domingo, 16 de outubro de 2011

TESTES - O que pedem certos verbos?



As que facilmente se confundem, geram maior confusão e erro são o resumir e a síntese - no doc verificam-se que são actividades distintas.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A formalização simbólica de argumentos. EXEMPLOS

Nota: por problemas de software a conjunção tem o símbolo &.

Actividade: Formalizar argumentos - associa a cada um a formalização correspondente abaixo apresentada.

Ponto de Partida: 1ª tarefa: identificar a CONCLUSÃO do argumento. Esta tarefa é a mais enganadora: pensamos ser fácil e muitas vezes não é.

a) Se souber lógica, então saberei avaliar o argumento. Sei lógica. Daí que saiba avaliar o argumento.

b) Se souber lógica, constato a validade deste argumento. Mas não constato a validade deste argumento. Logo, não sei lógica.

c) Se for à praia e tomar banho, leio um livro. Sucede que não leio um livro, portanto não vou à praia e tomo banho.


d) Está a chover, uma vez que se não chovesse as pessoas não estavam molhadas e as pessoas estão molhadas.


e) A Ana não está contente, pois quando tira positiva num teste fica contente e sempre que fica contente canta. Acontece que a Ana não canta.
((~P → ~Q) & R) → P
((P → Q) & P) → Q
((P → Q) & ~P) → ~Q
((P & Q) → R) & ~R) → ~ (P & Q)
(((P → Q) & (Q → R)) & ~R) → ~Q

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Problema da semana - lógica

1.
Demonstre que o provérbio português
«depressa e bem não há quem»
é logicamente distinto de
«não há quem (faça) depressa e não há quem (faça) bem».

2.
2.1. Formalize o seguinte argumento:
«Se liberdade é fazer tudo o que apetece, então é legítimo uma vontade escravizar outra. Não é legítimo uma vontade escravizar outra. então, liberdade não é fazer tudo o que nos apetece.

2.2 Mostre que o argumento é uma tautologia (a proposição composta é VERDADEIRA em todas as CIRCUNSTÂNCIAS)

Lógica Proposicional

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Ciência e a tarefa de aproximação à verdade por falsificação


^
Partículas mais rápidas que a luz desmentem Einstein
É uma descoberta que a confirmar-se abrirá novas perspetivas cientificas. físicos franceses anunciaram ter medido partículas elementares da matéria a uma velocidade superior à da luz.

A descoberta contraria a teoria da relatividade de Einstein
Os neutrinos, partículas elementares da matéria, foram medidos a uma velocidade que ultrapassa ligeiramente a velocidade da luz, considerada até agora como um "limite intransponível", anunciaram hoje físicos de um centro de investigação francês.

Caso seja confirmado por outras experiências, este "resultado surpreendente" e "totalmente inesperado" face às teorias formuladas por Albert Einstein poderá abrir "perspetivas teóricas completamente novas", sublinha o Centro Nacional de Investigação Científica (CNRS, na sigla em francês), em França.

As medições efetuadas pelos especialistas com experiência internacional desta investigação, a que se chamou Opera, concluíram que um feixe de neutrinos percorreu os 730 quilómetros que separam as instalações do Centro Europeu de Investigação Nuclear (CERN), em Genebra, do laboratório subterrâneo de Gran Sasso, no centro de Itália, a 300,006 quilómetros por segundo, ou seja, uma velocidade superior em seis quilómetros por segundo à velocidade da luz.

Corrida de 730 quilómetros

"Por outras palavras, para uma corrida de 730 quilómetros, os neutrinos cruzaram a linha de chegada com 20 metros de avanço" sobre a luz, caso esta tivesse percorrido a mesma distância terrestre, exemplifica o CNRS.

"Longos meses de investigação e de verificações não nos permitiram identificar um efeito instrumental que explique o resultados das nossas medições", reconheceu o porta-voz da investigação Opera, Antonio Freditato, que se mostrou "ansioso" por comparar estes resultados com outras experiências.

"Tendo em conta o enorme impacto que tal resultado poderá ter na Física, são necessárias medições independentes para que o efeito observado possa ser refutado ou então formalmente estabelecido", sublinha o CNRS.

"É por isso que os investigadores do projeto Opera desejam abrir este resultado a um exame mais amplo por parte da comunidade de físicos", acrescenta.

Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/particulas-mais-rapidas-que-a-luz-desmentem-einstein=f675845#ixzz1Ymhmy0sU

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Problema da semana - lógica

1 - Pode uma argumento dedutivo válido ter premissas falsas? Porquê?

2 - Pode um argumento dedutivo válido ter conclusão falsa e premissas verdadeiras?

3 - Pode um argumento não dedutivo válido ter uma conclusão provavelmente verdadeira?

4 - A validade é o valor lógico do argumento? Porquê?

5 - A verdade é o valor lógico da proposição? Porquê?

sábado, 17 de setembro de 2011

Direitos dos animais?


Direitos dos animais?
por ANSELMO BORGES
Sobre esta questão complexa, existem três posições filosófico-jurídicas fundamentais. No Ocidente, predomina a concepção chamada kantiana, que só reconhece direitos às pessoas. Nas últimas décadas, o movimento animalista vem defendendo a tese de que há animais não humanos que são pessoas. A terceira proposta é a de um modelo de sociedade na qual se reconhece a dignidade dos humanos, mas tem em atenção o valor dos animais.
1 Na concepção predominante, só a pessoa humana é sujeito de direitos. A dignidade da pessoa humana é o fundamento dos direitos humanos. Mas significa isso que os animais devam ser remetidos para o domínio das coisas? O constitucionalista J. Gomes Canotilho pergunta justamente, numa obra colectiva sobre os desafios para a Igreja de Bento XVI, se precisamente um desses desafios não é desenvolver uma ecologia em que "as diferenças entre 'algo e alguém' não remetam para o domínio das coisas a problemática humana dos outros seres vivos da Terra".
2 Num texto famoso de 1789, Jeremy Bentham inquiria: Qual é a característica que confere o direito a uma consideração igualitária? E respondia, perguntando: "Será a faculdade da razão ou, talvez, do discurso? Mas um cavalo adulto é, para lá de toda a comparação, um animal muito mais racional assim como mais sociável do que um recém-nascido de um dia, uma semana ou até um mês. Mas suponhamos que não era assim; de que serviria? A questão não é: pode raciocinar?, pode falar?, mas: pode sofrer?"
O chamado utilitarismo moral coloca o centro precisamente na capacidade de sofrer e de sentir prazer. Para Peter Singer, defensor célebre desta concepção, os seres sensíveis têm interesses, concretamente o interesse do maior prazer possível e da menor dor possível, seguindo-se daí que, ao contrário da concepção anterior, temos deveres directos para com todos os seres capazes de sentir. A desigualdade de tratamento deriva do chamado especiesismo - julgo que se deve dizer assim e não especismo -, que consiste na preferência que damos aos humanos sem qualquer outra razão que não a pertença a uma espécie, no caso, a espécie humana.
Singer, professor da Universidade de Princeton, escreve textualmente, em Ética Prática: "Devemos rejeitar a doutrina que coloca a vida dos membros da nossa espécie acima da vida dos membros de outras espécies. Alguns membros de outras espécies são pessoas; alguns membros da nossa não o são. De modo que matar um chimpanzé, por exemplo, é pior que matar um ser humano que, devido a uma deficiência mental congénita, não é capaz nem pode vir a ser uma pessoa."
3 A filósofa Adela Cortina, numa obra importante - Las fronteras de la persona -, atravessa toda esta problemática, para defender a sua tese, com a qual me identifico. A vida é valiosa por si mesma, mas ainda mais a dos seres sensíveis, que têm a capacidade de sofrer e ter prazer. Os animais têm um valor intrínseco e não meramente instrumental, havendo, por isso, uma obrigação directa de lhes não causar dano.
Mas há seres que não só têm valor intrínseco "mas também absoluto". Os direitos humanos são naturais, isto é, a sociedade política não os concede, mas simplesmente os reconhece, pois são anteriores ao pacto político. Os outros animais não têm o sentido da dignidade e da humilhação. Os humanos "são capazes de reconhecer se a sua própria vida é digna ou indigna, a partir do reconhecimento que outros fazem dela e a partir da sua própria autoconsciência". Para os outros animais basta uma vida materialmente satisfeita; mas a ideia de uma vida digna é diferente: "brota do reconhecimento de estar a ser tratado segundo a norma da espécie, que é, em última análise, a da liberdade."
E os membros da nossa espécie que não podem de facto exercer essas capacidades, como os deficientes mentais profundos? "Isso não os torna membros de outras espécies, mas pessoas que é preciso ajudar para poderem viver ao máximo essas capacidades, o que só conseguirão numa comunidade humana que cuide deles e os promova na medida do possível."

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Lógica Formal

O que é a lógica?
- A lógica é uma disciplina que estuda as condições segundo as quais podemos afirmar ou negar a validade de um raciocínio (argumento).
- A lógica interessa-se pelas regras do pensamento.

- No domínio da lógica não interessa a verdade ou a falsidade.
A verdade diz respeito ao acordo do pensamento com a realidade: quando afirmamos algo sobre o real, o que afirmamos pode ser verdadeiro ou falso. Exemplo: «esta frase está escrita a preto». É verdade. Se dissermos: «esta frase está escrita a amarelo», é falso.
- Essas frases que proferimos sobre a realidade são frases declarativas (não são interrogativas, apelativas, imperativas, exclamativas ou interrogativas), declaram algo sobre algo e, por isso, podem ser verdadeiras ou falsas. As frases declarativas chamam-se juízos ou proposições.

Articulando Proposições podemos formar raciocínios. Um raciocínio acontece quando se infere (extrai uma conclusão) uma nova ideia de ideias antes dadas, ou seja, se extrai uma nova proposição a partir de proposições já conhecidas.

Há dois grandes tipos/grupos de raciocínios: o DEDUTIVO e o NÃO DEDUTIVO.
O que diferencia os dois?
No 1.º a conclusão que se extrair não poder deixar de ser aquela que se extraiu. A conclusão é necessária (imposição da razão) tendo em conta as frases de partida. Assim, de frases verdadeiras só se pode concluir uma frase verdadeira: a verdade da conclusão é uma consequência da verdade das frases de partida.
Exemplo:
Todos os homens são mortais (premissa 1)
Os alunos do 11º são homens (premissa 2)
Logo, os alunos do 11º são mortais (conclusão).

