA  BEBIDA -  QUE NOS DEFINE (AUTO-CONCEITO) QUE NOS REPRESTENTA e DEFINE A NOSSA IMAGEM (SOCIAL).

Falácias:
Contradição no discurso entre o “provável é deixares de remar” – que significa conformismo futuro e “quando esse dia chegar não lhe fales” – que significa o inverso: inconformismo futuro. Então o anúncio diz algo  e o seu contrário.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

a publicidade é manipulação?

Sara Felizardo - 11.º B

O uso da palavra tanto serve para a verdade como para dizer a mentira, tanto para o bem como para o mal. Mas a partir da argumentação, surgem múltiplas verdades que a sociedade tem legitimidade de contestar. Mas… e se não possuir competência retórico-argumentativa? Poderá ser alvo de má fé, comprometendo a sua autonomia e identidade?
Para diferenciarmos certas publicidades, teremos de constatar a relação dos conceitos de Ethos, Pathos e Logos em que poderá predominar um em vez dos outros. Uma vez realçando o Pathos, já dizia Aristóteles, era uma actividade manipuladora que fazia com que o auditório se esquecesse de quem era pelo grande envolvimento emocional. Naturalmente, verificamos que a publicidade falaciosa pressupõe uma manipulação em que consiste o poder sobre o seu auditório sem este se aperceber, uma imposição que o poderá constringir de compartilhar a sua opinião ou adoptar um determinado comportamento. Quando não nos sentimos à vontade com algum assunto específico, somos facilmente enganados pela linguagem sofisticada, jogo de palavras, difícil de dominar e de extremo poder expressivo, somos obrigados subtilmente.
No meu entender, não querer ouvir o outro é refutar sem quaisquer razões, simplesmente negando a liberdade de expressão e de recepção, de aceitar ou não a sua mensagem, e assim, a não existência de dialéctica (o confronto entre duas teses/ideias). Contudo, hoje em dia apesar de nos sentirmos mais instruídos, está nas nossas mãos pronunciarmo-nos ou fiarmo-nos no que nos impõem, ou seja, cabe-nos a nós garantir a verdade e não encobrir a mentira. Enfim, o mau uso da retórica designada como retórica negra na publicidade existe conscientemente quer no apelo à emoção e aos sentimentos do auditório ou pelo o uso de falácias e sofismas no seu discurso. Recorrendo a comportamentos, ao excesso de figuras de estilo, a figuras artísticas, à criação de situações de medo pelo uso abusivo da autoridade, à repetição, à sincronização entre os sujeitos e hipnose que torna incapaz de resistir à mensagem e até o recurso ao contacto físico que impressionam o público, sendo capaz de mentir sobre os factos e deformar a realidade induzindo à ilusão como ainda dissimula-los para se pretender a adesão involuntária, tudo isto para fazer aceitar determinada tese através da influência da mente humana.
Para finalizar, podemos prevenir-nos colocando alguns limites à persuasão existente na publicidade, uma imposição de regras fundamentais para o exercício de liberdade através do domínio da ética exigindo uma reflexão, por consequente que impeçam a manipulação.
E apesar do orador aprovar a tese, a «culpa» é nossa, do auditório de aceitarmos a falsidade dessa publicidade e ficarmos tão emocionalmente seduzidos que não temos consciência das nossas atitudes, do nosso juízo, perdemos a capacidade comunicativa e argumentativa. “Não saber usar da palavra para convencer não será, no fim das contas, umas das grandes fontes de exclusão?”

domingo, 20 de dezembro de 2009

Marketing infantil


Crianças até aos 7 anos "decidem" 70 por cento do que se compra
Por Renato Duarte

No Natal, o marketing infantil ganha contornos mais nítidos, mas nem todos sabem lidar com o apelo dos mais novos ao consumo no dia-a-dia

Em grande parte das prateleiras de um conhecido hipermercado de brinquedos em Lisboa, o verde é a cor predominante. Há de tudo, desde patins a pistas de carros passando por bonecos iguais a tantos outros, aos olhos dos adultos, apenas com uma pequena grande diferença: a estampa do mais recente herói infantil. Ricardo, com 7 anos, descodifica o mistério rapidamente. O Ben 10 está no topo da sua lista deste ano. Do ecrã de televisão para debaixo da árvore de Natal vai um pulo que é dado com maior ou menor dificuldade consoante o tamanho da carteira dos pais e o poder de persuasão dos filhos.

