segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

MGF


Expresso

Mutilação genital feminina

Adelina Barradas de Oliveira (www.expresso.pt)
3:05 Segunda feira, 6 de fevereiro de 2012


"A Mutilação Genital Feminina (sigla MGF), termo que descreve esse acto com maior exactidão, é vulgarmente conhecida por excisão feminina ou Circuncisão Feminina. É uma pratica realizada em vários países principalmente daÀfrica e da Ásia, que consiste na amputação do clítoris da mulher de modo a que esta não possa sentir prazer durante o acto sexual."
Esta prática está prevista na lei portuguesa e é punida com pena de 2 a 10 anos.
O fechar de olhos à mesma, dentro do nosso País em nome de culturas e práticas ancestrais, não nos dignifica.
Seria quase o mesmo que permitir  a condenação à morte por motivos culturais num País que aboliu a pena de morte.
A mulher tem direito à intocabilidade do seu corpo e a que não a privem de nada que lhe permita sê-lo por inteiro.
Pactuar pelo silêncio contra a violação dos Direitos Humanos, no século XXI é praticar o crime por omissão.
A dignidade humana orienta toda a defesa dos Direitos Humanos e são  os conceitos fundamentais que devem reger a moldura legal internacional, proibindo a prática de condutas  que, ainda que em nome de culturas ancestrais, são violadoras da dignidade e do respeito devido ao ser humano e neste caso à mulher.
Como compreender? Como combater? Basta colocar-se no lugar dessas meninas, jovens e mulheres,  e o acto será insuportável de tão bárbaro.
E não se argumente com feminismo  ou cairemos no ridículo.
Não existem queixas ou denúncias...mas conhecimento de que tais práticas existem. Porque não haverá queixas ou denúncias?
Onde acaba a tradição e começa a Lei?
É que em Países como o nosso, pioneiro da abolição da pena de morte, a tradição já não é mesmo o que era e, se a mesma implica a violação da dignidade humana, nada nos impele ou obriga a respeitá-la como cultura.
Para além de que a nossa lei pune tal prática
 Artigo 144.º - Ofensa à integridade física grave
Quem ofender o corpo ou a saúde de outra pessoa de forma a: 

a) Privá-lo de importante órgão ou membro, ou a desfigurá-lo grave e permanentemente; 
b) Tirar-lhe ou afectar-lhe, de maneira grave, a capacidade de trabalho, as capacidades intelectuais, de procriação ou de fruição sexual, ou a possibilidade de utilizar o corpo, os sentidos ou a linguagem; 
c) Provocar-lhe doença particularmente dolorosa ou permanente, ou anomalia psíquica grave ou incurável; ou 
d) Provocar-lhe perigo para a vida; 

é punido com pena de prisão de dois a dez anos.
Artigo 145.º - Ofensa à integridade física qualificada
1 - Se as ofensas à integridade física forem produzidas em circunstâncias que revelem especial censurabilidade ou perversidade do agente, este é punido: 

a) Com pena de prisão até quatro anos no caso do artigo 143.º; 
b) Com pena de prisão de três a doze anos no caso do artigo 144.º 

2 - São susceptíveis de revelar a especial censurabilidade ou perversidade do agente, entre outras, as circunstâncias previstas no n.º 2 do artigo 132.º
 - É susceptível de revelar a especial censurabilidade ou perversidade a que se refere o número anterior, entre outras, a circunstância de o agente: 

c) Praticar o facto contra pessoa particularmente indefesa, em razão de idade, deficiência, doença ou gravidez;
A Lei prevê e pune que espera quem a faz aplicar?
 ACCB

Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/re-em-causa-propria=s24992#ixzz1lc0J4ydW

MGF - no Público



Dia internacional de tolerância zero à mutilação genital feminina assinala-se hoje