No 2.º a conclusão que se extrai pode ser mais ou menos forte em função das frases conhecidas, mas não é uma necessidade lógica que assim seja: é só mais ou menos provável, mais ou menos razoável, mais ou menos aceitável.
Exemplo: os três gatos Nó, Só e Pó comeram carapau e ficaram doentes. Logo, todos os gatos que comem carapau ficam doentes (ou o carapau põe os gatos doentes). Parece claro que a conclusão é muito pouco provável. o argumento é fraco: a conclusão não tem proposições fortes onde se sustentar.

Agora um exemplo com um argumento Não dedutivo forte:
Os três gatos Nó, Só e Pó têm 3 anos e durante os últimos mil dias comeram carapau. O Nó, que era muito inteligente, pensou: «se todos este dias fui alimentado com carapau, o jantar de hoje também será carapau» (fez uma INDUÇãO - um tipo de raciocínio não dedutivo). A sua conclusão tem todo o sentido, pois as premissas de onde parte são fortes. MAS não é uma necessidade lógica. PODE (possibilidade) acontecer o dono ter-lhe dado o que ficou da sardinha do seu jantar...

Pergunta: qual o termo que se opõe a necessidade lógica?

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Um planeta com dois sóis


(...) dois pores-do-sol seguidos deixaram de ser uma fantasia do planeta Tatooine, casa de Luke Skywalker, acontece mesmo em Kepler 16, um sistema com duas estrelas e um planeta que giram a cerca de 200 anos-luz de distância da Terra.



http://publico.pt/Ci%C3%AAncias/um-planeta-com-dois-sois-ja-nao-e-ficcao-cientifica_1512093

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Exame de Filosofia em França - BAC secção SE

Le candidat traitera, au choix, l’un des trois sujets suivants :
1 er Sujet - La liberté est-elle menacée par l’égalité ?
2ème Sujet - L’art est-il moins nécessaire que la science ?

3ème Sujet
Expliquez le texte suivant :
Si c’est l’intérêt et un vil calcul qui me rendent généreux, si je ne suis jamais
serviable que pour obtenir en échange un service, je ne ferai pas de bien à celui qui
part pour des pays situés sous d’autres cieux, éloignés du mien, qui s’absente pour
toujours ; je ne donnerai pas à celui dont la santé est compromise au point qu’il ne lui
reste aucun espoir de guérison ; je ne donnerai pas, si moi-même je sens décliner
mes forces, car je n’ai plus le temps de rentrer dans mes avances. Et pourtant (ceci
pour te prouver que la bienfaisance est une pratique désirable en soi) l’étranger qui
tout à l’heure s’en est venu atterrir dans notre port et qui doit tout de suite repartir
reçoit notre assistance ; à l’inconnu qui a fait naufrage nous donnons, pour qu’il soit
rapatrié, un navire tout équipé. Il part, connaissant à peine l’auteur de son salut ;
comme il ne doit jamais plus revenir à portée de nos regards il transfère sa dette aux
dieux mêmes et il leur demande dans sa prière de reconnaître à sa place notre
bienfait ; en attendant nous trouvons du charme au sentiment d’avoir fait un peu de
bien dont nous ne recueillerons pas le fruit. Et lorsque nous sommes arrivés au
terme de la vie, que nous réglons nos dispositions testamentaires, n’est-il pas vrai
que nous répartissons des bienfaits dont il ne nous reviendra aucun profit ? Combien
d’heures l’on y passe ! Que de temps on discute, seul avec soi-même, pour savoir
combien donner et à qui ! Qu’importe, en vérité, de savoir à qui l’on veut donner
puisqu’il ne nous en reviendra rien en aucun cas ? Pourtant, jamais nous ne donnons
plus méticuleusement ; jamais nos choix ne sont soumis à un contrôle plus rigoureux
qu’à l’heure où, l’intérêt n’existant plus, seule l’idée du bien se dresse devant notre
regard.
SENEQUE, Les bienfaits
La connaissance de la doctrine de l'auteur n'est pas requise. Il faut et il suffit que
l'explication rende compte, par la compréhension précise du texte, du problème dont
il est question.

O valor da arte


Sónia Costa 10ºB

Existem no mundo milhares de obras de arte que valem milhões de euros, galerias que as protegem como se fossem tesouros preciosos e salas de concertos enormes que não deixam nem um lugar vago. Actualmente em muitos países modernos se tem investido na arte, na sua divulgação e na educação artística dos seus cidadãos. Um artista, nos tempos actuais, ganha prestígio, mérito e muitos lucros com o seu trabalho. Talento é a palavra-chave para o sucesso e para uma recompensa valiosa. Mas, então o que tem a arte de especial para que as pessoas lhe atribuam tanto valor? E onde está esse valor na obra? Será que a obra de arte tem valor por si mesma, como defende a teoria objectivista, ou tem valor porque tem uma função na sociedade? Para que a obra de arte tenha valor em si mesma seria necessário negar o subjectivismo e afirmar o objectivismo, assim como o seu valor perante todas as pessoas. No entanto nem todas as pessoas estão dispostas a pagar o mesmo preço por um bilhete para um concerto ou para ser proprietário de uma obra. Nem todas as pessoas afirmam de igual modo o valor de uma mesma obra de arte: o que eu pagaria por uma pintura poderia ser para uns considerado como um exagero mas para outros uma ninharia. O valor que reside na obra não é igual para todos e deste modo o seu valor dependerá do sujeito e não de si mesma. Kant defendia que a arte só seria considerada arte na medida em que o seu valor não fosse visto como um meio para alcançar um fim. No entanto todo o que possuímos é com tendência à utilidade, compramos um quadro e colocamo-lo na parede com o objectivo de decorar a nossa casa ou criar um espaço mais familiar e confortável. Hume também defendia o subjectivismo como Kant, no entanto acreditava que a obra de arte tinha valor, tinha utilidade pois causava prazer. Segundo o que dizia, era a sensação de agrado que as obras de arte provocavam em nós que as tornava valiosas e despertava o nosso interesse por elas. Na realidade o interesse causa sensações de querermos adquirir o objecto e desejar que ele nos pertença. No entanto, como oposição à sua teoria, um chocolate causa sensação de agrado mas não é considerado uma obra de arte nem é visto como algo valioso e importante nas nossas vidas. Além disso, existem obras de arte que aparentemente não proporcionam qualquer prazer, uma obra que mostre por exemplo o horror e o sofrimento causado pela guerra não é de modo algum agradável aos nossos olhos.
A obra de arte é assim valiosa por ser interessante aos nossos olhos mas não por causar prazer. O escritor russo Leão Tolstoi defende que o valor da arte se encontra na função moral que ela desempenha, ou seja, nega que a obra de arte tenha valor em si mesma ou que seja valiosa por provocar prazer. Na sua opinião a obra exprime as emoções do artista que contagiam as pessoas. No entanto existem inúmeras obras sem funções morais, por exemplo a arte abstracta é dificilmente compreendida para afirmarmos que transporta sentimentos que causem uma determinada acção moral. Então a arte pode ter valor por si mesma, pelo prazer que causa, pelas emoções que provoca ou pela sua função moral que desempenha, no entanto o maior factor que pode ser considerado para o seu valor é o conhecimento que provoca. Chama-se cognitivismo estético à teoria que defende esta posição. Se esta teoria fosse admitida por todos seria uma grande vantagem para os artistas de todo o mundo. Desde muito cedo que o homem procura o conhecimento e não tem medo de financiar a sua procura, os governos gastam enormes quantias na ciência para permitir o desenvolvimento do conhecimento. No entanto não é possível provar empiricamente que a arte produz conhecimento mas podemos admitir a hipótese que o conhecimento que provoca, apesar de ser diferente do das ciências, não deixa de ser conhecimento. Apreciar obras de arte é uma maneira de entender melhor tudo o que nos rodeia inclusive nós próprios. Se a obra de arte transporta a realidade tanto como a imaginação, a verdade como a mentira, o amor como o ódio, a sua compreensão permitiria o conhecimento da vida, da multiplicidade dos sentimentos, emoções, paixões, ideias, etc. Além disso a arte provoca sensações visuais, auditivas, tácteis que fazem parte da nossa actividade mental que conduzem ao olhar, ouvir e sentir. Aliás é assim que começamos a aprender quando somos novos: pintávamos com as mãos para sentir a tinta e a tela, cantávamos para decorar a tabuada, dançávamos ao som das nossas músicas preferidas como se as sentíssemos dentro de nós e olhávamos para a televisão para ver todos aqueles desenhos animados cheios de cor que nos atraiam para longas tardes sentados no sofá a vê-los. Sabíamos os nomes das cores porque as víamos pintadas no desenho, tocávamos um instrumento porque aprendíamos com o tacto e com o som a fazê-lo. A ciência faz parte da nossa infância mas a arte é quem mais impulsiona aos primeiros conhecimentos de uma longa vida. E é por isso que actualmente olhamos para uma obra de arte e a conseguimos compreender ou pelo menos tirar uma opinião sobre ela, o belo e o feio estão connosco desde muito novos e vão sendo desenvolvidos. Os pormenores não passam despercebidos e a nossa mente analisa a arte como forma de conhecimento. A arte pode assim contribuir para alargar o nosso entendimento, pois explora e enriquece muitos aspectos da experiência humana. A arte nunca pode rivalizar com a ciência, são conhecimentos diferentes que se completam, enriquecendo o nosso conhecimento cada uma à sua maneira. A melhor destas hipóteses apresentadas para o valor dado à arte é, para mim, o conhecimento. A arte proporciona emoções e cria novas sensações que nos fazem aprender com elas, é desenvolvido a imaginação, a criatividade, a compreensão do mundo e de nós próprios. A arte deve ser entendida como uma forma de desenvolvimento que permite sensações que não podem de maneira alguma serem proporcionadas pela ciência. A vida contém mais do que apenas a lógica e o raciocínio, a vida merece ser vivida, sentida, ouvida e tocada e é a arte que proporciona isso. A música completa-nos, as cores alegram-nos e as imagens tornam-se únicas aos nossos olhos. O conhecimento permitido pela arte proporciona uma melhor compreensão da vida e deve ser valorizado por isso.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

É a Arte uma forma de comunicação?

