Rita Novo
Sara Gamelas
A presente discussão tem como objectivo reflectir sobre a importância e o impacto das representações sociais do corpo, da construção social do belo com o apoio da engenharia genética e a pressão, maioritária, dos media para a formatação do corpo.
Para tal, foram considerados alguns sites noticiadores do modo como se realiza uma tese, com algumas críticas sobre o assunto em causa ou subtemas relacionados com o mesmo e ainda alguns programas televisivos que apoiam este estudo, uma vez que se baseiam em exemplos reais de pessoas que dão excessiva importância à representação social do seu corpo devido às pressões sociais.
Inicialmente é necessário perceber se existe ou não uma verdadeira definição de “belo”. De seguida, é preciso analisar quais são os principais factores que as representações sociais do corpo, associadas a uma tentativa de alcance do “belo”, contemplam. A par deste tema, numa tentativa de melhor compreensão das motivações das pessoas para “alcançar o belo”, serão interpretados alguns exemplos. Sem esquecer o importante avanço tecnológico que se tem vindo a verificar crescente ao longo dos últimos anos e que permite satisfazer mais e melhor as necessidades e desejos do ser humano.
"Toda beleza é difícil" já dizia Sócrates.
Podemos, de facto, começar com uma questão fundamental: a problemática definição de belo. Não existe uma definição satisfatória, completa, imutável e intemporal para” beleza”. Por ser um conceito de carácter subjectivo, não há certezas sobre qualquer afirmação que se faça a partir deste. Não existe um consenso universal sobre o mesmo. Contudo, partiremos do pressuposto de que cada pessoa pode alcançar a sua representação ideal de “beleza” para avançarmos.
Interessante seria se percebêssemos quais são as motivações que conduzem as pessoas a recorrer às manipulações genéticas como as cirurgias estéticas e os motivos pelos quais não se sentem confortáveis com o seu corpo; ou seja, por que razões têm imensa necessidade e preocupação em alcançar um suposto ideal, o “belo”.
Começando então por analisar quais são os principais aspectos que as representações sociais do corpo, associadas a uma tentativa de alcance do “belo”, contemplam, destacam-se dois. Por um lado existe apenas uma parte prática que contempla aspectos claramente físicos relativos à estética e saúde corporais. Por outro, com carácter mais subjectivo, há uma necessidade de bem-estar e de conforto para se alcançar uma vida mais saudável do ponto de vista mental. No primeiro, as motivações das pessoas são apenas de carácter prático em que existe uma necessidade de satisfação que se pode obter pelo embelezamento ou de carácter biológico em que o que está em causa é a saúde do indivíduo. No segundo, são os distúrbios psicológicos como depressões ou traumas, influenciados pelas grandes pressões exercidas por parte dos media, que estão em causa.
A par deste tema está o avanço tecnológico. Só podemos falar em “alcançar a beleza, o ideal” tendo em conta o avanço tecnológico e as suas facilitações. Hoje em dia já se encara a manipulação de qualquer organismo com alguma facilidade. Os progressos científicos e técnicos acontecem cada vez mais frequentemente e já existe uma capacidade real de manipular, praticamente, qualquer forma de vida. De facto, trata-se de um enorme contributo para a Humanidade uma vez que proporciona, ao ser humano, novas resoluções para problemas no campo da medicina e agricultura, por exemplo, mas, por outro lado, questões sociais e éticas opõem-se-lhe. Esta é, portanto, uma matéria susceptível a dúvidas e que dá azo a muitas reflexões e discussões. As pessoas com problemas, preconceitos ou constrangimentos quanto ao seu corpo e ao facto de este não ser, nas suas opiniões, “belo” podem, hoje em dia, recorrer a cirurgias e a manipulações genéticas. A questão que se coloca é se haverá algo verdadeiramente condenável, de um ponto de vista ético, na alteração genética do corpo de um indivíduo?
Podemos exemplificar o que temos vindo a discutir com um programa que é divulgado pelo canal de televisão MTV. Este programa baseia-se numa tentativa de jovens adolescentes ficarem parecidos com o seu ídolo, alterando o seu corpo através de cirurgias plásticas. Apesar disto, o programa tem um outro lado mais moralista que alerta para os riscos destas operações plásticas que podem correr mal e resultar em fragilizações na saúde.
Referindo um exemplo mais concreto, num dos episódios, participou uma rapariga de 22 anos que esperava ser modelo. O facto de o seu peito ser pequeno atormentava-a e ela considerava que esse era o motivo pelo qual não poderia vir a ser alguém importante e mundialmente conhecido como o seu ídolo, Jessica Simpson. A rapariga desejava alcançar a perfeição e a beleza absoluta em que o seu ideal / o seu modelo a seguir era o seu ídolo.
Logo aqui podemos concluir que a ideia de “belo” é totalmente de carácter subjectivo e pessoal. De certeza que não partilhamos todos o mesmo ideal. Além disto, é notável a pressão que os media exercem sobre os adolescentes de tal modo que eles já desejam alterar o seu corpo em função do de outra pessoa, que julgam ser perfeito.
Outras motivações que levaram esta rapariga a concorrer ao programa foram a tentativa de facilitação na obtenção de emprego, como modelo, e a vontade de ser reconhecida mundialmente pela sua beleza.
Todavia, é óbvio que este exemplo não pode ser molde para ninguém. Não podemos basear os nossos ideais de belo noutra pessoa e tentar atingi-los tentando tornarmo-nos nela; caso contrário estaríamos a roubar uma identidade que é a única característica exclusiva e singular que nos define enquanto seres.
Não parece existir uma resposta evidente ou, pelo menos, rigorosa para dar a este assunto.
Não há uma razão firme que se oponha à engenharia genética e que nos submeta à rejeição desta nova via para tentar modificar indivíduos em seu próprio provento. Contudo é importante referir que, como em tudo, existem limites na nossa interferência propositada com a natureza. Não podemos negar a nossa naturalidade, o que nos define. É apenas necessário que a engenharia genética esteja sujeita a constantes inspecções às suas propostas e propósitos e que somente se prossiga com aqueles que obtenham a concórdia dos avaliadores que somos, sem dúvida, todos nós.
Aplicando esta “opinião” ao facto de as pessoas se preocuparem excessivamente com o alcance de um “corpo perfeito” estética e psicologicamente, não podemos realmente admitir meramente uma única resposta universalmente aplicável a todos os sujeitos. Tem que haver ponderação sobre cada situação e uma análise particular. Com certeza que uma operação estética para tentar refazer alguma parte do corpo após um acidente não tem o mesmo sentido que uma operação a alguém que apenas não se sinta confortável com o seu corpo.
Contudo é importante não esquecer que cada pessoa tem direito à liberdade de opinião, de convicção, de expressão e de pensamento. Cada ser humano é livre de tomar a sua decisão e manipular o seu corpo conforme a sua vontade, se tiver meios para tal e desde que esteja com saúde mental.
Tudo isto, admitindo que o “belo” é alcançável numa dimensão pessoal.
Apontamentos, textos e trabalhos de Filosofia de/para alunos do Ensino Secundário - Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Esgueira, Aveiro, PORTUGAL
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
mérito e limites do racionalismo
“O mérito do racionalismo foi ter visto e salientado a importância do factor racional no conhecimento humano. Porém, é exclusivista ao fazer do pensamento a única fonte ou a fonte válida do conhecimento. Como já vimos, ele está em acordo com o seu ideal de conhecimento, segundo o qual todo o conhecimento possui necessidade lógica e validade universal. Mas é precisamente este ideal que é exclusivista, reduzindo o conhecimento a uma forma determinada de conhecimento: o conhecimento matemático. Outro defeito do racionalismo consiste em respirar o espírito do dogmatismo. Acredita poder entrar na esfera metafísica pelo caminho do pensamento puramente intelectual. Deriva, ou retira de princípios formais, proposições materiais; deduz de meros conceitos, conhecimentos reais (pense-se na tentativa de retirar do conceito de Deus a afirmação da sua existência; ou de definir, partindo do conceito de substância, a essência da alma). Foi precisamente este espírito dogmático que provocou o seu antípoda: o empirismo.”
J. Hessen – Teoria do Conhecimento, Espasa-Calpe, México, p.55
J. Hessen – Teoria do Conhecimento, Espasa-Calpe, México, p.55
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Jaime Magalhães Lima dixit - f
In Eucaliptos e Acácias
onde a observação racionalizada e o novo conhecimento destrói conhecimento tido como certo
Algum tempo, e muito longo, tive como regra invariavel que os Eucalyptos não careciam de póda. Mais do que isso, a póda era-lhes nociva.
(...)
As minhas observações então limitavam-se, porém, a uma só especie de _Eucalyptos_, ao _globulus_.
onde a observação racionalizada e o novo conhecimento destrói conhecimento tido como certo
Algum tempo, e muito longo, tive como regra invariavel que os Eucalyptos não careciam de póda. Mais do que isso, a póda era-lhes nociva.
(...)
As minhas observações então limitavam-se, porém, a uma só especie de _Eucalyptos_, ao _globulus_.
Jaime Magalhães Lima dixit - e
Três formas de viajar
In Cidades e Paisagens
_Depois, ha muitos modos de viajar. Ha em primeiro logar o estudo - o conhecimento interno e externo dos povos nas suas instituições e nas suas paizagens, na sua vida moral e na sua vida economica, nas suas qualidades physiologicas e nas suas aptidões artisticas, no seu modo de ser intimo e nas suas relações com o mundo externo. Esses estudos carecem de longo tempo e saber paciente e a descripção é um dos seus elementos; estão feitos para quasi todo o mundo tantas vezes e tão bem que seria vaidade pueril tentar acrescentar-lhes o que quer que fosse._
_Um segundo modo é a viagem por curiosidade--vêr muita coisa e coisas differentes das que habitualmente vemos. É o regalo das sensibilidades cansadas ou demasiado cubiçosas e um genero de «sport» hoje muito em voga; o seu valor educativo, porém, é mediocre pela multiplicidade das impressões e falta de connexão entre si._
_Entre estes dois modos parece-me haver um terceiro, munido de estudos prévios para dispensar observação demorada e curioso só quanto baste para a elucidação do estudo. Procura a representação directa d'aquillo que já conhece, vendo em movimento os corpos vivos cuja anatomia e physiologia estudou primeiro; vai envolver-se na corrente das cidades para sentir o calor e o palpitar do seu sangue e uma vez alcançada esta impressão abandona-as como um parasita irrequieto._
In Cidades e Paisagens
_Depois, ha muitos modos de viajar. Ha em primeiro logar o estudo - o conhecimento interno e externo dos povos nas suas instituições e nas suas paizagens, na sua vida moral e na sua vida economica, nas suas qualidades physiologicas e nas suas aptidões artisticas, no seu modo de ser intimo e nas suas relações com o mundo externo. Esses estudos carecem de longo tempo e saber paciente e a descripção é um dos seus elementos; estão feitos para quasi todo o mundo tantas vezes e tão bem que seria vaidade pueril tentar acrescentar-lhes o que quer que fosse._
_Um segundo modo é a viagem por curiosidade--vêr muita coisa e coisas differentes das que habitualmente vemos. É o regalo das sensibilidades cansadas ou demasiado cubiçosas e um genero de «sport» hoje muito em voga; o seu valor educativo, porém, é mediocre pela multiplicidade das impressões e falta de connexão entre si._
_Entre estes dois modos parece-me haver um terceiro, munido de estudos prévios para dispensar observação demorada e curioso só quanto baste para a elucidação do estudo. Procura a representação directa d'aquillo que já conhece, vendo em movimento os corpos vivos cuja anatomia e physiologia estudou primeiro; vai envolver-se na corrente das cidades para sentir o calor e o palpitar do seu sangue e uma vez alcançada esta impressão abandona-as como um parasita irrequieto._
Jaime Magalhães Lima dixit - d
As cidades antigas
In CIDADES E PAISAGENS
Uma viagem de impressões e de reflexões – uma viagem pela Europa
As cidades antigas são como as grandes obras classicas que ora se encontram empoeiradas e amarellecidas na edição original, em que o texto e a fórma conservam a harmonia e a exactidão primitivas, ora se encontram nas edições modernas, annotadas, corrigidas, sob uma nova fórma material, corrompidas e alteradas o mais das vezes até se tornarem uma obra nova. São raras as velhas edições authenticas, e mais raras ainda essas outras especies de livros escriptos em pedra a que se chama cidades; porque, n'estas, as alterações são constantes, dia a dia, lentas e immediatamente imperceptiveis. Quando assim não é, a cidade morreu.
In CIDADES E PAISAGENS
Uma viagem de impressões e de reflexões – uma viagem pela Europa
As cidades antigas são como as grandes obras classicas que ora se encontram empoeiradas e amarellecidas na edição original, em que o texto e a fórma conservam a harmonia e a exactidão primitivas, ora se encontram nas edições modernas, annotadas, corrigidas, sob uma nova fórma material, corrompidas e alteradas o mais das vezes até se tornarem uma obra nova. São raras as velhas edições authenticas, e mais raras ainda essas outras especies de livros escriptos em pedra a que se chama cidades; porque, n'estas, as alterações são constantes, dia a dia, lentas e immediatamente imperceptiveis. Quando assim não é, a cidade morreu.
sábado, 20 de fevereiro de 2010

