domingo, 26 de fevereiro de 2012

Idealismo Epistemológico e Idealismo Metafísico

Idealismo metafísico - o sujeito no ato de conhecer cria a própria realidade. A ideia produz o real (material ou espiritual). 
Analogia: Na religião cristã: Deus cristão é uma entidade espiritual que cria a realidade com determinada ordem e sentido...

Neste tipo de idealismo a consciência não cria só o objecto "para nós" como algo distinto da realidade (isso é o idealismo epistemológico como o do Kant), cria a realidade em si. 
Ou seja, a realidade não é independente da consciência. Em termos práticos: o fundo branco desta página existe enquanto a representamos no nosso intelecto e não existe fora dessa representação, não só o branco, mas a própria página.

Isto é diferente do idealismo epistemológico  - a página branca que representamos é-o porque a compreendemos como branca, por que lhe atribuímos a categoria de brancura, por que a vemos como branca, sendo que o branco resulta do nosso olhar e não da coisa. A coisa "em si", a página "em si" não sabemos como é, é desconhecida. A realidade em si, que não é dada à consciência ou que é transcendente aos processos humanos de conhecer (sentidos e razão + imaginação) não é nunca objecto - ObjEcTUM. percebido!???? 

Por isso é que Platão não é um idealista - para Platão a realidade das ideais existe independentemente da consciência e do conhecimento.



Etnocentrismo e Assimilação cultural

 Caderno > Última Página          Clara Barata - 26 de FevereiroNas escolas de assimilação do Canadá as crianças nativas viviam num inferno


As crianças perdiam a sua identidade na escola. Mudavam de nome, por vezes eram designadas apenas por um número.


http://jornal.publico.pt/noticia/26-02-2012/nas-escolas-de-assimilacao-do-canada-as-criancas-nativas-viviam-num-inferno-24065253.Este é um exemplo de assimilação violenta por parte de uma cultura dominante e que impõe os seus valores e padrões normativos e de vida à restante população.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Ética como Ética Normativa


“A ética, como a lógica e a metafísica, é um ramo da filosofia: intimamente ligada à religião e ao direito, ela ocupa-se das normas que regem ou devem reger as relações de cada indivíduo com os outros e dos valores que cada indivíduo deve realizar no seu comportamento. Ao contrário das normas legais, as da ética não são no entanto impostas por uma repressão manifesta ou oculta, não são sustentadas por um poder, mas quando muito por uma autoridade, que não pode deixar de fazer apelo para um sentimento de responsabilidade face a algo que está para além do individual: um deus, a sociedade ou a humanidade considerada como um todo. Temos conhecimento de diversas tentativas no sentido de fundar as normas e os valores éticos; elas podem ser referidas ao problema da utilidade, às exigências de uma vida social harmoniosa, aos fins que o homem é chamado a realizar. Não menos controversos são o campo de aplicação destas normas, o seu carácter absoluto ou relativo, universal ou limitado a uma sociedade ou a uma cultura particular, a sua dependência relativamente à história.”
LEZEK KOLAKOWSKI, “Ética”, in RUGGIERO ROMANO (Dir.), Enciclopédia Einaudi, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1997, Vol. 37 (Conceito – Filosofia/Filosofias), p. 339, texto adaptado.

Moral e Ética


Enquanto a Moral se reporta a comportamentos concretos, de índole particular,
que pressupõem a coexistência da liberdade e da responsabilidade por parte daquele que
os leva a cabo, a Ética, de feição tendencialmente universal, diz respeito ao princípio
normativo daqueles comportamentos. A Ética é a base normativa da Moral, surgindo
depois da Moral, com capacidade para clarificar e, inclusive, rectificar os
comportamentos morais efectivos. Consideramos que os seres humanos não só agem
moralmente, como reflectem sobre esse(s) comportamento(s) prático(s), tomando-o(s)
como objecto da sua reflexão e do seu pensamento.

Barros Dias, Ética e Educação. UA, 2004.

A natureza humana e a axiologia


“O trabalho educativo exerce-se, na pureza do conceito, exclusivamente sobre o
homem. Não se educa uma planta ou um animal. O único ser vivo educável e sobre o qual se
trabalha educativamente é o homem. Há necessariamente uma ideia ou modelo de homem
subjacente a toda a actividade educativa. O homem é o único ser que conhecemos que se
trabalha a si mesmo sobre uma ideia de si mesmo para realizar em si essa ideia. Ou seja: o
homem é o único ser sobre a Terra que quer ser outro para ser ele mesmo. O homem é, pois,
para si mesmo um valor. É o valor que reconhece ser que ele quer realizar com a educação.
Basta esta análise para provar a verdade da proposição: não há educação sem valores. Ou
seja, dito pela positiva: a educação é um processo que visa a realização do educando como
valor para si mesmo.
Este é, pois, o fundamento axiológico do homem: a sua actividade axiológica começa
pelo valor que dá a si mesmo.