Mutilação Genital Feminina: realidade em Portugal é ainda pouco conhecida

06.02.2012 - 12:32 Por Rita Araújo
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A mutilação genital feminina inclui procedimentos que alteram intencionalmente os órgãos genitais femininos por motivos não médicosA mutilação genital feminina inclui procedimentos que alteram intencionalmente os órgãos genitais femininos por motivos não médicos (Daniel Rocha)
 Lisa Vicente é médica ginecologista e conta que já lhe passaram pelas mãos várias mulheres vítimas de mutilação genital feminina (MGF). A nível nacional, a prática mais comum é a clitoridectomia, ou seja, a remoção total ou parcial do clítoris ou da pele que o cobre. Assinala-se hoje o dia internacional de tolerância zero à mutilação genital feminina. Em Portugal ainda não há números, mas a responsável pelo departamento de saúde reprodutiva da Direcção-Geral da Saúde (DGS) garante que o facto de não existirem dados estatísticos “não significa que [a MGF] não seja uma realidade”. A médica afirma que ainda há uma “face oculta” na sociedade, que faz com que mulheres vítimas de mutilação não queiram dar a cara.

 http://publico.pt/Sociedade/mutilacao-genital-feminina-realidade-em-portugal-e-ainda-pouco-conhecida-1532458

domingo, 15 de janeiro de 2012

Retórica e verdade - Porque é que a época contemporânea precisa da retórica?


Porque é que a época contemporânea precisa da retórica?

Maria Inês Ferreira Leite   - 11º C 

 O conceito de retórica vem do grego ‘rhetor’ que significa orador. Considerada a arte de utilizar a linguagem com o objectivo de influenciar os outros através da persuasão, a retórica terá surgido no século V a.C, em Sicília e foi introduzida em Atenas pelo sofista Górgias. Porém, retórica será um termo ambíguo, uma vez que tanto pode significar arte de eloquência (arte de bem falar), como técnica de discurso dirigido a um auditório no sentido de o levar à adesão de uma tese. Esta pode ser utilizada moral ou imoralmente, devida ou indevidamente: quando ‘mal’ usada, temos a manipulação, em que há predominância do ethos e do pathos sobre o logos; caso contrário, temos a persuasão em que é equilibrado o uso do pathos, do ethos e do logos.
Inicialmente, a retórica visava persuadir uma audiência dos mais diversos assuntos, mas acabou por se tornar arte de ‘bem falar’, oposto Sofistas ao filósofo Sócrates e seus discípulos. Esta oposição surgiu, sobretudo, à existência das diferentes concepções de argumentação, verdade e ser. O termo grego sofista designa todo o homem que possui conhecimentos sábios em qualquer assunto. Pitágoras e Górgias eram defensores da retórica sofística cujos pressupostos eram o relativismo gnoseológico (a verdade não existe ou era inalcançável e intransmissível), e o relativismo moral (a acção humana é relativa). Segundo Sócrates e Platão, os sofistas eram manipuladores da verdade.
Por exemplo: O que nos cura quando estamos doentes? A Medicina que orienta as vontades segundo a verdade, ou o cozinhar que é uma atividade empírica? Visto assim, Platão considerava a retórica uma atividade empírica, desprezível, que manipula e oculta a verdade e o ser. Platão defende a verdade (absoluta) quando o pensamento (pensar) corresponde ao real (ser). Já os sofistas defendem que a verdade não é absoluta, uma vez que a realidade depende do pensamento de cada um - relativismo.
Tendo em conta que podemos encontrar, na história da filosofia, diversas interpretações do ser e da verdade, podemos distinguir duas de muitas concepções:
·        Concepção Tradicional de Verdade, em que a verdade é unívoca, absoluta, universal, necessária e intemporal – Realidade Unidimensional
·        Concepção Contemporânea de Verdade, em que a verdade é pluriunívoca, temporal, relativa, e probabilística – Realidade Pluridimensional
 Disciplinas como a Matemática ou a Ontologia, baseiam-se numa verdade absoluta. Já a Filosofia, Ciências Humanas, Direito, Política, Educação, e Artes são disciplinas que se baseiam numa verdade com vários sentidos. Cada povo tem diferentes valores, expressões, culturas (Realidade Pluridimensional), mas é possível que nesta realidade se encontre uma verdade absoluta à forma de Platão.
 A verdade depende da consciência humana.
Para haver verdade é necessário que haja um sujeito – a verdade é sempre verdade para uma consciência. Já a realidade não necessita de consciência para existir.
 A argumentação visa fornecer argumentos a favor de uma determinada tese, que mostram a validade ou fundamento desta, com a finalidade de provocar a adesão do auditório a essa mesma tese. Na argumentação, a conclusão nunca está completa pois não é logicamente necessária, sendo sujeita a ser refutada. Assim, a argumentação é importante para saber justificar as nossas teorias, ideias e pontos de vista; para distinguir o verdadeiro do falso e chegarmos a conclusões que consideremos corretas, transmitindo-lhos aos outros.
Platão considera que a retórica sempre foi o oposto da filosofia, na medida em que apenas se preocupa com o verosímil (aparência de verdade) e com a adulação do auditório, enquanto a filosofia visa a verdade e nasce da relação do discurso com as coisas. A retórica, ao visar apenas a capacidade de persuasão, torna-se numa ciência inútil e até perigosa, uma vez que poderá ser usada para fins injustos. Assim, no século XX, Perelman dá um novo rumo à retórica, sendo um dos mais importantes teóricos da Retórica no século XX.
 Com a nova retórica nasce um novo modelo da razão e uma nova concepção do conhecimento. A atividade racional não se reduz ao rigor lógico (puro e formal) da demonstração, e os nossos conhecimentos não se resumem a proposições necessárias. A atividade racional tem uma dimensão que permite fundamentar com ‘razoabilidade’ as nossas preferências. Para mostrar estas razoabilidades, é preciso argumentar. É necessário, assim criar uma nova lógica a que Perelman chama Teoria da argumentação – lógica preferível. Esta lógica fundamenta as nossas opções, escolhas e opiniões. Emerge assim, uma nova concepção da racionalidade – racionalidade argumentativa.