José Brazielas, 10.º B

É a Arte uma forma de comunicação?
A Arte é um meio de comunicação por excelência. “A Arte pode ser compreendida como uma linguagem ampliada e generalizada” (F. Heinemann).
O artista que cria uma determinada obra de arte tem sempre algo a dizer, a afirmar, algo que pretende partilhar com a pessoa que aprecia o seu trabalho. Numa primeira abordagem, encontramos na comunicação pela arte um conjunto de elementos semelhantes aos da comunicação linguística que fazemos diariamente seja com os nossos colegas, família, amigos, entre outros. Um emissor, neste caso o artista, que pretende transmitir uma mensagem (mediante a obra) a um receptor (espectador/observador). Para tal, torna-se necessário a existência de um “código” que permite que a mensagem seja entendida por ambos (emissor/receptor). Este código permite uma troca de ideias e impressões entre os intervenientes e sem ele a mensagem não poderia ser compreendida na totalidade. Por exemplo, todos nós (portugueses) falamos a mesma língua de forma a podermos comunicar de uma forma a que nos percebamos uns aos outros. No caso da arte é mesmo assim, mas este “código” não é dado, é transmitido ao receptor por meio de características, imagens, objectos, cores, texturas, formas, entre outros que lhe desencadeiem determinado tipo de emoções que o levem a pensar, agir de uma forma diferente daquela que possuía no passado. Claro que as diversas interpretações da obra dependem em grande parte do meio cultural, tradições e valores que o sujeito possui. Por isso muitos artistas, não atribuem um título à sua obra para não influenciar e condicionar de maneira nenhuma a interpretação que o sujeito pode fazer. Assim cada olhar pode fazer a sua própria apreciação e interpretação sem qualquer tipo de condicionantes.
A Arte, nas suas múltiplas manifestações, não é uma linguagem discursiva (permite dizer o que não se diz por palavras), não se preocupa em obedecer rigidamente às regras lógicas do pensamento, mas pode assumir diferentes sentidos, e portanto está sujeita a múltiplas interpretações. Como forma de comunicação, a obra de arte interpela o espectador e influencia-o na maneira como concebe a realidade e actuará perante ela. É neste sentido que a arte é uma linguagem ampliada e generalizada. Esta pode influenciar o sujeito de diversas formas desde de transmitir diversos sentimentos, valores, emoções, modos de pensar e também de ver e sentir o mundo. A obra de arte é o pano de fundo onde o artista retrata os seus sentimentos, o seu mundo, as suas interpretações da realidade, a sua herança cultural, valores, tradições dando-se assim, o artista, a conhecer a outras pessoas.
Todas as pessoas têm necessidade de se exprimir de certa forma, de mostrar os seus sentimentos, mas acima de tudo esperam que esses sentimentos sejam transmitidos e provoquem um efeito nos outros. O graffiti é uma forma de expressão adoptada por muitos jovens que revela um carácter espontâneo, pouco profissional, ainda que muitas vezes seja feito de uma forma um pouco marginal.
Actualmente, nas nossas sociedades, a dimensão comunicativa da arte surge com diversos contornos. Surge-nos principalmente em diversas formas:
- A arte como meio de expressão e transmissão de sensações do artista que pretendem provocar uma reacção no espectador;
- A arte como forma de transmissão de ideias e crítica à sociedade;
¬ - Entre outros.
A arte pode assumir o papel de crítica à sociedade. Aquando da dissertação de uma obra que nos foi pedida pelo professor de filosofia, pude verificar que muitos quadros, incluindo o meu, eram grandes críticas à sociedade daqueles tempos. O meu quadro retratava uma mulher da alta sociedade que fumava descontraidamente no seu cadeirão. Este quadro foi pintado no século XX, numa altura em que a mulher começou a assumir o seu papel na sociedade e tinha como função ser um incentivo e alertar as outras mulheres para que reivindicassem os seus direitos e se afirmassem na sociedade daquele tempo. Através deste exemplo podemos verificar o papel fundamental que a obra de arte tem relativamente na transmissão de ideias e crítica à sociedade, mas acima de tudo no papel de despoletar sentimentos de revolta, de mudança e que levem o espectador a agir de variadas formas para que possam haver melhorias a vários níveis. Muitas obras de arte serviram como maneira de protesto e de crítica à sociedade em que o artista vivia e só mais tarde puderam ser reconhecidas a nível universal já que naquela altura a sua exposição poderia albergar o risco da obra ser destruída. É este carácter histórico-cultural que leva uma obra a ser reconhecida por todos.
A arte pode também ser um meio de expressão e transmissão de sentimentos e sensações do artista. O quadro “O Grito” de Edvard Munch representa um bom exemplo deste assunto. Nesta obra o autor transmite sentimentos de desespero, aflição, ansiedade e medo, que dependem da interpretação de cada um. Por essa razão, “O Grito” é um dos muitos quadros reconhecidos a nível universal pela razão de produzir um misto de sentimentos nas pessoas e de possuir uma pluralidade de sentidos graças aos diferentes gostos, cultura, leituras, interpretações dos espectadores convertendo-se assim numa obra aberta.
À pergunta: é a Arte uma forma de comunicação? Podemos responder “Sim”. A arte transmiti-nos sentimentos que nunca experimentámos, mostra-nos novas ideias que antes nunca tínhamos pensado e também apresenta-nos novas maneiras de pensar que nos levam a agir de forma diferente. Mas acima de tudo, todo o tipo de arte é extremamente actual, pela maneira como comunica connosco e ao mesmo tempo apreciando uma obra de arte, projectamos nela as nossas vivências, valores, modos de pensar, sentir e de agir e a nossa maneira particular de compreender o mundo. As únicas condições são uma mente aberta e um espírito crítico que nos possibilita argumentar porque nos agradou ou não tal obra e discutir com outros sujeitos o seu conteúdo e a interpretação que cada um fez quando contemplou aquele conjunto de cores, formas, texturas, traços que estão interligados de tal forma que desencadeiam todo o tipo de sensações nos espectadores de forma a que todos nós possamos evoluir em todos os sentidos.

Obras de ARTE em análise

10.º C - Ana Marques e Dámaris Maia

terça-feira, 7 de junho de 2011

Arte e Design


Série 7 ™, projetado em 1955 - Arne Jacobsen

O design faz aliar valores estéticos ao pragmatismo industrial e à utilidade dos objectos.
Pergunta-se: o design poderá ser uma arte?
- Se produzir emoção estética, sim.
- Se se considerar a inutilidade uma característica essencial da arte, não.
Design de objectos inúteis não será contraditório? isso não seria escultura? Ou arte decorativa?

Aceitam-se OBJECÇÕES e CRÍTICAS a este texto.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Olimpíadas Internacionais de Filosofia


Um aluno português conquistou uma medalha de prata na 19.ª Olimpíada Internacional da Filosofia, em Viena, onde concorreu por iniciativa própria, contando apenas com o apoio de um professor, já que a prova não se realiza em Portugal.

José Gusmão Rodrigues é aluno do 12.º ano mas frequenta já algumas cadeiras de Filosofia na Faculdade de Letras (Rui Gaudêncio)

José Gusmão Rodrigues é aluno do 12.º ano na Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho, em Lisboa, mas frequenta já algumas cadeiras de Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa por ter revelado, desde os 13 anos, uma aptidão “excepcional” para a filosofia, contou hoje à agência Lusa o professor Domingos Diogo Correia, que o acompanhou a Viena.

http://www.publico.pt/Educa%C3%A7%C3%A3o/aluno-portugues-ganha-medalha-de-prata-nas-olimpiadas-internacionais-de-filosofia_1496869#Comentarios

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Hume - sentimento, gosto e padrão de gosto

David Hume

O sentimento está sempre certo –porque o sentimento não tem outro referente senão ele mesmo e é sempre real, quando alguém tem consciência dele. Mas nem todas as determinações do entendimento são certas, porque têm como referente algumas coisas para além delas mesmas, a saber, os factos reais e nem sempre são conformes a esse padrão. Entre mil e uma opiniões que pessoas diferentes podem ter a respeito do mesmo assunto, há uma e apenas uma que é justa e verdadeira e a única dificuldade é encontrá-la e confirmá-la. Pelo contrário, os mil e um sentimentos despertados pelo mesmo objecto são todos certos, porque nenhum sentimento representa o que realmente está no objecto. Ele limita-se a observar uma certa conformidade ou relação entre o objecto e os órgãos ou faculdades do espírito e, se essa conformidade realmente não existisse, o sentimento jamais poderia ter ocorrido. A beleza não é uma qualidade das próprias coisas, existe apenas no espírito que a contempla e cada espírito percebe uma beleza diferente. É possível até uma pessoa encontrar deformidade onde uma outra vê apenas beleza e qualquer indivíduo deve concordar com o seu próprio sentimento, sem ter a pretensão de regular o dos outros.
(...)
Embora as pessoas com gosto refinado sejam raras, facilmente as distinguimos em sociedade pela solidez do seu entendimento e pela superioridade das suas faculdades relativamente ao resto da humanidade. O ascendente que adquirem faz prevalecer a viva aprovação com que acolhem quaisquer obras de génio e torna-a geralmente predominante. Entregues a si próprios, muitos homens têm apenas uma vaga e duvidosa percepção da beleza, mas ainda assim são capazes de se deleitar com qualquer obra de qualidade que se lhes aponte. Todo aquele que se converte à admiração do verdadeiro poeta ou orador é a causa de uma nova conversão. E embora os preconceitos possam prevalecer durante algum tempo, nunca se unem para rivalizar com o verdadeiro génio – acabam por ceder perante a força da natureza e o justo sentimento. Assim, embora uma nação civilizada possa enganar-se facilmente ao escolher o seu filósofo de eleição, nunca erra prolongadamente na sua afeição por um autor épico ou trágico favorito.
Mas apesar dos nossos esforços em fixar um padrão do gosto e em reconciliar as discordantes impressões das pessoas, restam ainda duas fontes de diversidade, as quais não são suficientes para eliminar todas as fronteiras entre beleza e deformidade, embora sirvam frequentemente para produzir diferenças no grau de aprovação ou censura. Uma reside nas diferenças de humor de cada pessoa; a outra nos costumes e opiniões próprios da nossa época e do nosso país.
David Hume, Do Padrão do Gosto

sábado, 21 de maio de 2011

O que é um Paradigma?

