Apontamentos, textos e trabalhos de Filosofia de/para alunos do Ensino Secundário - Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Esgueira, Aveiro, PORTUGAL
quarta-feira, 14 de março de 2012
sábado, 10 de março de 2012
O que são os valores?
A concepção de valor varia em função dos pensadores e das teorias. assim, apresentam-se sumariamente quatro:
1 - naturalismo - o valor existe na natureza, como propriedade natural das coisas/acontecimentos/ comportamentos
2 - ontologismo - o valor existe em si mesmo.
3 - psicologismo - o valor existe como estado mental, na medida em que a psique é afetada pelas objectos (realidades)
4 - Sanchez Vazquez - o valor existe na relação entre o homem (enquanto ser social) e os seus critérios valorativos e objetos (realidades).
Segundo Vasquez o valor coincide com o ato de julgar, com o juízo de valor que atribui qualidades ideais às coisas. as coisas para receberem estas qualidades, têm de ter certas qualidades reais. MAS a apreciação destas qualidades - doando-lhe qualidades ideais - faz-se através de critérios valorativos, estes são os ideais do sujeito, são o que ele tem na sua mente fruto da sua aprendizagem e da sua cultura, são os seus referentes.
terça-feira, 6 de março de 2012
O que é a moral?
Isaque Tomé
É o conjunto de princípios e normas vigentes numa comunidade humana que permitem distinguir o certo do errado e orientam a conduta dos seus membros.
A Moral
É o conjunto de princípios e normas vigentes numa comunidade humana que permitem distinguir o certo do errado e orientam a conduta dos seus membros.
Assim,
a) pressupõe um
conjunto de valores indicativos do certo e do errado;
b) estabelece
normas de comportamento – indicam o que se deve fazer ou não fazer;
c) é exterior ao
indivíduo, que integra no processo de socialização e endoculturação;
d) a sanção
estabelece-se ao nível da consciência moral, é sobretudo uma sanção que cada um
se impõe a si próprio, em função da adequação ou não do comportamento à norma
moral;
e) pode ser
aplicada de forma automática
ou autónoma (reflectida
e livre)
f)
numa mesma sociedade podem existir diferentes morais, com fundamentos
(religiosos, racionais, físicos) e valores distintos. Pode haver uma moral
religiosa (católica, protestante, budista, … uma moral epicurista, uma moral
egoísta, uma moral utilitarista, uma moral racional deontológica,...- Automática: cumpre a norma por medo das sanções, porque é assim que lhe indica a tradição, porque é assim, que se lhe impõe como obrigação exterior à sua consciência - ex.: as crianças que têm medo do polícia, e por isso não roubam.
- Reflectida: cumpre a norma porque a sua consciência, após reflexão, deliberou ser o melhor. PONDERANDO se determinado comportamento ou determinada acção, considerada boa pela moral, é correcta ou incorrecta. Então, neste caso estamos a ser seres éticos.
O que é a Ética?
Isaque Tomé
Contributos para uma definição de Ética
Etimologicamente, ética provém de dois termos
gregos: éthos e êthos e pode ser entendida num duplo significado
(Enciclopédia LOGOS, 1990): costume, uso ou modo visível de proceder e morada
habitual, relacionando-se, assim, com o espaço íntimo de cada indivíduo.
Mais especificamente, o primeiro sentido apontado relaciona-se principalmente
com modos habituais de proceder na relação com os outros. Já o segundo aponta
para uma perspetiva mais individual que considera o que é específico de cada
um, nomeadamente, o seu modo de ser ou caráter, entendido num plano de reflexão
sobre o modo de agir em função do bem e para o bem. Inserida dentro desta
segunda definição, ethos tem como objecto os valores e princípios norteadores
da boa conduta humana.
A ética
remete para uma reflexão sobre os princípios que orientam a acção humana e para
os fundamentos que regem a constituição de normas morais, propondo fins e
ideais a realizar tendo em vista o aperfeiçoamento do ser humano.