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Jaime Magalhãs Lima com Alberto Sampaio e Luís de Magalhães
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Jaime Magalhães Lima dixit - c
DO QUE O FOGO NÃO QUEIMA
Ensaio de Jaime Magalhães Lima - excerto
Uma democracia, aquela democracia que persiste, cresce e ha mais de vinte séculos ressurge de cada revez mais poderosa do que era antecedentemente, «não é uma mera forma de governo. Não depende de urnas ou de leis de sufragio popular ou de qualquer maquinismo. Isso é apenas o seu adorno. A democracia é um espirito e uma atmosfera, e a sua essencia é a confiança nos instintos morais do povo. Um tirano não é um democrata, porque crê no governo pela força; como não é democrata o demagogo porque crê no governo pela lisonja. Um país democratico é um país onde o governo tem confiança no povo e o povo tem confiança no governo e em si, e onde todos se unem na fé de que a causa do seu país não é materia apenas de interesse individual ou nacional, mas está de harmonia com as grandes forças morais que governam os destinos do genero humano.»
Essas forças morais que governam a humanidade, não as queima o fogo. E essas são as que hão de fazer a paz, a presente como a futura, e a futura mais robusta do que a presente.
Ensaio de Jaime Magalhães Lima - excerto
Uma democracia, aquela democracia que persiste, cresce e ha mais de vinte séculos ressurge de cada revez mais poderosa do que era antecedentemente, «não é uma mera forma de governo. Não depende de urnas ou de leis de sufragio popular ou de qualquer maquinismo. Isso é apenas o seu adorno. A democracia é um espirito e uma atmosfera, e a sua essencia é a confiança nos instintos morais do povo. Um tirano não é um democrata, porque crê no governo pela força; como não é democrata o demagogo porque crê no governo pela lisonja. Um país democratico é um país onde o governo tem confiança no povo e o povo tem confiança no governo e em si, e onde todos se unem na fé de que a causa do seu país não é materia apenas de interesse individual ou nacional, mas está de harmonia com as grandes forças morais que governam os destinos do genero humano.»
Essas forças morais que governam a humanidade, não as queima o fogo. E essas são as que hão de fazer a paz, a presente como a futura, e a futura mais robusta do que a presente.
Jaime Magalhães Lima dixit - b
do Romance O Transviado - Jaime Magalhães Lima
Claudio approximou-se do par que momentos antes tinha deixado e offereceu-lhe logar na sua carruagem para regressarem juntos a Albergaria.
--Não, muito obrigado, vamos incommodal-o. Temos ali um carrito em que viémos.
Instou; que a tarde estava horrorosa, que iriam talvez um pouco mais agasalhados, que lhe davam o maior prazer com a sua companhia.
--A Emilia dirá, respondeu o homem de lunetas voltando-se para a mulher.
--Ah! por mim, acudiu ella muito alegremente, acceito e agradeço; não sei desprezar tão boa fortuna. Desculpe-me v. ex.ª a franqueza...
Conheço o apenas ha uma hora e vou dispondo já das suas cousas com uma
familiaridade que póde induzil-o em mau juizo...
--Oh! pelo amor de Deus, minha senhora, não diga mais, que blasphemias!... Muito prazer, fico muito reconhecido a v. ex.as.
Encaminharam-se, atravez da linha, para a carruagem, que era um vasto landau tirado por dois possantes cavallos, e Claudio sentou-se em frente de Emilia e do marido.
Apenas sairam da estação, a conversa reatou-se no tom de banal animação em que a vimos começada. Claudio ia inquieto, um pouco embriagado pela belleza da mulher que tinha deante de si.
Claudio approximou-se do par que momentos antes tinha deixado e offereceu-lhe logar na sua carruagem para regressarem juntos a Albergaria.
--Não, muito obrigado, vamos incommodal-o. Temos ali um carrito em que viémos.
Instou; que a tarde estava horrorosa, que iriam talvez um pouco mais agasalhados, que lhe davam o maior prazer com a sua companhia.
--A Emilia dirá, respondeu o homem de lunetas voltando-se para a mulher.
--Ah! por mim, acudiu ella muito alegremente, acceito e agradeço; não sei desprezar tão boa fortuna. Desculpe-me v. ex.ª a franqueza...
Conheço o apenas ha uma hora e vou dispondo já das suas cousas com uma
familiaridade que póde induzil-o em mau juizo...
--Oh! pelo amor de Deus, minha senhora, não diga mais, que blasphemias!... Muito prazer, fico muito reconhecido a v. ex.as.
Encaminharam-se, atravez da linha, para a carruagem, que era um vasto landau tirado por dois possantes cavallos, e Claudio sentou-se em frente de Emilia e do marido.
Apenas sairam da estação, a conversa reatou-se no tom de banal animação em que a vimos começada. Claudio ia inquieto, um pouco embriagado pela belleza da mulher que tinha deante de si.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Jaime Magalhães Lima dixit - a
Uma concepção multicultural e miscigenada de raça
As raças serão tanto mais elevadas quanto mais elevada for a soma das faculdades e capacidades adquiridas por legado e contacto de outras raças, juntando-se à antiguidade e volume do cabedal próprio de cada uma: (…) Raças superiores serão as que mais desafogadamente se mesclam com as outras raças e nelas recompuseram o sangue.
In Lima, Os Povos do Baixo Vouga. Apud Carvalho, Manuel. Nação, Nacionalismo e Democracia. ACP LABOR
As raças serão tanto mais elevadas quanto mais elevada for a soma das faculdades e capacidades adquiridas por legado e contacto de outras raças, juntando-se à antiguidade e volume do cabedal próprio de cada uma: (…) Raças superiores serão as que mais desafogadamente se mesclam com as outras raças e nelas recompuseram o sangue.
In Lima, Os Povos do Baixo Vouga. Apud Carvalho, Manuel. Nação, Nacionalismo e Democracia. ACP LABOR
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Cérebro, mente, espírito e alma
Isaque Tomé
distinção entre conceitos de cérebro, mente, espírito e alma
cérebro - órgão de processamento da informação; domínio do bio-químico e do anatómico; base material da mente; é o mundo dos neurónios e das sinapses....
mente - o domínio do psíquico e do intelecto: emoções, sentimento, inteligência e seus tipos, estilos cognitivos, processos de aprendizagem, de memoria, a percepção, ...
na tradição anglo-saxónica é tratada como algo conhecível de forma científica e +/- mensurável. Mas a tradição continental (franceses, alemães ...) tendem a olhar para a sua dimensão complexa e a não separar do conceito de espírito.
espírito - 1. a nossa dimensão cultural. 2. o que nos faz viver? 3. é o ponto de intersecção do que somos com o que queremos ser em função das circunstancias - envolve o nosso passado em memória, a nossa identidade, a nossa cultura e os nossos valores. e tudo isto está presente como horizonte de referência quando conhecemos e quando decidimos. Problema: isto não é cientificamente traduzível e por isso há quem simplesmente diga que o espírito não interessa e que devemos ficar pela alma.
alma - tem várias significações; a tradição dominante é a de uma dimensão espiritual que vive acima da matéria - imaterial, mas a tradição cristã, e antes disso, a filosofia antiga grega - Platão, Aristóteles e outros, supõe-na imortal e eterna (que não é o mesmo) e apta a encarnar e a enformar (forma) o corpo (matéria).
Mas nada como ir à LOGOS (enc. de fil) ou a BIBLOS (ens. de religião) ou a um dicionário de filosofia - aqui ao lado existe um link
distinção entre conceitos de cérebro, mente, espírito e alma
cérebro - órgão de processamento da informação; domínio do bio-químico e do anatómico; base material da mente; é o mundo dos neurónios e das sinapses....
mente - o domínio do psíquico e do intelecto: emoções, sentimento, inteligência e seus tipos, estilos cognitivos, processos de aprendizagem, de memoria, a percepção, ...
na tradição anglo-saxónica é tratada como algo conhecível de forma científica e +/- mensurável. Mas a tradição continental (franceses, alemães ...) tendem a olhar para a sua dimensão complexa e a não separar do conceito de espírito.
espírito - 1. a nossa dimensão cultural. 2. o que nos faz viver? 3. é o ponto de intersecção do que somos com o que queremos ser em função das circunstancias - envolve o nosso passado em memória, a nossa identidade, a nossa cultura e os nossos valores. e tudo isto está presente como horizonte de referência quando conhecemos e quando decidimos. Problema: isto não é cientificamente traduzível e por isso há quem simplesmente diga que o espírito não interessa e que devemos ficar pela alma.
alma - tem várias significações; a tradição dominante é a de uma dimensão espiritual que vive acima da matéria - imaterial, mas a tradição cristã, e antes disso, a filosofia antiga grega - Platão, Aristóteles e outros, supõe-na imortal e eterna (que não é o mesmo) e apta a encarnar e a enformar (forma) o corpo (matéria).
Mas nada como ir à LOGOS (enc. de fil) ou a BIBLOS (ens. de religião) ou a um dicionário de filosofia - aqui ao lado existe um link
Trabalho 11.º - Erro a evitar
Isaque Tomé
A propósito do trabalho - O Corpo e o desenvolvimento científico e técnico - e como fórmula geral devemos evitar um erro muito comum.
Erro a evitar:
seja A) na desconstrução e análise da informação e B) no momento de escrever o nosso discurso,
não devemos confundir dois planos
1)o que consideramos ser a realidade (SER)
e
2) o que gostaríamos que a realidade fosse: o que que acharíamos que deveria ser (DEVER SER).
é claro que nem sempre 1) é independente de 2)
A propósito do trabalho - O Corpo e o desenvolvimento científico e técnico - e como fórmula geral devemos evitar um erro muito comum.
Erro a evitar:
seja A) na desconstrução e análise da informação e B) no momento de escrever o nosso discurso,
não devemos confundir dois planos
1)o que consideramos ser a realidade (SER)
e
2) o que gostaríamos que a realidade fosse: o que que acharíamos que deveria ser (DEVER SER).
é claro que nem sempre 1) é independente de 2)
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
A Tecnologia e o Corpo: questões de privacidade, intimidade e identidade

Alerta: Imagem íntima na Internet fica para sempre
Lusa
21:25 Terça-feira, 9 de Fev de 2010
Num mundo virtual sem fronteiras é melhor prevenir, alerta a Polícia Judiciária, numa altura em que cresce o fenómeno do "sexting" entre jovens
Uma imagem íntima colocada sem consentimento na Internet nunca mais de lá sairá: num mundo virtual sem fronteiras é melhor prevenir porque pode ser impossível remediar, alertou hoje um responsável da Polícia Judiciária (PJ).
Numa conferência para assinalar o Dia Europeu da Internet Segura, em Lisboa, Jorge Duque afirmou que estão a tomar "proporções difíceis de controlar" os casos em que no fim de um namoro uma das partes coloca fotos íntimas do ex-parceiro na Internet ou as espalha "por toda a escola ou pelos seus 500 melhores amigos".
O fenómeno do "Sexting"
"Há jovens a difundir imagens do foro privado, sexual, pelo telemóvel", referiu, um fenómeno conhecido como "sexting" e que pode levar à perda de ano letivo por absentismo e, em alguns casos, ao suicídio.
Esta é uma das razões, defendeu, para pôr jovens e adultos a pensar "quem nos tira fotos, onde vão ficar guardadas e quem vai ter acesso a elas".
Agir contra os ofensores - trata-se de devassa da vida privada - é difícil e pode ser mesmo impossível porque o crime varia conforme, por exemplo, o país em que está alojado o servidor de Internet. Além disso, como há muitos ordenamentos jurídicos diferentes, nem sempre é possível a colaboração entre forças policiais.
"A Internet não tem fronteiras, mas os países ainda têm fronteiras jurídicas", ilustrou.
Perigo da pornografia infantil
Como as fotos nunca saem da Internet e bloqueá-las pode ser impossível, os efeitos podem prolongar-se por toda uma vida, quer para a vítima, quer para o ofensor - o que pode ser primeiro devassa da vida privada pode, em alguns casos, converter-se num verdadeiro crime de difusão de pornografia infantil.
Na conferência organizada pela Plataforma Internet Segura, a investigadora Cristina Ponte, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, afirmou que este ano irá ser feito um estudo entre mil famílias portuguesas para saber os seus hábitos de consumo e participação on-line e avaliar os riscos que correm as crianças.
O inquérito no âmbito do projeto europeu "UE kids online" será feito nas casas das famílias, com garantia de privacidade e anonimato e um conjunto de perguntas a que os filhos respondem sem estar à frente dos pais.
Pretende-se assim ter "resultados para influenciar as práticas de regulação, quem tem poder de decisão e as empresas de conteúdos".
O "ciberbulling" (violência psicológica reiterada), a pornografia, o "sexting" e os encontros na vida real com pessoas conhecidas online são os principais riscos a que os jovens e crianças estão sujeitos, como "recetores, autores ou participantes".
http://aeiou.expresso.pt/alerta-imagem-intima-na-internet-fica-para-sempre=f564433
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Língua e Pensamento - II
Se a resposta à questão colocada no post Língua e Pensamento I, for afirmativo, podemos supor que pobreza de língua conduz a pobreza no pensar?
Ou seja, tem maior capacidade de análise e avaliação da realidade quem domina 10 000 vocábulos face a quem domina 300?
Uma abordagem romanceada a este problema está presente no livro 1984, de George Orwell, que tratando um mundo dividido em 3 blocos, num deles cria-se a novilíngua que era desenvolvida não pela criação de novos vocábulos, mas pela supressão de vocábulos e de sinónimos e impedindo a relativização e subjectividade na abordagem dos assuntos. O objectivo ao simplificar a língua relaciona-se com a eficiência, mas também com o controle do pensamento: só é classificável e passível de integrar uma proposição o que é dado nas/pelas palavras. Não havendo palavras...
Ou seja, tem maior capacidade de análise e avaliação da realidade quem domina 10 000 vocábulos face a quem domina 300?
Uma abordagem romanceada a este problema está presente no livro 1984, de George Orwell, que tratando um mundo dividido em 3 blocos, num deles cria-se a novilíngua que era desenvolvida não pela criação de novos vocábulos, mas pela supressão de vocábulos e de sinónimos e impedindo a relativização e subjectividade na abordagem dos assuntos. O objectivo ao simplificar a língua relaciona-se com a eficiência, mas também com o controle do pensamento: só é classificável e passível de integrar uma proposição o que é dado nas/pelas palavras. Não havendo palavras...
Língua e Pensamento - I
Podemos pensar para lá da nossa língua?
ou da(s) língua(s) que conhecemos?
Está o nosso pensamento encerrado/condicionado/limitado/fechado/ ou - mais radical - determinado pela língua?
ou da(s) língua(s) que conhecemos?
Está o nosso pensamento encerrado/condicionado/limitado/fechado/ ou - mais radical - determinado pela língua?
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Potencialidades tecnológicas e questões éticas

Britânica engravida de marido morto
Mulher britânica engravida de marido morto há dois anos. Objectivo cumprir o velho sonho do casal.
Cândida Santos Silva
16:37 Terça-feira, 2 de Fev de 2010
Mulher britânica engravida de marido morto há dois anos. Objectivo: cumprir o velho sonho do casal. Kelly Bowen, do País de Gales, teve filhos gémeos quase dois anos depois da morte do marido. As crianças foram concebidas com esperma congelado do marido, Gavin, falecido em Abril de 2008, aos 22 anos, vítima de cancro.
O casal já tinha outro filho, nascido em Outubro de 2007, após um tratamento de fertilização, quando a Gavin já tinha sido diagnosticada a doença oncológica.
"Por causa do tratamento de quimioterapia, o meu marido congelou esperma e tivemos um filho, Shay, por inseminação artificial em Outubro de 2007", contou Kelly, de 25 anos, ao jornal local "Glamorgan Gazette". "Antes que morresse, decidimos que queríamos um irmão ou uma irmã para Shay, mas ele morreu muito pouco tempo depois. Para cumprir esse sonho, avancei sozinha". No último dia do ano nasceram Ruby Gravie e Chaise Gavin.
http://aeiou.expresso.pt/britanica-engravida-de-marido-morto=f561483
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
momento de poesia
Sempre a Razão vencida foi de Amor
Sempre a Razão vencida foi de Amor;
Mas, porque assim o pedia o coração,
Quis Amor ser vencido da Razão.
Ora que caso pode haver maior!
Novo modo de morte e nova dor!
Estranheza de grande admiração,
Que perde suas forças a afeição,
Por que não perca a pena o seu rigor.
Pois nunca houve fraqueza no querer,
Mas antes muito mais se esforça assim
Um contrário com outro por vencer.
Mas a Razão, que a luta vence, enfim,
Não creio que é Razão; mas há-de ser
Inclinação que eu tenho contra mim.
Luís de Camões
Sempre a Razão vencida foi de Amor;
Mas, porque assim o pedia o coração,
Quis Amor ser vencido da Razão.
Ora que caso pode haver maior!
Novo modo de morte e nova dor!
Estranheza de grande admiração,
Que perde suas forças a afeição,
Por que não perca a pena o seu rigor.
Pois nunca houve fraqueza no querer,
Mas antes muito mais se esforça assim
Um contrário com outro por vencer.
Mas a Razão, que a luta vence, enfim,
Não creio que é Razão; mas há-de ser
Inclinação que eu tenho contra mim.
Luís de Camões
Segurança, Liberdade e Privacidade
O presidente da Comissão de Protecção de Dados Pessoais diz que a lei chega sempre mais tarde que as tecnologias e que a concentração da informação é um cocktail explosivo.
01/02/2010

Há câmaras por todo o lado, as informações pessoais constam de bases de dados que os cidadãos não conseguem controlar e muitas empresas conseguem fazer perfis ao pormenor dos consumidores. Estarão os dados pessoais em risco de ir parar a mãos perigosas? O cenário não é bom, diz Luís da Silveira, mas não é catastrófico. E alerta para o papel que cada um tem no controlo da informação sobre si que anda por aí espalhada..
Que situações de recolha de informações pessoais são hoje preocupantes que levam a comissão a classificar o cenário como "inquietante"?
O cenário é inquietante porque há situações que em conjunto significam um constrangimento importante da privacidade dos cidadãos. A videovigilância, que se está a banalizar, a utilização de dados biométricos (impressões digitais, imagem facial, a íris, o cheiro). Temos exigido que se trate de sistemas fiáveis, que não admitam a reconversão do código informático da impressão digital no esquema real da impressão digital.
E a geolocalização?
Está na moda. A mais usada é através de RFID - identificação por rádio frequência. O carro em que o trabalhador se desloca leva um chip que transmite sinais para a central da empresa e esta sabe onde é que aquele carro está em cada momento. A razão apresentada é a gestão de frota. Mas passam a saber onde está o trabalhador, onde parou para tomar café. Estamos a discutir se isso é legítimo para controlar os menores: formalmente, os pais têm direito a reger os filhos, mas às crianças não deve ser também reconhecido o direito à privacidade?
Os trabalhadores têm que dar consentimento.
Sim, sempre, mas o consentimento do trabalhador nunca é muito fiável, porque não é suficientemente livre. Só por curiosidade, onde isto já está a ser utilizado nas pessoas é numa discoteca em Barcelona: metem um chip debaixo da pele, entram na discoteca à vontade e debitam logo no cartão os consumos. As pessoas aceitam muito mais coisas do que a gente possa imaginar.
Estabelecer um limite é cada vez mais difícil?
Sim, até porque são cada vez mais difíceis de mensurar os interesses de segurança em jogo e a verificação de que a privacidade está a ser afectada. É enorme a pressão de entidades de investigação criminal obterem informação para realizarem o seu trabalho policial e ter provas em tribunal. Os bodyscanners dos aeroportos são a última polémica.
A questão já foi posta à CNPD?
Ainda não em termos formais. Os EUA estão a pressionar a Europa para os adoptar. Da nossa parte dizemos "Atenção!", há um bulir da privacidade, porque apanha as próteses, os implantes mamários, os sacos pós-operatórios. A simples circunstância de se despojar a pessoa das suas vestes é humilhante, e, se isto se aceita, depois onde é que se vai parar?
Esta comissão chumbaria?
Eu sou apenas um membro. Dentro dos critérios da comissão, muito provavelmente esta será a perspectiva. Isto é um sistema para aplicar a todos: parece que somos todos suspeitos.
Os EUA acabarão por fazer vingar a sua pressão?
Eu esperaria que não. Os EUA têm uma percepção diferente sobre a protecção: entendem que os dados pessoais são para girar, é isso que faz mexer a economia, e só em certas áreas são muito defensores da privacidade - abusos contra crianças e defesa de segredos comerciais. Tirando isso, não há uma lei de protecção de dados, nem qualquer entidade à maneira das europeias.
Há algo que garanta que os dados não são divulgados?
Nada, de facto. Este é o problema da globalização.
Há um laxismo em relação à exposição?
Há um desvalor. Os adolescentes são muito ciosos da sua privacidade em relação aos pais mas são extremamente abertos para fora, gostam de mostrar a sua privacidade aos colegas e amigos.
É possível acompanhar com leis a velocidade a que se introduzem novas tecnologias?
Há a questão problemática e perigosa da nanotecnologia. A lei chega sempre tarde. As tecnologias têm andado sempre à frente da lei.
Em que áreas é urgente legislar?
O importante não é legislar sobre uma tecnologia, mas sobre as suas aplicações, como no chip de matrícula, que é por RFID. Talvez faça sentido o legislador pensar se as recomendações da Comissão Europeia já estão maduras.
A Comissão é o fiel da balança?
É a sua obrigação. O que nós tentamos dizer é a necessidade de o nosso Parlamento acompanhar a legislação que está a ser feita a nível europeu. Sabemos nós que posição é que os portugueses estão a defender nos grupos europeus? Está o Parlamento português a cumprir o seu papel de fiscalizar, de saber e acompanhar o Parlamento Europeu?
Gostava de trabalhar mais de perto com o legislador?
Temos procurado fazê-lo. Apesar de os nossos pareceres aos diplomas legais não serem vinculativos, até hoje a assembleia tem tido em conta a nossa opinião. Pode ter havido discordância, com certeza que há e ponderada. Mas na generalidade acompanham.
A concentração passiva de informação sobre os cidadãos é um perigo quase tão grande quanto o terrorismo?
Não sei comparar, mas lá que cria riscos acrescidos, cria, sem dúvida. Temos tido sempre particular cuidado e preocupação quando nos são apresentadas pretensões de grandes bases de dados. Há sempre o risco da fuga de informação e utilização indevida com finalidades perversas, por qualquer poder. É um cocktail explosivo.
Os dados pessoais em Portugal estão hoje protegidos?
Do ponto de vista legal, sim. Foi a primeira Constituição a protegê-los. A grande questão é a aplicação e isso é da responsabilidade da Comissão, mas é claro que a protecção de dados não pode estar assegurada por uma equipa de 30 pessoas. A defesa dos dados pessoais tem que começar sempre nos próprios., nunca chegarão os tribunais e instituições deste género para o garantir.
Se metade dos pedidos é de videovigilância, os portugueses estão hoje com medo?
O sentimento de insegurança se calhar não corresponde à insegurança existente, agora que esse sentimento se instalou não há dúvidas.
E é aproveitado para cada dia se apertar esse direito à privacidade?
É sempre mais fácil quando temos medo. É isso que temos visto estar a acontecer a alguns níveis. E por isso dizemos que o número de pedidos de videovigilância é desproporcionado.
Somos de facto tratados como suspeitos?
Não há uma perspectiva generalizada, o que acontece é que em relação a certas iniciativas, até parece que somos todos suspeitos. Como nos bodyscanners: todos os que vão andar de avião são suspeitos?
01/02/2010

