Apontamentos, textos e trabalhos de Filosofia de/para alunos do Ensino Secundário - Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Esgueira, Aveiro, PORTUGAL
sexta-feira, 20 de julho de 2012
terça-feira, 10 de julho de 2012
Revista Science publica na sua próxima edição dois artigos científicos que invalidam alegada descoberta
A bactéria que parecia alimentar-se de arsénio... afinal não se alimentava de arsénio
10.07.2012 - 15:35 Por Ana Gerschenfeld
A descoberta, divulgada em finais de 2010, de que tinha sido encontrada uma bactéria que se alimentava de arsénio, parece agora definitivamente descartada por dois novos estudos que já se encontram online e que vão ser publicados na próxima sexta-feira, dia 13 de Julho, na edição em papel da revista Science.
Num comunicado, os editores da prestigiada revista declaram que “os novos resultados mostram claramente que a bactéria, GFAJ-1, não é capaz de trocar arsénio por fósforo para sobreviver”.
Em princípio, todas as formas de vida na Terra precisam de seis elementos de base: oxigénio, carbono, hidrogénio, azoto, fósforo e enxofre. Mas há ano e meio, num autêntico golpe mediático incentivado pela agência espacial norte-americana NASA, a equipa da astrobióloga Felisa Wolfe-Simon (da NASA), publicara, também na Science, resultados de experiências que, segundo esses cientistas, mostravam que a dita bactéria, natural do lago Mono, na Califórnia, era uma forma de vida totalmente diferente de tudo o que se conhecia até lá. Isto porque ela era capaz, num meio muito pobre em fósforo e rico em arsénio, de continuar a proliferar integrando no seu ADN e noutras moléculas o arsénio, elemento muito tóxico mas cujas propriedades são semelhantes às dos fósforo.
Logo após o anúncio, os resultados experimentais começaram a suscitar críticas entre os especialistas, que argumentavam nomeadamente que o meio de cultura das bactérias tinha na realidade fósforo suficiente para elas sobreviverem. A equipa de Wolfe-Simon, que tinha reconhecido a presença de níveis muito baixos de fosfatos nas suas amostras, concluía pelo seu lado que esses níveis eram insuficientes para sustentar a vida da bactéria.
Agora, as equipas de Tobias Erb, da Universidade Tecnológica (ETH) de Zurique, na Suíça, e de Marshall Louis Reaves, da Universidade de Princeton, nos EUA, “revelam respectivamente que, de facto, o meio [utilizado pela investigadora] apresentava uma contaminação com fosfatos suficiente para suportar o crescimento de GFAJ-1”, diz ainda o comunicado. E acrescenta que é provável que a bactéria seja exímia em captar, mesmo em condições extremas, o escasso fosfato disponível no ambiente, “o que ajudaria a explicar por que é que ela consegue crescer mesmo na presença de arsénio dentro das suas células”.
Conclusão: a bactéria “não viola as regras da vida, estabelecidas de longa data, ao contrário da interpretação que Wolf-Simon dera aos resultados da sua equipa”.
Os editores da Science salientam por último que “o processo científico é por natureza um processo que se vai auto-corrigindo, onde os cientistas tentam replicar os resultados publicados” e congratulam-se pela publicação, agora, “de informação adicional sobre a GFAJ-1, um organismo extraordinariamente resistente cujo estudo mais aprofundado merece interesse, em particular no que respeita aos mecanismos de tolerância ao arsénio”.
Em princípio, todas as formas de vida na Terra precisam de seis elementos de base: oxigénio, carbono, hidrogénio, azoto, fósforo e enxofre. Mas há ano e meio, num autêntico golpe mediático incentivado pela agência espacial norte-americana NASA, a equipa da astrobióloga Felisa Wolfe-Simon (da NASA), publicara, também na Science, resultados de experiências que, segundo esses cientistas, mostravam que a dita bactéria, natural do lago Mono, na Califórnia, era uma forma de vida totalmente diferente de tudo o que se conhecia até lá. Isto porque ela era capaz, num meio muito pobre em fósforo e rico em arsénio, de continuar a proliferar integrando no seu ADN e noutras moléculas o arsénio, elemento muito tóxico mas cujas propriedades são semelhantes às dos fósforo.
Logo após o anúncio, os resultados experimentais começaram a suscitar críticas entre os especialistas, que argumentavam nomeadamente que o meio de cultura das bactérias tinha na realidade fósforo suficiente para elas sobreviverem. A equipa de Wolfe-Simon, que tinha reconhecido a presença de níveis muito baixos de fosfatos nas suas amostras, concluía pelo seu lado que esses níveis eram insuficientes para sustentar a vida da bactéria.
Agora, as equipas de Tobias Erb, da Universidade Tecnológica (ETH) de Zurique, na Suíça, e de Marshall Louis Reaves, da Universidade de Princeton, nos EUA, “revelam respectivamente que, de facto, o meio [utilizado pela investigadora] apresentava uma contaminação com fosfatos suficiente para suportar o crescimento de GFAJ-1”, diz ainda o comunicado. E acrescenta que é provável que a bactéria seja exímia em captar, mesmo em condições extremas, o escasso fosfato disponível no ambiente, “o que ajudaria a explicar por que é que ela consegue crescer mesmo na presença de arsénio dentro das suas células”.
Conclusão: a bactéria “não viola as regras da vida, estabelecidas de longa data, ao contrário da interpretação que Wolf-Simon dera aos resultados da sua equipa”.