“Introduzida em epistemologia no início dos anos 60, a noção de paradigma, estreitamente ligada a outras noções tais como ciência normal, ciência extraordinária e revolução, constitui uma das peças-chave da explicação Kuhniana do desenvolvimento científico.
É necessário distinguir pelo menos dois sentidos, ou funções, do termo. (…) À primeira vista, a noção é sociológica, mas sob um dos seus aspectos, que se poderia classificar de metodológico, ela é rica de implicações filosóficas. É esta última dimensão que Kuhn procura hoje isolar.
Em sentido sociológico, o conceito de paradigma procura dar conta do conjunto dos procedimentos, dos valores, das crenças e dos sucessos exemplares que dão coerência a uma comunidade científica. Trata-se, num primeiro momento, de dar conta de duas das características essenciais de uma tal comunidade: a relativa plenitude da comunicação que existente os seus membros e a relativa unanimidade dos seus juízos. (…)
A particularidade da investigação científica resulta de ser regulada pela adesão dos participantes a um ou a um conjunto de paradigmas. Com efeito, um paradigma é o “mito fundador” de uma dada comunidade científica. Consiste geralmente num sucesso científico exemplar, como os Principia de Newton ou a Teoria da combustão de Lavoisier. Após tais descobertas, não se interroga mais a natureza como se fazia até então. (…)
Um paradigma inaugura uma tradição de investigação e uma comunidade científica define-se pela adesão dos seus membros a essa tradição.
Kuhn propõe hoje substituir o termo “paradigma” entendido neste sentido sociológico e geral pelo de “matriz disciplinar”. Uma matriz disciplinar, segundo Kuhn, compreende quatro tipos diferentes de elementos.
Primeiramente, as generalizações simbólicas. (…) As generalizações guiam e ao mesmo tempo permitem a articulação de técnicas lógicas e matemáticas ao puzzle da ciência normal.
O segundo tipo de elementos são os modelos. Este termo é empregue num sentido muito largo. Kuhn propõe reunir sob esta rubrica as crenças metafísicas partilhadas pelos membros da comunidade científica assim como os modelos heurísticos propriamente ditos.
O terceiro tipo de elementos são os valores. Eles são geralmente partilhados pelos membros de várias comunidades científicas e são mais universais do que as generalizações simbólicas e os modelos.
O quarto e último tipo de elementos, e eis-nos regressados ao ponto de partida, são os sucessos exemplares ou os exemplos partilhados. É este aspecto das “matrizes disciplinares” que tinha incitado Kuhn a falar de paradigma. Os sucessos exemplares servem de modelos para a resolução dos puzzles da ciência normal. Neste sentido eles são exemplares para a solução de uma certa classe de problemas, ao mesmo título que os paradigmas de uma conjugação.”
F. Brémondy, “Paradigme”, in Encyclopédie Philosophique Universelle, Notions, Vol.2, Paris, 1990, p. 1845

domingo, 15 de maio de 2011

Prémio Camões - Manuel António Pina

Coisas que não há que há

Uma coisa que me põe triste
é que não exista o que não existe.
(Se é que não existe, e isto é que existe!)
Há tantas coisas bonitas que não há:
coisas que não há, gente que não há,
bichos que já houve e já não há,
livros por ler, coisas por ver,
feitos desfeitos, outros feitos por fazer,
pessoas tão boas ainda por nascer
e outras que morreram há tanto tempo!
Tantas lembranças de que não me lembro,
sítios que não sei, invenções que não invento,
gente de vidro e de vento, países por achar,
paisagens, plantas, jardins de ar,
tudo o que eu nem posso imaginar
porque se o imaginasse já existia
embora num sítio onde só eu ia...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

o que fundamenta o juízo estético?

O juízo estético é subjectivo ou objectivo?
O juízo estético expressa qualidades objectivas (presentes no objecto a que se refere) ou expressa qualidades subjectivas de quem aprecia o objecto?

3 Posições defensoras do subjectivismo
1) O subjectivismo sensualista - posição psicologista que afirma ser a sensação de agrado ou desagrado e o sentimento que a obra produz no sujeito que o leva a afirmar o seu valor. o Valor depende da afectação psíquica do sujeito.

2) A posição Kantiana – subjectivismo transcendental - o sujeito é afectado pelo objecto e é em função disso que ele emite um juízo – p. ex. a obra é bela – contudo não se reduz a uma inclinação pessoal. Há uma aspiração à universalidade, considerando que os outros sujeitos devem ou podem experimentar igual categoria estética. a categoria estética é uma construção doo sujeito – não existe em si ou no objecto, mas é uma construção humana e como tal partilhada ou partilhável.

3) O padrão do gosto – o pensamento de David Hume
- A sensibilidade e o sentimento – base do juízo estético – é do domínio subjectivo – não tem referente exterior (ao contrário do juízo de conhecimento) e a sua realidade resulta da consciência que um sujeito tem dele. Assim, os valores estéticos, como a beleza, não são qualidades das coisas, mas do sujeito que contempla as coisas. Procurar a beleza real é tão infrutífero como procurar o doce ou o amargo.
Mas se num 1.º momento parece haver um critéro mais fácil de encontrar na ciência do que no gosto, explorando um pouco mais, dirá Hume, verificamos que a verdade científica muda, enquanto as grandes obras artísticas são reconhecidas como tais intemporalmente. Ora isto é um indicador da universalidade do gosto. “os princípios gerais do gosto são uniformes na natureza humana”. A discordância deve-se à pouca sensibilidade, à falta de prática ou ao preconceito.
A sensibilidade é educável, mas a pessoa pouco sensível reconhece a grandeza de uma grande obra.
Há, assim, um padrão de gosto Universal afectado individualmente pelo humor de cada pessoa e pelos costumes e opiniões marcadas pela época e sociedade.

sábado, 7 de maio de 2011

Obras de Arte - II


Discóbolo

Arte como Imitação

Obras de arte


Posídon

Arte como Imitação

Diferentes concepções do belo

Categorização:
- Psicologistas - é belo o que afecta o sujeito ao nível do agrado. O agradável e a satisfação criam o belo;

- culturalistas - é belo o que o padrão de gosto - socialmente construído - estabelece como belo;

- naturalistas - é belo o que na natureza ou na obra de arte tem determinadas características formais e materiais - e que podem ser conhecidas.

- ontologistas - o belo tem uma existência em si, para lá dos objectos e estes são belos enquanto participam do belo (platonismo.

Uma visão psicologista da natureza do belo

Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então por que digo eu das coisas: são belas?


Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O falsificacionismo

Popper como filósofo da ciência afirmou a impossibilidade de mostrar a verdade de uma proposição universal como são as científicas.
Assim, cabe ao cientista procurar refutar as hipóteses, sendo as mais resistentes (tb. mais abrangentes e simples) aquelas que a comunidade científica corrobora.

Em consequência nenhuma teoria se assume como verdade, mas só como verosímil e busca do erro e a sua superação é o mecanismo do desenvolvimento e da evolução científica.

O Falsificacionismo assume-se como 1) critério de demarcação entre o que é e o que não é ciência; 2) metodolgia científica.

domingo, 1 de maio de 2011

A experiência estética - 1

A experiência estética será o resultado de um contacto, como em qualquer experiência humana, com um qualquer elemento de uma realidade, onde o sujeito é afectado emocionalmente?
Mas quando se perde o comboio por segundos sentimos variadas emoções relacionadas com a frustação: raiva, tristeza, desespero,... perder o comboio é uma experiência estética?
Kant diz-nos que tem de existir o desinteresse pessoal na própria experiência.
Experiência estética é prazer desinteressado, onde o sujeito não procura nada para si, onde a experiência se esgota em si - não serve nenhum fim exterior ou ulterior.

O prazer que se obtém a comer um gelado é um prazer interessado. este prazer não se traduz numa experiência estética.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Quebra-cabeças

Dentro de um cofre existem dois anéis: podem ser ambos de ouro, ambos de prata ou um ouro e outro de prata.
O senhor Verdade e o senhor Falsidade tiram, à vez, um anel do cofre.
Ambos dizem tirar um anel de prata.

De que cor são os anéis?

terça-feira, 12 de abril de 2011

o que é a Justiça?

1. Definindo justiça como o acto de tratar de igual forma todos, qual a forma mais justa de actuar:

A) tratando o diferente como igual?
ou
B) tratando o diferente como diferente?

