segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

MGF - no Público



Dia internacional de tolerância zero à mutilação genital feminina assinala-se hoje

Mutilação Genital Feminina: realidade em Portugal é ainda pouco conhecida

06.02.2012 - 12:32 Por Rita Araújo
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A mutilação genital feminina inclui procedimentos que alteram intencionalmente os órgãos genitais femininos por motivos não médicosA mutilação genital feminina inclui procedimentos que alteram intencionalmente os órgãos genitais femininos por motivos não médicos (Daniel Rocha)
 Lisa Vicente é médica ginecologista e conta que já lhe passaram pelas mãos várias mulheres vítimas de mutilação genital feminina (MGF). A nível nacional, a prática mais comum é a clitoridectomia, ou seja, a remoção total ou parcial do clítoris ou da pele que o cobre. Assinala-se hoje o dia internacional de tolerância zero à mutilação genital feminina. Em Portugal ainda não há números, mas a responsável pelo departamento de saúde reprodutiva da Direcção-Geral da Saúde (DGS) garante que o facto de não existirem dados estatísticos “não significa que [a MGF] não seja uma realidade”. A médica afirma que ainda há uma “face oculta” na sociedade, que faz com que mulheres vítimas de mutilação não queiram dar a cara.

 http://publico.pt/Sociedade/mutilacao-genital-feminina-realidade-em-portugal-e-ainda-pouco-conhecida-1532458

domingo, 15 de janeiro de 2012

Retórica e verdade - Porque é que a época contemporânea precisa da retórica?


Porque é que a época contemporânea precisa da retórica?

Maria Inês Ferreira Leite   - 11º C 

 O conceito de retórica vem do grego ‘rhetor’ que significa orador. Considerada a arte de utilizar a linguagem com o objectivo de influenciar os outros através da persuasão, a retórica terá surgido no século V a.C, em Sicília e foi introduzida em Atenas pelo sofista Górgias. Porém, retórica será um termo ambíguo, uma vez que tanto pode significar arte de eloquência (arte de bem falar), como técnica de discurso dirigido a um auditório no sentido de o levar à adesão de uma tese. Esta pode ser utilizada moral ou imoralmente, devida ou indevidamente: quando ‘mal’ usada, temos a manipulação, em que há predominância do ethos e do pathos sobre o logos; caso contrário, temos a persuasão em que é equilibrado o uso do pathos, do ethos e do logos.
Inicialmente, a retórica visava persuadir uma audiência dos mais diversos assuntos, mas acabou por se tornar arte de ‘bem falar’, oposto Sofistas ao filósofo Sócrates e seus discípulos. Esta oposição surgiu, sobretudo, à existência das diferentes concepções de argumentação, verdade e ser. O termo grego sofista designa todo o homem que possui conhecimentos sábios em qualquer assunto. Pitágoras e Górgias eram defensores da retórica sofística cujos pressupostos eram o relativismo gnoseológico (a verdade não existe ou era inalcançável e intransmissível), e o relativismo moral (a acção humana é relativa). Segundo Sócrates e Platão, os sofistas eram manipuladores da verdade.
Por exemplo: O que nos cura quando estamos doentes? A Medicina que orienta as vontades segundo a verdade, ou o cozinhar que é uma atividade empírica? Visto assim, Platão considerava a retórica uma atividade empírica, desprezível, que manipula e oculta a verdade e o ser. Platão defende a verdade (absoluta) quando o pensamento (pensar) corresponde ao real (ser). Já os sofistas defendem que a verdade não é absoluta, uma vez que a realidade depende do pensamento de cada um - relativismo.
Tendo em conta que podemos encontrar, na história da filosofia, diversas interpretações do ser e da verdade, podemos distinguir duas de muitas concepções:
·        Concepção Tradicional de Verdade, em que a verdade é unívoca, absoluta, universal, necessária e intemporal – Realidade Unidimensional
·        Concepção Contemporânea de Verdade, em que a verdade é pluriunívoca, temporal, relativa, e probabilística – Realidade Pluridimensional
 Disciplinas como a Matemática ou a Ontologia, baseiam-se numa verdade absoluta. Já a Filosofia, Ciências Humanas, Direito, Política, Educação, e Artes são disciplinas que se baseiam numa verdade com vários sentidos. Cada povo tem diferentes valores, expressões, culturas (Realidade Pluridimensional), mas é possível que nesta realidade se encontre uma verdade absoluta à forma de Platão.
 A verdade depende da consciência humana.
Para haver verdade é necessário que haja um sujeito – a verdade é sempre verdade para uma consciência. Já a realidade não necessita de consciência para existir.
 A argumentação visa fornecer argumentos a favor de uma determinada tese, que mostram a validade ou fundamento desta, com a finalidade de provocar a adesão do auditório a essa mesma tese. Na argumentação, a conclusão nunca está completa pois não é logicamente necessária, sendo sujeita a ser refutada. Assim, a argumentação é importante para saber justificar as nossas teorias, ideias e pontos de vista; para distinguir o verdadeiro do falso e chegarmos a conclusões que consideremos corretas, transmitindo-lhos aos outros.
Platão considera que a retórica sempre foi o oposto da filosofia, na medida em que apenas se preocupa com o verosímil (aparência de verdade) e com a adulação do auditório, enquanto a filosofia visa a verdade e nasce da relação do discurso com as coisas. A retórica, ao visar apenas a capacidade de persuasão, torna-se numa ciência inútil e até perigosa, uma vez que poderá ser usada para fins injustos. Assim, no século XX, Perelman dá um novo rumo à retórica, sendo um dos mais importantes teóricos da Retórica no século XX.
 Com a nova retórica nasce um novo modelo da razão e uma nova concepção do conhecimento. A atividade racional não se reduz ao rigor lógico (puro e formal) da demonstração, e os nossos conhecimentos não se resumem a proposições necessárias. A atividade racional tem uma dimensão que permite fundamentar com ‘razoabilidade’ as nossas preferências. Para mostrar estas razoabilidades, é preciso argumentar. É necessário, assim criar uma nova lógica a que Perelman chama Teoria da argumentação – lógica preferível. Esta lógica fundamenta as nossas opções, escolhas e opiniões. Emerge assim, uma nova concepção da racionalidade – racionalidade argumentativa.

