Isaque Manuel Nunes Tomé
2. A necessidade da argumentação
2.1. Razões e propósito da argumentação
Sendo certo que a lógica formal trata da validade do argumento, não trata de saber se a verdade suposta nas premissas é real ou se a verdade diz respeito a esta ou aquela teoria da verdade. Ou seja, se num raciocínio dedutivo supondo a verdade das premissas garantimos a verdade da conclusão, tal não implica a real verdade das premissas. Assim, quando a lógica formal afirma que a verdade é necessária para estabelecer a validade do próprio argumento, a verdade é uma verdade suposta. À lógica não interessa a questão da verdade, em si, das proposições – veja-se o anexo que mostra o raciocínio dedutivo a partir de premissas falsas, ou pelo menos discutíveis.
Existem domínios em que a verdade das proposições é de difícil estabelecimento, não é consensual, ou é até impossível de atingir, dada as características das proposições que remetem para modos de vida e cosmovisões.
A argumentação ocorre quando o conhecimento não é do domínio do absoluto e do verdadeiro. Ocorre quando existe incerteza, dúvida, prós e contras determinada tese. Ocorre sobretudo quando toca o domínio das decisões humanas que remetem para visões do mundo particulares, hierarquias de valores variáveis. Nas palavras de Olivier Reboul a argumentação “não se exerce senão nas situações de incerteza e de conflito, onde a verdade não está dada e não será atingida senão sob a forma do verosímil”.
Pelo contrário, numa demonstração dedutiva os axiomas não estão em discussão; sejam eles considerados como evidentes, como verdadeiros ou como simples hipóteses, não há qualquer preocupação em saber se eles são, ou não, aceites pelo auditório.
Pelo já dito, infere-se que há duas dimensões que escapam à validade e à lógica formal, 1.ª, a aceitabilidade da conclusão nos raciocínios não dedutivos e, 2.ª, a dimensão do conteúdo ou matéria das proposições.
A lógica informal procura, assim, dar conta destas duas dimensões onde
a) o ponto de partida são proposições discutíveis, onde existe incerteza e a aceitação do ponto de partida é a aceitação da proposição pelo valor que lhe é reconhecida (verdade ou qualquer outro);
b) as razões apresentadas para conduzir à aceitação desse ponto de partida não são constringentes – podendo o auditório não aceitar o ponto de partida mesmo aceitando o argumento.
Basicamente existe argumentação porque é preciso convencer alguém da verdade ou da razoabilidade de uma proposição, de tal maneira a que a ela adira. A argumentação ocorre no domínio do humano, no domínio em que os valores e as hierarquias axiológicas interferem nas decisões, no mundo em que a verdade de uma proposição pode não ser razão ou condição suficiente para que a ela se adira. Em última instância a argumentação visa a adesão do auditório. Convém não esquecer que os grandes problemas da decisão política, económica, social e ética dos homens e da humanidade concentram a sua resolução neste tipo de lógica.
Assim, enquanto a lógica formal pode ser garantir a validade e suportar uma verdade da conclusão, a lógica informal ajuda-nos num contexto mais complexo – porque ambíguo e variável em função das subjectividades em jogo – num contexto em que a verdade é um critério entre outros e onde o próprio critério de verdade está, muitas vezes, em discussão. A argumentação ocorre no domínio em que o homem deixa a verdade intersubjectivamente reconhecida e deixa o domínio de culturas fechadas que estabelecem uma tabela de valores e uma matriz de decisão simples e universal - o que ocorre em sociedades fechadas. Pelo contrário a sociedade em que vivemos é aberta, complexa, diversa e com tabelas de valores, referentes variáveis, processos de escolha complexos e múltiplos, daí a necessidade de ultrapassar a indecisão e a subjectividade, possível pelo espaço discursivo argumentativo.
2.2. A verdade, um entre muitos critérios de adesão
A adesão, tal como concebida por Perelman, é uma tarefa a desenvolver no auditório porque a verdade, como valor de verdade, a existir na proposição, é um critério que pode não ser suficiente para que o sujeito a ele adira. A adesão no domínio argumentativo não é uma mera adesão à verdade como no domínio meramente gnoseológico.
As razões para admitir ou rejeitar uma tese podem ser diversas. A verdade ou falsidade desta constituem unicamente um motivo de adesão ou de rejeição no meio de tantos outros: uma tese pode ser admitida ou afastada porque é ou não oportuna, socialmente útil, justa e equilibrada. Dito de outra forma, o auditório avalia as teses do orador tendo em conta diversos critérios. É neste sentido que falamos de pluralidade de critérios: os vários auditórios consoante o seu contexto têm diferentes critérios valorativos, e dentro de um mesmo auditório as pessoas que o compõem podem ter pontos de vista e escalas valorativas diferentes.
2.3. A adaptação do discurso ao auditório
Por esta razão, o orador, antes de iniciar o seu discurso, deve ter do seu auditório uma ideia tanto quanto possível próxima da realidade, uma vez que um erro sobre este ponto pode ser fatal para o efeito que ele quer produzir; é em função do auditório que toda a argumentação se deve organizar, se esta quiser ser eficaz. Assim é indispensável ao orador conhecer o auditório sobre o qual quer exercer a acção. O orador que queira agir eficazmente pelo seu discurso deve adaptar-se ao seu auditório. Em que consiste esta adaptação? Essencialmente, em o orador só poder escolher, como ponto de partida do seu raciocínio, teses admitidas por aqueles a que se dirige.
Ou seja, a contingência e a verosimilitude dos conhecimentos e teses defendidos na argumentação, bem como o facto desta se desenvolver num contexto particular e num domínio pessoal (onde têm influência as características individuais do orador e as características do auditório), faz com que o orador tenha de adaptar o seu discurso ao auditório (ás suas características intelectuais, socioprofissionais e culturais e outras). A adaptação da argumentação ao auditório visa não só que os argumentos sejam entendíveis, mas sobretudo que “joguem” (vão ao encontro) dos critérios valorativos do auditório, de forma a que se estabeleça uma ponte comunicacional e se facilite o acordo prévio (teses ou pontos de partida sobre os quais todos estão de acordo e que possibilita o diálogo e o confronto argumnetativo).
Com efeito, a finalidade da argumentação é transferir para as conclusões a adesão que é concedida às premissas. O orador só poderá partir de premissas que beneficiem de uma adesão suficiente: se esta adesão não for forte, a primeira preocupação daquele que quer persuadir deve ser a de a reforçar por todos os meios. Adaptar-se ao auditório é, sobretudo, escolher como premissas da argumentação as teses admitidas por este último.
É também de referir que o auditório tem legitimidade de contestação e tem o poder de utilizar a sua capacidade critica, assegurando uma relação horizontal entre orador e auditório. Ambos têm legitimidade e a ambos é reconhecida competência. Por ultimo deve atender-se que a argumentação se desenrola numa língua natural cuja ambiguidade não se encontra previamente excluída.
3. A necessidade da lógica informal
Em face da necessidade de usarmos a argumentação e em virtude desta ir além da dimensão formal e dedutiva dos argumentos – patente na demonstração, bem como pela natureza pouco circunscrita dos argumentos indutivos, é necessário conhecer e legitimar essa tipologia de argumentos não dedutivos. Aliás, o mundo actual, onde a comunicação impera sobre a mensagem, onde o oral se sobrepõe ao escrito e onde a imagem se sobrepõe à palavra, a argumentação se faz por gestos, subentendidos, e com grande suporte visual, quer nos casos de decisão com alcance pessoal - como é o caso da publicidade, quer na decisão com alcance colectivo – o domínio da propaganda, é imperativo práxico e político que na formação do cidadão esteja o conhecimento dos mecanismos de argumentação falaciosa.
A teoria da argumentação, designadamente a de Perelman , que abrange uma lógica informal, estuda:
a) as condições de aceitabilidade de uma argumentação, estuda as condições que tornam um discurso argumentativo um discurso convincente ou persuasivo.
b) os erros de raciocínio que tornam um argumento incorrecto ou inválido do ponto de vista da lógica informal: as falácias informais.
Apontamentos, textos e trabalhos de Filosofia de/para alunos do Ensino Secundário - Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Esgueira, Aveiro, PORTUGAL
domingo, 28 de junho de 2009
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Filosofia: ensinar para a liberdade

UNESCO Study “Philosophy: A School of Freedom”
News 5 of 16
UNESCO publishes “Philosophy: A School of Freedom. Teaching philosophy and learning to philosophize: Status and prospects” - an innovative publication based on the results of a worldwide study and abounding with unprecedented recommendations and proposals on the teaching of philosophy.
Discovering the wonder of children when they face questions aroused by their encounter with reflective thought is the purpose of the first chapter of this publication. It offers a glimpse into an entirely new field of teaching: introducing philosophy at the pre-school and primary levels. Readers will discover the full significance of giving children both the opportunity and the space to tackle questions of a philosophical nature, including metaphysical ones, to which science cannot find answers. This aspiration urges us to reflect more profoundly on education, on learning, as well as on the role of teachers.
Encountering philosophy during adolescence proves to be such an important point in the memory of one’s educational career! Chapter II reveals the multiple facets of what the imprint left will be, a genuine creative potential. Readers will sense the pedagogical force of philosophy teaching at this turning point in people’s lives, when one’s personality seeks to construct itself. Teenagers who question, often opposing in order better to affirm themselves, this is the pattern of the evolution – revolution that the publication proposes to grasp with all its underlying paradoxes and contradictions.
Describing the vast field of philosophical reflection at university is the ambition of Chapter III. It grapples with all the complexity of philosophy teaching with its many facets and ramifications, as well as the variety of its intrinsic links with the defense of academic freedoms and of freedom of expression.
Drawing upon philosophy’s infinite resources is the aspiration of Chapter IV, by spelling out all the richness of alternative ways of philosophizing: other places, other needs, other responses…. These pages will not fail to surprise readers by the unexpectedness of the practices they describe, and also by the originality of twenty suggestions that call upon each and every one’s imagination and will to become involved.
Exploring the extent of philosophy through figures, quotes, graphics and statistics on the basis of the results of UNESCO’s questionnaire – this is what Chapter V is designed to do. In its way, it makes its contribution to reflecting the flourishing picture of philosophy.
Download the publication [PDF].
For more information, please contact the Human Sciences Section of Philosophy (UNESCO) at:
Tel.: +33 (01) 45 68 45 52
Fax: +33 (0) 1 45 68 57 29
E-mail: philosophy&human-sciences@unesco.org.
Related Links:
Download the publication in French [PDF]
Philosophy at UNESCO
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Habermas - entrevista aos 80 anos
Um dos maiores pensadores vivos sobre democracia, espaço público e racionalidade (ou não) da comunicação
terça-feira, 16 de junho de 2009
A importância do Espaço Público
FILOSOFIA NA CIDADE
A importância do Espaço Público numa Sociedade Democrática
Mafalda Koppensteiner
O homem é, por natureza, um animal político como o dizia o filósofo Aristóteles. Uma vez integrados numa sociedade, somos levados a participar nela, pensando no nosso papel como cidadãos e desenvolvendo uma atitude crítica sobre o que nos rodeia. Sendo seres dotados de razão, somos capazes de pensar por nós próprios e elaborar ideias que podem ser dialogadas no seio da nossa sociedade. Assim surge o espaço público que, de um modo geral, pode ser entendido como um local onde pessoas se reunem com o objectivo de criar uma opinião pública, um lugar ao qual qualquer cidadão pode aceder.
Na grécia Antiga apareceu a distinção entre o que era privado e o que era público, mas aqui o conceito de espaço público ainda não aparecera. Os cidadãos econtravam-se num local onde discutiam assuntos políticos, mas isto era restrito a um parte da população, já que as mulheres, escravos e estrangeiros não podiam participar. A génese do espaço público remete-se então para a idade moderna, aparecendo com muita força no século XVIII, pois é nesta época que se reúnem as conjunturas para a formação deste espaço e onde são respeitadas algumas condições. Sendo um espaço onde se gera um fluxo de ideias e que valoriza a liberdade individual, está, portanto, ligado à democracia.
Numa sociedade democrática os cidadãos são encarados como iguais perante a lei e são chamados, convidados a participar nas decisões dos interesses comuns. Sendo assim é fácil de perceber que o espaço público não nasceu antes da democracia, mas apresenta-se sim como uma consequência deste sistema político. É graças à liberdade de expressão que existem ideias diferentes que geram debates acesos, cuja úncia arma possível de ser utilizada é a argumentação. Existiria, pois, espaço público num regime autoritário? Certamente que não, ou se existisse seria controlado, uma vez que o cidadão não fala do que pensa, mas canta o que lhe mandam. Assim, umas das características do espaço público é permitir ao indivíduo pensar por si próprio, racionalizar já que é livre de usar a palavra de uma forma autónoma. São então nas suas características que reside a sua importância numa sociedade como a nossa.
Do meu ponto de vista, o espaço público contribui para a evolução das sociedades, pois é com o aparecimento de diversas ideias que se desenvolve a racionalidade do homem. Se nos voltarmos para os tempos de ditadura em que não há a liberdade de expressão, apercebemo-nos que as ideias existentes seguem uma úncia linha de pensamento, incutida pelo regime autoritário. Não há pois inovação noutros campos, mas sim uma estagnação, ficando as ideias adormecidas na mente e não podendo acordar pela inexistência do espaço público. E são essas ideias que são necessárias para a construção de uma sociedade melhor, já que quando pensamos numa esfera pública pensamos (em princípio), no que é melhor para todos.
O espaço público impede, pois, que as decisões de uma sociedade se façam por um só indivíduo, que assume o poder total e que decide sem ter em conta a opinião dos restantes. Daí que este espaço apenas exista numa democracia em que estão presentes as eleições e o direito ao voto. O indivíduo pode assim eleger um partido que lhe pareça o mais correcto para a concretização de uma sociedade melhor. O direito ao voto permite, então, que se ouçam as vozes do espaço público.
Em jeito de conclusão, aponto mais uma característica que torna o espaço público tão importante: ao pensarmos no melhor para a nossa sociedade, ao desenvolvermos uma atitude crítica, participamos activamente, e inserimo-nos em algo. Assim, na minha opinião, a existência do espaço público alimenta-nos racionalmente e alarga-nos os horizontes.
Já que somos animais políticos não seriamos indivíduos realizados sem o espaço público.
A importância do Espaço Público numa Sociedade Democrática
Mafalda Koppensteiner
O homem é, por natureza, um animal político como o dizia o filósofo Aristóteles. Uma vez integrados numa sociedade, somos levados a participar nela, pensando no nosso papel como cidadãos e desenvolvendo uma atitude crítica sobre o que nos rodeia. Sendo seres dotados de razão, somos capazes de pensar por nós próprios e elaborar ideias que podem ser dialogadas no seio da nossa sociedade. Assim surge o espaço público que, de um modo geral, pode ser entendido como um local onde pessoas se reunem com o objectivo de criar uma opinião pública, um lugar ao qual qualquer cidadão pode aceder.
Na grécia Antiga apareceu a distinção entre o que era privado e o que era público, mas aqui o conceito de espaço público ainda não aparecera. Os cidadãos econtravam-se num local onde discutiam assuntos políticos, mas isto era restrito a um parte da população, já que as mulheres, escravos e estrangeiros não podiam participar. A génese do espaço público remete-se então para a idade moderna, aparecendo com muita força no século XVIII, pois é nesta época que se reúnem as conjunturas para a formação deste espaço e onde são respeitadas algumas condições. Sendo um espaço onde se gera um fluxo de ideias e que valoriza a liberdade individual, está, portanto, ligado à democracia.
Numa sociedade democrática os cidadãos são encarados como iguais perante a lei e são chamados, convidados a participar nas decisões dos interesses comuns. Sendo assim é fácil de perceber que o espaço público não nasceu antes da democracia, mas apresenta-se sim como uma consequência deste sistema político. É graças à liberdade de expressão que existem ideias diferentes que geram debates acesos, cuja úncia arma possível de ser utilizada é a argumentação. Existiria, pois, espaço público num regime autoritário? Certamente que não, ou se existisse seria controlado, uma vez que o cidadão não fala do que pensa, mas canta o que lhe mandam. Assim, umas das características do espaço público é permitir ao indivíduo pensar por si próprio, racionalizar já que é livre de usar a palavra de uma forma autónoma. São então nas suas características que reside a sua importância numa sociedade como a nossa.
Do meu ponto de vista, o espaço público contribui para a evolução das sociedades, pois é com o aparecimento de diversas ideias que se desenvolve a racionalidade do homem. Se nos voltarmos para os tempos de ditadura em que não há a liberdade de expressão, apercebemo-nos que as ideias existentes seguem uma úncia linha de pensamento, incutida pelo regime autoritário. Não há pois inovação noutros campos, mas sim uma estagnação, ficando as ideias adormecidas na mente e não podendo acordar pela inexistência do espaço público. E são essas ideias que são necessárias para a construção de uma sociedade melhor, já que quando pensamos numa esfera pública pensamos (em princípio), no que é melhor para todos.
O espaço público impede, pois, que as decisões de uma sociedade se façam por um só indivíduo, que assume o poder total e que decide sem ter em conta a opinião dos restantes. Daí que este espaço apenas exista numa democracia em que estão presentes as eleições e o direito ao voto. O indivíduo pode assim eleger um partido que lhe pareça o mais correcto para a concretização de uma sociedade melhor. O direito ao voto permite, então, que se ouçam as vozes do espaço público.
Em jeito de conclusão, aponto mais uma característica que torna o espaço público tão importante: ao pensarmos no melhor para a nossa sociedade, ao desenvolvermos uma atitude crítica, participamos activamente, e inserimo-nos em algo. Assim, na minha opinião, a existência do espaço público alimenta-nos racionalmente e alarga-nos os horizontes.