É precisamente a sua duplo sentido que leva alguns autores a considerarem sinónimos os conceitos de
ética e moral. Porém, tal consideração é feita comparando ethos, de
origem grega, e mores, proveniente do latim, traduzindo, assim, um mesmo
significado ligado ao costume e modo de proceder. O conceito de ética tem sofrido alterações ao
longo da história. Assim, se na antiguidade os filósofos a consideravam como o
estudo dos meios para se alcançar a felicidade (Aristóteles, por exemplo
defendia que a felicidade se conseguiria alcançar através da prática duma vida
virtuosa, e Platão considerava que o homem só alcançaria a
libertação do drama da condição humana através do conhecimento), já na Idade Média
a ética confundiu-se com a moral, privilegiando princípios religiosos. No
século XVIII, Kant defende que a lei moral (dever) orienta toda a ação do ser
racional. Mais tarde os filósofos retomaram a ideia
anteriormente defendida na antiguidade, abandonando os conceitos ligados à
religião, mas tendo como princípio o pensamento humano.
Enquanto tem um objeto de estudo autónomo face a outros saberes, a ética é ainda considerada como
um ramo da Filosofia que aborda questões de moralidade, isto é, conceitos como
o bem e o mal ou o certo e errado, o correto ou o incorreto. Está ligada a
aspetos do comportamento humano, ao modo como conduzimos a nossa vida, como
seres racionais, sendo que o seu referencial é o Bem, o Certo, o Correto.
Atualmente, a distinção entre ética
e moral costuma ser apresentada do seguinte modo: A) moral designa o
âmbito da formação de normas obrigatórias e da sua hierarquização e aplicação a
casos concretos, a moral, traduzindo-se na prática
comportamental, é circunstancial e
mutável, e está dependente dos contextos, das épocas, das sociedades, das
religiões. B) ética
existe como uma referência para os seres humanos em sociedade e, por isso, nos remete para uma
reflexão acerca dos princípios que devem orientar a ação humana, para a
fundamentação das normas que orientam a ação, para a definição dos fins e
ideais que orientam ou devem orientar a existência, tendo em vista o
aperfeiçoamento do ser humano.
Importa ainda convocar Arêdes (2005:5),
pela definição que propõe à margem da categorização tradicional, “enquanto a
moral, porque judicativa, tem uma vocação casuística, a ética, porque
propiciadora de princípios, tem de ser capaz de apresentar modelos de
transformação (do agente), manifestando uma vocação ontológica, propondo o que
se deve ser como condição do que se deve e pode fazer. Dito de outro modo:
enquanto a moral indica o que se deve fazer, a ética indica o que se
deve ser. “
Assim, o dever que sentimos (na consciência moral) quando é exterior à nossa vontade é do domínio da Moral. O dever que nós nos impomos a nós mesmos
(ao nível de uma vontade racional) por considerarmos que é o mais correto, e
tem origem na nossa consciência, é do domínio da Ética.
Confrontada
com uma série de práticas morais já em vigor e, partindo delas, a ética procura
determinar a essência da moral, a sua origem, as condições objetivas e
subjetivas do ato moral, as fontes da avaliação moral, a natureza e a função
dos juízos morais, os critérios de justificação destes juízos e o princípio que
rege a mudança e a sucessão de diferentes sistemas morais.
A ética como reflexão
filosófica pode apresentar três dimensões:
1ª - disciplina descritiva do fenómeno moral;
2ª - teorização prescritiva do que deve ser a moral;
3ª - reflexão pessoal que enquadra a decisão concreta.
1ª - disciplina descritiva do fenómeno moral;
2ª - teorização prescritiva do que deve ser a moral;
3ª - reflexão pessoal que enquadra a decisão concreta.
A ética, em sentido lato,
resulta da interação do homem com o seu ambiente e o seu semelhante na medida
em que se consubstancia na interpelação permanente.
A
filosofia atual, numa tentativa de enquadramento sistemático e abrangente,
subdivide a ética em três componentes relevantes: metaética, ética normativa e
ética aplicada. Em filosofia, metaética é o ramo da ética
que procura entender a natureza das propriedades éticas, enunciados, atitudes e
juízos. Enquanto as éticas normativas formulam respostas para as questões como "o que alguém
deve fazer?", endossando assim algumas avaliações éticas de valor e rejeitando
outras, a metaética formula questões como "O que é o bem?" e
"Como podemos dizer o que é bom e o que é mal?", procurando entender
a natureza das propriedades e avaliações dos enunciados éticos. A ética aplicada é um estudo de ordem ética
que atua num meio social, o seu comportamento e a sua aplicação nesse meio.
Referências
Arêdes, J (2005).Ética e Consciência. Philosophica, nº25, p 7.29.Faculdade de Letras da
Universidade de Lisboa.