Janeiro de 2012

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Realidade, Verdade, Consciência e Conhecimento

Realidade - O que existe ou é independentemente de uma consciência. A totalidade do que há.

Verdade - a correspondência correcta entre a consciência e a realidade.

Assim, não há verdade sem consciência, mas há realidade sem ela. (pelo menos a maioria pensa que sim)

Problema 1 - então como chamar às realidades que só existem numa consciência - não nos referimos aos sonhos, às ilusões mentais, mas sim às ideias, aos valores e aos ideais? E as realidades matemáticas, será que existe o 33 sem uma consciência que o pense, crie, aprenda ou comunique. O 33 escrito aqui continua a existir quando já ninguém o pensa?

Problema 2 - O conhecimento de produtos sociais e culturais como a política, a educação ou a arte poderemos chamar-lhe verdade? a verdade nos dimensões criadas pelos homens é ainda uma correspondência ou entre a consciência e o real ou é já uma construção da própria consciência?
Aqui surgem duas famílias de respostas: os realistas e os idealistas. Os realistas dizem que a realidade é independente da consciência e do sujeito que a conhece. Os idealistas dizem-nos que a realidade é compreendida sempre por uma consciência e como tal é sempre subjectiva (mesmo que todos estejamos de acordo - intersubjectividade.

Problema 3 - A realidade tem distintas dimensões - arte, natureza, homem, sociedade, língua, .... e cada uma destas dimensões necessitam de ter abordagens próprias, ter metodologias de conhecimento adequadas - por isso é que há tantas ciências, disciplinas e abordagens da realidade. Então é admissível que possamos pensar que a designação de verdade não seja a mesma em todos os domínios do real e do conhecimento desses domínios - como saber qual é verdade em política? É uma verdade como correspondência? uma verdade como utilidade? uma verdade como consenso? ou a verdade é totalmente subjectiva e fragmenta-se em pedacinhos?

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O Auditório Universal

«O auditório universal é, em primeiro lugar, uma construção ideal elaborada em função de um discurso que aspira ao consenso de todos os homens racionais sobre o que, nesse discurso, é dito. Mais do que uma ideia, ele é um ideal, ou, para utilizar, como Perelman faz regularmente, a terminologia kantiana, uma ideia reguladora.»