Já que somos animais políticos não seriamos indivíduos realizados sem o espaço público.
domingo, 14 de junho de 2009
Livros para Férias - 1
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Do PÚBLICO ... Cientistas portugueses invalidam um dos dogmas da biologia
04.06.2009 - 21h28 Ana Gerschenfeld
Há 270 milhões de anos, uns bocadinhos do património genético de diminutos fungos, que até lá não tinham nada de particular, começaram a sofrer uma mudança de identidade. Normalmente, os fungos, do género Candida – não deveriam ter sobrevivido a tal alteração genética – mas sobreviveram, ao ponto que são hoje os principais responsáveis pelas infecções fúngicas nos seres humanos. Como é que foi possível? A sequenciação dos genomas de uma série de espécies deste fungo permitiu agora explicar este aparente paradoxo.
O genoma dos seres vivos é uma grande molécula, feita do encadeamento de quatro moléculas de base, a que chamamos “letras” para respeitar a metáfora segundo a qual o genoma contém as “instruções” para a construção de cada tipo de organismo. Grosso modo, cada “palavra” de três letras consecutivas, ou “codão”, codifica um dos 20 aminoácidos, os tijolos de construção que as células vivas utilizam para fabricar as suas proteínas, componentes essenciais dos tecidos biológicos. Aminoácidos esses que o organismo vai buscar às proteínas animais contidas nos alimentos.
Desde a descoberta dos codões, há uns 50 anos atrás, pensava-se que essa correspondência codão-aminoácido – o chamado “código genético” – era comum a todos os organismos vivos, universal. O argumento era que, uma vez o código genético fixado, de uma vez por todas, nos primórdios da evolução das espécies, já não podia ser alterado sem consequências funestas para o organismo afectado.
No fim da década de 80, porém, Manuel Santos e a sua equipa da Universidade de Aveiro foram dos primeiros grupos do mundo a propor que isso não era bem assim: descobriram que as Candida conseguiram sobreviver apesar de ter sofrido uma alteração do seu código genético que deveria ter sido perfeitamente tóxica. Num trabalho hoje publicado em consórcio internacional na revista “Nature”, explicam pela primeira vez, graças à análise comparativa dos genomas de várias espécies diferentes de Candida, como é que essa “mudança de identidade” teve concretamente lugar.
“O nosso resultado tem implicações tremendas do ponto de vista biológico”, disse-nos em conversa telefónica Manuel Santos. “Significa que o código genético não é universal. Já tínhamos descoberto essas alterações há uns anos, mas com este estudo conseguimos perceber como é que essa evolução aconteceu.”
Basicamente, nas Candida, o codão que inicialmente mandava colocar no sítio correspondente da proteína em construção um aminoácido chamado leucina, passou a comandar a colocação de um outro aminoácido, a serina. E esta alteração do código genético “deveria ter sido letal”, repete Manuel Santos.
Mas esse codão não mudou repentinamente de identidade; pelo contrário, fê-lo muito gradualmente, ao longo de milhões de anos. “Há 270 milhões de anos, esse codão começou a mudar e adquiriu duas identidades diferentes”, diz ainda Manuel Santos. A maior parte das vezes, continuava a comandar a colocação de leucina, mas de vez em quando colocava serina. A seguir – e é este o segredo do sucesso da operação –, “durante 100 milhões de anos, esse codão desapareceu praticamente do genoma dos fungos. E quando reemergiu, com a sua segunda identidade, foi em posições onde já não era tóxico para os genes”. Um belo truque evolutivo.
Para que é que serve este tipo de alteração ao código genético? “Não sabemos”, responde-nos Manuel Santos. Mas acrescenta logo: “Estes fungos têm uma enorme necessidade de contornar o sistema imunitário humano. Uma possibilidade é que esta alteração do código genético seja um mecanismo compensatório destinado a aumentar a diversidade genética das Candida, que só muito raramente se reproduzem de forma sexuada”. Os organismos que apenas se reproduzem de forma assexuada formam colónias de clones, geneticamente idênticos – e portanto, têm dificuldade em resistir aos ataques do sistema imunitário dos seus hospedeiros.
Um outro dos aspectos agora esclarecidos por este trabalho prende-se precisamente com a reprodução destes fungos. “Há décadas que a reprodução sexuada dos fungos era objecto de intenso debate”, frisa Manuel Santos. “Pensava-se que não havia reprodução sexuada nestes organismos. Mas ela é importante para gerar diversidade genética. Agora, a sequenciação dos genomas de Candida clarificou definitivamente esta questão: algumas espécies possuem genes de reprodução sexuada e outras não. Contudo, naquelas que apresentam uma reprodução sexuada, ela só acontece muito raramente, sendo normalmente assexuada” – isto é, por fissão celular.
Do lado da medicina: perceber de onde vem o perigo
Normalmente, as candidíases manifestam-se como lesões cutâneas e podem ser facilmente tratadas com medicamentos antifúngicos. Mas, em caso de deficiência imunitária, podem ser letais, espalhando-se para o fígado, os pulmões, o cérebro. Põem em risco bebés prematuros, doentes transplantados, pessoas com HIV. E algumas espécies estão a tornar-se resistentes.
O que faz com que uma espécie de Candida seja patogénica e outra inócua? Este é um dos aspectos ainda pouco claros. Mas os resultados hoje publicados permitem começar a desvendar o mistério. “A sequenciação dos genomas e a sua comparação mostrou que as espécies patogénicas possuem um conjunto de genes envolvidos na patogénese” diz Manuel Santos, que liderou a participação portuguesa no trabalho.
Mais precisamente, o seu genoma contém um maior número de cópias de uma série de genes que codificam o fabrico de proteínas, chamadas adesinas, que comandam a síntese de proteínas da parede celular destes fungos. “São elas que interagem com as células humanas”, frisa Manuel Santos, “e isso é importante para a adaptação do fungo ao sistema imunitário do hospedeiro”, adaptação que condiciona a manutenção da infecção. “Este resultado é muito importante porque pode permitir desenvolver novos antifúngicos”, conclui.
Há 270 milhões de anos, uns bocadinhos do património genético de diminutos fungos, que até lá não tinham nada de particular, começaram a sofrer uma mudança de identidade. Normalmente, os fungos, do género Candida – não deveriam ter sobrevivido a tal alteração genética – mas sobreviveram, ao ponto que são hoje os principais responsáveis pelas infecções fúngicas nos seres humanos. Como é que foi possível? A sequenciação dos genomas de uma série de espécies deste fungo permitiu agora explicar este aparente paradoxo.
O genoma dos seres vivos é uma grande molécula, feita do encadeamento de quatro moléculas de base, a que chamamos “letras” para respeitar a metáfora segundo a qual o genoma contém as “instruções” para a construção de cada tipo de organismo. Grosso modo, cada “palavra” de três letras consecutivas, ou “codão”, codifica um dos 20 aminoácidos, os tijolos de construção que as células vivas utilizam para fabricar as suas proteínas, componentes essenciais dos tecidos biológicos. Aminoácidos esses que o organismo vai buscar às proteínas animais contidas nos alimentos.
Desde a descoberta dos codões, há uns 50 anos atrás, pensava-se que essa correspondência codão-aminoácido – o chamado “código genético” – era comum a todos os organismos vivos, universal. O argumento era que, uma vez o código genético fixado, de uma vez por todas, nos primórdios da evolução das espécies, já não podia ser alterado sem consequências funestas para o organismo afectado.
No fim da década de 80, porém, Manuel Santos e a sua equipa da Universidade de Aveiro foram dos primeiros grupos do mundo a propor que isso não era bem assim: descobriram que as Candida conseguiram sobreviver apesar de ter sofrido uma alteração do seu código genético que deveria ter sido perfeitamente tóxica. Num trabalho hoje publicado em consórcio internacional na revista “Nature”, explicam pela primeira vez, graças à análise comparativa dos genomas de várias espécies diferentes de Candida, como é que essa “mudança de identidade” teve concretamente lugar.
“O nosso resultado tem implicações tremendas do ponto de vista biológico”, disse-nos em conversa telefónica Manuel Santos. “Significa que o código genético não é universal. Já tínhamos descoberto essas alterações há uns anos, mas com este estudo conseguimos perceber como é que essa evolução aconteceu.”
Basicamente, nas Candida, o codão que inicialmente mandava colocar no sítio correspondente da proteína em construção um aminoácido chamado leucina, passou a comandar a colocação de um outro aminoácido, a serina. E esta alteração do código genético “deveria ter sido letal”, repete Manuel Santos.
Mas esse codão não mudou repentinamente de identidade; pelo contrário, fê-lo muito gradualmente, ao longo de milhões de anos. “Há 270 milhões de anos, esse codão começou a mudar e adquiriu duas identidades diferentes”, diz ainda Manuel Santos. A maior parte das vezes, continuava a comandar a colocação de leucina, mas de vez em quando colocava serina. A seguir – e é este o segredo do sucesso da operação –, “durante 100 milhões de anos, esse codão desapareceu praticamente do genoma dos fungos. E quando reemergiu, com a sua segunda identidade, foi em posições onde já não era tóxico para os genes”. Um belo truque evolutivo.
Para que é que serve este tipo de alteração ao código genético? “Não sabemos”, responde-nos Manuel Santos. Mas acrescenta logo: “Estes fungos têm uma enorme necessidade de contornar o sistema imunitário humano. Uma possibilidade é que esta alteração do código genético seja um mecanismo compensatório destinado a aumentar a diversidade genética das Candida, que só muito raramente se reproduzem de forma sexuada”. Os organismos que apenas se reproduzem de forma assexuada formam colónias de clones, geneticamente idênticos – e portanto, têm dificuldade em resistir aos ataques do sistema imunitário dos seus hospedeiros.
Um outro dos aspectos agora esclarecidos por este trabalho prende-se precisamente com a reprodução destes fungos. “Há décadas que a reprodução sexuada dos fungos era objecto de intenso debate”, frisa Manuel Santos. “Pensava-se que não havia reprodução sexuada nestes organismos. Mas ela é importante para gerar diversidade genética. Agora, a sequenciação dos genomas de Candida clarificou definitivamente esta questão: algumas espécies possuem genes de reprodução sexuada e outras não. Contudo, naquelas que apresentam uma reprodução sexuada, ela só acontece muito raramente, sendo normalmente assexuada” – isto é, por fissão celular.
Do lado da medicina: perceber de onde vem o perigo
Normalmente, as candidíases manifestam-se como lesões cutâneas e podem ser facilmente tratadas com medicamentos antifúngicos. Mas, em caso de deficiência imunitária, podem ser letais, espalhando-se para o fígado, os pulmões, o cérebro. Põem em risco bebés prematuros, doentes transplantados, pessoas com HIV. E algumas espécies estão a tornar-se resistentes.
O que faz com que uma espécie de Candida seja patogénica e outra inócua? Este é um dos aspectos ainda pouco claros. Mas os resultados hoje publicados permitem começar a desvendar o mistério. “A sequenciação dos genomas e a sua comparação mostrou que as espécies patogénicas possuem um conjunto de genes envolvidos na patogénese” diz Manuel Santos, que liderou a participação portuguesa no trabalho.
Mais precisamente, o seu genoma contém um maior número de cópias de uma série de genes que codificam o fabrico de proteínas, chamadas adesinas, que comandam a síntese de proteínas da parede celular destes fungos. “São elas que interagem com as células humanas”, frisa Manuel Santos, “e isso é importante para a adaptação do fungo ao sistema imunitário do hospedeiro”, adaptação que condiciona a manutenção da infecção. “Este resultado é muito importante porque pode permitir desenvolver novos antifúngicos”, conclui.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
A obra de arte e o absoluto
A arte pode ser a forma, de numa dimensão concreta, numa pintura, numa música, num poema, podermos aceder ou captar o universal: a obra de arte tem na sua singularidade uma capacidade de transcender essa singularidade, representando o universal. O beijo de Rodin, não é só uma escultura que representa dois amantes beijando-se, representa também um beijo terno e abandonado, na sua universalidade. É como se estivesse ali o beijo perfeito, o desprendimento amoroso ideal, tornando-se intemporal e simultaneamente entendível por todos como tal.
Será que quanto mais a obra de arte consegue ultrapassa essa dimensão concreta e representar ideais, universais, sentimentos, mais reconhecida é e mais consensual é?
Será que quanto mais a obra de arte consegue ultrapassa essa dimensão concreta e representar ideais, universais, sentimentos, mais reconhecida é e mais consensual é?
quinta-feira, 21 de maio de 2009
quarta-feira, 20 de maio de 2009
quarta-feira, 13 de maio de 2009
o Critério da Falsificação
«A investigação toma como ponto de partida os problemas. Para resolvê-los, há que inventar hipóteses que sirvam como tentativas de solução. Uma vez formuladas, há que comprovar as ditas hipóteses. E estas provam-se extraindo consequências delas e vendo se se ajustam ou não. Se se ajustam, dizemos que a hipótese, de momento, se confirma; pelo contrário, se pelo menos uma das consequências não se ajusta, diremos que a hipótese se vê falsificada. Por outras palavras, dado um problema P e uma teoria T que se propõe como solução para ele, dizemos: se T é verdadeira, então terão de se dar as consequências p1, p2, p3, ..., pn, que, se se ajustam, confirmam a teoria, e que, se não se ajustam, desmentem-na ou falseiam-na, isto é, demonstram que é falsa. Conclui-se assim que, para comprovar de facto uma teoria, ela tem de ser por princípio controlável, ou, por outras palavras, tem que ser falsificável, têm que poder-se extrair delas conse¬quências que podem refutar-se, isto é, que podem ser falsificáveis por factos. Se de uma teoria não se podem extrair consequências susceptíveis de um controlo fáctico, ela não é uma teoria científica. Isto não deve contudo esquecer que uma hipótese metafísica de hoje se pode converter numa hipótese científica amanhã (como sucedeu com a teoria atomista, que era metafísica nos tempos de Demócrito e se transformou em científica na época de Fermi).
O método dedutivo dos controlos consiste nesta extracção de consequências da teoria a controlar, e na sua comparação com as asserções de base (ou proto¬colos) que, de acordo com os nossos conhecimentos, descrevem os factos. Estes controlos, do ponto de vista lógico, nunca atingem um final definitivo, dado que por muitas confirmações que uma teoria tenha tido, ela nunca é algo certo de todo, na medida em que o próximo controlo a pode desmentir. Este facto lógico explica a história da ciência, na qual vemos teorias que resistiram durante muito tempo a ruírem perante o peso dos factos que se lhes opõem.
Na realidade, existe uma assimetria lógica entre verificação e falsificação: biliões e biliões de confir¬mações não convertem em certa uma teoria (por exemplo: “todos os pedaços de madeira flutuam na água”), ao passo que um único facto negativo (“este pedaço de ébano não flutua”) falsifica, do ponto de vista lógico, a teoria. Popper insere nesta assimetria o mandamento metodológico da falsificação: uma vez que toda a teoria, ainda que esteja verificada, pode ser desmenti da, há que tratar de falsificá-la, pois quanto mais cedo se encontrar um erro, mais cedo ele poderá ser eliminado com a invenção e a prova de uma teoria melhor do que a anterior. Deste modo, a epistemologia de Popper reconhece a força que caracteriza o erro. Como dizia Oscar Wilde, “a experiência é o nome que cada um de nós dá aos seus próprios erros”.
Isto permite-nos compreender o lugar central da noção de falsificação na epistemologia de Popper: “A um sistema científico, não lhe exigirei que seja capaz de ser escolhido, em sentido positivo, de uma vez por todas; mas exigir-lhe-ei que a sua forma lógica o permita pôr em evidência, mediante controlos empíricos, em sentido negativo: um sistema empírico deve poder ser refutado pela experiência.”»
G. Reale e D. Antiseri, Historia dei Pensamiento Filosófico e Científico, Tomo Tercero, Barcelona, Editorial Herder, 1992, pp. 894.895.
O método dedutivo dos controlos consiste nesta extracção de consequências da teoria a controlar, e na sua comparação com as asserções de base (ou proto¬colos) que, de acordo com os nossos conhecimentos, descrevem os factos. Estes controlos, do ponto de vista lógico, nunca atingem um final definitivo, dado que por muitas confirmações que uma teoria tenha tido, ela nunca é algo certo de todo, na medida em que o próximo controlo a pode desmentir. Este facto lógico explica a história da ciência, na qual vemos teorias que resistiram durante muito tempo a ruírem perante o peso dos factos que se lhes opõem.
Na realidade, existe uma assimetria lógica entre verificação e falsificação: biliões e biliões de confir¬mações não convertem em certa uma teoria (por exemplo: “todos os pedaços de madeira flutuam na água”), ao passo que um único facto negativo (“este pedaço de ébano não flutua”) falsifica, do ponto de vista lógico, a teoria. Popper insere nesta assimetria o mandamento metodológico da falsificação: uma vez que toda a teoria, ainda que esteja verificada, pode ser desmenti da, há que tratar de falsificá-la, pois quanto mais cedo se encontrar um erro, mais cedo ele poderá ser eliminado com a invenção e a prova de uma teoria melhor do que a anterior. Deste modo, a epistemologia de Popper reconhece a força que caracteriza o erro. Como dizia Oscar Wilde, “a experiência é o nome que cada um de nós dá aos seus próprios erros”.
Isto permite-nos compreender o lugar central da noção de falsificação na epistemologia de Popper: “A um sistema científico, não lhe exigirei que seja capaz de ser escolhido, em sentido positivo, de uma vez por todas; mas exigir-lhe-ei que a sua forma lógica o permita pôr em evidência, mediante controlos empíricos, em sentido negativo: um sistema empírico deve poder ser refutado pela experiência.”»
G. Reale e D. Antiseri, Historia dei Pensamiento Filosófico e Científico, Tomo Tercero, Barcelona, Editorial Herder, 1992, pp. 894.895.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
o Problema da semana - 2/05
10.º Ano
nível 1
- é a justiça distributiva uma dimensão ética da política?
11.º Ano
nível 3
- a verdade reduz-se à certeza paradigmática, tal como o afirma Kuhn? ou isso não tem sentido, pelo menos nas ciências da natureza e quantitativas?
nível 4
- a verdade é confirmável, a verdade não é confirmável mas só a falsidade, a verdade é paradigmática e como tal não existe, a verdade é redutível ao estado psicológico,- já em desespero? - a verdade reduz-se a eficácia instrumental ou à coerência interna?
nível 1
- é a justiça distributiva uma dimensão ética da política?
