sábado, 28 de abril de 2012

Arte - Hiper Realismo

4 DAYS - Paul Cadden

Pintura que fixa fotograficamente uma cena - normalmente com leituras sociais e culturais.
O Hiper-realismo procura alterar emocionalmente o espectador, com representações figurativas ou sociais.
Num primeiro olhar as obras prendem pelo virtuosismo técnico, mas num segundo momento prendem pela interpelação crítica do espectador.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Arte, realidade e emoção

Foto do ano, da autoria de Samuel Aranda
World Press Photo 2011




Miguel Ângelo, Pietá



quinta-feira, 19 de abril de 2012

Poesia e Hume


um poema

Poema de um matemático e poeta que nos recorda o problema da indução colocado por Hume e a relação entre pensar e ser...

AURORA

Nada garante
que o Sol nascerá amanhã
a não ser o costume
essa razão estatística
do inevitável.


que se o Sol não nascesse
não havia amanhã.


Joaquim Namorado

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Dilema Moral


O Dilema de Henrique
Numa cidade da Europa, uma mulher estava a morrer de cancro. Um medicamento descoberto recentemente por uma farmacêutico dessa cidade podia salvar-lhe a vida. A descoberta desse medicamento tinha custado muito dinheiro ao farmacêutico, que agora pedia dez vezes mais por uma pequena porção desse remédio. Henrique (Heinz), o marido da mulher que estava a morrer, foi ter com as pessoas suas conhecidas para lhe emprestarem  dinheiro e, assim, poder comprar o medicamento.Apenas conseguiu juntar metade do dinheiro pedido pelo farmacêutico . Foi, ter, então, com ele, contou-lhe que a sua mulher estava a morrer e pediu-lhe para lhe vender o medicamento mais barato. O farmacêutico respondeu que não, que tinha descoberto o medicamento e que queria ganhar o dinheiro com a sua descoberta. O Henrique, que tinha feito tudo ao seu alcance para comprar o medicamento, ficou desesperado e estava a pensar assaltar a farmácia e roubar o medicamento para a sua mulher".
L.Kohlberg, Tradução de.O.M. Lourenço.
        Deve ou não Henrique assaltar a farmácia e roubar o medicamento? Porquê?

             fonte:  http://afilosofia.no.sapo.pt/10valeticos.htm

A formação da consciência moral - Piaget

1896-1980
Piaget: Piaget considerava a existência de dois níveis ou estádios do pensamento moral, separados entre si pela emergência da capacidade operatória - sete anos de idade.
1.º Período - A heteronomia moral
s Moral da obediência: a criança manifesta um respeito unilateral e absoluto pelos maiores, os adultos: são estes que ditam o que é bem ou mal.
s O realismo moral: a criança considera que as leis morais são intocáveis, rígidas e absolutas.
s Moral do interesse: o valor do acto é julgado em função das suas consequências e não da sua intenção.
s Moral expiatória: a criança crê cegamente na justiça imanente; portanto, a punição do acto errado é inevitável.
2.º Período - A progressiva autonomia moral
s Moral de reciprocidade: cada um de nós vai-se tornando capaz de estabelecer relações de respeito mútuo e igualdade entre todos.
s Relativismo moral: vamos progressivamente dando conta de que as normas são, em larga medida, convencionais; logo, podem ser alteradas.
s Moral progressivamente formal: o valor do acto é, cada vez mais, julgado em função da sua intenção e não das suas consequências.
s Moral da progressiva autonomia: até nos tornamos capazes de criar o nosso próprio código de conduta.
Fonte: J. Neves Vicente. (1998). Razão e Diálogo. Porto Editora

Kohlberg (1927-1987) continuou e desenvolveu os estudos de Piaget acerca do desenvolvimento moral, que dividiu em 3 níveis:
pré-convencional, convencional e pós-convencional. ada um destes 3 níveis apresenta 2 estádios. ao todo o desenvolvimento moral faz-se em 6 estádios.
Nível 1 (Pré-Convencional) - Infância 
1. Orientação "punição obediência"   (Como eu posso evitar a punição?)
2. Orientação auto-interesse  (O que eu ganho com isso?)
Nível 2 (Convencional) - Adolescência
3. Acordo interpessoal e conformidade (Normas sociais) - (Orientação "bom moço"/"boa moça")
4. Orientação "manutenção da ordem social e da autoridade" - (Moralidade "Lei e Ordem")
Nível 3 (Pós-Convencional)
5. Orientação "Contrato Social"
6. Princípios éticos universais (Consciência principiada)

Fonte: http://caminhodapsicologia.webnode.com.pt/kohlberg/

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Teste Intermédio de Filosofia - 11.º Ano


Sei ?

