domingo, 20 de março de 2011

Aristóteles - Política

Excerto da História da Filosofia de Nicola Abbagnano

(...) Segundo Aristóteles, a virtude não é realizável fora da vida social. A origem da vida social está em que o indivíduo não se basta a si próprio: não só no sentido de que não pode por si só prover às suas necessidades, mas também no sentido de que não pode por si, isto é, fora da disciplina imposta pelas leis e pela educação, alcançar a virtude. Por consequência, o estado é uma comunidade que não tem em vista apenas a existência humana, mas a existência materialmente e espiritualmente feliz; e é este motivo pelo qual nenhuma comunidade política não pode ser constituída por escravos ou por animais, os quais não podem participar da felicidade ou de uma vida livremente escolhida (Pol., 111, 9, 1280 a). E a este propósito Aristóteles sustenta que há indivíduos escravos por natureza enquanto incapazes das virtudes mais elevadas e que a distinção entre escravo e livre é tão natural como a que existe entre macho e fêmea e jovem e velho (lb., L, 13, 1p60 a).

Entre os que, como Platão, se limitam a delinear um tipo de estado ideal dificilmente realizável e aqueles que, por outro lado, vão em busca de um esquema prático de constituição e o descobrem em qualquer das constituições já existentes, o problema fundamental é o de encontrar a constituição mais adaptada a todas as cidades: "É necessário ter em mente um governo não só perfeito, mas também realizável e que possa adaptar-se facilmente a todos os povos" (Pal., IV, 1, 1288 b). É necessário portanto propor uma constituição que tenha a sua base nas existentes e vise realizar nela correcções e mudanças que a aproximem da perfeita. Por isso a Política de Aristóteles culmina na teoria da melhor constituição exposta nos dois últimos livros; mas a esta teoria chega ele mediante a consideração crítica das várias constituições existentes e dos problemas a que dão origem. Viu-se que Aristóteles recolheu umas 158 constituições estatais, das quais, no entanto, só uma, a de Atenas, foi encontrada. Evidentemente, deve -ter-se servido deste material para as observações que veio fazendo sobretudo nos livros IV, V, VI, da sua obra, que aparecem compostos mais tarde.

Como Platão, Aristóteles distingue três tipos fundamentais de constituições: a monarquia ou governo de um só ; a aristocracia ou governo dos melhores; a democracia ou governo da multidão. Esta última chama-se política, isto é, constituição por antonomásia, quando a multidão governa para o bem de todos. A estes três tipos correspondem outras tantas degenerações quando o governo descuida o bom comum em favor do bem próprio. Com efeito a tirania é uma monarquia que tem por fim o bem do monarca, a oligarquia tem por fim o bem dos possidentes, a democracia o bem dos pobres: nenhuma visa a utilidade comum. Na realidade, pois, cada tipo de constituição pode tomar caracteres distintos. Não existe uma só monarquia e uma só oligarquia, mas estes tipos diversificam-se segundo as instituições nas quais se realizam. Existem também distintas espécies de democracia segundo o governo se funda na igualdade absoluta dos cidadãos ou se reserve a cidadão dotados de requisitos especiais. A própria democracia transforma-se numa espécie de tirania quando em detrimento das leis prevalece o arbítrio da multidão. O melhor governo é aquele em que prevalece a classe média, isto é, o dos cidadãos possuidores de uma fortuna modesta. Este tipo de governo é o mais afastado dos excessos que se verificam quando o poder cai nas mãos dos que nada possuem ou daqueles que possuem demasiado.

Ao delinear a constituição melhor, em conformidade como o princípio de que todo o tipo de governo é bom, enquanto se adapte à natureza do homem e às condições históricas, Aristóteles não se limita a descrever um governo ideal, mas determina as condições pelas quais um tipo qualquer de governo pode alcançar a sua forma melhor. A primeira e fundamental condição é que a constituição do estado seja tal que proveja à prosperidade material e à vida virtuosa e feliz dos cidadãos. A este propósito têm-se presentes as conclusões da Ética, isto é, que a vida activa não é a única vida Possível para o homem e nem tão-pouco a mais alta e que ao lado dela e acima dela está a vida teorética. Outras condições referem-se ao número dos cidadãos que não deve ser nem demasiado elevado nem demasiado baixo, e às condições geográficas, isto é, ao território do estado. Depois é importante a consideração da índole dos cidadãos que deve ser corajosa e inteligente como a dos Gregos, que são os mais aptos a viver em liberdade e a dominar os outros povos. Também é necessário que na cidade todas as funções estejam bem distribuídas e que se formem as três classes fundamentais, segundo o projecto de Platão, do qual Aristóteles exclui, no entanto, a comunidade da propriedade e das mulheres. É necessário além disso os anciãos, que no estado mandem, pois que ninguém se resigna sem amargura às condições da obediência se esta não é devida à idade e se não sabe que alcançará, com a idade, a condição superior. Finalmente, o estado deve preocupar-se com a educação dos cidadãos que deve ser uniforme para todos e dirigida não só a adestrar para a guerra mas a preparar para a vida pacífica, para as funções necessárias e úteis e acima de tudo para as acções virtuosas.

Aristóteles - Ética

Excertos da História da Filosofia de Nicola Abbagnano - Vol. 1


O prazer está ligado à vida que segue a virtude. Com efeito, ela é a verdadeira actividade do homem; e toda a actividade é acompanhada e coroada pelo prazer (Et. Nic., X 4, 1174 b). Os bens exteriores como a riqueza, o poder ou a beleza, podem, com a sua presença, facilitar a vida virtuosa ou torná-la mais difícil com a sua ausência: mas não podem determiná-la. A virtude e a maldade só dependem dos homens. Certamente o homem não escolhe o fim, que está nele por natureza, como uma luz que o guia, a julgar rectamente e a escolher o verdadeiro bem (111, 5, 1113 b). Mas a virtude depende precisamente da escolha que se faz dos meios, com vista ao fim supremo. E esta escolha é livre porque depende exclusivamente do homem. Com efeito, Aristóteles chama livre àquele que tem em si o princípio dos seus actos ou é "princípio de si próprio" (111, 3, 1112 b, 15-16). O homem é verdadeiramente livre neste sentido: enquanto é "o princípio e o pai dos seus actos como é dos seus filhos"; e quer a virtude quer o vício são manifestações desta liberdade (111, 5, 1113 b, 10 segs.).

Dado que no homem, além da parte racional da alma, há a parte apetitiva que, ainda que carecendo de razão, pode ser dominada e dirigida pela razão, assim há duas virtudes fundamentais: a primeira consiste no próprio exercício da razão e por isso é chamada intelectiva ou racional (dianoetica); a outra consiste no domínio da razão sobre os impulsos sensíveis, determina os bons costumes (ethos-mos), e por isso se chama virtude moral (Ética).

A virtude moral consiste na "disposição (hexis, habitatus) de escolher o justo meio (mesótes, mediocritas), adequado à nossa natureza, tal como é determinado pela razão e como poderia determiná-lo o sábio". O justo meio exclui os dois extremos viciosos que pecam um por excesso, o outro por defeito. Esta capacidade de escolha é uma potência (dynamis) que se aperfeiçoa e revigora com o exercício. Os seus diferentes aspectos constituem as várias virtudes éticas. A coragem, que é o justo meio entre a cobardia e a temeridade, gira em torno do que se deve e do que se não deve temer. A temperança, que é o justo meio entre a intemperança e a insensibilidade, diz respeito ao uso moderado dos prazeres. A liberalidade, que é o justo meio entre a avareza e a prodigalidade, diz respeito ao uso prudente das riquezas. A magnanimidade, que é o justo meio entre a vaidade e a humildade, concerne a recta opinião de si próprio. A benignidade, que é o justo meio entre a irascibilidade e a indolência, concerne à ira.

A principal entre as virtudes éticas é a justiça, à qual Aristóteles dedica um livro inteiro da Etica (Nicom., V = Eudem., IV). No significado mais gemi, isto é, como conformidade com as leis, a justiça não é uma virtude particular, mas a virtude total e perfeita. Efectivamente, o homem que respeita todas as leis é o homem completamente virtuoso. Mas, além deste significado geral, a justiça tem um significado específico e é então ou distributiva ou comutativa. A justiça distributiva é aquela que preside à distribuição das honras ou do dinheiro ou dos outros bens que usam dividir-se entre aqueles que pertencem à mesma comunidade. Tais bens devem ser distribuídos segundo os méritos de cada um. Porque a justiça distributiva é semelhante a uma proporção geométrica, na qual as recompensas distribuídas a duas pessoas se relacionam entre si com os seus méritos respectivos. A justiça comutativa, ao contrário, ocupa-se dos contratos, que podem ser voluntários ou involuntários. São contratos voluntários a compra, a venda, o empréstimo, o depósito, o aluguer, etc. Dos contratos involuntários alguns são fraudulentos como o furto, o malefício, a traição, os falsos testemunhos; outros são violentos, como as pancadas, o assassínio, a rapina, a injúria etc. A justiça comutativa é correctiva: procura equilibrar as vantagens e as desvantagens entre os dois contratantes. Nos contratos involuntários, a pena infligida ao réu deve ser proporcionada com o dano por ele provocado. Esta justiça é pois semelhante a uma proporção aritmética (igualdade pura e simples).

O direito funda-se sobre a justiça. Aristóteles distingue o direito privado do direito público, que concerne à vida social dos homens no estado, e divide o direito público em direito legítimo (ou positivo), que é aquele estabelecido nos vários estados, e o direito natural que conserva o seu valor em qualquer lugar, mesmo que não esteja sancionado pelas leis. Distingue do direito a equidade, que é uma correcção da lei mediante o direito natural, necessária pelo facto de que nem sempre, na formulação das leis, é possível determinar todos os casos, pelo que a sua aplicação resultaria às vezes injusta.
(...)
Dado que a virtude como actividade própria do homem é a própria felicidade, a felicidade mais alta consistirá na virtude mais alta e a virtude mais alta é a teorética, que culmina na sabedoria.
(...)
Platão não distinguia a sabedoria da prudência: com as duas palavras entendia a mesma coisa, isto é, a conduta racional da vida humana, especialmente da vida social (Rep. 428 b; 433 e). Aristóteles distingue e contrapõe as duas coisas. A prudência tem por objecto os assuntos humanos que são mutáveis e não podem ser incluídos entre as coisas muito elevadas; a sabedoria tem por objecto o ser necessário, que se liberta de todos os acontecimentos (Et. Nic., VI, 7, 1041 b. 11). Assim a distância que existe entre prudência e sabedoria é a mesma que ocorre entre o homem e o Deus.

sábado, 19 de março de 2011

200 países, 200 anos, 4 minutos

Um economista a fazer filosofia


Amartya Sen

excerto de uma entrevista do Público
16.03.2011 - 07:28 Por Ana Rita Faria
http://economia.publico.pt/Noticia/amartya-sen-a-europa-devia-esperar-pelo-momento-certo-para-reduzir-a-divida-publica_1485029
"
O seu novo livro, A Ideia de Justiça, oferece uma nova visão alternativa às teorias da justiça dominantes que, diz, levaram o mundo no sentido errado. Porquê?