11.º Ano
nível 3
- a verdade reduz-se à certeza paradigmática, tal como o afirma Kuhn? ou isso não tem sentido, pelo menos nas ciências da natureza e quantitativas?
nível 4
- a verdade é confirmável, a verdade não é confirmável mas só a falsidade, a verdade é paradigmática e como tal não existe, a verdade é redutível ao estado psicológico,- já em desespero? - a verdade reduz-se a eficácia instrumental ou à coerência interna?
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Problema da semana - 1/05

Kant
Filosofia 10.º
A) Porque é necessário, segundo Kant, a Lei moral, criada pela razão, surgir ao homem como imperativo?
B) Considerando a moral kantiana, em que medida/circunstância é um homem livre se não comer um bolo quando o pode fazer?
C) Comparando a ética kantiana e a ética utilitarista de Mill, como responderiam às seguintes situações:
1. como considerar a mentira?
2. como considerar a injustiça?
3. como decidir entre a verdade e a justiça?

S. Mill
Filosofia 11.º
A) Numa situação real de Física, de Química ou de Biologia, exemplificar a dedução de consequências no método hipotético-dedutivo.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Ciência - O Problema da sua Natureza - 2 - um texto de Bento Jesus Caraças

Foto de Bento Jesus Caraças, Matemático e escritor alentejano
«(...) O homem, na sua necessidade de lutar contra a natureza e no seu desejo de a dominar, foi levado, naturalmente, à observação e ao estudo dos fenómenos, procurando descobrir as suas causas e o seu desenca¬deamento.
Os resultados desse estudo, lentamente adquiridos e acumulados, vão constituindo o que, no decurso dos séculos da vida consciente da humanidade, se pôde designar pelo nome de ciência. O conhecimento científi¬co distingue-se, portanto, do conhecimento vulgar ou primário, no facto essencial seguinte: este satisfaz-se com o resultado imediato do fenómeno - uma pedra abandonada no ar, cai; uma leve pena de ave, abando¬nada no ar, paira ou sobe; aquele faz a pergunta porquê e procura uma resposta que dê uma explicação aceitável pelo nosso entendimento.
O objectivo final da ciência é, portanto, a formação de um quadro ordenado e explicativo dos fenómenos naturais, fenómenos do mundo físico e do mundo huma¬no, individual e social.
Duas são as exigências fundamentais a que esse quadro explicativo deve satisfazer:
l.ª - Exigência de compatibilidade. (...) Obediên¬cia ao princípio de acordo da razão consigo própria.
2.ª - Exigência de acordo com a realidade. Os homens pedem à ciência que lhes forneça um meio, não só de conhecer, mas de prever fenómenos - quanto maior for a possibilidade de previsão, maior será o domínio deles sobre a natureza; quem sabe prever sabe defender-se melhor e, além disso, pode provocar a repe¬tição para o seu uso, dos fenómenos naturais. A ciência deve ser considerada, acima de tudo, como um instru¬mento forjado pelos homens, instrumento activo de pene¬tração no desconhecido.
É evidente que, se as previsões fornecidas pelo qua¬dro explicativo não forem confirmadas pela realidade, esse quadro pode satisfazer altamente a primeira exi¬gência, mas nunca poderá ser o instrumento de que os homens necessitam.
Bento de Jesus Caraça, Conceitos Fundamentais de Matemática, Lisboa, 1975, pp. 107-109
Ciência - o problema da sua natureza - 1

Fotografia de Niels Bohr
A ciência não é um conhecimento natural. Não basta abrir os olhos ou ouvir alguém contar uma história para conhecermos cientificamente.
O conhecimento científico implica antes de mais uma vontade de conhecer, e em segundo lugar implica procurar a melhor forma de conhecer. Assim, propósito e método são dois aspectos centrais a que podemos acrescentar a dimensão conceptual do trabalho científico. A ciência é em primeiro lugar uma construção campo conceptual, que o artifício técnico ou experimental operacionaliza e valida.
As ciências procuram assim estar para lá da dimensão meramente empírica das qualidades subjectivas e psicológicas da realidade, procuram ultrapassar a carga subjectiva do próprio sujeito-cientista.
Esta concepção de ciência funciona relativamente bem nas ciências explicativas, orientadas para as leis físicas da natureza. Mas chegará para definir as ciências humanas como a Psicologia, a Antropologia ou a História? Estas ciências não se reduzem à dinâmica explicativa. Trabalham no interior de concepções e de paradigmas compreensivos, mutáveis e enquadráveis culturalmente. Daí que haja várias abordagens psicológicas, sociológicas ou históricas. Mas as ciências da natureza são puras? Não são afectadas pelo sujeito?
Éticas teleológicas e Éticas deontologicas
“Existem duas concepções distintas de [ética]: a teleológica e a deontológica. As [éticas] teleológicas (por exemplo, a aristotélica ou a utilitarista) consideram as consequências das nossas acções e julgam estas pelas suas consequências. Recomendam-nos que façamos uma coisa em vez de outra, porque ela contribui mais para a nossa felicidade (ou a de outros) do que outra. As [éticas] deontológicas, (como a kantiana) julgam as nossas acções independentemente das suas consequências e da sua contribuição para a felicidade, em função de presumidos deveres ou valores objectivos (...). Típico desta concepção é o conceito de dever – em grego déon, daí o adjectivo deontológico. A [ética] deontológica [postula a existência de] deveres e valores [aos quais estamos obrigados] a ajustar a nossa conduta [independentemente dos efeitos e custos que isso tenha em nós].”
J. Mosterin, Racionalidad y Acción Humana, Alianza, Madrid,1987, p. 34
J. Mosterin, Racionalidad y Acción Humana, Alianza, Madrid,1987, p. 34
sexta-feira, 1 de maio de 2009
A retórica da imagem - 4

Com base num trabalho do 11.º B do Ricardo e do Ricardo
Como todo o discurso que visa persuadir tem um auditório a quem é dirigida a mensagem e ao qual há que a adaptar, tem também um objectivo, neste caso evidente: conduzir à compra do produto: lingerie Triumph.
O auditório – público-alvo - nesta publicidade são as mulheres (principalmente jovens).
Dimensões do anúncio:
Este anúncio possui, como a maioria, uma dimensão denotativa, neste caso o aspecto do produto que se deseja vender (a lingerie) e que deve agradar ao potencial cliente; e uma conotativa, o aspecto da modelo, com a qual as mulheres se quererão parecer, levando-as a comprar a lingerie.
O anúncio publicitário usa os meios de persusão já enunciados por Aristóteles:
O Ethos está presente de uma forma muito óbvia e propositada, usando a beleza, sensualidade e de uma modelo conhecida e reconhecida socialmente pela sua simpatia – em determinadas camadas sociais e etárias – propulsionando credibilidade ao anúncio. A própria marca merece confiança pela tradição.
O Pathos, enquanto a modelo e a montagem fotográfica transmitem a sensação de frescura, de leveza, de juventude. Desperta assim emoções agradáveis, com quem o auditório gosta de se identificar.
O cartaz publicitário apresenta ou associa a marca Triumph a valores implícitos como a beleza, frescura, leveza, alegria, juventude, etc. (o que não deixa de ser essencial numa marca de lingerie com muitos anos e que as jovens tendem a associar à roupa das suas mães e avós).
No domínio do Logos há uma proposição visível em letras pequenas mas destacadas com a cor vermelha que afirma da marca que ela é uma arte corporal. Esta proposição remete para um argumento implícito:
A lingerie da Triumph cria arte corporal (que significa que modela o corpo de acordo com padrões de beleza, pois o termo arte está associado, em termos sociológicos, ao de beleza); assim, se quiser ter um corpo modelado pela arte corporal, use lingerie da collection Best Of da Triumph..
Claro que pode-se considerar haver aqui uma falácia informal. Mas mesmo que assim seja considerado, promovendo a manipulação de quem faz associações descuidadas, o certo é que oferece um raciocínio do ponto de vista lógica formal válido.
A Publicidade é um bom exemplo de como apesar de haver argumentos formalmente válidos, ou o auditório aí ler argumentos válidos, poderem ser falaciosos do ponto de vista informal
É claro que todos os valores mais ou menos implícitos visam associar a marca a esses valores e permitem ao auditório criar essas identidades e, claro, raciocínios dedutivos ou indutivos a partir daí.
Neste caso temos a possibilidade de ter um raciocínio dedutivo, embora precedido de uma indução:
Se Cláudia Vieira usa lingerie Triumph e é sensual,
então a cliente usando lingerie Triumph tornar-se-à sensual.
P Q R ( P ∧ Q ) → ( R → Q )
V V V V V V
V V F V V V
V F V F V F
V F F F V V
F V V F V V
F V F F V V
F F V F V F
F F F F V V
Mas este argumento usa um outro - induz previamente ou pressupõe como ideia geral:
Quem usa lingerie Triumph é sensual,
a → b
(mas pergunta-se: é o sensual uma SEGUNDA CARACTERÍSTICA, permitindo compreender o argumento como analogia?)
Modus Ponens: a → b; a; ∴ b
Se o raciocínio antes exposto for traduzido num Modus Ponus e lhe aplicarmos o martelo semântico, temos o seguinte argumento válido – pois não existe nenhuma circunstância com premissas falsas e conclusão verdadeira:
a b a → b a b
V V V V V
V F F V F
F V V F V
F F V F V
quarta-feira, 29 de abril de 2009
terça-feira, 28 de abril de 2009
Problema da semana - 1/04
Filosofia - 10.º Ano
Se o valor moral de uma acção se julga pela bondade da sua consequência em termos de felicidade global, será legítimo ser injusto se daí resultarem consequências boas?
Filosofia - 11.º Ano
Se a indução apresenta tantos problemas, podemos supor que a indução é um mal necessário? Ou a indução simplesmente não existe tal como afirma Popper?
Isaque Tomé
Se o valor moral de uma acção se julga pela bondade da sua consequência em termos de felicidade global, será legítimo ser injusto se daí resultarem consequências boas?
Filosofia - 11.º Ano
Se a indução apresenta tantos problemas, podemos supor que a indução é um mal necessário? Ou a indução simplesmente não existe tal como afirma Popper?
Isaque Tomé
Ética Utilitarista - 2
O utilitarismo é o tipo mais bem conhecido de teoria ética consequencialista. O seu mais famoso defensor foi John Stuart Mill (1806-1873). O utilita¬rismo baseia-se no pressuposto de que o objectivo último de toda a actividade humana é (num certo sentido) a felicidade. Esta perspectiva é conhecida como hedonismo.
Um utilitarista define o "bem" como "seja o que for que trouxer a maior felicidade global". Isto é, por vezes, conhecido como o princípio da maior feli¬cidade ou princípio da utilidade. Para um utilitarista, a boa acção pode ser cal¬culada, em quaisquer circunstâncias, examinando as consequências prováveis dos vários cursos possíveis de acção. A boa acção é a que tiver mais probabili¬dades de trazer a maior felicidade nas circunstâncias, examinando as conse¬quências prováveis dos vários cursos possíveis de acção. A boa acção é a que tiver mais probabilidades de trazer a maior felicidade nas circunstâncias em causa (ou, pelo menos, mais felicidade do que infelicidade), seja ela qual for.
O utilitarismo tem de lidar com consequências prováveis, porque habitual¬mente é extremamente difícil, se não mesmo impossível, prever os resultados possíveis de uma acção específica: por exemplo, insultar pessoas provoca habi¬tualmente infelicidade, mas a pessoa que estamos a insultar pode ser um maso¬quista que tem imenso prazer em ser insultado.
Nigel Warburton, Elementos Básicos da Filosofia, Edições Gradiva, Lisboa, 1997, pp. 80-81
Um utilitarista define o "bem" como "seja o que for que trouxer a maior felicidade global". Isto é, por vezes, conhecido como o princípio da maior feli¬cidade ou princípio da utilidade. Para um utilitarista, a boa acção pode ser cal¬culada, em quaisquer circunstâncias, examinando as consequências prováveis dos vários cursos possíveis de acção. A boa acção é a que tiver mais probabili¬dades de trazer a maior felicidade nas circunstâncias, examinando as conse¬quências prováveis dos vários cursos possíveis de acção. A boa acção é a que tiver mais probabilidades de trazer a maior felicidade nas circunstâncias em causa (ou, pelo menos, mais felicidade do que infelicidade), seja ela qual for.
O utilitarismo tem de lidar com consequências prováveis, porque habitual¬mente é extremamente difícil, se não mesmo impossível, prever os resultados possíveis de uma acção específica: por exemplo, insultar pessoas provoca habi¬tualmente infelicidade, mas a pessoa que estamos a insultar pode ser um maso¬quista que tem imenso prazer em ser insultado.
Nigel Warburton, Elementos Básicos da Filosofia, Edições Gradiva, Lisboa, 1997, pp. 80-81
Problemas do Método Indutivo - 3 - A validação verificacionista
Este problema não é específico do método indutivo. Pode estar presente no método Hipotético-dedutivo.
O verificacionismo é
1)um critério de cientificidade - demarca o campo científico co campo não científico;
2) um critério de validação das hipóteses científicas.
O Problema do verificacionismo relaciona-se com os pressupostos positivistas que o animam: só é conheciemnto científico o que for empiricamente verificado.
Assim, confirmando uma hipótese, por novas observações, supõe-se a sua verdade.
Ora é nesta ideia de que é possível confirmar (verificar) a verdade de uma hipótese ou teoria que o verificacionismo apresenta problemas....
Porquê?
O verificacionismo é
1)um critério de cientificidade - demarca o campo científico co campo não científico;
2) um critério de validação das hipóteses científicas.
O Problema do verificacionismo relaciona-se com os pressupostos positivistas que o animam: só é conheciemnto científico o que for empiricamente verificado.
Assim, confirmando uma hipótese, por novas observações, supõe-se a sua verdade.
Ora é nesta ideia de que é possível confirmar (verificar) a verdade de uma hipótese ou teoria que o verificacionismo apresenta problemas....
Porquê?
Problemas do Método Indutivo - 2 - O ponto de partida da observação
O primeiro grande problema que se coloca ao método indutivo diz respeito à observação: o facto de partir da observação.
Popper é um grande crítico desta ideia. Popper afirma que a observação é sempre efectuada a partir de teorias ou de um conjunto de conhecimentos prévios, que guiam e orientam a observação. São essas teorias prévias que permitem ao cientista fazer a focagem em determinado assunto e de determinada maneira. Pois se não houvesse teorias prévias como se saberia o que observar? Não só o cientista não saberia o que observar como não saberia como observar. Ou seja, cairia numa observação ingénua, de senso comum, que olharia descontraída e naturalmente para as coisas, como o fazemos no dia a dia. Ora a ciência não é uma actividade ‘natural’ do homem, é uma actividade artificial e como tal implica um acto de vontade, uma vontade e uma actividade crítica que procura não se deixar iludir pelo olhar natural e muito menos por meras associações mentais espontâneas que fazemos ao olhar para as coisas.
Popper é um grande crítico desta ideia. Popper afirma que a observação é sempre efectuada a partir de teorias ou de um conjunto de conhecimentos prévios, que guiam e orientam a observação. São essas teorias prévias que permitem ao cientista fazer a focagem em determinado assunto e de determinada maneira. Pois se não houvesse teorias prévias como se saberia o que observar? Não só o cientista não saberia o que observar como não saberia como observar. Ou seja, cairia numa observação ingénua, de senso comum, que olharia descontraída e naturalmente para as coisas, como o fazemos no dia a dia. Ora a ciência não é uma actividade ‘natural’ do homem, é uma actividade artificial e como tal implica um acto de vontade, uma vontade e uma actividade crítica que procura não se deixar iludir pelo olhar natural e muito menos por meras associações mentais espontâneas que fazemos ao olhar para as coisas.
Problemas do método indutivo - 1- Indução - 1.2. - A não necessidade lógica da conclusão
Não há necessidade lógica na conclusão do raciocínio indutivo. Ou seja da verdade das premissas não se garante a verdade da conclusão. Em termos práticos este problema lógico traduz-se no problema seguinte: que legitimidade existe em concluir sobre o desconhecido a partir do conhecido? Do ponto de vista lógico não há legitimidade.
2.2. O que legitima passar de alguns casos conhecidos para todos os casos, conhecidos e desconhecidos? É o costume e a crença na regularidade da natureza como dizia Hume?
2.2. O que legitima passar de alguns casos conhecidos para todos os casos, conhecidos e desconhecidos? É o costume e a crença na regularidade da natureza como dizia Hume?
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Problemas do Método Indutivo - 1 - a indução - 1.1. Um problema de fundamentação
“O princípio da indução não se pode justificar apelando simplesmente à lógica. Assim sendo, pareceria que o indutivista, de acordo com o seu próprio ponto de vista, deveria indicar como se pode derivar da experiência o princípio de indução. Como seria uma tal derivação? Provavelmente seria assim: observou-se que a indução funciona num grande número de ocasiões. Por exemplo, as leis da óptica, derivadas por indução dos resultados experimentados em laboratório, foram utilizadas em numerosas ocasiões para desenhar instrumentos ópticos e estes instrumentos funcionaram de modo satisfatório. (…)
Uma tal justificação da indução é completamente inaceitável, como a demonstrou David Hume em meados do século XVIII. A argumentação que pretende justificar a indução é circular, uma vez que emprega o mesmo tipo de argumentação indutiva, cuja validade se supõe que necessita de justificação.
A forma de argumentação justificatória é a seguinte:
O princípio de indução funcionou com êxito na ocasião x1
O princípio de indução funcionou com êxito na ocasião x2
etc.
_______________________________________________
O princípio de indução funciona sempre.
Aqui infere-se um enunciado universal que afirma a validade do princípio de indução a partir de certa quantidade de enunciados singulares que registam aplicações com êxito do princípio no passado. Portanto, a argumentação é indutiva, e não se pode, pois, utilizar para justificar o princípio de indução. Não podemos utilizar a indução para justificar a indução. Esta dificuldade foi denominada tradicionalmente como o “problema da indução”.”
A. F. Chalmers, Quê es esa cosa llamada ciência?, Madrid, Siglo XXI, 1990,pp.29-30
Uma tal justificação da indução é completamente inaceitável, como a demonstrou David Hume em meados do século XVIII. A argumentação que pretende justificar a indução é circular, uma vez que emprega o mesmo tipo de argumentação indutiva, cuja validade se supõe que necessita de justificação.