Os editores da Science salientam por último que “o processo científico é por natureza um processo que se vai auto-corrigindo, onde os cientistas tentam replicar os resultados publicados” e congratulam-se pela publicação, agora, “de informação adicional sobre a GFAJ-1, um organismo extraordinariamente resistente cujo estudo mais aprofundado merece interesse, em particular no que respeita aos mecanismos de tolerância ao arsénio”.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Um anúncio publicitário polémico
http://expresso.sapo.pt/anuncio-da-crioestaminal-ofende-padroes-de-decencia=f738173
Anúncio da Crioestaminal "ofende padrões de decência"
"Mãe, pai, guardaram as minhas células?" O polémico anúncio da Crioestaminal foi considerado uma "violação particularmente grave das normas e de conduta que as comunicações comerciais devem respeitar", segundo deliberação do ICAP.
18:51 Sábado, 7 de julho de 2012
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O Instituto Civil da Autodisciplina da Comunicação Comercial (ICAP) considera que a campanha publicitária da empresa Crioestaminal, difundida na televisão em maio, viola o código da publicidade, segundo a deliberação do regulador divulgada na sua página eletrónica.
Em causa estavam as queixas apresentadas no ICAP sobre o anúncio que diz que há uma hipótese em 200 de as crianças virem no futuro a desenvolver doenças como leucemia, linfoma ou tumores sólidos, passíveis de serem tratadas com células estaminais próprias ou de um irmão e no qual aparece uma criança a questionar: "Mãe, pai, guardaram as minhas células?".
De acordo com a deliberação do Júri de Ética (JE) do ICAP, numa reunião realizada há um mês, o anúncio "configura um caso de violação particularmente grave das normas e de conduta que as comunicações comerciais devem respeitar".
"Ofende os padrões de decência prevalentes no país e cultura"
Segundo o JE, "a publicidade em apreço ofende os padrões de decência prevalentes no país e cultura, explora a falta de conhecimento e experiência dos consumidores afetando a sua decisão esclarecida e revela pouca responsabilidade social ao promover - designadamente através da pergunta que se indicia que as crianças devem fazer aos seus pais - a discriminação entre aqueles que tenham optado pelos serviços e os que não, independentemente das razões religiosas, financeiras ou outras que tenham motivado a escolha".
No extrato de ata da reunião, o JE diz que a Crioestaminal argumentou que a campanha "teve como objetivo a sensibilização do público para as vantagens da criopreservação do sangue do cordão umbilical", que as afirmações [no anúncio] encontram-se sustentadas cientificamente nos documentos que a empresa enviou para o ICAP e, embora reconheça a importância dos pareceres do organismo, "é sua opção não se submeter" aos mesmos, além de que a campanha cessou a 18 maio.
"A interrupção ou suspensão das mensagens que são objeto de queixa não esgotam, por si só, a possibilidade de apreciação por parte do Júri", refere o JE.
Anúncio viola artigos do código da publicidade
É que neste caso, "não apenas a publicidade se encontrava em curso quando foram apresentadas as queixas como, também, existe a possibilidade de reutilização da mesma publicidade ou dos 'claims' postos em causa por parte dos queixosos", que alegam que a campanha denigre e desrespeita aqueles que pelas suas razões não optem pela criopreservação.
O JE considerou ainda que o anúncio viola os artigos 14.º e 19.º do código da publicidade (sobre restrições ao conteúdo da publicidade em relação aos menores e a proibição da publicidade a tratamentos médicos e a medicamentos que apenas possam ser obtidos mediante receita médica). Este anúncio foi contestado por várias entidades no mercado, entre os quais deputados e médicos.
Ler mais: http://expresso.sapo.pt/anuncio-da-crioestaminal-ofende-padroes-de-decencia=f738173#ixzz209bEfzrS
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Bosão de Higgs - validação de uma teoria com 50 anos
http://expresso.sapo.pt/cientistas-do-cern-anunciam-descoberta-da-particula-de-deus=f737354
Ler mais: http://expresso.sapo.pt/cientistas-do-cern-anunciam-descoberta-da-particula-de-deus=f737354#ixzz1zeKDZGIq
Cientistas do CERN anunciam descoberta da 'partícula de Deus'
O CERN, organização a que Portugal pertence, anunciou hoje de manhã que descobriu uma nova partícula subatómica que pode ser o bosão de Higgs, também conhecido por "partícula de Deus", porque explica a existência do Universo.
Virgílio Azevedo (www.expresso.pt)
9:18 Quarta feira, 4 de julho de 2012
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Última atualização há 15 minutos
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Uma das colisões entre protões na experiência CMS que poderá ter revelado o bosão de Higgs
CERN
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326 5
Cientistas do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN), organização a que Portugal pertence, anunciaram hoje de manhã numa conferência em Genebra (Suíça), que descobriram uma nova partícula subatómica que pode ser o bosão de Higgs, também conhecido por "partícula de Deus".
O Higgs é fundamental para explicar a razão por que todas as outras partículas que constituem a matéria têm massa, isto é, porque existe o Universo onde vivemos. No fundo, é a peça que faltava no puzzle do chamado Modelo-Padrão, uma colecção de teorias que integra todos os conhecimentos atuais sobre o comportamento das partículas fundamentais da matéria.