Há câmaras por todo o lado, as informações pessoais constam de bases de dados que os cidadãos não conseguem controlar e muitas empresas conseguem fazer perfis ao pormenor dos consumidores. Estarão os dados pessoais em risco de ir parar a mãos perigosas? O cenário não é bom, diz Luís da Silveira, mas não é catastrófico. E alerta para o papel que cada um tem no controlo da informação sobre si que anda por aí espalhada..
Que situações de recolha de informações pessoais são hoje preocupantes que levam a comissão a classificar o cenário como "inquietante"?
O cenário é inquietante porque há situações que em conjunto significam um constrangimento importante da privacidade dos cidadãos. A videovigilância, que se está a banalizar, a utilização de dados biométricos (impressões digitais, imagem facial, a íris, o cheiro). Temos exigido que se trate de sistemas fiáveis, que não admitam a reconversão do código informático da impressão digital no esquema real da impressão digital.
E a geolocalização?
Está na moda. A mais usada é através de RFID - identificação por rádio frequência. O carro em que o trabalhador se desloca leva um chip que transmite sinais para a central da empresa e esta sabe onde é que aquele carro está em cada momento. A razão apresentada é a gestão de frota. Mas passam a saber onde está o trabalhador, onde parou para tomar café. Estamos a discutir se isso é legítimo para controlar os menores: formalmente, os pais têm direito a reger os filhos, mas às crianças não deve ser também reconhecido o direito à privacidade?
Os trabalhadores têm que dar consentimento.
Sim, sempre, mas o consentimento do trabalhador nunca é muito fiável, porque não é suficientemente livre. Só por curiosidade, onde isto já está a ser utilizado nas pessoas é numa discoteca em Barcelona: metem um chip debaixo da pele, entram na discoteca à vontade e debitam logo no cartão os consumos. As pessoas aceitam muito mais coisas do que a gente possa imaginar.
Estabelecer um limite é cada vez mais difícil?
Sim, até porque são cada vez mais difíceis de mensurar os interesses de segurança em jogo e a verificação de que a privacidade está a ser afectada. É enorme a pressão de entidades de investigação criminal obterem informação para realizarem o seu trabalho policial e ter provas em tribunal. Os bodyscanners dos aeroportos são a última polémica.
A questão já foi posta à CNPD?
Ainda não em termos formais. Os EUA estão a pressionar a Europa para os adoptar. Da nossa parte dizemos "Atenção!", há um bulir da privacidade, porque apanha as próteses, os implantes mamários, os sacos pós-operatórios. A simples circunstância de se despojar a pessoa das suas vestes é humilhante, e, se isto se aceita, depois onde é que se vai parar?
Esta comissão chumbaria?
Eu sou apenas um membro. Dentro dos critérios da comissão, muito provavelmente esta será a perspectiva. Isto é um sistema para aplicar a todos: parece que somos todos suspeitos.
Os EUA acabarão por fazer vingar a sua pressão?
Eu esperaria que não. Os EUA têm uma percepção diferente sobre a protecção: entendem que os dados pessoais são para girar, é isso que faz mexer a economia, e só em certas áreas são muito defensores da privacidade - abusos contra crianças e defesa de segredos comerciais. Tirando isso, não há uma lei de protecção de dados, nem qualquer entidade à maneira das europeias.
Há algo que garanta que os dados não são divulgados?
Nada, de facto. Este é o problema da globalização.
Há um laxismo em relação à exposição?
Há um desvalor. Os adolescentes são muito ciosos da sua privacidade em relação aos pais mas são extremamente abertos para fora, gostam de mostrar a sua privacidade aos colegas e amigos.
É possível acompanhar com leis a velocidade a que se introduzem novas tecnologias?
Há a questão problemática e perigosa da nanotecnologia. A lei chega sempre tarde. As tecnologias têm andado sempre à frente da lei.
Em que áreas é urgente legislar?
O importante não é legislar sobre uma tecnologia, mas sobre as suas aplicações, como no chip de matrícula, que é por RFID. Talvez faça sentido o legislador pensar se as recomendações da Comissão Europeia já estão maduras.
A Comissão é o fiel da balança?
É a sua obrigação. O que nós tentamos dizer é a necessidade de o nosso Parlamento acompanhar a legislação que está a ser feita a nível europeu. Sabemos nós que posição é que os portugueses estão a defender nos grupos europeus? Está o Parlamento português a cumprir o seu papel de fiscalizar, de saber e acompanhar o Parlamento Europeu?
Gostava de trabalhar mais de perto com o legislador?
Temos procurado fazê-lo. Apesar de os nossos pareceres aos diplomas legais não serem vinculativos, até hoje a assembleia tem tido em conta a nossa opinião. Pode ter havido discordância, com certeza que há e ponderada. Mas na generalidade acompanham.
A concentração passiva de informação sobre os cidadãos é um perigo quase tão grande quanto o terrorismo?
Não sei comparar, mas lá que cria riscos acrescidos, cria, sem dúvida. Temos tido sempre particular cuidado e preocupação quando nos são apresentadas pretensões de grandes bases de dados. Há sempre o risco da fuga de informação e utilização indevida com finalidades perversas, por qualquer poder. É um cocktail explosivo.
Os dados pessoais em Portugal estão hoje protegidos?
Do ponto de vista legal, sim. Foi a primeira Constituição a protegê-los. A grande questão é a aplicação e isso é da responsabilidade da Comissão, mas é claro que a protecção de dados não pode estar assegurada por uma equipa de 30 pessoas. A defesa dos dados pessoais tem que começar sempre nos próprios., nunca chegarão os tribunais e instituições deste género para o garantir.
Se metade dos pedidos é de videovigilância, os portugueses estão hoje com medo?
O sentimento de insegurança se calhar não corresponde à insegurança existente, agora que esse sentimento se instalou não há dúvidas.
E é aproveitado para cada dia se apertar esse direito à privacidade?
É sempre mais fácil quando temos medo. É isso que temos visto estar a acontecer a alguns níveis. E por isso dizemos que o número de pedidos de videovigilância é desproporcionado.
Somos de facto tratados como suspeitos?
Não há uma perspectiva generalizada, o que acontece é que em relação a certas iniciativas, até parece que somos todos suspeitos. Como nos bodyscanners: todos os que vão andar de avião são suspeitos?
Hanckig - um filósofo da ciência
O Canadiano Hacking recebeu um prémio da Coroa Norueguesa em 25 de Novembro de 2009de 4,5 milhões de coroas norueguesas (mais de 500 mil euros) pela sua investigação sobre filosofia da ciência.
O filósofo de 73 anos foi nomeado em Agosto pela sua investigação sobre o impacto da história e da cultura na formulação do pensamento científico.
O filósofo de 73 anos foi nomeado em Agosto pela sua investigação sobre o impacto da história e da cultura na formulação do pensamento científico.
domingo, 31 de janeiro de 2010
Tudo sobre alterações climáticas
O DOSSIER no EXPRESSO sobre alterações climáticas
http://aeiou.expresso.pt/alteracoes-climaticas=s25260
http://aeiou.expresso.pt/alteracoes-climaticas=s25260
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
A nova era dos homens-máquinas?

O poder do cérebro
A actividade electromagnética do cérebro pode até vir a controlar próteses robóticas
Nelson Marques
8:40 Terça-feira, 26 de Jan de 2010

A nova era dos homens-máquina
Esta nova forma de interacção com computadores será, segundo o neurologista português António Damásio, a aplicação prática no domínio da neurociência que mais irá revolucionar as nossas vidas nos próximos anos. Não se trata de um cenário futurista, garante o cientista radicado nos Estados Unidos. Usar a actividade electromagnética do cérebro para, por exemplo, controlar próteses robóticas "será uma realidade palpável" dentro de alguns anos e trará "grandes benefícios" a pacientes vítimas de doenças neurológicas incapacitantes, de acidentes vasculares cerebrais (AVC) ou de lesões na espinal medula.
Alguns cientistas prevêem que, nos próximos cinco anos, as ICM atingirão um nível de sofisticação que permitirá, por exemplo, a uma pessoa paralisada segurar um copo para beber água. Mas o futuro imaginado pelos cientistas é bem mais ambicioso: será habitado por ciborgues, homens-máquina equipados com próteses robóticas controladas por ICM que permitirão a pessoas com lesões na espinal medula jogar futebol, por exemplo.
O cenário afigura-se cada vez mais próximo, mas a sua concretização está longe de ser fácil. O cérebro é uma máquina extremamente complexa, onde cerca de 100 mil milhões de neurónios interagem para activar as tarefas que realizamos quotidianamente, do movimento à fala. Por isso, os cientistas têm procurado nos últimos anos perceber melhor a forma como o sistema nervoso central processa a intenção de movimento a uma determinada parte do corpo para depois conseguirem construir melhores sistemas artificiais que repliquem esse processo.
Sabe-se que o cérebro liberta ondas electromagnéticas que acompanham os pensamentos e as emoções que se sucedem na mente. O grande desafio está em conseguir fazer corresponder determinados padrões a comandos mentais específicos, para os poder reproduzir depois num sistema computacional. A prontidão da resposta é outro dos desafios enfrentados pelos cientistas. Como existe uma diferença de tempo ínfima, de alguns milissegundos, entre o momento em que a ordem deixa o cérebro e aquele em que o gesto é efectivamente executado, para que uma prótese funcione de forma semelhante ao órgão substituído a interface entre o cérebro e o membro mecânico terá de ser capaz de reconhecer com extrema rapidez os movimentos requisitados e processar, quase instantaneamente, essa ordem.
http://aeiou.expresso.pt/o-poder-do-cerebro=f559987
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Questões acerca da liberdade - 1
Somos livres de dizer o que quisermos?
Hipóteses:
A) Sim
1. é sinónimo da nossa independência e autenticidade;
2. pior seria não o dizermos;
3. a liberdade é isso mesmo: poder falar até ofendendo;
4. sim, é o que os outros esperam de nós: a verdade
5. ...
B) Não
1. é um disparate dizer o que não foi reflectido;
2. dizer remete para a palavra dita, para a comunicação - o que impõe a presença do outro que é constituivo do diálogo e de quem fala: falar por falar ou falar ofendendo nega a comunicação e a relação interpessoal;
3. não porque não vivemos sozinhos e não somos sozinhos
4. não, os outros não esperam de nós a verdade, mas s simpatia, a amabilidade, ou outro conforto;
5. ...
C) Sim, se...
1. ...
2. ...
3.
Hipóteses:
A) Sim
1. é sinónimo da nossa independência e autenticidade;
2. pior seria não o dizermos;
3. a liberdade é isso mesmo: poder falar até ofendendo;
4. sim, é o que os outros esperam de nós: a verdade
5. ...
B) Não
1. é um disparate dizer o que não foi reflectido;
2. dizer remete para a palavra dita, para a comunicação - o que impõe a presença do outro que é constituivo do diálogo e de quem fala: falar por falar ou falar ofendendo nega a comunicação e a relação interpessoal;
3. não porque não vivemos sozinhos e não somos sozinhos
4. não, os outros não esperam de nós a verdade, mas s simpatia, a amabilidade, ou outro conforto;
5. ...
C) Sim, se...
1. ...
2. ...
3.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
A crença verdadeira justificada - exercício 1
SITUAÇÃO-PROBLEMA:
1. o João afirmou ir no dia 1 comprar uns sapatos vermelhos.
2. O Manuel, no dia 2, viu que o João calçava sapatos vermelhos.
3. O Manuel desenvolveu a crença na seguinte proposição: O João comprou uns sapatos vermelhos.
4. pergunta-se:
A) o Manuel tem justificação para a sua crença?
B) O manuel tem garantias de que a sua proposição é verdadeira?
1. o João afirmou ir no dia 1 comprar uns sapatos vermelhos.
2. O Manuel, no dia 2, viu que o João calçava sapatos vermelhos.
3. O Manuel desenvolveu a crença na seguinte proposição: O João comprou uns sapatos vermelhos.
4. pergunta-se:
A) o Manuel tem justificação para a sua crença?
B) O manuel tem garantias de que a sua proposição é verdadeira?
O conhecimento é crença verdadeira justificada?

