Os direitos de 1.ª, 2.ª e 3.ª geração numa sociedade e sistema democrático.
A política traduz no direito positivo valores que a nossa civilização/sociedade considera como essencias. O que é considerado essencial nem sempre é objecto de acordo e não é hoje o mesmo que há duzentos anos. Assim, a evolução do direito como manifestação política do pensamento humano sobre valores e sistemas de organização política traduz a evolução do pensamento filosófico, ético e político, suportando-se igualmente nos desenvolvimentos científicos, técnicos, económicos das sociedades.
Apesar de haver variação política e filosófica podemos encontrar uma preocupação política comum nas sociedades com sistemas democráticos: como legislar e governar de forma a garantir o bem estar de cada homem, hoje e no futuro?
Os direitos de 1.ª geração, direitos civis e políticos, consubstancializam-se no direito à livre expressão, à associação, à propriedade, ao exercício político, etc. Os valores subjacentes a todos eles são o da cidadania e liberdade individual, bem como a igualdade de todos a esses direitos e valores. Estes direitos e valores são garantidos pelo que designa como estado liberal ou democracia liberal .
Mas este estado evolui para o que se designa como estado social (séc. XX, sobretudo no pós-2.ª guerra mundial) na medida em que se constatou politicamente que para garantir a igualdade de oportunidades, o direito ao exercício pleno da cidadania e o direito à dignidade humana, não bastava a garantia formal de direitos, mas era necessário estabelecer direitos sociais, económicos e culturais (direitos de 2.ª geração), que promovessem junto dos mais desfavorecidos em riqueza e capacidades o desenvolvimento de condições para o harmonioso desenvolvimento de cada um. Desta forma estariam, por exemplo, garantidos os direitos à saúde, à educação, ao subsídio de desemprego, aos bens culturais como teatros, cinemas, bibliotecas.
Os direitos de 2.ª geração visam estabelecer, também, uma sociedade justa, desenvolvendo a justiça social. Este conceito tem variações no interior do sistema democrático, consoante as ideologias e princípios políticos de cada partido político. Também têm variações as formas como se concretiza o estado social, se deve ser mais providente ou menos, se os seus serviços devem ou não ser fornecidos pelo estado ou pela sociedade civil.
O estado liberal ou estado social é antes de mais um estado de direito. Isto significa que o estado além de garantir a igualdade de todos perante a lei e o direito à participação cívica e politica dos cidadãos, é um estado que se submete ao direito. Esta é uma característica, juntamente com a separação de poderes (legislativo, executivo e judicial), dos sistemas políticos democráticos.
Os direitos de 3.ª geração emergem em função da globalização das preocupações - e procuram dar resposta aos problemas mundiais como é o caso actual do aquecimento global.
Apontamentos, textos e trabalhos de Filosofia de/para alunos do Ensino Secundário - Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Esgueira, Aveiro, PORTUGAL
domingo, 4 de julho de 2010
sábado, 26 de junho de 2010
quarta-feira, 16 de junho de 2010
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Será que tudo pode ser vivido em público?
Rita Novo
11.º A
Em linhas gerais, pensa-se que a vida pública é a vida de cada pessoa com as que a rodeiam e a privada é a de cada indivíduo consigo mesmo. Ora, estas definições não são as mais correctas. Em ambas as formas de vida existe uma relação consigo próprio e com os outros, porque não podemos prescindir da sociedade. Não é por estarmos sozinhos dentro da nossa casa que escapamos à vida na sociedade.
Então, uma vez que não se pode distinguir estas duas formas de vida pela relação com os outros, deve-se articular a resposta a esta pergunta a vários outros níveis.
Num plano mais geral, depende do modo como se apresenta a relação com os outros.
Na vida pública o que está em causa é a pessoa enquanto membro de uma colectividade independente e soberana - o Estado. Cada membro da sociedade é cidadão e, como tal, tem também uma vida política porque intervém não só na altura das eleições mas também porque faz conhecer as suas opiniões noutras circunstâncias; mas, além disso, entre o Estado e o cidadão existe um número importante de entidades políticas que têm uma autonomia parcial, precisamente a autonomia que lhes confere o Estado: em Portugal trata-se de municípios, conselhos, distritos, entre outros.
É precisamente a este nível que se desenrola a vida pública dos cidadãos e, do mesmo modo, a organização do Estado faz com que este tenha instituído instâncias públicas como tribunais, escolas e hospitais pelas quais se responsabiliza.
Assim, a vida pública centra-se mais na qualidade de cidadão, contrariamente à privada que diz respeito à vida individual da pessoa assim como às relações sociais que ela tem com os seus próximos e com os grupos aos quais se associa. No privado, o Estado não se intromete respeitando a autonomia de cada um.
Contudo, geralmente, não se fala da vida pública mas sim daquilo que se faz em público ou em privado. Os termos de público e de privado adoptam um significado diferente conforme o contexto no qual aparecem, mas o sentido primordial provém da diferença entre a vida do ser humano enquanto cidadão membro de uma colectividade autónoma e a sua vida enquanto pessoa individual tendo relações com outras pessoas particulares.
Assim, a minha questão inicial pode ter vários sentidos porque a expressão “em público” tanto pode significar o exercício político da vida como cidadão, como significar um conjunto de actividades no meio de pessoas desconhecidas, como por exemplo, na rua. Deste modo, pode tratar-se de actividades em ambientes destinados ao exercício de uma função pública, como na praia, ou ainda em ambientes privados nos quais uma multiplicidade de pessoas convive, como no balneário de uma piscina.
Concluindo, cada actividade tem um lugar próprio para se realizar; isto é, tem não só um contexto espacial e temporal específico mas também um enquadramento social particular que pode ser público ou privado.
11.º A
Em linhas gerais, pensa-se que a vida pública é a vida de cada pessoa com as que a rodeiam e a privada é a de cada indivíduo consigo mesmo. Ora, estas definições não são as mais correctas. Em ambas as formas de vida existe uma relação consigo próprio e com os outros, porque não podemos prescindir da sociedade. Não é por estarmos sozinhos dentro da nossa casa que escapamos à vida na sociedade.
Então, uma vez que não se pode distinguir estas duas formas de vida pela relação com os outros, deve-se articular a resposta a esta pergunta a vários outros níveis.
Num plano mais geral, depende do modo como se apresenta a relação com os outros.
Na vida pública o que está em causa é a pessoa enquanto membro de uma colectividade independente e soberana - o Estado. Cada membro da sociedade é cidadão e, como tal, tem também uma vida política porque intervém não só na altura das eleições mas também porque faz conhecer as suas opiniões noutras circunstâncias; mas, além disso, entre o Estado e o cidadão existe um número importante de entidades políticas que têm uma autonomia parcial, precisamente a autonomia que lhes confere o Estado: em Portugal trata-se de municípios, conselhos, distritos, entre outros.
É precisamente a este nível que se desenrola a vida pública dos cidadãos e, do mesmo modo, a organização do Estado faz com que este tenha instituído instâncias públicas como tribunais, escolas e hospitais pelas quais se responsabiliza.
Assim, a vida pública centra-se mais na qualidade de cidadão, contrariamente à privada que diz respeito à vida individual da pessoa assim como às relações sociais que ela tem com os seus próximos e com os grupos aos quais se associa. No privado, o Estado não se intromete respeitando a autonomia de cada um.
Contudo, geralmente, não se fala da vida pública mas sim daquilo que se faz em público ou em privado. Os termos de público e de privado adoptam um significado diferente conforme o contexto no qual aparecem, mas o sentido primordial provém da diferença entre a vida do ser humano enquanto cidadão membro de uma colectividade autónoma e a sua vida enquanto pessoa individual tendo relações com outras pessoas particulares.
Assim, a minha questão inicial pode ter vários sentidos porque a expressão “em público” tanto pode significar o exercício político da vida como cidadão, como significar um conjunto de actividades no meio de pessoas desconhecidas, como por exemplo, na rua. Deste modo, pode tratar-se de actividades em ambientes destinados ao exercício de uma função pública, como na praia, ou ainda em ambientes privados nos quais uma multiplicidade de pessoas convive, como no balneário de uma piscina.
Concluindo, cada actividade tem um lugar próprio para se realizar; isto é, tem não só um contexto espacial e temporal específico mas também um enquadramento social particular que pode ser público ou privado.
Como potenciar a participação dos cidadãos na vida pública
Sara Judite Ferreira Felizardo
11ºB - 21
Que princípios devem orientar a organização da sociedade de forma a potenciar a participação dos cidadãos na vida pública, ou seja, a pratica do exercício da cidadania?
Ao longo da História e da evolução da humanidade confirma-se que os homens procuram um ideal, tal como na busca pelo ideal de beleza feminino, também desejamos ter uma sociedade definida por cidadãos activos, responsáveis e com capacidade argumentativa capazes de assumir uma posição e assim, dar existência a um espaço público ideal. E, como hoje nada é garantido, temos de fazer sempre algo para estimular o exercício da cidadania para atingirmos um regime político equilibrado que é a democracia.
As realidades do passado, como a ditadura vivida em Portugal em que maior parte das pessoas são chamadas de súbditos não havendo eleições democráticas, nem mais de um partido político, nem a liberdade de expressão produziram hoje possibilidades aos cidadãos de se manifestarem e questionarem o espaço de decisão com debates de matérias de interesse público com instrução e princípios éticos como: a solidariedade, verdade e tolerância.
Perante isto, a cidadania destina-se a um ideal normativo (a que as sociedades devem obedecer) de pertencer e participar numa comunidade política e ser cidadão será ser reconhecido como um membro igual da sociedade e claramente com o direito de participar no processo político, o que corrobora de um ideal distintamente democrático. Estas noções instauradas no séc.XIX surgem após a valorização do espaço público. Eu, por exemplo ainda não sou designada por tal nome, pois não tenho direito de participar no processo político como o direito de votar. Será que todos nós poderemos abordar todos os temas que possam ser argumentáveis? Será que os que pertencem às minorias étnicas, religiosas e culturais serão ouvidos com a devida atenção?
“Sendo seres dotados de razão, somos capazes de pensar por nós próprios e elaborar ideias que podem ser dialogadas no seio da nossa sociedade.”
De acordo com a questão proposta, a construção ou reconstrução da cidadania e, consequentemente da solidez dos regimes democráticos depende fortemente das atitudes e qualidades dos seus cidadãos: a sua forma de encarar potencias rivais de identidades, o desejo de participar no processo político com vista a promover o bem público e mostrar autodomínio e pessoalmente responsáveis economicamente; e como virtude entende-se como boa qualidade de carácter que determina como as pessoas agem e tornam a vida em sociedade melhor como virtudes gerais, sociais, económicas e políticas que são necessárias em qualquer regime político mas na democracia exige-se aos seus cidadãos a capacidade de avaliar a actuação dos seus governantes que implica questionar a sua autoridade e não aceitar as suas decisões passivamente e a boa vontade para se entregar à discussão pública que inclui que num debate ganhem as ideias e propostas mais razoáveis como um ponto de partida para uma política de persuasão racional senão, em contrapartida os governantes manipulam facilmente os cidadãos e as decisões serão tomadas por quem tem mais poder.
“É graças à liberdade de expressão que existem ideias diferentes que geram debates acesos, cuja única arma possível de ser utilizada é a argumentação.” (…)”E são essas ideias que são necessárias para a construção de uma sociedade melhor, já que quando pensamos numa esfera pública pensamos (em princípio), no que é melhor para todos.”
Na minha opinião, a cidadania é mais do que indispensável da democracia, são logicamente necessárias e por isso, devemos potenciar da melhor maneira a participação dos cidadãos. É como se a cidadania tivesse uma solução para a relação entre Estado e cidadão e o que defende um regime político democrático, se nos encontrássemos num domínio científico diria que a cidadania é o paradigma da democracia que contém o seu poder no povo, nos cidadãos que podem assumir de forma activa a prática desta que passa pelas convicções ou valores que cede à democracia, pela liberdade de opinião e no respeito pela dignidade das pessoas referente à tolerância e ao dialogo e a igualdade de direito de discutir as decisões que favorecem a participação e argumentação de todos nas deliberações e na posterior escolha determinada pelo homem que têm de ser necessariamente tomadas. Não apenas na esfera estritamente política, o direito e o dever de votar!
“Já que somos animais políticos não seríamos indivíduos realizados sem o espaço público.”
A época da Pós-Modernidade, a existência de várias culturas e, por sua vez, múltiplas verdades chegando a cada pessoa possuir uma verdade em que tudo é argumentável poderá ter desagregado os homens enquanto sociedade e comunidade política havendo hoje pontos de ligação, ou seja, relações entre culturas evidenciado maioritariamente pelo desporto.
Porém, ainda teremos que responder ao problema da questão inicial e finalmente, vou apresentar algumas teorias com perspectivas muito diferentes.
Teoria do Republicanismo Aristotélico – Teoria em que é defendida que o cidadão deve participar na vida pública, pois acredita que só aí se sentirá realizado enquanto ser humano. Estas ideias inspiradas na cidadania por Aristóteles, também chamada de “humanismo cívico” em que o exercício da cidadania é a condição de possibilidade da sua própria realização total, segundo as quais a vida pública tinha valor intrínseco (valor por si: algo que é bom em si), ao contrário da vida privada que era totalmente destituída de valor. A principal crítica é que esta teoria se encontra desajustada face à actualidade, esta mudança história inclui a ascensão do amor romântico, da maior prosperidade, do trabalho e “uma antipatia cada vez maior à guerra (que os gregos admiravam)”, e hoje em dia a vida pública tem um valor meramente instrumental (é um meio adequado para algo que tem valor em si), porque é necessário promover outros valores como a solidez da democracia. Uma outra crítica será que não conhecemos nada sobre a vida das pessoas comuns da antiga Grécia e pode acontecer que os filósofos não se dedicavam tanto pela vida privada como a sua vida à filosofia e exigiam das pessoas comuns a valorização da vida pública que eles partilhavam o que poderia ser inaceitável para maior parte das pessoas como hoje em que a teoria parece-me ser inaplicável.
Teoria dos direitos – Esta teoria é baseada em ‘oferecer’ direitos aos cidadãos e, segundo esta bastar dar aos cidadãos toda esta gama de direitos que será a melhor maneira de estimular os cidadãos a participarem activamente na vida política da sua sociedade, em particular direitos sociais como a educação, cuidados médicos, reforma e fundo de desemprego com o fim de dar a todos os cidadãos uma vida condigna, independentemente do poder económico. Mas em consequência de tudo isto, as pessoas tem hoje conforto, tempo e o dinheiro e dão cada vez mais importância à sua vida privada e desprezam a vida pública o que constitui uma cidadania passiva a que a gama de direitos deu lugar. E como lhes são concedidos direitos sem exigir nada em troca, ou seja, o cidadão não se sente no dever de praticar a cidadania que respondam aos direitos que lhe foram concedidos deixa isso entregue aos governantes.
Teoria conservadora – Por sua vez, os conservadores exigem deveres sociais básicos que correspondam aos seus direitos como nesta caso, a sua independência económica, a capacidade autónoma e responsável para ganhar a vida e não depender do fundo de desemprego. Assim, o cidadão tem de compreender como funcionam os mercados e saber orientar-se por si o que implica a sua participação sobre a vida pública. Esta teoria defende que são os mercados, com as suas regras que estimulam o exercício da cidadania.
Contudo, uma coisa não implica a outra, a autonomia económica não implica a cidadania, tal como a palavra autonomia diz, o cidadão tende a preocupar-se exclusivamente do seu bem-estar económico, mais uma vez da vida privada. Mas uma crítica que oferecerá mais ‘resistência’ será o facto de se dar extrema importância à vida económica que promove comportamentos no seres humanos incompatíveis com as virtudes cívicas atendendo unicamente aos seus próprios interesses económicos e quando há conflitos de interesses quem terá mais poder acabará por obter melhores resultados ao contrário do que seria racionalmente justo e melhor para a sociedade. Por fim, este tipo de comportamentos só lesam a sociedade, não ajudam na prática da virtude da imparcialidade e da argumentação honesta mas sim o aproveitamento de vantagens para seu próprio benefício.
Teoria da sociedade civil – Esta teoria defende como meio para estimular a cidadania as organizações voluntárias da sociedade civil, como as igrejas, as associações étnicas, os grupos ecologistas, as organizações de caridade, etc.
Cada associação civil corresponde a um modelo da sociedade em que os cidadãos aprendem a cultivar as virtudes fundamentais e necessárias ao exercício da cidadania: teremos de saber trabalhar em conjunto com outros, discutir ideias, determinar cursos de acção e fazer escolhas alternativas sendo por isso chamada de «escola cívica». Porém, por vezes as diferentes associações cultivam diferentes atitudes que nem sempre são compatíveis com as virtudes necessárias à cidadania como por exemplo o princípio NIMBY que consiste numa expressão inglesa ‘not in my back yard’: «No meu quintal não.», em que determinada estrutura tem de ser construída para bem da comunidade como por exemplo uma prisão e o tipo de atitude das associações será unicamente de recusa e impossibilitar uma discussão que inclui a capacidade para avaliar uma situação com imparcialidade que é uma virtude fundamental da cidadania, pensando no bem geral e não apenas no seu próprio bem-estar. Tratando-se apenas de não as querer perto da ‘nossa casa’ e não de argumentar que não será necessária mas será evidente quem têm de ficar perto da ‘casa’ de alguém.