O meu novo livro é um livro de filosofia, uma maneira de pensar sobre os problemas, problemas da economia, da sociedade, da política e da democracia. O que defendo é que a melhor maneira de pensar sobre estes problemas reside no debate público e no raciocínio público. Pegando no que falámos antes sobre os planos de austeridade, acho que deveriam ser alvo de um maior debate, em vez de se deixar a discussão apenas nas mãos dos mercados financeiros e dos bancos. A discussão deve estar nas mãos do público. É preciso diálogo público e, claro, conhecimento técnico, inclusive de economistas. Muitos economistas são críticos em relação a estas realidades, não sou o único, pelo que o seu contributo seria importante nesta discussão que estamos a ter. Qualquer debate público que permita a ambos os lados falarem e ponha em consideração as suas visões é muito importante.
"

Onde se pensa a necessidade da discussão, da argumentação e da verdade ao serviço do desenvolvimento e da justiça.

terça-feira, 15 de março de 2011

A natureza do Estado


Apanha da azeitona - 520 a.C. - http://www.britishmuseum.org/

Acerca da Natureza do Estado iremos estudar as respostas de Aristóteles e de Locke.

Tarefa: criar um esquema ou mapa de conceitos que exponha uma das teorias estudadas e que ajude na sua análise e explicitação.

quarta-feira, 9 de março de 2011

monstrinho 1



Convento de Cristo - Tomar

trabalho sobre Rawls

O Objectivo deste rabalho é conhecer e ser capaz de reproduzir de forma pessoal e articulada a teoria e os conceitos centrais da teoria de J. Rawls acerca de uma sociedade justa.

Os alunos devem inventariar as condições e os raciocínios que Rawls produz de forma a fundamentar a possibilidade de uma sociedade justa.

Perguntas-guia
- o que é uma sociedade Justa?
- que condições são necessárias para que os homens construam uma sociedade justa?
- quais são os princípios de uma sociedade justa?
- como se estabelecem os princípios de uma sociedade justa?
- a sociedade justa é só uma questão de justiça distributiva?
- a sociedade justa pode ser relacionada com direitos de 1.ª e de 2.ª geração?
- como podemos compreender os impostos na teoria de Rawls?

Conceitos a ter em conta:
- justiça; igualdade; equidade; liberalismo; véu da ignorância; a priori, racional; justiça distributiva; Direitos de 1.ª geração; 2.ª geração; Justiça social; posição original; princípio da justiça

O trabalho deve atender ao rigor discursivo, à clareza e à profundidade e não à extensão. Por outras palavras, não interesse dizer muito, interessa dizer bem. Assim, o trabalho é limitado a 4 páginas – com excepção da capa; devem ser atenciosos nas citações, referências de rodapé e Bibliografia.

O trabalho irá ser avaliado na sua dimensão escrita – usando os critérios específicos da disciplina – e haverá defesa do trabalho.

ATRIBUIÇÃO DE ZERO PONTOS
- os trabalhos terão zero pontos se ocorrem uma das seguintes situações:
a) trabalho plagiado;
b) O não domínio da articulação produzida das diferentes partes do trabalho ou das diferentes ideias apresentadas.
c) O não domínio de um conceito não específico do autor utilizado no trabalho – a verificar na defesa do trabalho.

Os trabalhos devem ser entregue com páginas agrafadas, se possível numa mica, até dia 1 de Abril

quarta-feira, 2 de março de 2011

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Trabalho

John Ralws

Turma A - A resposta de John Ralws acerca da
a) possibilidade de existir uma sociedade justa;
b) condições para existir uma sociedade justa.

Turma B e Turma C - A natureza do Estado e segundo Aristóteles e segundo Locke
nesta tarefa os alunos devem ter em conta
a) a origem do estado;
b) o fundamento e a legitimidade do estado

Locke
Aristóteles

Turma H - A universalidade da justiça, a igualdade e a diferença
a)Inventariar os Direitos de 1.ª, 2.ª e 3.ª geração;
b)Inventariar os 3 tipos de justiça segundo Aristóteles;
c)Exemplificar com a lei a protecção das minorias.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Ética, Política e Direito

Questão de partida:

O que é uma Sociedade Justa?

É possível uma Sociedade Justa?

É a Sociedade Justa uma expressão política da Ética normativa?

O Utilitarismo segundo Stuart Mill

Tenho de voltar a repetir que os adversários do utilitarismo raramente fizeram a justiça de reconhecer: a felicidade que os utilitaristas adoptaram como critério de moralidade da conduta não é a felicidade pessoal do agente mas a de todos os envolvidos na acção e nas suas consequências.
Assim, entre a felicidade pessoal e a felicidade dos outros, o utilitarismo exige do indivíduo que seja tão rigoroso e imparcial como um espectador desinteressado e de boa-fé. [...]
Fazer o que desejaríamos que nos fizessem, amar e respeitar o próximo como a mesmos; é isto que constitui a perfeição ideal da moral utilitarista. [...]
Cabe à moral dizer quais são os nossos deveres ou qual é o critério que nos permite reconhecê-los; mas nenhum sistema moral exige que o único motivo de todos os nossos actos seja o sentimento do dever. Pelo contrário, noventa e nove por cento dos nossos actos realizam-se por outros motivos e, no entanto, são actos morais desde que a regra do dever não os condene.
Aquele que salva um semelhante de morrer afogado pratica uma acção moralmente boa, quer o motivo da acção seja o dever quer seja a esperança de receber um pagamento.
Aquele que trai um amigo que depositou nele a sua confiança realiza um acto moralmente incorrecto, mesmo que a sua intenção seja a de ajudar um outro amigo a quem deve mais obrigações do que ao primeiro.
J. Stuart Mill, O Utilitarismo, Gallimard, Paris

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Um problema ético




Mulher vê recusado pedido inédito para engravidar com esperma de namorado morto
21.02.2011 - 09:31 Por Catarina Gomes

Seria apenas mais um casal com problemas de infertilidade que se ia submeter a um tratamento de procriação medicamente assistida, se o companheiro não tivesse morrido num acidente antes de o processo estar concluído. Apesar da morte do parceiro, a mulher quis engravidar, mas o Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida (CNPMA) não autorizou.

A fertilização do óvulo com espermatozóides, para formar o embrião e depois tentar a gravidez, tinha dia marcado numa clínica de Lisboa, lembra o presidente do CNPMA, Eurico Reis. Só que, antes de ter lugar, o homem morreu num acidente. Mesmo assim, a mulher informou o centro de que queria que o processo avançasse. O problema é que os seus "sogros" comunicaram à clínica que se opunham à ideia, uma vez que discordavam de ter um neto de um filho morto. Foi a clínica em causa que pediu o parecer ao CNPMA para saber o que fazer.

A lei portuguesa permite a inseminação post mortem nalgumas situações e se estiverem reunidas algumas condições, explica Eurico Reis, magistrado que preside ao CNPMA. Uma delas é existir vontade expressa do pai falecido "por escrito". Mas esse documento não é necessário quando o casal é casado, porque "a vontade da pessoa que morreu é herdada pelos seus herdeiros", esposa incluída.

Mas, no caso que chegou ao CNPMA, o casal vivia em união de facto e, nestes casos, "o parceiro não é o herdeiro, a não ser que haja um testamento" - os herdeiros são os filhos, se existirem, ou os pais, nota. Não havendo vontade expressa da pessoa que faleceu quanto ao destino a dar ao seu sémen, e "quando não há filhos, pode existir oposição dos progenitores". Foi o que aconteceu.

Alterar a lei

No caso que chegou à consideração do CNPMA, o homem que morreu não deixou qualquer documento escrito - era um jovem e a sua vida foi inesperadamente interrompida num acidente. Assim, não estando reunidas as condições previstas na lei, o CNPMA deu parecer negativo à inseminação do óvulo com sémen do companheiro. À mulher apenas resta tentar a via judicial, algo que Eurico Reis não sabe se aconteceu.

O caso, inédito no país, ocorreu no ano passado e a sua discussão no conselho conduziu à proposta de uma alteração à lei que foi enviada na semana passada para o Parlamento, para tentar clarificar este tipo de situações antes de acontecerem. "Poderão acontecer outros casos" e "os casais ignoram esta situação, o que é natural, uma vez que a lei é recente [2006]."

O CNPMA propõe que fique definido o tipo de documento escrito que está em causa quando a lei define que "o projecto parental" tem que ficar "claramente estabelecido por escrito antes do falecimento do pai". Na proposta enviada ao Parlamento, diz-se que esta vontade deve vir manifestada "no documento em que é prestado o consentimento informado", obrigatório aquando da realização de tratamentos de procriação medicamente assistida.

Caso esta alteração avance, pode ser criado um novo formulário de consentimento informado só para a questão da inseminação post mortem, ou então apenas colocar mais um campo nos documentos que já existem para autorizar a realização dos tratamentos. A segunda opção "seria o mais simples para os casais e para os centros", defende Eurico Reis. "A CNPMA pretende facilitar a vida às pessoas que estão nesta situação de grande sofrimento e ansiedade", justifica.

A legislação a nível europeu é muito diversa. Por exemplo, em França, o caso de Fabienne Justel causou polémica no ano passado. A francesa dizia-se herdeira do sémen do marido e queria ser inseminada com o seu esperma congelado, pelo que recorreu aos tribunais. No Verão de 2010, o tribunal de recurso de Rennes pôs ponto final ao seu desejo, com base na lei francesa que especifica que a morte de um dos membros do casal "é obstáculo à inseminação ou transferência de embriões".
A maioria dos países europeus proíbe a prática - Portugal está, em termos legislativos, "numa situação intermédia", afirma o responsável. No outro extremo está o Reino Unido, um dos países mais permissivos a este nível.Susana ficou viúva e quis retirar o sémen do marido

Esta é a primeira vez que um caso destes chega ao Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida e o seu presidente, Eurico Reis, não tem conhecimento de qualquer caso de inseminação póstuma que se tenha concretizado.