Enciclopédia Luso-Brasileira de
Filosofia - Logos (1990). Editora Verbo
segunda-feira, 5 de março de 2012
Informação, conhecimento e realidade

Editorial de José Gil: O vazio das não-notícias
05.03.2012 - 07:48 Por José Gil
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Vivemos num país desconhecido. Por baixo da informação tangível, dos números e das estatísticas, correm fluxos de acontecimentos inquantificáveis e que, no entanto, condicionam decisivamente a nossa vida. Quantas doenças psíquicas foram desencadeadas pela crise? Quanta energia vital se desperdiça na fabricação da imagem de um rosto jovem necessário exigido por tal profissão? São "dados" incognoscíveis ou imateriais, não susceptíveis de se tornarem informação. São não-notícias.
O Público deu-nos a possibilidade, neste número, de fazer aparecer esse avesso do estado da nação, levantando uma ponta do véu que o recobre e o esconde. Não se tratou, pois, de informar ou de desinformar, mas de fazer pensar diferentemente no país que temos e na informação que dele dispomos.
Ordenámos a não-informação em três categorias: o que é impossível conhecer (por exemplo, aquele factor decisivo, singular, único do "talento", que não entra numa grelha de avaliação de competências de um aluno), mas é condição essencial para que se ordene de modo inteligente, ético e eficaz a informação que se conhece; o que não se conhece mas que se poderia e deveria conhecer (o número de mortes estimado por atraso na lista de espera de uma operação) para o fazer entrar numa decisão política ou outra; o que seria possível conhecer mas que se torna impossível saber porque o seu conhecimento poria radicalmente em questão o regime das nossas sociedades pós-democráticas (por exemplo, o número de políticos corruptos). As inúmeras perguntas que fizemos aos organismos competentes receberam não-respostas, confirmando a ideia de um vazio obrigatório de informação: na secção "Pobreza" os dados recolhidos não permitem um plano de combate exaustivo e eficaz à pobreza; na secção "Política" a ausência de números oficiais sobre os políticos que detêm depósitos em offshores indica que a transparência nesse domínio subverteria o nosso regime político; e assim por diante.
O nosso país está demasiado "cheio" (de informações, imagens, bugigangas de toda a espécie) e quanto mais se enche mais se enterra o vazio essencial a que não se dá a importância que tem. Acreditamos que a informação que, por definição, vive da positividade do dado, do pleno, que nos enche os olhos e o cérebro criando a ilusão de pensamento, pode ser tratada de outra forma. A massa de informação a que hoje temos acesso contribui para uma espécie de visão global que faz da realidade um conjunto de coisas e factos objectivos - de que decorre ao mesmo tempo a despoetização do mundo e um crescente caos afectivo. Contra isso, acreditemos nas virtudes do vazio.
O que fizemos - em trabalho extraordinário de equipa - sugere a possibilidade e a necessidade de traçar um mapa de Portugal que mostre os trajectos duplos, de um pleno que constantemente atropela e exclui o vazio; e dos movimentos do vazio que abrem linhas de fuga, incita a pensar diferentemente, desencadeia poderosas forças de criação. Não estamos condenados ao que julgamos que nos condenaram. Só assim poderemos conceber reformas radicais que libertem as energias e mudem o país.
Ordenámos a não-informação em três categorias: o que é impossível conhecer (por exemplo, aquele factor decisivo, singular, único do "talento", que não entra numa grelha de avaliação de competências de um aluno), mas é condição essencial para que se ordene de modo inteligente, ético e eficaz a informação que se conhece; o que não se conhece mas que se poderia e deveria conhecer (o número de mortes estimado por atraso na lista de espera de uma operação) para o fazer entrar numa decisão política ou outra; o que seria possível conhecer mas que se torna impossível saber porque o seu conhecimento poria radicalmente em questão o regime das nossas sociedades pós-democráticas (por exemplo, o número de políticos corruptos). As inúmeras perguntas que fizemos aos organismos competentes receberam não-respostas, confirmando a ideia de um vazio obrigatório de informação: na secção "Pobreza" os dados recolhidos não permitem um plano de combate exaustivo e eficaz à pobreza; na secção "Política" a ausência de números oficiais sobre os políticos que detêm depósitos em offshores indica que a transparência nesse domínio subverteria o nosso regime político; e assim por diante.