A utilização de personagens de desenhos animados é apenas uma das muitas formas utilizadas para incutir o desejo de consumo nas crianças. Associação de celebridades a determinados produtos, brindes, clubes infantis, séries juvenis e desenhos animados são outras estratégias que as marcas, de uma forma cada vez mais agressiva, utilizam para aliciar os mais pequenos.

Ricardo terá sorte este ano. O seu herói entrará no sapatinho, ao lado da mais recente pista HotWheels que se juntará, por sua vez, aos modelos de consola que acumulou ao longo de sete natais e aniversários. Nuno Teixeira é o pai e neste momento está desempregado, Rute Teixeira, a mãe, é empregada de escritório. "Normalmente, tento sempre ceder ao que ele pede, pelo menos ao que mais gosta. Quando digo que não, poderá ser por não ter possibilidades ou por achar que não é adequado", diz Rute, que acrescenta: "Noto que os anúncios que mais passam na TV são os brinquedos que ele mais pede. Raramente venho com ele às compras porque senão ele pede tudo."

Não há dúvida: para os marketeers, os mais pequenos são um alvo fundamental. "Actualmente, as crianças até aos 7 anos são responsáveis por cerca de 70 por cento das opções de consumo das famílias. Não apenas em produtos que a elas se destinam directamente. Qualquer compra feita por um pai ou mãe tem em conta as necessidades e preferências das crianças. Elas são muito tidas em conta na hora das escolhas", diz ao PÚBLICO Luísa Agante, docente da cadeira de Experiências de Consumo no Instituto Português de Administração e Marketing e investigadora na área do marketing infantil. "Quando se vende um carro e se salientam as características que eventualmente beneficiam uma família com filhos, conseguimos perceber que o mercado tem consciência do peso que as crianças têm nas decisões dos pais", fundamenta a investigadora.

"Vamos aos carros", diz António, sentado num carrinho de compras, com a articulação que os seus três anos lhe permite. Ao volante das compras está Teresa Ventura. "Vamos, mas é só para ver. Ele sabe que não leva nada. Já se habituou a nem sequer pedir", diz a mãe, empresária, em conjunto com o marido, na área da consultoria de marketing. "Acho que os miúdos têm imensos brinquedos hoje em dia. Ele tem dois brinquedos grandes e pronto. Recebe brinquedos que nem chega a abrir e vão directos para crianças que nunca tiveram a alegria de ter um presente. É muito importante que ele perceba que as coisas não são fáceis e que não pode ter tudo o que quer".

A família não é democrática

Teresa, que também é mãe de Manuel, 10 meses, não vê a agressividade da publicidade dirigida a crianças como um problema, assumindo que os pais têm o controlo das opções de consumo familiares. "O que eu compro sou eu que decido, eles não têm de ter opinião, por enquanto, a esse respeito. Têm de se habituar a ver muita coisa que não podem ter."

Uma opinião que é partilhada pelo terapeuta familiar Daniel Sampaio: "A família não é uma estrutura democrática. As regras de consumo têm de ser determinadas pelos pais. Todos os estudos dizem que são os pais quem mais influencia as crianças. Se a educação for coerente com certos princípios, o peso do marketing diminui."

Ainda assim, o terapeuta ressalva que "os pais estão muito preocupados com os seus filhos e por isso ficam inseguros, acabando por ser permissivos e não conseguir impor autoridade". Sampaio acrescenta: "O grande trabalho da família, relativamente à publicidade, deve ser o de ajudar as crianças a descodificar as mensagens de que vão sendo o alvo e aqui também a escola deve ter um papel importante."