A descoberta da nova partícula subatómica surge na sequência das experiências feitas pelo maior acelerador de partículas do mundo, o LHC, localizado em Genebra, e neste momento decorre na sede do CERN uma conferência para a divulgação dos resultados das experiências feitas pelos detetores mais importantes do LHC: o CMS e o Atlas.
Esta descoberta é também o triunfo da ciência europeia a nível mundial, já que o maior acelerador de partículas dos EUA, o Tevatron (mais pequeno que o LHC), deixou de funcionar a 30 de setembro de 2011 devido a cortes orçamentais.
| Peter Higgs, o cientista britânico que deu o nome à nova partícula, esteve hoje no CERN |
| Denis Balibouse/Reuters |
Ambiente de euforia no CERN
"Temos o Higgs, concordam?", perguntou Rolf-Dieter Heuer, diretor-geral do CERN, dirigindo-se a uma plateia entusiasmada e festiva de centenas de cientistas da organização, que respondeu imediatamente que sim com aplausos prolongados e gritos de alegria.
"Foi um esforço global e um sucesso global, e esta descoberta só foi possível devido ao extraordinário desempenho do LHC", prossegui Heuer. "Este é um acontecimento histórico, estamos todos muito orgulhosos e quero aqui dar os parabéns a todos os que durante 25 anos trabalharam neste projeto", afirmou o diretor-geral, apontando para os cientistas da primeira fila do auditório, que se levantaram e agradeceram os aplausos do resto da assistência.
"Não esperava que a descoberta acontecesse ainda durante a minha vida" confessou Peter Higgs, o cientista britânico que deu o nome à nova partícula porque foi o primeiro a prever a sua existência em 1964, no final da conferência no CERN. Higgs salientou que "houve uma colaboração colossal de cientistas e centros de investigação de todo o mundo para chegarmos a este resultado" e contou como começou a sua investigação sobre a partícula subatómica mais procurada pela ciência.
| Fabiola Gianotti porta-voz da experiência ATLAS e Joe Incandela, porta-voz da experiência CMS |
| CERN |
Investigadores cautelosos
"Observámos nos nossos dados sinais claros da nova partícula, mas precisamos de mais algum tempo para preparar estes resultados de modo a poderem ser publicados", confirmou Fabiola Gianotti, porta-voz da experiência ATLAS. "As implicações desta descoberta são muito significativas e é precisamente por esta razão que devemos ser extremamente diligentes em todos os nossos estudos e verificações", salientou por sua vez Joe Incandela, porta-voz da experiência CMS.
"Estamos apenas no princípio", advertiu também Rolf-Dieter Heuer. Com efeito, os resultados hoje apresentados são preliminares e baseiam-se em dados recolhidos em 2011 e 2012, com os dados de 2012 em análise. A sua publicação está prevista para o final de julho e uma informação mais completa sobre as observações dos cientistas hoje divulgadas só surgirá no final deste ano, depois de o LHC fazer mais experiências (mais colisões de partículas) com mais dados.
O passo seguinte será determinar a natureza precisa da nova partícula e o seu significado para entendermos o Universo. Com efeito, hoje a ciência só só conhece quatro por cento da matéria que constitui o Universo. Os outros 96 por cento continuam a ser um mistério, embora os cientistas investiguem várias hipóteses, como a existência das chamadas matéria escura e energia escura.Ler mais: http://expresso.sapo.pt/cientistas-do-cern-anunciam-descoberta-da-particula-de-deus=f737354#ixzz1zeKDZGIq
sexta-feira, 22 de junho de 2012
quinta-feira, 21 de junho de 2012
quarta-feira, 20 de junho de 2012
O Maneirismo
contrariando os cânones estéticos enquadrados na harmonia, no equilíbrio e na racionalidade, apresenta excessos, simbolismos variados, o equilíbrio instável, seja entre o bem e o mal, o desejo e a proibição, a clareza e o tenebroso.
Jacopo da Pontormo - A Deposição da Cruz, 1526-1528. Florença
Caravaggio - Jovem mordido por um lagarto - 1593
Jacopo da Pontormo - A Deposição da Cruz, 1526-1528. Florença
A neutralidade da ciência
Pode a ciência ser neutra ou incorpora nas suas perguntas e nas suas conjecturas a subjectividade do cientista e do seu modelo cultural?
Pode a tecnologia ser neutra ou estabelece ritmos próprios e configura a estrutura cognitiva de quem a utiliza?
Pode a tecnologia ser neutra ou estabelece ritmos próprios e configura a estrutura cognitiva de quem a utiliza?
segunda-feira, 18 de junho de 2012
sábado, 16 de junho de 2012
sexta-feira, 15 de junho de 2012
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Análise de Obra de Arte - o Cigarro
“O Cigarro”, de Henri Lebasque
Inês Gonçalves e José Brazielas - Escola Sec. Jaime Magalhães Lima
Fauvismo
Esta corrente, Fauvismo, constituiu
a primeira vaga de assalto da arte moderna propriamente dita. Em 1905, em
Paris, no Salon d’Automne, ao entrar na sala onde estavam expostas obras de
autores pouco conhecidos, Henri Matisse, Georges Rouault, André Derain, Maurice
de Vlaminck, entre outros, o crítico Louis de Vauxcelles julgou-se entre as
feras (fauves). As telas que se encontravam na sala eram, de facto, estranhas,
selvagens: uma exuberância da cor, aplicada aparentemente de forma arbitrária,
tornava as obras chocantes. Caracteriza-se pela importância que é dada à cor
pura, sendo a linha apenas um marco diferenciador de cada uma das formas
apresentadas. A técnica consiste em fazer desaparecer o desenho sob violentos
jactos de cor, de luz, de sol.