Teoria da virtude liberal – Esta última teoria defende que a escola é o lugar para cultivar as virtudes fundamentais da cidadania, nomeadamente a atitude crítica perante as autoridades/ governantes e a imparcialidade racional que permitem as discussões racionais de ideias.
No entanto, o sistema de ensino nem sempre promove a atitude crítica perante as autoridades, neste caso, o professor e o manual que não são colocados em causa e os estudantes habituam-se unicamente a compreender ou a decorar o que lhes é ensinado. Por isso, acho que a disciplina de filosofia é tão importante visto que, desenvolve a nossa capacidade crítica e adquirimos instrução. Todavia, este sentido crítico poderá por em causa o respeito absoluto das tradições religiosas, sociais e culturais. Como por exemplo, se um estudante cristão entra numa escola liberal onde todas as ideias são criticadas abertamente, é muito provável que se comece a questionar (o que pessoalmente eu não acho errado, pois só assim fará a melhor opção para si) e entre em conflito com a comunidade religiosa e assim, aplicar o sentido crítico adquirido na escola a outros aspectos da sua vida. E, como nós todos temos diferentes interesses, não se segue que os estudantes tenham qualquer interesse em intervir na vida pública e assim, não aplicam à vida pública a discussão crítica cultivada na escola.
O que na minha vida e na minha forma de pensar não faz nenhum sentido pois, se estou a cultivar a minha atitude crítica aprendendo a discutir ideias e novas perspectivas e a aprender a importância da imparcialidade, faz todo o sentido aplicar à minha futura vida pública. Na minha perspectiva, é como desperdiçar água potável enquanto em outros locais do mundo à falta dela.
Perante todas estas teorias verificamos que é mais fácil criticar do que construir uma sociedade com determinados princípios que potenciem o exercício da cidadania mas, por outro lado será assim que nos vamos aproximar da verdade e da construção de um regime democrático sólido. Nenhuma destas teorias apresenta condições necessárias e suficientes para a prática do exercício da cidadania à excepção da teoria da virtude liberal que para além de estimular os cidadãos à prática da cidadania, cultiva as virtudes fundamentais desta que permite discussões racionais apesar de serem rejeitadas por muitas comunidades. Embora sejam apresentadas críticas à Teoria da sociedade civil como os cidadãos não serem auto-suficientes (têm de ser membros de algo para adquirem competência política), eu considero que seja a mais plausível e nos últimos tempos tem vindo a ganhar força e abrange grupos em harmonia ou em conflito e pressiona em direcção a determinadas opções políticas produzindo estruturas como as organizações que favorecem a cidadania em que cidadãos previamente passivos como se transfiguram em cidadãos activos e interventivos. “Para um governo democrático, é muito perigoso que um estado ocupe todo o espaço disponível e não haja associações alternativas, espaço social protegido no qual as pessoas possam encontrar alívio da política, sarar feridas, confortar-se e ganhar forças para novos embates.”
O que seria de nós sem uma Sociedade Civil forte ‘que incluem também uma imensa diversidade de grupos que defendem posições fortes relativamente a uma questão específica sobre o aborto, a venda de armas, a prática de preces nas escolas, a pena de morte, etc.’?
Para mim, a cidadania é a formula que ainda responde melhor ao desafio de “vivermos juntos”.
Espaço Publico e Espaço Privado: Limites e vantagens dos Media
Sara Gamelas
11.º A
O ser Humano é um ser social em que essa sociabilidade está presente desde o momento que se nasce até que morre. A sociedade que acolhe o Homem tem uma cultura própria que nos transmite um modo específico de pensar, sentir e agir. Assim como na família existem pontos de vista diferentes e regras impostas pela autoridade dos pais, também na sociedade nos deparamos com regras e normas com intuito de garantir o bem de todos. Para tal, são definidos não apenas os direitos de cada um, como também os deveres, ou seja, o que podemos receber e o que temos que dar à sociedade. Só com regras, normas e leis é que se torna possível formar uma sociedade organizada e estável que promova o bem colectivo.
O Homem integrado na sociedade é por natureza como citava Aristóteles, um “animal político”. Isto significa, a forma como devemos reflectir acerca da nossa situação social, como nos organizamos dentro de um espaço comum na qual devemos ser práticos ao longo da vida enquanto cidadãos. Ser cidadão significa aquele que habita na cidade em que usufrui de direitos civis e políticos incutidos nela. Na democracia ateniense antiga, o cidadão era considerado um homem livre com capacidade de se auto governar, de participar nas decisões públicas da sociedade com o objectivo de determinar as suas obrigações naturais ligadas á sua subsistência e á da sua família. Deste modo os filósofos identificaram a existência de duas esferas na vida do Homem, privada e pública.
Espaço público e privado são dois conceitos utilizados de forma distinta de que os antigos usavam. Enquanto ser livre e dotado de consciência moral, com a capacidade de decidir e de liberar responsavelmente a sua individualidade, isto é, espaço privado. No entanto, cada vez que o indivíduo age de forma a interferir no seio da colectividade remete-nos para o espaço público. Assim, no espaço privado o individualismo procura o melhor para si, visto este ser onde efectuamos a nossa introspecção pessoal sem o intuito de o publicitar pois somente se reflecte acerca das ideias de forma a alimentar o espaço publico, enquanto que neste o Homem procura o bem para todos pois potencia a reflexão privada publicitando-a e tornando-a comum. Neste contexto predomina a liberdade de expressão de forma a deliberar, discutir, dando-lhe sentido tornando possível o nascimento do político. Assim o espaço público sobrepõe-se ao privado pelo facto de permitir ao Homem a realização da sua natureza política.
Estes dois conceitos de espaço permitiram ao Homem reflectir no sentido ético-politico. O conceito de ética não é de todo inseparável da política visto a ética se designar pela arte de escolher o que mais convém ao Homem com o objectivo de viver o melhor possível. Por sua vez, a política organiza a convivência social de forma a que cada individuo escolha o que mais beneficie. Contudo há diferenças importantes de salientar pois a ética ocupa-se do que a própria pessoa faz com a sua liberdade e a politica tenta determinar a forma mais conveniente de pôr em prática a liberdade.
A liberdade Humana pode ser influenciada por os media. Estes caracterizam-se por toda a comunicação jornalística sendo a informação que entra diariamente em nossas casas. As suas principais virtudes são a argumentação e a persuasão pois o domínio da comunicação visa persuadir o auditório de modo a utilizar uma linguagem o mais simples possível para ser entendido por qualquer indivíduo, ou seja, permite a adequação da informação ao público mais singular. No entanto, há também limites, manipulam e seduzem de forma a convencer o auditório de que a informação transmitida é a mais correcta e a mais benéfica (Exemplo: Relógio usado por uma figura pública transmite ao auditório que este é o melhor a ser utilizado). Porém, a informação que nos é transmitida não permite qualquer tipo de reciprocidade, ou seja, é – nos difícil aceder ou confrontar os media com a veracidade da informação disponível. Devido a essa dificuldade o auditório interpreta a informação como sendo verdadeira, isto significa que o auditório vive na ilusão, pois como sabemos nem toda a informação que nos é dada é justificada.
Este facto verifica-se, por exemplo, na teoria de K. Popper, o falsificacionismo que nos transmite que a partir da análise de fenómenos lógicos do processo indutivo concluímos que por maior que seja o número de observações particulares não há justificação racional para a sua generalização a todos os casos. Deste modo o grande objectivo deste modelo é de refutar as teorias e eliminar progressivamente os erros. Consequentemente as teorias que resistirem às tentativas da falsificação são consideradas teorias corroboradas e aceites provisoriamente.
Em suma, os media são portadores de privatização, obedecem a leis de mercado de oferta, ou seja, toda a informação reverte-se para a necessidade dos indivíduos e não do espaço público, pois temos como consequência o privilégio de satisfazer os interesses particulares de cada um, ou até mesmo do próprio jornal. Isto significa que os media visam satisfazer e enriquecer o intelecto de cada um. Contudo estes interferem na reflexão pessoal e possivelmente na decisão individual.
No meu ponto de vista os media têm um papel imprescindível no espaço público no sentido da transmissão da informação que possibilita o aumento do nosso conhecimento. No entanto, a maneira que nos transmitem a informação nem sempre é o mais correcto pois preocupam-se com a linguagem utilizada simplesmente com o intuito de despertar interesse, desejo ou emoção ao leitor
11.º A
O ser Humano é um ser social em que essa sociabilidade está presente desde o momento que se nasce até que morre. A sociedade que acolhe o Homem tem uma cultura própria que nos transmite um modo específico de pensar, sentir e agir. Assim como na família existem pontos de vista diferentes e regras impostas pela autoridade dos pais, também na sociedade nos deparamos com regras e normas com intuito de garantir o bem de todos. Para tal, são definidos não apenas os direitos de cada um, como também os deveres, ou seja, o que podemos receber e o que temos que dar à sociedade. Só com regras, normas e leis é que se torna possível formar uma sociedade organizada e estável que promova o bem colectivo.
O Homem integrado na sociedade é por natureza como citava Aristóteles, um “animal político”. Isto significa, a forma como devemos reflectir acerca da nossa situação social, como nos organizamos dentro de um espaço comum na qual devemos ser práticos ao longo da vida enquanto cidadãos. Ser cidadão significa aquele que habita na cidade em que usufrui de direitos civis e políticos incutidos nela. Na democracia ateniense antiga, o cidadão era considerado um homem livre com capacidade de se auto governar, de participar nas decisões públicas da sociedade com o objectivo de determinar as suas obrigações naturais ligadas á sua subsistência e á da sua família. Deste modo os filósofos identificaram a existência de duas esferas na vida do Homem, privada e pública.
Espaço público e privado são dois conceitos utilizados de forma distinta de que os antigos usavam. Enquanto ser livre e dotado de consciência moral, com a capacidade de decidir e de liberar responsavelmente a sua individualidade, isto é, espaço privado. No entanto, cada vez que o indivíduo age de forma a interferir no seio da colectividade remete-nos para o espaço público. Assim, no espaço privado o individualismo procura o melhor para si, visto este ser onde efectuamos a nossa introspecção pessoal sem o intuito de o publicitar pois somente se reflecte acerca das ideias de forma a alimentar o espaço publico, enquanto que neste o Homem procura o bem para todos pois potencia a reflexão privada publicitando-a e tornando-a comum. Neste contexto predomina a liberdade de expressão de forma a deliberar, discutir, dando-lhe sentido tornando possível o nascimento do político. Assim o espaço público sobrepõe-se ao privado pelo facto de permitir ao Homem a realização da sua natureza política.
Estes dois conceitos de espaço permitiram ao Homem reflectir no sentido ético-politico. O conceito de ética não é de todo inseparável da política visto a ética se designar pela arte de escolher o que mais convém ao Homem com o objectivo de viver o melhor possível. Por sua vez, a política organiza a convivência social de forma a que cada individuo escolha o que mais beneficie. Contudo há diferenças importantes de salientar pois a ética ocupa-se do que a própria pessoa faz com a sua liberdade e a politica tenta determinar a forma mais conveniente de pôr em prática a liberdade.
A liberdade Humana pode ser influenciada por os media. Estes caracterizam-se por toda a comunicação jornalística sendo a informação que entra diariamente em nossas casas. As suas principais virtudes são a argumentação e a persuasão pois o domínio da comunicação visa persuadir o auditório de modo a utilizar uma linguagem o mais simples possível para ser entendido por qualquer indivíduo, ou seja, permite a adequação da informação ao público mais singular. No entanto, há também limites, manipulam e seduzem de forma a convencer o auditório de que a informação transmitida é a mais correcta e a mais benéfica (Exemplo: Relógio usado por uma figura pública transmite ao auditório que este é o melhor a ser utilizado). Porém, a informação que nos é transmitida não permite qualquer tipo de reciprocidade, ou seja, é – nos difícil aceder ou confrontar os media com a veracidade da informação disponível. Devido a essa dificuldade o auditório interpreta a informação como sendo verdadeira, isto significa que o auditório vive na ilusão, pois como sabemos nem toda a informação que nos é dada é justificada.
Este facto verifica-se, por exemplo, na teoria de K. Popper, o falsificacionismo que nos transmite que a partir da análise de fenómenos lógicos do processo indutivo concluímos que por maior que seja o número de observações particulares não há justificação racional para a sua generalização a todos os casos. Deste modo o grande objectivo deste modelo é de refutar as teorias e eliminar progressivamente os erros. Consequentemente as teorias que resistirem às tentativas da falsificação são consideradas teorias corroboradas e aceites provisoriamente.
Em suma, os media são portadores de privatização, obedecem a leis de mercado de oferta, ou seja, toda a informação reverte-se para a necessidade dos indivíduos e não do espaço público, pois temos como consequência o privilégio de satisfazer os interesses particulares de cada um, ou até mesmo do próprio jornal. Isto significa que os media visam satisfazer e enriquecer o intelecto de cada um. Contudo estes interferem na reflexão pessoal e possivelmente na decisão individual.
No meu ponto de vista os media têm um papel imprescindível no espaço público no sentido da transmissão da informação que possibilita o aumento do nosso conhecimento. No entanto, a maneira que nos transmitem a informação nem sempre é o mais correcto pois preocupam-se com a linguagem utilizada simplesmente com o intuito de despertar interesse, desejo ou emoção ao leitor
domingo, 6 de junho de 2010
O PROBLEMA DA INFORMAÇÃO
Ana Filipa Moleiro
11ºA nº2
Frequentemente ouvimos dizer que vivemos na Era da informação. Vivemos num mundo globalizado onde qualquer facto que tenha acontecido chega em pouco tempo ao outro canto do mundo. Temos a possibilidade de saber em qualquer instante o que está a acontecer, o que aconteceu e até previsões do que acontecerá. No entanto, será que podemos designar por informação tudo aquilo que nos chega?
Esta globalização é, sem dúvida, uma consequência evidente da evolução e desenvolvimento exponencial dos media. Os media estão, hoje em dia, completamente inseridos no nosso quotidiano. Uma pessoa que não veja o telejornal durante uma semana nem que leia um jornal torna-se numa pessoa que parece que não vive no nosso mundo. Os media constituem o melhor sistema de informação que se possa conceber. Uma teia apertada cobre a superfície do globo, capta e transmite imediatamente os acontecimentos .
Contudo, embora os media sejam o melhor sistema de transmissão de informação, será que aquilo que transmitem é de facto informação? Para conseguirmos responder a esta questão, penso que deveríamos começar por definir o que é informação, uma vez que se tentarmos responder a um problema sem dominarmos aquilo que está em causa então a sua resolução será impossível. Desta forma, definir informação torna-se crucial para que prossigamos com uma possível resposta.
Segundo Claude Elwood Shannon, um engenheiro electricista e matemático americano que é considerado o fundador da Teoria da Informação, informação é tudo aquilo que reduz a incerteza. Desta forma, então tudo aquilo que nos é fornecido através dos media será informação se conseguir reduzir as incertezas. Como nos apercebemos facilmente, estamos então rodeados de quantidades absurdas de artigos que nos são tantas vezes apresentados como informação, mas que, na verdade, não o são.
A designação de Era da Informação está assim errada, uma vez que o que temos não é informação e sim uma explosão de dados e factos que, isoladamente, não têm significado e não produzem compreensão.
Esta falsa informação que nos é revelada é facilmente explicada pela necessidade de vender. Como é evidente, um jornal não tem futuro se não conseguir lucrar, e, para isso, é necessário vender jornais. Ora, para que tal aconteça, é necessário que aquilo que é publicado seja do interesse da população.
Torna-se assim imperativo colocar a seguinte questão: Se os jornais nos bombardeiam de artigos que não são informação e mesmo assim os compramos ou se os jornais com menos informação são os mais vendidos, então o que está mal?
Podemos imediatamente inferir que aquilo que está mal é a sociedade. O que condiciona e conduz a esta falta de verdadeira informação é o facto de a própria sociedade a apreciar e a desejar. Todos criticam as revistas cor-de-rosa, mas a verdade é que cada vez existem mais. Todos criticam certos canais de televisão pelos seus deploráveis telejornais ou outros programas, mas a verdade é que as audiências não param de subir. Coloca-se assim um problema que não apresenta um fim. Como é que se há-de resolver o problema da falta de verdadeira informação se grande parte da sociedade gosta dessa não-informação e nem sequer procura a verdadeira? Entramos assim numa questão que apenas se torna resolúvel se se reeducar a sociedade, se se criar na sociedade novamente o interesse pelo verdadeiro conhecimento.