Bertrand Russel - Filósofo e Matemático Inglês que tratou a questão do conhecimento como crença verdadeira justificada
Pressupostos:
1. O conhecimento exige um sujeito que conhece e um objecto conhecível;
2. O conhecimento pode desenvolver-se perceptivamente e/ou racionalmente;
3. O conhecimento impõe a construção de uma representação - neste caso de uma proposição;
4. só o saber formulado sob a forma de proposições, o saber que, é específico do homem;
4. só o saber proposicional, o saber que, pode ser verdadeiro ou falso;
Condições necessárias para que haja conhecimento:
1. Conhecer implica ter a convicção de que o nosso pensamento - sob forma de proposição - é verdadeiro;
2. Não basta acreditar na verdade de proposição - o que seria algo subjectivo - é necessário que a proposição seja OBJECTIVAMENTE, verdadeira.
3. Não basta que o sujeito tenha uma crença verdadeira, pois pode ter uma crença verdadeira por acaso, por sorte, injustificada ou até com erro na sua justificação. nestes casos não se pode dizer que o sujeito conhece.é necessário que haja provas, razões que justifiquem a crença.
em suma: as 3 condições necessárias atrás enunciadas tornam-se suficientes quando estão presentes em simultâneo.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
os Estrangeiros
Os estrangeiros
Por Pedro Lomba
14/01/2010

Em Itália quem desce para sul em direcção a Reggio Calabria vai certamente com a intenção de passar o estreito de Messina e descobrir a Sicília de Lampedusa e Visconti. Boa sorte para ele, porque primeiro é preciso passar por Reggio Calabria, onde não há nada a não ser máfia, decadência e fábricas desactivadas. Agora parece haver mais do que isso. Desde há dias, têm noticiado os jornais que as ruas de Reggio Calabria estão em ambiente de batalha campal. Milhares de imigrantes africanos revoltaram-se contra as condições em que vivem e o tratamento a que se dizem sujeitos. Em resposta aos actos de violência praticados por esses imigrantes, formaram-se milícias de calabreses que também se entrincheiraram nas ruas abrindo "fogo" contra os africanos.
A tensão com os imigrantes tem sido permanente em Itália. Há dois anos, não eram os africanos mas os romenos o principal foco de conflito no que respeita à imigração. Alguns nacionais da Roménia tinham acabado de cometer crimes de sangue: uma rapariga de Roma por exemplo fora violada e assassinada. E o sentimento anti-romeno, que já era visível, explodiu.
Foi mais ou menos por essa altura que eu vivi em Itália durante um certo tempo. Bastava que um romeno entrasse num café para o dono arregaçar o olho. "Em Itália quem consome, paga", disse um desses donos à minha frente, enquanto um romeno argumentava inutilmente que tinha feito as duas coisas como devia.
E foi mais ou menos também por essa altura que Romano Prodi, então primeiro-ministro, deu uma notável entrevista ao jornal Financial Times para explicar as mudanças que ao tempo estavam a ser preparadas para endurecer a luta contra a imigração ilegal.
Esta semana, o ministro do Interior do Governo de Berlusconi avisou que "a Itália tem sido nos últimos anos demasiado tolerante com a imigração clandestina". Mas naquela entrevista Prodi fez uma análise sociológica que me ficou na memória. Explicou ele que nos últimos anos os três milhões de imigrantes que entraram em território italiano causaram um impacto social e psicológico incrível. Ninguém antecipou os efeitos desse movimento massivo. Relembrou que durante décadas muitos italianos não estavam habituados a ver e viver juntamente com outros estrangeiros. Ele próprio lembrava-se do tempo, quando pequeno, em que não conhecia nenhum estrangeiro. Para muitos italianos esta era uma nova experiência - a de ver e receber estrangeiros que não fossem apenas turistas.
Na verdade, os italianos são muitas vezes descritos como uma sociedade em "pequena escala". Cada italiano faz questão de habitar mentalmente num tempo e espaço restrito. Há nisso toda uma atitude que alguns definem como campanilismo: quando a identidade cultural, social e política de cada um reside não na nação ou no Estado, mas na mesma igreja e no mesmo quarteirão por onde já transitaram gerações de famílias inteiras.
Não sei se Prodi confirmaria, mas este localismo dos italianos tem obviamente consequências: torna-os mais resistentes a quem vem de fora. A ideia de que uma população, ou boa parte dela, pode tolerar pior os estrangeiros porque nunca se deparou ou aprendeu a viver com eles pode parecer-nos abstrusa numa época de livre circulação de pessoas e intensa globalização cultural. Mas em Itália, como está à vista pelos incidentes da Calábria, não é.
Quando vivi em Itália tinha um amigo paquistanês que geria uma loja de Internet. Todos os meses era visitado pela polícia para averiguar se ele cumpria a lei. Nessa altura eu estava interessado em perceber por que é que a mesma palavra - hostis, em latim - possui vários significados diferentes: hóspede, estrangeiro e inimigo. Creio que percebi. Quem disse que são assim tão diferentes? Jurista
Por Pedro Lomba
14/01/2010

Em Itália quem desce para sul em direcção a Reggio Calabria vai certamente com a intenção de passar o estreito de Messina e descobrir a Sicília de Lampedusa e Visconti. Boa sorte para ele, porque primeiro é preciso passar por Reggio Calabria, onde não há nada a não ser máfia, decadência e fábricas desactivadas. Agora parece haver mais do que isso. Desde há dias, têm noticiado os jornais que as ruas de Reggio Calabria estão em ambiente de batalha campal. Milhares de imigrantes africanos revoltaram-se contra as condições em que vivem e o tratamento a que se dizem sujeitos. Em resposta aos actos de violência praticados por esses imigrantes, formaram-se milícias de calabreses que também se entrincheiraram nas ruas abrindo "fogo" contra os africanos.
A tensão com os imigrantes tem sido permanente em Itália. Há dois anos, não eram os africanos mas os romenos o principal foco de conflito no que respeita à imigração. Alguns nacionais da Roménia tinham acabado de cometer crimes de sangue: uma rapariga de Roma por exemplo fora violada e assassinada. E o sentimento anti-romeno, que já era visível, explodiu.
Foi mais ou menos por essa altura que eu vivi em Itália durante um certo tempo. Bastava que um romeno entrasse num café para o dono arregaçar o olho. "Em Itália quem consome, paga", disse um desses donos à minha frente, enquanto um romeno argumentava inutilmente que tinha feito as duas coisas como devia.
E foi mais ou menos também por essa altura que Romano Prodi, então primeiro-ministro, deu uma notável entrevista ao jornal Financial Times para explicar as mudanças que ao tempo estavam a ser preparadas para endurecer a luta contra a imigração ilegal.
Esta semana, o ministro do Interior do Governo de Berlusconi avisou que "a Itália tem sido nos últimos anos demasiado tolerante com a imigração clandestina". Mas naquela entrevista Prodi fez uma análise sociológica que me ficou na memória. Explicou ele que nos últimos anos os três milhões de imigrantes que entraram em território italiano causaram um impacto social e psicológico incrível. Ninguém antecipou os efeitos desse movimento massivo. Relembrou que durante décadas muitos italianos não estavam habituados a ver e viver juntamente com outros estrangeiros. Ele próprio lembrava-se do tempo, quando pequeno, em que não conhecia nenhum estrangeiro. Para muitos italianos esta era uma nova experiência - a de ver e receber estrangeiros que não fossem apenas turistas.
Na verdade, os italianos são muitas vezes descritos como uma sociedade em "pequena escala". Cada italiano faz questão de habitar mentalmente num tempo e espaço restrito. Há nisso toda uma atitude que alguns definem como campanilismo: quando a identidade cultural, social e política de cada um reside não na nação ou no Estado, mas na mesma igreja e no mesmo quarteirão por onde já transitaram gerações de famílias inteiras.
Não sei se Prodi confirmaria, mas este localismo dos italianos tem obviamente consequências: torna-os mais resistentes a quem vem de fora. A ideia de que uma população, ou boa parte dela, pode tolerar pior os estrangeiros porque nunca se deparou ou aprendeu a viver com eles pode parecer-nos abstrusa numa época de livre circulação de pessoas e intensa globalização cultural. Mas em Itália, como está à vista pelos incidentes da Calábria, não é.
Quando vivi em Itália tinha um amigo paquistanês que geria uma loja de Internet. Todos os meses era visitado pela polícia para averiguar se ele cumpria a lei. Nessa altura eu estava interessado em perceber por que é que a mesma palavra - hostis, em latim - possui vários significados diferentes: hóspede, estrangeiro e inimigo. Creio que percebi. Quem disse que são assim tão diferentes? Jurista
A natureza do conhecimento: um problema - 2
Um burro - quadrúpede - que vê e julga um fardo de palha verde, por ter uns óculos verdes está em que posição do p.v. da natureza do conhecimento?
A natureza do conhecimento: um problema
Se a posição epistemológica do realismo for verdadeira podemos pensar que as diversas concepções de realidade se esbatem e anulam no futuro? Ou - contra-argumenta o idealista - isso é somente chegar a uma verdade universal ainda subjectiva?
a publicidade é manipulação?
Sara Felizardo - 11.º B
O uso da palavra tanto serve para a verdade como para dizer a mentira, tanto para o bem como para o mal. Mas a partir da argumentação, surgem múltiplas verdades que a sociedade tem legitimidade de contestar. Mas… e se não possuir competência retórico-argumentativa? Poderá ser alvo de má fé, comprometendo a sua autonomia e identidade?
Para diferenciarmos certas publicidades, teremos de constatar a relação dos conceitos de Ethos, Pathos e Logos em que poderá predominar um em vez dos outros. Uma vez realçando o Pathos, já dizia Aristóteles, era uma actividade manipuladora que fazia com que o auditório se esquecesse de quem era pelo grande envolvimento emocional. Naturalmente, verificamos que a publicidade falaciosa pressupõe uma manipulação em que consiste o poder sobre o seu auditório sem este se aperceber, uma imposição que o poderá constringir de compartilhar a sua opinião ou adoptar um determinado comportamento. Quando não nos sentimos à vontade com algum assunto específico, somos facilmente enganados pela linguagem sofisticada, jogo de palavras, difícil de dominar e de extremo poder expressivo, somos obrigados subtilmente.
No meu entender, não querer ouvir o outro é refutar sem quaisquer razões, simplesmente negando a liberdade de expressão e de recepção, de aceitar ou não a sua mensagem, e assim, a não existência de dialéctica (o confronto entre duas teses/ideias). Contudo, hoje em dia apesar de nos sentirmos mais instruídos, está nas nossas mãos pronunciarmo-nos ou fiarmo-nos no que nos impõem, ou seja, cabe-nos a nós garantir a verdade e não encobrir a mentira. Enfim, o mau uso da retórica designada como retórica negra na publicidade existe conscientemente quer no apelo à emoção e aos sentimentos do auditório ou pelo o uso de falácias e sofismas no seu discurso. Recorrendo a comportamentos, ao excesso de figuras de estilo, a figuras artísticas, à criação de situações de medo pelo uso abusivo da autoridade, à repetição, à sincronização entre os sujeitos e hipnose que torna incapaz de resistir à mensagem e até o recurso ao contacto físico que impressionam o público, sendo capaz de mentir sobre os factos e deformar a realidade induzindo à ilusão como ainda dissimula-los para se pretender a adesão involuntária, tudo isto para fazer aceitar determinada tese através da influência da mente humana.
Para finalizar, podemos prevenir-nos colocando alguns limites à persuasão existente na publicidade, uma imposição de regras fundamentais para o exercício de liberdade através do domínio da ética exigindo uma reflexão, por consequente que impeçam a manipulação.
E apesar do orador aprovar a tese, a «culpa» é nossa, do auditório de aceitarmos a falsidade dessa publicidade e ficarmos tão emocionalmente seduzidos que não temos consciência das nossas atitudes, do nosso juízo, perdemos a capacidade comunicativa e argumentativa. “Não saber usar da palavra para convencer não será, no fim das contas, umas das grandes fontes de exclusão?”
O uso da palavra tanto serve para a verdade como para dizer a mentira, tanto para o bem como para o mal. Mas a partir da argumentação, surgem múltiplas verdades que a sociedade tem legitimidade de contestar. Mas… e se não possuir competência retórico-argumentativa? Poderá ser alvo de má fé, comprometendo a sua autonomia e identidade?
Para diferenciarmos certas publicidades, teremos de constatar a relação dos conceitos de Ethos, Pathos e Logos em que poderá predominar um em vez dos outros. Uma vez realçando o Pathos, já dizia Aristóteles, era uma actividade manipuladora que fazia com que o auditório se esquecesse de quem era pelo grande envolvimento emocional. Naturalmente, verificamos que a publicidade falaciosa pressupõe uma manipulação em que consiste o poder sobre o seu auditório sem este se aperceber, uma imposição que o poderá constringir de compartilhar a sua opinião ou adoptar um determinado comportamento. Quando não nos sentimos à vontade com algum assunto específico, somos facilmente enganados pela linguagem sofisticada, jogo de palavras, difícil de dominar e de extremo poder expressivo, somos obrigados subtilmente.
No meu entender, não querer ouvir o outro é refutar sem quaisquer razões, simplesmente negando a liberdade de expressão e de recepção, de aceitar ou não a sua mensagem, e assim, a não existência de dialéctica (o confronto entre duas teses/ideias). Contudo, hoje em dia apesar de nos sentirmos mais instruídos, está nas nossas mãos pronunciarmo-nos ou fiarmo-nos no que nos impõem, ou seja, cabe-nos a nós garantir a verdade e não encobrir a mentira. Enfim, o mau uso da retórica designada como retórica negra na publicidade existe conscientemente quer no apelo à emoção e aos sentimentos do auditório ou pelo o uso de falácias e sofismas no seu discurso. Recorrendo a comportamentos, ao excesso de figuras de estilo, a figuras artísticas, à criação de situações de medo pelo uso abusivo da autoridade, à repetição, à sincronização entre os sujeitos e hipnose que torna incapaz de resistir à mensagem e até o recurso ao contacto físico que impressionam o público, sendo capaz de mentir sobre os factos e deformar a realidade induzindo à ilusão como ainda dissimula-los para se pretender a adesão involuntária, tudo isto para fazer aceitar determinada tese através da influência da mente humana.
Para finalizar, podemos prevenir-nos colocando alguns limites à persuasão existente na publicidade, uma imposição de regras fundamentais para o exercício de liberdade através do domínio da ética exigindo uma reflexão, por consequente que impeçam a manipulação.
E apesar do orador aprovar a tese, a «culpa» é nossa, do auditório de aceitarmos a falsidade dessa publicidade e ficarmos tão emocionalmente seduzidos que não temos consciência das nossas atitudes, do nosso juízo, perdemos a capacidade comunicativa e argumentativa. “Não saber usar da palavra para convencer não será, no fim das contas, umas das grandes fontes de exclusão?”
A natureza do conhecimento: o idealismo epistemológico
O idealismo epistemológico defende que
a) a realidade conhecida não é independente do sujeito;
b) consciência de que o conhecimento é uma construção e um processo;
c) as estruturas constitutivas do sujeito estão presentes no acto de conhecimento
d) são estas estruturas que possibilitam o conhecimento, são uma condição necessária para que haja conhecimento
e) o conhecimento terá sempre a configuração que as estruturas mentais do sujeito empprestam aos dados empíricos que lhe chegam. Por isso jamais saberemos como é a realidade em si, mas somente como é a realidade para nós.
Kant é o paradigma deste tipo de idealismo
a) a realidade conhecida não é independente do sujeito;
b) consciência de que o conhecimento é uma construção e um processo;
c) as estruturas constitutivas do sujeito estão presentes no acto de conhecimento
d) são estas estruturas que possibilitam o conhecimento, são uma condição necessária para que haja conhecimento
e) o conhecimento terá sempre a configuração que as estruturas mentais do sujeito empprestam aos dados empíricos que lhe chegam. Por isso jamais saberemos como é a realidade em si, mas somente como é a realidade para nós.
Kant é o paradigma deste tipo de idealismo
A natureza do conhecimento: o realismo crítico
O realismo crítico defende que
a) a realidade é independente do sujeito do conhecimento;
b) o conhecimento é um processo e uma construção;
c) o conhecimento não traduz fiel e totalmente o real, pois tem componentes subjectivas;
d) o conhecimento evolui aproximando-se sucessivamente à verdade, enquanto
i) limita, minimiza ou anula as componentes subjectivas que resultam da natureza constitutiva do sujeito, e
ii) enquanto constrói dispositivos que lhe permitam superar as suas insuficiências – por exemplo: instrumentos de observação e/ou experimentação científica.
Um defensor muito conhecido desta posição é o Filosofo Político e epistemólogo Karl Popper.
a) a realidade é independente do sujeito do conhecimento;
b) o conhecimento é um processo e uma construção;
c) o conhecimento não traduz fiel e totalmente o real, pois tem componentes subjectivas;
d) o conhecimento evolui aproximando-se sucessivamente à verdade, enquanto
i) limita, minimiza ou anula as componentes subjectivas que resultam da natureza constitutiva do sujeito, e
ii) enquanto constrói dispositivos que lhe permitam superar as suas insuficiências – por exemplo: instrumentos de observação e/ou experimentação científica.
Um defensor muito conhecido desta posição é o Filosofo Político e epistemólogo Karl Popper.
A natureza do conhecimento: o realismo ingénuo
O realismo ingénuo defende que
a) a realidade é independente do sujeito de conhecimento;
b) para conhecer basta abrir os olhos – o homem está preparado para conhecer;
c) o conhecimento traduz fiel e totalmente o real;
d) as qualidades sensíveis como a cor, o peso, o odor existem nas coisas;
e) não compreende o conhecimento como processo e construção;
O realismo ingénuo não tem consciência de que o conhecimento é um processo e uma construção e por isso não tem consciência das suas próprias limitações.
Face à questão do conhecimento ser ou não cópia do real realismo ingénuo dá uma resposta, obviamente, afirmativa.
a) a realidade é independente do sujeito de conhecimento;
b) para conhecer basta abrir os olhos – o homem está preparado para conhecer;
c) o conhecimento traduz fiel e totalmente o real;
d) as qualidades sensíveis como a cor, o peso, o odor existem nas coisas;
e) não compreende o conhecimento como processo e construção;
O realismo ingénuo não tem consciência de que o conhecimento é um processo e uma construção e por isso não tem consciência das suas próprias limitações.
Face à questão do conhecimento ser ou não cópia do real realismo ingénuo dá uma resposta, obviamente, afirmativa.
A natureza do conhecimento: o problema
O problema da natureza do conhecimento está em saber se ao conhecimento corresponde uma realidade exterior e independente ou, em alternativa, se a realidade existente mão vive fora do conhecimento. A primeira hipótese é a posição comum e natural do homem: o realismo. A segunda hipótese implica um acto de vontade e de artificialismo e de grande distância face a nós mesmos: o idealismo
Um exemplo de um Idealista radical é Berkeley. Para Berkeley o que se conhece resume-se às qualidades empíricas presentes na percepção e nada há para lá disso, pelo que afirma que ser é ser percebido.
Um exemplo de um Idealista radical é Berkeley. Para Berkeley o que se conhece resume-se às qualidades empíricas presentes na percepção e nada há para lá disso, pelo que afirma que ser é ser percebido.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
domingo, 20 de dezembro de 2009
Marketing infantil