Janeiro de 2012

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Realidade, Verdade, Consciência e Conhecimento

Realidade - O que existe ou é independentemente de uma consciência. A totalidade do que há.

Verdade - a correspondência correcta entre a consciência e a realidade.

Assim, não há verdade sem consciência, mas há realidade sem ela. (pelo menos a maioria pensa que sim)

Problema 1 - então como chamar às realidades que só existem numa consciência - não nos referimos aos sonhos, às ilusões mentais, mas sim às ideias, aos valores e aos ideais? E as realidades matemáticas, será que existe o 33 sem uma consciência que o pense, crie, aprenda ou comunique. O 33 escrito aqui continua a existir quando já ninguém o pensa?

Problema 2 - O conhecimento de produtos sociais e culturais como a política, a educação ou a arte poderemos chamar-lhe verdade? a verdade nos dimensões criadas pelos homens é ainda uma correspondência ou entre a consciência e o real ou é já uma construção da própria consciência?
Aqui surgem duas famílias de respostas: os realistas e os idealistas. Os realistas dizem que a realidade é independente da consciência e do sujeito que a conhece. Os idealistas dizem-nos que a realidade é compreendida sempre por uma consciência e como tal é sempre subjectiva (mesmo que todos estejamos de acordo - intersubjectividade.

Problema 3 - A realidade tem distintas dimensões - arte, natureza, homem, sociedade, língua, .... e cada uma destas dimensões necessitam de ter abordagens próprias, ter metodologias de conhecimento adequadas - por isso é que há tantas ciências, disciplinas e abordagens da realidade. Então é admissível que possamos pensar que a designação de verdade não seja a mesma em todos os domínios do real e do conhecimento desses domínios - como saber qual é verdade em política? É uma verdade como correspondência? uma verdade como utilidade? uma verdade como consenso? ou a verdade é totalmente subjectiva e fragmenta-se em pedacinhos?

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O Auditório Universal

«O auditório universal é, em primeiro lugar, uma construção ideal elaborada em função de um discurso que aspira ao consenso de todos os homens racionais sobre o que, nesse discurso, é dito. Mais do que uma ideia, ele é um ideal, ou, para utilizar, como Perelman faz regularmente, a terminologia kantiana, uma ideia reguladora.»