Porém, terei eu, enquanto indivíduo e, nós, considerando as pessoas que partilham a mesma opinião que eu, o direito de criticar e julgar essas pessoas? Embora essa não-informação não leve a uma redução das incertezas, que direito tenho eu de dizer que é pior do que aquilo que eu considero informação? Cada pessoa possui critérios valorativos diferentes, dá importância a coisas diferentes. Se, vivendo numa democracia e considerando que todas as pessoas são livres e iguais em dignidade e em direitos, Dotados de razão e de consciência , como posso eu dizer que aquilo que valoram é menos importante?
Aparentemente, teria que ir contra a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Contudo, talvez não seja necessário fazê-lo e talvez até a própria declaração nos ajude a resolver a questão.
É evidente que não podemos criticar as pessoas por gostarem de saber isto ou aquilo que não é realmente informação. No fundo, todos nós gostamos de nos divertir, de relaxar e esquecer o trabalho e, de facto, muita da suposta informação que passa tem um certo carácter lúdico. Contudo, temos que ter consciência de que isso não é verdadeira informação e perceber que para além do mero entretenimento temos que conhecer o que realmente informa. Assim como está escrito nos Direitos Humanos que todos os homens são livres, também está escrito que todos os homens são dotados de razão e consciência, mas, para isso, é necessário que de facto percebam que necessitam de verdadeira informação e não meros factos que os distraiam. O culto da mera diversão, da despreocupação com o importante, intimamente ligado à ausência de inquietações culturais verdadeiras, provoca a perda do centro de gravidade das hierarquizações humanas .
O homem que não se questiona, que não procura saber, é um ser alienado, despossuído de cultura, que se guia pela coordenada da indiferença produzida pela saturação de antagonismos3. Ora, a humanidade tem sofrido um desenvolvimento fantástico, será que queremos, nós, século XXI, parar esta sinergia?
11ºA nº2
Frequentemente ouvimos dizer que vivemos na Era da informação. Vivemos num mundo globalizado onde qualquer facto que tenha acontecido chega em pouco tempo ao outro canto do mundo. Temos a possibilidade de saber em qualquer instante o que está a acontecer, o que aconteceu e até previsões do que acontecerá. No entanto, será que podemos designar por informação tudo aquilo que nos chega?
Esta globalização é, sem dúvida, uma consequência evidente da evolução e desenvolvimento exponencial dos media. Os media estão, hoje em dia, completamente inseridos no nosso quotidiano. Uma pessoa que não veja o telejornal durante uma semana nem que leia um jornal torna-se numa pessoa que parece que não vive no nosso mundo. Os media constituem o melhor sistema de informação que se possa conceber. Uma teia apertada cobre a superfície do globo, capta e transmite imediatamente os acontecimentos .
Contudo, embora os media sejam o melhor sistema de transmissão de informação, será que aquilo que transmitem é de facto informação? Para conseguirmos responder a esta questão, penso que deveríamos começar por definir o que é informação, uma vez que se tentarmos responder a um problema sem dominarmos aquilo que está em causa então a sua resolução será impossível. Desta forma, definir informação torna-se crucial para que prossigamos com uma possível resposta.
Segundo Claude Elwood Shannon, um engenheiro electricista e matemático americano que é considerado o fundador da Teoria da Informação, informação é tudo aquilo que reduz a incerteza. Desta forma, então tudo aquilo que nos é fornecido através dos media será informação se conseguir reduzir as incertezas. Como nos apercebemos facilmente, estamos então rodeados de quantidades absurdas de artigos que nos são tantas vezes apresentados como informação, mas que, na verdade, não o são.
A designação de Era da Informação está assim errada, uma vez que o que temos não é informação e sim uma explosão de dados e factos que, isoladamente, não têm significado e não produzem compreensão.
Esta falsa informação que nos é revelada é facilmente explicada pela necessidade de vender. Como é evidente, um jornal não tem futuro se não conseguir lucrar, e, para isso, é necessário vender jornais. Ora, para que tal aconteça, é necessário que aquilo que é publicado seja do interesse da população.
Torna-se assim imperativo colocar a seguinte questão: Se os jornais nos bombardeiam de artigos que não são informação e mesmo assim os compramos ou se os jornais com menos informação são os mais vendidos, então o que está mal?
Podemos imediatamente inferir que aquilo que está mal é a sociedade. O que condiciona e conduz a esta falta de verdadeira informação é o facto de a própria sociedade a apreciar e a desejar. Todos criticam as revistas cor-de-rosa, mas a verdade é que cada vez existem mais. Todos criticam certos canais de televisão pelos seus deploráveis telejornais ou outros programas, mas a verdade é que as audiências não param de subir. Coloca-se assim um problema que não apresenta um fim. Como é que se há-de resolver o problema da falta de verdadeira informação se grande parte da sociedade gosta dessa não-informação e nem sequer procura a verdadeira? Entramos assim numa questão que apenas se torna resolúvel se se reeducar a sociedade, se se criar na sociedade novamente o interesse pelo verdadeiro conhecimento.
Porém, terei eu, enquanto indivíduo e, nós, considerando as pessoas que partilham a mesma opinião que eu, o direito de criticar e julgar essas pessoas? Embora essa não-informação não leve a uma redução das incertezas, que direito tenho eu de dizer que é pior do que aquilo que eu considero informação? Cada pessoa possui critérios valorativos diferentes, dá importância a coisas diferentes. Se, vivendo numa democracia e considerando que todas as pessoas são livres e iguais em dignidade e em direitos, Dotados de razão e de consciência , como posso eu dizer que aquilo que valoram é menos importante?
Aparentemente, teria que ir contra a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Contudo, talvez não seja necessário fazê-lo e talvez até a própria declaração nos ajude a resolver a questão.
É evidente que não podemos criticar as pessoas por gostarem de saber isto ou aquilo que não é realmente informação. No fundo, todos nós gostamos de nos divertir, de relaxar e esquecer o trabalho e, de facto, muita da suposta informação que passa tem um certo carácter lúdico. Contudo, temos que ter consciência de que isso não é verdadeira informação e perceber que para além do mero entretenimento temos que conhecer o que realmente informa. Assim como está escrito nos Direitos Humanos que todos os homens são livres, também está escrito que todos os homens são dotados de razão e consciência, mas, para isso, é necessário que de facto percebam que necessitam de verdadeira informação e não meros factos que os distraiam. O culto da mera diversão, da despreocupação com o importante, intimamente ligado à ausência de inquietações culturais verdadeiras, provoca a perda do centro de gravidade das hierarquizações humanas .
O homem que não se questiona, que não procura saber, é um ser alienado, despossuído de cultura, que se guia pela coordenada da indiferença produzida pela saturação de antagonismos3. Ora, a humanidade tem sofrido um desenvolvimento fantástico, será que queremos, nós, século XXI, parar esta sinergia?
sábado, 5 de junho de 2010
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Kant e os 3 tipos de acção
OS TRÊS TIPOS DE ACÇÃO
Um comerciante pode praticar um preço injusto, incorrecto, ou praticar um preço justo, correcto. No primeiro caso é evidente que a sua acção é imoral, é injusta é uma acção má – sem valor moral.
Mas praticando o preço justo, correcto, a sua acção é necessariamente BOA, tem valor moral? Dito de outra forma: basta a sua acção ser correcta ou justa para ser BOA ou ter valor moral?
NÃO. Porquê?
Considerando o exemplo do comerciante que pratica o mesmo preço para todos os clientes, podemos perguntar porque se recusa a ser desonesto?
Temos duas Hipótese:
A) Será por cálculo e interesse que procede assim?
B) Ou será por respeito pela lei moral (racional e interna) que prescreve a honestidade?
De acordo com a Hipótese A) age correctamente para manter a reputação de honesto, ou para evitar a reputação de injusto, ganancioso, ou, ainda, para não perder a sua clientela, então age em conformidade com o dever, mas não por dever.
De acordo com a Hipótese B) age por respeito pelo dever.
Assim, temos 3 tipos de acção:
1) acção contra o dever: é o que acontece quando o comerciante explora os clientes, praticando preços abusivos. São acções que estão em contradição com o dever são, neste sentido, destituídas de valor moral.
2) acção conforme ao dever: é o caso do comerciante que não vende os produtos mais caros para não sofrer as consequências, podia ser prejudicado posteriormente. Esta acção também não tem valor moral porque ela não passa de um meio para o comerciante obter um determinado fim, exterior à acção. Neste caso o comerciante não agiu unicamente por obediência ao dever, apenas agiu de acordo ou em conformidade com a lei permanecendo no plano da legalidade. Agiu por interesse pessoal.
3) acção por respeito ao dever: a moralidade exige que se actue unicamente por respeito à lei moral, por dever. É o caso do comerciante que não vende caro porque sabe que esse é o seu dever. só assim cumpre a lei moral que a sua razão criou.
Para Kant estas são as verdadeiras acções morais, pois o valor reside na intenção que anima a acção. Sendo praticadas por respeito ao dever, a acção constitui um fim em si mesmo e não um meio para obter uma recompensa (exterior e consequência posterior).Isto significa que o homem só age bem se actuar por dever. E agir por dever é agir por respeito à lei moral e não por submissão às consequências ou ao fim a atingir.
Um comerciante pode praticar um preço injusto, incorrecto, ou praticar um preço justo, correcto. No primeiro caso é evidente que a sua acção é imoral, é injusta é uma acção má – sem valor moral.
Mas praticando o preço justo, correcto, a sua acção é necessariamente BOA, tem valor moral? Dito de outra forma: basta a sua acção ser correcta ou justa para ser BOA ou ter valor moral?
NÃO. Porquê?
Considerando o exemplo do comerciante que pratica o mesmo preço para todos os clientes, podemos perguntar porque se recusa a ser desonesto?
Temos duas Hipótese:
A) Será por cálculo e interesse que procede assim?
B) Ou será por respeito pela lei moral (racional e interna) que prescreve a honestidade?
De acordo com a Hipótese A) age correctamente para manter a reputação de honesto, ou para evitar a reputação de injusto, ganancioso, ou, ainda, para não perder a sua clientela, então age em conformidade com o dever, mas não por dever.
De acordo com a Hipótese B) age por respeito pelo dever.
Assim, temos 3 tipos de acção:
1) acção contra o dever: é o que acontece quando o comerciante explora os clientes, praticando preços abusivos. São acções que estão em contradição com o dever são, neste sentido, destituídas de valor moral.
2) acção conforme ao dever: é o caso do comerciante que não vende os produtos mais caros para não sofrer as consequências, podia ser prejudicado posteriormente. Esta acção também não tem valor moral porque ela não passa de um meio para o comerciante obter um determinado fim, exterior à acção. Neste caso o comerciante não agiu unicamente por obediência ao dever, apenas agiu de acordo ou em conformidade com a lei permanecendo no plano da legalidade. Agiu por interesse pessoal.
3) acção por respeito ao dever: a moralidade exige que se actue unicamente por respeito à lei moral, por dever. É o caso do comerciante que não vende caro porque sabe que esse é o seu dever. só assim cumpre a lei moral que a sua razão criou.
Para Kant estas são as verdadeiras acções morais, pois o valor reside na intenção que anima a acção. Sendo praticadas por respeito ao dever, a acção constitui um fim em si mesmo e não um meio para obter uma recompensa (exterior e consequência posterior).Isto significa que o homem só age bem se actuar por dever. E agir por dever é agir por respeito à lei moral e não por submissão às consequências ou ao fim a atingir.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
A TV (e a net?), a palavra e a in-capacidade de pensar
A rádio, o cinema e a televisão fizeram desaparecer radicalmente a distância que o leitor é obrigado a observar quando lê um texto imprimido – distância que exigia a assimilação de carácter privado, sendo ao mesmo tempo a condição necessária de uma esfera pública onde tinha lugar uma troca reflectida sobre o que se tinha lido. Os novos media transformam a estrutura da comunicação enquanto tal; o seu impacto é, nessa medida, mais penetrante, no sentido literal do termo, que não foi nunca aquela da Imprensa. O comportamento do público transforma-se também sob o constrangimento do “don´t talk back”*, dado o facto das emissões, tal como são difundidas pelos novos media, reduzirem singularmente a possibilidade que os seus destinatários têm de reagir, o que não se verifica em tal grau com as informações imprimidas. Os novos media cativam o público dos espectadores e dos auditores, retirando-lhes ao mesmo tempo toda a «distância emancipadora (Mündigkeit)», isto é a possibilidade de tomar a palavra e de contradizer. O uso que o público dos leitores fazia da sua razão tende a esfumar-se em prol das simples «opiniões de gosto e inclinação» que alteram os consumidores: e mesmo o facto de se falar daquilo que consumimos, essa «contra-prova das experiências do gosto», é integrado no próprio processo de consumo.
Esse universo produzido pelos mass media não tem senão a aparência de uma esfera pública; assim como é igualmente ilusório que permaneça intacta a esfera privada que ela deveria garantir aos seus consumidores.»
Habermas, Jürgen, L´espace public, Archéologie de la publicité comme dimension constitutive de la sociéte bourgeoise, Éditions Payot, Paris, 1992, p.179
Esse universo produzido pelos mass media não tem senão a aparência de uma esfera pública; assim como é igualmente ilusório que permaneça intacta a esfera privada que ela deveria garantir aos seus consumidores.»
Habermas, Jürgen, L´espace public, Archéologie de la publicité comme dimension constitutive de la sociéte bourgeoise, Éditions Payot, Paris, 1992, p.179
Cidadania - uma definição
Em contextos filosóficos, a cidadania refere-se a um ideal normativo substancial de pertença e participação numa comunidade política. Ser um cidadão, neste sentido, é ser reconhecido como um membro integral e igual da sociedade, com o direito de participar no processo político. Como tal, trata-se de um ideal distintamente democrático. As pessoas que são governadas por ditaduras monárquicas ou militares são súbditos e não cidadãos.
Will Kymlicka, «Cidadania»
Will Kymlicka, «Cidadania»
sábado, 22 de maio de 2010
quinta-feira, 20 de maio de 2010
terça-feira, 18 de maio de 2010
Espaço Público Grego e Espaço Público Moderno
“No contexto grego clássico, o que hoje se chama «espaço público» remetia então para a praça pública, a ágora, ou seja, o lugar concreto onde os cidadãos devem reunir-se para debater sobre assuntos que dizem respeito ao governo da cidade. Retrospectivamente, alguns pensadores contemporâneos, tais como H. G. Gadamer, mas em especial Hannah Arendt, retomaram o conceito aristotélico da Política, pondo em relevo as oposições entre polis e oikos, entre o político e o económico e, de maneira correlativa, entre o público e o privado, a liberdade e a necessidade, o poder e a dominação, a «prática» (praxis) e o «técnico» (techné).
Na apresentação que se costuma fazer hoje em dia, a polis grega é esse espaço político cujo carácter essencialmente público a distingue da oikos, esfera privada da domesticidade e, por extensão, do económico. De um modo geral, a ordem política da Cidade deve estar autonomi¬zada relativamente ao conjunto das actividades sociais, redes de interesses governados por um pacto, que configuram para nós uma espécie de sociedade civil. Política e esfera pública coinci¬dem rigorosamente. À política corresponde a praxis, ou seja, a acção comum, concertada ten¬dente aos melhores fins da Cidade ao concluir um diálogo: lexis. (…)
Só a esfera privada doméstica, e não o espaço público, admite a dominação: é o poder que o dono da casa exerce exclusivamente sobre as mulheres, as crianças, os escravos e, em geral, em toda a esfera doméstica onde se produzem os processos biológicos, em especial «privados»: nas¬cimento, morte, reprodução, subsistência, onde quer que reine a «necessidade». Pelo contrário, a esfera pública política é idealizada como um reino da liberdade (no sentido dos antigos), uma liberdade que se expressa num direito igual, para todos os cidadãos, a participar directamente nos assuntos públicos.
Relativamente ao espaço público moderno, pode dizer-se que é uma criação da Ilustração. Com perspectivas filosóficas e políticas muito diferentes, J. Habermas e R. Koselleck trataram de reconstruir a sua origem e o seu desenvolvimento até aos nossos dias. No início, o «espaço público burguês» talvez correspondesse à institucionalização de uma crítica que empregava os meios da moral para reduzir ou «racionalizar» a dominação política. No contexto da época, isto significava «impugnar o princípio absolutista». Este expressa-se, em particular, na fórmula de Hobbes: Auctoritas non veritas facit 1egem [A autoridade e não a verdade dita a lei]. A Ilustração consagra a sua inversão pura e simples: A verdade e não a autoridade dita a lei.
Na sua reconstrução, R. Koselleck explica como, desde o século XVI, na Europa Ocidental, e ante a ameaça de perturbação que representavam as Guerras da Religião, a necessidade de manter uma coesão social pôde justificar a instituição tipicamente moderna de uma «esfera privada» da opinião e da crença: a consciência individual deve ser, por assim dizer, «privatizada» na qualidade de «foro interno» sacrossanto, enquanto que o domínio público, ideologicamente neutro, é dirigido por uma «razão» nova, distinta da «opinião»: a razão de Estado. No campo da doutrina, Hobbes é quem con¬sagra a separação do público e do privado, da razão e da opinião, da política e da moral.