O papel da escola

É precisamente neste sentido que Luísa Agante desenvolve o seu trabalho neste momento, através do programa Mediasmart. Em vigor em Portugal desde 2008, este programa pretende introduzir na estrutura curricular do 1.º e 2.º ciclos módulos de sensibilização para o que é a publicidade e os mecanismos que utiliza, envolvendo pais, professores e investigadores na tarefa de preparar as crianças para a quantidade de estímulos publicitários de que são alvo a todo o momento.

Apesar de tudo, na opinião da investigadora, em Portugal o problema é menor do que nos EUA, por exemplo, em que a legislação é quase inexistente. "Portugal beneficia de uma grande auto-regulação. O que se verifica é que, quando há um atropelo ético, na maioria dos casos, ele acontece por falta de conhecimento sobre os efeitos que uma determinada campanha terá sobre o público a que se dirige. Daí a importância dos estudos nesta área. Os profissionais do marketing têm uma grande consciência do que podem ou não fazer."




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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

É Legítima a publicidade para crianças? - Resposta 1

Rita Novo - 11.º B


O meu interesse por este tema prende-se com o interesse pela aprendizagem e pela desenvoltura das crianças em saber “ler publicidade”.
Mas será que deve então existir publicidade dirigida a crianças?
Esta é, sem dúvida, uma questão importante que deve ser discutida uma vez que pode ter implicações na infância de uma criança.
A infância é um período de grande desenvolvimento físico mas mais do que isso, é um período em que o ser humano se desenvolve psicologicamente, o que envolve graduais mudanças no comportamento e na aquisição das bases de personalidade.
Penso que apesar de tudo o que, com razão, se lhe possa criticar, é credível que se faça publicidade dirigida a crianças. A publicidade ajuda as crianças a crescerem.
Por exemplo, o Media Smart é uma iniciativa da Associação Portuguesa de Anunciantes e consiste num programa de literacia sobre publicidade nos diferentes meios de comunicação dirigido às crianças do 1º e 2º ciclos a ser introduzido em todas as escolas com vista a ensinar os mais pequenos a "ler a publicidade", a perceber exactamente o que é transmitido e a saberem discernir o que é válido, bom ou necessário do que é lesivo, inútil ou ofensivo.
Na primeira escola em que arrancou este programa uma das frases escolhidas pelos alunos para exemplificar um benefício da publicidade foi "Alguns anúncios transmitem informações importantes sobre saúde e segurança rodoviária"; o que demonstra capacidade de distinção entre os bons e os maus anúncios. As crianças conseguem ver as coisas boas da publicidade e identificá-las, ou seja, podem tirar um bom partido desta. Além disso, podem aprender a definição do bom e do mau, a noção do que faz bem e do que faz mal.
Como mau exemplo, um aluno referiu que se "uma pessoa está a tentar poupar e aparece um reclame a dizer para comprar um carro caro, pode levar a pessoa a fazer coisas más como assaltar um banco para poder comprar". Este exemplo não está errado de todo. A Publicidade joga com o carácter conotativo e simbólico da mensagem e das diferentes linguagens que usa, que remetem para o domínio emocional do auditório e para valores e desejos “ocultos” e inconscientes. Por exemplo, se uma pessoa tem o desejo de ascender socialmente e se o anúncio a um carro exibir luxo e demonstrar charme e poder por parte do indivíduo que vai a conduzir determinado carro, é provável que o sujeito sinta vontade de comprar o carro e de ficar nas mesmas condições e no mesmo cenário que estão adjacentes a essa compra.