A forma de argumentação justificatória é a seguinte:
O princípio de indução funcionou com êxito na ocasião x1
O princípio de indução funcionou com êxito na ocasião x2
etc.
_______________________________________________
O princípio de indução funciona sempre.
Aqui infere-se um enunciado universal que afirma a validade do princípio de indução a partir de certa quantidade de enunciados singulares que registam aplicações com êxito do princípio no passado. Portanto, a argumentação é indutiva, e não se pode, pois, utilizar para justificar o princípio de indução. Não podemos utilizar a indução para justificar a indução. Esta dificuldade foi denominada tradicionalmente como o “problema da indução”.”
A. F. Chalmers, Quê es esa cosa llamada ciência?, Madrid, Siglo XXI, 1990,pp.29-30
quarta-feira, 22 de abril de 2009
terça-feira, 21 de abril de 2009
o que é um argumento correcto?
1.1. O Argumento dedutivo e o argumento indutivo
1.1.1. O que é um argumento?
Por argumento entende-se um conjunto finito de proposições, em que uma delas, a conclusão, está pretensamente justificada pelas restantes, as premissas. Assim, um argumento é um conjunto de razões que sustentam uma conclusão. Dito de outra forma, é uma operação mental mediante a qual se parte de determinadas proposições dadas ou já conhecidas para uma nova proposição, a conclusão. A inferência da conclusão faz-se na medida em que se relacionam entre si as proposições.
1.1.2. O que distingue um argumento dedutivo de um argumento indutivo?
Um argumento pode ser dedutivo ou indutivo. A diferença entre ambos os argumentos recai no tipo de relação entre as premissas e a conclusão.
Num argumento dedutivo a verdade das premissas garante a verdade da conclusão , enquanto num argumento indutivo a verdade das premissas tornam plausível a verdade conclusão, mas não a garantem.
Como exemplo de um argumento dedutivo
Argumento A):
Todos os animais são mortais; Todos os homens são mortais;
Logo todos os homens são animais.
Como exemplo de um argumento indutivo:
Argumento B
No dia 1 o cão do Zuzu comeu e uivou; No dia 2 o cão do Zuzu comeu e uivou; No dia 3 o cão do Zuzu comeu e uivou, …, No dia 12, o cão do Zuzu comeu e uivou.
Logo, sempre que o cão do Zuzu come, uiva.
A grande diferença está na pretensão com que se justifica a conclusão: no caso do dedutivo a conclusão é logicamente necessária, no caso do indutivo a conclusão é somente provável.
No argumento dedutivo a conclusão é logicamente necessária (resulta por força lógica do encadeamento das premissas) e é psicologicamente constringente (não podendo deixar de ser a que é temos de a aceitar, forçosamente). No argumento indutivo a conclusão sendo provável não é necessária do ponto de vista lógico e podemos não a aceitar.
Podemos considerar no domínio dos argumentos indutivos os argumentos de autoridade, argumentos sustentados em exemplos, argumentos sobre causas, argumentos quase-lógicos, argumentos linguísticos, argumentos sustentados na interpretação de factos, argumentos sustentados na eficácia, na utilidade, etc.
1.2. O argumento dedutivo válido e o argumento dedutivo inválido
Ao definirmos argumento dedutivo simultaneamente apresentamos as condições da sua validade. Assim, o argumento válido é o que apresenta a conclusão que necessariamente se deveria concluir. O argumento dedutivo inválido é o que conclui o que não se deveria concluir.
A validade e invalidade dos argumentos aplica-se somente aos argumentos dedutivos. Só estes se sustentam numa implicação formal entre premissas e conclusão. Pelo contrário a relação entre premissas e conclusão nos argumentos indutivos não é sustentada numa implicação formal. Tal como se pode ver no exemplo B) o cão do Zuzu pode amanhã não comer e não uivar, ou até comer e não uivar. Ou seja, o facto de as premissas serem verdadeiras não se traduz numa implicação necessária na verdade da conclusão. A conclusão pode ser fortemente apoiada e, assim, apostaríamos que iria ocorrer a verdade da conclusão, mas estamos ao nível das probabilidades e não ao nível da garantia absoluta.
1.3. A Independência da validade face à verdade
Pelo que foi dito podemos compreender que num raciocínio dedutivo havendo premissas verdadeiras é impossível existir uma conclusão falsa, enquanto num raciocínio indutivo não é impossível ter uma conclusão falsa apoiada em premissas verdadeiras. Se o que foi dito é uma outra forma de definir argumento válido, e até de distinguir dedução de indução, é, também, uma forma de introduzir a independência da validade face à verdade.
Assim, o facto de termos um argumento dedutivo válido não significa que todas e cada uma das suas proposições sejam verdadeiras. Podemos inclusive ter todas as proposições falsas e ser válido e, inversamente, podemos ter todas as proposições verdadeiras e ser inválido.
A questão da validade diz respeito à forma ou estrutura do argumento dedutivo e só do argumento dedutivo. Neste o que permite concluir o que se conclui e, sobretudo , o que impõe que se conclua o que se conclui é a forma lógica do raciocínio, sendo que o encadeamento das premissas é tal que a conclusão é necessariamente a que ocorre e não outra.
Vejamos dois exemplos de argumentos dedutivos, um inválido e com todas as proposições verdadeiras, C), e outro válido e com todas as proposições falsas, D).
Argumento C)
Todos os homens são mortais; o Senhor Xis é bandarilheiro; Logo, o Senhor Xis é mortal
Argumento D)
Todos os rapazes são pacientes. Todos os rapazes são aluno de lógica.
Logo, todos os alunos de lógica são pacientes
1.4. o argumento correcto - ou sólido - é o argumento não com premissas possivelmente verdadeiras de onde se infere necessariamente uma conclusão possivelmente verdadeira, mas é o argumento válido onde todas as proposições são verdadeiras.
1.1.1. O que é um argumento?
Por argumento entende-se um conjunto finito de proposições, em que uma delas, a conclusão, está pretensamente justificada pelas restantes, as premissas. Assim, um argumento é um conjunto de razões que sustentam uma conclusão. Dito de outra forma, é uma operação mental mediante a qual se parte de determinadas proposições dadas ou já conhecidas para uma nova proposição, a conclusão. A inferência da conclusão faz-se na medida em que se relacionam entre si as proposições.
1.1.2. O que distingue um argumento dedutivo de um argumento indutivo?
Um argumento pode ser dedutivo ou indutivo. A diferença entre ambos os argumentos recai no tipo de relação entre as premissas e a conclusão.
Num argumento dedutivo a verdade das premissas garante a verdade da conclusão , enquanto num argumento indutivo a verdade das premissas tornam plausível a verdade conclusão, mas não a garantem.
Como exemplo de um argumento dedutivo
Argumento A):
Todos os animais são mortais; Todos os homens são mortais;
Logo todos os homens são animais.
Como exemplo de um argumento indutivo:
Argumento B
No dia 1 o cão do Zuzu comeu e uivou; No dia 2 o cão do Zuzu comeu e uivou; No dia 3 o cão do Zuzu comeu e uivou, …, No dia 12, o cão do Zuzu comeu e uivou.
Logo, sempre que o cão do Zuzu come, uiva.
A grande diferença está na pretensão com que se justifica a conclusão: no caso do dedutivo a conclusão é logicamente necessária, no caso do indutivo a conclusão é somente provável.
No argumento dedutivo a conclusão é logicamente necessária (resulta por força lógica do encadeamento das premissas) e é psicologicamente constringente (não podendo deixar de ser a que é temos de a aceitar, forçosamente). No argumento indutivo a conclusão sendo provável não é necessária do ponto de vista lógico e podemos não a aceitar.
Podemos considerar no domínio dos argumentos indutivos os argumentos de autoridade, argumentos sustentados em exemplos, argumentos sobre causas, argumentos quase-lógicos, argumentos linguísticos, argumentos sustentados na interpretação de factos, argumentos sustentados na eficácia, na utilidade, etc.
1.2. O argumento dedutivo válido e o argumento dedutivo inválido
Ao definirmos argumento dedutivo simultaneamente apresentamos as condições da sua validade. Assim, o argumento válido é o que apresenta a conclusão que necessariamente se deveria concluir. O argumento dedutivo inválido é o que conclui o que não se deveria concluir.
A validade e invalidade dos argumentos aplica-se somente aos argumentos dedutivos. Só estes se sustentam numa implicação formal entre premissas e conclusão. Pelo contrário a relação entre premissas e conclusão nos argumentos indutivos não é sustentada numa implicação formal. Tal como se pode ver no exemplo B) o cão do Zuzu pode amanhã não comer e não uivar, ou até comer e não uivar. Ou seja, o facto de as premissas serem verdadeiras não se traduz numa implicação necessária na verdade da conclusão. A conclusão pode ser fortemente apoiada e, assim, apostaríamos que iria ocorrer a verdade da conclusão, mas estamos ao nível das probabilidades e não ao nível da garantia absoluta.
1.3. A Independência da validade face à verdade
Pelo que foi dito podemos compreender que num raciocínio dedutivo havendo premissas verdadeiras é impossível existir uma conclusão falsa, enquanto num raciocínio indutivo não é impossível ter uma conclusão falsa apoiada em premissas verdadeiras. Se o que foi dito é uma outra forma de definir argumento válido, e até de distinguir dedução de indução, é, também, uma forma de introduzir a independência da validade face à verdade.
Assim, o facto de termos um argumento dedutivo válido não significa que todas e cada uma das suas proposições sejam verdadeiras. Podemos inclusive ter todas as proposições falsas e ser válido e, inversamente, podemos ter todas as proposições verdadeiras e ser inválido.
A questão da validade diz respeito à forma ou estrutura do argumento dedutivo e só do argumento dedutivo. Neste o que permite concluir o que se conclui e, sobretudo , o que impõe que se conclua o que se conclui é a forma lógica do raciocínio, sendo que o encadeamento das premissas é tal que a conclusão é necessariamente a que ocorre e não outra.
Vejamos dois exemplos de argumentos dedutivos, um inválido e com todas as proposições verdadeiras, C), e outro válido e com todas as proposições falsas, D).
Argumento C)
Todos os homens são mortais; o Senhor Xis é bandarilheiro; Logo, o Senhor Xis é mortal
Argumento D)
Todos os rapazes são pacientes. Todos os rapazes são aluno de lógica.
Logo, todos os alunos de lógica são pacientes
1.4. o argumento correcto - ou sólido - é o argumento não com premissas possivelmente verdadeiras de onde se infere necessariamente uma conclusão possivelmente verdadeira, mas é o argumento válido onde todas as proposições são verdadeiras.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Trabalho individual - espaço público e media
A Filosofia na Cidade
Abaixo vão alguns elementos teóricos para discutir o papel dos mass media na regulação da relação entre espaço público, esfera privada e estado. Para a discussão deve ter-se em atenção os poderes mas igualmente as limitações dos media, bem como a dinâmica cultural. Deve ter também em conta a relação entre argumentação e democracia.
Tarefa preparatória:
1. criar fichas de leitura de retenha informação sobre o tema acima mencionado;
2. construir esboços - em esquema, mapa conceptual, lista de conceitos, etc. que mostre o que pretende escrever. – Avaliado em termos de trabalho de aula.
Tarefa principal: criar uma dissertação filosófica sobre o tema-problema enunciado (pode o aluno escolher um tema-problema próximo ou derivado ou ainda do tema 1 ou 3 da unidade. Neste caso deve anunciar tal ao Professor até dia 25 de Abril). A dissertação será realizada na aula de dia 25 de Maio, segunda-feira. Tempo; 60 min. Peso = teste de avaliação
Tarefa secundária: apresentação e defesa da dissertação – tempo: 5 + 2 Min. 27 de Maio – Avaliada no âmbito da participação oral.
Abaixo vão alguns elementos teóricos para discutir o papel dos mass media na regulação da relação entre espaço público, esfera privada e estado. Para a discussão deve ter-se em atenção os poderes mas igualmente as limitações dos media, bem como a dinâmica cultural. Deve ter também em conta a relação entre argumentação e democracia.
Tarefa preparatória:
1. criar fichas de leitura de retenha informação sobre o tema acima mencionado;
2. construir esboços - em esquema, mapa conceptual, lista de conceitos, etc. que mostre o que pretende escrever. – Avaliado em termos de trabalho de aula.
Tarefa principal: criar uma dissertação filosófica sobre o tema-problema enunciado (pode o aluno escolher um tema-problema próximo ou derivado ou ainda do tema 1 ou 3 da unidade. Neste caso deve anunciar tal ao Professor até dia 25 de Abril). A dissertação será realizada na aula de dia 25 de Maio, segunda-feira. Tempo; 60 min. Peso = teste de avaliação
Tarefa secundária: apresentação e defesa da dissertação – tempo: 5 + 2 Min. 27 de Maio – Avaliada no âmbito da participação oral.
A lição
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Trabalho Individual - Estética - 10.º Ano - Filosofia
FILOSOFIA
Trabalho individual – 10.º Ano Turma B e E
Objectivos gerais do trabalho:
Adquirir instrumentos cognitivos, conceptuais e metodológicos fundamentais para o desenvolvimento do trabalho filosófico e transferíveis para outras aquisições cognitivas. Desenvolver um pensamento autónomo e emancipado que, por integração progressiva e criteriosa dos saberes parcelares, permita a elaboração de sínteses reflexivas pessoais, construtivas e abertas. Adquirir hábitos de estudo e de trabalho autónomo. Desenvolver atitudes de curiosidade, honestidade e rigor intelectuais. Reconhecer distintos sistemas de valores e diferentes paradigmas de valoração. Adquirir o gosto e o interesse pelas diversas manifestações culturais. Analisar a problemática sobre a qual um texto toma posição, identificando o tema/problema, a(s) tese(s) que defende ou a(s) resposta(s) que dá, as teses ou respostas que contraria ou as teses ou respostas que explicitamente refuta. Analisar a conceptualidade sobre a qual assenta um texto, identificando os termos ou conceitos nucleares do texto, explicitando o seu significado e as suas articulações. Desenvolver, seguindo planos/guiões ou modelos simples, temas/problemas programáticos, que tenham sido objecto de abordagem nas aulas.
Objectivos específicos:
- Compreender e aplicar os diversos CONCEITOS ESPECÍFICOS NUCLEARES do domínio da estética - estética, experiência estética, teoria estética, gosto, juízo estético, útil, agradável, belo, horrível, sublime, arte, obra de arte, artista, espectáculo, criação artística. - problematizar o conceito de arte; - discutir a natureza do juízo estético; - Questionar a possibilidade de comunicação da experiência estética - a natureza do juízo estético; - Diferenciar uma teoria estética, - Reflexão sobre a multidimensionalidade da obra de arte;
- a industrialização da estética na sociedade contemporânea; problematizar o conceito de valor de mercado e de arte como objecto produzido; - pluralidade de sentidos (polissemia); - manifestação da identidade cultural dos povos;
- revelação de novos modos de conhecer o sujeito e o mundo.
Tarefa: desenvolver a análise de uma obra de arte, reconhecida como tal, evidenciando características da obra em si, do autor e das circunstâncias em que foi criada, das suas possíveis implicações culturais ou outras, bem como as razões pelas quais o aluno a escolheu – o que se relaciona com a experiencia e juízo estético.
Tema Sugestão de percurso:
A dimensão estética da acção humana.
1. A experiência e o juízo estético
A experiência estética
O subjectivismo e o objectivismo estético e a sua superação pelo Juízo estético kantiano:
2. A criação artística e a obra de arte
a) O que é a arte e para que serve?
b) A evolução da noção de arte e o belo
c) Quando é que há arte?
d) Teorias da arte: Arte como imitação; Arte como expressão; Arte como forma.
e) Propósitos do autor e a dimensão histórico-cultural da criação.
3. Reflexão sobre a multidimensionalidade da obra de arte:
- objecto produzido - valor no mercado;
- a industrialização da estética na sociedade contemporânea;
- pluralidade de sentidos (polissemia);
- manifestação da identidade cultural dos povos;
- revelação de novos modos de conhecer o sujeito e o mundo. Tomando em consideração uma obra de arte à sua escolha, atenda aos seguintes tópicos:
1. O que é a arte? Um primeiro esclarecimento
a) Respostas ao longo da história
2. Inserção da obra na corrente artística e seu esclarecimento;
3. A análise em função de uma teoria da arte;
4. Esclarecimento de motivações do autor e as circunstâncias histórico-culturais para a sua compreensão
5. Esclarecer a importância cultural /histórica/sociológica/ política/… da obra.
6. Descrever a sua experiencia estética;
7. Posicionar-se relativamente à natureza do juízo estético
8. A obra de arte e a importância da criação
Calendarização: entrega do trabalho escrito: 22 de Maio; apresentação e defesa do trabalho: após 22 de Maio.
Número de páginas: corpo do trabalho: 3 – 5. Anexos: ilimitado
Avaliação: 80% - Trabalho escrito; 20% - Defesa oral. visa confirmar a autoria do trabalho.
a) Critérios de análise do trabalho escrito:
- todos os que se incluem na dimensão das aprendizagens especificas da disciplina;
- todos os que se incluem na dimensão das aprendizagens transversais.
b) Critérios de análise da apresentação oral:
- Rigor discursivo e conceptual;
- Inteligibilidade e clareza da apresentação.
Normas para a redacção e paginação do trabalho:
- Texto: normal: letra 12
- Títulos: negrito
- Margens: 3 cm
- Espaçamento entre linhas: 1,5
- Tamanho da letra:
Corpo do trabalho: 12
Notas de rodapé: 10
Citações com mais de 3 linhas: 10
Estrutura das citações: Exemplo 1: podemos tornar nossa a tese de Almeida (2001: 11) quando afirma “as galinhas não têm dentes”.
Normas acerca das referências bibliográficas:
Livro: Savater, Fernando (2004) Ética para um Jovem. Barcarena: Editorial Presença.