Em 2001, uma portuguesa tinha manifestado a vontade de engravidar do marido morto, contou o PÚBLICO na altura, mas a situação era diferente. O objectivo de Susana, que estava casada há três meses quando ficou viúva, era que fosse retirado sémen ao marido morto através de punção testicular, uma prática que é proibida em Portugal e que tem que ser feita 24 a 36 horas após a morte.

Depois de consultar um advogado, Susana concluiu que o seu desejo não era concretizável por não existir ainda legislação que autorizasse a prática. Mas mesmo a lei actual continua a não permiti-lo, contemplando apenas o uso de sémen congelado no âmbito de tratamentos de fertilidade.

A extracção cirúrgica do esperma é uma prática aceite em alguns outros países do mundo, permitindo que viúvas, noivas, namoradas e até os pais procurem este processo quando um homem morre inesperadamente.

O primeiro caso reportado de extracção cirúrgica do sémen ocorreu em 1980, envolvendo o caso de um homem de 30 anos que ficou em morte cerebral depois de um acidente de carro, escreve a revista científica Human Reproduction. O primeiro nascimento por esta via foi reportado em 1999, mas desde então mais de mil pedidos são feitos por ano nos Estados Unidos, refere a ABC News.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

O Libertismo - 2

O Determinismo é uma teoria que defende que os fenómenos se regem por leis e, consequentemente conhecendo a causa, prevê-se ou conhece-se o efeito - o efeito é necessariamente o que ocorre.

Aplicado esta conceito ao problema da liberdade - livre arbítrio - temos
O determinismo radical que defende a ausência de liberdade na escolha. A escolha é o efeito (e causa de novos efeitos) de uma ou várias causas. (Exemplo: fome conduz à decisão de comer, fatalmente). Esta é uma teoria INcompatibilista.

Mas existe uma teoria que diz haver uma compatiblidade entre a liberdade e o determinismo: a TEORIA DO DETERMINISMO MODERADO - esta teoria defende que vivendo o homem com um corpo, numa sociedade, com uma determinada psique sofre os efeitos e constrangimentos dos seus elementos constituintes e das suas circunstâncias. CONTUDO, as CAUSAS variadas que sobre ele actuam (Fome) não conduzem fatalmente a uma escolha específica (o homem pode escolher comer uma banana, comer um pão ou não comer).

Existe uma outra teoria acerca deste problema, o libertismo (teoria INcompatibilista).

O libertismo advoga a possibilidade de o homem escolher independentemente das condicionantes constitutivas e circunstanciais e das causas do psico-físicas. A escolha humana não só cria novas cadeias causais, ela é independente de cadeias causais. Desta forma não é uma tese compatibilista. (escolher comer o pão sem motivação de fome).

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Ética Kantiana - 4

Ana Moura - 10º B

Existem três tipos de acção: A acção contra o dever, que se trata de uma acção imoral e ilegal pois contradiz as leis morais; a acção de acordo com o dever, que tal como a anterior não tem valor moral pois, de cumprir as leis morais ocorre por interesse ou vantagem exterior para atingir um determinado fim, logo remete para a ética teológica e, a a acção por respeito ao dever que respeita as leis morais e não se submete às consequências ou ao fim a atingir, decorre de uma exigência puramente racional e respeita totalmente a lei moral ou seja o dever, logo remete para a ética deontológica.


Segundo Kant, estas são as verdadeiras acções morais, porque o valor do mesmo reside na sua intenção que, de modo a que seja verdadeiramente pura, a acção deve constituir um fim em si mesma e não um meio para a obtenção de uma recompensa através de uma consequência posterior.


Kant defende também, que o homem é caracterizado pela razão de que todos nós somos dotados, e que está ao alcance de todas as pessoas que ajam de acordo com uma máxima que se possa realizar. A partir daí o homem assume uma vontade autónoma, criando a sua própria lei moral e, assumindo-a como um imperativo categórico que nos indica universalmente, a forma de proceder e agir sempre com o fim e nunca como meio. Por outro lado, é também caracterizado pelo corpo, que se trata da experiencia e de interesses exteriores á razão como sentimentos, desejos, regras sociais etc. Estes, através de uma vontade heterónima, ou seja de uma vontade que é afectada pelas indicações sensíveis e que têm a sua decisão / acção exterior a si, assumem um imperativo hipotético que nos impõem uma determinada acção em concreto para atingir um determinado fim desejado.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Ética Kantiana - 3

Margarida Bastos - 10ºA
Aula nº 37 – 10/02/2011
O Homem é dotado de duas grandes dimensões: a razão e o corpo. Na primeira dimensão, a razão, tudo o que produz é na busca do universal, e na prática, produz a Lei Moral – pura e à priori – antes e independentemente da experiência. O Homem age segundo uma vontade autónoma, ou seja, o Homem encontra em si a razão do seu agir. Tem livre arbítrio. Isto está ligado ao Imperativo categórico, que é um mandamento incondicionado, objectivo e universal que a razão cria e impõe a si mesmo como necessário. Há uma necessidade da Lei Moral se impor como dever. O Imperativo categórico apresenta diferentes formulações:
1ª- age unicamente de acordo com a máxima que te faça simultaneamente desejar a sua transformação em lei universal;
2ª- age de tal forma que trates a humanidade, tanto na tua pessoa como na de qualquer outro, sempre simultaneamente como um fim, e nunca só como um meio.
Estas fórmulas do imperativo categórico correspondem às exigências que a razão nos dá sempre que queremos agir correctamente.
Na outra dimensão do Homem, o corpo, este pode agir segundo interesses exteriores à razão, como normas sociais, regras, desejos, etc. Age segundo uma vontade heterónoma, ou seja, encontra a razão da acção fora de si, e está ligada ao Imperativo hipotético, que é um mandamento que ordena que se cumpra uma determinada acção para atingir um determinado fim. A acção funciona como um meio para atingir fins exteriores.
O Homem tem então, livre arbítrio para escolher entre agir segundo o Imperativo categórico ou imperativo hipotético.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Ética Kantiana - 2

Desafio:

Segundo Kant não tem valor moral uma acção que resulte da seguinte máxima: sempre que sentirmos compaixão devemos ajudarmos quem precisa.
Porquê?

Ética Kantiana - 1

Até Kant existem as chamadas éticas materiais e teleológicas:
- Materiais, porque o Bem ou o valor supremo tem um conteúdo, seja sob a forma de prazer, de felicidade, comunhão com Deus, etc., e impõe regras para se atingir esse bem.
- Teleológicas, porque o Bem é a recompensa, a finalidade a atingir por se ter determinada acção e se obedecer a determinadas regras. O dever não se impõe como um fim em si mesmo, mas o dever de realizar determinada acção visa um fim posterior.
Pelo contrário a moral Kantiana centra o bem, o valor moral, não na acção e muito menos na consequência, mas na intenção – moral formal e deontológica.

Segundo Kant a razão tem a capacidade de extrair de si uma Lei moral que rege o homem na sua acção.
A Lei Moral é uma criação da razão prática ou seja, é a razão na sua dimensão prática, de acção segundo padrões éticos, que dá a si mesmo a Lei do seu agir.
A lei moral tem as características da racionalidade: universalidade e necessidade.
A lei moral não tem um conteúdo, não aponta um bem específico como é o prazer, a felicidade, a utilidade, etc., presente noutras éticas. A lei moral é formal e apenas diz: “age de tal forma que a lei da tua acção se torne uma lei universal”.
Mas o homem não é só mente e razão, o homem tem um corpo e uma dimensão empírica, daí que surjam interesses exteriores à razão, inclinações, desejos, que ‘perturbam’ o cumprimento da lei moral.
Face a isto, o homem pode escolher obedecer, por um lado, à sua lei moral ou, por outro, às inclinações empíricas e a leis exteriores à sua razão. Ora se homem escolhe (livre arbítrio) agir pelos interesses exteriores à sua razão faz com que deixe de obedecer à sua própria razão e à sua vontade (autónoma). Neste caso a vontade deixa de se autodeterminar e passa a ser uma vontade heterónoma .
É pelo facto de o homem poder escolher um interesse exterior à sua razão, não cumprindo a Lei Moral, que esta surge como Imperativo Categórico. O Imperativo categórico é, então, uma imposição da razão a si mesmo, para que o homem escolha a sua própria lei. Ou seja, o homem manifesta uma vontade autónoma quando obedece à lei que a sua razão cria.
O Imperativo categórico traduz-se no dever que o homem sente. Mas mesmo assim, o homem pode não respeitar a sua lei e escolher as inclinações.
O Imperativo categórico opõe-se ao Imperativo hipotético. Neste caso o imperativo estabelece uma condição (ex: “se quiseres atingir o estado de ataraxia, vive moderadamente”; “se queres que tem respeitem, tens de respeitar”). A grande diferença é que o imperativo categórico impõe uma acção como tendo valor absoluto em si mesma, enquanto o imperativo hipotético impõe uma acção como condição para alcançar um fim exterior a esta mesma acção. Neste caso a acção é um meio e é relativa.
Tendo em conta o que foi dito o homem pode apresentar três tipos de acção:
a) Acção contra o dever; b) Acção conforme ao dever; c) Acção por dever.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Intervalo...



Pão com pão, de Wilfredo Prieto, na Arco em Madrid

Juízos a priori e Juízos a posteriori

Os conceitos não são por si verdadeiros ou falsos.
A verdade ou falsidade ocorre quando se enunciam frases declarativas.
As frases declarativas são proposições.
As proposições (juízos) podem ser classificadas de verdadeiras ou de falsas.
A proposição é um tipo de conhecimento humano e específico do homem.
Quando uma proposição é verdadeira pode-mo-la pensar como absoluta ou relativa, intemporal ou circunstancial, universal ou particular.
Podemos formular proposições recorrendo á experiência ou usando a razão sem recurso à experiência: no 1.º caso, é um conhecimento a priori, no 2.º caso temos um conhecimento a posteriori.
Os juízos a priori são juízos formulados independentemente da experiência. Por exemplo: o triângulo tem 3 lados. Para formularmos esta proposição não precisamos ver qualquer triângulo, basta-nos entender que o predicado é uma característica essencial ao sujeito (da proposição), extraída racionalmente. O triângulo é necessariamente assim, e não pode deixar de o ser. Este conhecimento é, assim, um conhecimento com as seguintes características:
Universal - igual no tempo e no espaço, igual para todos os seres racionais.
Absoluto - não é relativo á circunstância
Objectivo - não depende do sujeito que o formula, nem de qualquer estado psíquico do sujeito.