Rui A. Grácio. Racionalidade Argumentativa, p. 91.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Trabalho de análise de filme - o problema do livre-arbítrio


Actividade: análise temática e argumentativa de filme
Objectivo:
A)       aplicar correctamente os termos que constituem a rede conceptual da acção humana;
B)       identificar teses, argumentos (ou justificações) em conflito no filme
C)      desenvolver o pensamento analítico e crítico e a precisão conceptual

Tarefa:
1 - ver o filme
2 - redigir um discurso de análise do filme, no mínimo 1 página e no máximo 4 páginas A4, Times New Roman 11, espaçamento 1,5, margens 3 cm.,
2.2. o discurso deve dar conta da história que o realizador quis contar.
2.3. o discurso deve dar conta da acção (acções) e projecto que o actor principal tem, bem como das dificuldades que se lhe levantam
2.4 o discurso deve terminar com a discussão do problema do livre-arbítrio (por exemplo: a acção humana é determinada radicalmente, determinada moderadamente, ou totalmente independente das condições e leis físicas, psíquicas e sociais (libertismo)?

Condições:
1 - o aluno tem de defender o trabalho - em aula do dia 10 de Janeiro
2 - o não domínio de uma única palavra aplicada na análise do filme implica zero valores.
2 - o discurso tem de apresentar 50% dos termos apresentados no quadro B e 30% dos termos apresentados no quadro C.
3 - entrega em papel A4 V/V, agrafado, até dia 7 de Janeiro.

Avaliação -  critérios da disciplina; trabalho escrito e defesa
Peso:

Quadro A
Hipótese A
Hipótese B
Relatório Minoritário - Realizado por Steven Spielberg  - EUA, 2002 Cor – 145 min


Quadro B
- Acontecer vs. Fazer
- voluntário vs. Involuntário
- motivo vs causa
- intenção vs espontâneo
- Agir vs. Reacção
- Consciente vs. Inconsciente
- Projecto vs. ausência de deliberação
- Decisão vs impulso mecânico
- Deliberação vs imediatez da resposta
- Condicionante vs determinante
- Intenção vs alteração do real
- Consequências imprevistas vs. Previstas
- Necessidade vs possibilidade
- Natureza dada vs natureza adquirida
- Instinto vs aprendizagem

Liberdade Absoluta – Liberdade Condicionada
Tudo Poder Fazer – Poder realizar todo o apetecer
Condicionante – Determinante
Condicionantes Físicas – Condicionantes Sociais
Condicionantes Psíquicas – Condicionantes Culturais
Determinismo Natural e Físico – Livre-Arbítrio
Incompatibilismo – Compatibilismo
Libertismo - Determinismo Radical

Quadro C
absoluto / relativo
abstracto / concreto
antecedente / consequente
aparência / realidade
a priori / a posteriori
causalidade / finalidade
compreensão / explicação
contingente / necessário
dedução / indução
dogmático / crítico
dúvida / certeza
empírico / racional
essência / existência
finitude / infinitude
formal / material
identidade / contradição
imediatez / mediação
intuitivo / discursivo
particular / universal
saber / opinião sensível / inteligível
sentido / referência
ser / devir
subjectivo / objectivo
substância / acidente
verdade / validade
teoria / prática
transcendente / imanente

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

publicidade, retórica e consumo


http://economico.sapo.pt/

Estudo

Jovens informados são imunes ao discurso das marcas

Catarina Madeira  
22/12/11 07:08
Estudo diz que as marcas já não são mobilizadoras para os jovens, que querem “comunicação honesta e genuína”.
O discurso das marcas é cada vez menos mobilizador para os jovens, que todos os dias são "bombardeados" com informação. Para serem aceites neste segmento, as marcas terão de adoptar um discurso "genuíno" e "honesto".
Esta é uma das conclusões do estudo "Crise, Valores e Marcas nos jovens", promovido pela Bottom Line, agência de publicidade do Sistema Ativism, junto de 830 jovens, entre os 15 e os 23 anos, com o objectivo de descobrir e estudar os comportamentos dos jovens e os seus pensamentos face às marcas e à crise actual.
No universo das marcas, o que esta geração mais valoriza é "o que eu gosto", o preço, a qualidade e a funcionalidade. António Fuzeta da Ponte, director-executivo da Bottom Line, diz que esta é "a geração mais bem informada de sempre" e que, por isso, está preparada para "distinguir exactamente o que lhes interessa".
 