Contudo o auditório tem que ser racional e ter em conta a suficiência de provas apresentadas, a plausibilidade das premissas e a adequabilidade das mesmas à conclusão. Qualquer pessoa, adulto ou criança, deve saber distinguir a realidade da ficção. Principalmente as crianças devem começar a ter essa noção.
Apesar disso, não faz mal deixar as crianças sonhar. As crianças precisam de viver a sua inocência, de imaginarem e “viverem” as suas fantasias. Aliás, nesta época natalícia que se aproxima, a publicidade pode ser uma grande ajuda para os pais perceberem as preferências dos filhos e para escolherem presentes que lhes agradem.
Retomando as frases que os meninos disseram durante o debate sobre este tema, outras importantes foram: "os anúncios fazem com que as crianças queiram coisas que são más para elas, como as guloseimas", "são ofensivas ou encorajam maus comportamentos e fazem os pais gastar demasiado dinheiro, porque levam as crianças a insistir para que lhes comprem coisas". É nítido nestas frases que as crianças já começam a ter alguma aptidão para criticar o que vêm na televisão e é mesmo necessário que elas desenvolvam essa capacidade de intervir e de desenvolver as suas opiniões.
É claro nem sempre isto se verifica, por exemplo, um dos alunos disse "pedi para me comprarem uma playstation portátil que tinha visto anunciarem na televisão. E consegui!”. “A decisão de consumo cabe aos consumidores” como disse a secretária-geral da APAN. É inevitável que todos os pais devam estar alertados para o que está por detrás dos anúncios. Todos os pais têm o dever de educar os seus filhos e isso passa também por controlar o que fazem, o que vêm na televisão e na internet, a que horas e por quanto tempo. A propósito disto mesmo, o hábito crescente de colocar uma televisão no quarto das crianças é um hábito a evitar.
Não há que evitar a publicidade, há que aproveitá-la de forma benéfica. Por exemplo, se algum menino não gostar de leite e até vir um outro da mesma idade na televisão a beber e a ficar grande, saudável feliz, pode ser um bom incentivo para que ele mesmo também comece a beber leite.
Voltando atrás e para completar esta ideia, também é dever dos encarregados de educação ensinar a “ler a publicidade” ajudando-os a filtrar toda a informação que lhes chega pela televisão, pela internet e pelos panfletos que tão frequentemente encontramos nos estabelecimentos comerciais a anunciarem os demais brinquedos.
Creio que não é necessário abolir a publicidade dirigida às crianças. Assim como as crianças têm que aprender como atravessar uma estrada e a evitar os contactos com desconhecidos, também têm que aprender a lidar com o mundo real.
De facto estão imersas numa sociedade de consumo. Estão imersas em publicidade. Mas não se trata de eliminar o risco. Trata-se de aprender a reflectir.
As crianças devem sonhar e voar com a publicidade; devem ser felizes e estar alegres como é natural da sua idade mas também devem começar a entendê-la e ir crescendo aos poucos uma vez que a comunicação publicitária é inevitável.