Tendo em conta o que foi dito e as páginas do manual, pergunta-se:
1. - O que são os juízos a posteriori?
2. - Que características apresentam os juízos a posteriori?
3. - Nos juízos a posteriori a razão tem alguma função? Qual?

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Ética Deontológica VS Ética Teleológica

Situação A)

O Juiz sabia que Alfa nada tinha feito. Mas os confrontos eram violentos e pessoas já tinham morrido. A multidão em fúria exigia a condenação de Alfa. O Juiz para evitar que mais morressem condenou Alfa. Alfa foi injustamente condenado. O Juiz sabia-o. Mas salvaram-se muitas vidas.

1. O juiz agiu segundo uma ética teleológica? Justifica
2. Enuuncia um problema que se pode colocar à decisão do juiz.

Éticas Deontológicas VS Éticas Teleológicas

Onde podemos encontrar o valor moral da acção?
- nas Éticas Deontológicas: na intenção.
- nas Éticas Teleológicas: nas consequências.

O que permite considerar o valor moral da acção?
- nas Éticas Deontológicas: a intenção cumpre o Dever
- nas Éticas Teleológicas: a consequência produz felicidade (um efeito considerado Bom)

domingo, 23 de janeiro de 2011

MGF e diálogo entre culturas

José Brazielas 10ºB Nº17
José Lopes 10ºB Nº18

MGF
Porquê a Mutilação Genital Feminina?
Quando nos debatemos com a escolha do tema pudemos pesquisar um pouco sobre todos eles, tendo como base um tema actual, pouco conhecido e abordado, mas também um tema que se pudesse enquadrar com a diversidade cultural e todos os conceitos inerentes a ela.
Ao chegarmos à MGF pudemos presenciar vários testemunhos de raparigas que tinham passado por uma experiência destas e encontrámos uma notícia que falava sobre a prática deste acto nos países do Primeiro Mundo, nomeadamente Portugal. Ao vermos isto e todas as dimensões ligadas à MGF, decidimos imediatamente desenvolver e debater este tema. Seguimos as indicações dadas pelo professor e finalmente, através da informação recolhida e seleccionada, chegámos a este trabalho.
Três dimensões: Tradição/Problemática Sócio-Cultural, Direitos Humanos e Consequências Futuras
A partir do tema da MGF podemos identificar três dimensões essências: a tradição/problemática sócio-cultural, Direitos Humanos e as consequências futuras.
- Negar uma tradição/cultura?
A MGF, como já foi referido anteriormente, tem origem de ordem cultural. A sua prática está cercada de silêncios e é vivida em segredo. Manifestar-se contra este costume é difícil e, às vezes, perigoso para as mulheres ou homens que se opõem. Os principais argumentos defensores desta tese são que se a mulher não for circuncidada: nunca irá arranjar marido, irá ser encarada como uma “prostituta”, excluída pela sociedade e família e acusada de rejeitar a sua identidade cultural. Por sua vez existem alguns, se lhes podemos chamar, “benefícios”: melhoramento da fertilidade da mulher e também interesses económicos, sendo um deles uma fonte de rendimento para quem realiza tal acto. Bem, ponderando estes argumentos, podemos afirmar: Será legítimo, uma mulher negar a sua própria cultura?
- Direitos Humanos
A Mutilação Genital Feminina é um costume sócio-cultural que causa danos físicos e psicológicos irreversíveis, e ainda, é responsável por mortes de meninas. Pode variar de brandamente dolorosa a horripilante, e pode envolver a remoção com instrumentos de corte inapropriados (faca, caco de vidro ou navalha) não esterilizados e raramente com anestesia. Viola o direito de toda jovem de se desenvolver de um modo saudável e normal. E, devido ao influxo de imigrantes da África e do Médio Oriente na Austrália, no Canadá, nos EUA e na Europa, esta mutilação de mulheres está a tornar-se uma questão de Saúde Pública. Algo que não se deve desconsiderar são os custos do tratamento contínuo das complicações físicas resultantes e os danos psicológicos permanentes. Têm-se promulgado leis para ilegalizar e criminalizar esse costume. Embora muitos códigos penais não mencionem directamente os termos Circuncisão Feminina ou Mutilação Genital Feminina, é perfeitamente enquadrado como uma forma de "abuso grave de crianças e de lesão corporal qualificada". Vários organismos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), têm enviado esforços para desencorajar a prática da mutilação genital feminina. A Convenção sobre os Direitos da Criança, assinada em Setembro de 1990, considera-a um acto de tortura e abuso sexual. Será correcto colocar os direitos humanos em causa devido a uma tradição?
- Consequências Futuras
As consequências desta prática são diversas como já podemos verificar. Desde consequências a nível psicológico, sexual e físico. A nível físico muitas raparigas passam por infecções, tumores, hemorragias e por outras doenças derivadas do mau tratamento destas, como a anemia ou dores durante o acto sexual.
A nível psicológico as consequências são de carácter diverso desde sentimentos de culpa, ansiedade, medo, receio ou até mesmo casos de suicídio.
A nível sexual toda esta problemática leva as mulheres a sentirem vergonha da sua sexualidade e a ter medo do acto sexual ou mesmo da concepção de filhos.
Muitas pessoas pensam que com o uso de anestesia esta prática seria menos dolorosa e preveniria mais eficazmente o combate às doenças consequentes. Mas outros continuam a defender a ideia que mesmo com estes cuidados a integridade psicológica e sexual nunca será ultrapassada. Esta revela-se por ser a principal objecção relativamente ao uso da anestesia. Ponderando todas as consequências futuras, será favorável para uma mulher seguir a sua tradição?
Problematização
Com a ponderação de todas estas dimensões e as suas diferentes teses podemos pegar em todos e “pesá-los” em cada prato da balança. Ficando num lado as consequências e os direitos humanos e no outro lado a tradição. Relacionando tudo podemos considerar que a negação de uma tradição pode acarretar sérias consequências, mas ao mesmo tempo a sua aceitação e afirmação pode trazer problemas futuros. Por sua vez também se pode um problema de Saúde Pública que traz grandes despesas a nível da saúde.
Uma das principais maneiras do travar é a reeducação das gerações mais velhas e ancestrais que a praticam e também as famílias destas mulheres de forma a dar-lhes uma perspectiva do que realmente tal prática possa trazer e tentar mostrar os danos físicos e psicológicos que se podem evidenciar. Por sua vez tal acto vai contra o multiculturalismo, pois estamos a ir contra a história própria de uma cultura, mesmo que consideremos esta prática bárbara segundo este modelo deveríamos respeitá-la e aceitá-la.
Conclusão
Com este trabalho, vimos o nosso conhecimento a crescer relativamente a temas muito interessantes e importantes como a diversidade cultural e a MGF. Sendo temas actuais e de interesse público.
Hoje assistimos em primeiro plano à diversidade cultural, por causa dos fenómenos migratórios (entrada de estrangeiros), pela fácil troca de informação, pelo rápido acesso a produtos, usos e costumes oriundos dos diferentes cantos do Mundo. Ao mesmo tempo que nos agrada e enriquece, esta diversidade traz com ela sérios problemas com os quais nos defrontamos constantemente: conflitos de valores.
Por isso sucedem-se fenómenos que muitas vezes nos escandalizam ou nos deixam indignados (por exemplo, a prática da mutilação genital feminina). A diversidade cultural e os conflitos que ela acarreta sugerem-nos novamente o problema do relativismo: tudo é relativo ou poder-se-á estabelecer algum consenso entre as diferentes culturas?
A resposta a esta questão pode ser diferente consoante a atitude que tomarmos face à real diversidade cultural que os nossos dias põem a descoberto. Podemos indicar três modelos de referência a partir dos quais se compreende melhor esta questão: o etnocentrismo, o multiculturalismo e o interculturalismo.
O modelo intercultural remete-nos, assim, para a tolerância, conceito indispensável para compreendermos o diálogo entre as diversas culturas. Actualmente, este conceito refere-se, não só ao reconhecimento da diferença, como também à tomada de consciência de que a diferença é algo de positivo e enriquecedor. Uma vez que ninguém é detentor da verdade, importa que acolhamos a diferença, que nos confrontemos com ela. Só desse modo é possível a evolução material e espiritual da Humanidade no seu todo.
Livros: “Guia de estudo: Filosofia 10ºano”, Porto Editora; “Contextos”, Filosofia 10ºano, Paiva, Marta e outros, Porto Editora.
Sites: www.wikipédia.com; www.oms.org

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A dimensão pessoal da ÉTICA: a Intenção ética

“Creio que a primeira e indispensável condição ética é a de estarmos decididos a não viver de qualquer maneira: estarmos convencidos de que nem tudo vem a dar no mesmo, embora, mais tarde ou mais cedo, tenhamos que morrer. Quando se fala de "moral" pensa-se habitualmente a ordem e costumes que é hábito respeitar, pelo menos na aparência e muitas vezes sem que se saiba bem porquê. Mas talvez o busílis da questão não esteja em submeter-nos a um código ou em contrariar o estabelecido (o que também é submetermo-nos a um código, só que às avessas) mas tentar compreender. Compreender porque é que certos comportamentos nos convêm e outros não, compreender o que é que é a vida e o que é que a pode fazer "boa" para nós, seres humanos. Antes de mais, trata-se de não nos contentarmos com ser tidos por bons, como ficar bem frente aos demais, com que nos aprovem... Portanto, será necessário não nos limitarmos a observar à maneira do mocho ou com uma amedrontada obediência de autómatos, mas teremos que falar com os outros, apresentar certas razões e ouvir outras. O esforço de tomar a decisão terá que fazê-lo, porém, cada um de nós, solitariamente: ninguém pode ser livre por ti..”
Fernando Savater, Ética para um Jovem, Lisboa, Editorial Presença, 1994, pp. 63-64

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Luís Sousa nº20 10ºB
Vítor Rodrigues nº28 10ºB

Introdução:
Realizámos este trabalho, no âmbito da disciplina de Filosofia, e que trata o tema da multiculturalidade e das diferentes posições tomadas em relação a este. Após a devida pesquisa sobre o tema iremos expor o que entendemos sobre este e iremos usar esse conhecimento para problematizar os argumentos e as várias teses referentes a um problema, neste caso a mutilação genital feminina. E assim o relacionar com o tema da multiculturalidade e a interacção entre culturas.