Crianças até aos 7 anos "decidem" 70 por cento do que se compra
Por Renato Duarte
No Natal, o marketing infantil ganha contornos mais nítidos, mas nem todos sabem lidar com o apelo dos mais novos ao consumo no dia-a-dia
Em grande parte das prateleiras de um conhecido hipermercado de brinquedos em Lisboa, o verde é a cor predominante. Há de tudo, desde patins a pistas de carros passando por bonecos iguais a tantos outros, aos olhos dos adultos, apenas com uma pequena grande diferença: a estampa do mais recente herói infantil. Ricardo, com 7 anos, descodifica o mistério rapidamente. O Ben 10 está no topo da sua lista deste ano. Do ecrã de televisão para debaixo da árvore de Natal vai um pulo que é dado com maior ou menor dificuldade consoante o tamanho da carteira dos pais e o poder de persuasão dos filhos.
A utilização de personagens de desenhos animados é apenas uma das muitas formas utilizadas para incutir o desejo de consumo nas crianças. Associação de celebridades a determinados produtos, brindes, clubes infantis, séries juvenis e desenhos animados são outras estratégias que as marcas, de uma forma cada vez mais agressiva, utilizam para aliciar os mais pequenos.
Ricardo terá sorte este ano. O seu herói entrará no sapatinho, ao lado da mais recente pista HotWheels que se juntará, por sua vez, aos modelos de consola que acumulou ao longo de sete natais e aniversários. Nuno Teixeira é o pai e neste momento está desempregado, Rute Teixeira, a mãe, é empregada de escritório. "Normalmente, tento sempre ceder ao que ele pede, pelo menos ao que mais gosta. Quando digo que não, poderá ser por não ter possibilidades ou por achar que não é adequado", diz Rute, que acrescenta: "Noto que os anúncios que mais passam na TV são os brinquedos que ele mais pede. Raramente venho com ele às compras porque senão ele pede tudo."
Não há dúvida: para os marketeers, os mais pequenos são um alvo fundamental. "Actualmente, as crianças até aos 7 anos são responsáveis por cerca de 70 por cento das opções de consumo das famílias. Não apenas em produtos que a elas se destinam directamente. Qualquer compra feita por um pai ou mãe tem em conta as necessidades e preferências das crianças. Elas são muito tidas em conta na hora das escolhas", diz ao PÚBLICO Luísa Agante, docente da cadeira de Experiências de Consumo no Instituto Português de Administração e Marketing e investigadora na área do marketing infantil. "Quando se vende um carro e se salientam as características que eventualmente beneficiam uma família com filhos, conseguimos perceber que o mercado tem consciência do peso que as crianças têm nas decisões dos pais", fundamenta a investigadora.
"Vamos aos carros", diz António, sentado num carrinho de compras, com a articulação que os seus três anos lhe permite. Ao volante das compras está Teresa Ventura. "Vamos, mas é só para ver. Ele sabe que não leva nada. Já se habituou a nem sequer pedir", diz a mãe, empresária, em conjunto com o marido, na área da consultoria de marketing. "Acho que os miúdos têm imensos brinquedos hoje em dia. Ele tem dois brinquedos grandes e pronto. Recebe brinquedos que nem chega a abrir e vão directos para crianças que nunca tiveram a alegria de ter um presente. É muito importante que ele perceba que as coisas não são fáceis e que não pode ter tudo o que quer".
A família não é democrática
Teresa, que também é mãe de Manuel, 10 meses, não vê a agressividade da publicidade dirigida a crianças como um problema, assumindo que os pais têm o controlo das opções de consumo familiares. "O que eu compro sou eu que decido, eles não têm de ter opinião, por enquanto, a esse respeito. Têm de se habituar a ver muita coisa que não podem ter."
Uma opinião que é partilhada pelo terapeuta familiar Daniel Sampaio: "A família não é uma estrutura democrática. As regras de consumo têm de ser determinadas pelos pais. Todos os estudos dizem que são os pais quem mais influencia as crianças. Se a educação for coerente com certos princípios, o peso do marketing diminui."
Ainda assim, o terapeuta ressalva que "os pais estão muito preocupados com os seus filhos e por isso ficam inseguros, acabando por ser permissivos e não conseguir impor autoridade". Sampaio acrescenta: "O grande trabalho da família, relativamente à publicidade, deve ser o de ajudar as crianças a descodificar as mensagens de que vão sendo o alvo e aqui também a escola deve ter um papel importante."
O papel da escola
É precisamente neste sentido que Luísa Agante desenvolve o seu trabalho neste momento, através do programa Mediasmart. Em vigor em Portugal desde 2008, este programa pretende introduzir na estrutura curricular do 1.º e 2.º ciclos módulos de sensibilização para o que é a publicidade e os mecanismos que utiliza, envolvendo pais, professores e investigadores na tarefa de preparar as crianças para a quantidade de estímulos publicitários de que são alvo a todo o momento.
Apesar de tudo, na opinião da investigadora, em Portugal o problema é menor do que nos EUA, por exemplo, em que a legislação é quase inexistente. "Portugal beneficia de uma grande auto-regulação. O que se verifica é que, quando há um atropelo ético, na maioria dos casos, ele acontece por falta de conhecimento sobre os efeitos que uma determinada campanha terá sobre o público a que se dirige. Daí a importância dos estudos nesta área. Os profissionais do marketing têm uma grande consciência do que podem ou não fazer."
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Livros de Férias - 2
O PÊNDULO DE FOUCAULT de Umberto Eco Tradução: José Colaço Barreiros
Colecção: Literatura Estrangeira
Ano de Edição: 1988
Nº Páginas: 566
Antes dos templários e as conspirações para o governo do mundo serem tema de conversa, U. Eco escreveu este romance construído a partir de pedras históricas da nossa civilização.
Outra boa forma de viajar no tempo e no espaço a preço reduzido.
Livros de Férias - 1
Este romance é uma lição de U. Eco e é a forma mais simples de viajar até à alta Idade Média e conhecê-la profundamente de forma divertida

O NOME DA ROSA de Umberto Eco
Tradução: Maria Celeste Pinto
Colecção: Literatura Estrangeira
Ano de Edição: 1984
Nº Páginas: 502
Estamos em 1327. Numa abadia beneditina reúnem-se os teólogos de João XXII e os do Imperador. O objecto da discussão é a pregação dos Franciscanos, que chamam a igreja à pobreza evangélica e, implicitamente, à renúncia ao poder temporal.
Guilherme de Baskerville, tendo chegado com Adso pouco antes das duas delegações, encontra-se subitamente envolvido numa verdadeira história policial. Um monge morreu misteriosamente, mas este é apenas o primeiro dos sete cadáveres que irão transtornar a comunidade durante sete dias. Guilherme recebe o encargo de investigar esses prováveis crimes. O encontro entre os teólogos fracassa, mas não a investigação do nosso Sherlock Holmes da Idade Média, atento decifrador de sinais, que através de uma série de descobertas extraordinárias, conseguira no final encontrar o culpado nos labirintos da Biblioteca.

O NOME DA ROSA de Umberto Eco
Tradução: Maria Celeste Pinto
Colecção: Literatura Estrangeira
Ano de Edição: 1984
Nº Páginas: 502
Estamos em 1327. Numa abadia beneditina reúnem-se os teólogos de João XXII e os do Imperador. O objecto da discussão é a pregação dos Franciscanos, que chamam a igreja à pobreza evangélica e, implicitamente, à renúncia ao poder temporal.
Guilherme de Baskerville, tendo chegado com Adso pouco antes das duas delegações, encontra-se subitamente envolvido numa verdadeira história policial. Um monge morreu misteriosamente, mas este é apenas o primeiro dos sete cadáveres que irão transtornar a comunidade durante sete dias. Guilherme recebe o encargo de investigar esses prováveis crimes. O encontro entre os teólogos fracassa, mas não a investigação do nosso Sherlock Holmes da Idade Média, atento decifrador de sinais, que através de uma série de descobertas extraordinárias, conseguira no final encontrar o culpado nos labirintos da Biblioteca.
sábado, 19 de dezembro de 2009
A publicidade é manipulação do auditório?
Ana Carolina Trabulo - 11.º A
Vivemos num mundo cada vez mais consumista, onde tudo parece mais descartável. O tempo dedicado a ver televisão, a aceder à internet, a ler revistas e jornais – entre outros – preenche grande parte dos dias das pessoas que vivem nas cidades mais desenvolvidas industrialmente.
Os media, a publicidades, o marketing têm o poder de seduzir. Os agentes económicos criam alianças para a obtenção de poder económico e/ou reconhecimento. Tudo isto através da influência social e do dinheiro.
O que passa nas televisões é mediatizado, onde um acontecimento irrelevante é transformado em acontecimento. Este sensacionalismo faz aumentar as audiências e consequentemente o lucro. O fenómeno mediatizado gera uma promoção à volta do assunto sobre o qual se debruça. Porém, para além de promover, também tem o poder de destruir. Resultando, em suma, numa grande percentagem de cidadãos mal informados, intoxicados por meias verdades, criando opiniões essencialmente manipuladas. Por isso os media são apelidados de quarto poder (para além dos três conhecidos: poder legislativo, executivo e judicial).
Em resposta à pergunta inicial, a publicidade é manipuladora. Esta é a tese que defenderei.
A publicidade é a divulgação de produtos e serviços. É uma comunicação de carácter persuasivo que visa defender os interesses económicos de uma indústria, empresa, grupo sócio-económico. Desta forma, o principal objectivo da publicidade é fazer com que a mensagem chegue ao auditório alvo e convencer o público sobre o que deve consumir, comprar, escolher. Os meios e métodos utilizados nem sempre provocam no público a melhor opção de escolha, pois esta é mascarada (manipulada).
Para conseguir este fim os agentes publicitários elegem um público-alvo, trabalham de forma eficiente a imagem e o som e optam por um discurso cuidado onde só atribuem mérito ao produto e nunca as suas fraquezas.
O facto de se centrarem num tema específico faz com que elejam um auditório particular, com determinadas características. Isto permite-lhes aceder ao inconsciente e assim dirigir a conduta do consumidor. Há então um uso eficiente do pathos onde os conteúdos publicitários são dirigidos às emoções do espectador, remetendo para valores e desejos ocultos (que permanecem no subconsciente) privando-o emocionalmente e anulando a sua capacidade de raciocinar.
Ao impedir a livre adesão do auditório à tese, o orador está a obrigar o receptor (auditório) a aderir a dada mensagem. Esta imposição por parte do orador nega a possibilidade do auditório poder aceitar ou recusar a mensagem. A manipulação é isso mesmo, paralisar o juízo e em tudo fazer para que o receptor abra ele próprio a sua porta mental a um conteúdo que de outro modo não aprovaria. Impõem-se a palavra em vez de permitir a sua livre circulação. E isto compromete a autonomia e a identidade do indivíduo.
Conseguindo informações sobre aspectos da personalidade do auditório e escolhendo imagens e sons apropriados, impede os sujeitos de se aperceberem de que estão a ser manipulados. O homem, não tendo plena consciência dos desejos e valores ocultos que fazem parte da sua personalidade, deixa então de ter controlo sobre a sua decisão, sobre o motivo que o leva a agir.
A publicidade influência as pessoas, tornando as coisas diferentes do que são realmente, disformes. Esta passividade do consumidor faz da publicidade uma poderosa arma de manipulação e de influência sobre as suas decisões e opiniões.
Há a considerar uma parte da publicidade aparentemente não comercial, mais informativa, como por exemplo aquelas associadas a problemas genéricos da sociedade. Estas, na minha opinião, não visam a adesão incondicional ao assunto particular mas sim um despertar de consciências onde o único propósito é proporcionar às pessoas um momento de reflexão sobre o que se passa no mundo. No fundo, acaba por ser uma consequência de toda a manipulação em que estamos mergulhados. Uma coisa é a realidade publicitária que a televisão transmite e outra coisa bem diferente é a realidade do mundo que nos rodeia.
A publicidade, ensinando formas de consumo, modela as escolhas das pessoas. A ilusão criada através do apelo aos afectos e da deformação do real faz com que a mensagem seja imposta ao auditório sem que este tenha o seu consentimento. Procura suscitar em nós necessidades mediante um código que não se interpreta por meio da razão (logos), mas que vá directamente dirigido às emoções (pathos), onde também poderá influenciar o prestígio do produto em questão (ethos), e creio que é estas são as principais bases da manipulação.
Tendo isto em conta e o que foi dito inicialmente é natural que, nesta sociedade consumista, a publicidade tenha vindo a ter grande presença e a fazer parte dos nossos dias. Estando esta associada a uma comunicação tendenciosa, é importante que as pessoas tenham cultura para não se deixam levar, para pensem por si mesmas.
Fontes consultadas:
MAGALHÃES, Olga; COSTA, Fernando; Entre Margens – Português 11º ano; Porto Editora (Porto), pp.47 e 48
PAIVA, Marta; TAVARES, Orlanda; Contextos – Filosofia 11º ano; Porto Editora (Porto)
http://criticanarede.com/html/filos_ensaiofilosofico.html (consulta: 10-12-09)
http://www.saudelar.com/edicoes/2002/marco/principal.asp?send=socio.htm (consulta: 10-12-09)
http://cyberdemocracia.blogspot.com/2008/10/linguagem-da-publicidade-1.html (consulta: 10-12-09)
Vivemos num mundo cada vez mais consumista, onde tudo parece mais descartável. O tempo dedicado a ver televisão, a aceder à internet, a ler revistas e jornais – entre outros – preenche grande parte dos dias das pessoas que vivem nas cidades mais desenvolvidas industrialmente.
Os media, a publicidades, o marketing têm o poder de seduzir. Os agentes económicos criam alianças para a obtenção de poder económico e/ou reconhecimento. Tudo isto através da influência social e do dinheiro.
O que passa nas televisões é mediatizado, onde um acontecimento irrelevante é transformado em acontecimento. Este sensacionalismo faz aumentar as audiências e consequentemente o lucro. O fenómeno mediatizado gera uma promoção à volta do assunto sobre o qual se debruça. Porém, para além de promover, também tem o poder de destruir. Resultando, em suma, numa grande percentagem de cidadãos mal informados, intoxicados por meias verdades, criando opiniões essencialmente manipuladas. Por isso os media são apelidados de quarto poder (para além dos três conhecidos: poder legislativo, executivo e judicial).
Em resposta à pergunta inicial, a publicidade é manipuladora. Esta é a tese que defenderei.
A publicidade é a divulgação de produtos e serviços. É uma comunicação de carácter persuasivo que visa defender os interesses económicos de uma indústria, empresa, grupo sócio-económico. Desta forma, o principal objectivo da publicidade é fazer com que a mensagem chegue ao auditório alvo e convencer o público sobre o que deve consumir, comprar, escolher. Os meios e métodos utilizados nem sempre provocam no público a melhor opção de escolha, pois esta é mascarada (manipulada).
Para conseguir este fim os agentes publicitários elegem um público-alvo, trabalham de forma eficiente a imagem e o som e optam por um discurso cuidado onde só atribuem mérito ao produto e nunca as suas fraquezas.
O facto de se centrarem num tema específico faz com que elejam um auditório particular, com determinadas características. Isto permite-lhes aceder ao inconsciente e assim dirigir a conduta do consumidor. Há então um uso eficiente do pathos onde os conteúdos publicitários são dirigidos às emoções do espectador, remetendo para valores e desejos ocultos (que permanecem no subconsciente) privando-o emocionalmente e anulando a sua capacidade de raciocinar.
Ao impedir a livre adesão do auditório à tese, o orador está a obrigar o receptor (auditório) a aderir a dada mensagem. Esta imposição por parte do orador nega a possibilidade do auditório poder aceitar ou recusar a mensagem. A manipulação é isso mesmo, paralisar o juízo e em tudo fazer para que o receptor abra ele próprio a sua porta mental a um conteúdo que de outro modo não aprovaria. Impõem-se a palavra em vez de permitir a sua livre circulação. E isto compromete a autonomia e a identidade do indivíduo.
Conseguindo informações sobre aspectos da personalidade do auditório e escolhendo imagens e sons apropriados, impede os sujeitos de se aperceberem de que estão a ser manipulados. O homem, não tendo plena consciência dos desejos e valores ocultos que fazem parte da sua personalidade, deixa então de ter controlo sobre a sua decisão, sobre o motivo que o leva a agir.
A publicidade influência as pessoas, tornando as coisas diferentes do que são realmente, disformes. Esta passividade do consumidor faz da publicidade uma poderosa arma de manipulação e de influência sobre as suas decisões e opiniões.
Há a considerar uma parte da publicidade aparentemente não comercial, mais informativa, como por exemplo aquelas associadas a problemas genéricos da sociedade. Estas, na minha opinião, não visam a adesão incondicional ao assunto particular mas sim um despertar de consciências onde o único propósito é proporcionar às pessoas um momento de reflexão sobre o que se passa no mundo. No fundo, acaba por ser uma consequência de toda a manipulação em que estamos mergulhados. Uma coisa é a realidade publicitária que a televisão transmite e outra coisa bem diferente é a realidade do mundo que nos rodeia.
A publicidade, ensinando formas de consumo, modela as escolhas das pessoas. A ilusão criada através do apelo aos afectos e da deformação do real faz com que a mensagem seja imposta ao auditório sem que este tenha o seu consentimento. Procura suscitar em nós necessidades mediante um código que não se interpreta por meio da razão (logos), mas que vá directamente dirigido às emoções (pathos), onde também poderá influenciar o prestígio do produto em questão (ethos), e creio que é estas são as principais bases da manipulação.
Tendo isto em conta e o que foi dito inicialmente é natural que, nesta sociedade consumista, a publicidade tenha vindo a ter grande presença e a fazer parte dos nossos dias. Estando esta associada a uma comunicação tendenciosa, é importante que as pessoas tenham cultura para não se deixam levar, para pensem por si mesmas.
Fontes consultadas:
MAGALHÃES, Olga; COSTA, Fernando; Entre Margens – Português 11º ano; Porto Editora (Porto), pp.47 e 48
PAIVA, Marta; TAVARES, Orlanda; Contextos – Filosofia 11º ano; Porto Editora (Porto)
http://criticanarede.com/html/filos_ensaiofilosofico.html (consulta: 10-12-09)
http://www.saudelar.com/edicoes/2002/marco/principal.asp?send=socio.htm (consulta: 10-12-09)
http://cyberdemocracia.blogspot.com/2008/10/linguagem-da-publicidade-1.html (consulta: 10-12-09)
Avatar - o novo mundo
http://ipsilon.publico.pt/Cinema/filme.aspx?id=245635
O novo mundo
Avatar
De: James Cameron
Com: Sam Worthington, Zoe Saldana, Sigourney Weaver, Stephen Lang
Género: Acção, Aventura
Classificacao: M/12