In http://economico.sapo.pt/

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Heitor, Aquiles e o problema do livre-arbítrio


Ana Margarida 
Ana Rita 
10.º D

Hipótese de trabalho: a defesa do determinismo absoluto
No determinismo absoluto, todos os acontecimentos dependem sucessiva e necessariamente das suas causas. Um acontecimento pode ser simultaneamente causa e efeito. Tudo o que fazemos é inevitável, não o podíamos ter feito de outra maneira. De acordo com esta tese, a decisão de Heitor não pode ser livre, por várias razões:
Þ    Heitor não podia fugir de Troia, pois tinha um filho e por razões biológicas era incapaz de o abandonar;
Þ    Heitor não podia atraiçoar a sua cidade, pois seria punido;
Þ    Heitor não podia recusar lutar contra Aquiles, pois em criança tinha sido educado para se tornar num bom guerreiro e também lhe ensinaram que a cobardia era algo odioso.
Logo, Heitor não teve escolha: só podia lutar contra Aquiles.

                O comportamento das pessoas é causado por fatores fora do seu controlo (ex.: genética, ambiente onde cresceu). Se o agente não tem controlo sobre esses fatores, não se trata de uma ação livre. Se uma ação é praticada livremente, o agente poderia decidir praticar outra ação diferente em vez dessa; no entanto, não se pode praticar uma ação diferente da que se praticou, logo, a pessoa não agiu livremente (não tinha outra hipótese).
O indeterminismo tem uma falha, pois nem todas as ações são fruto do acaso: uma pessoa alimenta-se porque tem fome e abre a janela porque tem calor.
O libertismo também tem um defeito: a decisão humana está limitada ao meio físico que a rodeia, por exemplo, uma pessoa que esteja no sexto andar de um prédio e queira sair do edifício, não se vai atirar pela janela, pois sabe que morrerá, simplesmente decidirá se irá utilizar as escadas ou o elevador.
O compatibilismo defende que o Homem pode escolher, mas por trás das razões que levaram o Homem a fazer uma certa escolha estão uma série de fatores que a determinaram, impossibilitando a existência de outras escolhas – a escolha não foi livre.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O que precisa um homem para ser um cidadão?


INSPETOR de CIRCUNSTÂNCIAS - 2


Só vamos aplicar o inspetor de circunstâncias aos argumentos de tipo condicional - Modus Ponens ou Modus Tollens.

Esta operação da avaliação realiza-se nestes tipos de argumentos porque a tabela de verdade não permitiu ser conclusiva. 
A tabela de verdade é conclusiva quando se verificam que todos os valores de verdade da coluna do conetor mais abrangente são verdadeiros (tautologia) ou são falsos (contradição). 
Mas pode acontecer serem uns verdadeiros e outros falsos. Neste caso temos uma contingência. (veja bem o que significa contingência!?)
Uma contingência precisa de uma rede mais fina para detetar a validade do argumento. 

por exemplo:
1ª premissa:            ~A -> B      
2.ª premissa:           ~B 
Conclusão:              A  

1º - calcula-se o valor de verdade para cada uma das premissas e para a conclusão, nas colunas respectivas 
2.º - verifica-se se existe uma linha com a situação de        V      V       F   
3.º - se existir o argumento é inválido, pois traduz uma IMPOSSIBILIDADE
4.º - se não existir o argumento válido.
5º - se existir simultaneamente uma linha com valor V V V e outra V V F conta - obviamente - a que traduz a invalidade do argumento. 


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

teoria da evolução da vida


O que é uma ação? O que não é uma ação?