MANUEL PATRÍCIO, “Educação, Valores e Vocações”, in AAVV, Educação Pluridimensional e Escola Cultural. Actas do I Congresso da Educação Pluridimensional e da Escola Cultural, Évora, Associação da Educação Pluridimensional e da Escola Cultural, 991, p. 67.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Internet e Pirataria - artigo de Peter Singer


A ética da pirataria na Internet

13.02.2012 - 19:30 Por Peter Singer
No ano passado, disse a uma colega que incluiria a ética na Internet num curso que estava a leccionar. Ela sugeriu que lesse uma antologia publicada recentemente sobre ética na computação – e anexou o volume completo no e-mail. Deveria ter recusado ler um livro pirateado? Estaria eu a receber bens roubados, tal como os defensores de leis mais rigorosas contra a pirataria na Internet alegam?
Se roubar o livro de alguém, à maneira antiga, eu fico com livro e o verdadeiro proprietário deixa de o ter. Eu fico melhor, mas ele fica numa situação pior. Quando as pessoas utilizam livros pirateados, a editora e o autor ficam muitas vezes numa má situação – perdem receitas por não venderem o livro.

Mas, se a minha colega não me tivesse enviado o livro, eu requisitá-lo-ia na biblioteca da minha universidade. Poupei o tempo necessário para o fazer e parece que ninguém foi prejudicado. (Curiosamente, tendo em conta que o tema de conversa é o livro, este não se encontra à venda em formato digital.) Na verdade, outras pessoas também beneficiaram com a minha escolha: o livro permaneceu na prateleira da biblioteca, disponível para outros utilizadores.

Por outro lado, se o livro não estivesse na prateleira e se os outros utilizadores pedissem aos funcionários da biblioteca para o recuperar ou reservar, a biblioteca poderia ter em consideração a procura pelo livro e adquirir um outro exemplar. Mas existe apenas uma pequena probabilidade de que a minha utilização do livro persuadiria a biblioteca a comprar outro exemplar. E, em todo o caso, neste momento estamos muito longe dos casos normais de roubo.

Perguntei aos 300 alunos da minha classe de ética se algum deles não tinha transferido algo da Internet, sabendo ou suspeitando que estavam a violar os direitos de autor. Apenas cinco ou seis ergueram a mão. A maioria do restante grupo pensava que o que tinha feito era errado, mas disse que “toda a gente faz isso”. Outros disseram que não comprariam a música ou o livro, independentemente da situação, logo não estavam a prejudicar ninguém. Não parecia que algum deles estivesse preparado para deixar de o fazer.

O motivo para reforçar as leis dos direitos de autor foi fortalecido com os detalhes que surgiram após a detenção em Nova Zelândia, no mês passado, de Kim Dotcom (Kim Schmitz, nome de nascimento), fundador do site Megaupload (actualmente desactivado pelo FBI). O Megaupload permitiu que os seus 180 milhões de utilizadores registados carregassem e transferissem filmes, programas televisivos e música, sendo que algum do dinheiro ganho pelo Dotcom (a partir de publicidade e assinaturas) estava exposto na sua mansão perto de Auckland, onde mantinha o seu Rolls-Royce e outros carros exóticos.

O advogado de Dotcom alega que o Megaupload servia meramente para armazenar os arquivos dos assinantes e que não tinha qualquer controlo sobre o que era armazenado. Mas o site da Megaupload oferecia recompensas monetárias aos utilizadores cujos ficheiros carregados fossem populares para os outros utilizadores.

No mês passado, os Estados Unidos ponderaram a legislação destinada a impedir a pirataria na Internet. As propostas de lei foram redigidas devido à insistência dos estúdios de Hollywood e das indústrias editoriais e fonográficas, que afirmam que as violações dos direitos de autor na Internet custam 100 mil postos de trabalho norte-americanos. Os que se opõem dizem que a lei proposta iria chegar muito além dos sites como o Megaupload, tornando o Google e o YouTube responsáveis pela violação dos direitos de autor – e permitindo que o governo bloqueasse (sem autorização do tribunal) o acesso aos sites que considerasse facilitarem a violação dos direitos de autor.