Argumentação e LÓGICA FORMAL
- Definir proposição.
- Definir raciocínio não dedutivo
- Esclarecer qual o valor lógico de uma proposição
- Enunciar o valor lógico de um argumento
- definir necessidade lógica
- distinguir necessidade de possibilidade
- distinguir necessidade de contingência?
- classificar proposições quanto à sua quantidade e qualidade
- transcrever para linguagem natural argumentos em linguagem simbólica
- enunciar o valor lógico de proposições compostas conjuntivas, disjuntivas, condicionais, bicondicionais
- formalizar argumentos
- avaliar o valor lógico de argumentos
- analisar quando se  aplica uma tabela de verdade e quando se aplica o inspetor de circunstâncias

- Caracterização da linguagem da lógica proposicional com as cinco conetivas que simbolizam “não”, “e”, “ou”, “se…então” e “se e somente se”;
- Prática de formalização quer de frases isoladas quer de argumentos inteiros (e, em sentido inverso, prática de interpretação de fórmulas);
- As funções de verdade associadas às cinco conetivas
- Uso de tabelas de verdade para testar a validade de argumentos;
- As seguintes formas de inferência válida:
1.        modus ponens,
2.        modus tollens,
3.        contraposição,
4.        silogismo disjuntivo,
5.        silogismo hipotético
6.        leis de De Morgan.

- Identificar e demonstrar as falácias formais:  1 - afirmação do consequente;   2 - negação do antecedente


LÓGICA INFORMAL - Argumentação e retórica
3.1 -
- Explicar a insuficiência da lógica formal
- Definir retórica
- Caracterizar a argumentação em função do seu ponto de partida E DA RELAÇÃO NECESSÁRIA AO AUDITÓRIO

- Justificar as diversas características da argumentação

- Explicitar os meios de persuasão dependentes do orador
- Clarificar a importância do poder de contestação do auditório
- Explicar a necessidade de adaptação do discurso ao auditório.
- Explicitar a noção de acordo prévio
- Identificar os tipos de auditório

- avaliar argumentos
1.        indutivos, 2 - por analogia; 3 - autoridade.

- explicar as falácias informais:
1.        petição de princípio,
2.        falso dilema,
3.        apelo à ignorância,
4.        ad hominem,
5.        derrapagem (ou “bola de neve”) e
6.        boneco de palha.

- Distinguir falácia formal de falácia informal

- Identificar as várias falácias informais
- Exemplificar as várias falácias informais

 3.2. Persuasão e manipulação ou os dois usos da retórica, abordar-se-á a crítica filosófica aos usos da retórica, designadamente a distinção entre manipulação e persuasão orientada por um critério de razoabilidade.

 - Contrapor pelas diferenças específicas persuasão e manipulação
- Identificar exemplos de manipulação na propaganda política.
- Clarificar a estrutura retórica de uma imagem
- Problematizar a questão da retórica como técnica de manipulação
- Esclarecer o uso ético da retórica
- Identificar os princípios éticos que regem a retórica

3.3. Argumentação, verdade e ser,
- Caracterizar a argumentação filosófica e o seu vínculo constitutivo à procura da verdade
- Confrontar as perspectivas dos sofistas e de Platão acerca da retórica no contexto da democracia ateniense.
- Mostrar o papel da retórica no pensamento sofista.
- Clarificar as críticas platónicas à sofística
- Enunciar as razões da revalorização aristotélica da retórica

- Relacionar democracia e retórica
- Identificar os elementos que tornam a retórica/argumentação uma propedêutica para a democracia
- Clarificar a relação entre democracia e retórica
- Relacionar o discurso argumentativo com a organização democrática das sociedades

GNOSEOLOGIA
Descrição e interpretação da actividade cognoscitiva
- Distinguir os dois conceitos que o termo conhecimento encerra: como acto (e processo) e como representação (e produto).
- Esclarecer o carácter interpretativo da percepção
- Distinguir o conhecimento perceptivo do conhecimento racional.
- caracterizar o conhecimento perceptivo e o conhecimento racional

- Descreve o processo de conhecimento do ponto de vista fenomenológico.
- Caracterizar no conhecimento do ponto de vista fenomenológico a relação que se estabelece entre sujeito e objecto.