Publicidade - uma forma de manipulação? Resposta 3

Ana Carolina Trabulo - 11.º A

Vivemos num mundo cada vez mais consumista, onde tudo parece mais descartável. O tempo dedicado a ver televisão, a aceder à internet, a ler revistas e jornais – entre outros – preenche grande parte dos dias das pessoas que vivem nas cidades mais desenvolvidas industrialmente.
Os media, a publicidades, o marketing têm o poder de seduzir. Os agentes económicos criam alianças para a obtenção de poder económico e/ou reconhecimento. Tudo isto através da influência social e do dinheiro.
O que passa nas televisões é mediatizado, onde um acontecimento irrelevante é transformado em acontecimento. Este sensacionalismo faz aumentar as audiências e consequentemente o lucro. O fenómeno mediatizado gera uma promoção à volta do assunto sobre o qual se debruça. Porém, para além de promover, também tem o poder de destruir. Resultando, em suma, numa grande percentagem de cidadãos mal informados, intoxicados por meias verdades, criando opiniões essencialmente manipuladas. Por isso os media são apelidados de quarto poder (para além dos três conhecidos: poder legislativo, executivo e judicial).
Em resposta à pergunta inicial, a publicidade é manipuladora. Esta é a tese que defenderei.
A publicidade é a divulgação de produtos e serviços. É uma comunicação de carácter persuasivo que visa defender os interesses económicos de uma indústria, empresa, grupo sócio-económico. Desta forma, o principal objectivo da publicidade é fazer com que a mensagem chegue ao auditório alvo e convencer o público sobre o que deve consumir, comprar, escolher. Os meios e métodos utilizados nem sempre provocam no público a melhor opção de escolha, pois esta é mascarada (manipulada).
Para conseguir este fim os agentes publicitários elegem um público-alvo, trabalham de forma eficiente a imagem e o som e optam por um discurso cuidado onde só atribuem mérito ao produto e nunca as suas fraquezas.
O facto de se centrarem num tema específico faz com que elejam um auditório particular, com determinadas características. Isto permite-lhes aceder ao inconsciente e assim dirigir a conduta do consumidor. Há então um uso eficiente do pathos onde os conteúdos publicitários são dirigidos às emoções do espectador, remetendo para valores e desejos ocultos (que permanecem no subconsciente) privando-o emocionalmente e anulando a sua capacidade de raciocinar.
Ao impedir a livre adesão do auditório à tese, o orador está a obrigar o receptor (auditório) a aderir a dada mensagem. Esta imposição por parte do orador nega a possibilidade do auditório poder aceitar ou recusar a mensagem. A manipulação é isso mesmo, paralisar o juízo e em tudo fazer para que o receptor abra ele próprio a sua porta mental a um conteúdo que de outro modo não aprovaria. Impõem-se a palavra em vez de permitir a sua livre circulação. E isto compromete a autonomia e a identidade do indivíduo.
Conseguindo informações sobre aspectos da personalidade do auditório e escolhendo imagens e sons apropriados, impede os sujeitos de se aperceberem de que estão a ser manipulados. O homem, não tendo plena consciência dos desejos e valores ocultos que fazem parte da sua personalidade, deixa então de ter controlo sobre a sua decisão, sobre o motivo que o leva a agir.
A publicidade influência as pessoas, tornando as coisas diferentes do que são realmente, disformes. Esta passividade do consumidor faz da publicidade uma poderosa arma de manipulação e de influência sobre as suas decisões e opiniões.
Há a considerar uma parte da publicidade aparentemente não comercial, mais informativa, como por exemplo aquelas associadas a problemas genéricos da sociedade. Estas, na minha opinião, não visam a adesão incondicional ao assunto particular mas sim um despertar de consciências onde o único propósito é proporcionar às pessoas um momento de reflexão sobre o que se passa no mundo. No fundo, acaba por ser uma consequência de toda a manipulação em que estamos mergulhados. Uma coisa é a realidade publicitária que a televisão transmite e outra coisa bem diferente é a realidade do mundo que nos rodeia.
A publicidade, ensinando formas de consumo, modela as escolhas das pessoas. A ilusão criada através do apelo aos afectos e da deformação do real faz com que a mensagem seja imposta ao auditório sem que este tenha o seu consentimento. Procura suscitar em nós necessidades mediante um código que não se interpreta por meio da razão (logos), mas que vá directamente dirigido às emoções (pathos), onde também poderá influenciar o prestígio do produto em questão (ethos), e creio que é estas são as principais bases da manipulação.
Tendo isto em conta e o que foi dito inicialmente é natural que, nesta sociedade consumista, a publicidade tenha vindo a ter grande presença e a fazer parte dos nossos dias. Estando esta associada a uma comunicação tendenciosa, é importante que as pessoas tenham cultura para não se deixam levar, para pensem por si mesmas.