Não obstante, o domínio público não fora entregue a um espaço público: estava antes confinado a esse espaço privado um tanto paradoxal da «razão de Estado» e do «segredo de Estado». O que cria a abertura da Publicidade e opera a transubstanciação do domínio público em espaço público é a força exterior da crítica. O impulso não vem de «cima». Vem de «baixo», quando as pessoas particulares, reunidas nos salões, nos cafés e nos clubes constituem as primeiras «esferas públicas» ¬burguesas para trocar as suas experiências. A autonomia privada da consciência, individual, núcleo do espaço público moderno, adquire a sua própria força da crítica. Protegida pela imunidade do foro interno, converte-se em pequeno tribunal, em instância moral fora da qual os indivíduos pedirão razões à política, primeiramente de forma encoberta e depois de modo aberto. (…)
Apesar das suas diferenças, os dois modelos mencionados - clássico e moderno - do espaço público político aceitam um princípio argumentativo; remetem ambos para um contexto de ilustração em sentido amplo, favorável ao mesmo .tempo ao desenvolvimento da democracia e à difusão da filosofia. Mas, ao que parece, só no contexto da modernidade, a ilustração pôde desenvolver uma espécie de «dialéctica», durante a qual o espaço público se transformou pro¬fundamente até ao estado social de hoje, sem romper radicalmente com o seu princípio funda¬dor: a argumentação pública e a discussão racional assentes sobre a base da liberdade formal e da igualdade de direitos. (…)”
].-M. Ferry, “Las transformaciones de la publicidad política”, in EI Nuevo Espaço Público, Barcelona, Editorial Gedisa, 1995, pp.13-16.
Na apresentação que se costuma fazer hoje em dia, a polis grega é esse espaço político cujo carácter essencialmente público a distingue da oikos, esfera privada da domesticidade e, por extensão, do económico. De um modo geral, a ordem política da Cidade deve estar autonomi¬zada relativamente ao conjunto das actividades sociais, redes de interesses governados por um pacto, que configuram para nós uma espécie de sociedade civil. Política e esfera pública coinci¬dem rigorosamente. À política corresponde a praxis, ou seja, a acção comum, concertada ten¬dente aos melhores fins da Cidade ao concluir um diálogo: lexis. (…)
Só a esfera privada doméstica, e não o espaço público, admite a dominação: é o poder que o dono da casa exerce exclusivamente sobre as mulheres, as crianças, os escravos e, em geral, em toda a esfera doméstica onde se produzem os processos biológicos, em especial «privados»: nas¬cimento, morte, reprodução, subsistência, onde quer que reine a «necessidade». Pelo contrário, a esfera pública política é idealizada como um reino da liberdade (no sentido dos antigos), uma liberdade que se expressa num direito igual, para todos os cidadãos, a participar directamente nos assuntos públicos.
Relativamente ao espaço público moderno, pode dizer-se que é uma criação da Ilustração. Com perspectivas filosóficas e políticas muito diferentes, J. Habermas e R. Koselleck trataram de reconstruir a sua origem e o seu desenvolvimento até aos nossos dias. No início, o «espaço público burguês» talvez correspondesse à institucionalização de uma crítica que empregava os meios da moral para reduzir ou «racionalizar» a dominação política. No contexto da época, isto significava «impugnar o princípio absolutista». Este expressa-se, em particular, na fórmula de Hobbes: Auctoritas non veritas facit 1egem [A autoridade e não a verdade dita a lei]. A Ilustração consagra a sua inversão pura e simples: A verdade e não a autoridade dita a lei.
Na sua reconstrução, R. Koselleck explica como, desde o século XVI, na Europa Ocidental, e ante a ameaça de perturbação que representavam as Guerras da Religião, a necessidade de manter uma coesão social pôde justificar a instituição tipicamente moderna de uma «esfera privada» da opinião e da crença: a consciência individual deve ser, por assim dizer, «privatizada» na qualidade de «foro interno» sacrossanto, enquanto que o domínio público, ideologicamente neutro, é dirigido por uma «razão» nova, distinta da «opinião»: a razão de Estado. No campo da doutrina, Hobbes é quem con¬sagra a separação do público e do privado, da razão e da opinião, da política e da moral.
Não obstante, o domínio público não fora entregue a um espaço público: estava antes confinado a esse espaço privado um tanto paradoxal da «razão de Estado» e do «segredo de Estado». O que cria a abertura da Publicidade e opera a transubstanciação do domínio público em espaço público é a força exterior da crítica. O impulso não vem de «cima». Vem de «baixo», quando as pessoas particulares, reunidas nos salões, nos cafés e nos clubes constituem as primeiras «esferas públicas» ¬burguesas para trocar as suas experiências. A autonomia privada da consciência, individual, núcleo do espaço público moderno, adquire a sua própria força da crítica. Protegida pela imunidade do foro interno, converte-se em pequeno tribunal, em instância moral fora da qual os indivíduos pedirão razões à política, primeiramente de forma encoberta e depois de modo aberto. (…)
Apesar das suas diferenças, os dois modelos mencionados - clássico e moderno - do espaço público político aceitam um princípio argumentativo; remetem ambos para um contexto de ilustração em sentido amplo, favorável ao mesmo .tempo ao desenvolvimento da democracia e à difusão da filosofia. Mas, ao que parece, só no contexto da modernidade, a ilustração pôde desenvolver uma espécie de «dialéctica», durante a qual o espaço público se transformou pro¬fundamente até ao estado social de hoje, sem romper radicalmente com o seu princípio funda¬dor: a argumentação pública e a discussão racional assentes sobre a base da liberdade formal e da igualdade de direitos. (…)”
].-M. Ferry, “Las transformaciones de la publicidad política”, in EI Nuevo Espaço Público, Barcelona, Editorial Gedisa, 1995, pp.13-16.
terça-feira, 11 de maio de 2010
Noção de Tolerância - UNESCO
Declaração de Princípios sobre a Tolerância
aprovada pela Conferência Geral da UNESCO em sua 28ª reunião
Paris, 16 de novembro de 1995
(...)
Decididos a tomar todas as medidas positivas necessárias para promover a tolerância nas nossas sociedades, pois a tolerância é não somente um princípio relevante mas igualmente uma condição necessária para a paz e para o progresso econômico e social de todos os povos,
Declaramos o seguinte:
Artigo 1º - Significado da tolerância
1.1 A tolerância é o respeito, a aceitação e a apreço da riqueza e da diversidade das culturas de nosso mundo, de nossos modos de expressão e de nossas maneiras de exprimir nossa qualidade de seres humanos. É fomentada pelo conhecimento, a abertura de espírito, a comunicação e a liberdade de pensamento, de consciência e de crença. A tolerância é a harmonia na diferença. Não só é um dever de ordem ética; é igualmente uma necessidade política e jurídica. A tolerância é uma virtude que torna a paz possível e contribui para substituir uma cultura de guerra por uma cultura de paz.
1.2 A tolerância não é concessão, condescendência, indulgência. A tolerância é, antes de tudo, uma atitude ativa fundada no reconhecimento dos direitos universais da pessoa humana e das liberdades fundamentais do outro. Em nenhum caso a tolerância poderia ser invocada para justificar lesões a esses valores fundamentais. A tolerância deve ser praticada pelos indivíduos, pelos grupos e pelo Estado.
1.3 A tolerância é o sustentáculo dos direitos humanos, do pluralismo (inclusive o pluralismo cultural), da democracia e do Estado de Direito. Implica a rejeição do dogmatismo e do absolutismo e fortalece as normas enunciadas nos instrumentos internacionais relativos aos direitos humanos.
1.4 Em consonância ao respeito dos direitos humanos, praticar a tolerância não significa tolerar a injustiça social, nem renunciar às próprias convicções, nem fazer concessões a respeito. A prática da tolerância significa que toda pessoa tem a livre escolha de suas convicções e aceita que o outro desfrute da mesma liberdade. Significa aceitar o fato de que os seres humanos, que se caracterizam naturalmente pela diversidade de seu aspecto físico, de sua situação, de seu modo de expressar-se, de seus comportamentos e de seus valores, têm o direito de viver em paz e de ser tais como são. Significa também que ninguém deve impor suas opiniões a outrem.
aprovada pela Conferência Geral da UNESCO em sua 28ª reunião
Paris, 16 de novembro de 1995
(...)
Decididos a tomar todas as medidas positivas necessárias para promover a tolerância nas nossas sociedades, pois a tolerância é não somente um princípio relevante mas igualmente uma condição necessária para a paz e para o progresso econômico e social de todos os povos,
Declaramos o seguinte:
Artigo 1º - Significado da tolerância
1.1 A tolerância é o respeito, a aceitação e a apreço da riqueza e da diversidade das culturas de nosso mundo, de nossos modos de expressão e de nossas maneiras de exprimir nossa qualidade de seres humanos. É fomentada pelo conhecimento, a abertura de espírito, a comunicação e a liberdade de pensamento, de consciência e de crença. A tolerância é a harmonia na diferença. Não só é um dever de ordem ética; é igualmente uma necessidade política e jurídica. A tolerância é uma virtude que torna a paz possível e contribui para substituir uma cultura de guerra por uma cultura de paz.
1.2 A tolerância não é concessão, condescendência, indulgência. A tolerância é, antes de tudo, uma atitude ativa fundada no reconhecimento dos direitos universais da pessoa humana e das liberdades fundamentais do outro. Em nenhum caso a tolerância poderia ser invocada para justificar lesões a esses valores fundamentais. A tolerância deve ser praticada pelos indivíduos, pelos grupos e pelo Estado.
1.3 A tolerância é o sustentáculo dos direitos humanos, do pluralismo (inclusive o pluralismo cultural), da democracia e do Estado de Direito. Implica a rejeição do dogmatismo e do absolutismo e fortalece as normas enunciadas nos instrumentos internacionais relativos aos direitos humanos.
1.4 Em consonância ao respeito dos direitos humanos, praticar a tolerância não significa tolerar a injustiça social, nem renunciar às próprias convicções, nem fazer concessões a respeito. A prática da tolerância significa que toda pessoa tem a livre escolha de suas convicções e aceita que o outro desfrute da mesma liberdade. Significa aceitar o fato de que os seres humanos, que se caracterizam naturalmente pela diversidade de seu aspecto físico, de sua situação, de seu modo de expressar-se, de seus comportamentos e de seus valores, têm o direito de viver em paz e de ser tais como são. Significa também que ninguém deve impor suas opiniões a outrem.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Problema da semana - 10.º Ano
O que é ser Justo?
Dar a todos o mesmo ou dar a cada um em função das suas necessidades e dos seus méritos?
Dar a todos o mesmo ou dar a cada um em função das suas necessidades e dos seus méritos?
Problema da semana - 11.º Ano
Pode existir uma observação pura?
Quais as implicações epistemológicas de uma observação pura?
Quais as implicações epistemológicas de uma observação pura?
Trabalho de dissertação filosófica - 11.º Ano de escolaridade
Trabalho de dissertação filosófica
Tema: A Filosofia na Cidade:
O professor fornecerá elementos para discutir o papel dos mass media na regulação da relação entre espaço público, esfera privada e estado. Para a discussão deve ter-se em atenção os poderes, mas igualmente as limitações dos media, bem como a dinâmica cultural. Deve ter também em conta a relação entre argumentação e democracia.
Actividade preparatória:
1. criar fichas de leitura;
2. construir esboços - em esquema, mapa conceptual, lista de conceitos, etc. que mostre o que pretende escrever. – Avaliado em termos de trabalho de aula.
Tarefa principal: criar uma dissertação filosófica sobre o tema-problema enunciado.
Alternativa: o aluno pode escolher um tema-problema próximo ou derivado do tema geral:
- Convicção, tolerância e diálogo – a construção da cidadania
ou ainda a questão do sentido da vida, subdividida em dois sub-temas:
- Finitude e temporalidade – a tarefa de se ser no mundo
- Pensamento e memória – responsabilidade pelo futuro
Limitações da alternativa: o professor não tratará estes assuntos na aula.
A dissertação será realizada na 1.ª aula da semana de 31 de Maio.
Tempo: 60 min. Peso = ½ teste.
Tarefa secundária: apresentação e defesa da dissertação – tempo: 4 + 2 Min – Avaliada no âmbito do trabalho de aula.
Tema: A Filosofia na Cidade:
O professor fornecerá elementos para discutir o papel dos mass media na regulação da relação entre espaço público, esfera privada e estado. Para a discussão deve ter-se em atenção os poderes, mas igualmente as limitações dos media, bem como a dinâmica cultural. Deve ter também em conta a relação entre argumentação e democracia.
Actividade preparatória:
1. criar fichas de leitura;
2. construir esboços - em esquema, mapa conceptual, lista de conceitos, etc. que mostre o que pretende escrever. – Avaliado em termos de trabalho de aula.
Tarefa principal: criar uma dissertação filosófica sobre o tema-problema enunciado.
Alternativa: o aluno pode escolher um tema-problema próximo ou derivado do tema geral:
- Convicção, tolerância e diálogo – a construção da cidadania
ou ainda a questão do sentido da vida, subdividida em dois sub-temas:
- Finitude e temporalidade – a tarefa de se ser no mundo
- Pensamento e memória – responsabilidade pelo futuro
Limitações da alternativa: o professor não tratará estes assuntos na aula.
A dissertação será realizada na 1.ª aula da semana de 31 de Maio.
Tempo: 60 min. Peso = ½ teste.
Tarefa secundária: apresentação e defesa da dissertação – tempo: 4 + 2 Min – Avaliada no âmbito do trabalho de aula.
domingo, 2 de maio de 2010
sexta-feira, 23 de abril de 2010
sexta-feira, 16 de abril de 2010
O que é o Senso Comum? - 3
O senso comum faz coincidir causa e intenção; subjaz-lhe uma visão do mundo assente na acção e no princípio da criatividade e da responsabilidade individuais. O senso comum é prático e pragmático; reproduz-se colado às trajectórias e às experiências de vida de um dado grupo social e nessa correspondência se afirma fiável e securizante. O senso comum é transparente e evidente; desconfia da opacidade dos objectivos tecnológicos e do esoterismo do conhecimento em nome do princípio da igualdade do acesso ao discurso, à competência cognitiva e linguística. O senso comum é superficial, porque desdenha das estruturas que estão para além da consciência, mas, por isso mesmo, é exímio em captar a profundidade horizontal das relações conscientes entre pessoas e entre pessoas e coisas. O senso comum é indisciplinar e imetódico; não resulta de uma prática especificamente orientada para a produzir; reproduz-se espontaneamente no suceder quotidiano da vida. O senso comum aceita o que existe tal como existe; privilegia a acção que não produza rupturas significativas no real. Por último, o senso comum é retórico e metafórico; não ensina, persuade.”B. Sousa Santos, Introdução a uma Ciência Pós-Moderna, Edições Afrontamento
terça-feira, 13 de abril de 2010
O que é o Senso Comum ou conhecimento Vulgar? - 2
- um conhecimento espontâneo e natural;
- um conhecimento empírico;
- um conhecimento sem conceptualização e sem sistematização racional;
- um conhecimento condensado colectivamente;
- um conhecimento concentrado nas tradições e no saber-fazer;
- um conhecimento que nos dá regras e orientações úteis;
- um conhecimento que permite a sobrevivência e a convivência;
- um conhecimento que não sabe como sabe;
- um conhecimento que tem na eficácia a sua verdade;
- um saber pragmático e securizante;
- um saber avesso à mudança;
- um saber que evolui com o erro;
- um saber acrítico.
- um conhecimento empírico;
- um conhecimento sem conceptualização e sem sistematização racional;
- um conhecimento condensado colectivamente;
- um conhecimento concentrado nas tradições e no saber-fazer;
- um conhecimento que nos dá regras e orientações úteis;
- um conhecimento que permite a sobrevivência e a convivência;
- um conhecimento que não sabe como sabe;
- um conhecimento que tem na eficácia a sua verdade;
- um saber pragmático e securizante;
- um saber avesso à mudança;
- um saber que evolui com o erro;
- um saber acrítico.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Da Conjectura ao Teorema: o processo de validação em Matemática


Grigory Perelman
Um génio matemático acaba de ser contemplado com um prémio de um milhão de dólares por ter resolvido um dos sete problemas mais difíceis da matemática, mas é provável que o recuse. Loucura? Aparentemente não. Pura desilusão com a matemática e os matemáticos. Afinal, não é a primeira vez que Perelman foge dos holofotes da fama a sete pés.
Por Ana Gerschenfeld
Quando, há uns dias, um jornalista ligou para o telemóvel de Grigory Perelman a tentar fazer-lhe umas perguntas acerca do prémio que tinha acabado de lhe ser atribuído, o matemático russo de 43 anos respondeu-lhe simplesmente: "Pare de me incomodar, estou a apanhar cogumelos."