Rui A. Grácio. Racionalidade Argumentativa, p. 91.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Trabalho de análise de filme - o problema do livre-arbítrio


Actividade: análise temática e argumentativa de filme
Objectivo:
A)       aplicar correctamente os termos que constituem a rede conceptual da acção humana;
B)       identificar teses, argumentos (ou justificações) em conflito no filme
C)      desenvolver o pensamento analítico e crítico e a precisão conceptual

Tarefa:
1 - ver o filme
2 - redigir um discurso de análise do filme, no mínimo 1 página e no máximo 4 páginas A4, Times New Roman 11, espaçamento 1,5, margens 3 cm.,
2.2. o discurso deve dar conta da história que o realizador quis contar.
2.3. o discurso deve dar conta da acção (acções) e projecto que o actor principal tem, bem como das dificuldades que se lhe levantam
2.4 o discurso deve terminar com a discussão do problema do livre-arbítrio (por exemplo: a acção humana é determinada radicalmente, determinada moderadamente, ou totalmente independente das condições e leis físicas, psíquicas e sociais (libertismo)?

Condições:
1 - o aluno tem de defender o trabalho - em aula do dia 10 de Janeiro
2 - o não domínio de uma única palavra aplicada na análise do filme implica zero valores.
2 - o discurso tem de apresentar 50% dos termos apresentados no quadro B e 30% dos termos apresentados no quadro C.
3 - entrega em papel A4 V/V, agrafado, até dia 7 de Janeiro.

Avaliação -  critérios da disciplina; trabalho escrito e defesa
Peso:

Quadro A
Hipótese A
Hipótese B
Relatório Minoritário - Realizado por Steven Spielberg  - EUA, 2002 Cor – 145 min


Quadro B
- Acontecer vs. Fazer
- voluntário vs. Involuntário
- motivo vs causa
- intenção vs espontâneo
- Agir vs. Reacção
- Consciente vs. Inconsciente
- Projecto vs. ausência de deliberação
- Decisão vs impulso mecânico
- Deliberação vs imediatez da resposta
- Condicionante vs determinante
- Intenção vs alteração do real
- Consequências imprevistas vs. Previstas
- Necessidade vs possibilidade
- Natureza dada vs natureza adquirida
- Instinto vs aprendizagem

Liberdade Absoluta – Liberdade Condicionada
Tudo Poder Fazer – Poder realizar todo o apetecer
Condicionante – Determinante
Condicionantes Físicas – Condicionantes Sociais
Condicionantes Psíquicas – Condicionantes Culturais
Determinismo Natural e Físico – Livre-Arbítrio
Incompatibilismo – Compatibilismo
Libertismo - Determinismo Radical

Quadro C
absoluto / relativo
abstracto / concreto
antecedente / consequente
aparência / realidade
a priori / a posteriori
causalidade / finalidade
compreensão / explicação
contingente / necessário
dedução / indução
dogmático / crítico
dúvida / certeza
empírico / racional
essência / existência
finitude / infinitude
formal / material
identidade / contradição
imediatez / mediação
intuitivo / discursivo
particular / universal
saber / opinião sensível / inteligível
sentido / referência
ser / devir
subjectivo / objectivo
substância / acidente
verdade / validade
teoria / prática
transcendente / imanente

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

publicidade, retórica e consumo


http://economico.sapo.pt/

Estudo

Jovens informados são imunes ao discurso das marcas

Catarina Madeira  
22/12/11 07:08
Estudo diz que as marcas já não são mobilizadoras para os jovens, que querem “comunicação honesta e genuína”.
O discurso das marcas é cada vez menos mobilizador para os jovens, que todos os dias são "bombardeados" com informação. Para serem aceites neste segmento, as marcas terão de adoptar um discurso "genuíno" e "honesto".
Esta é uma das conclusões do estudo "Crise, Valores e Marcas nos jovens", promovido pela Bottom Line, agência de publicidade do Sistema Ativism, junto de 830 jovens, entre os 15 e os 23 anos, com o objectivo de descobrir e estudar os comportamentos dos jovens e os seus pensamentos face às marcas e à crise actual.
No universo das marcas, o que esta geração mais valoriza é "o que eu gosto", o preço, a qualidade e a funcionalidade. António Fuzeta da Ponte, director-executivo da Bottom Line, diz que esta é "a geração mais bem informada de sempre" e que, por isso, está preparada para "distinguir exactamente o que lhes interessa".
 