A palavra ‘acção’ emprega-se às vezes para falar de animais não humanos (diz-se que a acção das cigarras é benéfica para a agricultura) ou, inclusive, de objectos inanimados (diz-se que a gravitação é uma forma de acção à distância ou que a toda a acção exercida sobre um corpo corresponde uma acção igual de sentido contrário). Mas sobretudo usamos a palavra ‘acção’ para nos referirmos ao que fazem os humanos. Aqui só nos interessa este tipo de acção, acção humana.
As nossas acções são (algumas das) coisas que fazemos. Na realidade o verbo ‘fazer’ cobre um campo semântico bastante mais amplo que o substantivo ‘acção’. O latim distingue o agere do facere (aos quais corresponde em português agir e fazer). Ao substantivo latino actio, derivado de agere, corresponde o substantivo acção. Assim, até de um ponto de vista etimológico, ‘acção’ só carreia a carga semântica de ‘agir’ e não propriamente de ‘fazer’.
Tudo quanto realizamos é parte da nossa conduta, mas nem tudo o que realizamos constitui uma acção. Enquanto dormimos realizamos muitas coisas: respiramos, suamos, damos voltas, apertamos a cabeça contra a almofada, sonhamos, talvez ressonemos alto ou falemos em voz alta ou andemos sonâmbulos pela casa. Todas estas coisas as realizamos inconscientemente, enquanto dormimos. Realizamo-las mas não nos damos conta delas, não temos consciência de que as realizamos. A estas coisas que fazemos inconscientemente não lhes vamos chamar acções.
Vamos reservar o termo ‘acção’ para as coisas que realizamos conscientemente, dando-nos conta de que as fazemos.
Há, no entanto, coisas que fazemos conscientemente, dando-nos conta delas, mas sem que à sua realização corresponda uma intenção nossa. Damo-nos conta dos nossos ‘tiques’ e de muitos dos nossos actos reflexos, mas realizamo-los involuntariamente, constatamo-los como espectadores, não os efectuamos como agentes. (A palavra ‘agente’ é outra das palavras derivadas do verbo latino agere.) Por algo que sentimos depois de comer damo-nos conta de que estamos a fazer a digestão. Mas fazer a digestão não constitui (normalmente) uma acção. Pelos sorrisos dos que nos observam damo-nos conta de que estamos a ser ridículos. Mas ser ridículo (praticar actos ridículos) não é uma acção, mas uma reacção, algo que nos passa despercebido e que lamentamos (a não ser que o façamos de propósito, como provocação; neste caso já seria uma acção). Também não chamamos acção a esses aspectos da nossa conduta de que nos damos conta, mas que não efectuamos intencionalmente.
No presente estudo limitar-nos-emos às acções humanas conscientes e voluntárias, às que daqui em diante chamaremos acções (sem mais). Uma acção é uma interferência consciente e voluntária de um homem ou de uma mulher (o agente) no normal decurso das coisas, que sem a sua interferência haveriam seguido um caminho distinto do que por causa da acção seguiram. Uma acção consta, pois, de um evento que sucede graças à interferência de um agente e de um agente que tinha a intenção de interferir para conseguir que tal evento sucedesse."
MOSTERÍN. Racionalidad y Acción Humana

sábado, 19 de novembro de 2011

'Mais rápidos que a luz'? Afinal Einstein tinha razão - Ciência - DN

O postulado de que a velocidade da luz - 300 000Km/s é a velocidade máxima tem sido posta em causa no último mês por se verificar que os neutrinos viajam mais rápido do que a própria luz.



Mas talvez haja um erro de medição....!?
Existe uma Hipótese em fase de discussão científica que explicaria o facto dos neutrinos andarem feitos loucos a acelerar...


'Mais rápidos que a luz'? Afinal Einstein tinha razão - Ciência - DN

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

PP sobre Falácias e Argumentos

Classifique as seguintes falácias.

A) Professor tem que me deixar passar de ano, senão o meu pai zanga-se e não me deixa voltar a matricular.

B) Não existem dados suficientes para dizermos que não têm razão, então têm razão.

C) Como pode Ómega argumentar contra a eficiência dos serviços de saúde se nunca esteve doente!?

D) Sendo a favor da sesta, és as favor da preguiça e a preguiça é algo económica e socialmente má.

E) "Mas toda a gente faz!!"

F) Se no meu Bairro as pessoas são X, então em todo o lado é assim.

G) Ou se é rico ou se é pobre. (...)

H) Se jogarmos no euromilhões ficamos ricos. se ficarmos ricos somos poderosos, se formos poderosos podemos conduzir a vontade dos outros. se conduzirmos a vontade dos outros somos líderes. se formos líderes seremos adorados.