Visto pelo prisma das descrições que dele circulam há anos na imprensa e na Net - algumas vindas dos escassíssimos privilegiados que o entrevistaram pessoalmente, mas a maioria baseada em conversas com antigos colegas ou mesmo com os vizinhos do prédio onde mora -, Perelman é a imagem escarrapachada do "génio maluco". Barba comprida e cabelo desgrenhado, unhas sem cortar há meses, olhar intenso, magro, mal vestido, de higiene duvidosa - como se tivesse a dada altura esquecido que a vida em sociedade requer algumas concessões básicas do lado da aparência e da indumentária. O que não é surpreendente: há quatro anos que Perelman vive num estado de quase reclusão no apartamento modesto que partilha, num bairro não menos modesto de São Petersburgo, com a sua mãe idosa.
Não é a primeira vez que Perelman fica sob os holofotes da fama científica - e também não é a primeira vez que foge deles a sete pés. Em 2006, foi recompensado pelo seu trabalho com a Medalha Fields, considerada o Nobel da matemática. E tornou-se o primeiro, desde a criação do prémio, em 1936, a recusá-lo. Agora, a história parece querer repetir-se na sequência da atribuição, pelo mesmo trabalho, do Prémio Milénio do Instituto de Matemática Clay (CMI), uma fundação privada com sede em Cambridge, Massachusetts, nos EUA.
Maravilhas da matemática
Aquele instituto elaborou, no ano 2000, a lista dos sete problemas matemáticos mais difíceis de sempre e ainda por resolver na entrada do novo milénio - as "sete maravilhas" da matemática, em suma -, e criou um prémio de um milhão de dólares (748 mil euros) para quem conseguisse resolver cada um deles. E justamente, o primeiro problema a "cair", logo em 2002 - a chamada conjectura de Poincaré (hoje velha de 106 anos) - foi resolvido por Perelman.
Mas Perelman não submeteu a sua demonstração para publicação a uma revista da especialidade, como é costume: publicou-a em três prestações no site arXiv.org, um repositório on-line de pré-publicações onde físicos e matemáticos expõem os seus resultados à avaliação dos seus colegas. Uma atitude considerada tão pouco ortodoxa como o seu autor e que, há oito anos, foi uma autêntica estreia na Internet vinda de um matemático reputado (que ele já era na altura). A demonstração por Perelman da conjectura, considerada muito sintética e elegante por quem a percebe, precisaria de vários anos de escrutínio cerrado até os matemáticos poderem concluir com certeza que não continha falhas.
No comunicado emitido no passado dia 18 de Março pelo CMI a anunciar o prémio, o seu presidente, James Carlson, afirmava que "a resolução da conjectura de Poincaré por Grigory Perelman (...) constitui um avanço fundamental na história da matemática, que ficará na memória durante muito tempo".
Mas quando telefonaram a Perelman para lhe anunciar a boa notícia, diz Carlson, citado pelo jornal The Independent, "ele respondeu que tinha de pensar nisso", recusando-se a dizer logo se aceitava o prémio. Os responsáveis do Clay Institute ainda têm esperanças, porém, de obter uma resposta final afirmativa e de conseguir que Perelman vá a Paris, no próximo mês de Junho, receber o galardão e celebrar o resultado.
A proeza de Perelman
O matemático francês Henri Poincaré enunciou a conjectura que tem o seu nome em 1904. Uma conjectura, diz o mesmo documento do CMI, que "é fundamental para conseguir perceber as formas tridimensionais". E nomeadamente, acrescente-se, a forma do Universo.
Mas uma conjectura é, antes de mais, uma proposição matemática que parece ser verdade, mas que se revela muito difícil de provar ou invalidar - e que portanto não pode ganhar, enquanto essa situação se mantém, o estatuto de teorema. E a conjectura de Poincaré resistiu de facto aos embates repetidos dos matemáticos mais aguerridos durante quase um século.
A conjectura de Poincaré tem a ver com uma área da matemática, a topologia, que estuda as propriedades estruturais que certos objectos conservam mesmo quando sofrem deformações extremas mas "contínuas" (ou seja, que não os rasguem nem os furem) - quando sofrem um morphing, para utilizar uma palavra na moda. Por exemplo, para um especialista de topologia, uma bola de futebol, ou a pele de uma laranja, mesmo espalmadas, esticadas, espezinhadas, serão sempre uma esfera (uma superfície cujos pontos se encontram todos à mesma distância do centro). Isto porque, desde que tenha conservado a sua integridade, essa forma tão disforme, irreconhecível, poderá sempre recuperar a sua redondez original através de deformações graduais, contínuas - no caso da bola, por exemplo, bastaria para isso enchê-la com ar devagarinho, cuidadosamente. Já um pneu (ou um donut) nunca se poderá transformar numa esfera por este tipo de procedimento porque tem um buraco no centro - o que o torna radicalmente diferente, do ponto de vista topológico.
Os matemáticos explicam muitas vezes as suas ideias com imagens que para os leigos podem parecer estranhas. Mas, de facto, uma maneira simples de perceber (e demonstrar) que um objecto é uma esfera consiste em imaginar um elástico esticado em redor do objecto. Seja qual for a posição inicial do elástico, se o objecto for topologicamente igual a uma esfera, ao deslizar o elástico sem permitir que deixe de estar em contacto com a superfície do objecto, o elástico poderá sempre ser encolhido até ficar "reduzido a um ponto" e retirado sem danificar a superfície. Pelo contrário, o mesmo nunca poderá acontecer com um elástico colocado à volta de um pneu (ou um de donut) que passe pelo buraco central. Para o "reduzir a um ponto" e o retirar, será sempre preciso rasgar o pneu (ou o donut). Superfícies cuja integridade nunca sofre com o encolhimento do elástico, como a bola de futebol (mas não o donut) são qualificadas de "simplesmente conexas".
(...)
http://jornal.publico.pt/noticia/12-04-2010/grigory--perelman--esta-cansado--da-matematica--e-dos-matematicos-19140599.htm
quinta-feira, 25 de março de 2010
O que é o Senso Comum? - 1
«O senso comum, diferentemente das ciências, é uma especialização da inteligência no particular e no concreto. É comum sem ser geral, porque consiste num conjunto de conhecimentos que permanece incompleto, até que se acrescente pelo menos outro conhecimento sobre a situação em causa; e, uma vez passada a situação, o conhecimento adicional deixa de ser relevante, de modo que o senso comum volta imediatamente ao seu estado normal de imperfeição. Assim, o senso comum parece argumentar a partir da analogia, mas as suas analogias desafiam a formulação lógica. (...) Depois, o senso comum talvez pareça generalização; mas uma generalização proposta pelo senso comum não tem o significado de uma generalização proposta pela ciência. A generalização científica visa oferecer uma premissa a partir da qual se podem tirar deduções correctas. Mas, as generalizações produzidas pelo senso comum não tencionam ser premissas para deduções. Comunicam antes indicadores que ordinariamente convém ter presentes ao espírito. Os provérbios estão muito longe de ser princípios e, como as regras da gramática, não perdem a sua validade por causa das suas numerosas excepções. Visam expressar, não o conjunto impecável de conhe¬cimentos que o cientista mantém em todas as instâncias ou em nenhuma, mas o conjunto incompleto de actos de conhecimentos que se requer em cada instância concreta, mas que se toma relevante só após um olhar à volta conseguir os actos de conhecimentos adicionais de que se precisa. Veja bem antes de saltar!
Bernard Lonergan, Insight, A study of human understanding, NY, philosophical Livrary, 1970 (rep.), pp. 175
Bernard Lonergan, Insight, A study of human understanding, NY, philosophical Livrary, 1970 (rep.), pp. 175
Desafio para o 11.º Ano
As árvores estão a florir
Esta proposição é contingente e sem validade universal. Porquê?
Esta proposição é contingente e sem validade universal. Porquê?
terça-feira, 23 de março de 2010
Ética e acção humana
Desafio para o 10.º ano:
Pode um Gato desenvolver uma acção moralmente boa?
Porquê?
Pode um Gato desenvolver uma acção moralmente boa?
Porquê?
Norma moral e Ética
O primeiro aspecto que devemos deixar claro é que a ética de um homem livre nada tem a ver com os castigos ou os prémios distribuídos por qualquer autoridade que seja – autoridade humana ou divina, para o caso tanto faz. Aquele que se limita a fugir ao castigo e a procurar a recompensa que outros dispensam, segundo normas por eles estabelecidas, não goza de condição melhor do que a de um pobre escravo. Talvez a uma criança pequena bastem o pau e a cenoura como guias de conduta, mas para alguém já mais crescidote torna-se muito triste continuar com essa mentalidade.
(...)
“Moral” é conjunto de condutas e normas que tu, eu e alguns dos que nos rodeiam costumamos aceitar como válidas; “Ética” é a reflexão sobre o porquê de as considerarmos válidas, bem como a sua comparação com as outras “morais”, assumidas por pessoas diferentes.”
Fernando Savater, Ética para um Jovem, Editorial Presença, Lisboa, 1994, pp. 41-42
(...)
“Moral” é conjunto de condutas e normas que tu, eu e alguns dos que nos rodeiam costumamos aceitar como válidas; “Ética” é a reflexão sobre o porquê de as considerarmos válidas, bem como a sua comparação com as outras “morais”, assumidas por pessoas diferentes.”
Fernando Savater, Ética para um Jovem, Editorial Presença, Lisboa, 1994, pp. 41-42
domingo, 21 de março de 2010
Van Gogh na P2
Excertos de uma reportagem excelente
de Alexandra Lucas Coelho

Hoje visto como o fundador da arte moderna, Vincent Van Gogh morreu a achar que era um fracasso.
Durante 15 anos, peritos (um trio do Museu Van Gogh de Amesterdão, Leo Jansen, Hans Luijten e Nienke Bakker)prepararam uma monumental edição anotada, incluindo reproduções das cartas originais, muitas delas com desenhos.
Tudo isto foi recentemente publicado em seis volumes (com 4300 ilustrações, novas transcrições, novas traduções e cartas até agora desconhecidas), e há uma minuciosa extensão on-line: em www.vangoghletters.org estão disponíveis gratuitamente as 902 cartas da correspondência sobrevivente, nas línguas em que foram escritas (sobretudo holandês e francês) e em tradução para inglês.
"Nenhum outro artista escreveu tão extensamente e em detalhe sobre a sua arte", diz no catálogo Nicholas Grimshaw, director da Royal Academy. "O Van Gogh que emerge daqui é muito diferente do génio louco do mito popular. Ao contrário, descobrimos um homem reflexivo, altamente cultivado, com métodos de trabalho sistemáticos e estratégias artísticas cuidadosamente planeadas."
Sendo ao mesmo tempo papel de desenho, meio de focar ideias e monólogo interior, a correspondência é a "ponte entre o homem e a sua arte", dizem os três holandeses. Revela uma personalidade com grande coesão, "enérgica e activa, de convicções fortes, cuja vida era dominada pelo crescimento pessoal e a necessidade de tornar o seu talento útil, o que o levou a exigir o máximo de si próprio", com entusiasmo e devoção obsessiva.
Para perceber a dimensão deste esforço, vale a pena recordar que Vincent Van Gogh é um autodidacta.
Nascido em 1853, filho de um pastor protestante e sobrinho de um negociante de arte, foi encaminhado aos 16 anos como aprendiz para a firma de arte Goupil & Cie, em Haia, na Holanda (tal como aconteceria depois com o seu irmão Theo, quatro anos mais novo). Já falava inglês e francês, além de holandês, e as estadias em Londres e Paris, onde a Goupil tinha escritórios, ajudaram a torná-lo fluente. Ao convívio constante com originais e reproduções juntaram-se visitas aos museus franceses, ingleses e holandeses, o que originou nele todo um arquivo mental de imagens. Vincent estava assim pronto para comprar e vender arte, a vida confortável que os pais lhe tinham preparado.
Mas a inquietação transbordou cedo. Queria chegar aos pobres, aos operários, aos lavradores, aos mineiros. Educado na Bíblia, pensou primeiro tornar-se evangelista. Depois cortou com a igreja e com a "cultura burguesa e clerical, que achava "jesuítica" e hipócrita". E aos 27 anos, decidiu tornar-se artista, com a ambição última de "confortar as pessoas". A sua arte seria uma "arte para o povo", aquela que as pessoas mais simples pendurariam na parede de sua casa.
Van Gogh acreditava que os homens estão destinados a grandes coisas, e viveu para cumprir isso. A sua ambição era retratar a realidade, não na aparência exterior, mas fazendo vir ao de cima a sua essência, tal como ele a captava.
"Nas figuras humanas como nas paisagens, gostava de expressar não algo sentimentalmente melancólico mas profunda dor", escreveu numa das cartas. "Quero chegar ao ponto em que as pessoas digam do meu trabalho que aquele homem sente profundamente, e sente subtilmente."

Pintar seria assim um meio de expressão pessoal, mas além das emoções pessoais, como se o artista escavasse em si as mais profundas vibrações dos homens e da natureza. Não as coisas como elas são, mas as coisas como o artista as sente.
"Van Gogh, que entusiasticamente subscrevia a ideia por trás da questão retórica de Courbet "Quem já viu anjos!", era essencialmente um inveterado realista", escrevem no catálogo os três peritos holandeses. "A arte não precisava de ser uma repetição fotográfica da realidade, mas a verdade e a autenticidade eram os seus ingredientes essenciais."
No extremo, era o artista que dava verdade à realidade - "focar atenção numa árvore e não descansar até haver alguma vida nela", escreveu Van Gogh numa carta.
E uma arte duradoura pedia artistas maiores que a vida.
O pintor do futuro, acreditava ele, seria um colorista, dando através da cor cada emoção. A função da cor seria essa, e não ser fotograficamente realista. Tal como a pintura do futuro seria o retrato, a que a cor daria intemporalidade e universalidade.
A fotografia não lhe interessava. Fala dela nas cartas como um retrato unidimensional da aparência.
Em contrapartida, a realidade era infinita. De nada valeram os incentivos de Gauguin para que trabalhasse a imaginação, a memória, a fantasia.
Van Gogh não precisou disso.
http://jornal.publico.pt/pages/section.aspx?id=63900&d=20-03-2010
de Alexandra Lucas Coelho

Hoje visto como o fundador da arte moderna, Vincent Van Gogh morreu a achar que era um fracasso.
Durante 15 anos, peritos (um trio do Museu Van Gogh de Amesterdão, Leo Jansen, Hans Luijten e Nienke Bakker)prepararam uma monumental edição anotada, incluindo reproduções das cartas originais, muitas delas com desenhos.
Tudo isto foi recentemente publicado em seis volumes (com 4300 ilustrações, novas transcrições, novas traduções e cartas até agora desconhecidas), e há uma minuciosa extensão on-line: em www.vangoghletters.org estão disponíveis gratuitamente as 902 cartas da correspondência sobrevivente, nas línguas em que foram escritas (sobretudo holandês e francês) e em tradução para inglês.
"Nenhum outro artista escreveu tão extensamente e em detalhe sobre a sua arte", diz no catálogo Nicholas Grimshaw, director da Royal Academy. "O Van Gogh que emerge daqui é muito diferente do génio louco do mito popular. Ao contrário, descobrimos um homem reflexivo, altamente cultivado, com métodos de trabalho sistemáticos e estratégias artísticas cuidadosamente planeadas."
Sendo ao mesmo tempo papel de desenho, meio de focar ideias e monólogo interior, a correspondência é a "ponte entre o homem e a sua arte", dizem os três holandeses. Revela uma personalidade com grande coesão, "enérgica e activa, de convicções fortes, cuja vida era dominada pelo crescimento pessoal e a necessidade de tornar o seu talento útil, o que o levou a exigir o máximo de si próprio", com entusiasmo e devoção obsessiva.
Para perceber a dimensão deste esforço, vale a pena recordar que Vincent Van Gogh é um autodidacta.
Nascido em 1853, filho de um pastor protestante e sobrinho de um negociante de arte, foi encaminhado aos 16 anos como aprendiz para a firma de arte Goupil & Cie, em Haia, na Holanda (tal como aconteceria depois com o seu irmão Theo, quatro anos mais novo). Já falava inglês e francês, além de holandês, e as estadias em Londres e Paris, onde a Goupil tinha escritórios, ajudaram a torná-lo fluente. Ao convívio constante com originais e reproduções juntaram-se visitas aos museus franceses, ingleses e holandeses, o que originou nele todo um arquivo mental de imagens. Vincent estava assim pronto para comprar e vender arte, a vida confortável que os pais lhe tinham preparado.
Mas a inquietação transbordou cedo. Queria chegar aos pobres, aos operários, aos lavradores, aos mineiros. Educado na Bíblia, pensou primeiro tornar-se evangelista. Depois cortou com a igreja e com a "cultura burguesa e clerical, que achava "jesuítica" e hipócrita". E aos 27 anos, decidiu tornar-se artista, com a ambição última de "confortar as pessoas". A sua arte seria uma "arte para o povo", aquela que as pessoas mais simples pendurariam na parede de sua casa.