In http://economico.sapo.pt/

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Heitor, Aquiles e o problema do livre-arbítrio


Ana Margarida 
Ana Rita 
10.º D

Hipótese de trabalho: a defesa do determinismo absoluto
No determinismo absoluto, todos os acontecimentos dependem sucessiva e necessariamente das suas causas. Um acontecimento pode ser simultaneamente causa e efeito. Tudo o que fazemos é inevitável, não o podíamos ter feito de outra maneira. De acordo com esta tese, a decisão de Heitor não pode ser livre, por várias razões:
Þ    Heitor não podia fugir de Troia, pois tinha um filho e por razões biológicas era incapaz de o abandonar;
Þ    Heitor não podia atraiçoar a sua cidade, pois seria punido;
Þ    Heitor não podia recusar lutar contra Aquiles, pois em criança tinha sido educado para se tornar num bom guerreiro e também lhe ensinaram que a cobardia era algo odioso.
Logo, Heitor não teve escolha: só podia lutar contra Aquiles.

                O comportamento das pessoas é causado por fatores fora do seu controlo (ex.: genética, ambiente onde cresceu). Se o agente não tem controlo sobre esses fatores, não se trata de uma ação livre. Se uma ação é praticada livremente, o agente poderia decidir praticar outra ação diferente em vez dessa; no entanto, não se pode praticar uma ação diferente da que se praticou, logo, a pessoa não agiu livremente (não tinha outra hipótese).
O indeterminismo tem uma falha, pois nem todas as ações são fruto do acaso: uma pessoa alimenta-se porque tem fome e abre a janela porque tem calor.
O libertismo também tem um defeito: a decisão humana está limitada ao meio físico que a rodeia, por exemplo, uma pessoa que esteja no sexto andar de um prédio e queira sair do edifício, não se vai atirar pela janela, pois sabe que morrerá, simplesmente decidirá se irá utilizar as escadas ou o elevador.
O compatibilismo defende que o Homem pode escolher, mas por trás das razões que levaram o Homem a fazer uma certa escolha estão uma série de fatores que a determinaram, impossibilitando a existência de outras escolhas – a escolha não foi livre.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O que precisa um homem para ser um cidadão?


INSPETOR de CIRCUNSTÂNCIAS - 2


Só vamos aplicar o inspetor de circunstâncias aos argumentos de tipo condicional - Modus Ponens ou Modus Tollens.

Esta operação da avaliação realiza-se nestes tipos de argumentos porque a tabela de verdade não permitiu ser conclusiva. 
A tabela de verdade é conclusiva quando se verificam que todos os valores de verdade da coluna do conetor mais abrangente são verdadeiros (tautologia) ou são falsos (contradição). 
Mas pode acontecer serem uns verdadeiros e outros falsos. Neste caso temos uma contingência. (veja bem o que significa contingência!?)
Uma contingência precisa de uma rede mais fina para detetar a validade do argumento. 

por exemplo:
1ª premissa:            ~A -> B      
2.ª premissa:           ~B 
Conclusão:              A  

1º - calcula-se o valor de verdade para cada uma das premissas e para a conclusão, nas colunas respectivas 
2.º - verifica-se se existe uma linha com a situação de        V      V       F   
3.º - se existir o argumento é inválido, pois traduz uma IMPOSSIBILIDADE
4.º - se não existir o argumento válido.
5º - se existir simultaneamente uma linha com valor V V V e outra V V F conta - obviamente - a que traduz a invalidade do argumento.