O nosso país está demasiado "cheio" (de informações, imagens, bugigangas de toda a espécie) e quanto mais se enche mais se enterra o vazio essencial a que não se dá a importância que tem. Acreditamos que a informação que, por definição, vive da positividade do dado, do pleno, que nos enche os olhos e o cérebro criando a ilusão de pensamento, pode ser tratada de outra forma. A massa de informação a que hoje temos acesso contribui para uma espécie de visão global que faz da realidade um conjunto de coisas e factos objectivos - de que decorre ao mesmo tempo a despoetização do mundo e um crescente caos afectivo. Contra isso, acreditemos nas virtudes do vazio.
O que fizemos - em trabalho extraordinário de equipa - sugere a possibilidade e a necessidade de traçar um mapa de Portugal que mostre os trajectos duplos, de um pleno que constantemente atropela e exclui o vazio; e dos movimentos do vazio que abrem linhas de fuga, incita a pensar diferentemente, desencadeia poderosas forças de criação. Não estamos condenados ao que julgamos que nos condenaram. Só assim poderemos conceber reformas radicais que libertem as energias e mudem o país.
sexta-feira, 2 de março de 2012
Objecção (3) ao Conhecimento como CVJ
Se houvesse uma total sobreposição entre conhecimento e verdade teríamos, como consequência, que o conhecimento substituído no processo histórico da ciência seria considerado não conhecimento. Logo todas as teorias ultrapassadas por novas conjecturas, mais simples, abrangentes e resistentes, estariam no domínio do falso.
Isto parece absurdo uma vez que as novas teorias, muitas vezes surgem como desenvolvimento das anteriores ou como contraposição às anteriores, logo as anteriores (ainda que com erros ou falhas) têm um papel na construção do conhecimento.
Isto parece absurdo uma vez que as novas teorias, muitas vezes surgem como desenvolvimento das anteriores ou como contraposição às anteriores, logo as anteriores (ainda que com erros ou falhas) têm um papel na construção do conhecimento.
quinta-feira, 1 de março de 2012
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Objecção (2) ao Conhecimento como Crença Verdadeira Justificada
Contra-exemplo formulado pelo filósofo inglês Bertrand Russell
(1872-1970).
“O relógio da
igreja da tua terra é bastante fiável e costumas confiar nele para saber as
horas. Esta manhã, quando vinhas para a escola, olhaste para o relógio e viste
que ele marcava exactamente 8h e 20m. Por sso, formaste a crença de que eram 8h e 20m. O
facto do relógio ter sido fiável no passado justifica a tua crença. Contudo,
sem que o soubesses, o relógio tinha avariado no dia anterior exactamente
quando marcava 8h e 20m. Assim, tens uma crença verdadeira justificada que não
é conhecimento.”
Luís Rodrigues e outros, “Filosofia – 11º”, 1ª edição, 2004, Plátano
Editora, pág. 198
Objecção (1) ao conhecimento como CVJ
Crítica à teoria do Conhecimento como Crença Verdadeira Justificada
Excerto de um texto de Edmund Gettier que objecta a teoria do conhecimento como CVJ, publicado em Analysis 23:121-3 (1963), com o título "Is Justified True Belief Knowledge?
«CASO I
Suponha-se que Smith e Jones se tinham candidatado a um certo emprego. E suponha-se que Smith tem fortes provas a favor da seguinte proposição conjuntiva:
d) Jones é o homem que vai conseguir o emprego, e Jones tem dez moedas no bolso.
As provas que Smith tem a favor de d podem ser que o presidente da companhia lhe tenha assegurado que no fim Jones seria seleccionado e que ele, Smith, tenha contado as moedas do bolso de Jones há dez minutos. A proposição d implica:
e) O homem que vai ficar com o emprego tem dez moedas no bolso.
Suponha-se que Smith vê que d implica e e que aceita e com base em d, a favor da qual ele tem fortes provas. Neste caso, Smith está claramente justificado em acreditar que e é verdadeira.
Mas imagine-se que, além disso, sem Smith o saber, é ele e não Jones que vai ficar com o emprego. Imagine-se também que, sem o saber, ele próprio tem dez moedas no bolso. A proposição e é assim verdadeira, apesar de a proposição d, a partir da qual Smith inferiu e, ser falsa. Assim, no nosso exemplo, as seguintes proposições são verdadeiras: 1) e é verdadeira, 2) Smith acredita que e é verdadeira e 3) Smith está justificado a acreditar que e é verdadeira. Mas é igualmente claro que Smith não sabe que e é verdadeira; pois e é verdadeira em virtude das moedas que estão no bolso de Smith, ao passo que Smith não sabe quantas moedas tem no bolso e baseia a sua crença em e no facto de ter contado as moedas do bolso de Jones, que ele erradamente acredita tratar-se do homem que irá ficar com o emprego.»