2. Cria um contra-exemplo para a tua posição.
3. Em qual das duas hipótese é mais difícil contra-exemplificar?
4. Porquê?

domingo, 10 de abril de 2011

Monstrinho 4



Convento de Cristo - Tomar

A teoria da Justiça de John Rawls - 3

Jonh Rawls - A possibilidade de construir uma sociedade justa

Ana Tavares e Ana Moura - 10.º B

Jonh Rawl (1921-2002) foi o mais conhecido filósofo moral e político norte-americano sendo este o responsável pelo revigoramento da filosofia política contemporânea debatendo-se na sua obra “A Teoria da Justiça” sobre a democracia liberal moderna, alinhando nesta os grandes pensadores sociais do século XX incluindo Jonh Lock, Rousseau e Kant.
O que é uma sociedade justa?
Segundo Rawls, uma sociedade justa será apenas justa na medida em que confirme a inviolabilidade dos direitos do indivíduo enquanto pessoa e proporcione, através da cooperação de todos, o máximo de vantagens mútuas possíveis, sendo estes direitos garantidos pela justiça e não sendo negociáveis politicamente ou alterados devido a cálculos de interesses sociais.
Para demonstrar a sua teoria, Rawls propõe a todo o ser racional um cenário hipotético meramente fictício, sem uma localização espacial ou temporal concreta de uma sociedade justa, a chamada “Posição original”. Através desta, os homens colocam-se em igualdade de pensamento e de decisão ao “desconhecerem” as suas características empíricas e interesses pessoais. Tal condição é apenas alcançada quando estes se encontram cobertos pelo “véu da ignorância” que personifica o desconhecimento hipotético das suas características particulares e, consequentemente, de escolher em função de interesses pessoais. Este desconhecimento é decisivo para poder haver imparcialidade, garantindo que ninguém é beneficiado ou prejudicado na escolha de determinados princípios de escolha natural ou pela contingência das circunstâncias sociais. Dadas as circunstâncias da posição original, os sujeitos vistos como entidades morais, são capazes de um sentido da justiça, numa posição equitativa acordando desse modo, os princípios gerais que irão reger uma sociedade justa.
Assim, quando nos mantemos ignorantes relativamente a qualquer característica natural ou social, todo o sujeito é levado a escolher princípios que favoreçam sempre aqueles que possam vir, no caso de uma sociedade, ocupar a pior situação social, maximizando desse modo os benefícios e minimizando os prejuízos.
Segundo a teoria de Rawls, todo o indivíduo inteligente começaria por acordar um princípio que assegurasse e protegesse os direitos fundamentais dos indivíduos, apostando desse modo na igualdade. Segundo a formulação do filósofo, esse princípio denominado de Princípio da igual liberdade, diz-nos que:
“Cada pessoa deve ter direito igual ao mais extenso sistema de liberdades básicas que seja compatível com um sistema de liberdades idêntico para as outras”
Em segundo lugar, acordariam um princípio que garantisse vantagens para todos e para cada um, seja qual for a posição que este ocupe na sociedade. Segundo Rawls, esse mesmo princípio chamado Princípio da diferença, diz-nos que:
“As desigualdades sociais e económicas devem ser distribuídas de forma a que, simultaneamente: a) proporcionem a maior expectativa de benefício aos menos favorecidos e b) estejam ligadas a funções e a posições abertas a todos em função de igualdade equitativa de oportunidades.
Como podemos verificar, este segundo princípio subdivide-se em duas condições, podendo desse modo ser interpretado de duas formas distintas: Em primeiro lugar assume que todos os indivíduos são diferentes possuindo por isso, características naturais que os colocam em desigualdade. Em segundo lugar assume que todos devemos ter a oportunidade de aceder a funções/cargos sociais, em pé de igualdade, sugerindo desse modo uma discriminação positiva pois estabelece que em primeiro lugar deve ser assegurada igualdade de oportunidades mas, por outro lado, sublinha que serão apenas admissíveis desigualdades e diferenças intelectuais, sociais e económicas quando estas correspondem a uma melhoria da situação dos menos afortunados.
Rawls formulou ainda outro princípio referente à igualdade de oportunidades presentes numa sociedade chamado Princípio da oportunidade justa, que nos diz que as desigualdades económicas e sociais devem estar ligadas a postos e posições acessíveis a todos em condições de justa igualdade de oportunidades.
Contudo a aplicação prática destes princípios apresenta alguns obstáculos, como por exemplo a justa e igualitária distribuição de riquezas. Seria impraticável contar o número de pessoas que existem na Terra e dividir a totalidade do dinheiro existente de igual forma por todas. Outros detalhes que Rawls não tem em consideração é o facto de, no caso de os rendimentos serem iguais para qualquer sujeito, não haver incentivo ao empenho e desenvolvimento de tarefas porque, no final do dia, todos receberiam o mesmo.
É igualmente importante apontar o facto que ambos os princípios estão estabelecidos numa ordem específica de acordo com a sua prioridade. Isto significa que o princípio da igual liberdade não pode, sob quaisquer condições ou circunstâncias, ser posto em causa pois estabelece um conjunto básico de direitos civis e políticos reconhecidos nas democracias liberais para todos os indivíduos como o direito à vida, à liberdade de pensamento, expressão e consciência. Existe igualmente prioridade do principio da diferença em relação ao princípio da oportunidade justa.
No entanto, Rawls evidencia na sua teoria que para se criar uma sociedade justa, não pode apenas haver justiça distributiva, é necessário também haver uma distribuição justa de bens e honras, ignorando as características sociais, culturais e étnicas de cada um, entrando por isso no domínio social.
Em vez de princípios, Rawls utiliza agora três tipos diferentes de direitos classificados como de 1ª, 2ª ou 3ª geração consoante a sua posição hierárquica, estando os direitos de 1ª geração no topo.
Os direitos de primeira geração dizem respeito ao reconhecimento das liberdades individuais, como a liberdade de consciência, liberdade económica, liberdade religiosa e igualdade perante a lei. Entra neste direito o importantíssimo papel do estado em assegurar as liberdades individuais de cada um (Estado de direito). Este direito relaciona-se com o Princípio da igual liberdade no sentido em que as liberdades de cada um são invioláveis e ultrapassáveis. Por exemplo, determinadas famílias desfavorecidas não conseguem fornecer aos seus filhos uma alimentação diária porque não conseguem suportar tal despesa. É através de instituições criadas pelo Estado como o Banco Alimentar, que este fornece apoio a essas famílias assegurando desse as necessidades básicas dessa família, como o direito à alimentação.

Os direitos de 2ª geração relacionam-se com o reconhecimento dos direitos económicos, sociais e culturais, como o direito à saúde, à educação, à segurança social, a um salário justo e a uma vida decente. Podemos encontrar ligações entre este direito e o Princípio da diferença pois ambos assumem a presença de desigualdades numa sociedade mas, ao darem mais aos mais desfavorecidos e menos aos menos desfavorecidos, aplicam uma discriminação positiva ao darem mais a determinados grupos e menos a outros para ser possível a criação de uma sociedade igualitária. Serve de exemplo a reserva de determinados nº de vagas em universidade de determinados países para incentivar alunos de minorias étnicas a integrarem-se na sociedade. O papel do estado nesta situação passa por assumir uma posição de defesa e protecção dos indivíduos (Estado de providência/Estado de direito social).
Os direitos de 3ª geração passam pela fase de reconhecimento de novos direitos sociais e culturais, da internacionalização dos direitos fundamentais e da solidariedade entre povos. Este tipo de direito foi criado pelas Nações Unidas após as atrocidades cometidas pelo nazismo e outros regimes autoritários através da apresentação da Declaração Universal dos Direitos do Homem. Contudo, esta geração de direitos implica o reconhecimento, por parte de cada indivíduo de uma responsabilidade alargada para com todos os outros, incluindo aqui as gerações futuras.
De modo a sustentar a sua sociedade justa, Rawls apresenta os impostos como um meio de o alcançar, ao cobrar mais aqueles que mais rendimento tem e menos aqueles que menos o têm. Supondo que numa sociedade hipotética existem dois grupos, o grupo+, que obtêm 1000 euros de rendimento, e o grupo-, que obtêm 500 euros de rendimentos. Segundo Rawls, a imposição de impostos a cada um dos grupos deve adequar-se aos rendimentos por eles obtidos, logo, numa sociedade justa, o grupo+ iria ser cobrado com mais impostos, por exemplo 50% dos rendimentos obtidos, e o grupo- iria ser cobrado com menos impostos, por exemplo 25% dos rendimentos obtidos. O Estado iria posteriormente utilizar esses impostos cobrados a cada grupo para prestar apoio ao grupo- por este obter um menor rendimento do que o grupo +, através de subsídios ou criando instituições que por sua vez iriam prestar auxílio aos mais desfavorecidos.
Conclusão:
A sociedade hipotética criada na teoria de Rawls, seria indiscutivelmente justa para aqueles que mais necessidades têm mas, por outro lado, não se encontra obstante de algumas críticas ao discriminar positivamente determinados grupos por ser anti-igualitária, pois considera-se que o meio para atingir a igualdade é injusto e, por isso, não deve ser praticado; e porque pode conduzir ao ressentimento pois para a criação de uma sociedade justa igualitária, é necessário determinados grupos serem prejudicados para que outros possam equilibrar-se com esses grupos mas, por serem constituídos por homens, estes desenvolvem determinados sentimentos de ressentimento. Por exemplo a questão da paridade no parlamento português que obriga à inclusão de um terço de mulheres em listas candidatas às eleições. Determinados homens podem ficar ressentidos com este tipo de discriminação positiva, porque afirmam que tal cargo não foi alcançado através de mérito próprio e que as mulheres escolhidas para exercer determinadas posições podem mesmo ser menos qualificadas do que homens que se candidataram mas, devido a esta lei, acabaram por não ganhar o cargo. Este é apenas uma dos exemplos dos problemas que esta teoria pode levantar no meio dos benéficos que esta presta aos mais desfavorecidos.

Bibliografia:
. Borges José Ferreira e outros, Contextos, Filosofia, 10ºano, 2008, Porto Editora.
. http://criticanarede.com/html/rawls.html
. Apontamentos do caderno diário

sábado, 9 de abril de 2011

A teoria da Justiça de John Rawls - 2

João e Catarina - 10.º B

Quem foi John Rawls?
John Rawls - (1921-2002) Filósofo moral e político americano considerado o principal filósofo político do séc. XX. As ideias de Rawls inserem-se na tradição do contrato social de Locke, Rousseau e Kant. Nasceu em Baltimore, 21 de Fevereiro de 1921 e morreu em Lexington, 24 de Novembro de 2002. Foi um professor de Filosofia Política na Universidade de Harvard, autor de “Uma Teoria da Justiça”, “Liberalismo Político”, e “O Direito dos Povos”.

O que é uma Sociedade Justa?
Para John Rawls uma sociedade só será justa na medida em que confirme a inviolabilidade dos direitos do indivíduo enquanto pessoa e proporcione, através de cooperação de todos, o máximo de vantagens mútuas, ou seja, sem que haja sacrifício.
Que condições são necessárias para que os Homens construam uma Sociedade Justa?
É necessário um contracto original, isto é, um recurso meramente fictício, um cenário hipotético sem uma localização espacial e temporal concreta. A Posição Original é então uma posição altamente racional em que o Homem desconhece toda a sua situação e não atende às suas características pessoais e circunstanciais. Neste cenário é proposto um exercício mental a todo o ser racional interessado em descobrir princípios justos de convivência.