- Definir conhecimento na perspectiva de Platão
- Explicar as condições necessárias as condições suficientes do conhecimento, na perspectiva platónica
- PROBLEMATIZAR e explicar a insuficiência da definição de conhecimento como crença verdadeira justificada -: 2 críticas.


TEORIA RACIONALISTA E TEORIA EMPIRISTA  - Descartes e Hume
- Clarificar as características do racionalismo e empirismo

Descartes
- Enunciar os propósitos de Descartes;
- Justificar a dúvida como ponto de partida do cartesianismo.
- Explicitar as regras do método.
- Justificar a hipótese do génio maligno no contexto da filosofia cartesiana.
- Explicitar a ideia de cogito como superação da dúvida radical e hiperbólica cartesiana.
- Justificar o carácter inato e exclusivamente racional da ideia de cogito.
- Clarificar as ideias inatas, adventícias e factícias.
- Enunciar as provas da existência de Deus.
- Explicar em que medida Deus é garantia da verdade;
-

Hume
- Explicar a origem das ideias segundo Hume.
- Enunciar e esclarecer os princípios de associação entre as ideias.
- Justificar a origem empírica  e indutiva do conhecimento científico;
- PROBLEMATIZAR A IDEIA DE CAUSALIDADE como conexão necesári
- Identificar os limites da razão no princípio de causalidade
- Identificar o hábito como único guião da razão humana.                                           

- SEI EXPLICAR A INSUFIENCIA DO CONHECIEMNTO CIENTÍFICO PELO RECURSO AOS JUIZOS A POSTERIOR E À INDUÇÃO - CONSIDERANDO A TEORIA DE HUME?
- SEI MOSTRAR QUE AS IDEIAS CLARAS DE DESCARTES SÃO EM HUME IDEIAS POUCO CLARAS E MUITO INDISTINTAS (LOGO LONGE DA VERDADE - DO P.V de DESCARTES)?
- SEI POR QUE É UM RACIONALISTA E ACREDITA NA POSSIBILIDADE DE SE OBTER CONHECIEMNTO VERDADEIRO (ABSOLUTO) SOBRE AS REALIDADE EXISTENTES (3) E POR QUE É OUTRO EMPIRISTA E MOSTRA A IMPOSSIBILIDADE DO CONHECIMENTO ABSOLUTO DA REALIDADE (QUESTÕES DE FACTO)?

sábado, 10 de março de 2012

O que são os valores?


A concepção de valor varia em função dos pensadores e das teorias. assim, apresentam-se sumariamente quatro:

1 - naturalismo - o valor existe na natureza, como propriedade natural das coisas/acontecimentos/comportamentos
2 - ontologismo - o valor existe em si mesmo.
3 - psicologismo - o valor existe como estado mental, na medida em que a psique é afetada pelas objectos (realidades)
4 - Sanchez Vazquez - o valor existe na relação entre o homem (enquanto ser social) e os seus critérios valorativos e objetos (realidades).
Segundo Vasquez o valor coincide com o ato de julgar, com o juízo de valor que atribui qualidades ideais às coisas. as coisas para receberem estas qualidades, têm de ter certas qualidades reais. MAS a apreciação destas qualidades - doando-lhe qualidades ideais - faz-se através de critérios valorativos, estes são os ideais do sujeito, são o que ele tem na sua mente fruto da sua aprendizagem e da sua cultura, são os seus referentes.

terça-feira, 6 de março de 2012

O que é a moral?

Isaque Tomé


A Moral

É o conjunto de princípios e normas vigentes numa comunidade humana que permitem distinguir o certo do errado e orientam a conduta dos seus membros.
Assim,
a) pressupõe um conjunto de valores indicativos do certo e do errado;
b) estabelece normas de comportamento – indicam o que se deve fazer ou não fazer;
c) é exterior ao indivíduo, que integra no processo de socialização e endoculturação;
d) a sanção estabelece-se ao nível da consciência moral, é sobretudo uma sanção que cada um se impõe a si próprio, em função da adequação ou não do comportamento à norma moral;
e) pode ser aplicada de forma automática ou autónoma (reflectida e livre)

  • Automática: cumpre a norma por medo das sanções, porque é assim que lhe indica a tradição, porque é assim, que se lhe impõe como obrigação exterior à sua consciência - ex.: as crianças que têm medo do polícia, e por isso não roubam.
  • Reflectida: cumpre a norma porque a sua consciência, após reflexão, deliberou ser o melhor. PONDERANDO se determinado comportamento ou determinada acção, considerada boa pela moral, é correcta ou incorrecta. Então, neste caso estamos a ser seres éticos.
f) numa mesma sociedade podem existir diferentes morais, com fundamentos (religiosos, racionais, físicos) e valores distintos. Pode haver uma moral religiosa (católica, protestante, budista, … uma moral epicurista, uma moral egoísta, uma moral utilitarista, uma moral racional deontológica,...