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Juízos - Verdade absoluta e Verdade circunstancial
Só existe conhecimento verdadeiro ou falso quando formulamos proposições ou. juízos
Os juízos a priori são estritamente racionais - são independentes da experiência - e como tal apresentam necessidade lógica e universalidade, logo a sua verdade é absoluta.
Os juízos a posteriori são dependentes da experiência. neste caso as suas característica são de contingência (podem negar-se sem se entrar em contradição) e são particulares no tempo/espaço, logo a sua verdade é circunstancial.
Idealismo Epistemológico e Idealismo Metafísico
Idealismo metafísico - o sujeito no ato de conhecer cria a própria realidade. A ideia produz o real (material ou espiritual).
Analogia: Na religião cristã: Deus cristão é uma entidade espiritual que cria a realidade com determinada ordem e sentido...
Analogia: Na religião cristã: Deus cristão é uma entidade espiritual que cria a realidade com determinada ordem e sentido...
Ou seja, a realidade não é independente da consciência. Em termos práticos: o fundo branco desta página existe enquanto a representamos no nosso intelecto e não existe fora dessa representação, não só o branco, mas a própria página.
Isto é diferente do idealismo epistemológico - a página branca que representamos é-o porque a compreendemos como branca, por que lhe atribuímos a categoria de brancura, por que a vemos como branca, sendo que o branco resulta do nosso olhar e não da coisa. A coisa "em si", a página "em si" não sabemos como é, é desconhecida. A realidade em si, que não é dada à consciência ou que é transcendente aos processos humanos de conhecer (sentidos e razão + imaginação) não é nunca objecto - ObjEcTUM. percebido!????
Por isso é que Platão não é um idealista - para Platão a realidade das ideais existe independentemente da consciência e do conhecimento.
Etnocentrismo e Assimilação cultural
Caderno > Última Página Clara Barata - 26 de FevereiroNas escolas de assimilação do Canadá as crianças nativas viviam num infernoAs crianças perdiam a sua identidade na escola. Mudavam de nome, por vezes eram designadas apenas por um número.
http://jornal.publico.pt/noticia/26-02-2012/nas-escolas-de-assimilacao-do-canada-as-criancas-nativas-viviam-num-inferno-24065253.Este é um exemplo de assimilação violenta por parte de uma cultura dominante e que impõe os seus valores e padrões normativos e de vida à restante população.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Ética como Ética Normativa
“A ética, como a lógica e a metafísica, é um ramo da filosofia: intimamente ligada à religião e ao direito, ela ocupa-se das normas que regem ou devem reger as relações de cada indivíduo com os outros e dos valores que cada indivíduo deve realizar no seu comportamento. Ao contrário das normas legais, as da ética não são no entanto impostas por uma repressão manifesta ou oculta, não são sustentadas por um poder, mas quando muito por uma autoridade, que não pode deixar de fazer apelo para um sentimento de responsabilidade face a algo que está para além do individual: um deus, a sociedade ou a humanidade considerada como um todo. Temos conhecimento de diversas tentativas no sentido de fundar as normas e os valores éticos; elas podem ser referidas ao problema da utilidade, às exigências de uma vida social harmoniosa, aos fins que o homem é chamado a realizar. Não menos controversos são o campo de aplicação destas normas, o seu carácter absoluto ou relativo, universal ou limitado a uma sociedade ou a uma cultura particular, a sua dependência relativamente à história.”
LEZEK KOLAKOWSKI, “Ética”, in RUGGIERO ROMANO (Dir.), Enciclopédia Einaudi, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1997, Vol. 37 (Conceito – Filosofia/Filosofias), p. 339, texto adaptado.
Moral e Ética
Enquanto a Moral se reporta a comportamentos concretos, de índole particular,
que pressupõem a coexistência da liberdade e da responsabilidade por parte daquele que
os leva a cabo, a Ética, de feição tendencialmente universal, diz respeito ao princípio
normativo daqueles comportamentos. A Ética é a base normativa da Moral, surgindo
depois da Moral, com capacidade para clarificar e, inclusive, rectificar os
comportamentos morais efectivos. Consideramos que os seres humanos não só agem
moralmente, como reflectem sobre esse(s) comportamento(s) prático(s), tomando-o(s)
como objecto da sua reflexão e do seu pensamento.
Barros Dias, Ética e Educação. UA, 2004.