O que é a cultura?
Numa breve definição de cultura podemos dizer que: “A cultura é tudo o que não é natureza.”; esta definição, embora simples, é correcta, pois a cultura são todas as criações humanas. Ou seja, é tudo o que é criado pelo homem, de ordem material e espiritual, que foi construído e adquirido ao longo do tempo, em resposta ao meio em que este se situa.
Sendo assim é tudo o que forma o homem e que foi formado por este.
A cultura foi criada como mecanismo de sobrevivência, para fazer face à falta de determinadas respostas imediatas e biológicas, para certas situações que lhe são colocadas pelo Meio Natural e Social. Assim, a razão da existência da cultura é o permitir a formação do homem, dando-lhe uma forma de interpretar a realidade em que se encontra inserido.
A cultura é comum a todos os homens, pois todo o ser humano a têm, de forma a responder às suas necessidades comuns, mas é também esta que permite a distinção entre as diferentes sociedades/grupos, visto que cada sociedade possui valores culturais distintos; assumindo assim a função de elemento diferenciador.

O que é a multiculturalidade?
A Multiculturalidade é a existência de diferentes culturas inseridas no mesmo espaço social. Sendo assim a coexistência entre diversos grupos, que têm diferentes valores culturais e que leva à existência de uma diversidade de culturas.

Posições Relativas em relação à Multiculturalidade
ETNOCENTRISMO
Esta posição define a atitude de um indivíduo que defende os valores da sua cultura como superiores e como sendo os únicos ideais verdadeiros e válidos, julgando os outros indivíduos à luz dos seus próprios valores. Os valores da sua comunidade são universalizáveis e desejáveis, podendo-se aplicar a todos os homens.
Os argumentos que defendem esta atitude são os de achar que a interacção entre culturas e a troca de experiências e conhecimentos com outras culturas diferentes põe em causa a identidade cultural de um povo.
No etnocentrismo podem ser vistas duas posições, uma de marginalização e outra de assimilação.
O etnocentrismo marginalizante é aquele em que existe uma cultura dominante que recebe o outro no seu espaço, mas que não o acolhe, ou seja, não o integra, levando à formação de uma cultura periférica. Nenhuma das culturas é afectada, pois não há interacção entre elas.
O etnocentrismo assimilador é aquele em que existe uma cultura dominante que recebe o outro no seu espaço, mas em que o outro perde a sua identidade de origem, devido a um processo de aculturação. Ou seja, nesta posição há uma integração condicionada, visto que o outro é “assimilado” pela cultura dominante, somente se se dispuser a participar na cultura dominante e deixar cair a sua cultura de origem.
Estra posição pode ser benéfica pois permite a preservação da cultura, mas poderá ser ainda mais maléfica, como já pode ser observado (2º Guerra Mundial), devido a atitudes xenófobas. Além de poder levar à opressão das culturas minoritárias.

MULTICULTURALISMO (RELATIVISMO CULTURAL)
Esta posição defende que cada cultura tem um valor particular e incomparável. Promovendo uma atitude de respeito, tolerância e aceitação. Defendendo que os valores dependem dos padrões de cada cultura.
Esta posição tem a vantagem tem a vantagem da mútua aceitação, mas é possível a criação de “caos” se ambas as culturas forem postas em confronto directo, perante a existência de valores opostos, que não possam coexistir.
Sendo assim se esta posição for adoptada, terá um indivíduo de aceitar algo que toma como errado, só porque a cultura do outro, considera o acto como correcto e certo?

INTERCULTURALISMO
Esta posição leva à existência de respeito mútuo e equilibrado entre culturas, fomentando o diálogo, a interacção e a troca de experiências, tendo como objectivo o enriquecimento destas. Existe assim uma flexibilidade repartida entre as culturas envolvidas, baseada em valores e normas básicas de aceitação universal, como é o caso dos Direitos Universais do Homem.
Esta é talvez a posição mais correcta a tomar em relação à Multiculturalidade, sendo quase que uma posição intermédia entre as duas posições anteriormente referidas. Pois é a única que tem como base valores básicos e universais, comuns a todo o homem, permitindo assim a existência de equilíbrio na interacção entre culturas.
Esta posição apresenta um único limite, que é a de arranjar uma forma para que este equilíbrio se mantenha, permitindo assim a evolução conjunta das culturas.
Mutilação Genital Feminina

Escolhemos este tema entre os temas sugeridos pois, para além de se tratar de um tema muito falado na comunicação social recentemente, é um tema cuja relação com os assuntos abordados nas aulas é muito visível, permitindo-nos abordar o assunto da multiculturalidade e os direitos universais do homem
A mutilação genital feminina consiste na remoção de uma parte ou a totalidade dos órgãos sexuais de mulheres e crianças.
Esta prática, que tem por base valores culturais e que faz parte da tradição de muitas culturas, viola o direito da dignidade humana e da liberdade, pois as vítimas da MGF não têm a possibilidade de se desenvolver psicológica e sexualmente de modo saudável. Este costume causa danos físicos e psicológicos irreversíveis, podendo causar morte e sendo tão doloroso, que pode ser considerado tortura. Mas pelo simples facto de fazer parte dos valores culturais de certas culturas, e de ter supostos benefícios, leva a existência de diferentes respostas/posições perante esta prática.
Embora existam várias respostas para este problema, nós decidimos abordar as duas que talvez sejam mais aparentes e visíveis, para responder à pergunta: “Qual é a atitude certa a tomar perante a MGF?”
Posição 1:
Tese: A mutilação genital feminina é crime e a sua prática deve ser impedida.
Argumentos: Devemos ter uma atitude activa perante esta prática, tentando por um fim à prática da mesma. Embora seja uma tradição, continua a ser um crime e uma violação dos direitos humanos
É uma prática violenta que põe em causa a vida, a liberdade, a dignidade e até a feminilidade das suas vítimas. Em que não é respeitada a vontade da vítima e cuja execução viola os direitos da vítima, e as marca para toda a vida, tanto psicologicamente, como fisicamente.
Assim sendo os direitos do homem devem superar qualquer valor cultural.

Posição 2:
Tese: A mutilação genital é uma prática cultural e deve ser respeitada.
Argumentos: Deve-se respeitar e não interferir na execução desta prática pois faz parte dos costumes e da cultura de uma sociedade. Devemos respeitar os ideais, crenças e cultura de cada um, pois cada homem tem o direito ao seu espaço de liberdade. Além disso esta prática trata-se de algo benéfico, que assegura a castidade da mulher, ostenta beleza estética e é higiénico.
A posição que por nós foi tomada foi a posição 1, pois julgamos que deve haver um respeito cultural equilibrado de modo a que todos possam enriquecer a sua cultura através do diálogo, mas sob o cumprimento do cumprimento de ideais básicos e vitais, que é a ideia defendia pelo interculturalismo.

Conclusão
Com este trabalho concluímos que a cultura tem uma grande importância na vida humana, podendo beneficiá-lo e prejudicá-lo, e que nem sempre há uma linha definida em que posição deve tomar. Aprendemos também que a Multiculturalidade apresenta vários problemas e várias respostas. Descobrimos também tudo o que está envolvido na prática da MGF, a sua origem e as suas consequências, bem como possíveis respostas para esse problema.
Bibliografia
 http://pt.wikipedia.org/wiki/Mutila%C3%A7%C3%A3o_genital_feminina
 http://dossiers.publico.pt/dossier.aspx?idCanal=967
 http://www.amnistia-internacional.pt/index.php?Itemid=105&id=99&option=com_content&task=view

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Moral e Ética

“Então, hoje, é o mesmo dizer "ética" ou "moral? Em sentido popular sim, mas num plano intelectual não é o mesmo.
A moral refere-se ao tipo de conduta regulada por costumes ou normas internas ao sujeito.
A ética é, em sentido académico, a "filosofia moral", ou a disciplina filosófica que estuda as regras morais e a sua fundamentação.
Em sentido mais amplo indica, usada como substantivo, aquela conduta moral sobre a qual somos capazes de raciocinar (O ministro actuou à margem de toda a ética).
Usada como adjectivo assinala, dum modo geral, a qualidade ética de qualquer acto ou norma moral (A demissão do ministro foi ética).
Enquanto a moral tende a ser particular, pelo carácter concreto dos seus objectos, a ética tende a ser universal, pela abstracção dos seus princípios. De acordo com isto podemos também estabelecer, ainda que dum modo negativo, que algo é "moral" quando se opõe ao "imoral" ou ao "amoral". Da mesma maneira algo é "ético" quando é contrário a qualquer conduta que carece de princípios, aos quais chamamos "injusta" ou "sem lei" e, em todo o caso, injustificada. (...)
Assim a ética não tem por missão fixar um conjunto de objectivos práticos, considerar a sua capacidade de realização, ou prever os resultados de uma atribuição de fins práticos. A sua tarefa consiste em averiguar as condições de possibilidade desses mesmos objectivos práticos que esta ou aquela “moral” poderá oferecer. Quer dizer, que deve estudar as regras que guiam a acção e provar a sua fundamentação. Depois disso poderá dizer se uma regra tem ou não “validade” para o comportamento moral.

N. Bilbeny, Aproximacion a la Ética, Ed. Ariel, Barcelona

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

CONCEITOS ESSENCIAIS - ESSENCIAIS - ESSENCIAIS

10.º e 11.º Ano

CONCEITOS essenciais TRANSVERSAIS A TODAS OS TEMAS/PROBLEMAS


absoluto / relativo
abstracto / concreto
antecedente / consequente
aparência / realidade
a priori / a posteriori
causalidade / finalidade
compreensão / explicação
contingente / necessário
dedução / indução
dogmático / crítico
dúvida / certeza
empírico / racional
essência / existência
finitude / infinitude
formal / material
identidade / contradição
imediatez / mediação
intuitivo / discursivo
particular / universal
saber / opinião
sensível / inteligível
sentido / referência
ser / devir
subjectivo / objectivo
substância / acidente
verdade / validade
teoria / prática
transcendente / imanente

CONCEITOS ESSENCIAIS - ESSENCIAIS - ESSENCIAIS

10.º ANO
Sei definir cada um?
Sei relacionar cada par?