Para chegar a um acordo quanto às regras, leis e modo de funcionamento das instituições de uma sociedade justa, é necessário que todas as partes contratadas se encontrem em condições de o poderem fazer com sucesso. Rawls admite que, na situação de escolha, os indivíduos demonstrariam a sua diversidade de interesses e ideologias e, provavelmente, concepções distintas sobre o que são o bem e a justiça. A sua posição não é simétrica, mas desigual. É por isso que é necessário definir as condições em que a eleição dos princípios gerais que irão reger a sociedade hipoteticamente justa seja garantida. Essas condições são dadas na posição original, isto é, posição altamente racional, porque o homem desconhece toda a sua situação e não atende às suas características pessoais e sociais.
O contrato entre os indivíduos implica que a escolha dos princípios de justiça seja feita com total imparcialidade. Para que isto aconteça, é necessário que, na posição original, todos se encontrem hipoteticamente cobertos por um véu de ignorância que os impossibilite de ver as suas características particulares e, consequentemente, de escolher em função dos seus interesses pessoais.
Ignorante relativamente à sua situação particular, cada indivíduo colocaria a hipótese de poder vir a ocupar a pior posição na sociedade. Nesta situação e com toda a probabilidade, qual quer um de nós seria racionalmente levado a empenhar-se na escolha de princípios que favorecessem sempre aqueles que pudessem vir a ocupar a pior situação.

Princípios de uma Sociedade Justa?
Numa Sociedade Justa existem três princípios base:
• Princípio da Igualdade: Cada pessoa deve ter um direito igual ao mais abrangente sistema de liberdades básicas iguais que seja compatível com um sistema semelhante de liberdades para as outras;
• Princípio da Diferença: As desigualdades sociais e económicas devem ordenadas de tal modo que sejam ao mesmo tempo consideradas de vantajosas para todos dentro dos limites do razoável, e vinculadas a posições e cargos acessíveis a todos.
• Princípio da oportunidade justa: As desigualdades económicas e sociais devem estar ligadas a postos e posições acessíveis a todos em condições de justa igualdade de oportunidades.

1.º Princípio da igual liberdade
2.º princípio da diferença com as condições:
A) traga vantagens para os mais desfavorcidos;
B) igualdade EQUITATIVA de oportunidade

São estes os princípios reguladores de toda a actividade institucional que visam distribuir os direitos e deveres.
O primeiro princípio define as liberdades enquanto que o segundo princípio regula a aplicação do primeiro, corrigindo as desigualdades. Se formos mais à raiz dos respectivos princípios descobrimos que o primeiro propõe-se a fixar as liberdades básicas de todos os pactuantes, liberdade política, de expressão, de reunião, de consciência, de pensamento.
O segundo, por sua vez, exige uma interpretação de acordo com a igualdade democrática.
Assim, se o primeiro princípio impõe a todos o mesmo tipo de benefício social, o segundo garante que tal benefício se efective de modo real e concreto.

Eles distribuem-se desta forma porque, o princípio da liberdade igual tem prioridade sobre os outros dois e o princípio da oportunidade justa tem prioridade sobre o princípio da diferença. Atingido um nível de bem-estar acima da luta pela sobrevivência, a liberdade tem prioridade absoluta sobre o bem-estar económico ou a igualdade de oportunidades, o que faz de Rawls um liberal. Ou seja, “primeiro – cada pessoa deve ter igual ao mais extenso sistema de liberdades básicas que seja compatível com o sistema de liberdades idêntico para as outras; segundo (só existe se o 1ºexistir) – as desigualdades sociais e económicas devem se distribuídas de forma a que, simultaneamente: a) proporcionem a maior expectativa de benefício aos menos favorecidos e b) estejam ligadas a funções e a posições abertas e todos em posição de igualdade equitativa de oportunidades”.

A Sociedade justa é só uma questão de Justiça Distributiva?
Em cada um dos princípios mantém-se a ideia de distribuição justa. A desigualdade de liberdade, oportunidade ou rendimento será permitida se beneficiar os menos favorecidos. Ou seja, o menos é o mais, isto é, mais beneficio para o desfavorecido.

A Sociedade Justa pode ser relacionada com direitos de 1.ª e 2.ª geração?
1.ª Geração: Fase de reconhecimento das liberdades individuais, podemos relacionar este direito com o 1º princípio, o da liberdade, porque é com este direito que conseguimos ter as várias liberdades necessárias como: liberdade de expressão, circulação entre muitas mais liberdades que temos diariamente.

2.ª Geração: Fase de reconhecimento dos direitos económicos, sociais e culturais, este, pode relacionar com o 2º princípio, os da diferença e o da oportunidade justa, porque é neste direito que temos o direito à saúde, à educação, à segurança, a um salário justo e a uma vida decente. Nos princípios mostra que todos temos os mesmos direitos e de igual forma e as mesmas oportunidades.

- PAIVA, Marta TAVARES, Orlando BORGES José Ferreira. Contextos 10ºano, 2007, Porto Editora;
- Pensar é Preciso. Filosofia 10º Ano;
- 1/4/2011
- 1/4/2011
- 1/4/2011
- 1/4/2011

A teoria da Justiça de John Rawls

Maria Inês e Telma - 10.º C


John Rawls (1921-2002) é um filósofo moral e político norte-americano conhecido pela sua obra ‘Uma Teoria de Justiça’.
Nesta obra, Rawls propõe uma nova concepção universalista de justiça, sendo esta deontológica.
Rawls considera uma sociedade justa e com valor quando esta não viola os direitos de liberdade e igualdade de todos os cidadãos proporcionando-lhes o máximo de vantagens possíveis através da cooperação de todos.
Com esta definição de sociedade justa, o filósofo parece apoiar a Ética Utilitarista, mas na verdade é a favor da ética Kantiana. Isto, porque não permite que os sacrifícios impostos a uns sejam compensados pela maior felicidade geral, ou seja, pelas vantagens usufruídas por um maior número.
Para assegurar a liberdade e a inviolabilidade dos direitos do indivíduo enquanto pessoa e uma justa distribuição de bens, John defende a necessidade de a sociedade se organizar através de um contrato original que estabelece os princípios consensuais para a criação de uma sociedade mais justa, ainda que este contrato seja meramente hipotético.
Este contrato, para alcançar uma total imparcialidade, exige que todos os participantes se encontrem numa posição original, cobertos por um véu de ignorância, relativamente às suas condições, isto é, os indivíduos contratantes serão ignorantes quanto às suas próprias características para que todos estejam numa situação equitativa.
Rawls considera que todos os seres racionais empenhar-se-ão mais nos princípios que favorecem a classe social mais baixa, isto é, nos princípios que minimizam o descontentamento da pior situação social.
Por isso, surgiram dois princípios fundamentais para garantir a Justiça numa determinada sociedade:
• Primeiro princípio - Princípio da liberdade igual: Cada pessoa
deve ter um igual direito a um sistema plenamente adequado de liberdades básicas (liberdade de expressão, liberdade de pensamento, de propriedade entre outras) e de direitos fundamentais iguais para todos. As liberdades individuais deverão ser tão extensas quanto possível e compatíveis com a liberdade de outros indivíduos.
• Segundo princípio - Princípio da Diferença: As desigualdades
sociais e económicas devem ser distribuídas de forma a que, simultaneamente:
a) Proporcionem maior benefício aos mais desfavorecidos;
b) Correspondam a funções sociais, a cargos e a posições abertas a todos em posição de igualdade equitativa de oportunidades;
Reconhecendo as diferenças de mérito entre os indivíduos, todas as vantagens que a estes forem atribuídas devem, necessariamente, contribuir para uma melhoria das condições sociais dos que se encontrarem em posição menos favorável, diminuindo as desigualdades.
O princípio de igual liberdade tem prioridade em relação ao da diferença. A liberdade da pessoa nunca deve ser violada a favor da utilidade social ou económica.
A condição b) – condição da igualdade equitativa de oportunidades - tem prioridade sobre a condição a) - condição da diferença.
Segundo Rawls, é necessário que todos tenham a mesma oportunidade de aceder a cargos e funções sociais, e posteriormente, serão admissíveis desigualdades, só quando estas corresponderem a uma melhoria da situação dos mais desfavorecidos.
Isto significa que haverá vantagens para os mais favorecidos e situados numa melhor classe social, quando e apenas, essas vantagens produzirem benefícios para os mais desafortunados, situados na pior classe social - Discriminação positiva. Por exemplo, se os médicos ganharem mais do que a maioria das pessoas para lhes permitir o acesso à tecnologia e investigação, os tratamentos para algumas doenças serão mais eficazes e, estarão, assim, disponíveis para os menos favorecidos.
Sendo assim, John Rawls baseia-se numa justiça distributiva havendo equilíbrio na distribuição de honras e bens.
Os direitos são um conjunto de regras institucionalizadas que delimitam o legítimo do não legítimo. Existem várias gerações de direitos, entre elas: 1ªgeração e 2ªgeração.
Os direitos de 1ªgeração abordam a liberdade individual e correspondem aos direitos civis e políticos que têm como principal objectivo proteger a pessoa de abusos de poder praticados pelo Estado, tendo este, a obrigação de assegurar as liberdades básicas (expressão, propriedade, vida e segurança) para todos os cidadãos.
Os direitos de 2ª geração correspondem aos direitos económicos, sociais e culturais tais como: direito à saúde, à educação, a um salário justo, à segurança social, entre outros. O estado passa a assumir uma posição de defesa e protecção dos indivíduos. As acções do Estado devem estar motivadas e orientadas para atender a justiça social.