Publicidade - uma forma de manipulação? Resposta 2

Sara Felizardo - 11.º B



O uso da palavra tanto serve para a verdade como para dizer a mentira, tanto para o bem como para o mal. Mas a partir da argumentação, surgem múltiplas verdades que a sociedade tem legitimidade de contestar. Mas… e se não possuir competência retórico-argumentativa? Poderá ser alvo de má fé, comprometendo a sua autonomia e identidade?
Para diferenciarmos certas publicidades, teremos de constatar a relação dos conceitos de Ethos, Pathos e Logos em que poderá predominar um em vez dos outros. Uma vez realçando o Pathos, já dizia Aristóteles, era uma actividade manipuladora que fazia com que o auditório se esquecesse de quem era pelo grande envolvimento emocional. Naturalmente, verificamos que a publicidade falaciosa pressupõe uma manipulação em que consiste o poder sobre o seu auditório sem este se aperceber, uma imposição que o poderá constringir de compartilhar a sua opinião ou adoptar um determinado comportamento. Quando não nos sentimos à vontade com algum assunto específico, somos facilmente enganados pela linguagem sofisticada, jogo de palavras, difícil de dominar e de extremo poder expressivo, somos obrigados subtilmente.
No meu entender, não querer ouvir o outro é refutar sem quaisquer razões, simplesmente negando a liberdade de expressão e de recepção, de aceitar ou não a sua mensagem, e assim, a não existência de dialéctica (o confronto entre duas teses/ideias). Contudo, hoje em dia apesar de nos sentirmos mais instruídos, está nas nossas mãos pronunciarmo-nos ou fiarmo-nos no que nos impõem, ou seja, cabe-nos a nós garantir a verdade e não encobrir a mentira. Enfim, o mau uso da retórica designada como retórica negra na publicidade existe conscientemente quer no apelo à emoção e aos sentimentos do auditório ou pelo o uso de falácias e sofismas no seu discurso. Recorrendo a comportamentos, ao excesso de figuras de estilo, a figuras artísticas, à criação de situações de medo pelo uso abusivo da autoridade, à repetição, à sincronização entre os sujeitos e hipnose que torna incapaz de resistir à mensagem e até o recurso ao contacto físico que impressionam o público, sendo capaz de mentir sobre os factos e deformar a realidade induzindo à ilusão como ainda dissimula-los para se pretender a adesão involuntária, tudo isto para fazer aceitar determinada tese através da influência da mente humana.
Para finalizar, podemos prevenir-nos colocando alguns limites à persuasão existente na publicidade, uma imposição de regras fundamentais para o exercício de liberdade através do domínio da ética exigindo uma reflexão, por consequente que impeçam a manipulação.
E apesar do orador aprovar a tese, a «culpa» é nossa, do auditório de aceitarmos a falsidade dessa publicidade e ficarmos tão emocionalmente seduzidos que não temos consciência das nossas atitudes, do nosso juízo, perdemos a capacidade comunicativa e argumentativa. “Não saber usar da palavra para convencer não será, no fim das contas, umas das grandes fontes de exclusão?”

Publicidade - uma forma de manipulação? Resposta 1

Sara Ramos

A publicidade é uma actividade de difusão pública de ideias associadas a empresas, produtos ou serviços. Hoje em dia a publicidade encontra-se espalhada por toda a parte, sendo maioritariamente destinada à venda de um produto ou serviço, utilizando diversos métodos e um planeamento rigoroso. Toda a publicidade tem em conta um público-alvo específico e por isso, esmera-se para apelar aos instintos profundos de um determinado grupo e assim despertar o desejo de compra. Mas é o carácter do orador (Ethos), os sentimentos despertados pelo discurso (Pathos) e o próprio discurso em si (Logos) que fazem toda a diferença quando se trata de persuadir um determinado público a aceitar a tese colocada, neste caso, a compra do produto.
Mas, será que podemos admitir que a publicidade que circula na sociedade de hoje é toda ela manipuladora? Não existirá, portanto, nenhuma réstia de bondade na publicidade?
A meu ver, esta ideia – pressuposta na pergunta – é extremamente exagerada já que não podemos afirmar que toda a publicidade manipula a sociedade.
A manipulação baseia-se em controlar a vontade do outro sem que este se aperceba, sendo que o orador se recusa a ouvir o que outra pessoa diz, tentando enganá-la com um discurso falacioso. Já a persuasão expõe os argumentos tentando convencer o outro a aceitar a tese, sem interferir na liberdade de escolha pensamento deste, sendo a aceitação da tese apresentada dependente apenas do auditório.
Qualquer pessoa com espírito crítico será capaz de não sucumbir as tentações por parte de algumas publicidades de cariz manipulador, e ser capaz de diferenciar aquilo que lhe é necessário daquilo que lhe é supérfluo, mesmo que se sinta tentado. Muitas vezes, somos tentados a comprar um certo produto devido a emoções despertadas pela sua publicidade, sendo isto uma técnica de marketing. Todas as imagens, cores, frases, emoções e valores subliminares são estudados até ao último pormenor com o intuito de chamar a atenção do público e produzir consumo.
Quanto à bondade, creio que esta não desapareceu por completo da publicidade já que esta também tem um grande papel informador sobre diversos assuntos. Por exemplo, no caso de acções de caridade social, organizações não governamentais ou outros organismos cujas publicidades pretendem alertas o público para causas importantes, apelando à boa fé do auditório.