Para já, activistas da Internet, juntamente com utilizadores do Google, do Facebook e outros principais intervenientes online, levaram a melhor, ao convencerem o Congresso dos EUA a arquivar a sua legislação anti-pirataria. Mas a luta continuará: no mês passado, a União Europeia e 22 Estados-membros assinaram o Acordo Comercial Anti-Contrafacção, que estabelece as normas internacionais e uma nova organização para fazer valer os direitos de propriedade intelectual. O contrato já foi assinado pela Austrália, pelo Canadá, pelo Japão, por Marrocos, pela Nova Zelândia, por Singapura e pelos EUA. Agora deve ser ratificado, entre outros, pelo Parlamento Europeu.Sou autor, assim como sou leitor. Uma das maravilhas da Internet é que alguns dos meus trabalhos mais antigos, há muito fora do mercado, nunca estiveram tão disponíveis como agora – em versões piratas. Obviamente, sou mais sortudo do que muitos outros autores ou artistas criativos, uma vez que o meu salário académico significa que não sou obrigado a depender apenas dos direitos de autor para sustentar a minha família. No entanto, não é difícil encontrar melhores fins para os meus rendimentos com os direitos de autor do que o estilo de vida prejudicial para o ambiente de Kim Dotcom. Temos de encontrar uma maneira de maximizar o potencial verdadeiramente espantoso da Internet, ao mesmo tempo que se recompensa devidamente os criadores.

A Austrália, o Canadá, Israel, a Nova Zelândia e muitos países europeus têm agora o direito de comodato, desenvolvido para compensar os autores e as editoras pela perda de vendas causada pela presença dos seus livros em bibliotecas públicas. Precisamos de algo semelhante para a Internet. Uma taxa de utilizador poderia compensar e, se a taxa fosse bastante baixa, diminuiria o incentivo para a utilização de cópias piratas. Juntem a taxa com a execução da lei contra o mega abuso dos sites e o problema pode ser solúvel. Caso contrário, as pessoas mais criativas terão de ganhar a vida com outra actividade em simultâneo e todos seremos perdedores.

Tradução de Deolinda Esteves/Project Syndicate

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

MGF


Expresso

Mutilação genital feminina

Adelina Barradas de Oliveira (www.expresso.pt)
3:05 Segunda feira, 6 de fevereiro de 2012


"A Mutilação Genital Feminina (sigla MGF), termo que descreve esse acto com maior exactidão, é vulgarmente conhecida por excisão feminina ou Circuncisão Feminina. É uma pratica realizada em vários países principalmente daÀfrica e da Ásia, que consiste na amputação do clítoris da mulher de modo a que esta não possa sentir prazer durante o acto sexual."
Esta prática está prevista na lei portuguesa e é punida com pena de 2 a 10 anos.
O fechar de olhos à mesma, dentro do nosso País em nome de culturas e práticas ancestrais, não nos dignifica.
Seria quase o mesmo que permitir  a condenação à morte por motivos culturais num País que aboliu a pena de morte.
A mulher tem direito à intocabilidade do seu corpo e a que não a privem de nada que lhe permita sê-lo por inteiro.
Pactuar pelo silêncio contra a violação dos Direitos Humanos, no século XXI é praticar o crime por omissão.
A dignidade humana orienta toda a defesa dos Direitos Humanos e são  os conceitos fundamentais que devem reger a moldura legal internacional, proibindo a prática de condutas  que, ainda que em nome de culturas ancestrais, são violadoras da dignidade e do respeito devido ao ser humano e neste caso à mulher.
Como compreender? Como combater? Basta colocar-se no lugar dessas meninas, jovens e mulheres,  e o acto será insuportável de tão bárbaro.
E não se argumente com feminismo  ou cairemos no ridículo.
Não existem queixas ou denúncias...mas conhecimento de que tais práticas existem. Porque não haverá queixas ou denúncias?
Onde acaba a tradição e começa a Lei?
É que em Países como o nosso, pioneiro da abolição da pena de morte, a tradição já não é mesmo o que era e, se a mesma implica a violação da dignidade humana, nada nos impele ou obriga a respeitá-la como cultura.
Para além de que a nossa lei pune tal prática
 Artigo 144.º - Ofensa à integridade física grave
Quem ofender o corpo ou a saúde de outra pessoa de forma a: 

a) Privá-lo de importante órgão ou membro, ou a desfigurá-lo grave e permanentemente; 
b) Tirar-lhe ou afectar-lhe, de maneira grave, a capacidade de trabalho, as capacidades intelectuais, de procriação ou de fruição sexual, ou a possibilidade de utilizar o corpo, os sentidos ou a linguagem; 
c) Provocar-lhe doença particularmente dolorosa ou permanente, ou anomalia psíquica grave ou incurável; ou 
d) Provocar-lhe perigo para a vida; 