Características
Fundamentais
- Primado da cor
sobre as formas: a cor é vista como um meio de expressão íntimo;
- Desenvolve-se em grandes manchas de cor que delimitam planos, onde a ilusão da terceira dimensão se perde;
- A cor aparece pura, sem sombreados, fazendo salientar os contrastes, com pinceladas directas e emotivas;
- Autonomiza-se do real, pois a arte deve reflectir a verdade inerente, que deve desenvencilhar-se da aparência exterior do objecto;
- A temática não é relevante, não tendo qualquer conotação social, política ou outra.
- Os planos de cor estão divididos, no rosto, por uma risca verde. Do lado esquerdo, a face amarela destaca-se mais do fundo vermelho, enquanto que a outra metade, mais rosada, se planifica e retrai para o nível do fundo em cor verde. Paralelos semelhantes podemos ainda encontrar na relação entre o vestido vermelho e as cores utilizadas no fundo.
- A obra de arte nasce, por isso, autónoma em relação ao objecto que a motivou. - A linguagem é plana, as cores são alegres, vivas e brilhantes, perfeitamente harmonizadas, não simulando profundidade, em total respeito pela bidimensionalidade da tela.
- A cor é o elemento dominante de todo o rosto. Esta é aplicada de forma violenta, intuitiva, em pinceladas grossas, empastadas e espontâneas, emprestando ao conjunto uma rudeza e agressividade juvenis.
- Estudo dos efeitos de diferentes luminosidades, anulando ou distinguindo efeitos de profundidade.
- Desenvolve-se em grandes manchas de cor que delimitam planos, onde a ilusão da terceira dimensão se perde;
- A cor aparece pura, sem sombreados, fazendo salientar os contrastes, com pinceladas directas e emotivas;
- Autonomiza-se do real, pois a arte deve reflectir a verdade inerente, que deve desenvencilhar-se da aparência exterior do objecto;
- A temática não é relevante, não tendo qualquer conotação social, política ou outra.
- Os planos de cor estão divididos, no rosto, por uma risca verde. Do lado esquerdo, a face amarela destaca-se mais do fundo vermelho, enquanto que a outra metade, mais rosada, se planifica e retrai para o nível do fundo em cor verde. Paralelos semelhantes podemos ainda encontrar na relação entre o vestido vermelho e as cores utilizadas no fundo.
- A obra de arte nasce, por isso, autónoma em relação ao objecto que a motivou. - A linguagem é plana, as cores são alegres, vivas e brilhantes, perfeitamente harmonizadas, não simulando profundidade, em total respeito pela bidimensionalidade da tela.
- A cor é o elemento dominante de todo o rosto. Esta é aplicada de forma violenta, intuitiva, em pinceladas grossas, empastadas e espontâneas, emprestando ao conjunto uma rudeza e agressividade juvenis.
- Estudo dos efeitos de diferentes luminosidades, anulando ou distinguindo efeitos de profundidade.
Dissecação da Obra
Ao folhearmos um livro sobre História da
Arte na biblioteca chamou-nos a atenção uma época de nome estranho no mínimo. O
fauvismo foi uma corrente que nasceu em França em finais do século XIX e início
do século XX.
Nesse mesmo capítulo deparámo-nos com uma
obra bastante interessante, retratando uma mulher sentada numa cadeira fumando
um cigarro bastante descontraída e com um olhar fixo. O seu autor, Henri Lebasque,
pintou esta obra de arte, de nome “La Cigarrete” em 1921, numa época em que a
mulher começou a sua emancipação e a afirmar-se como um membro da sociedade,
não sendo apenas um objecto ou algo negociável como se pensara até àqueles
tempos. Um dos grandes marcos dessa afirmação e libertação foi o hábito da
mulher começar a fumar. Nesta época fumar tornou-se chique perante a sociedade
feminina. Esta obra retrata mesmo esse marco vincadamente, onde uma mulher
sentada na sua cadeira relaxada (Lebasque transmite esse sentimento ao pintar a
mulher com a mão apoiada na cadeira), desfruta do seu cigarro vestida com boas
roupas de cor amarela e azul e usando um relógio, uma pulseira, brincos e um
colar, um pequeno chapéu e os lábios pintados de vermelho, levando a crer que
pertencesse a uma classe alta da sociedade. Lebasque retrata a típica mulher
parisiense. No plano de trás pode-se notar a luminosidade e a cor clara das paredes
e das portadas das janelas. Neste plano as tonalidades e diferentes cores
distinguem os objectos, não havendo um plano a três dimensões. Ao pegar no
cigarro com os dedos leva a crer que era uma mulher irreverente e despreocupada
com o que os outros poderiam pensar, uma vez que tal gesto não transmite
elegância, por isso se utilizavam as chamadas ponteiras. As linhas pouco
delineadas e as pinceladas grossas e carregadas representam as principais
características do fauvismo. A característica parece ter sido pintada de uma só
pincelada transmitindo a sensação intuitiva, espontânea e violenta que os
pintores fauvistas pretendiam retratar nas suas obras. A face rosada e a sua
pele clara estão de tal forma interligadas que passam a
ideia de quão delicada aquela mulher é, como algo que ao mínimo toque se pode
quebrar. Como se aquela não existisse o resto do quadro estivesse vazio e não
mais fizesse sentido algum existir. Lebasque transmite não apenas a faceta
irreverente da mulher, mas também a sua delicadeza e beleza. Todo o jogo de
cores, tonalidades e planos fazem a simbiose perfeita para que esta obra mereça
ser reconhecida, mas acima de tudo desfrutada e saboreada por cada pessoa,
pretendendo que cada pessoa crie o seu próprio juízo estético e assim possa desenvolver
o seu conceito de belo, fundamentando-se no sentimento de agrado ou desagrado e
na emoção que esta lhe provoca.