Crítica Ípsilon por:
Jorge Mourinha
O longamente aguardado épico 3D de James Cameron é um espantoso exercício visual onde a demiurgia ganha aos pontos à dramaturgia
Vamos começar pelo paradoxo: "Avatar" não precisa do 3D para nada, mas não seria nada sem ele. Ou seja: a história que Cameron quer contar - a redenção de um soldado humano como líder de um povo alienígena - é herdada de séculos de histórias de aventuras exóticas (veio-nos à cabeça, vá-se lá saber porquê, "As Quatro Penas Brancas"), resiste intacta a qualquer tecnologia mais ou menos avançada. É verdade que, por si só, os efeitos visuais impecáveis de "Avatar" justificariam a visão "normal". No entanto, percebemos rapidamente o que é que atraiu Cameron no uso do 3D - a possibilidade de imergir o espectador num universo ficcional, de subir ao patamar superior da criação, de ser, em suma, uma espécie de "demiurgo sofisticado", batendo a galáxia longínqua de George Lucas aos pontos no seu próprio terreno. Mas não o faz, de todo, de modo sobranceiro ou altaneiro - antes com o prazer arregalado de um contador de histórias que convida os que o rodeiam a entrar no jogo, com a entrega de um miúdo a brincar ao faz-de-conta e que quer que os outros vejam o mundo que ele está a criar e desfrutem dele como ele o faz.
É por essa "démarche" de sedução e convite que Cameron ganha "Avatar", durante as suas primeiras duas horas, como um guia turístico que leva o seu tempo a mostrar as belezas naturais de Pandora ao visitante. E, inteligência suprema, faz o espectador vê-lo através dos olhos de Jake Sully, o soldado paraplégico projectado sensorialmente num corpo geneticamente construído, misto de ADN humano e alienígena, tal como a sua história é um misto de ficção científica futurista e mito tribal primitivo, tal como o seu filme é uma combinação de imagem real tradicional e virtual "state of the art".
"Avatar" é um híbrido - e essa é a sua grande força e a sua principal fraqueza. Cameron não é o argumentista mais inventivo do mundo e nunca primou pela subtileza, pelo que a sua história parece um "megamix" de ideias recicladas de outros e melhores filmes (alguns deles até seus), sem o distanciamento meta-narrativo ou pós-moderno que a tornaria contemporânea. Ao mesmo tempo, a sua concepção psicadélico-fluorescente do povo alienígena Na''vi está demasiado próxima da visão tradicional do "bom selvagem", abraçando os lugares-comuns bocejantes de uma boa consciência ecológica que encontram o seu oposto ideal na vilania de papelão do militar mercenário. Não é preciso muito para perceber que, sim, Cameron gosta do melodrama clássico, básico, simples, e não há nada de mal nisso. Mas, no modo como tudo perde progressivamente gás em direcção a um final que se adivinha à distância, a sensação que fica é a de uma versão extra-terrestre da luta das tribos nativas contra a civilização ocidental, que abre portas e pistas que nunca mais acabam mas que fica sempre aquém do que podia ser - que nunca ganha verdadeiramente espessura para lá do arquétipo porque o realizador se distraiu com a caixa de brinquedos visual que ele próprio criou.
A verdade é que o percebemos. Raras vezes conseguimos olhar para um filme e sentir que estamos a ver qualquer coisa, outra coisa, alguma coisa que vai para lá daquilo a que estamos habituados, e que não se quer limitar a pintar quadros mas quer que esses quadros ganhem vida e nos toquem da mesma maneira que o tocaram a ele. Cameron conseguiu fazê-lo em todos os seus filmes anteriores, mas a pulsão criativa de "Avatar" é esmagadora, até mesmo alucinogénica no grau de detalhe com que todo este universo extra-terrestre é concebido, e no modo como Cameron o usa como reflexo e ressonância da história que conta. Poder-se-ia dizer que é um filme de um director artístico mais do que um realizador, mas isso é negar que Cameron sempre procurou que as suas epopeias tecnológicas tivessem uma alma humana; e, mesmo que nem tudo esteja no ponto em "Avatar", há emoção e arte e vida em Pandora. Que existiria mesmo sem o 3D, mas que, com a tecnologia, faz a diferença entre a admiração distante e a partilha.
James Cameron criou um universo dentro da sua cabeça e quis-nos convidar a visitá-lo, sem segundas intenções que não a de nos mostrar um espectáculo que nunca vimos antes. Quando foi a última vez que um cineasta nos fez um convite destes?
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
É Legítima a publicidade para crianças? - Resposta 1
Rita Novo - 11.º B
O meu interesse por este tema prende-se com o interesse pela aprendizagem e pela desenvoltura das crianças em saber “ler publicidade”.
Mas será que deve então existir publicidade dirigida a crianças?
Esta é, sem dúvida, uma questão importante que deve ser discutida uma vez que pode ter implicações na infância de uma criança.
A infância é um período de grande desenvolvimento físico mas mais do que isso, é um período em que o ser humano se desenvolve psicologicamente, o que envolve graduais mudanças no comportamento e na aquisição das bases de personalidade.
Penso que apesar de tudo o que, com razão, se lhe possa criticar, é credível que se faça publicidade dirigida a crianças. A publicidade ajuda as crianças a crescerem.
Por exemplo, o Media Smart é uma iniciativa da Associação Portuguesa de Anunciantes e consiste num programa de literacia sobre publicidade nos diferentes meios de comunicação dirigido às crianças do 1º e 2º ciclos a ser introduzido em todas as escolas com vista a ensinar os mais pequenos a "ler a publicidade", a perceber exactamente o que é transmitido e a saberem discernir o que é válido, bom ou necessário do que é lesivo, inútil ou ofensivo.
Na primeira escola em que arrancou este programa uma das frases escolhidas pelos alunos para exemplificar um benefício da publicidade foi "Alguns anúncios transmitem informações importantes sobre saúde e segurança rodoviária"; o que demonstra capacidade de distinção entre os bons e os maus anúncios. As crianças conseguem ver as coisas boas da publicidade e identificá-las, ou seja, podem tirar um bom partido desta. Além disso, podem aprender a definição do bom e do mau, a noção do que faz bem e do que faz mal.
Como mau exemplo, um aluno referiu que se "uma pessoa está a tentar poupar e aparece um reclame a dizer para comprar um carro caro, pode levar a pessoa a fazer coisas más como assaltar um banco para poder comprar". Este exemplo não está errado de todo. A Publicidade joga com o carácter conotativo e simbólico da mensagem e das diferentes linguagens que usa, que remetem para o domínio emocional do auditório e para valores e desejos “ocultos” e inconscientes. Por exemplo, se uma pessoa tem o desejo de ascender socialmente e se o anúncio a um carro exibir luxo e demonstrar charme e poder por parte do indivíduo que vai a conduzir determinado carro, é provável que o sujeito sinta vontade de comprar o carro e de ficar nas mesmas condições e no mesmo cenário que estão adjacentes a essa compra.
Contudo o auditório tem que ser racional e ter em conta a suficiência de provas apresentadas, a plausibilidade das premissas e a adequabilidade das mesmas à conclusão. Qualquer pessoa, adulto ou criança, deve saber distinguir a realidade da ficção. Principalmente as crianças devem começar a ter essa noção.
Apesar disso, não faz mal deixar as crianças sonhar. As crianças precisam de viver a sua inocência, de imaginarem e “viverem” as suas fantasias. Aliás, nesta época natalícia que se aproxima, a publicidade pode ser uma grande ajuda para os pais perceberem as preferências dos filhos e para escolherem presentes que lhes agradem.
Retomando as frases que os meninos disseram durante o debate sobre este tema, outras importantes foram: "os anúncios fazem com que as crianças queiram coisas que são más para elas, como as guloseimas", "são ofensivas ou encorajam maus comportamentos e fazem os pais gastar demasiado dinheiro, porque levam as crianças a insistir para que lhes comprem coisas". É nítido nestas frases que as crianças já começam a ter alguma aptidão para criticar o que vêm na televisão e é mesmo necessário que elas desenvolvam essa capacidade de intervir e de desenvolver as suas opiniões.
É claro nem sempre isto se verifica, por exemplo, um dos alunos disse "pedi para me comprarem uma playstation portátil que tinha visto anunciarem na televisão. E consegui!”. “A decisão de consumo cabe aos consumidores” como disse a secretária-geral da APAN. É inevitável que todos os pais devam estar alertados para o que está por detrás dos anúncios. Todos os pais têm o dever de educar os seus filhos e isso passa também por controlar o que fazem, o que vêm na televisão e na internet, a que horas e por quanto tempo. A propósito disto mesmo, o hábito crescente de colocar uma televisão no quarto das crianças é um hábito a evitar.
Não há que evitar a publicidade, há que aproveitá-la de forma benéfica. Por exemplo, se algum menino não gostar de leite e até vir um outro da mesma idade na televisão a beber e a ficar grande, saudável feliz, pode ser um bom incentivo para que ele mesmo também comece a beber leite.
Voltando atrás e para completar esta ideia, também é dever dos encarregados de educação ensinar a “ler a publicidade” ajudando-os a filtrar toda a informação que lhes chega pela televisão, pela internet e pelos panfletos que tão frequentemente encontramos nos estabelecimentos comerciais a anunciarem os demais brinquedos.
Creio que não é necessário abolir a publicidade dirigida às crianças. Assim como as crianças têm que aprender como atravessar uma estrada e a evitar os contactos com desconhecidos, também têm que aprender a lidar com o mundo real.
De facto estão imersas numa sociedade de consumo. Estão imersas em publicidade. Mas não se trata de eliminar o risco. Trata-se de aprender a reflectir.
As crianças devem sonhar e voar com a publicidade; devem ser felizes e estar alegres como é natural da sua idade mas também devem começar a entendê-la e ir crescendo aos poucos uma vez que a comunicação publicitária é inevitável.
O meu interesse por este tema prende-se com o interesse pela aprendizagem e pela desenvoltura das crianças em saber “ler publicidade”.
Mas será que deve então existir publicidade dirigida a crianças?
Esta é, sem dúvida, uma questão importante que deve ser discutida uma vez que pode ter implicações na infância de uma criança.
A infância é um período de grande desenvolvimento físico mas mais do que isso, é um período em que o ser humano se desenvolve psicologicamente, o que envolve graduais mudanças no comportamento e na aquisição das bases de personalidade.
Penso que apesar de tudo o que, com razão, se lhe possa criticar, é credível que se faça publicidade dirigida a crianças. A publicidade ajuda as crianças a crescerem.
Por exemplo, o Media Smart é uma iniciativa da Associação Portuguesa de Anunciantes e consiste num programa de literacia sobre publicidade nos diferentes meios de comunicação dirigido às crianças do 1º e 2º ciclos a ser introduzido em todas as escolas com vista a ensinar os mais pequenos a "ler a publicidade", a perceber exactamente o que é transmitido e a saberem discernir o que é válido, bom ou necessário do que é lesivo, inútil ou ofensivo.
Na primeira escola em que arrancou este programa uma das frases escolhidas pelos alunos para exemplificar um benefício da publicidade foi "Alguns anúncios transmitem informações importantes sobre saúde e segurança rodoviária"; o que demonstra capacidade de distinção entre os bons e os maus anúncios. As crianças conseguem ver as coisas boas da publicidade e identificá-las, ou seja, podem tirar um bom partido desta. Além disso, podem aprender a definição do bom e do mau, a noção do que faz bem e do que faz mal.
Como mau exemplo, um aluno referiu que se "uma pessoa está a tentar poupar e aparece um reclame a dizer para comprar um carro caro, pode levar a pessoa a fazer coisas más como assaltar um banco para poder comprar". Este exemplo não está errado de todo. A Publicidade joga com o carácter conotativo e simbólico da mensagem e das diferentes linguagens que usa, que remetem para o domínio emocional do auditório e para valores e desejos “ocultos” e inconscientes. Por exemplo, se uma pessoa tem o desejo de ascender socialmente e se o anúncio a um carro exibir luxo e demonstrar charme e poder por parte do indivíduo que vai a conduzir determinado carro, é provável que o sujeito sinta vontade de comprar o carro e de ficar nas mesmas condições e no mesmo cenário que estão adjacentes a essa compra.
Contudo o auditório tem que ser racional e ter em conta a suficiência de provas apresentadas, a plausibilidade das premissas e a adequabilidade das mesmas à conclusão. Qualquer pessoa, adulto ou criança, deve saber distinguir a realidade da ficção. Principalmente as crianças devem começar a ter essa noção.
Apesar disso, não faz mal deixar as crianças sonhar. As crianças precisam de viver a sua inocência, de imaginarem e “viverem” as suas fantasias. Aliás, nesta época natalícia que se aproxima, a publicidade pode ser uma grande ajuda para os pais perceberem as preferências dos filhos e para escolherem presentes que lhes agradem.
Retomando as frases que os meninos disseram durante o debate sobre este tema, outras importantes foram: "os anúncios fazem com que as crianças queiram coisas que são más para elas, como as guloseimas", "são ofensivas ou encorajam maus comportamentos e fazem os pais gastar demasiado dinheiro, porque levam as crianças a insistir para que lhes comprem coisas". É nítido nestas frases que as crianças já começam a ter alguma aptidão para criticar o que vêm na televisão e é mesmo necessário que elas desenvolvam essa capacidade de intervir e de desenvolver as suas opiniões.
É claro nem sempre isto se verifica, por exemplo, um dos alunos disse "pedi para me comprarem uma playstation portátil que tinha visto anunciarem na televisão. E consegui!”. “A decisão de consumo cabe aos consumidores” como disse a secretária-geral da APAN. É inevitável que todos os pais devam estar alertados para o que está por detrás dos anúncios. Todos os pais têm o dever de educar os seus filhos e isso passa também por controlar o que fazem, o que vêm na televisão e na internet, a que horas e por quanto tempo. A propósito disto mesmo, o hábito crescente de colocar uma televisão no quarto das crianças é um hábito a evitar.
Não há que evitar a publicidade, há que aproveitá-la de forma benéfica. Por exemplo, se algum menino não gostar de leite e até vir um outro da mesma idade na televisão a beber e a ficar grande, saudável feliz, pode ser um bom incentivo para que ele mesmo também comece a beber leite.
Voltando atrás e para completar esta ideia, também é dever dos encarregados de educação ensinar a “ler a publicidade” ajudando-os a filtrar toda a informação que lhes chega pela televisão, pela internet e pelos panfletos que tão frequentemente encontramos nos estabelecimentos comerciais a anunciarem os demais brinquedos.
Creio que não é necessário abolir a publicidade dirigida às crianças. Assim como as crianças têm que aprender como atravessar uma estrada e a evitar os contactos com desconhecidos, também têm que aprender a lidar com o mundo real.
De facto estão imersas numa sociedade de consumo. Estão imersas em publicidade. Mas não se trata de eliminar o risco. Trata-se de aprender a reflectir.
As crianças devem sonhar e voar com a publicidade; devem ser felizes e estar alegres como é natural da sua idade mas também devem começar a entendê-la e ir crescendo aos poucos uma vez que a comunicação publicitária é inevitável.
Publicidade - uma forma de manipulação? Resposta 3
Ana Carolina Trabulo - 11.º A
Vivemos num mundo cada vez mais consumista, onde tudo parece mais descartável. O tempo dedicado a ver televisão, a aceder à internet, a ler revistas e jornais – entre outros – preenche grande parte dos dias das pessoas que vivem nas cidades mais desenvolvidas industrialmente.
Os media, a publicidades, o marketing têm o poder de seduzir. Os agentes económicos criam alianças para a obtenção de poder económico e/ou reconhecimento. Tudo isto através da influência social e do dinheiro.
O que passa nas televisões é mediatizado, onde um acontecimento irrelevante é transformado em acontecimento. Este sensacionalismo faz aumentar as audiências e consequentemente o lucro. O fenómeno mediatizado gera uma promoção à volta do assunto sobre o qual se debruça. Porém, para além de promover, também tem o poder de destruir. Resultando, em suma, numa grande percentagem de cidadãos mal informados, intoxicados por meias verdades, criando opiniões essencialmente manipuladas. Por isso os media são apelidados de quarto poder (para além dos três conhecidos: poder legislativo, executivo e judicial).
Em resposta à pergunta inicial, a publicidade é manipuladora. Esta é a tese que defenderei.
A publicidade é a divulgação de produtos e serviços. É uma comunicação de carácter persuasivo que visa defender os interesses económicos de uma indústria, empresa, grupo sócio-económico. Desta forma, o principal objectivo da publicidade é fazer com que a mensagem chegue ao auditório alvo e convencer o público sobre o que deve consumir, comprar, escolher. Os meios e métodos utilizados nem sempre provocam no público a melhor opção de escolha, pois esta é mascarada (manipulada).
Para conseguir este fim os agentes publicitários elegem um público-alvo, trabalham de forma eficiente a imagem e o som e optam por um discurso cuidado onde só atribuem mérito ao produto e nunca as suas fraquezas.
O facto de se centrarem num tema específico faz com que elejam um auditório particular, com determinadas características. Isto permite-lhes aceder ao inconsciente e assim dirigir a conduta do consumidor. Há então um uso eficiente do pathos onde os conteúdos publicitários são dirigidos às emoções do espectador, remetendo para valores e desejos ocultos (que permanecem no subconsciente) privando-o emocionalmente e anulando a sua capacidade de raciocinar.
Ao impedir a livre adesão do auditório à tese, o orador está a obrigar o receptor (auditório) a aderir a dada mensagem. Esta imposição por parte do orador nega a possibilidade do auditório poder aceitar ou recusar a mensagem. A manipulação é isso mesmo, paralisar o juízo e em tudo fazer para que o receptor abra ele próprio a sua porta mental a um conteúdo que de outro modo não aprovaria. Impõem-se a palavra em vez de permitir a sua livre circulação. E isto compromete a autonomia e a identidade do indivíduo.