Van Gogh acreditava que os homens estão destinados a grandes coisas, e viveu para cumprir isso. A sua ambição era retratar a realidade, não na aparência exterior, mas fazendo vir ao de cima a sua essência, tal como ele a captava.
"Nas figuras humanas como nas paisagens, gostava de expressar não algo sentimentalmente melancólico mas profunda dor", escreveu numa das cartas. "Quero chegar ao ponto em que as pessoas digam do meu trabalho que aquele homem sente profundamente, e sente subtilmente."

Pintar seria assim um meio de expressão pessoal, mas além das emoções pessoais, como se o artista escavasse em si as mais profundas vibrações dos homens e da natureza. Não as coisas como elas são, mas as coisas como o artista as sente.
"Van Gogh, que entusiasticamente subscrevia a ideia por trás da questão retórica de Courbet "Quem já viu anjos!", era essencialmente um inveterado realista", escrevem no catálogo os três peritos holandeses. "A arte não precisava de ser uma repetição fotográfica da realidade, mas a verdade e a autenticidade eram os seus ingredientes essenciais."
No extremo, era o artista que dava verdade à realidade - "focar atenção numa árvore e não descansar até haver alguma vida nela", escreveu Van Gogh numa carta.
E uma arte duradoura pedia artistas maiores que a vida.
O pintor do futuro, acreditava ele, seria um colorista, dando através da cor cada emoção. A função da cor seria essa, e não ser fotograficamente realista. Tal como a pintura do futuro seria o retrato, a que a cor daria intemporalidade e universalidade.
A fotografia não lhe interessava. Fala dela nas cartas como um retrato unidimensional da aparência.
Em contrapartida, a realidade era infinita. De nada valeram os incentivos de Gauguin para que trabalhasse a imaginação, a memória, a fantasia.
Van Gogh não precisou disso.
http://jornal.publico.pt/pages/section.aspx?id=63900&d=20-03-2010
quinta-feira, 18 de março de 2010
O problema da causalidade
O PROBLEMA DO FUNDAMENTO EPISTEMOLÓGICO DA CIÊNCIA É CENTRAL NA CULTURA CIENTÍFICA
O problema da CAUSALIDADE assume especial relevo pelo facto de deixar o conhecimento Científico - expressão do que podemos conhecer do mundo racionalmenmte - sem um fundamento RACIONAL. Sem um fundamento LÓGICO. A sua base tem pés de barro. O seu fundamento, o seu principio, é só PSICOLÒGICO: o HÁBITO.
Não encontrando FUNDAMENTO QUE IMPONHA aos acontecimentos CONEXÃO NECESSÁRIA temos na SUCESSÃO CONSTANTE o fundamento EPISTEMOLÓGICO da ciência.
Isto não deixa a ciência distinguir-se do conhecimento do homem do dia-a-dia - Senso Comum.
O problema da CAUSALIDADE assume especial relevo pelo facto de deixar o conhecimento Científico - expressão do que podemos conhecer do mundo racionalmenmte - sem um fundamento RACIONAL. Sem um fundamento LÓGICO. A sua base tem pés de barro. O seu fundamento, o seu principio, é só PSICOLÒGICO: o HÁBITO.
Não encontrando FUNDAMENTO QUE IMPONHA aos acontecimentos CONEXÃO NECESSÁRIA temos na SUCESSÃO CONSTANTE o fundamento EPISTEMOLÓGICO da ciência.
Isto não deixa a ciência distinguir-se do conhecimento do homem do dia-a-dia - Senso Comum.
terça-feira, 16 de março de 2010
Indução e conhecimento: o problema epistemológico da indução - 3
Isaque Tomé
Se todas as ideias derivam de impressões qual a impressão originária da ideia de causa?
Esta questão assume importância por duas razões:
1) a causalidade é um dos 3 modos de articular ideias;
2) a causalidade compreende a conexão necessária entre fenómenos e que supostamente está presente na natureza e no conhecimento que o homem pode ter desta.
Posto isto, vamos ao pensamento de Hume.
Hume vai submeter o princípio da causalidade a uma análise crítica rigorosa, baseando-se na teoria do conhecimento já nossa conhecida.
O princípio de causalidade defende uma conexão necessária entre dois fenómenos ou acontecimentos.
Afirmar que A é a causa de B significa que verificando A podemos prever B.Isto permite-nos antecipar com toda a garantia lógica: acontecendo A o fenómeno B não pode deixar de acontecer. Mas, assim estamos a falar de um facto futuro que ainda não aconteceu. É aqui que Hume diz que ultrapassamos o que a experiência nos permite conhecer.
A constatação que Hume nos apresenta é a de que aquilo que afirmamos ser causa e ser efeito são dois factos inteiramente distintos. Não existe um impressão correspondente e originária da ideia de causalidade. O que temos são impressões. Uma impressão do fenómeno A, uma impressão do fenómeno B e uma impressão da sucessão temporal de B face a A. Mas nada disto é a impressão de causalidade. Aliás no post anterior é patente que o quem não tem experiência da associação entre fenómenos não consegue prever esse mesmo fenómeno
O conhecimento de A não exige o conhecimento de B, a não ser que no passado o tivessemos constatado.
Ou seja, cada um deles nada tem de si que exija necessariamente o outro.
Nós apenas conhecemos o que percepcionamos no momento e o que percepcionámos no passado, não podemos ter conhecimento de factos futuros, porque não podemos ter qualquer impressão sensível do que ainda não aconteceu.
☼ A ideia de relação causal, de uma conexão necessária entre dois fenómenos é uma ideia da qual não temos qualquer impressão sensível. Como o critério de verdade de um conhecimento factual é que a uma ideia corresponda uma impressão sensível não temos legitimidade para falar de uma relação causal entre os dados da nossa experiência. Logo, a ideia de causalidade é uma mera associação de ideias, aquilo que nós percepcionamos é uma sucessão de acontecimentos.
☼ Segundo Hume, a previsão surge de dois fenómenos psíquicos:
a) a partir do costume e do hábito de ver os fenómenos associados repetidamente no passado e
b) pela crença na regularidade da natureza, que permite crer que o futuro ocorra tal como o passado.
☼ O princípio da causalidade considerado um princípio racional e objectivo nada mais é do que uma crença subjectiva, o produto de um hábito, o desejo de transformação de uma expectativa em realidade. Assim, não há garantia de que se possa fazer ciência, não há conhecimento verdadeiro, objectivo mas, meramente circunstancial, relativo.
Assim, podemos concluir o seguinte: a ciência não tem um suporte lógico (necessidade lógica dos fenómenos) mas um suporte psicológico (hábito), pelo que a ciência não produz conhecimento seguro.
Se todas as ideias derivam de impressões qual a impressão originária da ideia de causa?
Esta questão assume importância por duas razões:
1) a causalidade é um dos 3 modos de articular ideias;
2) a causalidade compreende a conexão necessária entre fenómenos e que supostamente está presente na natureza e no conhecimento que o homem pode ter desta.
Posto isto, vamos ao pensamento de Hume.
Hume vai submeter o princípio da causalidade a uma análise crítica rigorosa, baseando-se na teoria do conhecimento já nossa conhecida.
O princípio de causalidade defende uma conexão necessária entre dois fenómenos ou acontecimentos.
Afirmar que A é a causa de B significa que verificando A podemos prever B.Isto permite-nos antecipar com toda a garantia lógica: acontecendo A o fenómeno B não pode deixar de acontecer. Mas, assim estamos a falar de um facto futuro que ainda não aconteceu. É aqui que Hume diz que ultrapassamos o que a experiência nos permite conhecer.
A constatação que Hume nos apresenta é a de que aquilo que afirmamos ser causa e ser efeito são dois factos inteiramente distintos. Não existe um impressão correspondente e originária da ideia de causalidade. O que temos são impressões. Uma impressão do fenómeno A, uma impressão do fenómeno B e uma impressão da sucessão temporal de B face a A. Mas nada disto é a impressão de causalidade. Aliás no post anterior é patente que o quem não tem experiência da associação entre fenómenos não consegue prever esse mesmo fenómeno
O conhecimento de A não exige o conhecimento de B, a não ser que no passado o tivessemos constatado.
Ou seja, cada um deles nada tem de si que exija necessariamente o outro.
Nós apenas conhecemos o que percepcionamos no momento e o que percepcionámos no passado, não podemos ter conhecimento de factos futuros, porque não podemos ter qualquer impressão sensível do que ainda não aconteceu.
☼ A ideia de relação causal, de uma conexão necessária entre dois fenómenos é uma ideia da qual não temos qualquer impressão sensível. Como o critério de verdade de um conhecimento factual é que a uma ideia corresponda uma impressão sensível não temos legitimidade para falar de uma relação causal entre os dados da nossa experiência. Logo, a ideia de causalidade é uma mera associação de ideias, aquilo que nós percepcionamos é uma sucessão de acontecimentos.
☼ Segundo Hume, a previsão surge de dois fenómenos psíquicos:
a) a partir do costume e do hábito de ver os fenómenos associados repetidamente no passado e
b) pela crença na regularidade da natureza, que permite crer que o futuro ocorra tal como o passado.
☼ O princípio da causalidade considerado um princípio racional e objectivo nada mais é do que uma crença subjectiva, o produto de um hábito, o desejo de transformação de uma expectativa em realidade. Assim, não há garantia de que se possa fazer ciência, não há conhecimento verdadeiro, objectivo mas, meramente circunstancial, relativo.
Assim, podemos concluir o seguinte: a ciência não tem um suporte lógico (necessidade lógica dos fenómenos) mas um suporte psicológico (hábito), pelo que a ciência não produz conhecimento seguro.
segunda-feira, 15 de março de 2010
Indução e conhecimento: o problema epistemológico da indução - 2
Resposta - continuação - ao post anterior
Esse princípio é o costume, o hábito. Porque, todas as vezes que a repetição de uma operação ou de um acto par¬ticular produz uma tendência para renovar o mesmo acto ou a mesma operação sem o estímulo de qualquer raciocínio ou exercício da razão, dizemos sempre que essa tendência é resultante do costume. Ao usarmos este termo, não estamos a afirmar que apresentámos a causa última de uma tal tendência. Limitamo-nos a apontar um princípio da natureza humana, universalmente reconhecido e bem conhecido pelos seus efei¬tos.
(...)
Seguramente, temos pelo menos aqui uma afirmação bastante inteligível, senão uma verdade, quando sustentamos que, após a ligação constante entre dois objectos - calor e chama, por exemplo, ou peso e solidez - somos levados, unicamente pelo costume, a esperar por um quando surge o outro. Parece que esta hipótese é a única que explica a dificuldade; porque tiramos a partir de mil casos uma conclusão que seríamos incapazes de tirar a partir de um único caso, o qual não difere em nenhum aspecto dos precedentes? A razão é incapaz de se dispersar de semelhante forma. As conclusões que tira ao considerar uma circunferência são as mesmas que tiraria ao examinar todas as circunferências do universo.
Mas, se se viu um só corpo mover-se sob impulso de um outro, ninguém inferirá que um outro corpo se movimentará sob um impulso análogo. Todas as conclusões tiradas da experiência são, pois, efeitos do costume e não efeitos do raciocínio.
Então, o costume é o grande guia da vida humana. É esse o único princípio que faz com que a nossa experiência nos sirva, é apenas ele que nos faz esperar, para o futuro, uma sucessão de acontecimentos semelhantes aos que tiveram lugar no passado. Sem a acção do costume, ignoraríamos completamente qualquer questão de facto fora do que está imediatamente presente à memória e aos sentidos. Nunca sabe¬ríamos como ajustar os meios face aos fins, nem como utilizar os nossos poderes naturais para produzir um efeito. Isso seria, simultaneamente, o fim de qualquer acção, bem como prati¬camente de toda a especulação.»
David Hume, Investigações sobre o entendimento humano, secção V
Esse princípio é o costume, o hábito. Porque, todas as vezes que a repetição de uma operação ou de um acto par¬ticular produz uma tendência para renovar o mesmo acto ou a mesma operação sem o estímulo de qualquer raciocínio ou exercício da razão, dizemos sempre que essa tendência é resultante do costume. Ao usarmos este termo, não estamos a afirmar que apresentámos a causa última de uma tal tendência. Limitamo-nos a apontar um princípio da natureza humana, universalmente reconhecido e bem conhecido pelos seus efei¬tos.
(...)
Seguramente, temos pelo menos aqui uma afirmação bastante inteligível, senão uma verdade, quando sustentamos que, após a ligação constante entre dois objectos - calor e chama, por exemplo, ou peso e solidez - somos levados, unicamente pelo costume, a esperar por um quando surge o outro. Parece que esta hipótese é a única que explica a dificuldade; porque tiramos a partir de mil casos uma conclusão que seríamos incapazes de tirar a partir de um único caso, o qual não difere em nenhum aspecto dos precedentes? A razão é incapaz de se dispersar de semelhante forma. As conclusões que tira ao considerar uma circunferência são as mesmas que tiraria ao examinar todas as circunferências do universo.
Mas, se se viu um só corpo mover-se sob impulso de um outro, ninguém inferirá que um outro corpo se movimentará sob um impulso análogo. Todas as conclusões tiradas da experiência são, pois, efeitos do costume e não efeitos do raciocínio.
Então, o costume é o grande guia da vida humana. É esse o único princípio que faz com que a nossa experiência nos sirva, é apenas ele que nos faz esperar, para o futuro, uma sucessão de acontecimentos semelhantes aos que tiveram lugar no passado. Sem a acção do costume, ignoraríamos completamente qualquer questão de facto fora do que está imediatamente presente à memória e aos sentidos. Nunca sabe¬ríamos como ajustar os meios face aos fins, nem como utilizar os nossos poderes naturais para produzir um efeito. Isso seria, simultaneamente, o fim de qualquer acção, bem como prati¬camente de toda a especulação.»
David Hume, Investigações sobre o entendimento humano, secção V
domingo, 14 de março de 2010
Indução e conhecimento: o problema epistemológico da indução
Qual será o princípio que nos permite INDUZIR, segundo Hume?
«Suponham que um homem, não obstante dotado das mais poderosas faculdades da razão e da reflexão, é subita¬mente transportado para este mundo; certamente, notaria de imediato uma contínua sucessão de objectos, um aconteci¬mento seguindo-se a outro; mas, seria incapaz de se aperceber de algo diferente. Em primeiro lugar, seria incapaz de chegar à ideia de causa e de efeito através de qualquer raciocínio, porque as capacidades específicas que realizam todas as ope¬rações naturais nunca são evidentes para os sentidos; e não é legítimo concluir, somente porque um acontecimento pre¬cede um outro numa única ocasião, que é causa e o outro, efeito. A sua ligação pode ser arbitrária e acidental. Não há razão para inferir a existência de um a partir do aparecimento do outro. Em resumo: um homem como esse, sem outra experiência, nunca faria conjecturas ou raciocínios acerca de qualquer questão de facto; não estaria seguro de nada excepto do que está imediatamente presente à sua memória e aos seus sentidos.
Suponham ainda que este homem adquiriu mais expe¬riência e viveu tempo suficiente no mundo para ter obser¬vado a ligação constante entre objectos ou acontecimentos habituais; que resulta desta experiência? Ele infere imediata¬mente a existência de um dos objectos e o aparecimento do outro. Todavia, não adquiriu, através de toda a sua experiên¬cia, qualquer ideia, qualquer conhecimento do poder secreto pelo qual um dos objectos produz o outro; e não é através de qualquer exercício da razão que ele é levado a tirar esta conclusão. Mas é sempre levado a tirá-la; e, mesmo se se convencesse de que o seu entendimento não tem qualquer papel na operação, prosseguiria, no entanto, no mesmo fluxo de pensamento. Há um outro princípio que o leva a extrair uma tal conclusão.
David Hume, Investigações sobre o entendimento humano, secção V
«Suponham que um homem, não obstante dotado das mais poderosas faculdades da razão e da reflexão, é subita¬mente transportado para este mundo; certamente, notaria de imediato uma contínua sucessão de objectos, um aconteci¬mento seguindo-se a outro; mas, seria incapaz de se aperceber de algo diferente. Em primeiro lugar, seria incapaz de chegar à ideia de causa e de efeito através de qualquer raciocínio, porque as capacidades específicas que realizam todas as ope¬rações naturais nunca são evidentes para os sentidos; e não é legítimo concluir, somente porque um acontecimento pre¬cede um outro numa única ocasião, que é causa e o outro, efeito. A sua ligação pode ser arbitrária e acidental. Não há razão para inferir a existência de um a partir do aparecimento do outro. Em resumo: um homem como esse, sem outra experiência, nunca faria conjecturas ou raciocínios acerca de qualquer questão de facto; não estaria seguro de nada excepto do que está imediatamente presente à sua memória e aos seus sentidos.