O que é a Ética?

Isaque Tomé

Contributos para uma definição de Ética
            Etimologicamente, ética provém de dois termos gregos: éthos e êthos e pode ser entendida num duplo significado (Enciclopédia LOGOS, 1990): costume, uso ou modo visível de proceder e morada habitual, relacionando-se, assim, com o espaço íntimo de cada indivíduo. Mais especificamente, o primeiro sentido apontado relaciona-se principalmente com modos habituais de proceder na relação com os outros. Já o segundo aponta para uma perspetiva mais individual que considera o que é específico de cada um, nomeadamente, o seu modo de ser ou caráter, entendido num plano de reflexão sobre o modo de agir em função do bem e para o bem. Inserida dentro desta segunda definição, ethos tem como objecto os valores e princípios norteadores da boa conduta humana. 
              A ética remete para uma reflexão sobre os princípios que orientam a acção humana e para os fundamentos que regem a constituição de normas morais, propondo fins e ideais a realizar tendo em vista o aperfeiçoamento do ser humano.
            É precisamente a sua duplo sentido que leva alguns autores a considerarem sinónimos os conceitos de ética e moral. Porém, tal consideração é feita comparando ethos, de origem grega, e mores, proveniente do latim, traduzindo, assim, um mesmo significado ligado ao costume e modo de proceder. O conceito de ética tem sofrido alterações ao longo da história. Assim, se na antiguidade os filósofos a consideravam como o estudo dos meios para se alcançar a felicidade (Aristóteles, por exemplo defendia que a felicidade se conseguiria alcançar através da prática duma vida virtuosa, e Platão considerava que o homem só alcançaria a libertação do drama da condição humana através do conhecimento), já na Idade Média a ética confundiu-se com a moral, privilegiando princípios religiosos. No século XVIII, Kant defende que a lei moral (dever) orienta toda a ação do ser racional. Mais tarde os filósofos retomaram a ideia anteriormente defendida na antiguidade, abandonando os conceitos ligados à religião, mas tendo como princípio o pensamento humano.
            Enquanto tem um objeto de estudo autónomo face a outros saberes, a ética é ainda considerada como um ramo da Filosofia que aborda questões de moralidade, isto é, conceitos como o bem e o mal ou o certo e errado, o correto ou o incorreto. Está ligada a aspetos do comportamento humano, ao modo como conduzimos a nossa vida, como seres racionais, sendo que o seu referencial é o Bem, o Certo, o Correto.
            Atualmente, a distinção entre ética e moral costuma ser apresentada do seguinte modo: A) moral designa o âmbito da formação de normas obrigatórias e da sua hierarquização e aplicação a casos concretos, a moral, traduzindo-se na prática comportamental, é circunstancial e mutável, e está dependente dos contextos, das épocas, das sociedades, das religiões. B) ética existe como uma referência para os seres humanos em sociedade e, por isso, nos remete para uma reflexão acerca dos princípios que devem orientar a ação humana, para a fundamentação das normas que orientam a ação, para a definição dos fins e ideais que orientam ou devem orientar a existência, tendo em vista o aperfeiçoamento do ser humano.
            Importa ainda convocar Arêdes (2005:5), pela definição que propõe à margem da categorização tradicional, “enquanto a moral, porque judicativa, tem uma vocação casuística, a ética, porque propiciadora de princípios, tem de ser capaz de apresentar modelos de transformação (do agente), manifestando uma vocação ontológica, propondo o que se deve ser como condição do que se deve e pode fazer. Dito de outro modo: enquanto a moral indica o que se deve fazer, a ética indica o que se deve ser. “
            Assim, o dever que sentimos (na consciência moral) quando é exterior à nossa vontade é do domínio da Moral. O dever que nós nos impomos a nós mesmos (ao nível de uma vontade racional) por considerarmos que é o mais correto, e tem origem na nossa consciência, é do domínio da Ética.
            Confrontada com uma série de práticas morais já em vigor e, partindo delas, a ética procura determinar a essência da moral, a sua origem, as condições objetivas e subjetivas do ato moral, as fontes da avaliação moral, a natureza e a função dos juízos morais, os critérios de justificação destes juízos e o princípio que rege a mudança e a sucessão de diferentes sistemas morais.
            A ética como reflexão filosófica pode apresentar três dimensões:
1ª - disciplina descritiva do fenómeno moral;
2ª - teorização  prescritiva do que deve ser a moral;
3ª - reflexão pessoal que enquadra a  decisão concreta.
            A ética, em sentido lato, resulta da interação do homem com o seu ambiente e o seu semelhante na medida em que se consubstancia na interpelação permanente.
            A filosofia atual, numa tentativa de enquadramento sistemático e abrangente, subdivide a ética em três componentes relevantes: metaética, ética normativa e ética aplicada. Em filosofia, metaética é o ramo da ética que procura entender a natureza das propriedades éticas, enunciados, atitudes e juízos. Enquanto as éticas normativas formulam respostas para as questões como "o que alguém deve fazer?", endossando assim algumas avaliações éticas de valor e rejeitando outras, a metaética formula questões como "O que é o bem?" e "Como podemos dizer o que é bom e o que é mal?", procurando entender a natureza das propriedades e avaliações dos enunciados éticos. A ética aplicada é um estudo de ordem ética que atua num meio social, o seu comportamento e a sua aplicação nesse meio.
            