Actualmente encontra-se no Museu d’Orsay em
Paris.
Bibliografia
“História da Arte: As vanguardas do
embolismo ao cubismo”, volume16; Edilora Salvab
domingo, 10 de junho de 2012
Débora Pereira nº5 10ºA
Diogo Rafael nº6 10ºA
Introdução:
Este trabalho fala-nos acerca do notório filósofo: John Rawls. Não se
trata de uma biografia, pois não é essencialmente disso que ele vai tratar, mas
sim daquilo que o tornou conhecido: a sua teoria de justiça na sociedade. Vamos
ficar a entender se é possivel, segundo ele, existir uma sociedade justa; e se
sim, quais as condições e princípios propicios a isso. Achamos importante
referir que a informação contida neste trabalho trata-se apenas da descrição da
sua teoria, não sendo algo actualmente constável e praticável.
PRÉ-LEITURA: Alguns conceitos a considerar, para
que possa haver um melhor entendimento do corpo do trabalho.
| CONCEITO | SIGNIFICADO |
| Justiça | Igualdade entre todos os cidadãos, acompanhada de uma consideração equitativa/consensual; apelando sempre para o cumprimento dos direitos de cada um. |
| Igualdade | Igual consideração. Cada um deve ter as mesmas oportunidades de alcançar os seus objectivos por mérito próprio. Ninguém deve ser superior. |
| Equidade | Aplicando a justiça e imparcialidade, é o processo de adoptar uma regra a uma situação específica, de modo a que esta possa ser considerada justa; Modo de aplicar um direito/justiça. |
| Liberalismo | Filosofia política, que valoriza os direitos, as diversas liberdades e a autonomia do indivíduo. |
| “Véu da Ignorância” (“Impede-nos saber se somos ricos/pobres, professores/alunos, atletas/advogados.”) | Descrição metafórica que permite destacar a necessidade de que para se estabelecer/distribuir os principios de justiça é necessário ignorar/desconsiderar factos particulares tais como: capacidades inatas, dons, aptidões, posição/contexto/condição social(…) |
| À priori | Pensamento e ideia independentes da experiência; ocorre antes da experiência. |
| Racional | Faculdade que procura o universal na realidadeÉ algo directo e objectivo, marcado pelo raciocínio lógico e intelectual do homem; desprezando factores tais como sentimentos e factores particulares. |
| Justiça distributiva (“Como devem ser distribuídos os bens sociais – riquezas; oportunidades – pelas diversas pessoas/grupos da sociedade?”) | Modo de distribuir os bens pelos iguais membros da sociedade de forma justa, segundo um determinado critério. |
| Direitos de 1ª Geração | Defendem os básicos da pessoa como ser individual: direito à liberdade, propriedade, vida e segurança. Protegendo assim a individualidade da pessoa em relação ao Estado. |
| Direitos de 2ª Geração “As acções do Estado devem estar motivadas/orientadas para atender à justiça social.” | Direitos sociais: direitos económicos, sociais e culturais. Obriga o estado a fazer prestação positiva em benefício da pessoa necessitada. |
| Justiça Social | Construção moral e política baseada na igualdade de direitos e na solidariedade colectiva. OBJECTIVO: Equilibrar as desigualdades. |
| Posição Original “Se fosse possível escolher as regras que determinam a organização da sociedade, quais seriam as regras que eu escolheria?” | Situação puramente hipotética, caracterizada de forma a conduzir a uma certa concepção de justiça. Nesta posição, os indivíduos envolvidos nela não desconhecem todos os seus particulares: posição social, atributos, experiências, etc. |
| Princípio de Justiça |
Resultado de um acordo/negociação equitativa.
|
John Rawls defende a possibilidade de existir uma
sociedade justa, com determinadas condições, príncipios e métodos de
estabelecimento dos mesmo. Para podermos entender o seu ponto de vista e as
soluções que ele nos apresenta para a concretização deste facto – existência de
uma sociedade justa – quase irreal, vamos responder a certas perguntas.
1.
O que é uma sociedade justa?
Uma sociedade justa é aquela em que a igualdade de
liberdades entre os cidadãos é reconhecida. Neste tipo de sociedade a aplicação
dos direitos não é negociavél/alterável de modo a satisfazer ou beneficiar
determinados grupos/membros da sociedade.
2.
Que condições são necessárias para que os homens construam uma sociedade
justa?
Os direitos das pessoas serem invioláveis e haver um
ambiente de diálogo, propício ao estabelecimento de um máximo de vantagens
possíveis para todos os membros da sociedade.
3.
Quais são os princípios de uma sociedade justa?
Os princípios são:
1.º - Principio de igualdade – Assegura que
cada pessoa tenha acesso às liberdades básicas/primárias;
2.º - Principio de
diferença – é admissível a diferença entre os cidadãos desde que daí resulte um maior benefício social. Este principio defende que todas as diferenças económicas devam ser distribuídas de modo a que os benefícios sejam abrangente a todos, nomeadamente aos mais desfavorecidos.