Artigo de livro/revista: Henrique, Luís (2003) A reforma educativa do sistema educativo. In Pacheco (Org.) Revista Portuguesa de estudos curriculares, pp. 190 – 205.
Internet: www.explicatio.blogspot.com (consulta – 03 de Abril de 2006).
Notas de rodapé: servem para esclarecer o que é dito no corpo do texto ou citar.
BIBLIOGRAFIA
Adorno, T. W. (1982). Teoria Estética. Lisboa: Ed. 70.
A obra reflecte sobre a relação da arte com a sociedade e a ideologia.
Aparici, R.& Garcia-Matilla, A. (1987). Lectura de Imágenes. Madrid: Ediciones de la Torre.
Temas tratados: I - Alfabetização, audiovisual e ensino; II - Como vemos as imagens?; III - A
Comunicação; IV - A ilusão do real; V - Elementos básicos da imagem; VI - Leitura de uma imagem fixa. Contém diversos guiões para análise dos meios audiovisuais.
Benjamin, W. (1992). Sobre Arte, Técnica, Linguagem e Política. Lisboa: Relógio d'Água.
Conjunto de textos que reúne reflexões do autor sobre diferentes manifestações da arte e em especial sobre a sua perda de aura na actualidade.
Dufrenne, M. (1953). Phénoménologie de l'expérience esthétique - 2 vol. I. L'objet esthétique. II. La perception esthétique. Paris: PUF.
Obra que aplica o método fenomenológico à arte, pretendendo encontrar a sua essência e unidade. A estética surge ao mesmo tempo como uma disciplina específica, dirigida a obras particulares e como disciplina filosófica, exigindo generalidade e radicalidade.
Ferry, L. (1990). Homo Aestheticus: l' invention du goût à l'âge démocratique. Paris: Grasset.
A partir da tese segundo a qual a história da estética moderna se pode ler como uma história da
subjectividade, o autor analisa os grandes momentos da história do individualismo democrático em paralelo com os momentos da subjectivização do gosto.
Gombrich, E. (1995). Arte e Ilusão. Um Estudo da Psicologia da Representação Pictórica. São Paulo: Martins Fontes.
Obra que analisa a percepção, a representação, a semelhança, colocando a questão do estilo e do espectador.
Haar, M. (1994). L'Oeuvre d'Art. Essai sur l'ontologie des oeuvres. Paris: Hatier.
Obra que sintetiza com rigor e clareza o que é a obra de arte e a relação entre arte e verdade, a partir de textos precisos de Platão, Aristóteles, Kant, Schelling, Schopenhauer, Hegel, Nietzsche, Heidegger e Merleau-Ponty.
Pita, A. P. (1999). A Experiência Estética como Experiência do Mundo. Porto: Campo das Letras.
Uma análise sistemática da obra de Mikel Dufrenne, um estudo das relações entre o artístico e o filosófico, por um lado, a ética e a estética, por outro. Mostra que em Dufrenne a ética necessita da dimensão estética.
Trabalho individual – 10.º Ano Turma B e E
Objectivos gerais do trabalho:
Adquirir instrumentos cognitivos, conceptuais e metodológicos fundamentais para o desenvolvimento do trabalho filosófico e transferíveis para outras aquisições cognitivas. Desenvolver um pensamento autónomo e emancipado que, por integração progressiva e criteriosa dos saberes parcelares, permita a elaboração de sínteses reflexivas pessoais, construtivas e abertas. Adquirir hábitos de estudo e de trabalho autónomo. Desenvolver atitudes de curiosidade, honestidade e rigor intelectuais. Reconhecer distintos sistemas de valores e diferentes paradigmas de valoração. Adquirir o gosto e o interesse pelas diversas manifestações culturais. Analisar a problemática sobre a qual um texto toma posição, identificando o tema/problema, a(s) tese(s) que defende ou a(s) resposta(s) que dá, as teses ou respostas que contraria ou as teses ou respostas que explicitamente refuta. Analisar a conceptualidade sobre a qual assenta um texto, identificando os termos ou conceitos nucleares do texto, explicitando o seu significado e as suas articulações. Desenvolver, seguindo planos/guiões ou modelos simples, temas/problemas programáticos, que tenham sido objecto de abordagem nas aulas.
Objectivos específicos:
- Compreender e aplicar os diversos CONCEITOS ESPECÍFICOS NUCLEARES do domínio da estética - estética, experiência estética, teoria estética, gosto, juízo estético, útil, agradável, belo, horrível, sublime, arte, obra de arte, artista, espectáculo, criação artística. - problematizar o conceito de arte; - discutir a natureza do juízo estético; - Questionar a possibilidade de comunicação da experiência estética - a natureza do juízo estético; - Diferenciar uma teoria estética, - Reflexão sobre a multidimensionalidade da obra de arte;
- a industrialização da estética na sociedade contemporânea; problematizar o conceito de valor de mercado e de arte como objecto produzido; - pluralidade de sentidos (polissemia); - manifestação da identidade cultural dos povos;
- revelação de novos modos de conhecer o sujeito e o mundo.
Tarefa: desenvolver a análise de uma obra de arte, reconhecida como tal, evidenciando características da obra em si, do autor e das circunstâncias em que foi criada, das suas possíveis implicações culturais ou outras, bem como as razões pelas quais o aluno a escolheu – o que se relaciona com a experiencia e juízo estético.
Tema Sugestão de percurso:
A dimensão estética da acção humana.
1. A experiência e o juízo estético
A experiência estética
O subjectivismo e o objectivismo estético e a sua superação pelo Juízo estético kantiano:
2. A criação artística e a obra de arte
a) O que é a arte e para que serve?
b) A evolução da noção de arte e o belo
c) Quando é que há arte?
d) Teorias da arte: Arte como imitação; Arte como expressão; Arte como forma.
e) Propósitos do autor e a dimensão histórico-cultural da criação.
3. Reflexão sobre a multidimensionalidade da obra de arte:
- objecto produzido - valor no mercado;
- a industrialização da estética na sociedade contemporânea;
- pluralidade de sentidos (polissemia);
- manifestação da identidade cultural dos povos;
- revelação de novos modos de conhecer o sujeito e o mundo. Tomando em consideração uma obra de arte à sua escolha, atenda aos seguintes tópicos:
1. O que é a arte? Um primeiro esclarecimento
a) Respostas ao longo da história
2. Inserção da obra na corrente artística e seu esclarecimento;
3. A análise em função de uma teoria da arte;
4. Esclarecimento de motivações do autor e as circunstâncias histórico-culturais para a sua compreensão
5. Esclarecer a importância cultural /histórica/sociológica/ política/… da obra.
6. Descrever a sua experiencia estética;
7. Posicionar-se relativamente à natureza do juízo estético
8. A obra de arte e a importância da criação
Calendarização: entrega do trabalho escrito: 22 de Maio; apresentação e defesa do trabalho: após 22 de Maio.
Número de páginas: corpo do trabalho: 3 – 5. Anexos: ilimitado
Avaliação: 80% - Trabalho escrito; 20% - Defesa oral. visa confirmar a autoria do trabalho.
a) Critérios de análise do trabalho escrito:
- todos os que se incluem na dimensão das aprendizagens especificas da disciplina;
- todos os que se incluem na dimensão das aprendizagens transversais.
b) Critérios de análise da apresentação oral:
- Rigor discursivo e conceptual;
- Inteligibilidade e clareza da apresentação.
Normas para a redacção e paginação do trabalho:
- Texto: normal: letra 12
- Títulos: negrito
- Margens: 3 cm
- Espaçamento entre linhas: 1,5
- Tamanho da letra:
Corpo do trabalho: 12
Notas de rodapé: 10
Citações com mais de 3 linhas: 10
Estrutura das citações: Exemplo 1: podemos tornar nossa a tese de Almeida (2001: 11) quando afirma “as galinhas não têm dentes”.
Normas acerca das referências bibliográficas:
Livro: Savater, Fernando (2004) Ética para um Jovem. Barcarena: Editorial Presença.
Artigo de livro/revista: Henrique, Luís (2003) A reforma educativa do sistema educativo. In Pacheco (Org.) Revista Portuguesa de estudos curriculares, pp. 190 – 205.
Internet: www.explicatio.blogspot.com (consulta – 03 de Abril de 2006).
Notas de rodapé: servem para esclarecer o que é dito no corpo do texto ou citar.
BIBLIOGRAFIA
Adorno, T. W. (1982). Teoria Estética. Lisboa: Ed. 70.
A obra reflecte sobre a relação da arte com a sociedade e a ideologia.
Aparici, R.& Garcia-Matilla, A. (1987). Lectura de Imágenes. Madrid: Ediciones de la Torre.
Temas tratados: I - Alfabetização, audiovisual e ensino; II - Como vemos as imagens?; III - A
Comunicação; IV - A ilusão do real; V - Elementos básicos da imagem; VI - Leitura de uma imagem fixa. Contém diversos guiões para análise dos meios audiovisuais.
Benjamin, W. (1992). Sobre Arte, Técnica, Linguagem e Política. Lisboa: Relógio d'Água.
Conjunto de textos que reúne reflexões do autor sobre diferentes manifestações da arte e em especial sobre a sua perda de aura na actualidade.
Dufrenne, M. (1953). Phénoménologie de l'expérience esthétique - 2 vol. I. L'objet esthétique. II. La perception esthétique. Paris: PUF.
Obra que aplica o método fenomenológico à arte, pretendendo encontrar a sua essência e unidade. A estética surge ao mesmo tempo como uma disciplina específica, dirigida a obras particulares e como disciplina filosófica, exigindo generalidade e radicalidade.
Ferry, L. (1990). Homo Aestheticus: l' invention du goût à l'âge démocratique. Paris: Grasset.
A partir da tese segundo a qual a história da estética moderna se pode ler como uma história da
subjectividade, o autor analisa os grandes momentos da história do individualismo democrático em paralelo com os momentos da subjectivização do gosto.
Gombrich, E. (1995). Arte e Ilusão. Um Estudo da Psicologia da Representação Pictórica. São Paulo: Martins Fontes.
Obra que analisa a percepção, a representação, a semelhança, colocando a questão do estilo e do espectador.
Haar, M. (1994). L'Oeuvre d'Art. Essai sur l'ontologie des oeuvres. Paris: Hatier.
Obra que sintetiza com rigor e clareza o que é a obra de arte e a relação entre arte e verdade, a partir de textos precisos de Platão, Aristóteles, Kant, Schelling, Schopenhauer, Hegel, Nietzsche, Heidegger e Merleau-Ponty.
Pita, A. P. (1999). A Experiência Estética como Experiência do Mundo. Porto: Campo das Letras.
Uma análise sistemática da obra de Mikel Dufrenne, um estudo das relações entre o artístico e o filosófico, por um lado, a ética e a estética, por outro. Mostra que em Dufrenne a ética necessita da dimensão estética.
terça-feira, 31 de março de 2009
S. Mill - crítica à felicidade como mero prazer corporal?
A escola que aceita como fundamento da moral o princípio da utilidade ou da maior felicidade possível estipula que as acções são moralmente boas na medida em que tendem a promover a felicidade, e moralmente más na medida em que tendem a promover o contrário da felicidade. Por "felicidade" entendemos o prazer e a ausência de dor; por "infelicidade", a dor e a privação de prazer. Teremos contudo de aprofundar muito mais de maneira a dar uma visão mais clara do critério moral assim estipulado pela teoria. Teremos, em particular, de especificar o que se inclui nas ideias de dor e de prazer, e em que medida essa lista permanece uma questão em aberto. Essas explicações suplementares não vão, contudo, afectar a teoria da vida na qual se baseia esta teoria da moralidade - a saber, que o prazer e a ausência de dor são as únicas coisas desejáveis como fins e que todas as coisas desejáveis (tão numerosas no sistema utilitário como em qualquer outro) o são por causa do prazer que lhes está inerente ou por serem meios para a promoção do prazer e a prevenção da dor.
Ora, uma tal teoria de vida suscita, junto de numerosos espíritos - dos quais alguns dos mais estimáveis, pelo sentimento ou pela intenção -, uma aversão inveterada. Supor que não há fim mais nobre para a vida que o prazer, que não possamos desejar ou procurar nada de melhor nem de mais nobre - para retomar as suas expressões - é, na sua opinião, profundamente desprezível e vil, uma doutrina digna apenas dos porcos aos quais os discípulos de Epicuro foram comparados com desdém na Antiguidade; também os defensores modernos da doutrina são o objecto de comparações igualmente pouco lisonjeadoras por parte dos seus adversários alemães, franceses ou ingleses.Stuart Mill, O Utilitarismo, Ensaio Sobre Bentham, Gallimard, Paris
Ora, uma tal teoria de vida suscita, junto de numerosos espíritos - dos quais alguns dos mais estimáveis, pelo sentimento ou pela intenção -, uma aversão inveterada. Supor que não há fim mais nobre para a vida que o prazer, que não possamos desejar ou procurar nada de melhor nem de mais nobre - para retomar as suas expressões - é, na sua opinião, profundamente desprezível e vil, uma doutrina digna apenas dos porcos aos quais os discípulos de Epicuro foram comparados com desdém na Antiguidade; também os defensores modernos da doutrina são o objecto de comparações igualmente pouco lisonjeadoras por parte dos seus adversários alemães, franceses ou ingleses.Stuart Mill, O Utilitarismo, Ensaio Sobre Bentham, Gallimard, Paris
O bem segundo S. Mill
Tenho de voltar a repetir que os adversários do utilitarismo raramente fizeram a justiça de reconhecer: a felicidade que os utilitaristas adoptaram como critério de moralidade da conduta não é a felicidade pessoal do agente mas a de todos os envolvidos na acção e nas suas consequências.
Assim, entre a felicidade pessoal e a felicidade dos outros, o utilitarismo exige do indivíduo que seja tão rigoroso e imparcial como um espectador desinteressado e de boa-fé. [...]
Fazer o que desejaríamos que nos fizessem, amar e respeitar o próximo como a mesmos; é isto que constitui a perfeição ideal da moral utilitarista. [...]
Cabe à moral dizer quais são os nossos deveres ou qual é o critério que nos permite reconhecê-los; mas nenhum sistema moral exige que o único motivo de todos os nossos actos seja o sentimento do dever. Pelo contrário, noventa e nove por cento dos nossos actos realizam-se por outros motivos e, no entanto, são actos morais desde que a regra do dever não os condene.
Aquele que salva um semelhante de morrer afogado pratica uma acção moralmente boa, quer o motivo da acção seja o dever quer seja a esperança de receber um pagamento.
Aquele que trai um amigo que depositou nele a sua confiança realiza um acto moralmente incorrecto, mesmo que a sua intenção seja a de ajudar um outro amigo a quem deve mais obrigações do que ao primeiro.
J. Stuart Mill, O Utilitarismo, Gallimard, Paris
Assim, entre a felicidade pessoal e a felicidade dos outros, o utilitarismo exige do indivíduo que seja tão rigoroso e imparcial como um espectador desinteressado e de boa-fé. [...]
Fazer o que desejaríamos que nos fizessem, amar e respeitar o próximo como a mesmos; é isto que constitui a perfeição ideal da moral utilitarista. [...]
Cabe à moral dizer quais são os nossos deveres ou qual é o critério que nos permite reconhecê-los; mas nenhum sistema moral exige que o único motivo de todos os nossos actos seja o sentimento do dever. Pelo contrário, noventa e nove por cento dos nossos actos realizam-se por outros motivos e, no entanto, são actos morais desde que a regra do dever não os condene.
Aquele que salva um semelhante de morrer afogado pratica uma acção moralmente boa, quer o motivo da acção seja o dever quer seja a esperança de receber um pagamento.
Aquele que trai um amigo que depositou nele a sua confiança realiza um acto moralmente incorrecto, mesmo que a sua intenção seja a de ajudar um outro amigo a quem deve mais obrigações do que ao primeiro.
J. Stuart Mill, O Utilitarismo, Gallimard, Paris
segunda-feira, 30 de março de 2009
segunda-feira, 16 de março de 2009
trabalho de 10.º Ano - a multiculturalidade em questão
Objectivos específicos:
- analisar as diferentes posições acerca da multiculturalidade
- discutir a posição do relativismo cultural;
- problematizar a possibilidade de critérios valorativos universais;
Pressuposto/Condição: escolher um tema/problema que, sendo concreto e vivido, tenha despertado posições contrárias ou disputa argumentativa e filosófica e que tenha implicações na discussão axiológica (tábua de valores e natureza dos valores) na discussão da noção e alcance da liberdade, na discussão acerca de critérios valorativos universais e, sobretudo, que ponha em relevo o tema da multiculturalidade e o problema do relativismo cultural e moral.
Sugestão de percurso:
- Apresentar sucintamente o tema
- apresentar razões para a sua escolha;
- mostrar como se constitui em problema
- apresentar respostas diferentes face ao tema/problema
- apresentar os argumentos defensores de cada tese
- apresentar objecções e contra-argumentos.
- discutir e problematizar os argumentos (pelo seu alcance, a sua possível invalidade (falácias),...)
- concluir tomando posição e/ou concluir considerando a importância do tema/problema no mundo actual ou para a sua formação.
§ Para desenvolver o trabalho deve mobilizar conhecimentos, relacionando as diferentes temáticas abordadas: por isso pode desenvolver o trabalho aduzindo temas paralelos que podem ter/ têm implicações: liberdade; hierarquia de valores; natureza dos valores; acção humana; juízos de valor; valores universais;
§ Pode socorrer-se (desde que sejam logicamente validos de argumentos de oriundos de diversos campos do saber e da actividade humana: filosófico, científico, religioso, estatístico, factuais, antropológico.
§ Pode usar imagens.
Sugestões de Temas/problema:
A. – A mutilação genital feminina
B. – O caso do véu islâmico nas escolas de França;
C. – Os touros de morte em Barrancos
D. – A mulher numa sociedade desigual
E. – Minorias étnicas/culturais em Portugal,...
F. ...
Bibliografia
Como ponto de partida – bibliografia base:
Rachels, James (2004). Capítulo 2 – O desafio do relativismo cultural. In Rachels, James (2004) fotocópias.
Manual adoptado, pp. 114-119; 120-125.