A natureza humana e a axiologia
“O trabalho educativo exerce-se, na pureza do conceito, exclusivamente sobre o
homem. Não se educa uma planta ou um animal. O único ser vivo educável e sobre o qual se
trabalha educativamente é o homem. Há necessariamente uma ideia ou modelo de homem
subjacente a toda a actividade educativa. O homem é o único ser que conhecemos que se
trabalha a si mesmo sobre uma ideia de si mesmo para realizar em si essa ideia. Ou seja: o
homem é o único ser sobre a Terra que quer ser outro para ser ele mesmo. O homem é, pois,
para si mesmo um valor. É o valor que reconhece ser que ele quer realizar com a educação.
Basta esta análise para provar a verdade da proposição: não há educação sem valores. Ou
seja, dito pela positiva: a educação é um processo que visa a realização do educando como
valor para si mesmo.
Este é, pois, o fundamento axiológico do homem: a sua actividade axiológica começa
pelo valor que dá a si mesmo.
MANUEL PATRÍCIO, “Educação, Valores e Vocações”, in AAVV, Educação Pluridimensional e Escola Cultural. Actas do I Congresso da Educação Pluridimensional e da Escola Cultural, Évora, Associação da Educação Pluridimensional e da Escola Cultural, 991, p. 67.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
domingo, 19 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Internet e Pirataria - artigo de Peter Singer
A ética da pirataria na Internet
13.02.2012 - 19:30 Por Peter Singer
No ano passado, disse a uma colega que incluiria a ética na Internet num curso que estava a leccionar. Ela sugeriu que lesse uma antologia publicada recentemente sobre ética na computação – e anexou o volume completo no e-mail. Deveria ter recusado ler um livro pirateado? Estaria eu a receber bens roubados, tal como os defensores de leis mais rigorosas contra a pirataria na Internet alegam?
Se roubar o livro de alguém, à maneira antiga, eu fico com livro e o verdadeiro proprietário deixa de o ter. Eu fico melhor, mas ele fica numa situação pior. Quando as pessoas utilizam livros pirateados, a editora e o autor ficam muitas vezes numa má situação – perdem receitas por não venderem o livro.
Mas, se a minha colega não me tivesse enviado o livro, eu requisitá-lo-ia na biblioteca da minha universidade. Poupei o tempo necessário para o fazer e parece que ninguém foi prejudicado. (Curiosamente, tendo em conta que o tema de conversa é o livro, este não se encontra à venda em formato digital.) Na verdade, outras pessoas também beneficiaram com a minha escolha: o livro permaneceu na prateleira da biblioteca, disponível para outros utilizadores.
Por outro lado, se o livro não estivesse na prateleira e se os outros utilizadores pedissem aos funcionários da biblioteca para o recuperar ou reservar, a biblioteca poderia ter em consideração a procura pelo livro e adquirir um outro exemplar. Mas existe apenas uma pequena probabilidade de que a minha utilização do livro persuadiria a biblioteca a comprar outro exemplar. E, em todo o caso, neste momento estamos muito longe dos casos normais de roubo.
Perguntei aos 300 alunos da minha classe de ética se algum deles não tinha transferido algo da Internet, sabendo ou suspeitando que estavam a violar os direitos de autor. Apenas cinco ou seis ergueram a mão. A maioria do restante grupo pensava que o que tinha feito era errado, mas disse que “toda a gente faz isso”. Outros disseram que não comprariam a música ou o livro, independentemente da situação, logo não estavam a prejudicar ninguém. Não parecia que algum deles estivesse preparado para deixar de o fazer.
O motivo para reforçar as leis dos direitos de autor foi fortalecido com os detalhes que surgiram após a detenção em Nova Zelândia, no mês passado, de Kim Dotcom (Kim Schmitz, nome de nascimento), fundador do site Megaupload (actualmente desactivado pelo FBI). O Megaupload permitiu que os seus 180 milhões de utilizadores registados carregassem e transferissem filmes, programas televisivos e música, sendo que algum do dinheiro ganho pelo Dotcom (a partir de publicidade e assinaturas) estava exposto na sua mansão perto de Auckland, onde mantinha o seu Rolls-Royce e outros carros exóticos.
O advogado de Dotcom alega que o Megaupload servia meramente para armazenar os arquivos dos assinantes e que não tinha qualquer controlo sobre o que era armazenado. Mas o site da Megaupload oferecia recompensas monetárias aos utilizadores cujos ficheiros carregados fossem populares para os outros utilizadores.