MAS a) este princípio submete-se ao 1.º
b) todos os homens têm direito a igual oportunidade.
4.
Como se estabelecem os principios de uma sociedade justa?
Para que estes possam ser estabelecidos de modo justo e
imparcial, os individuos envolvidos neste consenso devem partir de uma situação
puramente hipotética (posição inicial), caracterizada de forma a conseguir
adquirir uma determinada concepção de justiça. Todos os envolvidos devem partir
do principio que desconhecem a sua origem e posição ocupada na sociedade. Para
conseguirem atingir uma situação de imparcialidade vão utilizar uma descrição
metafórica denominada “véu da ignorância”, que vai obrigar os individuos
esquecer influenciáveis factores pessoais, tais como: aptidões inatas, ect.
Esta estratégia de ignorância vai assegurar um justo imparcial e equitativo
estabelecimento de princípios, sempre com o objectivo de beneficiar os membros
com menores condições.
(...)
Após a
resposta a estas questões, podemos concluir que a teoria de John Rawls defende
a possibilidade da existência de uma sociedade justa. Segundo ele, para que
isto aconteça é necessário haver inviolibilidade dos direitos do homem e uma
igualdade de oportunidade para todos (cada um deve lutar pelos seus objetivos,
adquirindo-os por mérito próprio). A diferença é permitida, somente se esta agir
em função do membro/grupo mais necessitado.
Para que
os principios, dentro desta sociedade sejam aplicados de modo justo e
imparcial, é aplicada uma estratégia de distância do real e do particular. Para
isso, usa-se conceitos e situações tais como, a já referida, “posição inicial”e
o “véu da ignorância”. Isto permite aos individuos envolvidos no consenso de
estabelecimento dos principios não serem influenciados pelas suas capacidades,
experiências particulares e até mesmo conceitos/preconceitos já formados.
Depois de todas estas desconsiderações basta perguntarem-se: “Se fosse possível escolher as regras que
determinam a organização da sociedade, quais seriam as regras que eu
escolheria?”. Estes princípios defendem a igualdade - Todas as pessoas
devem ter igual oportunidade de lutar para alcançar os seus objectivos por
próprio mérito – e a diferença, na medida em que os bens sociais são distribuídos de acordo com o rendimento e a posição social em questão.
(regalias estas que são somente o fruto do esforço de cada um).
Bibliografia:
http://criticanarede.com/pol_justica.html
http://filosofiareal.blogspot.com/search/label/Filósofos%3AJohnRawls
Manual – 10ºano
sexta-feira, 25 de maio de 2012
terça-feira, 22 de maio de 2012
A ciência e as crenças (teorias prévias) dos cientistas
...
Em 1980 Alvarez Nunez avançou com a teoria de que um cometa ou asteróide teria dizimado os dinossauros, corolando uma investigação sobre uma estranha camada de 6 milimetros de argila subterrada nos diverosos pontos do planeta.
Mas havia ainda algo muito mais profundo e mais fundamentalmente difícil de aceitar na teoria do impacto. A crença de que os processos terrestres eram graduais fora um elemento fundamental das ciências naturais desde os tempos de Lyell. Nos anos de 1980 o catastrofismo tinha saído de moda há Eugene Shoemaker, para a maioria dos geólogos a ideia de um impacto devastador ia “contra a sua religião científica”.
Bill Bryson, «Breve História de Quase Tudo, Bertrand Ed.
sábado, 19 de maio de 2012
terça-feira, 15 de maio de 2012
quarta-feira, 9 de maio de 2012
A natureza do estado: Aristóteles e a origem naturalista
Aristóteles: o
estado existe por natureza
A natureza do homem – que é a inclinação natural para cumprir a sua essência, para realizar o seu próprio fim – é a de procurar a felicidade. E só seremos capazes de desenvolver a nossa natureza na cidade-estado. Esta é a comunidade mais completa, auto-suficiente e é garante das comunidades mais pequenas: famílias e aldeias. E é o corolário da tendência dos homens em viverem agregados. Os homens não vivem separados da comunidade. Aristóteles afirma que o estado é anterior ao indivíduo, pois não há indivíduos auto-suficientes.
O estado não garante apenas a sobrevivência, mas serve igualmente e sobretudo para assegurar a vida boa, a vida que se pretende vivida de acordo com os princípios da felicidade. O estado é, assim, central na vida humana, pois ele garante a ultrapassagem da dimensão animal e a realização da dimensão espiritual do homem.
Assim como a pequena comunidade aldeã ou a família é um espaço de auto-preservação, assegurando a reprodução, a cidade ultrapassa essa função: ela assegura a realização dos indivíduos, pois é um espaço de justiça e de virtude (prudência; auto-control; amizade) possibilitando a realização do que é próprio da natureza do homem: a felicidade.
Aristóteles concebe o estado como um todo, que:
assegura a sobrevivência e a vida social através de processos de regulação social, de aplicação da justiça e da justiça social e
permite que o homem cumpra a sua verdadeira natureza: a felicidade, promovendo as virtudes (condições e meios para a felicidade).