Bibliografia de apoio:
Touraine, Alain (1997) Iguais e diferentes. Lisboa: Piaget, capítulo 5 – biblioteca da Escola
Savater, Fernando (2000) Política para um jovem: Lisboa: Presença
McLaren, Peter (1997) Multiculturalismo crítico. São Paulo: Cortez editora, cap. 3, pp. 105-125.
Sites: http://dossiers.publico.pt/dossier.asp?idCanal=967 (mutilação genital feminina); ONU; UNESCO; UNICEF; Minorias étnicas; ...
Calendarização: entrega do trabalho escrito: 25 de Fevereiro; apresentação e defesa do trabalho: semana 01/03/08
Número de páginas: corpo de expositivo/argumentativo do trabalho: 2 – 4. Sem limite: anexos.
Avaliação:
- Trabalho escrito – equivalente a um teste (defesa oral: 50%)
- Apresentação e exposição – a inclui na qualidade da participação em contexto de aula
- preparação do trabalho: a incluir no trabalho de aula
a) critérios de análise do trabalho escrito:
- todos os que se incluem na dimensão das aprendizagens especificas da disciplina;
- todos os que se incluem na dimensão das aprendizagens transversais.
b) critérios de análise da apresentação oral:
- Rigor discursivo e conceptual;
- Inteligibilidade e clareza da apresentação
- cumprimento do tempo de apresentação
- analisar as diferentes posições acerca da multiculturalidade
- discutir a posição do relativismo cultural;
- problematizar a possibilidade de critérios valorativos universais;
Pressuposto/Condição: escolher um tema/problema que, sendo concreto e vivido, tenha despertado posições contrárias ou disputa argumentativa e filosófica e que tenha implicações na discussão axiológica (tábua de valores e natureza dos valores) na discussão da noção e alcance da liberdade, na discussão acerca de critérios valorativos universais e, sobretudo, que ponha em relevo o tema da multiculturalidade e o problema do relativismo cultural e moral.
Sugestão de percurso:
- Apresentar sucintamente o tema
- apresentar razões para a sua escolha;
- mostrar como se constitui em problema
- apresentar respostas diferentes face ao tema/problema
- apresentar os argumentos defensores de cada tese
- apresentar objecções e contra-argumentos.
- discutir e problematizar os argumentos (pelo seu alcance, a sua possível invalidade (falácias),...)
- concluir tomando posição e/ou concluir considerando a importância do tema/problema no mundo actual ou para a sua formação.
§ Para desenvolver o trabalho deve mobilizar conhecimentos, relacionando as diferentes temáticas abordadas: por isso pode desenvolver o trabalho aduzindo temas paralelos que podem ter/ têm implicações: liberdade; hierarquia de valores; natureza dos valores; acção humana; juízos de valor; valores universais;
§ Pode socorrer-se (desde que sejam logicamente validos de argumentos de oriundos de diversos campos do saber e da actividade humana: filosófico, científico, religioso, estatístico, factuais, antropológico.
§ Pode usar imagens.
Sugestões de Temas/problema:
A. – A mutilação genital feminina
B. – O caso do véu islâmico nas escolas de França;
C. – Os touros de morte em Barrancos
D. – A mulher numa sociedade desigual
E. – Minorias étnicas/culturais em Portugal,...
F. ...
Bibliografia
Como ponto de partida – bibliografia base:
Rachels, James (2004). Capítulo 2 – O desafio do relativismo cultural. In Rachels, James (2004) fotocópias.
Manual adoptado, pp. 114-119; 120-125.
Bibliografia de apoio:
Touraine, Alain (1997) Iguais e diferentes. Lisboa: Piaget, capítulo 5 – biblioteca da Escola
Savater, Fernando (2000) Política para um jovem: Lisboa: Presença
McLaren, Peter (1997) Multiculturalismo crítico. São Paulo: Cortez editora, cap. 3, pp. 105-125.
Sites: http://dossiers.publico.pt/dossier.asp?idCanal=967 (mutilação genital feminina); ONU; UNESCO; UNICEF; Minorias étnicas; ...
Calendarização: entrega do trabalho escrito: 25 de Fevereiro; apresentação e defesa do trabalho: semana 01/03/08
Número de páginas: corpo de expositivo/argumentativo do trabalho: 2 – 4. Sem limite: anexos.
Avaliação:
- Trabalho escrito – equivalente a um teste (defesa oral: 50%)
- Apresentação e exposição – a inclui na qualidade da participação em contexto de aula
- preparação do trabalho: a incluir no trabalho de aula
a) critérios de análise do trabalho escrito:
- todos os que se incluem na dimensão das aprendizagens especificas da disciplina;
- todos os que se incluem na dimensão das aprendizagens transversais.
b) critérios de análise da apresentação oral:
- Rigor discursivo e conceptual;
- Inteligibilidade e clareza da apresentação
- cumprimento do tempo de apresentação
domingo, 15 de março de 2009
A Retórica do anúncio publicitário - 2
Tem a publicidade uma dimensão falaciosa?
Como manter distância crítica face à persuasão sofisticada da publicidade?

A. Descrição do discurso publicitário.
B. Qual o Objectivo da publicidade?
C. Qual o Público-alvo?
D. Quais os valores subjacentes – a dimensão conotativa da mensagem
E. quais e como utilizam os meios de persuasão:
a. Logos
b. Ethos
C. Qual o Público-alvo?
D. Quais os valores subjacentes – a dimensão conotativa da mensagem
E. quais e como utilizam os meios de persuasão:
a. Logos
b. Ethos
c. pathos
Problematização da definição tradicional de conhecimento
Segundo a definição tradicional, o conhecimento (de proposições) só é digno deste nome quando sobre essa proposição (P) há uma crença verdadeira justificada (CVJ). Deste modo, o conhecimento parte de uma convicção do sujeito relativamente ao objecto (S acredita em P), sendo que esta tem de ser verdadeira (P é verdadeira) e essa verdade tem de ser justificada através de provas ou razões empíricas e/ou racionais (S dispõe de justificação ou provas para acreditar que P). Assim, a CVJ pode ser representada como uma completa sobreposição dos conceitos de conhecimento e de verdade. Contudo, esta sobreposição suscita várias objecções. Para as explicar, dou um exemplo:
A física actual baseia-se em duas grandes teorias: a teoria da Relatividade e a Teoria Quântica. Até aqui, nada de mal mas, se analisarmos estas teorias verificamos que, apesar de uma ser boa para compreender o universo dos grandes objectos e outra ser eficiente na explicação do universo dos átomos, são entre si contraditórias. Isto acontece pois, enquanto que a mecânica da Teoria da Relatividade é determinista (consegue-se prever a evolução dos objectos desde que se saiba a respectiva velocidade e posição), a da Teoria Quântica é probabilística (recorre ao cálculo de probabilidades), já que não consegue prever a evolução de uma partícula pois não podemos saber, ao mesmo tempo, a velocidade e a posição de uma partícula (Princípio da Incerteza). Assim, podemos concluir uma de três coisas:
a) Uma teoria está certa e a outra errada;
b) Ambas as teorias estão erradas;
c) Ambas as teorias estão certas, admitindo que o universo é gerido por leis diferentes.
Esta última, vamos excluí-la, uma vez que vai contra a lógica por serem entre si contraditórias e contra a forma de pensar e de ver o mundo próprio da racionalidade humana que tem a tendência para a universalidade (tendência para unificar como verificamos na procura de uma Teoria de Tudo, que tenta unificar a teoria da Relatividade com a teoria Quântica).
Concentrando-nos nas duas primeiras e tendo por base que para haver conhecimento este teria de ser uma CVJ, então poderíamos concluir que ou apenas uma ou nenhuma das teorias seria considerada conhecimento. Ora, como podem estas teorias não serem consideradas conhecimento se estão na base da física actual? Pois bem, é exactamente aqui que residem duas grandes objecções à definição tradicional de conhecimento como CVJ:
1) Se todo o conhecimento digno desse nome tem de ser sempre uma crença verdadeira, então todos os nossos conhecimentos têm de ser sempre infalíveis. Considerando que, no futuro, descobríamos que ambas as teorias (que hoje são consideradas verdadeiras) são falsas, poderemos concluir que estas crenças não são conhecimento?
2) Se todo o conhecimento digno desse nome tem de ser necessariamente verdadeiro, então não pode haver progresso no conhecimento. Ora, considerando que (como se tem verificado do passado até à actualidade) estas teorias evoluirão para uma só e, portanto, haverá progresso ao nível destas teorias e, até mesmo, ao nível da forma de ver o mundo, poderemos concluir que estas teorias não são conhecimento?
Considerando que estas teorias são conhecimento (como poderiam não ser?), podemos então concluir que a definição de conhecimento como CVJ está incorrecta, ou pelo menos, incompleta.
Ana Gonçalves, 11.º B, ESJaimeMagalhãesLima
A física actual baseia-se em duas grandes teorias: a teoria da Relatividade e a Teoria Quântica. Até aqui, nada de mal mas, se analisarmos estas teorias verificamos que, apesar de uma ser boa para compreender o universo dos grandes objectos e outra ser eficiente na explicação do universo dos átomos, são entre si contraditórias. Isto acontece pois, enquanto que a mecânica da Teoria da Relatividade é determinista (consegue-se prever a evolução dos objectos desde que se saiba a respectiva velocidade e posição), a da Teoria Quântica é probabilística (recorre ao cálculo de probabilidades), já que não consegue prever a evolução de uma partícula pois não podemos saber, ao mesmo tempo, a velocidade e a posição de uma partícula (Princípio da Incerteza). Assim, podemos concluir uma de três coisas:
a) Uma teoria está certa e a outra errada;
b) Ambas as teorias estão erradas;
c) Ambas as teorias estão certas, admitindo que o universo é gerido por leis diferentes.
Esta última, vamos excluí-la, uma vez que vai contra a lógica por serem entre si contraditórias e contra a forma de pensar e de ver o mundo próprio da racionalidade humana que tem a tendência para a universalidade (tendência para unificar como verificamos na procura de uma Teoria de Tudo, que tenta unificar a teoria da Relatividade com a teoria Quântica).
Concentrando-nos nas duas primeiras e tendo por base que para haver conhecimento este teria de ser uma CVJ, então poderíamos concluir que ou apenas uma ou nenhuma das teorias seria considerada conhecimento. Ora, como podem estas teorias não serem consideradas conhecimento se estão na base da física actual? Pois bem, é exactamente aqui que residem duas grandes objecções à definição tradicional de conhecimento como CVJ:
1) Se todo o conhecimento digno desse nome tem de ser sempre uma crença verdadeira, então todos os nossos conhecimentos têm de ser sempre infalíveis. Considerando que, no futuro, descobríamos que ambas as teorias (que hoje são consideradas verdadeiras) são falsas, poderemos concluir que estas crenças não são conhecimento?
2) Se todo o conhecimento digno desse nome tem de ser necessariamente verdadeiro, então não pode haver progresso no conhecimento. Ora, considerando que (como se tem verificado do passado até à actualidade) estas teorias evoluirão para uma só e, portanto, haverá progresso ao nível destas teorias e, até mesmo, ao nível da forma de ver o mundo, poderemos concluir que estas teorias não são conhecimento?
Considerando que estas teorias são conhecimento (como poderiam não ser?), podemos então concluir que a definição de conhecimento como CVJ está incorrecta, ou pelo menos, incompleta.
Ana Gonçalves, 11.º B, ESJaimeMagalhãesLima
Darwin - 200 anos depois
Celebra-se este ano o bicentenário do nascimento do naturalista inglês Charles Darwin, mais conhecido pela publicação do livro Sobre a Origem das Espécies através da Selecção Natural ou a preservação de raças favorecidas na luta pela vida” (abreviado muitas vezes para A Origem das Espécies), na qual este apresenta a primeira teoria evolucionista apoiada em sólidos argumentos científicos e factos constatáveis. 150 anos depois, a proposta de Darwin continua a ser a mais aceite pela comunidade científica para explicar a origem e a grande diversidade de espécies que povoam o nosso planeta, com alguns ajustes e acrescentos derivados das novas descobertas nos campos da Genética e da Biologia Molecular. Mas será que toda a população pensa do mesmo modo?
Na verdade, estudos realizados revelam que 32% da população do Reino Unido, o país de nascimento de Charles Darwin, apoia a hipótese criacionista, enquanto 51% acreditam no design inteligente (teoria que afirma que muitos dos fenómenos do universo e dos seres vivos são melhor explicáveis por uma causa inteligente), em detrimento da teoria da evolução. Ainda associado a este estudo veio a descoberta de que grande quantidade das pessoas acha que a Terra foi criada nos últimos 10 mil anos. É preocupante que, em pleno século XXI, a maior parte das pessoas pense assim, quando toda a evidência científica demonstra que esse facto está errado. As razões desta situação, que não acontece só no Reino Unido mas também por todo o mundo, passam principalmente por três aspectos: em primeiro lugar, as pessoas têm muita dificuldade em separar a questão da origem das espécies da questão da existência ou não de Deus, isto é, muita gente ainda mistura ciência e religião, quando, na verdade, uma não implica a outra ou, pelo menos, não são inconciliáveis; em segundo lugar, a tentativa de instituir o criacionismo e o design inteligente como perspectivas científicas, quando evidentemente não o são, leva as pessoas leigas a questionar se estas não terão um fundo científico de verdade, embora ambas se apoiem em factos para os quais a ciência ainda não dá resposta como confirmações de que a sua teoria está correcta (uma versão moderna do “deus das lacunas”) ou argumentos falaciosos ou pobremente sustentados (como é o caso de defender que as constantes do universo foram feitas de modo a sustentar a vida, quando na verdade não sabemos se caso estas variassem a vida não existiria, embora sob outra forma); em terceiro lugar, muitas são as pessoas que vêem o evolucionismo como um fim dos valores morais humanos, já que defende a “luta pela sobrevivência” e a “sobrevivência do mais forte”. Contra este terceiro aspecto podemos argumentar não só que o evolucionismo não promove nenhum tipo de anarquia (na verdade, o código moral e ético do ser humano deriva da Razão, e não da sua dimensão biológica), mas também que hoje em dia os maiores conflitos morais (guerras, terrorismo,…) têm como base questões religiosas e não científicas.
É urgente promover o esclarecimento científico da população. Uma sociedade informada é uma sociedade melhor preparada para o progresso e para os desafios do presente e do futuro. Para isso muito contribuem as exposições e eventos abertos ao público, como é o caso da exposição sobre a vida e obra de Charles Darwin que estará na Fundação Gulbenkian até dia 24 de Maio e que aconselho a visitar.
Diogo Costa, 11.º B
Na verdade, estudos realizados revelam que 32% da população do Reino Unido, o país de nascimento de Charles Darwin, apoia a hipótese criacionista, enquanto 51% acreditam no design inteligente (teoria que afirma que muitos dos fenómenos do universo e dos seres vivos são melhor explicáveis por uma causa inteligente), em detrimento da teoria da evolução. Ainda associado a este estudo veio a descoberta de que grande quantidade das pessoas acha que a Terra foi criada nos últimos 10 mil anos. É preocupante que, em pleno século XXI, a maior parte das pessoas pense assim, quando toda a evidência científica demonstra que esse facto está errado. As razões desta situação, que não acontece só no Reino Unido mas também por todo o mundo, passam principalmente por três aspectos: em primeiro lugar, as pessoas têm muita dificuldade em separar a questão da origem das espécies da questão da existência ou não de Deus, isto é, muita gente ainda mistura ciência e religião, quando, na verdade, uma não implica a outra ou, pelo menos, não são inconciliáveis; em segundo lugar, a tentativa de instituir o criacionismo e o design inteligente como perspectivas científicas, quando evidentemente não o são, leva as pessoas leigas a questionar se estas não terão um fundo científico de verdade, embora ambas se apoiem em factos para os quais a ciência ainda não dá resposta como confirmações de que a sua teoria está correcta (uma versão moderna do “deus das lacunas”) ou argumentos falaciosos ou pobremente sustentados (como é o caso de defender que as constantes do universo foram feitas de modo a sustentar a vida, quando na verdade não sabemos se caso estas variassem a vida não existiria, embora sob outra forma); em terceiro lugar, muitas são as pessoas que vêem o evolucionismo como um fim dos valores morais humanos, já que defende a “luta pela sobrevivência” e a “sobrevivência do mais forte”. Contra este terceiro aspecto podemos argumentar não só que o evolucionismo não promove nenhum tipo de anarquia (na verdade, o código moral e ético do ser humano deriva da Razão, e não da sua dimensão biológica), mas também que hoje em dia os maiores conflitos morais (guerras, terrorismo,…) têm como base questões religiosas e não científicas.
É urgente promover o esclarecimento científico da população. Uma sociedade informada é uma sociedade melhor preparada para o progresso e para os desafios do presente e do futuro. Para isso muito contribuem as exposições e eventos abertos ao público, como é o caso da exposição sobre a vida e obra de Charles Darwin que estará na Fundação Gulbenkian até dia 24 de Maio e que aconselho a visitar.
Diogo Costa, 11.º B
Argumentação e Retórica
Filosofia: Argumentação e Retórica
Objectivo(s) Específico(s):
1) Distinguir argumentação de demonstração
2) Relacionar as diferentes características da argumentação
3) Articular os meios de persuasão com os tipos de auditório
O homem, ser que vive em sociedade, discute com os seus semelhantes, tenta fazer com que partilhem alguns dos seus pontos de vista, que realizem certos actos. É bastante raro que tenha, como único recurso, a coerção. Em geral, procura persuadir e convencer. Nos casos em que os meios de prova consistem numa demonstração rigorosa, estes são estudados por uma ciência bem definida que é a lógica. Mas à medida que esta se desenvolvia, no sentido de uma ciência puramente formal e definia as condições que permitem uma dedução correcta, reconheceu-se que uma grande parte das provas utilizadas em direito, em moral, em filosofia, nos debates públicos e na vida quotidiana, não poderiam ser consideradas no âmbito estrito da lógica formal.
Assim, torna-se necessário fazer uma distinção entre argumentação e demonstração.