Referências
Arêdes, J (2005).Ética e Consciência. Philosophica, nº25, p 7.29.Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia - Logos (1990). Editora Verbo

segunda-feira, 5 de março de 2012

Informação, conhecimento e realidade

 
Opinião

Editorial de José Gil: O vazio das não-notícias

05.03.2012 - 07:48 Por José Gil
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José GilJosé Gil (Foto: Daniel Rocha)
 Vivemos num país desconhecido. Por baixo da informação tangível, dos números e das estatísticas, correm fluxos de acontecimentos inquantificáveis e que, no entanto, condicionam decisivamente a nossa vida. Quantas doenças psíquicas foram desencadeadas pela crise? Quanta energia vital se desperdiça na fabricação da imagem de um rosto jovem necessário exigido por tal profissão? São "dados" incognoscíveis ou imateriais, não susceptíveis de se tornarem informação. São não-notícias.
O Público deu-nos a possibilidade, neste número, de fazer aparecer esse avesso do estado da nação, levantando uma ponta do véu que o recobre e o esconde. Não se tratou, pois, de informar ou de desinformar, mas de fazer pensar diferentemente no país que temos e na informação que dele dispomos.

Ordenámos a não-informação em três categorias: o que é impossível conhecer (por exemplo, aquele factor decisivo, singular, único do "talento", que não entra numa grelha de avaliação de competências de um aluno), mas é condição essencial para que se ordene de modo inteligente, ético e eficaz a informação que se conhece; o que não se conhece mas que se poderia e deveria conhecer (o número de mortes estimado por atraso na lista de espera de uma operação) para o fazer entrar numa decisão política ou outra; o que seria possível conhecer mas que se torna impossível saber porque o seu conhecimento poria radicalmente em questão o regime das nossas sociedades pós-democráticas (por exemplo, o número de políticos corruptos). As inúmeras perguntas que fizemos aos organismos competentes receberam não-respostas, confirmando a ideia de um vazio obrigatório de informação: na secção "Pobreza" os dados recolhidos não permitem um plano de combate exaustivo e eficaz à pobreza; na secção "Política" a ausência de números oficiais sobre os políticos que detêm depósitos em offshores indica que a transparência nesse domínio subverteria o nosso regime político; e assim por diante.

O nosso país está demasiado "cheio" (de informações, imagens, bugigangas de toda a espécie) e quanto mais se enche mais se enterra o vazio essencial a que não se dá a importância que tem. Acreditamos que a informação que, por definição, vive da positividade do dado, do pleno, que nos enche os olhos e o cérebro criando a ilusão de pensamento, pode ser tratada de outra forma. A massa de informação a que hoje temos acesso contribui para uma espécie de visão global que faz da realidade um conjunto de coisas e factos objectivos - de que decorre ao mesmo tempo a despoetização do mundo e um crescente caos afectivo. Contra isso, acreditemos nas virtudes do vazio.