Rawls apresenta dois argumentos a favor do princípio da diferença.
• Argumento intuitivo da igualdade de oportunidades - Segundo Rawls,
como as pessoas são moralmente iguais, é injusto que o destino de cada um dependa e seja determinado por desigualdades sociais ou por desigualdades naturais.
Ninguém deve ser beneficiado, de forma exclusiva, por causa dos seus talentos naturais, mas são permitidos tais benefícios se eles trouxerem vantagens para aqueles que não possuem nenhum talento natural. O destino de cada pessoa deve ser determinado pelas suas escolhas e não pelas suas circunstâncias.
• Argumento do contrato social hipotético - Rawls afirma que a situação
hipotética da posição original é uma situação equitativa.
Os bens primários são bens que a vida boa exige. Há dois tipos de bens primários, os sociais e os naturais. Os bens primários sociais são directamente distribuídos pelas instituições sociais e incluem o rendimento e a riqueza, as oportunidades e os poderes, e os direitos e as liberdades. Os bens primários naturais são influenciados, mas não directamente distribuídos, pelas instituições sociais e incluem a saúde, a inteligência, o vigor, a imaginação e os talentos naturais.
Sob o véu de ignorância, todos querem princípios de justiça que lhes permitam ter o melhor acesso possível aos bens sociais primários. E, como não sabem que posições têm na sociedade, o que promove o bem de uma pessoa é o que promove o bem de todos e garante-se a imparcialidade.

Rendimento A Rendimento B Rendimento C
Sociedade 1 10000 1000 100
Sociedade 2 2000 1500 50
Sociedade 3 1000 800 300

Rawls defende que a sociedade mais justa será a sociedade 3 visto que procura maximizar o mínimo. A soma total dos rendimentos A, B e C na sociedade 1 é 11100 e na sociedade 3 a soma total é apenas 2100. Concluímos então, que a sociedade 3 é menos rica do que a sociedade 1, mas é mais igualitária. Devemos escolher aquela em que as pessoas menos favorecidas ficam melhor em termos de distribuição de bens primários, ou seja, em que o rendimento mínimo é maior. É verdade que os outros dois padrões de distribuição têm uma utilidade média mais alta. Todavia, como não sabemos qual será a nossa posição mais provável na sociedade, a escolha da sociedade 3 é a mais racional. O princípio da diferença refere que a sociedade deve promover a distribuição igual da riqueza, excepto as desigualdades económicas e sociais que beneficiam os menos favorecidos. E nenhuma das desigualdades das sociedades 1 e 2 traz benefícios para os menos favorecidos.
Gerações de Direitos Fundamentais http://pt.shvoong.com/law-and-politics/constitutional-law/764175-gera%C3%A7%C3%B5es-direitos-fundamentais/#ixzz1IUCBIbSz

http://afilosofia.no.sapo.pt/10PoliticaRawls.htm
http://aartedepensar.com/
http://criticanarede.com/html/rawls.html
http://criticanarede.com/pol_justica.html
http://pt.shvoong.com/law-and-politics/constitutional-law/764175-gera%C3%A7%C3%B5es-direitos-fundamentais/
http://www.infopedia.pt/$john-rawls
http://pt.scribd.com/doc/7992301/John-Rawls-o-Filosofo-Da-Justica
hthttp://en.wikipedia.org/wiki/John_Rawlstp://pt.wikipedia.org/wiki/Equidade

segunda-feira, 28 de março de 2011

Locke - Origem e Legitimidade do Estado

com base num esquema da Inês e Inês - 10.º C

A ORIGEM DO ESTADO E A SUA LEGITIMIDADE NO USO DO PODER
SEGUNDO JOHN LOCKE

1. ESTADO DE NATUREZA
Os homens são livres e iguais.
É um estado não organizado politicamente e, por isso, regulado pela lei natural.
Os homens têm direito á vida, á liberdade e á propriedade.
Estado de paz, de boa vontade, de assistência mútua e de conservação.
Determina que todos se orientem pelo princípio da conservação do género humano e cada um se oriente pelo princípio da conservação pessoal.

2. Porque razão o homem sentiu necessidade de se organizar politicamente num estado?
a) Dentro da igualdade foi surgindo a desigualdade:
- Os homens distinguiam-se pelo trabalho e pela acumulação de riqueza.
b) Isto levou a Conflitos e insegurança
c) Então, os homens organizaram-se

3. Sociedade Civil
a) Contrato Social É um acordo pressuposto entre indivíduos que livremente e de mútuo consentimento, prescindem de certas liberdades em troca da protecção do estado.
O poder é cedido ao estado.

4. ESTADO assume as seguintes obrigações
- Proteger os direitos individuais
- Defender a paz, a segurança e o bem comum
- Assegurar o respeito pela lei natural
- Fazer as leis necessárias, cumprindo-as e fazendo-as cumprir para o bem comum
- Reinar e fazer reinar a justiça
- Assegurar a ordem e punir os infractores

5. Na aplicação do poder o Estado pode ser
Legítimo - Quando cumpre as obrigações estabelecidas no contrato social: garantir os direitos naturais.
Ilegítimo - Quando não cumpre as obrigações ou tira proveito delas (abuso do poder). O estado deve ser destituído

A origem do estado - Locke



Laura e Maria Inês - 10.º C

domingo, 20 de março de 2011

Aristóteles - Política

Excerto da História da Filosofia de Nicola Abbagnano

(...) Segundo Aristóteles, a virtude não é realizável fora da vida social. A origem da vida social está em que o indivíduo não se basta a si próprio: não só no sentido de que não pode por si só prover às suas necessidades, mas também no sentido de que não pode por si, isto é, fora da disciplina imposta pelas leis e pela educação, alcançar a virtude. Por consequência, o estado é uma comunidade que não tem em vista apenas a existência humana, mas a existência materialmente e espiritualmente feliz; e é este motivo pelo qual nenhuma comunidade política não pode ser constituída por escravos ou por animais, os quais não podem participar da felicidade ou de uma vida livremente escolhida (Pol., 111, 9, 1280 a). E a este propósito Aristóteles sustenta que há indivíduos escravos por natureza enquanto incapazes das virtudes mais elevadas e que a distinção entre escravo e livre é tão natural como a que existe entre macho e fêmea e jovem e velho (lb., L, 13, 1p60 a).

Entre os que, como Platão, se limitam a delinear um tipo de estado ideal dificilmente realizável e aqueles que, por outro lado, vão em busca de um esquema prático de constituição e o descobrem em qualquer das constituições já existentes, o problema fundamental é o de encontrar a constituição mais adaptada a todas as cidades: "É necessário ter em mente um governo não só perfeito, mas também realizável e que possa adaptar-se facilmente a todos os povos" (Pal., IV, 1, 1288 b). É necessário portanto propor uma constituição que tenha a sua base nas existentes e vise realizar nela correcções e mudanças que a aproximem da perfeita. Por isso a Política de Aristóteles culmina na teoria da melhor constituição exposta nos dois últimos livros; mas a esta teoria chega ele mediante a consideração crítica das várias constituições existentes e dos problemas a que dão origem. Viu-se que Aristóteles recolheu umas 158 constituições estatais, das quais, no entanto, só uma, a de Atenas, foi encontrada. Evidentemente, deve -ter-se servido deste material para as observações que veio fazendo sobretudo nos livros IV, V, VI, da sua obra, que aparecem compostos mais tarde.

Como Platão, Aristóteles distingue três tipos fundamentais de constituições: a monarquia ou governo de um só ; a aristocracia ou governo dos melhores; a democracia ou governo da multidão. Esta última chama-se política, isto é, constituição por antonomásia, quando a multidão governa para o bem de todos. A estes três tipos correspondem outras tantas degenerações quando o governo descuida o bom comum em favor do bem próprio. Com efeito a tirania é uma monarquia que tem por fim o bem do monarca, a oligarquia tem por fim o bem dos possidentes, a democracia o bem dos pobres: nenhuma visa a utilidade comum. Na realidade, pois, cada tipo de constituição pode tomar caracteres distintos. Não existe uma só monarquia e uma só oligarquia, mas estes tipos diversificam-se segundo as instituições nas quais se realizam. Existem também distintas espécies de democracia segundo o governo se funda na igualdade absoluta dos cidadãos ou se reserve a cidadão dotados de requisitos especiais. A própria democracia transforma-se numa espécie de tirania quando em detrimento das leis prevalece o arbítrio da multidão. O melhor governo é aquele em que prevalece a classe média, isto é, o dos cidadãos possuidores de uma fortuna modesta. Este tipo de governo é o mais afastado dos excessos que se verificam quando o poder cai nas mãos dos que nada possuem ou daqueles que possuem demasiado.

Ao delinear a constituição melhor, em conformidade como o princípio de que todo o tipo de governo é bom, enquanto se adapte à natureza do homem e às condições históricas, Aristóteles não se limita a descrever um governo ideal, mas determina as condições pelas quais um tipo qualquer de governo pode alcançar a sua forma melhor. A primeira e fundamental condição é que a constituição do estado seja tal que proveja à prosperidade material e à vida virtuosa e feliz dos cidadãos. A este propósito têm-se presentes as conclusões da Ética, isto é, que a vida activa não é a única vida Possível para o homem e nem tão-pouco a mais alta e que ao lado dela e acima dela está a vida teorética. Outras condições referem-se ao número dos cidadãos que não deve ser nem demasiado elevado nem demasiado baixo, e às condições geográficas, isto é, ao território do estado. Depois é importante a consideração da índole dos cidadãos que deve ser corajosa e inteligente como a dos Gregos, que são os mais aptos a viver em liberdade e a dominar os outros povos. Também é necessário que na cidade todas as funções estejam bem distribuídas e que se formem as três classes fundamentais, segundo o projecto de Platão, do qual Aristóteles exclui, no entanto, a comunidade da propriedade e das mulheres. É necessário além disso os anciãos, que no estado mandem, pois que ninguém se resigna sem amargura às condições da obediência se esta não é devida à idade e se não sabe que alcançará, com a idade, a condição superior. Finalmente, o estado deve preocupar-se com a educação dos cidadãos que deve ser uniforme para todos e dirigida não só a adestrar para a guerra mas a preparar para a vida pacífica, para as funções necessárias e úteis e acima de tudo para as acções virtuosas.