Conseguindo informações sobre aspectos da personalidade do auditório e escolhendo imagens e sons apropriados, impede os sujeitos de se aperceberem de que estão a ser manipulados. O homem, não tendo plena consciência dos desejos e valores ocultos que fazem parte da sua personalidade, deixa então de ter controlo sobre a sua decisão, sobre o motivo que o leva a agir.
A publicidade influência as pessoas, tornando as coisas diferentes do que são realmente, disformes. Esta passividade do consumidor faz da publicidade uma poderosa arma de manipulação e de influência sobre as suas decisões e opiniões.
Há a considerar uma parte da publicidade aparentemente não comercial, mais informativa, como por exemplo aquelas associadas a problemas genéricos da sociedade. Estas, na minha opinião, não visam a adesão incondicional ao assunto particular mas sim um despertar de consciências onde o único propósito é proporcionar às pessoas um momento de reflexão sobre o que se passa no mundo. No fundo, acaba por ser uma consequência de toda a manipulação em que estamos mergulhados. Uma coisa é a realidade publicitária que a televisão transmite e outra coisa bem diferente é a realidade do mundo que nos rodeia.
A publicidade, ensinando formas de consumo, modela as escolhas das pessoas. A ilusão criada através do apelo aos afectos e da deformação do real faz com que a mensagem seja imposta ao auditório sem que este tenha o seu consentimento. Procura suscitar em nós necessidades mediante um código que não se interpreta por meio da razão (logos), mas que vá directamente dirigido às emoções (pathos), onde também poderá influenciar o prestígio do produto em questão (ethos), e creio que é estas são as principais bases da manipulação.
Tendo isto em conta e o que foi dito inicialmente é natural que, nesta sociedade consumista, a publicidade tenha vindo a ter grande presença e a fazer parte dos nossos dias. Estando esta associada a uma comunicação tendenciosa, é importante que as pessoas tenham cultura para não se deixam levar, para pensem por si mesmas.
Vivemos num mundo cada vez mais consumista, onde tudo parece mais descartável. O tempo dedicado a ver televisão, a aceder à internet, a ler revistas e jornais – entre outros – preenche grande parte dos dias das pessoas que vivem nas cidades mais desenvolvidas industrialmente.
Os media, a publicidades, o marketing têm o poder de seduzir. Os agentes económicos criam alianças para a obtenção de poder económico e/ou reconhecimento. Tudo isto através da influência social e do dinheiro.
O que passa nas televisões é mediatizado, onde um acontecimento irrelevante é transformado em acontecimento. Este sensacionalismo faz aumentar as audiências e consequentemente o lucro. O fenómeno mediatizado gera uma promoção à volta do assunto sobre o qual se debruça. Porém, para além de promover, também tem o poder de destruir. Resultando, em suma, numa grande percentagem de cidadãos mal informados, intoxicados por meias verdades, criando opiniões essencialmente manipuladas. Por isso os media são apelidados de quarto poder (para além dos três conhecidos: poder legislativo, executivo e judicial).
Em resposta à pergunta inicial, a publicidade é manipuladora. Esta é a tese que defenderei.
A publicidade é a divulgação de produtos e serviços. É uma comunicação de carácter persuasivo que visa defender os interesses económicos de uma indústria, empresa, grupo sócio-económico. Desta forma, o principal objectivo da publicidade é fazer com que a mensagem chegue ao auditório alvo e convencer o público sobre o que deve consumir, comprar, escolher. Os meios e métodos utilizados nem sempre provocam no público a melhor opção de escolha, pois esta é mascarada (manipulada).
Para conseguir este fim os agentes publicitários elegem um público-alvo, trabalham de forma eficiente a imagem e o som e optam por um discurso cuidado onde só atribuem mérito ao produto e nunca as suas fraquezas.
O facto de se centrarem num tema específico faz com que elejam um auditório particular, com determinadas características. Isto permite-lhes aceder ao inconsciente e assim dirigir a conduta do consumidor. Há então um uso eficiente do pathos onde os conteúdos publicitários são dirigidos às emoções do espectador, remetendo para valores e desejos ocultos (que permanecem no subconsciente) privando-o emocionalmente e anulando a sua capacidade de raciocinar.
Ao impedir a livre adesão do auditório à tese, o orador está a obrigar o receptor (auditório) a aderir a dada mensagem. Esta imposição por parte do orador nega a possibilidade do auditório poder aceitar ou recusar a mensagem. A manipulação é isso mesmo, paralisar o juízo e em tudo fazer para que o receptor abra ele próprio a sua porta mental a um conteúdo que de outro modo não aprovaria. Impõem-se a palavra em vez de permitir a sua livre circulação. E isto compromete a autonomia e a identidade do indivíduo.
Conseguindo informações sobre aspectos da personalidade do auditório e escolhendo imagens e sons apropriados, impede os sujeitos de se aperceberem de que estão a ser manipulados. O homem, não tendo plena consciência dos desejos e valores ocultos que fazem parte da sua personalidade, deixa então de ter controlo sobre a sua decisão, sobre o motivo que o leva a agir.
A publicidade influência as pessoas, tornando as coisas diferentes do que são realmente, disformes. Esta passividade do consumidor faz da publicidade uma poderosa arma de manipulação e de influência sobre as suas decisões e opiniões.
Há a considerar uma parte da publicidade aparentemente não comercial, mais informativa, como por exemplo aquelas associadas a problemas genéricos da sociedade. Estas, na minha opinião, não visam a adesão incondicional ao assunto particular mas sim um despertar de consciências onde o único propósito é proporcionar às pessoas um momento de reflexão sobre o que se passa no mundo. No fundo, acaba por ser uma consequência de toda a manipulação em que estamos mergulhados. Uma coisa é a realidade publicitária que a televisão transmite e outra coisa bem diferente é a realidade do mundo que nos rodeia.
A publicidade, ensinando formas de consumo, modela as escolhas das pessoas. A ilusão criada através do apelo aos afectos e da deformação do real faz com que a mensagem seja imposta ao auditório sem que este tenha o seu consentimento. Procura suscitar em nós necessidades mediante um código que não se interpreta por meio da razão (logos), mas que vá directamente dirigido às emoções (pathos), onde também poderá influenciar o prestígio do produto em questão (ethos), e creio que é estas são as principais bases da manipulação.
Tendo isto em conta e o que foi dito inicialmente é natural que, nesta sociedade consumista, a publicidade tenha vindo a ter grande presença e a fazer parte dos nossos dias. Estando esta associada a uma comunicação tendenciosa, é importante que as pessoas tenham cultura para não se deixam levar, para pensem por si mesmas.
Publicidade - uma forma de manipulação? Resposta 2
Sara Felizardo - 11.º B
O uso da palavra tanto serve para a verdade como para dizer a mentira, tanto para o bem como para o mal. Mas a partir da argumentação, surgem múltiplas verdades que a sociedade tem legitimidade de contestar. Mas… e se não possuir competência retórico-argumentativa? Poderá ser alvo de má fé, comprometendo a sua autonomia e identidade?
Para diferenciarmos certas publicidades, teremos de constatar a relação dos conceitos de Ethos, Pathos e Logos em que poderá predominar um em vez dos outros. Uma vez realçando o Pathos, já dizia Aristóteles, era uma actividade manipuladora que fazia com que o auditório se esquecesse de quem era pelo grande envolvimento emocional. Naturalmente, verificamos que a publicidade falaciosa pressupõe uma manipulação em que consiste o poder sobre o seu auditório sem este se aperceber, uma imposição que o poderá constringir de compartilhar a sua opinião ou adoptar um determinado comportamento. Quando não nos sentimos à vontade com algum assunto específico, somos facilmente enganados pela linguagem sofisticada, jogo de palavras, difícil de dominar e de extremo poder expressivo, somos obrigados subtilmente.
No meu entender, não querer ouvir o outro é refutar sem quaisquer razões, simplesmente negando a liberdade de expressão e de recepção, de aceitar ou não a sua mensagem, e assim, a não existência de dialéctica (o confronto entre duas teses/ideias). Contudo, hoje em dia apesar de nos sentirmos mais instruídos, está nas nossas mãos pronunciarmo-nos ou fiarmo-nos no que nos impõem, ou seja, cabe-nos a nós garantir a verdade e não encobrir a mentira. Enfim, o mau uso da retórica designada como retórica negra na publicidade existe conscientemente quer no apelo à emoção e aos sentimentos do auditório ou pelo o uso de falácias e sofismas no seu discurso. Recorrendo a comportamentos, ao excesso de figuras de estilo, a figuras artísticas, à criação de situações de medo pelo uso abusivo da autoridade, à repetição, à sincronização entre os sujeitos e hipnose que torna incapaz de resistir à mensagem e até o recurso ao contacto físico que impressionam o público, sendo capaz de mentir sobre os factos e deformar a realidade induzindo à ilusão como ainda dissimula-los para se pretender a adesão involuntária, tudo isto para fazer aceitar determinada tese através da influência da mente humana.
Para finalizar, podemos prevenir-nos colocando alguns limites à persuasão existente na publicidade, uma imposição de regras fundamentais para o exercício de liberdade através do domínio da ética exigindo uma reflexão, por consequente que impeçam a manipulação.
E apesar do orador aprovar a tese, a «culpa» é nossa, do auditório de aceitarmos a falsidade dessa publicidade e ficarmos tão emocionalmente seduzidos que não temos consciência das nossas atitudes, do nosso juízo, perdemos a capacidade comunicativa e argumentativa. “Não saber usar da palavra para convencer não será, no fim das contas, umas das grandes fontes de exclusão?”
O uso da palavra tanto serve para a verdade como para dizer a mentira, tanto para o bem como para o mal. Mas a partir da argumentação, surgem múltiplas verdades que a sociedade tem legitimidade de contestar. Mas… e se não possuir competência retórico-argumentativa? Poderá ser alvo de má fé, comprometendo a sua autonomia e identidade?
Para diferenciarmos certas publicidades, teremos de constatar a relação dos conceitos de Ethos, Pathos e Logos em que poderá predominar um em vez dos outros. Uma vez realçando o Pathos, já dizia Aristóteles, era uma actividade manipuladora que fazia com que o auditório se esquecesse de quem era pelo grande envolvimento emocional. Naturalmente, verificamos que a publicidade falaciosa pressupõe uma manipulação em que consiste o poder sobre o seu auditório sem este se aperceber, uma imposição que o poderá constringir de compartilhar a sua opinião ou adoptar um determinado comportamento. Quando não nos sentimos à vontade com algum assunto específico, somos facilmente enganados pela linguagem sofisticada, jogo de palavras, difícil de dominar e de extremo poder expressivo, somos obrigados subtilmente.
No meu entender, não querer ouvir o outro é refutar sem quaisquer razões, simplesmente negando a liberdade de expressão e de recepção, de aceitar ou não a sua mensagem, e assim, a não existência de dialéctica (o confronto entre duas teses/ideias). Contudo, hoje em dia apesar de nos sentirmos mais instruídos, está nas nossas mãos pronunciarmo-nos ou fiarmo-nos no que nos impõem, ou seja, cabe-nos a nós garantir a verdade e não encobrir a mentira. Enfim, o mau uso da retórica designada como retórica negra na publicidade existe conscientemente quer no apelo à emoção e aos sentimentos do auditório ou pelo o uso de falácias e sofismas no seu discurso. Recorrendo a comportamentos, ao excesso de figuras de estilo, a figuras artísticas, à criação de situações de medo pelo uso abusivo da autoridade, à repetição, à sincronização entre os sujeitos e hipnose que torna incapaz de resistir à mensagem e até o recurso ao contacto físico que impressionam o público, sendo capaz de mentir sobre os factos e deformar a realidade induzindo à ilusão como ainda dissimula-los para se pretender a adesão involuntária, tudo isto para fazer aceitar determinada tese através da influência da mente humana.
Para finalizar, podemos prevenir-nos colocando alguns limites à persuasão existente na publicidade, uma imposição de regras fundamentais para o exercício de liberdade através do domínio da ética exigindo uma reflexão, por consequente que impeçam a manipulação.
E apesar do orador aprovar a tese, a «culpa» é nossa, do auditório de aceitarmos a falsidade dessa publicidade e ficarmos tão emocionalmente seduzidos que não temos consciência das nossas atitudes, do nosso juízo, perdemos a capacidade comunicativa e argumentativa. “Não saber usar da palavra para convencer não será, no fim das contas, umas das grandes fontes de exclusão?”
Publicidade - uma forma de manipulação? Resposta 1
Sara Ramos
A publicidade é uma actividade de difusão pública de ideias associadas a empresas, produtos ou serviços. Hoje em dia a publicidade encontra-se espalhada por toda a parte, sendo maioritariamente destinada à venda de um produto ou serviço, utilizando diversos métodos e um planeamento rigoroso. Toda a publicidade tem em conta um público-alvo específico e por isso, esmera-se para apelar aos instintos profundos de um determinado grupo e assim despertar o desejo de compra. Mas é o carácter do orador (Ethos), os sentimentos despertados pelo discurso (Pathos) e o próprio discurso em si (Logos) que fazem toda a diferença quando se trata de persuadir um determinado público a aceitar a tese colocada, neste caso, a compra do produto.
Mas, será que podemos admitir que a publicidade que circula na sociedade de hoje é toda ela manipuladora? Não existirá, portanto, nenhuma réstia de bondade na publicidade?
A meu ver, esta ideia – pressuposta na pergunta – é extremamente exagerada já que não podemos afirmar que toda a publicidade manipula a sociedade.
A manipulação baseia-se em controlar a vontade do outro sem que este se aperceba, sendo que o orador se recusa a ouvir o que outra pessoa diz, tentando enganá-la com um discurso falacioso. Já a persuasão expõe os argumentos tentando convencer o outro a aceitar a tese, sem interferir na liberdade de escolha pensamento deste, sendo a aceitação da tese apresentada dependente apenas do auditório.
Qualquer pessoa com espírito crítico será capaz de não sucumbir as tentações por parte de algumas publicidades de cariz manipulador, e ser capaz de diferenciar aquilo que lhe é necessário daquilo que lhe é supérfluo, mesmo que se sinta tentado. Muitas vezes, somos tentados a comprar um certo produto devido a emoções despertadas pela sua publicidade, sendo isto uma técnica de marketing. Todas as imagens, cores, frases, emoções e valores subliminares são estudados até ao último pormenor com o intuito de chamar a atenção do público e produzir consumo.
Quanto à bondade, creio que esta não desapareceu por completo da publicidade já que esta também tem um grande papel informador sobre diversos assuntos. Por exemplo, no caso de acções de caridade social, organizações não governamentais ou outros organismos cujas publicidades pretendem alertas o público para causas importantes, apelando à boa fé do auditório.
Após uma reflexão, penso que toda a publicidade é apenas persuasiva, pois se tivermos espírito crítico para analisar atentamente a sua mensagem, nunca cairemos numa armadilha de consumismo desmedido.
A publicidade é uma actividade de difusão pública de ideias associadas a empresas, produtos ou serviços. Hoje em dia a publicidade encontra-se espalhada por toda a parte, sendo maioritariamente destinada à venda de um produto ou serviço, utilizando diversos métodos e um planeamento rigoroso. Toda a publicidade tem em conta um público-alvo específico e por isso, esmera-se para apelar aos instintos profundos de um determinado grupo e assim despertar o desejo de compra. Mas é o carácter do orador (Ethos), os sentimentos despertados pelo discurso (Pathos) e o próprio discurso em si (Logos) que fazem toda a diferença quando se trata de persuadir um determinado público a aceitar a tese colocada, neste caso, a compra do produto.
Mas, será que podemos admitir que a publicidade que circula na sociedade de hoje é toda ela manipuladora? Não existirá, portanto, nenhuma réstia de bondade na publicidade?
A meu ver, esta ideia – pressuposta na pergunta – é extremamente exagerada já que não podemos afirmar que toda a publicidade manipula a sociedade.
A manipulação baseia-se em controlar a vontade do outro sem que este se aperceba, sendo que o orador se recusa a ouvir o que outra pessoa diz, tentando enganá-la com um discurso falacioso. Já a persuasão expõe os argumentos tentando convencer o outro a aceitar a tese, sem interferir na liberdade de escolha pensamento deste, sendo a aceitação da tese apresentada dependente apenas do auditório.
Qualquer pessoa com espírito crítico será capaz de não sucumbir as tentações por parte de algumas publicidades de cariz manipulador, e ser capaz de diferenciar aquilo que lhe é necessário daquilo que lhe é supérfluo, mesmo que se sinta tentado. Muitas vezes, somos tentados a comprar um certo produto devido a emoções despertadas pela sua publicidade, sendo isto uma técnica de marketing. Todas as imagens, cores, frases, emoções e valores subliminares são estudados até ao último pormenor com o intuito de chamar a atenção do público e produzir consumo.
Quanto à bondade, creio que esta não desapareceu por completo da publicidade já que esta também tem um grande papel informador sobre diversos assuntos. Por exemplo, no caso de acções de caridade social, organizações não governamentais ou outros organismos cujas publicidades pretendem alertas o público para causas importantes, apelando à boa fé do auditório.
Após uma reflexão, penso que toda a publicidade é apenas persuasiva, pois se tivermos espírito crítico para analisar atentamente a sua mensagem, nunca cairemos numa armadilha de consumismo desmedido.
sábado, 12 de dezembro de 2009
TRABALHOS INDIVIDUAIS A CHEGAR ...
a bom ritmo. Sábado de grande produção.
Em breve (dia 13) serão aqui disponibilizados alguns...
Em breve (dia 13) serão aqui disponibilizados alguns...
Persuasão Vs manipulação