I) A Ómega disse de Ypsilón: "tu não és homem, não és nada". Phi pensa: Ómega considera Ypsilón uma mulher.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

INSPETOR DE CIRCUNSTÂNCIAS - 1

USE o INSPETOR de circunstâncias para DEMONSTRAR a INVALIDADE do seguinte argumento: Se o determinismo da natureza existir, então poderemos ser livres. Somos livres. Logo o determinismo da natureza existe.

Demonstre a validade do seguinte argumento:

Se partilha uma ética deontológica, então não justifica o valor da ação através do que o homem realiza. Justifica o valor da acção através do que o homem realiza. Logo não tem uma ética deontológica.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

História da Ciência

Acesso gratuito a 346 anos de ciência na Internet O arquivo da The Royal Society Entre os documentos mais valiosos está a primeira investigação de Isaac Newton sobre a cor. Newton explica para a revista o revolucionário descobrimento que fez em 1672: a cor é uma propriedade inerente à luz e a luz branca é composta por uma mistura de outras cores. Os internautas também poderão consultar os trabalhos levados a cabo por Darwin ou então pelo primo dele, Francis Galton que, em 1891, descobriu que as impressões digitais eram uma marca pessoal e podiam ser utilizadas para a identificação do indivíduo. Pouco depois, a Scotland Yard (corpo da polícia britânica) começou a utilizar este método, que se foi estendendo por todo o mundo. Benjamin Franklin utilizou em 1752 uma pipa para demonstrar a sua teoria sobre a electricidade. Pensava o cientista que os relâmpagos eram electricidade que se deslocavam das nuvens para a Terra, e suspeitava que essa electricidade poderia ser apanhada artificialmente empinando uma pipa durante uma tempestade. Felizmente Franklin estava certo e sobreviveu à experiência. (...) http://www.jn.pt/PaginaInicial/Tecnologia/Interior.aspx?content_id=2092999&page=2 http://royalsocietypublishing.org/search

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Natureza dada vs. natureza adquirida e a dimensão social do homem

Menina viveu fechada e na porcaria até aos sete anos. Hoje ainda não fala, mas já ri
Luis M. Faria
Quinta feira, 27 de outubro de 2011

85 por cento do cérebro desenvolve-se até aos cinco anos. Uma criança que cresça privada de estímulos fundamentais em matéria de socialização e linguagem nunca mais recupera. Os casos de 'meninos selvagens', felizmente, são raros, mas de vez em quando aparece um que nos faz arrepiar ou chorar. Um desses casos é o de Dani, a menina que foi descoberta num quarto sujo da Florida.


Danielle - nome por que era tratada, ou não, pela família - tinha quase sete anos quando uma denúncia anónima levou a polícia a sua casa. A assistente social que primeiro lá entrou teve de sair para se aliviar, emocional e fisicamente. Os polícias não ficaram muito melhor. Um disse depois que era a pior cena que alguma vez encontrara.

Todo a casa fedia, com bocados de fezes espalhados pelo chão e pelas paredes. No meio disso, uma mãe e dois filhos crescidos não pareciam incomodados. Só ao fim de minutos indicaram aos visitantes um quarto ao fundo, de onde vinha uma espécie de gemido.

Nesse quarto - um espaço do tamanho de um armário, que de mobília só tinha um velho colchão imundo, com molas saídas - estava a pequena Danielle. Olhar esquivo, desgrenhada, com insetos a passar-lhe por cima e usando apenas uma fralda suja, vivera ali a maior parte da sua curta vida.

Fatores puramente externos

A primeira preocupação dos polícias foi levar a criança ao hospital. Mas antes dirigiram à mãe uma pergunta: como foi capaz? Ela respondeu que fizera o seu melhor, antes de começar a gritar para não lhe levarem a sua "bebé".

No hospital, constatou-se que Danielle estava gravemente subnutrida. O peso era muito abaixo do normal para a idade, mas ela não conseguia engolir comida sólida, ou mastigar. Ficou a soro. Uma vez lavada e examinada, os médicos concluíram que nunca ultrapassaria a grave situação de deficiência em que a mãe a pusera.

Os problemas nada tinham a ver com qualquer fator físico. Originalmente, não havia nada de errado no corpo da rapariga - nenhuma doença, nenhum atraso. Fora o modo como a criaram que a danificara.

No tribunal, a mãe daria as suas explicações, nenhuma das quais fazia sentido. Só o facto de ela própria ter um Q.I. próximo do atraso mental terá comovido as autoridades.