A natureza do homem – que é a inclinação natural para cumprir a sua essência, para realizar o seu próprio fim – é a de procurar a felicidade. E só seremos capazes de desenvolver a nossa natureza na cidade-estado. Esta é a comunidade mais completa, auto-suficiente e é garante das comunidades mais pequenas: famílias e aldeias. E é o corolário da tendência dos homens em viverem agregados. Os homens não vivem separados da comunidade. Aristóteles afirma que o estado é anterior ao indivíduo, pois não há indivíduos auto-suficientes.
O estado não garante apenas a sobrevivência, mas serve igualmente e sobretudo para assegurar a vida boa, a vida que se pretende vivida de acordo com os princípios da felicidade. O estado é, assim, central na vida humana, pois ele garante a ultrapassagem da dimensão animal e a realização da dimensão espiritual do homem.
Assim como a pequena comunidade aldeã ou a família é um espaço de auto-preservação, assegurando a reprodução, a cidade ultrapassa essa função: ela assegura a realização dos indivíduos, pois é um espaço de justiça e de virtude (prudência; auto-control; amizade) possibilitando a realização do que é próprio da natureza do homem: a felicidade.
Aristóteles concebe o estado como um todo, que:
assegura a sobrevivência e a vida social através de processos de regulação social, de aplicação da justiça e da justiça social e
permite que o homem cumpra a sua verdadeira natureza: a felicidade, promovendo as virtudes (condições e meios para a felicidade).
Aristóteles - a finalidade da comunidade política
A comunidade política (estado) como espaço de realização da natureza humana: as virtudes e a felicidade.
Segundo Aristóteles, a virtude não é realizável fora da vida social. A
origem da vida social está em que o indivíduo não se basta a si
próprio: não só no sentido de que não pode por si só prover às
suas necessidades, mas também no sentido de que não pode por si,
isto é, fora da disciplina imposta pelas leis e pela educação,
alcançar a virtude. Por consequência, o estado é uma comunidade
que não tem em vista apenas a existência humana, mas a existência
materialmente e espiritualmente feliz; e é este motivo pelo qual
nenhuma comunidade política não pode ser constituída por escravos
ou por animais, os quais não podem participar da felicidade ou de
uma vida livremente escolhida (Pol., 111, 9, 1280 a). E a este
propósito Aristóteles sustenta que há indivíduos escravos por
natureza enquanto incapazes das virtudes mais elevadas e que a
distinção entre escravo e livre é tão natural como a que existe
entre macho e fêmea e jovem e velho (lb., L, 13, 1p60 a).
Nicola Abbagnano, História da Filosofia, Vol. 1
Aristóteles: a finalidade ética da vida humana
A virtude e a felicidade
Dado
que a virtude como actividade própria do homem é a própria
felicidade, a felicidade mais alta consistirá na virtude mais alta e
a virtude mais alta é a teorética, que culmina na sabedoria. Com
efeito a inteligência é a actividade mais elevada que existe em
nós; e o objecto da inteligência é aquele que existe mais alto em
nós e fora de nós. O sage basta-se a si mesmo e não tem
necessidade, para cultivar e alargar a sua sabedoria, de nada que não
tenha em si mesmo. A vida do sábio é feita de serenidade e de paz,
pois que não se afadiga por um fim exterior cujo alcance é
problemático, mas o fim está na própria actividade da sua
inteligência. A vida teorética é portanto uma vida superior à
humana: o homem não a vive enquanto é homem, mas enquanto tem em si
qualquer coisa de divino. "O homem não deve, como dizem alguns,
conhecer enquanto homem as coisas humanas, enquanto mortal as coisas
mortais, mas deve tornar-se, na medida do possível, imortal e fazer
tudo para viver segundo tudo quanto existe nele de mais elevado: e
ainda que isto seja pouco em quantidade, em potência e valor supera
todas as outras coisas" (Et. Nic., X, 7, 1177 b).
Nicola Abbagnano, História da Filosofia, Vol. 1
J. Rawls - A Origem Racional da Sociedade Justa.
A posição original
Da mesma forma que cada pessoa deve decidir, através de uma análise racional, o que é que constitui o seu bem, isto é, o sistema de objectivos que lhe é racional prosseguir, também um conjunto de pessoas deve decidir, de uma vez por todas, o que é para elas considerado justo ou injusto. É a escolha que será feita por sujeitos racionais nesta situação hipotética em que todos beneficiam de igual liberdade - aceitando por agora que o problema colocado por escolha tem solução - que determina os princípios da justiça.
Na teoria da justiça como equidade, a posição da igualdade original corresponde ao estado natural na teoria tradicional do contrato social. Esta posição original não é, evidentemente, concebida como uma situação histórica concreta, muito menos como um estado cultural primitivo. Deve ser vista como uma situação puramente hipotética, caracterizada de forma a conduzir a uma certa concepção da justiça . Entre essas características essenciais está o facto de que ninguém conhece a sua posição na sociedade, a sua situação de classe ou estatuto social, bem como a parte que lhe cabe na distribuição dos atributos e talentos naturais, como a sua inteligência, a sua força e mais qualidades semelhantes. Parto inclusivamente do princípio de que as partes desconhecem as suas concepções do bem ou as suas tendências psicológicas particulares. Os princípios da justiça são escolhidos a coberto de um véu de ignorância. Assim se garante que ninguém é beneficiado ou prejudicado na escolha daqueles princípios pelos resultados do acaso natural ou pela contingência das circunstâncias sociais. Uma vez que todos os participantes estão em situação semelhante e que ninguém está em posição de designar princípios que beneficiem a sua situação particular, os princípios da justiça são o resultado de um acordo ou negociação equitativa. (…) Pode dizer-se que a posição original constitui o statu quo inicial adequado, pelo que os acordos fundamentais estabelecidos em tal situação são equitativos. Isto explica a propriedade da designação «justiça como equidade»: ela transmite a ideia de que o acordo sobre os princípios da justiça é alcançado numa situação inicial que é equitativa. Não decorre daqui que os conceitos de justiça e de equidade sejam idênticos, tal como também não decorre da frase «a poesia como metáfora» que os conceitos de poesia e de metáfora o sejam.