Publicitar a chegada do Pai Natal. Parece bom, o Pai Natal produz felicidade nas crianças.
Mas se o anúncio da chegada do Pai Natal visa levar os pais das crianças ao espaço comercial e a estabelecer laços de simpatia (emoções positivas)?
Há uma intenção oculta? Ou ela não é assim tão oculta? É manipulação ou ainda uma forma de persuasão?
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Publicidade 8 - Análise da retórica da publicidade
Liliana e João - 11.ºE

Tese: venda da linha de tratamento Especial Açai.
Ethos: a mulher presente no anúncio transmite uma sensação de alegria, bem-estar, segurança em si própria e está em destaque pelo seu sorriso.
Pathos: quem comprar este produto, sentir-se-á bonita e importante, como se brilhasse e fizesse diferença no meio das outras mulheres.
Público-alvo: mulheres adultas.
Valores e jogos simbólicos: A cor roxa do anúncio e dos produtos transmite calma, serenidade, um “mundo perfeito”. Transmite também frescura, também porque o roxo é uma cor fresca.
Falácias: Está presente a falácia ad populum, uma vez que pretende provocar a adesão do auditório a este produto por uma via emocional e usa um modelo para iludir o público.
Liliana Cecílio 11ºE nº12 e João Viegas 11ºE nº11

Tese: venda da linha de tratamento Especial Açai.
Ethos: a mulher presente no anúncio transmite uma sensação de alegria, bem-estar, segurança em si própria e está em destaque pelo seu sorriso.
Pathos: quem comprar este produto, sentir-se-á bonita e importante, como se brilhasse e fizesse diferença no meio das outras mulheres.
Público-alvo: mulheres adultas.
Valores e jogos simbólicos: A cor roxa do anúncio e dos produtos transmite calma, serenidade, um “mundo perfeito”. Transmite também frescura, também porque o roxo é uma cor fresca.
Falácias: Está presente a falácia ad populum, uma vez que pretende provocar a adesão do auditório a este produto por uma via emocional e usa um modelo para iludir o público.
Liliana Cecílio 11ºE nº12 e João Viegas 11ºE nº11
domingo, 6 de dezembro de 2009
Dizem que a Terra suporta mais 2ºC. Será?

Dizem que a Terra suporta mais 2ºC. Será?
É uma ideia política mas cada vez mais consensual: temos de fazer tudo para manter o aumento da temperatura global abaixo dos dois graus Celsius até 2100. Mas há muitas incertezas. O gigantesco esforço necessário para não ultrapassar este valor começa a ser discutido amanhã na cimeira de Copenhaga. Por Ricardo Garcia
Reportagem em
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/06-12-2009/dizem-que-a-terra-suporta-mais-2%c2%bac-sera-18353710.htm
sábado, 5 de dezembro de 2009
Publicidade 5 - Análise da retórica da publicidade

11.º B - Tânia e Sara
Auditório:
O auditório compreende mulheres dos 30 a 55 anos, com capacidades económicas avantajadas, que lhes permite viajar enumeras vezes em que, na maioria, são professionalmente realizadas e com um estilo de vida urbano.
Tese:
Não se deve comprar nem usar peles genuinas pois estamos a contribuir para a morte de diversos animais exóticos.
Logos:
Para que se compre peles de animais exóticos, é necessário matá-los.
Se matar estes animais é considerado uma carnificina,
Quem compra estas peles participa na carnificina.
Pathos:
Este cartaz publicitário pertende chocar o auditório, provocando sentimentos de pena pelos animais em causa e um nojo por toda esta carnificina.
Ethos:
A instituição que promove esta causa é a WWF (World Wild Foundation) em que a sua função é conservar e salvaguardar a biodiversidade, bem como todo o nosso planeta. Para sensibilizar as pessoas para a morte destes animais, utilizam imagens chocantes com o intuito de promover a sua causa.
Mensagens sublimares:
Esta publicidade baseia-se numa persuasão sensata pois utiliza argumentos lógico-racionais (Logos) sendo que as provas apresentadas são suficientes.
Não é uma publicidade manipuladora, pois apela à boa fé do auditório e pertende manifestar-se contra algo que julga ser incorrecto.
Valores:
Implícitos: revolta, remorsos, insensibilidade.
Explícitos: carnificina, vida (morte dos animais), tristeza.
Falácias:
Podemos encontrar nesta publicidade falácias do tipo ad terrorem pois invoca consequências negativas para pressionar o auditório a aceitar a sua tese; e ad misericordiam que apela ao sentimento de piedade ou compaixão para conseguir que uma determinada conclusão seja aceite.
Publicidade 4 - Análise da retórica da publicidade
11.B Ana e Álvaro

1) Auditório – Público-alvo: este cartaz publicitário foca-se mais nas mulheres donas de casa e que desempenham tais funções no seu dia-a-dia.
2) Tese – a ideia que se pretende passar é a de que com o electrodoméstico “Brandt” a mulher fica com todo o tempo para aquilo que precisa, o que é o sonho de qualquer mulher.
3) Logos – A publicidade faz-se à marca de electrodomésticos, contudo, por incrível que pareça, a importância da imagem vai para uma mulher que se apresenta em 4 poses diferentes, ocupando estas 2/3 do cartaz. De salientar que a mulher apresenta-se com um à-vontade de quem está muito tranquila e respira sensualidade e bom gosto. O texto que acompanha a imagem possui a função argumentativa: por um lado refere-se às características do forno e por outro procura persuadir o consumidor a comprar o produto para que “aproveite todos os minutos para fazer o que realmente deseja”.
4) Ethos – Embora o produto seja útil, tratando-se de um electrodoméstico, o que é realçado é a beleza, a elegância, a descontracção, a alegria, a felicidade, a sensualidade, o à-vontade e o bom gosto da mulher, tanto no seu passatempo que a distrai (pintar), no seu papel de esposa do Rui, de mãe e de profissional (arquitecta). Este é o carácter que é incutido na mensagem do anúncio, demonstrado através da imagem.
5) Pathos – O leitor começa por prestar atenção à imagem expressiva e questiona-se sobre o porquê das posições diferentes da mulher, que ainda por cima é muito atraente. Só depois se apercebe que o objectivo do cartaz é influenciar na compra da marca “Brandt”. Esta é uma das técnicas mais usadas na publicidade: captar a atenção do consumidor a partir de algo inesperado, belo e surpreendente; fazê-lo sentir atraído pelo produto.
6) Mensagens subliminares – hipotéticas: A função simbólica das cores remete-nos para um conceito de mulher equilibrada que sabe o que quer e que gosta de viver em plenitude. São colocadas três cores em plena harmonia: preto – simboliza classe, bom gosto, desejo de requinte; vermelho – irreverência da mulher, paixão, pessoa de emoções fortes; branco – ao mesmo tempo que é requintada, é uma mulher simples, tranquila, pura, calma, equilibrada. Se o leitor quer ser ou ter tudo isto, basta adquirir o produto.
7) Valores implícitos e explícitos: ousadia e atenção (expressos na imagem pela esposa do rui e pelo seu cão), sensualidade (expressa na imagem pelo boné característico dos pintores), diversão e harmonia (expressos pela grávida), profissionalismo (expresso pela arquitecta que carrega o canudo que tem todos os seus projectos).
A parte destes valores implícitos, estão todos aqueles que nos são remetidos pelas cores (classe, bom gosto, desejo de requinte, irreverência da mulher, paixão, tranquilidade, pureza, calma, equilíbrio).
8) Falácias informais – hipotéticas: É obvio que por termos um produto, todo o resto que envolve a nossa vida e o nosso quotidiano, ao contrário do que é afirmado pela publicidade, corre obrigatoriamente bem. Podemos considerar, então, que existe uma falácia neste argumento indutivo, implícita no anúncio: Com o produto “Brandt” os seus cozinhados serão melhores. Com o produto “Brandt”, a sua vida será perfeita em todos os campos.

1) Auditório – Público-alvo: este cartaz publicitário foca-se mais nas mulheres donas de casa e que desempenham tais funções no seu dia-a-dia.
2) Tese – a ideia que se pretende passar é a de que com o electrodoméstico “Brandt” a mulher fica com todo o tempo para aquilo que precisa, o que é o sonho de qualquer mulher.
3) Logos – A publicidade faz-se à marca de electrodomésticos, contudo, por incrível que pareça, a importância da imagem vai para uma mulher que se apresenta em 4 poses diferentes, ocupando estas 2/3 do cartaz. De salientar que a mulher apresenta-se com um à-vontade de quem está muito tranquila e respira sensualidade e bom gosto. O texto que acompanha a imagem possui a função argumentativa: por um lado refere-se às características do forno e por outro procura persuadir o consumidor a comprar o produto para que “aproveite todos os minutos para fazer o que realmente deseja”.
4) Ethos – Embora o produto seja útil, tratando-se de um electrodoméstico, o que é realçado é a beleza, a elegância, a descontracção, a alegria, a felicidade, a sensualidade, o à-vontade e o bom gosto da mulher, tanto no seu passatempo que a distrai (pintar), no seu papel de esposa do Rui, de mãe e de profissional (arquitecta). Este é o carácter que é incutido na mensagem do anúncio, demonstrado através da imagem.
5) Pathos – O leitor começa por prestar atenção à imagem expressiva e questiona-se sobre o porquê das posições diferentes da mulher, que ainda por cima é muito atraente. Só depois se apercebe que o objectivo do cartaz é influenciar na compra da marca “Brandt”. Esta é uma das técnicas mais usadas na publicidade: captar a atenção do consumidor a partir de algo inesperado, belo e surpreendente; fazê-lo sentir atraído pelo produto.
6) Mensagens subliminares – hipotéticas: A função simbólica das cores remete-nos para um conceito de mulher equilibrada que sabe o que quer e que gosta de viver em plenitude. São colocadas três cores em plena harmonia: preto – simboliza classe, bom gosto, desejo de requinte; vermelho – irreverência da mulher, paixão, pessoa de emoções fortes; branco – ao mesmo tempo que é requintada, é uma mulher simples, tranquila, pura, calma, equilibrada. Se o leitor quer ser ou ter tudo isto, basta adquirir o produto.
7) Valores implícitos e explícitos: ousadia e atenção (expressos na imagem pela esposa do rui e pelo seu cão), sensualidade (expressa na imagem pelo boné característico dos pintores), diversão e harmonia (expressos pela grávida), profissionalismo (expresso pela arquitecta que carrega o canudo que tem todos os seus projectos).
A parte destes valores implícitos, estão todos aqueles que nos são remetidos pelas cores (classe, bom gosto, desejo de requinte, irreverência da mulher, paixão, tranquilidade, pureza, calma, equilíbrio).
8) Falácias informais – hipotéticas: É obvio que por termos um produto, todo o resto que envolve a nossa vida e o nosso quotidiano, ao contrário do que é afirmado pela publicidade, corre obrigatoriamente bem. Podemos considerar, então, que existe uma falácia neste argumento indutivo, implícita no anúncio: Com o produto “Brandt” os seus cozinhados serão melhores. Com o produto “Brandt”, a sua vida será perfeita em todos os campos.
Conferência: As relações humanas através da evolução

David Sloan-Wilson, conhecido biólogo e antropólogo americano, fala hoje às 18h00 na Gulbenkian, em Lisboa.
Virgílio Azevedo
16:36 Quarta-feira, 13 de Mai de 2009
Link no final do texto para acesso directo à conferência:http://live.fccn.pt/fcg/
Explicar as relações humanas através da Teoria da Evolução é o objectivo de David Sloan-Wilson , que hoje à tarde (18h00) dá uma conferência na Fundação Gulbenkian , em Lisboa, sobre o tema "Evolução e Relações Humanas".
A iniciativa integra-se na série de conferências internacionais que a fundação tem organizado no âmbito das celebrações dos 200 anos do nascimento de Charles Darwin e dos 150 anos da publicação do seu livro "A Origem das Espécies através da Selecção Natural".
O conhecido biólogo da evolução e antropólogo da Universidade de Binghamton (Nova Iorque) é autor de vários livros destinados ao grande público. O último, "A Evolução para Todos", foi recentemente lançado em Portugal pela editora Gradiva , e é também o nome de uma das disciplinas leccionadas pelo autor na universidade.
O seu propósito é explicar, de uma forma divertida e acessível, como a teoria de Darwin pode mudar a nossa forma de pensar na vida, dando resposta a questões tão variadas do nosso dia-a-dia como a origem biológica dos mexericos, do riso ou da criação artística; por que razão os cães têm as caudas enroladas; ou o que nos podem dizer os micróbios sobre a moral.
Os seus outros livros tratam também de temas aliciantes: as relações entre a evolução e a religião, a evolução e a psicologia do comportamento altruísta, a evolução e a natureza da narrativa. Aliás, o cientista já tinha estado em Lisboa em 2006 onde foi orador numa conferência sobre "A Análise Evolutiva da Religião".
David Sloan-Wilson é um dos proponentes do conceito de selecção de grupo na Teoria da Evolução, que se baseia na ideia de que os genes podem fixar-se ou espalhar-se numa população devido aos benefícios que trazem aos grupos, independentemente do seu impacto nas aptidões dos indivíduos dentro de cada grupo.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Trabalho 3 - 11.º Ano - Turmas A, B, E e F
AGORA É A SÉRIO...
Trabalho de ensaio/dissertação sobre dimensões éticas do discurso retórico da publicidade
Problemas de partida:
Hipótese 1) é legitimo dirigir publicidade a crianças?
Hipótese 2) é legitimo usar crianças em publicidade?
Hipótese 3) a publicidade é manipulação do auditório?
Regras:
- Máximo 2 páginas A4 - Letra 11 ou 12, espaçamento 1,5
- Imperativo: citar todas, TODAS, as fontes.
- entrega: dia 12, às 24h
Os alunos defendem o trabalho respondendo a uma só questão acera do mesmo.
Critérios de avaliação:
- coerência, consistência da análise e síntese criada;
e ... VER CRITÉRIOS DA DISCIPLINA FILOSOFIA NESTE BLOG
Trabalho de ensaio/dissertação sobre dimensões éticas do discurso retórico da publicidade
Problemas de partida:
Hipótese 1) é legitimo dirigir publicidade a crianças?
Hipótese 2) é legitimo usar crianças em publicidade?
Hipótese 3) a publicidade é manipulação do auditório?
Regras:
- Máximo 2 páginas A4 - Letra 11 ou 12, espaçamento 1,5
- Imperativo: citar todas, TODAS, as fontes.
- entrega: dia 12, às 24h
Os alunos defendem o trabalho respondendo a uma só questão acera do mesmo.
Critérios de avaliação:
- coerência, consistência da análise e síntese criada;
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