Suponham ainda que este homem adquiriu mais expe¬riência e viveu tempo suficiente no mundo para ter obser¬vado a ligação constante entre objectos ou acontecimentos habituais; que resulta desta experiência? Ele infere imediata¬mente a existência de um dos objectos e o aparecimento do outro. Todavia, não adquiriu, através de toda a sua experiên¬cia, qualquer ideia, qualquer conhecimento do poder secreto pelo qual um dos objectos produz o outro; e não é através de qualquer exercício da razão que ele é levado a tirar esta conclusão. Mas é sempre levado a tirá-la; e, mesmo se se convencesse de que o seu entendimento não tem qualquer papel na operação, prosseguiria, no entanto, no mesmo fluxo de pensamento. Há um outro princípio que o leva a extrair uma tal conclusão.
David Hume, Investigações sobre o entendimento humano, secção V
quinta-feira, 11 de março de 2010
Entrevista a Magueiro: Física, Relatividade e Biografia

O enigma Majorana por Magueijo
11.03.2010 - 19:14 Por Teresa Firmino
Numa noite de Março de 1938, o físico italiano Ettore Majorana apanhou um navio de Nápoles, onde trabalhava há pouco tempo, para Palermo e desapareceu para sempre. Levava o passaporte e o equivalente a 50 mil euros. Tinha 31 anos. Ninguém sabe o que aconteceu, o corpo nunca foi encontrado. Suicidou-se, pois afinal estava deprimido há cinco anos? Ou quis isolar-se de todos, incluindo de uma mãe dominadora, refugiando-se num mosteiro?
(...)
João Magueijo não resistiu ao fascínio que Majorana lhe desperta há quase duas décadas. "Tem-me acompanhado durante toda a minha carreira científica como uma sombra que não consigo afastar, lembrando-me sempre da sua história", conta o físico português, 42 anos, a trabalhar no Imperial College, em Londres
(...)
O físico português estreou-se na divulgação científica em 2003, com Mais Rápido do Que a Luz - A Biografia de Uma Especulação Científica, publicado em 13 línguas (em Portugal pela Gradiva). Aí explica a sua teoria que põe em causa Einstein, ao afirmar que a velocidade da luz não é uma constante da natureza. No início do Universo, defende Magueijo, a luz pode ter viajado mais depressa do que hoje e Einstein pode ter-se enganado quando, em 1905, assentou a teoria da relatividade na constância da velocidade da luz.
Com isto, chocou a comunidade científica. Pior, criticou de forma crua como funciona essa comunidade científica e o mundo académico, ao expor a saga até conseguir publicar o primeiro artigo científico sobre o assunto em 1999, na revista Physical Review D. A guerra tinha começado dois anos antes, com a Nature, e Magueijo dedicou alguns dos comentários mais mordazes ao editor de ciências físicas desta revista ("empregaram um idiota de primeira classe como editor"). "A Nature há-de odiar-me para toda a eternidade. É um desgosto para mim", ironiza ao P2.
http://www.publico.pt/Ci%C3%AAncias/o-enigma-majorana-por-magueijo_1426666
Entrevista a José Gil - o Valor da arte

"Há uma inteligência que só a arte nos dá e que é fundamental"
Em 2004 tornou-se num inesperado best-seller com Portugal Hoje - O Medo de Existir. Aos 71 anos, o filósofo e ensaísta José Gil aposenta-se como professor da Universidade Nova de Lisboa. Dá a sua última aula hoje, às 16h, aberta a todos. O tema: "Coisas que interessam ou deveriam interessar a comunidade artística e os que se interessam por arte."
Por Vanessa Rato

http://jornal.publico.clix.pt/noticia/10-03-2010/ha-uma-inteligencia--que-so-a-arte-nos-da-e--que-e-fundamental-18959328.htm
domingo, 7 de março de 2010
As palavras
As palavras. São as palavras...
As palavras são decisivas. Para conhecer, analisar, compreender, socializar, descrever, sonhar, saborear o peixe, degustar o vinho, apreciar uma fotografia, fruir uma obra de arte.
Sem elas as impressões não ganham lugar no nosso espírito, e os textos e demais realidades não encontram a verdade.
em Filosofia palavras são os elementos dos termos - estes são a expressão verbal dos conceitos.
As palavras são decisivas. Para conhecer, analisar, compreender, socializar, descrever, sonhar, saborear o peixe, degustar o vinho, apreciar uma fotografia, fruir uma obra de arte.
Sem elas as impressões não ganham lugar no nosso espírito, e os textos e demais realidades não encontram a verdade.
em Filosofia palavras são os elementos dos termos - estes são a expressão verbal dos conceitos.
A natureza indeterminada do homem - 2
No supermercado da vida quase todos os animais parecem ser tecnologia de ponta, ferramentas finissimamente calibradas com o fim de cumprirem esta ou aquela tarefa num determinado nicho ecológico. Como acontece com outros instrumentos semelhantes, servem muito bem para o que servem mas não servem para nada mais. Quando as circunstâncias ou a paisagem mudam, perdem o vigor e extinguem-se irremediavelmente. Pelo contrário, os seres humanos são anatomicamente indigentes, têm um desenho grosseiro e carente de adequação precisa, mas suportam as mudanças e compensam com a sua actividade inventiva as limitações a que estão sujeitos. (…)
Fernando Savater, A coragem de escolher. Pub. Dom Quixote
Fernando Savater, A coragem de escolher. Pub. Dom Quixote
A natureza indeterminada do homem
"É uma ideia assente (...) que o homem não tem natureza, mas que tem - ou antes, que ele é - uma história. (...)
Na criança todo o isolamento extremo revela a ausência nela destes sólidos a priori, destes esquemas adaptativos específicos. As crianças privadas demasiadamente cedo de todo o contacto social – as crianças que se chamam “selvagens” - ficam desprovidas, a ponto de aparecerem como animais estranhos. (...) A verdade é que o comportamento, no homem, não deve à hereditariedade específica o mesmo que o comportamento animal deve. A vida, fechada, dominada e regulada por uma “natureza dada”' é substituída aqui pela existência aberta, criadora e ordenadora de uma "natureza adquirida". O que a análise, (...), retém de comum dos homens é uma estrutura de possibilidades, na verdade, de probabilidades que não pode passar ao ser em contexto social, qualquer que ele seja. Antes do encontro de outrem e do grupo o homem não é senão virtualidades.”
L. Malson, As crianças selvagens, Porto Civilização, pp. 5-7
Na criança todo o isolamento extremo revela a ausência nela destes sólidos a priori, destes esquemas adaptativos específicos. As crianças privadas demasiadamente cedo de todo o contacto social – as crianças que se chamam “selvagens” - ficam desprovidas, a ponto de aparecerem como animais estranhos. (...) A verdade é que o comportamento, no homem, não deve à hereditariedade específica o mesmo que o comportamento animal deve. A vida, fechada, dominada e regulada por uma “natureza dada”' é substituída aqui pela existência aberta, criadora e ordenadora de uma "natureza adquirida". O que a análise, (...), retém de comum dos homens é uma estrutura de possibilidades, na verdade, de probabilidades que não pode passar ao ser em contexto social, qualquer que ele seja. Antes do encontro de outrem e do grupo o homem não é senão virtualidades.”
L. Malson, As crianças selvagens, Porto Civilização, pp. 5-7
sexta-feira, 5 de março de 2010
O Pensamento cartesiano - desafio 2
Descartes apresenta uma prova da existência de Deus que resulta da análise do conceito ser perfeito. Essa prova é chamada prova ontológica e consiste no seguinte: tal como é necessário um triângulo para o ser ter na sua essência que os seus ângulos somam dois ângulos rectos, também o conceito de ser perfeito tem na sua essência - entre outras características - a sua existência. Logo, o ser perfeito não pode deixar de existir sob pena de deixar de ser perfeito. Esta possibilidade não pode ocorrer do p.v. lógico: assim, um ser perfeito existe.
Os desafios que aqui fica são os seguintes:
1.desenvolver este argumento de forma mais clara que a apresentada acima
2.parafrasear o argumento da causalidade.
3.mostrar que entre a dúvida inicial e a res divina todo o processo é dedutivo.
podes usar a caixa de comentários
O Pensamento cartesiano - desafio 1
Descartes considerou haver duas operações do espírito: a Indução racional e a Dedução.
Porque não contemplou Descartes os processos indutivos?
Porque não contemplou Descartes os processos indutivos?
quinta-feira, 4 de março de 2010
E se fôssemos imortais?
CORPO HUMANO E DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO E TÉCNICO
Ana Carolina Trabulo
Ana Filipa Moleiro
Joana Leonor Moura
11ºA
Introdução
O sonho da vida eterna é tão antigo quanto a auto-consciência humana da inevitabilidade da morte. E se fôssemos imortais? Esta é a questão sobre a qual nos iremos debruçar. A tarefa que nos foi proposta foi problematizar um assunto que se relacionasse com o corpo humano e o desenvolvimento científico. Assim, consideramos que a imortalidade é um tema inesperado e que suscita interesse e curiosidade e que está, de certa forma, relacionado com a manipulação do corpo, uma vez que para a atingir temos que intervir no normal funcionamento do nosso corpo e isso apenas é possível através da ciência e da tecnologia. Para além disso, é um tema que se relaciona com a matéria abordada nas aulas de Biologia, sendo este, outro dos factores que nos cativou.
Mas, se ainda não se descobriu a improvável receita da imortalidade, a humanidade já obteve conquistas sólidas, em especial no último século: nunca na história tantos viveram tanto como nós. Basta dizer que, entre os antigos romanos, a esperança de vida era de 20 anos, ao passo que, hoje em dia, a média mundial é 66 anos. A pessoa que, comprovadamente, viveu mais tempo foi a francesa Jeanne-Louise Calment, alcançando os 122 anos de idade. Sendo que, actualmente, a tendência é para um aumento da esperança média de vida.
A verdade é que este facto pode ser explicado pela melhoria das condições de vida, como, o saneamento e a alimentação. Além disso, a ciência descobriu vacinas e medicamentos que permitiram a prevenção de doenças e o controlo de epidemias; o aumento do nível educacional permitiu um aumento da organização das sociedades e uma maior instrução, condições importantes para o acesso à informação sobre os cuidados com a saúde que têm saído dos veículos de comunicação nas últimas décadas e despertado a consciência de que viver mais e melhor depende também de hábitos saudáveis. Exemplo disso é a televisão, que mostrou às pessoas um mundo diferente.
Existem, contudo, pessoas que acreditam na imortalidade física. Pelo caminho da ciência e da tecnologia bastaria superar as actuais limitações do homem por meio dos avanços esperados em áreas como por exemplo a genética. Os novos conhecimentos acerca do genoma humano têm permitido atingir novas conclusões.
Tendo isto em conta, achámos pertinente ter como ponto de partida o Prémio Nobel da Medicina entregue há alguns meses atrás e que está directamente relacionado com um assunto que pode contribuir para o alcance da imortalidade.
Posteriormente iremos referir diferentes posições relativamente a este tema e, após a sua exploração, tirarmos as nossas próprias conclusões.
Em breve será disponibilizado todo o trabalho
Ana Carolina Trabulo
Ana Filipa Moleiro
Joana Leonor Moura
11ºA
Introdução
O sonho da vida eterna é tão antigo quanto a auto-consciência humana da inevitabilidade da morte. E se fôssemos imortais? Esta é a questão sobre a qual nos iremos debruçar. A tarefa que nos foi proposta foi problematizar um assunto que se relacionasse com o corpo humano e o desenvolvimento científico. Assim, consideramos que a imortalidade é um tema inesperado e que suscita interesse e curiosidade e que está, de certa forma, relacionado com a manipulação do corpo, uma vez que para a atingir temos que intervir no normal funcionamento do nosso corpo e isso apenas é possível através da ciência e da tecnologia. Para além disso, é um tema que se relaciona com a matéria abordada nas aulas de Biologia, sendo este, outro dos factores que nos cativou.
Mas, se ainda não se descobriu a improvável receita da imortalidade, a humanidade já obteve conquistas sólidas, em especial no último século: nunca na história tantos viveram tanto como nós. Basta dizer que, entre os antigos romanos, a esperança de vida era de 20 anos, ao passo que, hoje em dia, a média mundial é 66 anos. A pessoa que, comprovadamente, viveu mais tempo foi a francesa Jeanne-Louise Calment, alcançando os 122 anos de idade. Sendo que, actualmente, a tendência é para um aumento da esperança média de vida.
A verdade é que este facto pode ser explicado pela melhoria das condições de vida, como, o saneamento e a alimentação. Além disso, a ciência descobriu vacinas e medicamentos que permitiram a prevenção de doenças e o controlo de epidemias; o aumento do nível educacional permitiu um aumento da organização das sociedades e uma maior instrução, condições importantes para o acesso à informação sobre os cuidados com a saúde que têm saído dos veículos de comunicação nas últimas décadas e despertado a consciência de que viver mais e melhor depende também de hábitos saudáveis. Exemplo disso é a televisão, que mostrou às pessoas um mundo diferente.
Existem, contudo, pessoas que acreditam na imortalidade física. Pelo caminho da ciência e da tecnologia bastaria superar as actuais limitações do homem por meio dos avanços esperados em áreas como por exemplo a genética. Os novos conhecimentos acerca do genoma humano têm permitido atingir novas conclusões.
Tendo isto em conta, achámos pertinente ter como ponto de partida o Prémio Nobel da Medicina entregue há alguns meses atrás e que está directamente relacionado com um assunto que pode contribuir para o alcance da imortalidade.
Posteriormente iremos referir diferentes posições relativamente a este tema e, após a sua exploração, tirarmos as nossas próprias conclusões.
Em breve será disponibilizado todo o trabalho
segunda-feira, 1 de março de 2010
[EUGENIA APLICADA À RAÇA HUMANA]
Rita Centeno
Sofia Gomes
Rubataiana Soares
Ao entrar em Auschwitz, os soldados soviéticos, encontram milhares de prisioneiros moribundos. No gigantesco recinto do campo de concentração, havia pilhas de cadáveres das quais os nazis não tinham tido tempo de se livrar. Os fornos crematórios, vários armazéns e documentos tinham sido destruídos, na tentativa de eliminar as evidências do tratamento dado aos prisioneiros. Para trás tinham deixado toneladas de cabelo humano, roupas, sapatos, óculos, próteses, brinquedos e outros objectos que tinham sido confiscados às vítimas. Isto passa-se em 1945, aquando da libertação do campo de concentração. As provas colhidas são as marcas dos actos praticados pelos alemães sob a liderança de Hitler.
Hitler tinha um sonho. Ambicionava a instituição da supremacia da raça ariana. Esta ideia, que arrastou multidões, tinha por base a eugenia.
A eugenia é genericamente definida como a ciência que visa o aperfeiçoamento da espécie via selecção genética e controlo da reprodução.
Esta ciência teve origem nos tempos de Platão, no século IV a.C., e foi defendida pelo mesmo no diálogo A República (Politéia). Segundo este, uma cidade bem governada, devia garantir que os indivíduos de qualidades similares se cruzassem. Desta forma, os melhores acasalariam apenas com os melhores dando origem a uma raça superior. O poder ser-lhes-ia entregue.
Desde cedo que a igreja cristã implantou na sociedade ocidental a prática de ajudar os pobres, deficientes, doentes e necessitados.
Contudo, a partir dos séculos XVIII e XIX, com o crescimento do poder absolutista, o estado passou a assumir os cuidados que a Igreja tinha para com os menos afortunados. A aquisição desta nova responsabilidade, levou à sobrecarga financeira do estado, começando os necessitados a ser vistos como um empecilho ao avanço da civilização e obstáculo para a prosperidade do Estado, pelas elites europeias.
Esta situação levou à origem do Darwinismo social. O seu criador, o filósofo inglês Herbert Spencer, defendia que “os menos capazes” assim o eram por natureza e que, como tal, deviam ser eliminados e não auxiliados. Toda a imperfeição devia desaparecer de modo a permitir o aperfeiçoamento da humanidade.
No entanto, o termo eugenia (do grego, bem nascer) só foi criado no século XIX, por Francis Galton. Este, acreditava que a inteligência, o talento e as capacidades eram herdadas dos progenitores. Desta forma, apenas os descendentes de pais geneticamente superiores seriam proveitosos para a sociedade. Chegando mesmo a afirmar que o estado devia controlar os casamentos, limitando-o aos geneticamente superiores (Eugenia positiva, ou seja, melhoria da raça através da união de pessoas consideradas geneticamente superiores).
Sobre o assunto, Galton publicou, em 1865, um livro “Hereditary Talent and Genius” onde propunha que "as forças cegas da seleção natural, como agente propulsor do progresso, devem ser substituidas por uma seleção consciente e os homens devem usar todos os conhecimentos adquiridos pelo estudo e o processo da evolução nos tempos passados, a fim de promover o progresso físico e moral no futuro".
Este discurso teve por base a teoria da selecção natural formulada pelo seu primo, Charles Darwin.