No mês passado, os Estados Unidos ponderaram a legislação destinada a impedir a pirataria na Internet. As propostas de lei foram redigidas devido à insistência dos estúdios de Hollywood e das indústrias editoriais e fonográficas, que afirmam que as violações dos direitos de autor na Internet custam 100 mil postos de trabalho norte-americanos. Os que se opõem dizem que a lei proposta iria chegar muito além dos sites como o Megaupload, tornando o Google e o YouTube responsáveis pela violação dos direitos de autor – e permitindo que o governo bloqueasse (sem autorização do tribunal) o acesso aos sites que considerasse facilitarem a violação dos direitos de autor.
Para já, activistas da Internet, juntamente com utilizadores do Google, do Facebook e outros principais intervenientes online, levaram a melhor, ao convencerem o Congresso dos EUA a arquivar a sua legislação anti-pirataria. Mas a luta continuará: no mês passado, a União Europeia e 22 Estados-membros assinaram o Acordo Comercial Anti-Contrafacção, que estabelece as normas internacionais e uma nova organização para fazer valer os direitos de propriedade intelectual. O contrato já foi assinado pela Austrália, pelo Canadá, pelo Japão, por Marrocos, pela Nova Zelândia, por Singapura e pelos EUA. Agora deve ser ratificado, entre outros, pelo Parlamento Europeu.Sou autor, assim como sou leitor. Uma das maravilhas da Internet é que alguns dos meus trabalhos mais antigos, há muito fora do mercado, nunca estiveram tão disponíveis como agora – em versões piratas. Obviamente, sou mais sortudo do que muitos outros autores ou artistas criativos, uma vez que o meu salário académico significa que não sou obrigado a depender apenas dos direitos de autor para sustentar a minha família. No entanto, não é difícil encontrar melhores fins para os meus rendimentos com os direitos de autor do que o estilo de vida prejudicial para o ambiente de Kim Dotcom. Temos de encontrar uma maneira de maximizar o potencial verdadeiramente espantoso da Internet, ao mesmo tempo que se recompensa devidamente os criadores.
A Austrália, o Canadá, Israel, a Nova Zelândia e muitos países europeus têm agora o direito de comodato, desenvolvido para compensar os autores e as editoras pela perda de vendas causada pela presença dos seus livros em bibliotecas públicas. Precisamos de algo semelhante para a Internet. Uma taxa de utilizador poderia compensar e, se a taxa fosse bastante baixa, diminuiria o incentivo para a utilização de cópias piratas. Juntem a taxa com a execução da lei contra o mega abuso dos sites e o problema pode ser solúvel. Caso contrário, as pessoas mais criativas terão de ganhar a vida com outra actividade em simultâneo e todos seremos perdedores.
Tradução de Deolinda Esteves/Project Syndicate
Mas, se a minha colega não me tivesse enviado o livro, eu requisitá-lo-ia na biblioteca da minha universidade. Poupei o tempo necessário para o fazer e parece que ninguém foi prejudicado. (Curiosamente, tendo em conta que o tema de conversa é o livro, este não se encontra à venda em formato digital.) Na verdade, outras pessoas também beneficiaram com a minha escolha: o livro permaneceu na prateleira da biblioteca, disponível para outros utilizadores.
Por outro lado, se o livro não estivesse na prateleira e se os outros utilizadores pedissem aos funcionários da biblioteca para o recuperar ou reservar, a biblioteca poderia ter em consideração a procura pelo livro e adquirir um outro exemplar. Mas existe apenas uma pequena probabilidade de que a minha utilização do livro persuadiria a biblioteca a comprar outro exemplar. E, em todo o caso, neste momento estamos muito longe dos casos normais de roubo.
Perguntei aos 300 alunos da minha classe de ética se algum deles não tinha transferido algo da Internet, sabendo ou suspeitando que estavam a violar os direitos de autor. Apenas cinco ou seis ergueram a mão. A maioria do restante grupo pensava que o que tinha feito era errado, mas disse que “toda a gente faz isso”. Outros disseram que não comprariam a música ou o livro, independentemente da situação, logo não estavam a prejudicar ninguém. Não parecia que algum deles estivesse preparado para deixar de o fazer.