Aristóteles - Ética

Excertos da História da Filosofia de Nicola Abbagnano - Vol. 1


O prazer está ligado à vida que segue a virtude. Com efeito, ela é a verdadeira actividade do homem; e toda a actividade é acompanhada e coroada pelo prazer (Et. Nic., X 4, 1174 b). Os bens exteriores como a riqueza, o poder ou a beleza, podem, com a sua presença, facilitar a vida virtuosa ou torná-la mais difícil com a sua ausência: mas não podem determiná-la. A virtude e a maldade só dependem dos homens. Certamente o homem não escolhe o fim, que está nele por natureza, como uma luz que o guia, a julgar rectamente e a escolher o verdadeiro bem (111, 5, 1113 b). Mas a virtude depende precisamente da escolha que se faz dos meios, com vista ao fim supremo. E esta escolha é livre porque depende exclusivamente do homem. Com efeito, Aristóteles chama livre àquele que tem em si o princípio dos seus actos ou é "princípio de si próprio" (111, 3, 1112 b, 15-16). O homem é verdadeiramente livre neste sentido: enquanto é "o princípio e o pai dos seus actos como é dos seus filhos"; e quer a virtude quer o vício são manifestações desta liberdade (111, 5, 1113 b, 10 segs.).

Dado que no homem, além da parte racional da alma, há a parte apetitiva que, ainda que carecendo de razão, pode ser dominada e dirigida pela razão, assim há duas virtudes fundamentais: a primeira consiste no próprio exercício da razão e por isso é chamada intelectiva ou racional (dianoetica); a outra consiste no domínio da razão sobre os impulsos sensíveis, determina os bons costumes (ethos-mos), e por isso se chama virtude moral (Ética).

A virtude moral consiste na "disposição (hexis, habitatus) de escolher o justo meio (mesótes, mediocritas), adequado à nossa natureza, tal como é determinado pela razão e como poderia determiná-lo o sábio". O justo meio exclui os dois extremos viciosos que pecam um por excesso, o outro por defeito. Esta capacidade de escolha é uma potência (dynamis) que se aperfeiçoa e revigora com o exercício. Os seus diferentes aspectos constituem as várias virtudes éticas. A coragem, que é o justo meio entre a cobardia e a temeridade, gira em torno do que se deve e do que se não deve temer. A temperança, que é o justo meio entre a intemperança e a insensibilidade, diz respeito ao uso moderado dos prazeres. A liberalidade, que é o justo meio entre a avareza e a prodigalidade, diz respeito ao uso prudente das riquezas. A magnanimidade, que é o justo meio entre a vaidade e a humildade, concerne a recta opinião de si próprio. A benignidade, que é o justo meio entre a irascibilidade e a indolência, concerne à ira.

A principal entre as virtudes éticas é a justiça, à qual Aristóteles dedica um livro inteiro da Etica (Nicom., V = Eudem., IV). No significado mais gemi, isto é, como conformidade com as leis, a justiça não é uma virtude particular, mas a virtude total e perfeita. Efectivamente, o homem que respeita todas as leis é o homem completamente virtuoso. Mas, além deste significado geral, a justiça tem um significado específico e é então ou distributiva ou comutativa. A justiça distributiva é aquela que preside à distribuição das honras ou do dinheiro ou dos outros bens que usam dividir-se entre aqueles que pertencem à mesma comunidade. Tais bens devem ser distribuídos segundo os méritos de cada um. Porque a justiça distributiva é semelhante a uma proporção geométrica, na qual as recompensas distribuídas a duas pessoas se relacionam entre si com os seus méritos respectivos. A justiça comutativa, ao contrário, ocupa-se dos contratos, que podem ser voluntários ou involuntários. São contratos voluntários a compra, a venda, o empréstimo, o depósito, o aluguer, etc. Dos contratos involuntários alguns são fraudulentos como o furto, o malefício, a traição, os falsos testemunhos; outros são violentos, como as pancadas, o assassínio, a rapina, a injúria etc. A justiça comutativa é correctiva: procura equilibrar as vantagens e as desvantagens entre os dois contratantes. Nos contratos involuntários, a pena infligida ao réu deve ser proporcionada com o dano por ele provocado. Esta justiça é pois semelhante a uma proporção aritmética (igualdade pura e simples).

O direito funda-se sobre a justiça. Aristóteles distingue o direito privado do direito público, que concerne à vida social dos homens no estado, e divide o direito público em direito legítimo (ou positivo), que é aquele estabelecido nos vários estados, e o direito natural que conserva o seu valor em qualquer lugar, mesmo que não esteja sancionado pelas leis. Distingue do direito a equidade, que é uma correcção da lei mediante o direito natural, necessária pelo facto de que nem sempre, na formulação das leis, é possível determinar todos os casos, pelo que a sua aplicação resultaria às vezes injusta.
(...)
Dado que a virtude como actividade própria do homem é a própria felicidade, a felicidade mais alta consistirá na virtude mais alta e a virtude mais alta é a teorética, que culmina na sabedoria.
(...)
Platão não distinguia a sabedoria da prudência: com as duas palavras entendia a mesma coisa, isto é, a conduta racional da vida humana, especialmente da vida social (Rep. 428 b; 433 e). Aristóteles distingue e contrapõe as duas coisas. A prudência tem por objecto os assuntos humanos que são mutáveis e não podem ser incluídos entre as coisas muito elevadas; a sabedoria tem por objecto o ser necessário, que se liberta de todos os acontecimentos (Et. Nic., VI, 7, 1041 b. 11). Assim a distância que existe entre prudência e sabedoria é a mesma que ocorre entre o homem e o Deus.

sábado, 19 de março de 2011

200 países, 200 anos, 4 minutos

Um economista a fazer filosofia


Amartya Sen

excerto de uma entrevista do Público
16.03.2011 - 07:28 Por Ana Rita Faria
http://economia.publico.pt/Noticia/amartya-sen-a-europa-devia-esperar-pelo-momento-certo-para-reduzir-a-divida-publica_1485029
"
O seu novo livro, A Ideia de Justiça, oferece uma nova visão alternativa às teorias da justiça dominantes que, diz, levaram o mundo no sentido errado. Porquê?

O meu novo livro é um livro de filosofia, uma maneira de pensar sobre os problemas, problemas da economia, da sociedade, da política e da democracia. O que defendo é que a melhor maneira de pensar sobre estes problemas reside no debate público e no raciocínio público. Pegando no que falámos antes sobre os planos de austeridade, acho que deveriam ser alvo de um maior debate, em vez de se deixar a discussão apenas nas mãos dos mercados financeiros e dos bancos. A discussão deve estar nas mãos do público. É preciso diálogo público e, claro, conhecimento técnico, inclusive de economistas. Muitos economistas são críticos em relação a estas realidades, não sou o único, pelo que o seu contributo seria importante nesta discussão que estamos a ter. Qualquer debate público que permita a ambos os lados falarem e ponha em consideração as suas visões é muito importante.
"

Onde se pensa a necessidade da discussão, da argumentação e da verdade ao serviço do desenvolvimento e da justiça.

terça-feira, 15 de março de 2011

A natureza do Estado


Apanha da azeitona - 520 a.C. - http://www.britishmuseum.org/

Acerca da Natureza do Estado iremos estudar as respostas de Aristóteles e de Locke.

Tarefa: criar um esquema ou mapa de conceitos que exponha uma das teorias estudadas e que ajude na sua análise e explicitação.

quarta-feira, 9 de março de 2011

monstrinho 1



Convento de Cristo - Tomar

trabalho sobre Rawls

O Objectivo deste rabalho é conhecer e ser capaz de reproduzir de forma pessoal e articulada a teoria e os conceitos centrais da teoria de J. Rawls acerca de uma sociedade justa.

Os alunos devem inventariar as condições e os raciocínios que Rawls produz de forma a fundamentar a possibilidade de uma sociedade justa.

Perguntas-guia
- o que é uma sociedade Justa?
- que condições são necessárias para que os homens construam uma sociedade justa?
- quais são os princípios de uma sociedade justa?
- como se estabelecem os princípios de uma sociedade justa?
- a sociedade justa é só uma questão de justiça distributiva?
- a sociedade justa pode ser relacionada com direitos de 1.ª e de 2.ª geração?
- como podemos compreender os impostos na teoria de Rawls?

Conceitos a ter em conta:
- justiça; igualdade; equidade; liberalismo; véu da ignorância; a priori, racional; justiça distributiva; Direitos de 1.ª geração; 2.ª geração; Justiça social; posição original; princípio da justiça

O trabalho deve atender ao rigor discursivo, à clareza e à profundidade e não à extensão. Por outras palavras, não interesse dizer muito, interessa dizer bem. Assim, o trabalho é limitado a 4 páginas – com excepção da capa; devem ser atenciosos nas citações, referências de rodapé e Bibliografia.

O trabalho irá ser avaliado na sua dimensão escrita – usando os critérios específicos da disciplina – e haverá defesa do trabalho.

ATRIBUIÇÃO DE ZERO PONTOS
- os trabalhos terão zero pontos se ocorrem uma das seguintes situações:
a) trabalho plagiado;
b) O não domínio da articulação produzida das diferentes partes do trabalho ou das diferentes ideias apresentadas.
c) O não domínio de um conceito não específico do autor utilizado no trabalho – a verificar na defesa do trabalho.

Os trabalhos devem ser entregue com páginas agrafadas, se possível numa mica, até dia 1 de Abril

quarta-feira, 2 de março de 2011

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Trabalho

John Ralws

Turma A - A resposta de John Ralws acerca da
a) possibilidade de existir uma sociedade justa;
b) condições para existir uma sociedade justa.

Turma B e Turma C - A natureza do Estado e segundo Aristóteles e segundo Locke
nesta tarefa os alunos devem ter em conta
a) a origem do estado;
b) o fundamento e a legitimidade do estado

Locke
Aristóteles

Turma H - A universalidade da justiça, a igualdade e a diferença
a)Inventariar os Direitos de 1.ª, 2.ª e 3.ª geração;
b)Inventariar os 3 tipos de justiça segundo Aristóteles;
c)Exemplificar com a lei a protecção das minorias.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Ética, Política e Direito

Questão de partida:

O que é uma Sociedade Justa?

É possível uma Sociedade Justa?

É a Sociedade Justa uma expressão política da Ética normativa?