Uma ténue conexão

A mãe continuava a querer a filha. Mas as autoridades propuseram-lhe um acordo: se renunciasse aos seus direitos, não a mandavam para a cadeia. Recusando, arriscava vinte anos. Ela cedeu.

Danielle foi proposta para adoção. Num site oficial do estado da Florida, o seu retrato aparecia entre o de centenas de outras crianças. Algo terá comovido Diane e Bernie Lierow, um casal de trabalhadores que andava à procura de mais um filho para juntar aos quatro que tinham de casamentos anteriores.

Informados da história daquela criança, foram aconselhados a escolher outra. Mas persistiram. E quando finalmente a conheceram pessoalmente, sentiram que uma ténue conexão se estabelecera. Pelo menos a criança olhara. Ela normalmente não olhava para as pessoas.

Nos cinco anos desde então, a tarefa diária do casal, quando acabam o trabalho (ele remodela casas, ela faz limpezas) tem sido acompanhar o progresso de Dani, como lhe chamam.

"Não era tão mau que justificasse"

A princípio custou muito. Ela não sabia nada. Ensiná-la a ir à casa de banho foi especialmente difícil, mas outras coisas básicas também requereram grande paciência. Afinal, a idade mental de Dani quando a encontraram eram algures entre seis e onze meses. Muitas das suas reações, a começar pelas birras, eram de bebé.

Hoje já vai às aulas de educação especial, já se encosta aos pais, já esboça uma ou outra palavra. Cada novo passo é duramente conquistado, pois o autismo ambiental não se vence num dia. Mas graças ao contacto com gente que a ama, e ao ambiente saudável --os Lierow vivem numa quinta; Dani adora cavalgar - o progresso é imenso.

A mãe biológica continua a lamentar a perda da filha. Ainda há tempos mostrou a um repórter o dossiê do processo. Um dos elementos que lá constam é o relatório da visita efetuada logo em 2002 por uma assistente social. A situação na altura já era parecida com a de 2005, mas não foi considerado necessário intervir.

Não era tão mau que justificasse, explicam as autoridades. E mais três anos passaram até alguém perceber. O livro que os Lierow agora publicaram (Dani's Story) pode ser uma ajuda.



Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/menina-viveu-fechada-e-na-porcaria-ate-aos-sete-anos-hoje-ainda-nao-fala-mas-ja-ri=f683684#ixzz1c5Gfl5xx

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Falácias, sofismas e mentiras

Uma proposição é verdadeira ou falsa, mas a falsidade pode ou não ser propositada. Quando alguém produz intencionalmente uma proposição falsa dizemos ser uma mentira.

Uma Falácia é um argumento inválido com aparência de válido.Quando surge involuntariamente chama-se paralogismo. Se for criado voluntariamente é um sofisma.

Então, a mentira está para a proposição como o sofisma está para o argumento.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

sábado, 22 de outubro de 2011

Palavra e Pensamento

Podemos ler uma imagem sem palavras?

Podemos ler uma imagem só usando outras imagens presentes na nossa mente?

Ou a interpretação, a compreensão, das imagens impõem a presença de palavras?

Não será que a complexidade do mundo resulta da complexidade da(s) nossa(s) língua(s)?

http://explicatio.blogspot.com/2010/02/lingua-e-pensamento.html

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Heitor, Aquiles e as formigas - A necessidade e a liberdade


Livre arbítrio - Fernando Savater

Vou contar-te um caso dramático. Já ouviste falar das térmitas, essas formigas-brancas que, em África, constroem formigueiros impressionantes, com vários metros de altura e duros como pedra. Uma vez que o corpo das térmitas é mole, por não ter a couraça de quitina que protege outros insectos, o formigueiro serve-lhes de carapaça colectiva contra certas formigas inimigas, mais bem armadas do que elas. Mas por vezes um dos formigueiros é derrubado, por causa de uma cheia ou de um elefante (os elefantes, que havemos nós de fazer, gostam de coçar os flancos nas termiteiras). A seguir, as térmitas-operário começam a trabalhar para reconstruir a fortaleza afectada, e fazem-no com toda a pressa. Entretanto, já as grandes formigas inimigas se lançam ao assalto. As térmitas-soldado saem em defesa da sua tribo e tentam deter as inimigas. Como nem no tamanho nem no armamento podem competir com elas, penduram-se nas assaltantes tentando travar o mais possível o seu avanço, enquanto as ferozes mandíbulas invasoras as vão despedaçando. As operárias trabalham com toda a velocidade e esforçam-se por fechar de novo a termiteira derrubada... mas fecham-na deixando de fora as pobres e heróicas térmitas-soldado, que sacrificam as suas vidas pela segurança das restantes formigas. Não merecerão estas formigas-soldado pelo menos uma medalha? Não será justo dizer que são valentes?