Unidade ACÇÂO HUMANA – Análise e compreensão do agir
Acontecer – Fazer
Voluntário – Involuntário
Agir – Reacção
Consciência – Vontade
Poder Decidir – Poder Executar
Intenção – Propósito
Intenção – Motivo
Desejo – Motivo
Intenção – Projecto
Intenção – Alteração Do Real
Liberdade Absoluta – Liberdade Condicionada
Tudo Poder Fazer – Poder realizar todo o apetecer
Condicionante – Determinante
Condicionantes Físicas – Condicionantes Sociais
Condicionantes Psíquicas – Condicionantes Culturais
Determinismo Natural e Físico – Livre-Arbítrio
Incompatibilismo – Compatibilismo
Libertismo - Determinismo Radical

VALORES – Análise e compreensão da experiência valorativa
Valor – Facto
Juízo De Valor – Juízo De Facto
Polaridade – Hierarquia
Valor – Desvalor
Estimável – Rejeitável
Psicologismo – Ontologismo – Naturalismo
Valor Como Qualidade Ideal - Valor Como Valorar
Preferência Valorativa – Critério Valorativo,
Cultura – Endoculturação – Aculturação Monoculturalidade - Multiculturalidade
Assimilação Voluntária – Assimilação Violenta
Etnocentrismo – Multiculturalismo – Interculturalismo
Relativismo Cultural - Cosmopolitismo

Razão: faculdade de Universalização e de Unificação



Esta esquema está incompleto. desafio: completá-lo e melhorá-lo.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A Retórica segundo M. Meyer

«A definição de retórica é conhecida: é a arte de bem falar, de mostrar eloquência diante de um público para ganhar para a sua causa. Isto vai de persuasão à vontade de agradar: tudo depende precisamente da causa, daquilo que está em causa, do problema que motiva alguém a dirigir-se a outrem. O carácter argumentativo está presente desde o início: justificamos uma tese com argumentos, mas o adversário faz o mesmo. Neste caso a retórica não se distingue em nada da argumentação. Trata-se de um processo racional de decisão numa situação de incerteza, de verosimilhança, de probabilidade.»

Michel Meyer, Questões de Retórica: linguagem, razão e sedução, Edições 70, Lisboa, 1998

A retórica segundo Aristóteles

“A retórica é a outra face da dialéctica; pois ambas se ocupam de questões mais ou menos ligadas ao conhecimento comum e não correspondem a nenhuma ciência em particular. De facto, todas as pessoas de alguma maneira participam de uma ou de outra, pois todas elas tentam em certa medida questionar e sustentar um argumento, defender-se ou acusar. Simplesmente, na sua maioria, umas pessoas o fazem ao acaso, e outras, mediante a prática que resulta do hábito. E, porque os dois modos são possíveis, é óbvio que seria também possível fazer a mesma coisa seguindo um método. Pois é possível estudar a razão pela qual tanto são bem–sucedidos os que agem por hábito como os que agem espontaneamente, e todos facilmente concordarão que tal estudo é tarefa de uma arte…
Além disso, seria absurdo que a incapacidade de defesa física fosse desonrosa, e o não fosse a incapacidade de defesa verbal, uma vez que esta é mais própria do homem do que o uso da força física.”

Aristóteles, Retórica, 1354a-1355a

domingo, 2 de janeiro de 2011

Multiculturalidade e Multiculturalismo

Tem havido muitas confusões em diferentes espaços e discursos sobre a multiculturalidade. uma das confusões mais frequentes diz respeito à distinção entre os termos multiculturalidade e multiculturalismo. Tomam-se uma pela outra erradamente.

A multiculturalidade diz respeito ao FACTO de existirem diferentes culturas numa mesma sociedade. É DESCRITIVO

O multiculturalismo (ISMO) relaciona-se com a posição que defende uma determinada forma dessas diversas culturas viverem no seio de uma mesma sociedade. É PRESCRITIVO.

Monoculturalidade VS Multiculturalidade

A multiculturalidade (MULTI) diz respeito a homens diferentes com culturas diferentes viverem na mesma sociedade em determinado momento histórico.
Quando numa sociedade vivem diferentes homens mas com uma única cultura chama-se monoculturalismo (MONO).

domingo, 12 de dezembro de 2010

Determinismo e Liberdade

Um DILEMA clássico acerca da LIBERDADE e da RESPONSABILIDADE. O dilema de HUME, ou dilema do DETERMINISMO, pode ser esquematizado da seguinte forma:

1.ª premissa — Ou o determinismo é verdadeiro, ou é falso;
2.ª premissa — Se for verdadeiro, então não somos livres;
3.ª premissa — Se for falso, as nossas acções são aleatórias e, portanto, também não somos livres.
Conclusão — Em qualquer caso, não somos livres.

http://www.defnarede.com/d.html

Segundo o dilema, a liberdade e o determinismo seriam sempre incompatíveis - incompatibilismo - quer seja pela via do determinismo absoluto, quer pela via do indeterminismo.
Uma das formas de contrariar/refutar um dilema é mostrar que uma das premissas é falsa. Como poderia mostrar-se a falsidade de uma das premissas?

sábado, 4 de dezembro de 2010

O valor da Filosofia

O papel da Filosofia, da Poesia, da literatura e de outras disciplinas na formação dos homens.

http://camaraclara.rtp.pt/#/arquivo/193

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Problema - acção humana

Ipsílon tendo escrito uma carta com a intenção de pedir namoro a Ómega, reflectiu e considerou que isso seria um erro.
Ele amava, sim, a Clio.
Mas a sua Mãe tendo visto o envelope enviou-a sem lhe dar conta. Ómega ficou radiante.
Ipsílon pediu ou não namoro a Ómega? Porquê?

terça-feira, 30 de novembro de 2010

A natureza dos valores

Degas

Onde está o belo que o cada um de nós atribui ao quadro?
Hipótese 1: no sujeito, na sua psique?
Hipótese 2: no quadro, vive na obra material criada?
Hipótese 3: numa realidade ideal independente e depois encarna no quadro?

Desafio: criar outra hipótese.

Juízo de Valor

Um juízo é a atribuição a um conceito (sujeito) um outro conceito (classe predicativa - o predicado. temos juízos de facto, que visam descrever a realidade tal como é. são por isso verificáveis na sua verdade ou falsidade, e são por isso universais.

Um juízo de valor é um enunciado apreciativo sobre algo. é um enunciado que suporta uma opinião ou atribui uma dimensão subjectiva a um determinado objecto. Esta definição de juízo de valor não encerra já uma posição teórica? Naturalista? Psicologista? ontologista? outra?

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Silogismo Hipotético

Existe uma diferença lógica entre as seguintes expressões:

A) "se e só se..., então..."

e

B)"se..., então..."

Na lógica tal como na matemática existe uma diferença entre um enunciado condicional e um enunciado bicondicional. Esta é uma diferença que permite não nos enganarmos na resolução do problema anterior

Problema de Lógica Formal

Ípsilon, que ia passar o período de Ano Novo às Caraíbas, disse o seguinte à sua amiga Ómega:
- se no dia de Natal estiver bom tempo, então visto o meu novo fato.

No dia 26 de Dezembro, Ómega telefonou-lhe e perguntando-lhe:
- vestiste-te o teu fato novo?
Ao que Ípsilon respondeu - sim.
Nesse momento a chamada telefónica foi abaixo.
De um ponto de vista estritamente lógico poderia Ómega concluir alguma coisa mais sobre o que se passou no dia 25 nas Caraíbas?

sábado, 20 de novembro de 2010

o Libertismo

O libertismo advoga a possibilidade de o homem escolher independentemente das condicionantes constitutivas e circunstanciais. A escolha humana não só cria novas cadeias causais, ela é independente de cadeias causais. Desta forma não é uma tese compatibilista.

Quem tem razão: os determinismo, os compatibilismo, os libertismo ou o indeterminismo?

O Determinismo Moderado

O determinismo moderado concilia determinismo com livre-arbítrio.
Poderemos dizer que é o determinismo natural que possibilita o livre-arbítrio?

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

DIA INTERNACIONAL DA FILOSOFIA



Celebrated at UNESCO’s initiative every third Thursday of November since 2002, World Philosophy Day will take place this year on 18 November 2010.

http://www.unesco.org/new/en/social-and-human-sciences/themes/human-rights/philosophy/philosophy-day-at-unesco/philosophy-day-2010/

DIA INTERNACIONAL DA FILOSOFIA


"La philosophie m'a ouvert les yeux"http://www.lemonde.fr/societe/article_interactif/2010/11/18/la-philosophie-m-a-ouvert-les-yeux_1442051_3224.html

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Intervalo

TRADUZIR OU MUDAR
Genial Crónica de MIGUEL ESTEVES CARDOSO
NO PÚBLICO DE 16/11/2011


Tenho lido os “poemas mudados para português”
por Herberto Helder [HH] no livro a que
chamou O Bebedor Nocturno. Logo no “mudados
para português” se vê que está bem
escrito, acima das velhas desculpas e falsas
modéstias das traduções e das traições.
É uma obra maior, que ensina que não se pode aprender
a escrever. Mas ver escrever bem já é bem sufi ciente.
Nos Quinze Haikus Japoneses que mudou para português,
HH escolheu um de Kikaku que Bashô depois corrigiu.
Kikaku escreveu:
“Libélula vermelha./Tira-lhe as asas:/um pimentão.”
Segue-se a “Correcção de Bashô”:
“Pimentão vermelho./Põe-lhe umas asas:/Libélula.”
A correcção é gigante. O original pega numa coisa bonita
(a libélula) e tira-lhe um acessório (as asas) para mostrar
que é parecida com uma coisa feia (um pimentão).
Bashô e HH mostram que é melhor transformar uma
coisa banal (pimentão) numa coisa mágica (libélula),
dando-lhe asas. É melhor acrescentar do que remover,
fazer pensar do que fazer troça.
A libélula não precisa de ser vermelha ou de adjectivo
sequer – é das cores do arco-íris. Já o pimentão tem de
ser vermelho, porque há verdes e amarelos.
Depois, é melhor a indefinição de “umas asas” (quaisquer)
do que “as asas” (daquela única libélula). Como
voa mais a maiúscula da única palavra da terceira linha
(“Libélula.”) do que as minúsculas de “um pimentão”.
A nossa língua renasceu.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O que é o INDETERMINISMO? DESAFIO

O Indeterminismo começa por ter origem da física quântica há mais ou menos 100 anos, que explicam o que se passa no mundo sub-atómico. O indeterminismo basicamente diz-nos que causas conhecidas não permitem conhecer o futuro porque este não obedece a padrões regulares de funcionamento, é somente provável - daí que os físicos tenham abandonado a ideia do electrão a rodar à volta do núcleo atómico e lhe chamem NUVEM.