é punido com pena de prisão de dois a dez anos.
Artigo 145.º - Ofensa à integridade física qualificada
1 - Se as ofensas à integridade física forem produzidas em circunstâncias que revelem especial censurabilidade ou perversidade do agente, este é punido: 

a) Com pena de prisão até quatro anos no caso do artigo 143.º; 
b) Com pena de prisão de três a doze anos no caso do artigo 144.º 

2 - São susceptíveis de revelar a especial censurabilidade ou perversidade do agente, entre outras, as circunstâncias previstas no n.º 2 do artigo 132.º
 - É susceptível de revelar a especial censurabilidade ou perversidade a que se refere o número anterior, entre outras, a circunstância de o agente: 

c) Praticar o facto contra pessoa particularmente indefesa, em razão de idade, deficiência, doença ou gravidez;
A Lei prevê e pune que espera quem a faz aplicar?
 ACCB

Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/re-em-causa-propria=s24992#ixzz1lc0J4ydW

MGF - no Público



Dia internacional de tolerância zero à mutilação genital feminina assinala-se hoje

Mutilação Genital Feminina: realidade em Portugal é ainda pouco conhecida

06.02.2012 - 12:32 Por Rita Araújo
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A mutilação genital feminina inclui procedimentos que alteram intencionalmente os órgãos genitais femininos por motivos não médicosA mutilação genital feminina inclui procedimentos que alteram intencionalmente os órgãos genitais femininos por motivos não médicos (Daniel Rocha)
 Lisa Vicente é médica ginecologista e conta que já lhe passaram pelas mãos várias mulheres vítimas de mutilação genital feminina (MGF). A nível nacional, a prática mais comum é a clitoridectomia, ou seja, a remoção total ou parcial do clítoris ou da pele que o cobre. Assinala-se hoje o dia internacional de tolerância zero à mutilação genital feminina. Em Portugal ainda não há números, mas a responsável pelo departamento de saúde reprodutiva da Direcção-Geral da Saúde (DGS) garante que o facto de não existirem dados estatísticos “não significa que [a MGF] não seja uma realidade”. A médica afirma que ainda há uma “face oculta” na sociedade, que faz com que mulheres vítimas de mutilação não queiram dar a cara.

 http://publico.pt/Sociedade/mutilacao-genital-feminina-realidade-em-portugal-e-ainda-pouco-conhecida-1532458

domingo, 15 de janeiro de 2012

Retórica e verdade - Porque é que a época contemporânea precisa da retórica?


Porque é que a época contemporânea precisa da retórica?