A argumentação ocorre quando o conhecimento não é do domínio do absoluto e do verdadeiro. Ocorre quando existe incerteza, dúvida, prós e contras determinada tese. Ocorre sobretudo quando toca o domínio das decisões humanas que remetem para visões do mundo particulares, hierarquias de valores variáveis. Pelo contrário, numa demonstração (matemática) os axiomas não estão em discussão; sejam eles considerados como evidentes, como verdadeiros ou como simples hipóteses, não há qualquer preocupação em saber se eles são, ou não, aceites pelo auditório.
Daí podermos dizer que o seu ponto de partida (Quando se aplica?) está as proposições discutíveis e que podem assumir distintas formas:
a) sempre que a tese (e princípios de onde se parte para elaborar uma argumentação) não é verdadeira.
b) sempre que uma tese (ideia, teoria, hipótese, afirmação) não é objecto de aceitação unânime ou universal;
c) Sempre que os temas (assuntos) se traduzem em problemas.
Em que domínios tem aplicação a argumentação?
a) Nos domínios da Ética, Política, Filosofia, Religião, Educação, Estética; Ciências humanas, ciências sociais, Economia, etc.
b) Sempre que se tomam decisões, com justificações fundamentadas, de foro pessoal e/ou social com características racionais.
Qual a lógica que desenvolve a argumentação?
A demonstração parte de premissas verdadeiras ou aceites por todos, sendo que a conclusão se tem de aceitar pela necessidade lógica do raciocínio, faz com que este tipo de raciocínio seja o dedutivo. Ora como o raciocínio dedutivo pode ser avaliado com exactidão na sua correcção (validade formal), não só é traduzível numa linguagem formal como pode ser avaliado do ponto de vista da lógica formal.
Pelo contrário a argumentação não partindo de teses que se possam classificar como verdadeiras e não sendo objecto de uma aceitação universal, os raciocínios que se desenvolvem para as argumentar e defender são raciocínios normalmente não dedutivos – indutivos; por exemplos; de autoridade; analógicos. Neste caso os raciocínios podendo ser escrutinados do ponto de vista da lógica formal, esta não é suficiente para fazer aceitar a tese. A lógica informal avalia os argumentos do ponto de vista não da sua validade formal, mas da sua pertinência, razoabilidade e aceitabilidade.
Podemos ainda adiantar que na demonstração e em consequência do que foi dito, da verdade das premissas se infere necessariamente a verdade da conclusão. Pelo contrário, na argumentação da verdade das premissas não se infere necessariamente a verdade da conclusão. Assim, na primeira a conclusão é constringente, na segunda a conclusão é verosímil ou aceitável. Podemos acrescentar, embora seja adiante mais esclarecido, que a verdade/falsidade são os valores em jogo na demonstração (pressupondo a validade formal do processo dedutivo que a executa). Por sua vez, na argumentação a verdade das premissas é um entre outros critérios de aceitação/plausibilidade da conclusão. Por isso podemos inferir que a argumentação não se traduz numa linguagem lógico-matemática.
A relação com o auditório
A demonstração parece ser auto-suficiente, ou seja ela vale por si mesmo, independentemente de quem a produz ou de quem a acolhe, mas é também independente do contexto em que se produz. Queremos com isto dizer que o seu valor mantém inalterável independente quem é o orador, de quem constitui o auditório e do contexto em que se produz. Por sua vez, a argumentação querendo conduzir à adesão e procedendo-se num campo de critérios múltiplos de aceitabilidade da tese, tem de se ter em conta o perfil de quem a produz e o tipo de auditório que se pretende persuadir, bem como o contexto em que ocorre. Por isso se diz que tem as características de pessoalidade e de contextualidade.
Cada pessoa ao argumentar manifesta um carácter único, desenvolve com o auditório uma relação própria e equaciona e diz os argumentos de forma singular, mas cada auditório é também singular. Assim, podemos dizer que na demonstração a prova é impessoal, e a sua validade não depende em nada da opinião: aquele que infere num determinado sistema só pode aceitar o resultado das suas deduções. Em contrapartida, toda a argumentação é pessoal, dirige-se a indivíduos em relação aos quais ela se esforça por obter a adesão, a qual é susceptível de ter uma intensidade variável.
O contexto tem igualmente influência pelo que deve ser tido em conta. Assim, enquanto uma demonstração se apresenta isolado de todo o contexto, uma argumentação é necessariamente situada. Para ser eficaz, esta exige um contacto entre sujeitos.
A pluralidade de critérios
Vimos já que ao nível da argumentação as razões para admitir ou rejeitar uma tese podem ser diversas. A verdade dos argumentos constitui unicamente um motivo de adesão ou de rejeição no meio de tantos outros: uma tese pode ser admitida ou afastada porque é ou não oportuna, socialmente útil, justa e equilibrada. Dito de outra forma, o auditório avalia as teses do orador tendo em conta diversos critérios. É nestes sentido que falamos de pluralidade de critérios: os vários auditórios consoante a sua natureza e tipo têm diferentes critérios valorativos, e dentro de um mesmo auditório as pessoas que o compõem podem ter pontos de vista e escalas valorativas diferentes. Ou seja, enquanto na demonstração a verdade (ou aceitação universal) e a necessidade lógica são os únicos critérios de aceitação de uma ideia ou teoria, já na argumentação existem múltiplos critérios que permitem aceitar uma tese. Uma tese pode ser aceite por ter argumentos persuasivos do ponto de vista económico, ou por que apela à justiça, ou por que apela à segurança e tranquilidade, ou por que apela à beleza, etc.
A intensidade da adesão à tese
Outra característica importante que permite distinguir e caracterizar a argumentação é o facto de uma tese antes aceite poder ser rejeitada ou vice-versa, e uma tese ter aceitação variável no tempo pelo mesmo auditório. É claro que na demonstração a adesão é total e constante.
A adaptação e maleabilidade da argumentação
Pelo que foi exposto, relativo à contextualidade, à pessoalidade, à pluralidade de critérios, à intensidade da adesão, é fácil inferir que o orador, antes de iniciar o seu discurso, deve ter do seu auditório uma ideia tanto quanto possível próxima da realidade, uma vez que um erro sobre este ponto pode ser fatal para o efeito que ele quer produzir; é em função do auditório que toda a argumentação se deve organizar, se esta quiser ser eficaz. Assim é indispensável ao orador conhecer o auditório sobre o qual quer exercer a acção. O orador que queira agir eficazmente pelo seu discurso deve adaptar-se ao seu auditório.
Em que consiste esta adaptação?
A contingência e a verosimilitude dos conhecimentos e teses defendidos na argumentação, bem como o facto desta se desenvolver num contexto particular e num domínio pessoal (onde têm influência as características individuais do orador e as características do auditório), faz com que o orador deva adaptar o seu discurso ao auditório (ás suas características intelectuais, socioprofissionais e culturais). A adaptação da argumentação ao auditório visa não só que os argumentos sejam entendíveis, mas sobretudo que “joguem” (vão ao encontro) dos critérios valorativos do auditório, para que este reconheça o valor da tese e a ela adira.
Com efeito, a finalidade da argumentação é transferir para as conclusões a adesão que é concedida às premissas. O orador só poderá partir de premissas que beneficiem de uma adesão suficiente: se esta adesão não for forte, a primeira preocupação daquele que quer persuadir deve ser a de a reforçar por todos os meios. Adaptar-se ao auditório é, sobretudo, escolher como premissas da argumentação as teses admitidas por este último.
É também de referir que o auditório tem legitimidade de contestação e só adere à tese que o orador apresenta se quiser. Tem o poder de utilizar a sua capacidade critica e questionadora, e de não se deixar influenciar se a tal não estiver disposto. A nossa capacidade de contestação tem de estar alerta para não nos deixarmos influenciar sem darmos conta. Numa situação argumentativa a relação que se estabelece entre orador e auditório é uma relação horizontal. Assim sendo, nenhum dos dois pólos se sobrepõe ao outro. Ambos têm legitimidade e a ambos é reconhecida competência.
Numa demonstração, os signos utilizados são, em princípio, desprovidos de qualquer ambiguidade, contrariamente à argumentação, que se desenrola numa língua natural, cuja ambiguidade não se encontra previamente excluída.
◙ Condições prévias (condições sine qua non) para que o discurso argumentativo o seja realmente:
- Validade formal dos argumentos;
- Validade informal dos argumentos;
- Princípios éticos: por ex. boa fé dos participantes: é necessário que o orador queira exercer, mediante o seu discurso, uma acção sobre o auditório, isto é, sobre o conjunto daqueles que se propõe influenciar. Por outro lado, é necessário que os auditores estejam dispostos a escutar e a sofrer a acção do orador.
Objectivo(s) Específico(s):
1) Distinguir argumentação de demonstração
2) Relacionar as diferentes características da argumentação
3) Articular os meios de persuasão com os tipos de auditório
O homem, ser que vive em sociedade, discute com os seus semelhantes, tenta fazer com que partilhem alguns dos seus pontos de vista, que realizem certos actos. É bastante raro que tenha, como único recurso, a coerção. Em geral, procura persuadir e convencer. Nos casos em que os meios de prova consistem numa demonstração rigorosa, estes são estudados por uma ciência bem definida que é a lógica. Mas à medida que esta se desenvolvia, no sentido de uma ciência puramente formal e definia as condições que permitem uma dedução correcta, reconheceu-se que uma grande parte das provas utilizadas em direito, em moral, em filosofia, nos debates públicos e na vida quotidiana, não poderiam ser consideradas no âmbito estrito da lógica formal.
Assim, torna-se necessário fazer uma distinção entre argumentação e demonstração.
A argumentação ocorre quando o conhecimento não é do domínio do absoluto e do verdadeiro. Ocorre quando existe incerteza, dúvida, prós e contras determinada tese. Ocorre sobretudo quando toca o domínio das decisões humanas que remetem para visões do mundo particulares, hierarquias de valores variáveis. Pelo contrário, numa demonstração (matemática) os axiomas não estão em discussão; sejam eles considerados como evidentes, como verdadeiros ou como simples hipóteses, não há qualquer preocupação em saber se eles são, ou não, aceites pelo auditório.
Daí podermos dizer que o seu ponto de partida (Quando se aplica?) está as proposições discutíveis e que podem assumir distintas formas:
a) sempre que a tese (e princípios de onde se parte para elaborar uma argumentação) não é verdadeira.
b) sempre que uma tese (ideia, teoria, hipótese, afirmação) não é objecto de aceitação unânime ou universal;
c) Sempre que os temas (assuntos) se traduzem em problemas.
Em que domínios tem aplicação a argumentação?
a) Nos domínios da Ética, Política, Filosofia, Religião, Educação, Estética; Ciências humanas, ciências sociais, Economia, etc.
b) Sempre que se tomam decisões, com justificações fundamentadas, de foro pessoal e/ou social com características racionais.
Qual a lógica que desenvolve a argumentação?
A demonstração parte de premissas verdadeiras ou aceites por todos, sendo que a conclusão se tem de aceitar pela necessidade lógica do raciocínio, faz com que este tipo de raciocínio seja o dedutivo. Ora como o raciocínio dedutivo pode ser avaliado com exactidão na sua correcção (validade formal), não só é traduzível numa linguagem formal como pode ser avaliado do ponto de vista da lógica formal.
Pelo contrário a argumentação não partindo de teses que se possam classificar como verdadeiras e não sendo objecto de uma aceitação universal, os raciocínios que se desenvolvem para as argumentar e defender são raciocínios normalmente não dedutivos – indutivos; por exemplos; de autoridade; analógicos. Neste caso os raciocínios podendo ser escrutinados do ponto de vista da lógica formal, esta não é suficiente para fazer aceitar a tese. A lógica informal avalia os argumentos do ponto de vista não da sua validade formal, mas da sua pertinência, razoabilidade e aceitabilidade.
Podemos ainda adiantar que na demonstração e em consequência do que foi dito, da verdade das premissas se infere necessariamente a verdade da conclusão. Pelo contrário, na argumentação da verdade das premissas não se infere necessariamente a verdade da conclusão. Assim, na primeira a conclusão é constringente, na segunda a conclusão é verosímil ou aceitável. Podemos acrescentar, embora seja adiante mais esclarecido, que a verdade/falsidade são os valores em jogo na demonstração (pressupondo a validade formal do processo dedutivo que a executa). Por sua vez, na argumentação a verdade das premissas é um entre outros critérios de aceitação/plausibilidade da conclusão. Por isso podemos inferir que a argumentação não se traduz numa linguagem lógico-matemática.
A relação com o auditório
A demonstração parece ser auto-suficiente, ou seja ela vale por si mesmo, independentemente de quem a produz ou de quem a acolhe, mas é também independente do contexto em que se produz. Queremos com isto dizer que o seu valor mantém inalterável independente quem é o orador, de quem constitui o auditório e do contexto em que se produz. Por sua vez, a argumentação querendo conduzir à adesão e procedendo-se num campo de critérios múltiplos de aceitabilidade da tese, tem de se ter em conta o perfil de quem a produz e o tipo de auditório que se pretende persuadir, bem como o contexto em que ocorre. Por isso se diz que tem as características de pessoalidade e de contextualidade.
Cada pessoa ao argumentar manifesta um carácter único, desenvolve com o auditório uma relação própria e equaciona e diz os argumentos de forma singular, mas cada auditório é também singular. Assim, podemos dizer que na demonstração a prova é impessoal, e a sua validade não depende em nada da opinião: aquele que infere num determinado sistema só pode aceitar o resultado das suas deduções. Em contrapartida, toda a argumentação é pessoal, dirige-se a indivíduos em relação aos quais ela se esforça por obter a adesão, a qual é susceptível de ter uma intensidade variável.
O contexto tem igualmente influência pelo que deve ser tido em conta. Assim, enquanto uma demonstração se apresenta isolado de todo o contexto, uma argumentação é necessariamente situada. Para ser eficaz, esta exige um contacto entre sujeitos.
A pluralidade de critérios
Vimos já que ao nível da argumentação as razões para admitir ou rejeitar uma tese podem ser diversas. A verdade dos argumentos constitui unicamente um motivo de adesão ou de rejeição no meio de tantos outros: uma tese pode ser admitida ou afastada porque é ou não oportuna, socialmente útil, justa e equilibrada. Dito de outra forma, o auditório avalia as teses do orador tendo em conta diversos critérios. É nestes sentido que falamos de pluralidade de critérios: os vários auditórios consoante a sua natureza e tipo têm diferentes critérios valorativos, e dentro de um mesmo auditório as pessoas que o compõem podem ter pontos de vista e escalas valorativas diferentes. Ou seja, enquanto na demonstração a verdade (ou aceitação universal) e a necessidade lógica são os únicos critérios de aceitação de uma ideia ou teoria, já na argumentação existem múltiplos critérios que permitem aceitar uma tese. Uma tese pode ser aceite por ter argumentos persuasivos do ponto de vista económico, ou por que apela à justiça, ou por que apela à segurança e tranquilidade, ou por que apela à beleza, etc.
A intensidade da adesão à tese
Outra característica importante que permite distinguir e caracterizar a argumentação é o facto de uma tese antes aceite poder ser rejeitada ou vice-versa, e uma tese ter aceitação variável no tempo pelo mesmo auditório. É claro que na demonstração a adesão é total e constante.
A adaptação e maleabilidade da argumentação
Pelo que foi exposto, relativo à contextualidade, à pessoalidade, à pluralidade de critérios, à intensidade da adesão, é fácil inferir que o orador, antes de iniciar o seu discurso, deve ter do seu auditório uma ideia tanto quanto possível próxima da realidade, uma vez que um erro sobre este ponto pode ser fatal para o efeito que ele quer produzir; é em função do auditório que toda a argumentação se deve organizar, se esta quiser ser eficaz. Assim é indispensável ao orador conhecer o auditório sobre o qual quer exercer a acção. O orador que queira agir eficazmente pelo seu discurso deve adaptar-se ao seu auditório.
Em que consiste esta adaptação?
A contingência e a verosimilitude dos conhecimentos e teses defendidos na argumentação, bem como o facto desta se desenvolver num contexto particular e num domínio pessoal (onde têm influência as características individuais do orador e as características do auditório), faz com que o orador deva adaptar o seu discurso ao auditório (ás suas características intelectuais, socioprofissionais e culturais). A adaptação da argumentação ao auditório visa não só que os argumentos sejam entendíveis, mas sobretudo que “joguem” (vão ao encontro) dos critérios valorativos do auditório, para que este reconheça o valor da tese e a ela adira.
Com efeito, a finalidade da argumentação é transferir para as conclusões a adesão que é concedida às premissas. O orador só poderá partir de premissas que beneficiem de uma adesão suficiente: se esta adesão não for forte, a primeira preocupação daquele que quer persuadir deve ser a de a reforçar por todos os meios. Adaptar-se ao auditório é, sobretudo, escolher como premissas da argumentação as teses admitidas por este último.
É também de referir que o auditório tem legitimidade de contestação e só adere à tese que o orador apresenta se quiser. Tem o poder de utilizar a sua capacidade critica e questionadora, e de não se deixar influenciar se a tal não estiver disposto. A nossa capacidade de contestação tem de estar alerta para não nos deixarmos influenciar sem darmos conta. Numa situação argumentativa a relação que se estabelece entre orador e auditório é uma relação horizontal. Assim sendo, nenhum dos dois pólos se sobrepõe ao outro. Ambos têm legitimidade e a ambos é reconhecida competência.
Numa demonstração, os signos utilizados são, em princípio, desprovidos de qualquer ambiguidade, contrariamente à argumentação, que se desenrola numa língua natural, cuja ambiguidade não se encontra previamente excluída.
◙ Condições prévias (condições sine qua non) para que o discurso argumentativo o seja realmente:
- Validade formal dos argumentos;
- Validade informal dos argumentos;
- Princípios éticos: por ex. boa fé dos participantes: é necessário que o orador queira exercer, mediante o seu discurso, uma acção sobre o auditório, isto é, sobre o conjunto daqueles que se propõe influenciar. Por outro lado, é necessário que os auditores estejam dispostos a escutar e a sofrer a acção do orador.
A Argumentação para lá da lógica
O domínio do discurso argumentativo
◙ Quando se aplica?