O que fizemos - em trabalho extraordinário de equipa - sugere a possibilidade e a necessidade de traçar um mapa de Portugal que mostre os trajectos duplos, de um pleno que constantemente atropela e exclui o vazio; e dos movimentos do vazio que abrem linhas de fuga, incita a pensar diferentemente, desencadeia poderosas forças de criação. Não estamos condenados ao que julgamos que nos condenaram. Só assim poderemos conceber reformas radicais que libertem as energias e mudem o país.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Objecção (3) ao Conhecimento como CVJ

Se houvesse uma total sobreposição entre conhecimento e verdade teríamos, como consequência, que o conhecimento substituído no processo histórico da ciência seria considerado não conhecimento. Logo todas as teorias ultrapassadas por novas conjecturas,  mais simples, abrangentes e resistentes, estariam no domínio do falso.
Isto parece absurdo uma vez que as novas teorias, muitas vezes surgem como desenvolvimento das anteriores ou como contraposição às anteriores, logo as anteriores (ainda que com erros ou falhas) têm um papel na construção do conhecimento.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Objecção (2) ao Conhecimento como Crença Verdadeira Justificada



Contra-exemplo formulado pelo filósofo inglês Bertrand Russell (1872-1970).
“O relógio da igreja da tua terra é bastante fiável e costumas confiar nele para saber as horas. Esta manhã, quando vinhas para a escola, olhaste para o relógio e viste que ele marcava exactamente 8h e 20m. Por  sso, formaste a crença de que eram 8h e 20m. O facto do relógio ter sido fiável no passado justifica a tua crença. Contudo, sem que o soubesses, o relógio tinha avariado no dia anterior exactamente quando marcava 8h e 20m. Assim, tens uma crença verdadeira justificada que não é conhecimento.”
Luís Rodrigues e outros, “Filosofia – 11º”, 1ª edição, 2004, Plátano Editora, pág. 198

Objecção (1) ao conhecimento como CVJ

Crítica à teoria do Conhecimento como Crença Verdadeira Justificada

Excerto de um texto de Edmund Gettier que objecta a teoria do conhecimento como CVJ, publicado em Analysis 23:121-3 (1963), com o título "Is Justified True Belief Knowledge?

«CASO I

Suponha-se que Smith e Jones se tinham candidatado a um certo emprego. E suponha-se que Smith tem fortes provas a favor da seguinte proposição conjuntiva:
d) Jones é o homem que vai conseguir o emprego, e Jones tem dez moedas no bolso.
As provas que Smith tem a favor de d podem ser que o presidente da companhia lhe tenha assegurado que no fim Jones seria seleccionado e que ele, Smith, tenha contado as moedas do bolso de Jones há dez minutos. A proposição d implica:
e) O homem que vai ficar com o emprego tem dez moedas no bolso.
Suponha-se que Smith vê que d implica e e que aceita e com base em d, a favor da qual ele tem fortes provas. Neste caso, Smith está claramente justificado em acreditar que e é verdadeira.
Mas imagine-se que, além disso, sem Smith o saber, é ele e não Jones que vai ficar com o emprego. Imagine-se também que, sem o saber, ele próprio tem dez moedas no bolso. A proposição e é assim verdadeira, apesar de a proposição d, a partir da qual Smith inferiu e, ser falsa. Assim, no nosso exemplo, as seguintes proposições são verdadeiras: 1) é verdadeira, 2) Smith acredita que e é verdadeira e 3) Smith está justificado a acreditar que e é verdadeira. Mas é igualmente claro que Smith não sabe que e é verdadeira; pois e é verdadeira em virtude das moedas que estão no bolso de Smith, ao passo que Smith não sabe quantas moedas tem no bolso e baseia a sua crença em e no facto de ter contado as moedas do bolso de Jones, que ele erradamente acredita tratar-se do homem que irá ficar com o emprego.»



domingo, 26 de fevereiro de 2012

Juízos - Verdade absoluta e Verdade circunstancial

Só existe conhecimento verdadeiro ou falso quando formulamos proposições ou. juízos

Os juízos a priori são estritamente racionais - são independentes da experiência - e como tal apresentam necessidade lógica e universalidade, logo a sua verdade é absoluta.

Os juízos a posteriori são dependentes da experiência. neste caso as suas característica são de contingência (podem negar-se sem se entrar em contradição) e são particulares no tempo/espaço, logo a sua verdade é circunstancial.