Maria Inês Ferreira Leite   - 11º C 

 O conceito de retórica vem do grego ‘rhetor’ que significa orador. Considerada a arte de utilizar a linguagem com o objectivo de influenciar os outros através da persuasão, a retórica terá surgido no século V a.C, em Sicília e foi introduzida em Atenas pelo sofista Górgias. Porém, retórica será um termo ambíguo, uma vez que tanto pode significar arte de eloquência (arte de bem falar), como técnica de discurso dirigido a um auditório no sentido de o levar à adesão de uma tese. Esta pode ser utilizada moral ou imoralmente, devida ou indevidamente: quando ‘mal’ usada, temos a manipulação, em que há predominância do ethos e do pathos sobre o logos; caso contrário, temos a persuasão em que é equilibrado o uso do pathos, do ethos e do logos.
Inicialmente, a retórica visava persuadir uma audiência dos mais diversos assuntos, mas acabou por se tornar arte de ‘bem falar’, oposto Sofistas ao filósofo Sócrates e seus discípulos. Esta oposição surgiu, sobretudo, à existência das diferentes concepções de argumentação, verdade e ser. O termo grego sofista designa todo o homem que possui conhecimentos sábios em qualquer assunto. Pitágoras e Górgias eram defensores da retórica sofística cujos pressupostos eram o relativismo gnoseológico (a verdade não existe ou era inalcançável e intransmissível), e o relativismo moral (a acção humana é relativa). Segundo Sócrates e Platão, os sofistas eram manipuladores da verdade.
Por exemplo: O que nos cura quando estamos doentes? A Medicina que orienta as vontades segundo a verdade, ou o cozinhar que é uma atividade empírica? Visto assim, Platão considerava a retórica uma atividade empírica, desprezível, que manipula e oculta a verdade e o ser. Platão defende a verdade (absoluta) quando o pensamento (pensar) corresponde ao real (ser). Já os sofistas defendem que a verdade não é absoluta, uma vez que a realidade depende do pensamento de cada um - relativismo.
Tendo em conta que podemos encontrar, na história da filosofia, diversas interpretações do ser e da verdade, podemos distinguir duas de muitas concepções:
·        Concepção Tradicional de Verdade, em que a verdade é unívoca, absoluta, universal, necessária e intemporal – Realidade Unidimensional
·        Concepção Contemporânea de Verdade, em que a verdade é pluriunívoca, temporal, relativa, e probabilística – Realidade Pluridimensional
 Disciplinas como a Matemática ou a Ontologia, baseiam-se numa verdade absoluta. Já a Filosofia, Ciências Humanas, Direito, Política, Educação, e Artes são disciplinas que se baseiam numa verdade com vários sentidos. Cada povo tem diferentes valores, expressões, culturas (Realidade Pluridimensional), mas é possível que nesta realidade se encontre uma verdade absoluta à forma de Platão.
 A verdade depende da consciência humana.
Para haver verdade é necessário que haja um sujeito – a verdade é sempre verdade para uma consciência. Já a realidade não necessita de consciência para existir.
 A argumentação visa fornecer argumentos a favor de uma determinada tese, que mostram a validade ou fundamento desta, com a finalidade de provocar a adesão do auditório a essa mesma tese. Na argumentação, a conclusão nunca está completa pois não é logicamente necessária, sendo sujeita a ser refutada. Assim, a argumentação é importante para saber justificar as nossas teorias, ideias e pontos de vista; para distinguir o verdadeiro do falso e chegarmos a conclusões que consideremos corretas, transmitindo-lhos aos outros.
Platão considera que a retórica sempre foi o oposto da filosofia, na medida em que apenas se preocupa com o verosímil (aparência de verdade) e com a adulação do auditório, enquanto a filosofia visa a verdade e nasce da relação do discurso com as coisas. A retórica, ao visar apenas a capacidade de persuasão, torna-se numa ciência inútil e até perigosa, uma vez que poderá ser usada para fins injustos. Assim, no século XX, Perelman dá um novo rumo à retórica, sendo um dos mais importantes teóricos da Retórica no século XX.
 Com a nova retórica nasce um novo modelo da razão e uma nova concepção do conhecimento. A atividade racional não se reduz ao rigor lógico (puro e formal) da demonstração, e os nossos conhecimentos não se resumem a proposições necessárias. A atividade racional tem uma dimensão que permite fundamentar com ‘razoabilidade’ as nossas preferências. Para mostrar estas razoabilidades, é preciso argumentar. É necessário, assim criar uma nova lógica a que Perelman chama Teoria da argumentação – lógica preferível. Esta lógica fundamenta as nossas opções, escolhas e opiniões. Emerge assim, uma nova concepção da racionalidade – racionalidade argumentativa.

Janeiro de 2012

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Realidade, Verdade, Consciência e Conhecimento

Realidade - O que existe ou é independentemente de uma consciência. A totalidade do que há.

Verdade - a correspondência correcta entre a consciência e a realidade.

Assim, não há verdade sem consciência, mas há realidade sem ela. (pelo menos a maioria pensa que sim)

Problema 1 - então como chamar às realidades que só existem numa consciência - não nos referimos aos sonhos, às ilusões mentais, mas sim às ideias, aos valores e aos ideais? E as realidades matemáticas, será que existe o 33 sem uma consciência que o pense, crie, aprenda ou comunique. O 33 escrito aqui continua a existir quando já ninguém o pensa?

Problema 2 - O conhecimento de produtos sociais e culturais como a política, a educação ou a arte poderemos chamar-lhe verdade? a verdade nos dimensões criadas pelos homens é ainda uma correspondência ou entre a consciência e o real ou é já uma construção da própria consciência?
Aqui surgem duas famílias de respostas: os realistas e os idealistas. Os realistas dizem que a realidade é independente da consciência e do sujeito que a conhece. Os idealistas dizem-nos que a realidade é compreendida sempre por uma consciência e como tal é sempre subjectiva (mesmo que todos estejamos de acordo - intersubjectividade.

Problema 3 - A realidade tem distintas dimensões - arte, natureza, homem, sociedade, língua, .... e cada uma destas dimensões necessitam de ter abordagens próprias, ter metodologias de conhecimento adequadas - por isso é que há tantas ciências, disciplinas e abordagens da realidade. Então é admissível que possamos pensar que a designação de verdade não seja a mesma em todos os domínios do real e do conhecimento desses domínios - como saber qual é verdade em política? É uma verdade como correspondência? uma verdade como utilidade? uma verdade como consenso? ou a verdade é totalmente subjectiva e fragmenta-se em pedacinhos?