Na teoria da justiça como equidade, a posição da igualdade original corresponde ao estado natural na teoria tradicional do contrato social. Esta posição original não é, evidentemente, concebida como uma situação histórica concreta, muito menos como um estado cultural primitivo. Deve ser vista como uma situação puramente hipotética, caracterizada de forma a conduzir a uma certa concepção da justiça . Entre essas características essenciais está o facto de que ninguém conhece a sua posição na sociedade, a sua situação de classe ou estatuto social, bem como a parte que lhe cabe na distribuição dos atributos e talentos naturais, como a sua inteligência, a sua força e mais qualidades semelhantes. Parto inclusivamente do princípio de que as partes desconhecem as suas concepções do bem ou as suas tendências psicológicas particulares. Os princípios da justiça são escolhidos a coberto de um véu de ignorância. Assim se garante que ninguém é beneficiado ou prejudicado na escolha daqueles princípios pelos resultados do acaso natural ou pela contingência das circunstâncias sociais. Uma vez que todos os participantes estão em situação semelhante e que ninguém está em posição de designar princípios que beneficiem a sua situação particular, os princípios da justiça são o resultado de um acordo ou negociação equitativa. (…) Pode dizer-se que a posição original constitui o statu quo inicial adequado, pelo que os acordos fundamentais estabelecidos em tal situação são equitativos. Isto explica a propriedade da designação «justiça como equidade»: ela transmite a ideia de que o acordo sobre os princípios da justiça é alcançado numa situação inicial que é equitativa. Não decorre daqui que os conceitos de justiça e de equidade sejam idênticos, tal como também não decorre da frase «a poesia como metáfora» que os conceitos de poesia e de metáfora o sejam.
A ciencia como construção
Quando dizemos que está quente ou frio estamos a realizar uma apreciação qualitativa e subjetiva .
Por quê?
Cada sujeito que avalia a temperatura tem ele mesmo uma temperatura que influência a sua medição do ambiente exterior, assim como a temperatura ambiente influência a medição da temperatura de um outro objecto. Por exemplo, se estiver a nevar e brincarmos com neve e de seguida lavarmos as mãos a água da torneira será quente. E se alternativamente estivéssemos à lareira e fôssemos lavar as mãos como classificaríamos a mesma água da torneira?
A temperatura da água da torneira varia em função do ambiente em que o sujeito está assim como depende do próprio estado do sujeito. É esta razão que nos leva a dizer que a avaliação é subjetiva pois depende das circunstancias, da posição do sujeito, assim como do próprio estado do sujeito.
A esta avaliação subjetiva
e qualitativa da temperatura a ciência contrapõe uma avaliação objectiva ( que não dependa da posição nem do estado do sujeito ) e quantitativa ( que seja mensurável,
que se traduza por números e possa ser
assim confirmada e idêntica para todos os sujeitos.
Interessa perceber que a realidade CONHECIDA é criada
pelo próprio cientista. Vejamos como.
o cientista para medir a temperatura teve que:
o cientista para medir a temperatura teve que:
1º criar uma unidade de medida, tal como o metro o é para
medir comprimentos - essa unidade de medida fixou que seriam 0 graus no ponto
de congelação da água e que seriam 100 graus na sua evaporação.
2º sabendo que o mercúrio dilata x por calor y, isto é
que dilata com uma determinada proporção em função da temperatura, criou o
termómetro a mercúrio como instrumento de medida.
O instrumento termómetro dá-nos a temperatura
quantitativamente e objectivamente e por isso a medição realizada por um
sujeito particular será idêntica a
qualquer outra que outro sujeito fizesse no mesmo lugar e circunstâncias e ao
mesmo objecto ( universalidade e intersubjectividade ).
Em conclusão:
1º - A realidade para a ciência é construída porque os fenómenos, os factos científicos só existem
a partir de uma teoria e de instrumentos que estão ao seu serviço e que nos dão
a conhecer tal facto – que antes não eram conhecidos.
2º - Os factos científicos são construídos também porque são objectivos, pois são
concebidos, teorizados matematicamente e conhecidos quantitativamente,
de forma a transmitirem características universalmente conhecidas e
aceites.
3º - A ciência ao construir os factos dá-nos uma nova
visão dos fenómenos e da realidade que não existiria sem a ciência.
Fazendo um confronto com o conhecimento do senso comum:
1º - Este não usa teorias nem instrumentos, o que existe é
o que os sentidos captam de forma imediata.
2º - O senso comum conhece subjectivamente, isto é o
conhecimento depende sempre da posição do sujeito, da sua cultura,
características pessoais e da sua percepção sensorial, daí que o conhecimento
seja qualitativo.3º - A realidade para o senso comum é aquela que a sua cultura e olhar lhe fornecem – e que jamais põe em causa – como poderia por em causa aquilo que os seus olhos vêm?
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