Após uma reflexão, penso que toda a publicidade é apenas persuasiva, pois se tivermos espírito crítico para analisar atentamente a sua mensagem, nunca cairemos numa armadilha de consumismo desmedido.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Persuasão Vs manipulação




Publicitar a chegada do Pai Natal. Parece bom, o Pai Natal produz felicidade nas crianças.

Mas se o anúncio da chegada do Pai Natal visa levar os pais das crianças ao espaço comercial e a estabelecer laços de simpatia (emoções positivas)?
Há uma intenção oculta? Ou ela não é assim tão oculta? É manipulação ou ainda uma forma de persuasão?

sábado, 5 de dezembro de 2009

Publicidade 5 - Análise da retórica da publicidade


11.º B - Tânia e Sara

Auditório:
O auditório compreende mulheres dos 30 a 55 anos, com capacidades económicas avantajadas, que lhes permite viajar enumeras vezes em que, na maioria, são professionalmente realizadas e com um estilo de vida urbano.
Tese:
Não se deve comprar nem usar peles genuinas pois estamos a contribuir para a morte de diversos animais exóticos.
Logos:
Para que se compre peles de animais exóticos, é necessário matá-los.
Se matar estes animais é considerado uma carnificina,
Quem compra estas peles participa na carnificina.

Pathos:
Este cartaz publicitário pertende chocar o auditório, provocando sentimentos de pena pelos animais em causa e um nojo por toda esta carnificina.
Ethos:
A instituição que promove esta causa é a WWF (World Wild Foundation) em que a sua função é conservar e salvaguardar a biodiversidade, bem como todo o nosso planeta. Para sensibilizar as pessoas para a morte destes animais, utilizam imagens chocantes com o intuito de promover a sua causa.
Mensagens sublimares:
Esta publicidade baseia-se numa persuasão sensata pois utiliza argumentos lógico-racionais (Logos) sendo que as provas apresentadas são suficientes.
Não é uma publicidade manipuladora, pois apela à boa fé do auditório e pertende manifestar-se contra algo que julga ser incorrecto.
Valores:
Implícitos: revolta, remorsos, insensibilidade.
Explícitos: carnificina, vida (morte dos animais), tristeza.
Falácias:
Podemos encontrar nesta publicidade falácias do tipo ad terrorem pois invoca consequências negativas para pressionar o auditório a aceitar a sua tese; e ad misericordiam que apela ao sentimento de piedade ou compaixão para conseguir que uma determinada conclusão seja aceite.

Publicidade 4 - Análise da retórica da publicidade

11.B Ana e Álvaro




1) Auditório – Público-alvo: este cartaz publicitário foca-se mais nas mulheres donas de casa e que desempenham tais funções no seu dia-a-dia.

2) Tese – a ideia que se pretende passar é a de que com o electrodoméstico “Brandt” a mulher fica com todo o tempo para aquilo que precisa, o que é o sonho de qualquer mulher.

3) Logos – A publicidade faz-se à marca de electrodomésticos, contudo, por incrível que pareça, a importância da imagem vai para uma mulher que se apresenta em 4 poses diferentes, ocupando estas 2/3 do cartaz. De salientar que a mulher apresenta-se com um à-vontade de quem está muito tranquila e respira sensualidade e bom gosto. O texto que acompanha a imagem possui a função argumentativa: por um lado refere-se às características do forno e por outro procura persuadir o consumidor a comprar o produto para que “aproveite todos os minutos para fazer o que realmente deseja”.