Se a realidade é indeterminada - causas conhecidas produzem efeitos imprevisíveis, então a realidade não é conhecível.
E se não é conhecível (porque não há regularidade) então o futuro não é previsível.
Ora, se todo o processo de decisão humana exige que se tenha um mínimo de conhecimento do que se está a escolher, para que a decisão tenha um mínimo de razoabilidade (de sentido racional), então toda a escolha será impossível ou absurda.

Conclusão: a liberdade é negada num mundo indeterminado.

DESAFIO: CRIAR 1 Contra-argumento que mostre que a realidade - a um nível de decisão humano - não é INDETERMINADA.

domingo, 31 de outubro de 2010

200 000


A nossa galáxia contém cerca de 200 mil milhões de estrelas, contando com 46 mil milhões de planetas como o nosso


Uma em cada quatro estrelas da nossa galáxia, semelhantes ao Sol, podem ter planetas do mesmo tamanho da Terra. Tal significa que podem existir vários milhões só na Via Láctea, dos quais uma centena com a potencialidade de albergar vida, segundo um estudo da agência espacial norte-americana (NASA).
"Os dados recolhidos dizem- -nos que a nossa galáxia, que contém cerca de 200 mil milhões de estrelas, tem ao menos 46 mil milhões de planetas do mesmo tamanho que a Terra, sem contar aqueles cuja órbita é mais afastada do seu astro mas ainda se encontram na zona habitável", disse o astrónomo Geoff Marcy, da Universidade da Califórnia, um dos principais autores do estudo publicado na revista Science. Considera-se habitável a zona que não é demasiado quente nem fria e onde pode existir água em estado líquido.
Os astrónomos que realizaram este recenseamento planetário utilizaram dois potentes telescópios ópticos e de infravermelhos, no monte Mauna Kea, no Havai. Durante cinco anos, observaram 166 estrelas situadas num raio de 80 anos-luz da Terra. Um ano-luz equivale a 9469 mil milhões de quilómetros.
Os astrónomos observaram planetas de diferentes tamanhos, desde três vezes a massa da Terra até mil vezes. Os resultado revelam que há mais planetas pequenos que grandes, logo a conclusão é que estes são mais frequentes na Via Láctea. "Tais planetas na nossa galáxia são como grãos de areia dispersos numa praia, estão por todo o lado", afirmou Marcy.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O conceito cavalo relincha?

O conhecimento científico e o conhecimento filosófico são dois tipos de conhecimento racional.

A razão é uma faculdade que procura o que há de UNIVERSAL nas coisas, por isso conseguimos criar conceitos, ideias e teorias. Os conceitos ou as leis captam aspectos essenciais de determinada realidade, desprezando (abstraindo) (d)as suas características menos importantes, secundárias, concretas (abstracção é o processo de afastamento do concreto).
Por exemplo, o conceito de cavalo não relincha, ou seja uma coisa é o cavalo particular, concreto que os olhos vêem, outra coisa é o conceito que capta o essencial a todos os cavalos e a todos (UNIVERSAL) pode ser aplicado.

A questão do conhecimento racional não é central e não sai directamente no teste, mas é importante saber o que significa dizer que o conhecimento filosófico é racional.

Isaque Tomé

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Net e privacidade



Samy Kamkar, norte-americano que em 2005 obrigou os administradores do MySpace a desligar o site, garante que ninguém tem os seus dados pessoais devidamente protegidos na Web

http://aeiou.expresso.pt/video-ihackeri-declara-morte-da-privacidade-na-net=f610217

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

DIA INTERNACIONAL DA FILOSOFIA



Celebrado por iniciativa da UNESCO na terceira quinta-feira de Novembro, o Dia Mundial da Filosofia terá lugar este ano em 18 de novembro de 2010.

Os eventos organizados pela UNESCO, ou por seus parceiros, será uma oportunidade para fazer uma reflexão filosófica acessível a todos (professores e estudantes, estudiosos e público em geral, os jovens e os menos jovens), ampliando assim as oportunidades e espaços para a estimulação do pensamento crítico e o debate.

http://www.unesco.org/new/en/social-and-human-sciences/themes/human-rights/philosophy/philosophy-day-at-unesco/philosophy-day-2010/

Objectivos para o teste 1 -10.º Ano

a) definir filosofia – o que é a filosofia?
- a filosofia é um saber? É uma actividade?
- O que significa dizer que a filosofia é um conhecimento racional?
- a filosofia procura essências e o sentido? O sentido depende da essência?
- a filosofia analisa e constrói conceitos?

b) Caracterizar a faculdade da razão humana
- Quais as características de um conhecimento racional? E de um conhecimento empírico?
- A construção de conceitos é um processo racional? O conhecimento racional implica um processo de abstracção? Porquê?

c) Esclarecer as características específicas da filosofia:
- O que é a autonomia? E a radicalidade? E a universalidade? E a historicidade?

d) Caracterizar as questões filosóficas
- Porque são abertas? O que significa dizer que são abertas?
- Porque não se restringem aos factos e às leis?
- Porque permitem várias respostas?
- Porque têm de ser argumentadas?
- O que distingue as questões filosóficas de questões não filosóficas?

e) Esclarecer o que é um objecto de conhecimento;

d) Caracterizar a atitude filosófica;

e) Problematizar e o valor da filosofia;

f) Quais os campos do saber filosófico?
- O que estuda a gnoselogia?
- O que estuda a ética?
- O que estuda a filosofia política?
- O que estuda a lógica?
- O que estuda a metafísica?
- O que estuda a estética

g) O que é um conhecimento subjectivo? E um conhecimento objectivo? Um conhecimento intersubjectivo é sempre subjectivo?

Acção Humana
i) O que é a cultura? Por que precisamos de cultura?
ii) O que significa dizer que o homem tem uma natureza adquirida?
iii) A acção forma e define o homem?

a) distinguir acontecer de fazer;
b) distinguir fazer voluntário de involuntário;
c) distinguir actos humanos de actos do homem;
d) definir acção – o que é a acção humana?
e) distinguir intenção de vontade
f) distinguir intenção de motivo;
g) distinguir intenção de finalidade;
h) distinguir consciência de vontade;
i) o que é um desejo?
j) podemos ter acções gratuitas? Ou todas as acções humanas são motivadas?
h) o motivo é uma quase-causa mas não é uma causa. Porquê?
j) na acção humana o comportamento é controlado - o que nos permite controlar o nosso comportamento?
h) o que é uma acção estratégica? É o mesmo que uma acção fim?
i) o que é uma acção base?

Instrumentos Intelectuais
a) o que é um argumento?
b) o que é uma tese?
c) o que é um contra-argumento?
d) o que é uma objecção?
e) por que é importante a colocação e formalização de problemas?
f) o que distingue um raciocínio dedutivo de um raciocínio indutivo?

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Van Gogh e Banksy





O Humor de Banksy

Problema da semana - 10.º Ano - 1

Considerando a distinção entre o acontecer (que alguém sofre, exterior à intervenção do homem, implicando a passividade deste) e o fazer (que supõe a actividade do homem, a realização, o facto de ser actor) a digestão é um acontecer ou um fazer?
E se for um fazer é involuntário ou involuntário?

E o tropeçar?

E roer as unhas?

E pensar?

E responder a isto?

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Informação, Conhecimento e Sabedoria

Cristiana Filipa - nº4 10ºA


Qual a diferença entre informação e conhecimento?
“O conhecimento é o somatório das informações que adquirimos, é a base daquilo que chamamos de cultura. Podemos adquirir conhecimento sem sequer vivermos uma só experiência fora dos livros e das aulas teóricas.” *
E a diferença de sabedoria?
“A sabedoria, por outro lado, é o reflexo da vivência, na prática, quer pela experimentação, quer pela observação, da utilização dos conhecimentos que adquirimos. Ou seja, uma pessoa culta não é necessariamente sábia, mas uma pessoa sábia é relativamente culta na sua área de sabedoria. Para se ser sábio é preciso viver e experimentar a vida.”*
*Baseado num texto de Alberto Cabral.
Será que todas as informações que recebemos se tornam em conhecimento?
Nem todas as informações que recebemos no nosso dia-a-dia se transformam em conhecimento, pois para que isso aconteça o receptor dessa mesma informação tem de lhe associar mentalmente um significado, caso a pessoa que recebe a informação não a perceba, não a vai interiorizar logo não a vai transformar em conhecimento.
Com o conhecimento que adquirimos teremos sabedoria acerca dele?
Nem sempre temos sabedoria acerca do conhecimento que vamos adquirindo, pois o saber implica experiência, prática vivencia ao longo do dia-a-dia. Uma pessoa culta por vezes não é sabia, mas uma pessoa sábia é culta, pelo menos na sua área de conhecimento e prática.

O valor da Filosofia

Turma A

Maria José Lopes - nº16, 10ºA

A filosofia é bastante importante na vida de uma pessoa, e por isso devemos procurar usá-la de maneira a conseguirmos ultrapassar certos obstáculos que o Mundo nos propõe. É importante estudar filosofia pois esta ajuda-nos a compreender a importância de examinar as questões fundamentais do sentido da nossa existência. Algumas pessoas que estudam filosofia defendem o facto de que não vale a pena viver a vida sem a examinar, por isso, necessitamos da filosofia para estarmos aptos para responder às perguntas que nós nos fazemos no dia-a-dia e para as quais não conseguimos obter uma resposta específica, tendo assim mais certezas que os princípios em que a nossa vida se baseia podem ser sólidos, mas até os examinarmos, não podemos ter essa certeza. O objectivo da filosofia não é ser uma distracção nem uma forma de passar o tempo, o seu objectivo é dar forma e estruturar a alma, ensinar o rumo da vida, orientar os nossos actos. Sem ela ninguém pode viver sem temor, ninguém pode viver em segurança, pois a toda a hora nos vemos em inúmeras situações em que necessitamos da filosofia. Esta não consiste apenas em palavras, mas sim em acções. A filosofia pode-nos dar conselhos quando nos vemos em situações complexas, em que não temos a certeza do que fazer. Viver sem criticar ou questionar as coisas é como ignorar a realidade à nossa volta; e o prazer de ver todas essas coisas que a nossa vista descobre, não é comparável à satisfação que dá o conhecimento que se encontra através da filosofia. Discutindo e criticando as ideias assimila-se mais facilmente o conhecimento do que propriamente decorando-as, pois decorar não é adquirir sabedoria. Se queremos que a boa vontade se transforme em sabedoria temos de persistir e consolidar as nossas ideias. Não devemos agir baseando-nos no senso comum nem em certezas que pensamos ser verdadeiras, devemos sim questionar até o que nos parece mais simples, e assim, evitamos cometer erros desnecessários. Apesar do valor da filosofia ser baseado na incerteza, esta aumenta a nossa capacidade de pensamento, de conhecimento e de racionalização. Por meio da questão e da crítica, esta actividade ajuda-nos a ver as situações de um modo livre e abstracto, dando-nos assim uma liberdade de pensamento e de raciocínio, e de elucidação de problemas. Por outro lado, se não agirmos filosoficamente, automaticamente passamos a ser pessoas passivas e não activas, ou seja, deixamos de ter vontade própria e poder de decisão.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Falsidade e Mentira

Débora Pereira - nº5 10ºA
Diferença entre mentira e falsidade.