Mudo agora de cenário, mas não de assunto. Na Ilíada, Homero conta a história de Heitor, o melhor guerreiro de Tróia, que espera a pé firme fora das muralhas da sua cidade Aquiles, o enfurecido campeão dos Aqueus, embora sabendo que Aquiles é mais forte do que ele e que vai provavelmente matá-lo. Fá-lo para cumprir o seu dever, que consiste em defender a família e os concidadãos do terrível assaltante. Ninguém tem dúvidas: Heitor é um herói, um homem valente como deve ser. Mas será Heitor heróico e valente da mesma maneira que as térmitas-soldado, cuja gesta milhões de vezes repetida nenhum Homero se deu ao trabalho de contar? Não faz Heitor, afinal de contas, a mesma coisa que qualquer uma das térmitas anónimas? Porque nos parece o seu valor mais autêntico e mais difícil do que o dos insectos? Qual é a diferença entre um e outro caso?
Muito simplesmente, a diferença assenta no facto de as térmitas-soldado lutarem e morrerem porque tem que o fazer, sem que possam evitá-lo (como a aranha come a mosca). Heitor, pelo seu lado, sai para enfrentar Aquiles porque quer. As térmitas- soldado não podem desertar, nem revoltar-se, nem fazer cera para que outras vão em seu lugar: estão programadas necessariamente pela Natureza para cumprirem a sua heróica missão. O caso de Heitor é distinto. Poderia dizer que está doente ou que não tem vontade de se bater com alguém mais forte do que ele. Talvez os seus concidadãos lhe chamassem cobarde e o considerassem insensível ou talvez lhe perguntassem que outro plano via ele para deter Aquiles, mas é indubitável que Heitor tem a possibilidade de se recusar a ser herói. Por muita pressão que os restantes exercessem sobre ele, ele teria sempre maneira de escapar daquilo que se supõe que deve fazer: não está programado para ser herói, nem o está seja que homem for. Daí que o seu gesto tenha mérito e que Homero nos conte a sua história com uma emoção épica. Ao contrário das térmitas, dizemos que Heitor é livre e por isso admiramos a sua coragem.

SAVATER, Fernando (1993). Ética Para Um Jovem. Lisboa: Editorial Presença. pp. 21-22

domingo, 16 de outubro de 2011

TESTES - O que pedem certos verbos?



As que facilmente se confundem, geram maior confusão e erro são o resumir e a síntese - no doc verificam-se que são actividades distintas.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A formalização simbólica de argumentos. EXEMPLOS

Nota: por problemas de software a conjunção tem o símbolo &.

Actividade: Formalizar argumentos - associa a cada um a formalização correspondente abaixo apresentada.

Ponto de Partida: 1ª tarefa: identificar a CONCLUSÃO do argumento. Esta tarefa é a mais enganadora: pensamos ser fácil e muitas vezes não é.

a) Se souber lógica, então saberei avaliar o argumento. Sei lógica. Daí que saiba avaliar o argumento.

b) Se souber lógica, constato a validade deste argumento. Mas não constato a validade deste argumento. Logo, não sei lógica.

c) Se for à praia e tomar banho, leio um livro. Sucede que não leio um livro, portanto não vou à praia e tomo banho.


d) Está a chover, uma vez que se não chovesse as pessoas não estavam molhadas e as pessoas estão molhadas.


e) A Ana não está contente, pois quando tira positiva num teste fica contente e sempre que fica contente canta. Acontece que a Ana não canta.
((~P → ~Q) & R) → P
((P → Q) & P) → Q
((P → Q) & ~P) → ~Q
((P & Q) → R) & ~R) → ~ (P & Q)
(((P → Q) & (Q → R)) & ~R) → ~Q