4) Ethos – Embora o produto seja útil, tratando-se de um electrodoméstico, o que é realçado é a beleza, a elegância, a descontracção, a alegria, a felicidade, a sensualidade, o à-vontade e o bom gosto da mulher, tanto no seu passatempo que a distrai (pintar), no seu papel de esposa do Rui, de mãe e de profissional (arquitecta). Este é o carácter que é incutido na mensagem do anúncio, demonstrado através da imagem.

5) Pathos – O leitor começa por prestar atenção à imagem expressiva e questiona-se sobre o porquê das posições diferentes da mulher, que ainda por cima é muito atraente. Só depois se apercebe que o objectivo do cartaz é influenciar na compra da marca “Brandt”. Esta é uma das técnicas mais usadas na publicidade: captar a atenção do consumidor a partir de algo inesperado, belo e surpreendente; fazê-lo sentir atraído pelo produto.

6) Mensagens subliminares – hipotéticas: A função simbólica das cores remete-nos para um conceito de mulher equilibrada que sabe o que quer e que gosta de viver em plenitude. São colocadas três cores em plena harmonia: preto – simboliza classe, bom gosto, desejo de requinte; vermelho – irreverência da mulher, paixão, pessoa de emoções fortes; branco – ao mesmo tempo que é requintada, é uma mulher simples, tranquila, pura, calma, equilibrada. Se o leitor quer ser ou ter tudo isto, basta adquirir o produto.

7) Valores implícitos e explícitos: ousadia e atenção (expressos na imagem pela esposa do rui e pelo seu cão), sensualidade (expressa na imagem pelo boné característico dos pintores), diversão e harmonia (expressos pela grávida), profissionalismo (expresso pela arquitecta que carrega o canudo que tem todos os seus projectos).
A parte destes valores implícitos, estão todos aqueles que nos são remetidos pelas cores (classe, bom gosto, desejo de requinte, irreverência da mulher, paixão, tranquilidade, pureza, calma, equilíbrio).

8) Falácias informais – hipotéticas: É obvio que por termos um produto, todo o resto que envolve a nossa vida e o nosso quotidiano, ao contrário do que é afirmado pela publicidade, corre obrigatoriamente bem. Podemos considerar, então, que existe uma falácia neste argumento indutivo, implícita no anúncio: Com o produto “Brandt” os seus cozinhados serão melhores. Com o produto “Brandt”, a sua vida será perfeita em todos os campos.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Trabalho 3 - 11.º Ano - Turmas A, B, E e F

AGORA É A SÉRIO...

Trabalho de ensaio/dissertação sobre dimensões éticas do discurso retórico da publicidade

Problemas de partida:

Hipótese 1) é legitimo dirigir publicidade a crianças?

Hipótese 2) é legitimo usar crianças em publicidade?

Hipótese 3) a publicidade é manipulação do auditório?

Regras:
- Máximo 2 páginas A4 - Letra 11 ou 12, espaçamento 1,5
- Imperativo: citar todas, TODAS, as fontes.
- entrega: dia 12, às 24h

Os alunos defendem o trabalho respondendo a uma só questão acera do mesmo.

Critérios de avaliação:
- coerência, consistência da análise e síntese criada;
e ... VER CRITÉRIOS DA DISCIPLINA FILOSOFIA NESTE BLOG

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Trabalho 2 - 11.º Ano - Turmas A, B, E e F

O discurso publicitário como discurso persuasivo sedutor

Análise da retórica do anúncio publicitário - etapas:


1) Auditório - Público-alvo
2) Tese
3) Logos
4) Ethos
5) Pathos
6) Mensagens subliminares - hipotéticas
7) Valores implítitos e explícitos
8) Falácias informais - hipotéticas

Apresentação: em suporte digital; Tempo: 4m máx.

ver exemplo neste blog - na categoria: publicidade