Devido às condições da sua fundação, os Estados Unidos são um país que apresenta uma enorme diversidade cultural. No entanto, a coexistência de múltiplas culturas não significava união, as diversas comunidades encontravam-se isoladas umas das outras, sendo cada leva de emigrantes isolada em grupos étnicos e guetos. Ao longo do tempo, criou-se a ideia de que os primeiros colonos eram o povo eleito, o que originou ondas de racismo. Este fenómeno, aliado ao aumento da criminalidade, que se cria ser hereditária, levou a uma forte e rápida aceitação da teoria de Galton.
Quando a eugenia positiva se provou ser insuficiente, surgiu a eugenia negativa. Esta defende a eliminação de indivíduos geneticamente “inferiores”.
A eugenia era defendida, pela elite americana, como por exemplo, especialistas em diferentes campos científicos. Estes consideravam a miscigenação o suicídio da raça e ansiavam a eliminação dos “incapazes sociais”.
Assim, foram aplicadas nos Estados Unidos leis que permitiam a esterilização forçada de criminosos e deficientes mentais, a deportação dos imigrantes indesejados e a eutanásia passiva*.
Entretanto, na Europa, os nazis tomaram conta da Alemanha, levando a eugenia a um nível inimaginável. Estes tinham a obsessão da pureza racial. Para garantir a pura linhagem germânica, foram feitos registos genealógico dos membros das S.S, criando uma elite biológica, os «antepassados» da nova Alemanha.
Em 1935, foi fundada uma sociedade cuja missão era estudar a origem do povo alemão. Foi proibido aos membros das S.S. a utilização de contraceptivos e o aborto. O seu dever patriótico era ter, pelo menos, quatro filhos e ainda servir como “ajudantes de concepção” a mulheres sem filhos consideradas geneticamente valiosas.
A medição do rosto ou a comparação da cor do cabelo, eram alguns dos testes a que os alemães se sujeitavam para comprovar a sua origem e, assim, garantir a pureza da raça.
Esta ideia de superioridade conduziu à perseguição e extermínio de milhões de judeus e de outros povos considerados inferiores. Para tal recorreu-se a quatro fases: Identificação, através de testes como os referidos acima, Separação, criação de guetos, Concentração, em campos de concentração, e Extermínio, muitos eram gaseados à entrada no campo enquanto outros morriam de fome ou das doenças provocadas pela falta de condições sanitárias nos diversos campos.
A descoberta das atrocidades praticadas pelos nazis escandizou o mundo e a eugenia perdeu o seu crédito. Finda a segunda guerra mundial, a ONU sentiu a necessidade de compilar os direitos fundamentais do homem, tentando que estes deixassem de ser violados. Assim, em 1948, emitiu a Declaração Universal dos Direitos Humanos onde cada atrocidade se identifica com um artigo, nomeadamente:
Artigo 1º- Os homens nascem livres e iguais. – O que é contrário, por exemplo, ao anti-semitismo, ao ódio pelos judeus, à perseguição a que estes foram sujeitos.
Artigo 2º- Qualquer pessoa tem os mesmo direitos sem diferenças de raça, cor, sexo, língua, religião… - Isto contraria a destruição das sinagogas ( locais de culto dos judeus).
Artigo 3º- Todo o homem tem direito à vida, à liberdade, à segurança. – Estes direito foi negado a todos aqueles que morreram nos campos de concentração.
Artigo 4º- Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes. – Até nisso os judeus foram sacrificados tendo sido usados como cobaias humanas em experiências médicas de uma brutal crueldade.
Artigo 13º- Toda a pessoa tem o direito de livremente circular e escolher a sua residência no interior de um Estado. – Depois de expulsos das suas habitações, os judeus, foram isolados em guetos, onde toda a sua actividade era controlada.
Artigo 15º - Todo o indivíduo tem direito a ter uma nacionalidade. – Nenhum judeu era considerado cidadão alemão.
Artigo 16º - A partir da idade núbil, o homem e a mulher têm o direito de casar e de constituir família, sem restrição alguma de raça, nacionalidade ou religião. – Este direito era negado nos EUA a seres considerados genéticamente inferiores.
Artigo 17.º - Toda a pessoa, individual ou colectivamente, tem direito à propriedade. - O estado alemão apoderou-se dos bens dos judeus, empresas e bancos foram confiscados e vendidos a compradores privados.
Todos estes exemplos condenam a eugenia, uma vez que esta esteve sempre associada ao racismo.
Hoje em dia, surge uma nova forma de eugenia, ligada não ao racismo mas sim à tentativa da melhoria da qualidade de vida, eliminação de doenças ou correcção de imperfeições.
É hoje possível o diagnóstico pré-natal de bebés de modo a detectar possíveis problemas genéticos. Se o embrião possuir alguma doença genética, é dada aos pais a possibilidade de fazerem um aborto terapêutico* ou mesmo a modificação ou substituição do gene responsável pela doença ou defeito.
Mas será alguma destas opções legítima? O que é que confere a um ser o direito à vida? Não é a sua condição humana? Então como pode ser-lhe negado esse direito, só porque possui uma característica menos favorável? E se é legitimo evitar estas doenças, devem também ser evitadas outras como a obesidade, diabetes, ou mesmo a hipertensão? Até que ponto será legítima a sua aplicação à raça humana?
À primeira vista pensar-se-ia que de tais possibilidades só resultariam benefícios para o Homem. Contudo, um olhar mais atento revela conclusões não tão lineares.
Na Inglaterra nasceu a primeira criança sem um dos genes responsáveis pelo cancro da mama. Uma vez que o pai da criança tinha um largo historial na família de cancro da mama o casal decidiu recorrer à genética de forma a reduzir a probabilidade da criança vir a contrair a doença.
Qualquer um de nós tomaria a decisão que melhorasse a qualidade de vida do nosso filho. Mas até que ponto é aceitável levar a manipulação genética? Deverá esta cingir-se ao tratamento de doenças? E se forem também alteradas outras características, como a cor dos olhos ou o desenvolvimento dos membros? Isto levará, em último caso, à criação do ser perfeito. Correspondendo esta perfeição a um critério especifico, como a aptidão à execução de certo trabalho, surgindo assim o homem-máquina.
A prática da eugenia, causa ainda uma diminuição da variabilidade genética, condição necessária à sobrevivência humana.
Bibliografia
FERNANDES, Marcelo e BARROS, Nazaré, (2006), Filosofia, Lisboa, Lisboa Editora.
http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=s0009-67252006000100002&script=sci_arttext; acedido a 15 de Fevereiro de 2010
http://makejetomosso.wordpress.com/2009/01/16/genetica-eugenia-gordura-reformas-e-afins; acedido a 13 de Fevereiro de 2010
http://o-reino-dos-fins.blogspot.com/2007/06/provocaes-meritocrticas-parte-ii-sobre.html; acedido a 16 de Fevereiro de 2010
http://pt.shvoong.com/humanities/h_history/1741594-liberta%C3%A7%C3%A3o-auschwitz; acedido a 15 de Fevereiro de 2010
http://viaconsciencia.blogspot.com/2009/11/documentario-de-peter-cohen-revela-o.html; acedido a 13 de Fevereiro de 2010
http://www.dicionarioinformal.com.br/buscar.php?palavra=eugenia; acedido a 15 de Fevereiro de 2010
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=ciencia&artigo=eugenia1&lang=bra; acedido a 13 de Fevereiro de 2010
http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/analises_completas/a/a_republica; acedido a 13 de Fevereiro de 2010
http://www.ufrgs.br/bioetica/eugenia.htm; acedido a 16 de Fevereiro de 2010
http://www.universocatolico.com.br/index.php?/estaremos-a-caminho-de-uma-nova-eugenia.html; acedido a 15 de Fevereiro de 2010
Sofia Gomes
Rubataiana Soares
Ao entrar em Auschwitz, os soldados soviéticos, encontram milhares de prisioneiros moribundos. No gigantesco recinto do campo de concentração, havia pilhas de cadáveres das quais os nazis não tinham tido tempo de se livrar. Os fornos crematórios, vários armazéns e documentos tinham sido destruídos, na tentativa de eliminar as evidências do tratamento dado aos prisioneiros. Para trás tinham deixado toneladas de cabelo humano, roupas, sapatos, óculos, próteses, brinquedos e outros objectos que tinham sido confiscados às vítimas. Isto passa-se em 1945, aquando da libertação do campo de concentração. As provas colhidas são as marcas dos actos praticados pelos alemães sob a liderança de Hitler.
Hitler tinha um sonho. Ambicionava a instituição da supremacia da raça ariana. Esta ideia, que arrastou multidões, tinha por base a eugenia.
A eugenia é genericamente definida como a ciência que visa o aperfeiçoamento da espécie via selecção genética e controlo da reprodução.
Esta ciência teve origem nos tempos de Platão, no século IV a.C., e foi defendida pelo mesmo no diálogo A República (Politéia). Segundo este, uma cidade bem governada, devia garantir que os indivíduos de qualidades similares se cruzassem. Desta forma, os melhores acasalariam apenas com os melhores dando origem a uma raça superior. O poder ser-lhes-ia entregue.
Desde cedo que a igreja cristã implantou na sociedade ocidental a prática de ajudar os pobres, deficientes, doentes e necessitados.
Contudo, a partir dos séculos XVIII e XIX, com o crescimento do poder absolutista, o estado passou a assumir os cuidados que a Igreja tinha para com os menos afortunados. A aquisição desta nova responsabilidade, levou à sobrecarga financeira do estado, começando os necessitados a ser vistos como um empecilho ao avanço da civilização e obstáculo para a prosperidade do Estado, pelas elites europeias.
Esta situação levou à origem do Darwinismo social. O seu criador, o filósofo inglês Herbert Spencer, defendia que “os menos capazes” assim o eram por natureza e que, como tal, deviam ser eliminados e não auxiliados. Toda a imperfeição devia desaparecer de modo a permitir o aperfeiçoamento da humanidade.
No entanto, o termo eugenia (do grego, bem nascer) só foi criado no século XIX, por Francis Galton. Este, acreditava que a inteligência, o talento e as capacidades eram herdadas dos progenitores. Desta forma, apenas os descendentes de pais geneticamente superiores seriam proveitosos para a sociedade. Chegando mesmo a afirmar que o estado devia controlar os casamentos, limitando-o aos geneticamente superiores (Eugenia positiva, ou seja, melhoria da raça através da união de pessoas consideradas geneticamente superiores).
Sobre o assunto, Galton publicou, em 1865, um livro “Hereditary Talent and Genius” onde propunha que "as forças cegas da seleção natural, como agente propulsor do progresso, devem ser substituidas por uma seleção consciente e os homens devem usar todos os conhecimentos adquiridos pelo estudo e o processo da evolução nos tempos passados, a fim de promover o progresso físico e moral no futuro".
Este discurso teve por base a teoria da selecção natural formulada pelo seu primo, Charles Darwin.
Devido às condições da sua fundação, os Estados Unidos são um país que apresenta uma enorme diversidade cultural. No entanto, a coexistência de múltiplas culturas não significava união, as diversas comunidades encontravam-se isoladas umas das outras, sendo cada leva de emigrantes isolada em grupos étnicos e guetos. Ao longo do tempo, criou-se a ideia de que os primeiros colonos eram o povo eleito, o que originou ondas de racismo. Este fenómeno, aliado ao aumento da criminalidade, que se cria ser hereditária, levou a uma forte e rápida aceitação da teoria de Galton.
Quando a eugenia positiva se provou ser insuficiente, surgiu a eugenia negativa. Esta defende a eliminação de indivíduos geneticamente “inferiores”.
A eugenia era defendida, pela elite americana, como por exemplo, especialistas em diferentes campos científicos. Estes consideravam a miscigenação o suicídio da raça e ansiavam a eliminação dos “incapazes sociais”.
Assim, foram aplicadas nos Estados Unidos leis que permitiam a esterilização forçada de criminosos e deficientes mentais, a deportação dos imigrantes indesejados e a eutanásia passiva*.
Entretanto, na Europa, os nazis tomaram conta da Alemanha, levando a eugenia a um nível inimaginável. Estes tinham a obsessão da pureza racial. Para garantir a pura linhagem germânica, foram feitos registos genealógico dos membros das S.S, criando uma elite biológica, os «antepassados» da nova Alemanha.
Em 1935, foi fundada uma sociedade cuja missão era estudar a origem do povo alemão. Foi proibido aos membros das S.S. a utilização de contraceptivos e o aborto. O seu dever patriótico era ter, pelo menos, quatro filhos e ainda servir como “ajudantes de concepção” a mulheres sem filhos consideradas geneticamente valiosas.
A medição do rosto ou a comparação da cor do cabelo, eram alguns dos testes a que os alemães se sujeitavam para comprovar a sua origem e, assim, garantir a pureza da raça.
Esta ideia de superioridade conduziu à perseguição e extermínio de milhões de judeus e de outros povos considerados inferiores. Para tal recorreu-se a quatro fases: Identificação, através de testes como os referidos acima, Separação, criação de guetos, Concentração, em campos de concentração, e Extermínio, muitos eram gaseados à entrada no campo enquanto outros morriam de fome ou das doenças provocadas pela falta de condições sanitárias nos diversos campos.
A descoberta das atrocidades praticadas pelos nazis escandizou o mundo e a eugenia perdeu o seu crédito. Finda a segunda guerra mundial, a ONU sentiu a necessidade de compilar os direitos fundamentais do homem, tentando que estes deixassem de ser violados. Assim, em 1948, emitiu a Declaração Universal dos Direitos Humanos onde cada atrocidade se identifica com um artigo, nomeadamente:
Artigo 1º- Os homens nascem livres e iguais. – O que é contrário, por exemplo, ao anti-semitismo, ao ódio pelos judeus, à perseguição a que estes foram sujeitos.
Artigo 2º- Qualquer pessoa tem os mesmo direitos sem diferenças de raça, cor, sexo, língua, religião… - Isto contraria a destruição das sinagogas ( locais de culto dos judeus).
Artigo 3º- Todo o homem tem direito à vida, à liberdade, à segurança. – Estes direito foi negado a todos aqueles que morreram nos campos de concentração.
Artigo 4º- Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes. – Até nisso os judeus foram sacrificados tendo sido usados como cobaias humanas em experiências médicas de uma brutal crueldade.
Artigo 13º- Toda a pessoa tem o direito de livremente circular e escolher a sua residência no interior de um Estado. – Depois de expulsos das suas habitações, os judeus, foram isolados em guetos, onde toda a sua actividade era controlada.
Artigo 15º - Todo o indivíduo tem direito a ter uma nacionalidade. – Nenhum judeu era considerado cidadão alemão.
Artigo 16º - A partir da idade núbil, o homem e a mulher têm o direito de casar e de constituir família, sem restrição alguma de raça, nacionalidade ou religião. – Este direito era negado nos EUA a seres considerados genéticamente inferiores.
Artigo 17.º - Toda a pessoa, individual ou colectivamente, tem direito à propriedade. - O estado alemão apoderou-se dos bens dos judeus, empresas e bancos foram confiscados e vendidos a compradores privados.
Todos estes exemplos condenam a eugenia, uma vez que esta esteve sempre associada ao racismo.
Hoje em dia, surge uma nova forma de eugenia, ligada não ao racismo mas sim à tentativa da melhoria da qualidade de vida, eliminação de doenças ou correcção de imperfeições.
É hoje possível o diagnóstico pré-natal de bebés de modo a detectar possíveis problemas genéticos. Se o embrião possuir alguma doença genética, é dada aos pais a possibilidade de fazerem um aborto terapêutico* ou mesmo a modificação ou substituição do gene responsável pela doença ou defeito.
Mas será alguma destas opções legítima? O que é que confere a um ser o direito à vida? Não é a sua condição humana? Então como pode ser-lhe negado esse direito, só porque possui uma característica menos favorável? E se é legitimo evitar estas doenças, devem também ser evitadas outras como a obesidade, diabetes, ou mesmo a hipertensão? Até que ponto será legítima a sua aplicação à raça humana?
À primeira vista pensar-se-ia que de tais possibilidades só resultariam benefícios para o Homem. Contudo, um olhar mais atento revela conclusões não tão lineares.
Na Inglaterra nasceu a primeira criança sem um dos genes responsáveis pelo cancro da mama. Uma vez que o pai da criança tinha um largo historial na família de cancro da mama o casal decidiu recorrer à genética de forma a reduzir a probabilidade da criança vir a contrair a doença.
Qualquer um de nós tomaria a decisão que melhorasse a qualidade de vida do nosso filho. Mas até que ponto é aceitável levar a manipulação genética? Deverá esta cingir-se ao tratamento de doenças? E se forem também alteradas outras características, como a cor dos olhos ou o desenvolvimento dos membros? Isto levará, em último caso, à criação do ser perfeito. Correspondendo esta perfeição a um critério especifico, como a aptidão à execução de certo trabalho, surgindo assim o homem-máquina.
A prática da eugenia, causa ainda uma diminuição da variabilidade genética, condição necessária à sobrevivência humana.
Bibliografia
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