Alguém diz que algo não é verdade. Logo aseguir, alguém interrompe e diz: "É mentira!"
Será realmente assim? Será que por não ser verdade, é automaticamente uma mentira? Não necessariamente. Quando algo não é verdadeiro pode ser: sim, uma mentira, mas também pode ser uma falsidade.
Qual é a discreta difrença que existe entre estes dois conceitos?
Quando é considerada uma mentira e quando é considerada uma falsidade?
É considerada uma falsidade, quando a sentença proferida não corresponde aos factos reais de um modo inconsciente ou involuntário. Ou seja: é quando alguém afirma algo que pensa ser verdadeiro na ignorância dos factos reais, e que mais tarde essa afirmação é provada como falsa.
Ao contrário da falsidade, a mentira é algo propositado, com o objectivo de que o receptor da mensagem tome o falso como o verdadeiro e o verdadeiro como o falso.
Uma ilustração que nos ajuda a entender esta difrença é: por exemplo quando alguém me pergunta as horas e eu digo: "São 2h25", quando na realidade, sem eu saber, tenho o relógio atrasado e são 2h30. Neste caso não estou a mentir, mas a minha afirmação não é verdadeira. Agora se eu sei que são 2h30 e quando alguém me pergunta, insisto em dizer que são 2h25, aí eu estou a mentir.
A ilustração tirada do comentário do Fórum: http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20090425213005AAJiA74

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Validade e Verdade

Trabalho de grupo - Acção Humana

Objectivo central do trabalho: Idntificar e articular as características essenciais da acção humana. Desenvolver competências de interpretação e de discursividade.

Tarefas-problema centrais:
A) Responder à seguinte questão: o que é a acção humana? A resposta deve ser dada discursivamente entre 15 a 40 linhas.
B) Em que medida a acção é específica do homem?
C) Criar um mapa conceptual que articule os conceitos centrais e e sirva de apresentação aos colegas.

Tarefas parcelares:
1) Para responder às questões centrais deve responder às seguintes questões específicas:
a. O que distingue o fazer do acontecer?
b. O que distingue o fazer do agir?
i. O que é isso de consciência?
ii. O que é isso de intenção?
iii. O que é isso de vontade? O que distingue a decisão da deliberação?
iv. Como distinguir vontade de desejo?
v. O que é isso de motivo? Como relacionar motivo com projecto ou finalidade?
vi. Como podemos distinguir motivo de causa?
vii. Como podemos articular estes 4 conceitos?
c. O que são condicionantes da acção? As condicionantes são determinantes?

1. A especificidade humana do agir:
1.1. O que nos acontece e o que fazemos
1.2. Acção voluntária: o papel da consciência e da vontade na caracterização dos actos humanos.
1.3. Análise da complexidade agir: a rede conceptual da acção
- Motivo, intenção e finalidade
- Consciência e vontade
2. A crença na liberdade e as condicionantes da acção humana.
3. O agente: liberdade e responsabilidade.

Temporização: a desenvolver em 3 aulas e a apresentar numa 4.ª aula.

Grupos de 3 alunos, p.p.
i) Trabalho escrito:
Texto: Times 12, 1,5 espaço. Páginas: discurso: máximo de 4 A4; Mapa conceptual: 1 página.
ii) Trabalho apresentado aos colegas: entre 10 minutos.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Compreender e Explicar


Edgar Morin - Os sete saberes necessários à educação do futuro. Editora Piaget

Há duas formas de compreensão: a compreensão intelectual ou objectiva e a compreensão humana intersubjectiva. Compreender significa intelectualmente apreender em conjunto, comprehendere, abraçar junto (o texto e seu contexto, as partes e o todo, o múltiplo e o uno). A compreensão intelectual passa pela inteligibilidade e pela explicação.
Explicar é considerar o que é preciso conhecer como objecto aplicar-lhe todos os meios objectivos de conhecimento. A explicação é, bem entendido, necessária para a compreensão intelectual ou objectiva.
A compreensão humana vai além da explicação. A explicação é bastante para a compreensão intelectual ou objectiva das coisas anónimas ou materiais. É insuficiente para a compreensão humana.
Esta comporta um conhecimento de sujeito a sujeito. Por conseguinte, se vejo uma criança chorando, vou compreendê-la, não por medir o grau de salinidade de suas lágrimas, mas por buscar em mim minhas aflições infantis, identificando-a comigo e identificando-me com ela. O outro não apenas é percebido objectivamente, é percebido como outro sujeito com o qual nos identificamos e que identificamos connosco, o ego alter que se torna alter ego. Compreender inclui, necessariamente, um processo de empatia, de identificação e de projecção. Sempre intersubjectiva, a compreensão pede abertura, simpatia e generosidade.

O Mundo de Sofia

Romance de Jostein Gaarder

Um bom livro para conhecermos, enquanto nos divertimos, as grande ideias produzidas pelos filósofos e pensadores nos últimos 2500 anos

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Consciência - António Damásio




António Damásio
A história da consciência como nunca a tínhamos ouvido contar
22.09.2010 - Ana Gerschenfeld

Há dez anos, em "O Sentimento de Si", o neurologista português António Damásio explicava pela primeira vez a sua visão de como o cérebro humano constrói a consciência. Agora, em "O Livro da Consciência", volta ao mesmo tema, mas com uma "receita" muito mais apurada e onde mistura ingredientes que até aqui tinham ficado esquecidos nas gavetas das neurociências. Com a vibrante prosa que o caracteriza e o profundo enraizamento das suas ideias na arquitectura e nas aflições cerebrais, conta-nos a emergência da consciência no cérebro humano como nunca a tínhamos ouvido contar.
http://ipsilon.publico.pt/livros/texto.aspx?id=265790

Questões Filosóficas

Como Reconhecer as Questões Filosóficas?

☼ Possuem carácter existencial, pois a resposta que se lhes dá configura e manifesta uma forma de ver o mundo, o homem, a vida, e afecta ou tem implicações na forma como o homem age e vive.

☼ Não têm solução científica ou técnica. A sua resposta não se encontra usando uma metodologia científica, de testagem empírica, por isso podemos dizer que não se reduzem a fenómenos observáveis ou a informações que se possam obter. A sua resposta implica a reflexão filosófica.

☼ Não são questões de facto, onde a resposta é directa e empiricamente constatável. São sim questões que colocam problemas ao nível do dever ser, dos valores.

☼ Ultrapassam o campo da legalidade jurídica e colocam o problema da legitimidade e dos valores morais.

☼ Traduzem-se em interrogações gerais e abstractas que ultrapassam o âmbito individual e particular, e permitem respostas racionais.

- Abstractas porque, apesar de serem efectuadas por indivíduos particulares,
a) não incorporam os interesses pessoais nessas mesmas questões;
b) não dizem respeito a uma situação concreta, afastando-se do circunstancialismo que as pode ter provocado.

- Gerais porque têm a pretensão de ser por todos entendidas e partilháveis. Mesmo sabendo que a resposta é subjectiva podemos dizer que tem a pretensão de ser universal.

☼ São interrogações abertas, pois
a) possibilitam respostas divergentes,
b) não há soluções únicas, nem definitivas.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Definição de Filosofia - 2

O Objecto da Filosofia:
Começamos por fazer uma comparação com o objecto da ciência para melhor compreendermos o objecto da filosofia. Qualquer ciência se define pelo seu objecto (a área de estudo), por exemplo o objecto da biologia é a vida e a base da geradora dos seres vivos, a célula, a química a molécula, a sociologia o comportamento social.
Facilmente podemos perceber que cada ciência tem como objecto fenómenos que correspondem a partes da realidade. Até mesmo se considerarmos o homem como objecto ele pode sê-lo da psicologia, da sociologia, da antropologia, da medicina, etc. Ora a filosofia não tem um objecto no sentido científico do termo, pois o seu objecto não é uma área circunscrita e parcelar do real.
O seu objecto é a totalidade. A totalidade não é a soma de tudo o que existe, mas o sentido que, pela razão, o homem confere à realidade.
Dar um sentido à totalidade é dar um sentido ao real, é fundamentar e procurar a essência última do real.

Que realidade é esta abordada como totalidade?
A totalidade - universo: Qual a essência e o sentido do universo?
A totalidade – homem: Qual a essência, natureza e sentido do homem?
A totalidade – conhecimento: o que é o conhecimento? Qual a sua natureza? Quais as formas de conhecimento? O conhecimento humano produz a verdade?
Retomando o exemplo anterior o homem como objecto da ciência nunca o é como totalidade, mas cada ciência estuda parcelas dessa realidade que é o homem vendo nele diferentes realidade em função da focagem que a própria ciência imprime. Assim, o homem é conhecido cientificamente:
pela biologia como conjunto de células; pela química como moléculas; pela neurologia como dotado de um sistema nervoso – células neuronais; pela sociologia como ser gregário, que estabelece relações sociais; pela psicologia como ser dotado de uma psique com determinadas características e produtora de comportamentos; pela história como produtor de cultura e produto do passado cultural; etc.

Ora, acontece que nenhuma ciência responde às questões: o que é o homem? Qual o sentido da sua existência?
Nem mesmo se juntarmos todos os conhecimentos científicos obtemos essa resposta, pois a ciência explica o funcionamento dos diferentes aspectos do homem mas não nos dá o sentido da vida humana. Mas pela razão, o filósofo relaciona e integra conhecimentos acerca das várias áreas doando um sentido a essa integração e procurando, racionalmente, o sentido do seu objecto de estudo: seja o homem, os seus valores, a linguagem, a ética, o conhecimento, o ser...