O motivo para reforçar as leis dos direitos de autor foi fortalecido com os detalhes que surgiram após a detenção em Nova Zelândia, no mês passado, de Kim Dotcom (Kim Schmitz, nome de nascimento), fundador do site Megaupload (actualmente desactivado pelo FBI). O Megaupload permitiu que os seus 180 milhões de utilizadores registados carregassem e transferissem filmes, programas televisivos e música, sendo que algum do dinheiro ganho pelo Dotcom (a partir de publicidade e assinaturas) estava exposto na sua mansão perto de Auckland, onde mantinha o seu Rolls-Royce e outros carros exóticos.
O advogado de Dotcom alega que o Megaupload servia meramente para armazenar os arquivos dos assinantes e que não tinha qualquer controlo sobre o que era armazenado. Mas o site da Megaupload oferecia recompensas monetárias aos utilizadores cujos ficheiros carregados fossem populares para os outros utilizadores.
No mês passado, os Estados Unidos ponderaram a legislação destinada a impedir a pirataria na Internet. As propostas de lei foram redigidas devido à insistência dos estúdios de Hollywood e das indústrias editoriais e fonográficas, que afirmam que as violações dos direitos de autor na Internet custam 100 mil postos de trabalho norte-americanos. Os que se opõem dizem que a lei proposta iria chegar muito além dos sites como o Megaupload, tornando o Google e o YouTube responsáveis pela violação dos direitos de autor – e permitindo que o governo bloqueasse (sem autorização do tribunal) o acesso aos sites que considerasse facilitarem a violação dos direitos de autor.
Para já, activistas da Internet, juntamente com utilizadores do Google, do Facebook e outros principais intervenientes online, levaram a melhor, ao convencerem o Congresso dos EUA a arquivar a sua legislação anti-pirataria. Mas a luta continuará: no mês passado, a União Europeia e 22 Estados-membros assinaram o Acordo Comercial Anti-Contrafacção, que estabelece as normas internacionais e uma nova organização para fazer valer os direitos de propriedade intelectual. O contrato já foi assinado pela Austrália, pelo Canadá, pelo Japão, por Marrocos, pela Nova Zelândia, por Singapura e pelos EUA. Agora deve ser ratificado, entre outros, pelo Parlamento Europeu.Sou autor, assim como sou leitor. Uma das maravilhas da Internet é que alguns dos meus trabalhos mais antigos, há muito fora do mercado, nunca estiveram tão disponíveis como agora – em versões piratas. Obviamente, sou mais sortudo do que muitos outros autores ou artistas criativos, uma vez que o meu salário académico significa que não sou obrigado a depender apenas dos direitos de autor para sustentar a minha família. No entanto, não é difícil encontrar melhores fins para os meus rendimentos com os direitos de autor do que o estilo de vida prejudicial para o ambiente de Kim Dotcom. Temos de encontrar uma maneira de maximizar o potencial verdadeiramente espantoso da Internet, ao mesmo tempo que se recompensa devidamente os criadores.
A Austrália, o Canadá, Israel, a Nova Zelândia e muitos países europeus têm agora o direito de comodato, desenvolvido para compensar os autores e as editoras pela perda de vendas causada pela presença dos seus livros em bibliotecas públicas. Precisamos de algo semelhante para a Internet. Uma taxa de utilizador poderia compensar e, se a taxa fosse bastante baixa, diminuiria o incentivo para a utilização de cópias piratas. Juntem a taxa com a execução da lei contra o mega abuso dos sites e o problema pode ser solúvel. Caso contrário, as pessoas mais criativas terão de ganhar a vida com outra actividade em simultâneo e todos seremos perdedores.
Tradução de Deolinda Esteves/Project Syndicate
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
MGF
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a) Privá-lo de importante órgão ou membro, ou a desfigurá-lo grave e permanentemente;
b) Tirar-lhe ou afectar-lhe, de maneira grave, a capacidade de trabalho, as capacidades intelectuais, de procriação ou de fruição sexual, ou a possibilidade de utilizar o corpo, os sentidos ou a linguagem;
c) Provocar-lhe doença particularmente dolorosa ou permanente, ou anomalia psíquica grave ou incurável; ou
d) Provocar-lhe perigo para a vida;
é punido com pena de prisão de dois a dez anos.
a) Com pena de prisão até quatro anos no caso do artigo 143.º;
b) Com pena de prisão de três a doze anos no caso do artigo 144.º
2 - São susceptíveis de revelar a especial censurabilidade ou perversidade do agente, entre outras, as circunstâncias previstas no n.º 2 do artigo 132.º
c) Praticar o facto contra pessoa particularmente indefesa, em razão de idade, deficiência, doença ou gravidez;
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