- Sempre que uma tese (ideia, teoria, hipótese, afirmação) não é objecto de aceitação unanime e/ou de constatação da sua verdade
- Sempre que a tese, os seus pressupostos ou princípios não são de aceitação universal (intersubjectiva e unânime)
- Sempre que os temas (assuntos) se traduzem em problemas, sobre os quais recai a incerteza e não dispomos de consenso.
- Sempre que não é possível fazer aceitar uma conclusão por ela não decorrer dedutiva e necessariamente das premissas.
◙ Para que se utiliza a argumentação?
- Para persuadir e convencer da pertinência, razoabilidade e aceitabilidade de uma tese. Persuadir e convencer visa em última análise a adesão do auditório a quem se dirige o discurso argumentativo ou dos interlocutores com quem se dialoga.
◙ Em que domínios tem aplicação a argumentação?
- Domínios da Ética, Política, Filosofia, Religião, Educação, Estética,...
- Sempre que se tomam decisões, com justificações fundamentadas, de foro pessoal e/ou social com características racionais.
◙ Como se desenvolve o discurso argumentativo?
a) Pesquisando, desenvolvendo e organizando argumentos (razões justificativas) que tornem verosímil, plausível ou provável uma tese
b) Enunciando a tese e os argumentos face a um auditório pretendendo persuadi-lo ou convencê-lo a aderir a essa tese.
c) Neste processo o orador tem de contar com a sua próprias características pessoais (Ethos) e com os sentimentos (Pathos) que a sua elocução desperta no auditório.
◙ Condições prévias (condições sine qua non) para que o discurso argumentativo tenha sentido:
- Validade formal dos argumentos
- Validade informal dos argumentos
- Princípios éticos: p. ex.: boa fé dos participantes.
A argumentação ocorre quando o conhecimento não é do domínio do absoluto e do verdadeiro. Ocorre quando existe incerteza, dúvida, prós e contras determinada tese. Ocorre sobretudo quando toca o domínio das decisões humanas que remetem para visões do mundo particulares, hierarquias de valores variáveis.
Desta forma, a contingência e a verosimilitude dos conhecimentos e teses defendidos, bem como o facto da argumentação se desenvolver num contexto particular e num domínio comunicacional e pessoal (onde têm influência as características individuais do orador e as características do auditório), faz com que o orador deva adaptar o seu discurso ao auditório (ás suas características intelectuais, socioprofissionais e culturais). A adaptação da argumentação ao auditório visa não só que os argumentos sejam entendíveis, mas sobretudo que “joguem” (vão ao encontro) dos critérios valorativos do auditório, de forma a que este reconheça o valor da tese e a ela adira.
A argumentação tem uma dimensão racional, enquanto desenvolve argumentos DEDUTIVOS E logicamente válidos (lógica formal), mas também argumentos NÃO DEDUTIVOS pertinentes, razoáveis e plausíveis (lógica informal).
Tem uma outra dimensão que é comunicacional, onde as pessoas “põem em comum” razões por meio da linguagem, mas igualmente nessa comunicação se expõem, pelo que o carácter (Ethos) do orador tem influência na adesão, assim como a emoção, sentimentos (Phatos) que os argumentos suscitam no auditório. Desta forma não é só o Logos que está presente no debate, na disputa intelectual ou no discurso do orador. Está igualmente presente o crédito que o orador conquista ou detém (Ethos), bem como a capacidade deste e dos argumentos despertarem a adesão emocional (Phatos) no auditório.
Do que ficou dito se infere que a argumentação ultrapassa o domínio da demonstração e dos raciocínios dedutivos, para se situar numa lógica que ultrapassa a mera dedução de verdades dadas e aceites, socorrendo-se de raciocínios e argumentos de natureza indutiva, emocional, entre outros.
Assim, na argumentação para além do tipo de argumentos a utilizar, temos o tipo (ou meio) de persuasão a utilizar: O Logos, o Ethos e o Phatos.
Contudo, um discurso não é persuasivo somente por acentuar este ou aquele meio de persuasão, ou por usar este ou aquele tipo de argumento, mas é-o igualmente pela organização interna, pela estrutura que assume, pela dinâmica que tem e desperta.
◙ Quando se aplica?
- Sempre que uma tese (ideia, teoria, hipótese, afirmação) não é objecto de aceitação unanime e/ou de constatação da sua verdade
- Sempre que a tese, os seus pressupostos ou princípios não são de aceitação universal (intersubjectiva e unânime)
- Sempre que os temas (assuntos) se traduzem em problemas, sobre os quais recai a incerteza e não dispomos de consenso.
- Sempre que não é possível fazer aceitar uma conclusão por ela não decorrer dedutiva e necessariamente das premissas.
◙ Para que se utiliza a argumentação?
- Para persuadir e convencer da pertinência, razoabilidade e aceitabilidade de uma tese. Persuadir e convencer visa em última análise a adesão do auditório a quem se dirige o discurso argumentativo ou dos interlocutores com quem se dialoga.
◙ Em que domínios tem aplicação a argumentação?
- Domínios da Ética, Política, Filosofia, Religião, Educação, Estética,...
- Sempre que se tomam decisões, com justificações fundamentadas, de foro pessoal e/ou social com características racionais.
◙ Como se desenvolve o discurso argumentativo?
a) Pesquisando, desenvolvendo e organizando argumentos (razões justificativas) que tornem verosímil, plausível ou provável uma tese
b) Enunciando a tese e os argumentos face a um auditório pretendendo persuadi-lo ou convencê-lo a aderir a essa tese.
c) Neste processo o orador tem de contar com a sua próprias características pessoais (Ethos) e com os sentimentos (Pathos) que a sua elocução desperta no auditório.
◙ Condições prévias (condições sine qua non) para que o discurso argumentativo tenha sentido:
- Validade formal dos argumentos
- Validade informal dos argumentos
- Princípios éticos: p. ex.: boa fé dos participantes.
A argumentação ocorre quando o conhecimento não é do domínio do absoluto e do verdadeiro. Ocorre quando existe incerteza, dúvida, prós e contras determinada tese. Ocorre sobretudo quando toca o domínio das decisões humanas que remetem para visões do mundo particulares, hierarquias de valores variáveis.
Desta forma, a contingência e a verosimilitude dos conhecimentos e teses defendidos, bem como o facto da argumentação se desenvolver num contexto particular e num domínio comunicacional e pessoal (onde têm influência as características individuais do orador e as características do auditório), faz com que o orador deva adaptar o seu discurso ao auditório (ás suas características intelectuais, socioprofissionais e culturais). A adaptação da argumentação ao auditório visa não só que os argumentos sejam entendíveis, mas sobretudo que “joguem” (vão ao encontro) dos critérios valorativos do auditório, de forma a que este reconheça o valor da tese e a ela adira.
A argumentação tem uma dimensão racional, enquanto desenvolve argumentos DEDUTIVOS E logicamente válidos (lógica formal), mas também argumentos NÃO DEDUTIVOS pertinentes, razoáveis e plausíveis (lógica informal).
Tem uma outra dimensão que é comunicacional, onde as pessoas “põem em comum” razões por meio da linguagem, mas igualmente nessa comunicação se expõem, pelo que o carácter (Ethos) do orador tem influência na adesão, assim como a emoção, sentimentos (Phatos) que os argumentos suscitam no auditório. Desta forma não é só o Logos que está presente no debate, na disputa intelectual ou no discurso do orador. Está igualmente presente o crédito que o orador conquista ou detém (Ethos), bem como a capacidade deste e dos argumentos despertarem a adesão emocional (Phatos) no auditório.
Do que ficou dito se infere que a argumentação ultrapassa o domínio da demonstração e dos raciocínios dedutivos, para se situar numa lógica que ultrapassa a mera dedução de verdades dadas e aceites, socorrendo-se de raciocínios e argumentos de natureza indutiva, emocional, entre outros.
Assim, na argumentação para além do tipo de argumentos a utilizar, temos o tipo (ou meio) de persuasão a utilizar: O Logos, o Ethos e o Phatos.
Contudo, um discurso não é persuasivo somente por acentuar este ou aquele meio de persuasão, ou por usar este ou aquele tipo de argumento, mas é-o igualmente pela organização interna, pela estrutura que assume, pela dinâmica que tem e desperta.
sexta-feira, 6 de março de 2009
Visitas de estudo
Ao longo dos anos lectivos realizam-se inúmeras visitas de estudo. Algumas das que no presente ano foram realizadas estão neste jornal assinaladas. As visitas de estudo continuam a ser momentos marcantes na vida dos jovens alunos, pelo convívio que geram, pela novidade que trazem de os situar num contexto diferente, pelas aprendizagens que envolvem, seja do mundo do trabalho, da arte, da cultura,…
Mas um outro aspecto tem de ser evidenciado, a marca que deixam enquanto implicam abertura do visitante. A abertura ao novo, ao diferente. Por muito específicas ou técnicas que sejam as visitas de estudo acabam por traduzir-se em experiências que, mais ou menos intensamente, reconfiguram os horizontes de referência e de leitura de quem as faz. Esta experiência não é facilmente contabilizável, e muitas das vezes não é programada e é, talvez, o que marca mais profundamente os alunos porquanto contribuem para a formação da identidade de cada um.
As visitas de estudo, enquanto formam cidadãos autónomos, críticos e com compreensão dos valores que os configuram estão, assim, ao serviço das finalidade do ensino e da sociedade aberta em que nos inserimos.
Mas um outro aspecto tem de ser evidenciado, a marca que deixam enquanto implicam abertura do visitante. A abertura ao novo, ao diferente. Por muito específicas ou técnicas que sejam as visitas de estudo acabam por traduzir-se em experiências que, mais ou menos intensamente, reconfiguram os horizontes de referência e de leitura de quem as faz. Esta experiência não é facilmente contabilizável, e muitas das vezes não é programada e é, talvez, o que marca mais profundamente os alunos porquanto contribuem para a formação da identidade de cada um.
As visitas de estudo, enquanto formam cidadãos autónomos, críticos e com compreensão dos valores que os configuram estão, assim, ao serviço das finalidade do ensino e da sociedade aberta em que nos inserimos.
segunda-feira, 2 de março de 2009
domingo, 1 de março de 2009
Filosofia - trabalho 11.º Ano - As consequências da tecnica e da ciência
FILOSOFIA
Trabalho de grupo (2 a 3 elementos) – 11.º Ano Turma B, E e H
Objectivos gerais do trabalho:
- Analisar conceitos, teses e argumentos; - Problematizar argumentos, teses e seus pressupostos; - Criar discurso argumentativo, consistente e organizado; - Desenvolver a consciência crítica dos desafios culturais decorrentes da nossa integração numa sociedade cada vez mais marcada pela globalização; - Adquirir informações seguras e relevantes para a compreensão dos problemas e dos desafios que se colocam às sociedades contemporâneas nos domínios da acção, dos valores, da ciência e da técnica; - Desenvolver um pensamento autónomo e emancipado que, por integração progressiva e criteriosa dos saberes parcelares, permita a elaboração de sínteses reflexivas pessoais, construtivas e abertas; - Desenvolver uma consciência crítica e responsável que, mediante a análise fundamentada da experiência, atenta aos desafios e aos riscos do presente, tome a seu cargo o cuidado ético pelo futuro.
Objectivos específicos:
- Organizar informação; - Problematizar um tema específico; - Conceptualizar os termos centrais a discutir; - Analisar discurso informativo e argumentativo; - A cultura científico-tecnológica; - Sintetizar ideias; - Discutir teses e argumentos; - Apresentar e desenvolver um argumentário.
Pressuposto/Condição: circunscrever a discussão a um tema/problema, se possível partindo de casos concretos, e seja campo de disputa argumentativa e filosófica (pelas implicações na discussão axiológica e ética, na liberdade, na discussão acerca de critérios valorativos universais, no papel do Estado, ...)
Tarefa: No âmbito dos temas/problemas da cultura científico-tecnológica deverá
1) apresentar e explicar o assunto e mostrar como se transforma em problema – Máximo 1000 palavras
2) discutir ou produzir um ensaio tendo em conta os seguintes elementos – máximo 700 palavras
- enunciar uma ou mais teses;
- contrapor teses e argumentos;
- objectar argumentos;
- posicionar-se criticamente
3) criar mapa conceptual
Deve optar por um subtema que entre os que são apresentados no manual e os que de seguida se apresentam
· A ciência, o poder e os riscos: o prolongamento da vida;
· A construção histórico-social da ciência;
· As novas tecnologias e o trabalho;
· O impacto da sociedade da informação na vida quotidiana: a net e os telemóveis configuram uma forma de agir e pensar?;
· globalização, modelos de pensamento e de vida, e sua compreensão do p.v. da Ética e da Filosofia Política;
· A industrialização e o impacto ambiental;
· Tecnológica, informática, globalização e cultura;
· A investigação científica e os interesses económico-políticos: a dependência económica da ciência e da investigação científica;
· A tecnociência e ética: - A manipulação genética. Ex.: clonagem; eugenismo; manipulação de embriões;
· A cultura tecnológica impõe-se como ideologia que marca a política: é a política uma forma tecnológica de decisão?
· A sociedade e a cultura e a tecnociência;
Calendarização:
§ Apresentar problema (por escrito) até 16 de Fevereiro;
§ Aulas de trabalho: 05/03; 09/03 ou (6/3 e 10/3)
§ Entrega de trabalho: 16/03 (17/3)
§ Apresentação do trabalho e Defesa de trabalhos: a partir de 17 de Março.
Número de páginas: corpo do trabalho: 4; Anexos: ilimitado em suporte informático
Avaliação:
- Trabalho escrito – Equivale a um teste.
- Defesa oral: visa confirmar a autoria do trabalho. – 20%
- Apresentação aos colegas: avaliado no âmbito da qualidade da participação
- cumprimento de calendarização e realização das tarefas em contexto de aula – avaliado em contexto de aprendizagens transversais e de trabalho de aula.
a) Critérios de análise do trabalho escrito:
- todos os que se incluem na dimensão das aprendizagens especificas da disciplina;
b) Critérios de análise da apresentação oral:
- Rigor discursivo e conceptual; - Inteligibilidade e clareza da apresentação.
Trabalhos com elementos plagiados serão classificados com zero pontos. Todo o elemento copiado deve ser referenciado
Trabalho de grupo (2 a 3 elementos) – 11.º Ano Turma B, E e H
Objectivos gerais do trabalho:
- Analisar conceitos, teses e argumentos; - Problematizar argumentos, teses e seus pressupostos; - Criar discurso argumentativo, consistente e organizado; - Desenvolver a consciência crítica dos desafios culturais decorrentes da nossa integração numa sociedade cada vez mais marcada pela globalização; - Adquirir informações seguras e relevantes para a compreensão dos problemas e dos desafios que se colocam às sociedades contemporâneas nos domínios da acção, dos valores, da ciência e da técnica; - Desenvolver um pensamento autónomo e emancipado que, por integração progressiva e criteriosa dos saberes parcelares, permita a elaboração de sínteses reflexivas pessoais, construtivas e abertas; - Desenvolver uma consciência crítica e responsável que, mediante a análise fundamentada da experiência, atenta aos desafios e aos riscos do presente, tome a seu cargo o cuidado ético pelo futuro.
Objectivos específicos:
- Organizar informação; - Problematizar um tema específico; - Conceptualizar os termos centrais a discutir; - Analisar discurso informativo e argumentativo; - A cultura científico-tecnológica; - Sintetizar ideias; - Discutir teses e argumentos; - Apresentar e desenvolver um argumentário.
Pressuposto/Condição: circunscrever a discussão a um tema/problema, se possível partindo de casos concretos, e seja campo de disputa argumentativa e filosófica (pelas implicações na discussão axiológica e ética, na liberdade, na discussão acerca de critérios valorativos universais, no papel do Estado, ...)
Tarefa: No âmbito dos temas/problemas da cultura científico-tecnológica deverá
1) apresentar e explicar o assunto e mostrar como se transforma em problema – Máximo 1000 palavras
2) discutir ou produzir um ensaio tendo em conta os seguintes elementos – máximo 700 palavras
- enunciar uma ou mais teses;
- contrapor teses e argumentos;
- objectar argumentos;
- posicionar-se criticamente
3) criar mapa conceptual
Deve optar por um subtema que entre os que são apresentados no manual e os que de seguida se apresentam
· A ciência, o poder e os riscos: o prolongamento da vida;
· A construção histórico-social da ciência;
· As novas tecnologias e o trabalho;
· O impacto da sociedade da informação na vida quotidiana: a net e os telemóveis configuram uma forma de agir e pensar?;
· globalização, modelos de pensamento e de vida, e sua compreensão do p.v. da Ética e da Filosofia Política;
· A industrialização e o impacto ambiental;
· Tecnológica, informática, globalização e cultura;
· A investigação científica e os interesses económico-políticos: a dependência económica da ciência e da investigação científica;
· A tecnociência e ética: - A manipulação genética. Ex.: clonagem; eugenismo; manipulação de embriões;
· A cultura tecnológica impõe-se como ideologia que marca a política: é a política uma forma tecnológica de decisão?
· A sociedade e a cultura e a tecnociência;
Calendarização:
§ Apresentar problema (por escrito) até 16 de Fevereiro;
§ Aulas de trabalho: 05/03; 09/03 ou (6/3 e 10/3)
§ Entrega de trabalho: 16/03 (17/3)
§ Apresentação do trabalho e Defesa de trabalhos: a partir de 17 de Março.
Número de páginas: corpo do trabalho: 4; Anexos: ilimitado em suporte informático
Avaliação:
- Trabalho escrito – Equivale a um teste.
- Defesa oral: visa confirmar a autoria do trabalho. – 20%
- Apresentação aos colegas: avaliado no âmbito da qualidade da participação
- cumprimento de calendarização e realização das tarefas em contexto de aula – avaliado em contexto de aprendizagens transversais e de trabalho de aula.
a) Critérios de análise do trabalho escrito:
- todos os que se incluem na dimensão das aprendizagens especificas da disciplina;
b) Critérios de análise da apresentação oral:
- Rigor discursivo e conceptual; - Inteligibilidade e clareza da apresentação.
Trabalhos com elementos plagiados serão classificados com zero pontos. Todo o elemento copiado deve ser referenciado
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